domingo, 17 de julho de 2011

CAMOCIM ENAMORADA DO MAR – PARTE 3


Sobre a origem da palavra Camocim, há duas versões: a de que seja corruptela “da frase: - co, buraco, ambyra, defunto e anhotim, enterrar – buraco para enterrra defunto – c’aam’otim; e a outra, que contraria a afirmação alencarina, se baseia no “vento abrasador do Egito que sopra do deserto”, chamado H’namsim, não estranho aos portugueses, antigos navegadores, que, por certo, ao se localizarem nas plagas, hoje Camocim, observaram que ali soprava vento semelhante ao que acontecia nas costas africanas, na parte merridional.

Entre as duas suposições, que são aparentemente lógicas, minha opinião vacila...

Porém, ante a autoridade inconfundível e imortal de José de Alencar, autor de Iracema e admirável indianista, resta aos estudiosos do assunto pesquisarem e julgarem.

Em referência a esse tema tão apaixonante – princípio de uma palavra que se tornou nome de uma cidade alegre e hospitaleira, é oportuno consultar a obra Camocim, de Tobias Melo Monteiro, um dos biógrafos, senão o único, até agora, de nossa simpática cidade litorânea.

Uma revelação que deixei para o final de minha mensagem aos meus conterrâneos: o nome de um inspirado poeta – Jugurtha Cavalcante Rocha, residente no Rio, mas ligado pelo coração, portanto por adoção, à gleba sempre beijada pelo mar.

Jugurtha, para muito, um ignoto, um anônimo: mas, para a Poesia, um artista, um príncipe em vercejar.

Foto: camocimdopovo.blogspot.com

Fonte: AGUIAR, FROTA. O Último Canto do Cisne!... . Rio de Janeiro: Editora Cátedra, 1993. p. 24-5.

CAMOCIM TEVE SEUS SOLDADOS DA BORRACHA?


As secas no Ceará provocaram aquilo que nos estudos de imigração ficou sistematizado como “migração para fora”. Na verdade, não somente no Ceará, mas, uma das soluções utilizada e incentivada em outros momentos de flagelo para os desvalidos do Nordeste e os pobres de outras regiões, era a de enviá-los para outras fronteiras brasileiras, dentre elas a Amazônia, especialmente para a exploração da borracha, no período do conflito da Segunda Guerra Mundial.
Neste sentido, toda uma estrutura de recrutamento e triagem foi montada no Ceará pelo Estado Novo, naquilo que ficou conhecido oficialmente como SEMTA – Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia. A logística de recrutamento se utilizaria da estrutura dos portos, através dos navios do Lloyd que saíam dos portos nordestinos lotados de homens, mulheres e crianças de todas as partes do Brasil, atraídos pelas histórias de enriquecimento fácil. No roteiro da distribuição, esse contingente humano era desembarcado no Maranhão, Belém, Manaus, Rio Branco e outras cidades menores nas quais as turmas de trabalhadores seriam entregues aos seringalistas (donos dos seringais), que deveriam levá-los até as colocações (locais de extração da borracha) onde, finalmente, cumpririam seu dever para com a pátria, segundo o discurso oficial.
Levas de trabalhadores cearenses, entre estes alguns camocinenses, partiram para os seringais convencidos de que era a melhor opção diante da convocação para o esforço de guerra: ou iriam para a Amazônia embalados pela mobilização do slogan “Borracha para a Vitória” ou seguiriam para as fronts de batalhas na Europa para combaterem os exércitos italianos e alemães. Foi o caso do rapaz abaixo mencionado, citado em ação declaratória por uma irmã junto à justiça local no ano de 1986:

Gerardo Fontenele Lima, atualmente em lugar incerto e não sabido, vez que em junho de 1942 saiu de casa, deixando seus pais e irmãos por ter sido convocado pela ‘SEMTA’, instituição que naquela época recrutava jovens para trabalhar nos seringais da Amazonas que também eram conhecidos como Soldados da Borracha na época da Segunda Guerra Mundial e nunca deu notícia de vida ou morte, sendo totalmente ignorado seu paradeiro, dada a inexistência de qualquer notícia ou simples informação a seu respeito, por este longo período de tempo.[1]

Este exemplo serve como ilustração desse movimento migratório. O mesmo porto que atrai levas de retirantes é o caminho de saída para os trabalhadores locais na busca de outros lugares que os seduzem pela sobrevivência ou pela riqueza.

P.S: O rapaz em questão é tio dos amigos Paulo do Veré, Eliana, Elenita e Salvelina.

Foto: sociedadeestranha.blogspot.com

[1] Ação declaratória – Nº 2526. Autora: Angelita Ferreira Fontenele, fl. 2, Ano: 1986. Cx: 114.

AOS COMERCIANTES DE CAMOCIM


A História de uma cidade passa impreterivelmente pelo cotidiano das pessoas e das entidades. Neste sentido, estas histórias estão irremediavelmente entrelaçadas. Como uma das mais antigas entidades civis de Camocim em atividade, a Associação Comercial viveu, contribuiu, interferiu e testemunhou muito sobre a história do município. Desta forma, contar a história da Associação Comercial de Camocim é contar um pouco da história do município que neste ano completa 130 anos de emancipação política. Por outro lado, quando a ACC amplia suas dependências para dar mais conforto aos seus associados e melhorar a operacionalização dos seus projetos, uma publicação de uma obra que conte sua história, mostrará mais firmemente sua importância social na comunidade.”
Esses são os dois parágrafos introdutórios de uma pesquisa que realizamos há dois anos atrás e que está de posse da Associação Comercial de Camocim para publicação, tendo o título provisório deHomens de Negócios. História da Associação Comercial de Camocim-CE.”Ainda aguardamos os contatos da entidade para possíveis esclarecimentos e ajustes sobre a obra, que, sem dúvida, seria de grande importância para a história da cidade, principalmente, pela relevância histórica contida nos documentos ali enfeixados. O blog aproveita para parabenizar todos os comerciantes de Camocim e região pela passagem do seu dia, no último dia 16 de julho.
Foto: Sr. José Osvaldo Angelim - Presidente da Associação Comercial de Camocim.
Fonte: ocorreioonline.blogspot.com

segunda-feira, 11 de julho de 2011

ABECEDARIUS CAMOCINENSIS - ADROALDO MOURA

ADROALDO MARTINS MOURA – Comerciante e vereador. Nasceu em 31/12/1928 em Tianguá-CE. Filho de Antonio Martins de Araújo e Luíza Francisca da Costa. Comerciou por muito tempo no Mercado Público de Camocim com sortida mercearia. Entrou na política como vereador, exercendo quatro mandatos nos seguintes períodos (1977 a 1982), (1983 a 1988); (1993 a 1996) e (1997 a 2000). Sempre pertenceu a facção política da Família Aguiar. Faleceu em 2008. "Seu" Adroaldo foi um daqueles políticos hoje difícil de encontrar. Além da fidelidade política ao seu grupo, juntamente com alguns outros, conseguiram manter viva, à custa até de suas expensas pessoais, o legalo político de Murilo Rocha Aguiar, num tempo em que o lider estava impedido de fazer política, por conta de sua cassação pelo Regime Militar de 1964. Seu Adroaldo, fazia de seu comércio um ponto de apoio de manutenção da política "cara preta", atendendo a eleitores e difundindo notícias de seu chefe político.

Foto: arquivo do blog.




CAMOCIM, ENAMORADA DO MAR - PARTE 2


Dando prosseguimento ao texto do camocinense Frota Aguiar, o blog segue reproduzindo o texto na seção "Escritores de Camocim". Confiram abaixo:

"Seria uma injustiça se não invocasse também o nome do homeopata Francisco Nelson, carinhosamente conhecido por Chico Nelson, o qual, perseguido por incompreensão política, homiziou-se por breve tempo em Massapê, onde, com sua arte de curar, suavizou muitos sofrimentos, inclusive salvando a vida de minha irmã Dulce, atualmente a serviço de Deus como Irmã de Caridade.
Camocim não é exceção. Possui também filhos ilustres e progressistas que se projetaram nos vários segmentos da sociedade: na literatura, nas artes, nas ciências, na indústria, no comércio, nas profissões liberais, na carreira das armas e na imprensa.
Citando Raimundo Cela e Pinto Martins, cujos nomes se tornaram mundialmente conhecidos, estou assim homenageando dos demais que já estão no reconhecimento dos camocinenses.
Já afastado de minha terra natal, vivendo em paragens do Rio de Janeiro, testemunhei de longe surgir, na área político-administrativa Murilo Rocha Aguiar, o ex-seminarista, com credenciais positivas de homem público, investido de defensor das coisas da coletividade de sua comuna, quer no âmbito municipal, quer no estadual e federal. Essa afirmação, de intenção cívica, jamais desmerecerá os demais homens públicos da terra, também merecedores de respeito pelo que realizaram.
Com aquela firme obstinação, uma das suas características, o impetuoso político invadia Gabinetes Ministeriais e convocava quem o pudesse ajudar - até o que escreve essas recordações, na conquista daquilo que perseguia. A sobrevivência do porto de Camocim era sua forte preocupação!
Embora de físico franzino, existia dentro do peito desse valoroso lutador um dínamo humano, irradiando energias.
Ainda no Rio, vim a conhecer, honrado com sua amizade, a figura humana e social de Alcino Cavalcante Rocha, expressão da inteligência e de invejável memória, como um dos exilados da política do terror que então imperava no Ceará.
Alto, delgado e de personalidade firme, Alcino era exímio recitador de poesias. Lembro-me de uma delas - A Maldição, de caráter político, de autoria do farmacêutico e poeta Rodrigues de Andrade, de grande repercussão na época, anatematizando a tirânica Intervetoria do General Setembrino de Carvalho - instrumento da política autoritária do Senador Pinheiro Machado, que assim terminava com esse verso ardente: "Até que as pragas te consumam, nos infernos hás de estourar!".

Essa poesia era a de sua predileção. Recitava-a com entusiasmo. Vingança? Não. Protesto ao arbítrio, sim.
Foto: Rua Alcindo Rocha. Camocim. Fonte: panoramio.


sábado, 9 de julho de 2011

CAMOCIM É OBJETO DE PESQUISA NA UVA


Duas monografias de final de curso foram defendidas neste final de semestre no Curso de História da UVA tendo Camocim como objeto de pesquisa. A primeira aconteceu quinta-feira, 30 às 20:00h no CCH com o tema: "O TERRA E MAR: UMA HISTÓRIA DO PROFANO EM CAMOCIM-CE. 1940-1980), de autoria de Petrilia Paulinni Pereira Sales Filho, tendo como orientador o Prof. Ms. Igor Alves Moreira. Os examinadores serão os Professores Carlos Augusto Pereira dos Santos e José Valdenir Rabelo Filho. O outro trabalho foidefendido no dia 07 de julho de 2011 às 10:00h no mesmo local, tendo como autora a aluna Vera Lúcia Silva, que tratou do Serviço de Promoção Humana em Camocim. O trabalho teve a orientação da Profa. Ms. Viviane Prado Bezerra, tendo como examinadores os professores Agenor Soares e Silva Júnior e Benediro Genésio Ferreira. Breve estaremos explorando essses trabalhos no blog.
Foto: Quadro do artista plástico camocinense "Totõe". Fonte: Internet

segunda-feira, 4 de julho de 2011

CAMOCIM AINDA TEM - O QUE SE VER,O QUE SE OUVIR...

Das indas e vindas que a condição de morador temporário em Sobral me proporciona, a última foi a melhor que já tive. Explico o porquê: primeiro porque a chegada à Camocim na última sexta-feira, 01 de julho foi antecipada com a visita à Casa da Memória em Tianguá, o Memorial Clóvis Beviláqua em Viçosa e o Instituto José Xavier em Granja. Com meu grupo de alunos do Programa de Educação Tutorial - PET, do Curso de História da UVA, visitamos esses lugares, privados e públicos, que de forma diversa, trabalham para a preservação da história desses lugares. Infelizmente, meu semblante já mudara quando chegamos em Camocim.O que mostrar em nossa cidade semelhante ao que já víamos nas outras cidades? Num átimo pensei: se não temos espaços de memória circunstanciados,organizados,vou mostrar o nosso jeito espontâneo de ser. Comecei pelo Grijalba, onde lhes apresentei o "Mudo" garçom, recebendo a cerveja do caminhão para o final de semana e nos atendendo solícito. À noite, a moçada se rendeu aos pratos do Ponto 10 do Chef Ênio. Na volta para casa, encontramos o poeta Sotero no calçadão, embalando sua filha diante do Rio da Cruz. Apresentei o nosso poeta e ele nos brindou com declamações de sua melhor poesia. No sábado, de passagem pelo Mercado, posamos e colaboramos com a caixinha do cantor excepcional que anima as manhãs daquele espaço com grunhidos e criatividade que só os excepcionais são capazes. Mostrei-lhes o que resta do passado áureo denunciador do tempo do porto e da ferrovia, e de quebra, ainda vimos o Mauro Viana, pintando em seu ateliê. Tomamos um barco e fomos à Ilha do Amor saborear a muqueca de arraia, especialidade da amiga Valdete.Na volta, encontro e conheço Nagibe Melo, (desculpa as anedotas sem graça!) parente do Mauro Viana e leitor desse blog, que me dá uma notícia maravilhosa: a volta do Boi do Juriti. Ele presenciou a apresentação na casa do Júnior Bijouterias. Almoçamos novamentee no Ênio e lá encontro o Dr. Raimundo Silva, baluarte da Academia Camocinense de Ciências, Artes e Letras. Para ele, peço notícias de Olivar e lhe informo que participei de banca de monografia sobre o "Terra e Mar" de Carlos Cardeal. Voltei revigorado e,apesar dos alunos terem atestado o descaso para com a limpeza e o zelo para com a cidade, ainda temos o que mostrar.

P.S: Ainda fomos conferir o blogueiro Tadeu Nogueira em "atividade", mas, parece que o homem tava prás bandas do Piauí...


Foto: camocimdopovo.blogspot.com.