quarta-feira, 25 de setembro de 2013

III SC 14 - ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA DERRUBA PRÉDIOS HISTÓRICOS EM CAMOCIM




Empresa de Algodão Ltda. Fonte: arquivo do blog.
Primeiro foi a casa do comerciante João da Silva Ramos. Depois na mesma rua, a antiga Casa da Cultura, esquina com a Rádio União. E assim vai: uma casa aqui outra ali no entorno do primeiro núcleo histórico de Camocim e pouco a pouco os exemplares arquitetônicos do início do século XX, vão tombando em favor da especulação imobiliária. Desta vez, o antigo Hotel da Ambrosina e a Mercearia Serrote (que outrora foi sede de um banco) estão vindo abaixo. Tal qual o ”Mato Grosso e o Joca” da música, por alguns minutos fiquei a testemunhar um operário com sua marreta, pôr tijolos ao chão. 
Já falei em alguns outros espaços e neste blog, sobre a importância de se preservar estes monumentos. O Município tem meios para isso e não precisa ficar esperando a ação do IPHAN. Em Camocim, enquanto prédios, só temos a Estação Ferroviária tombada pela patrimônio estadual e mesmo assim já foram feitas  intervenções internas que beiram o ridículo. No próprio Código de Posturas e no Plano Diretor existem a possibilidade de se criar um conselho municipal onde pessoas de conhecimento sobre a questão podem definir áreas a serem preservadas. Qual a motivação de não se fazer isso? Talvez seja a falta da tal “vontade política”, ou mesmo desinformação. Outro dia conversando com a arquiteta Silvana Valente ela me falou de sua luta junto aos gestores quando fez parte da administração municipal, para que esse conselho fosse efetivado.  Preservar não é engessar o espaço; é dar-lhe um novo uso recuperando a história passada. Fico imaginando o quanto não seria interessante se este entorno pudesse ser apropriado para se criar equipamentos de cultura, entretenimento e lazer. A Empresa de Algodão (foto) poderia ser um cine-teatro, os armazéns em volta poderiam se transformar em restaurante-escola, um museu. A Casa dos Engenheiros que já é a sede da Academia Camocinense de Artes e Letras (ACCAL), poderia incorporar um Café Literário e uma livraria, enfim, equipamentos que dinamizariam a vida cultural da cidade em consonância com a atividade turística. Ideias não faltam... o que falta é esta tal vontade! São nossos sonhos... enquanto não podemos ter outra coisa!

terça-feira, 24 de setembro de 2013

III SC 13 - ESTUDANTES E PROFESSORES DO LICEU DE CAMOCIM REVIVEM FESTIVAL DE MÚSICA

Logomarca do evento. Fonte: http://liceucamocim.blogspot.com.br
 
Muito me honrou o convite dos alunos e professores do Liceu de Camocim Deputado Murilo Aguiar para comparecer ao "I FESTIVAL DE MÚSICA DO LICEU DE CAMOCIM. Revivendo a História, Renovando Talentos". O mesmo ocorrerá hoje, 24 de setembro às 19h no pátio desta unidade escolar. Na oportunidade haverá apresentação dos nossos jovens talentos e premiação para os ganhadores. Além deste evento, alunos e professores estão produzindo um documentário sobre as memórias dos festivais de outrora, para o qual fui entrevistado recentemente. Louvamos a iniciativa deste grupo, pois alia as recordações dos antigos festivais com a musicalidade dos jovens talentos do Liceu. Acreditamos que com isso se possa recuperar este importante evento para o calendário turístico de Camocim e  promover a descoberta de grandes talentos para a música local. Abaixo, apresentamos a logomarca do VIII Festival de Música em Camocim.
Fonte: Arquivo do blog.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

III SC - 12 . MINISTRO NEGA ISENÇÃO PARA FÁBRICA DE ALGODÃO EM CAMOCIM

Jornal "O GLOBO".

As primeiras décadas do século XX foram de alguma prosperidade para o Ceará na atividade cotonicultora. Com efeito, esse "boom" algodoeiro propiciou a fortuna de muita gente e possibilitou a inserção cearense na indústria têxtil. Por este tempo a Fábrica de Tecidos Ernesto Deocleciano em Sobral produzia tecidos para exportação e o Porto de Camocim tinha um posto de classificação da fibra que foi chamada de "ouro branco". Por outro lado, a exploração de qualquer atividade empresarial sempre esteve ligada à regulamentação do Estado, seja ele próprio isentando impostos no sentido de promover setores produtores, ou das empresas atrás de benesses para aumentar seus lucros. Não sabemos em quais destes aspectos se inseriu o que passamos a relatar, mas, o certo é que a Empresa de Algodão Limitada de  Camocim tentou a isenção dos impostos de uma "prensa hydraulica de algodão" junto ao Ministério da Fazenda, através da Federação de Associações Comerciaes (grafia da época)Na nota no jornal "O Globo" do Rio de Janeiro de 04 de dezembro de 1929(foto), o Ministro nega o pleito ao 1º Secretário da referida federação, alegando "falta de apoio legal" para tal pedido. À época, a Empresa de Algodão Limitada era "consignada à S. A. White Martins, de Recife". Neste sentido podemos perceber na pequena nota as relações comerciais de Camocim com Pernambuco além da relação íntima do comércio camocinense, representada pela Associação Comercial local e sua representação nacional junto à Federação das Associações Comerciais, no Rio de Janeiro.

Fonte:Jornal "O GLOBO". Anno V. Nº 1577. 14. 04/12/1929. Edição das 19 horas.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

III SC 11 - PROFESSORES DE CAMOCIM LANÇAM LIVRO NOS 134 ANOS DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA

Capa do livro: Fonte: Arquivo do blog.


Com a sensação do dever cumprido, de um filho ter parido (juntamente com outros dois professores), finalmente, depois de meses de trabalho, desde a concepção do projeto até agora, apresentamos o resultado do nosso esforço de pesquisa em forma de livro de autoria coletiva. Segue abaixo a sinopse:

SINOPSE:
Título: Sobre Camocim: política, trabalho e cotidiano.
Autores: Carlos Augusto Pereira dos Santos, Carlos Manuel do Nascimento e Francisco Rocha Pereira.
Editora: Edições Universitárias. Universidade Estadual  Vale do Acaraú.
Cidade:  Sobral-CE.
Ano: 2013.
Nº de páginas: 160
Tiragem: 1000 exemplares.
Preço: R$ 15,00


Resumo: O livro é constituído de três capítulos: No primeiro, “Perfis Comunistas”, o Prof. Carlos Augusto Pereira dos Santos reúne artigos publicados nos jornais de Camocim, Sobral e Fortaleza quando pesquisava sobre a militância comunista em Camocim, que resultou em sua dissertação de mestrado, além de textos e documentos inéditos. O segundo capítulo, O Cotidiano dos Trabalhadores do Porto de Camocim (1977 – 1985)”, e o terceiro:  “A Cidade nas Ondas do Rádio - Memórias e Histórias dos Serviços de Alto-Falantes de Camocim” são resultados de pesquisas sobre Camocim defendidas em monografias no Curso de História da UVA, pelos professores Francisco Rocha Pereira e Carlos Manuel do Nascimento, respectivamente.

Lançamentos:
Dia 20 de setembro às 19h: UVA/CCH. Campus do Junco. Sobral-CE.
Dia 21 de setembro às 19h: Associação Comercial. Camocim-CE (Os Autores)
Dia 27 de setembro às 20h: Boa Vista Resort. Camocim-CE (Programação Oficial da Semana do Município/PMC).

III SC 10 - O BAIRRO DA BOA ESPERANÇA EM CAMOCIM

E.E.M. Monsenhor José Augusto. Antigo Colégio Novo.
Se existe um bairro em Camocim que se identifica com seu nome e sua história, este é o Bairro da Boa Esperança, hoje, sem dúvida, o mais populoso de nossa cidade. No final dos anos setenta do século passado nada mais era do que uma gleba de terra que começava numa estrada de piçarra e ia até às imediações do Lago Seco. Na beira da estrada ficava o Campo da Catingueira (alusão a um arbusto da nossa caatinga) onde se disputava partidas de futebol aos domingos. Lembro ainda de um destes jogos que meu pai me levou a assistir. Naquele tempo ainda se podia vislumbrar grandes áreas de terra que ainda não tinham sido incorporadas à urbanização recente que a cidade experimentava. Com visão de futuro o proprietário deste terreno fez a lógica inversa da especulação imobiliária e, de uma só vez resolveu alguns problemas que Camocim enfrentava naquele momento.
Primeiro fez a doação para o Instituto São José que enfrentava problemas financeiros com sérias ameaças de fechamento. As Irmãs Capuchinhas lotearam toda a área e puderam soerguer o tradicional estabelecimento de ensino da cidade. Com a venda dos lotes a preços razoáveis e parcelados surgiram as primeiras casas do bairro, visto que, havia uma grande demanda de pessoas vindas do interior do município e de cidades vizinhas (base da população do bairro) em busca de novos ares. Portanto, nisso vemos a relação com o nome dado – uma nova esperança para as pessoas que aqui chegavam e buscavam uma nova vida. Esperança também para o ISJ que pode se consolidar como equipamento educacional. 
No entanto, a ação do proprietário, Coronel Libório Gomes da Silva ainda teria repercussões na área educacional ao doar parte deste terreno para a fundação do Colégio Estadual Monsenhor José Augusto da Silva, (foto) por muito tempo e ainda hoje chamado de Colégio Novo no local onde ficava o Campo da Catingueira. Com isso, o Governo do Estado pode instalar em Camocim uma escola pública, proporcionando esperança para os filhos dos moradores da área em busca de uma educação gratuita, e que até hoje presta serviços à nossa comunidade. 
Coronel Libório não é lembrado pela nomenclatura das ruas do bairro. E nas escolas referidas? 


P.S. Publicado inicialmente no Camocim Online.

Foto: profissionaldasalainformatica.blogspot.com 

domingo, 15 de setembro de 2013

III SC 09 - AS ANTIGAS CACIMBAS DE CAMOCIM

Cacimba. Fonte: daylawell.blogspot.com
Não sou tão velho assim, mas as cacimbas até bem pouco tempo atrás faziam parte do nosso cotidiano. Para sempre se perderam as conversas e outros tipos de relações que esses encontros no pé da cacimba proporcionava. Com a modernidade e com as novas exigências no campo da saúde e da higiene, ter água tratada por um sistema de abastecimento passou a ser imperativo para cidades do porte de Camocim. Com a chegada da água encanada, as cacimbas foram perdendo espaço nos quintais das casas, sendo demolidas e aterradas, à medida que as casas iam adquirindo o serviço do SAAEMinha primeira relação com uma delas foi a que existia na casa do Sr. José Guilherme (pai dos amigos Olivar e Ozenard). A boca era tão alta que eu, garoto de sete, oito anos de idade, tinha que ficar nas pontas dos pés para alcançar o balde. Depois mudamos para a Rua 24 de Maio (Rua do Egito). Na casa que meu pai comprara tinha uma cacimba menor, que no inverno de 1974 encheu até à boca, jorrando água para fora. Nessa cacimba tinha uma bomba manual que facilitava o serviço de tirar água. Nos invernos "fracos", lembro que foi a cacimba do Sr. Mário Monteiro, na General Tibúrcio que salvou muita gente das redondezas. Se retrocedermos na história, as cacimbas tiveram importância capital para aliviar os rigores das secas. Teve uma "cacimba do padre", que os registros dizem ter sido localizada por detrás da Igreja Matriz. Na Praça Pinto Martins, uma cacimba servia a quem se utilizava do Mercado Público e era um dos poucos bens que a municipalidade registrava no final do século XIX.  Acho que ainda hoje ela deve estar camuflada entre os quiosques da referida praça. No pátio da Estação Ferroviária um grande cacimbão quase em frente da nossa casa da Rua do Egito, era o local preferido dos jovens das ruas próximas todas as tardes, que escalavam a grande boca e pulavam de cabeça desafiando o perigo que representava os trilhos jogados lá dentro, segundo diziam. Com o tempo, animais mortos e lixo foram sendo jogados nesse local tornando impraticável esse divertimento. Contudo, lembro que um jovem desavisado, empolgado com as peripécias do amor, achou de namorar justamente na boca desse cacimbão e, não se sabe como, acabou caindo nele com a jovem parceira a tiracolo. Foram socorridos pelos moradores em plena madrugada.  A partir daí passou a ser chamado de outra forma, carregando para sempre o "Cacimba" no nome. Com a ajuda de leitores do Camocim Online registramos ainda a antiga Cacimba da Prefeitura "onde toda manhã os detentos faziam suas faxinas na limpeza das celas e onde depois do jogo no campo ao lado do prédio da Prefeitura, a gente ia se refrescar, tomando banho, quando o pai do Chico Pedim, deixava "Seu Pedrinho"", diz-nos o leitor Serrote. Já o Programa Última Trombeta recorda de: "Uma das cacimbas mais conhecidas e que mais serviu o povo de Camocim, com água de boa qualidade, foi a da dona Paty (Vila Paty - travessa rua da República). Os irmãos Jairo (gago) e Jonas vendiam a água dessa cacimba em "ancoretas" (pequenos barris de madeira), transportada em lombo de jumento. Era como beber água mineral. O gago gritava: "olha a ácua boa, pessoal"! E para fechar o professor Olivando Almeida registra:"Na Rua Quintino Bocaiúva, no bairro do Cruzeiro, tinha uma cacimba bem no meio da rua, onde muita gente ia pegar água. Inclusive, a dona Alzira, uma senhora que passava a madrugada pegando água para lavar roupas. Alguns moradores dizem, que de vez em quando, na calada da noite, se ouve o ringido do carretel. Será visagem? E você, tema a sua cacimba na mente?

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

III SC 08 - A VOCAÇÃO NAVAL DE CAMOCIM

Navio "Camocim". Fonte:solariseditora.com.br
Com as recentes notícias de que há uma possibilidade de instalação de um estaleiro naval em Camocim com capital russo ou mesmo da intenção de Nelson Piquet também de criar um empreendimento da mesma natureza, há que se buscar na história algumas coincidências que puseram o nome de Camocim em evidência. Não à toa, em 1937, a Marinha Brasileira, através do seu Ministro Aristides Guilhem e do Presidente da República Getúlio Vargas orgulhavam-se de dotar a Armada brasileira de mais um navio mineiro, o terceiro, denominado "Camocim". Com efeito, o jornal "O Globo" de 11 de dezembro de 1937 estampava em primeira página: "PARA O BRASIL - UMA ESQUADRA CONSTRUÍDA PELOS BRASILEIROS". Em tipos menores e abaixo da manchete os dizeres: "Reaffirmaram-se hoje as grandes possibilidades no dominio das construcções navaes com o batimento da quilha do 'Camocim'".
Não somente pela coincidência histórica da utilização do nome Camocim como marco da indústria naval brasileira que realçamos a matéria do jornal carioca do século passado, mas também pela possibilidade de realmente um dia podermos noticiar que daqui de Camocim partem embarcações feitas pelas camocinenses, além de torcermos para que não seja mais uma promessa política em tempos pré-eleitorais.

Fonte: O Globo.11/12/1937.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

III SC 07 - O DEFESO DO CARANGUEJO EM CAMOCIM

Vendedor de caranguejo. Camocim. Foto: Arquivo do blog.
Se tem uma coisa que rima com Camocim é caranguejo. No entanto, cada vez mais eles estão se tornando mais raros e menores. Pude conferir isso domingo passado na Barraca da Valdete no outro lado. Para quem comeu caranguejos e siris enormes, corós carnudos e camarões corados, como uma vez escrevi numa canção, logo vem à mente a falta de uma política de preservação do nosso crustáceo. Não somente política, como também conscientização das pessoas que vivem desse comércio (dos que capturam e dos que vendem), assim como da população que consome. Os vendedores do mercado já ficam olhando diferente quando chego logo dizendo que não quero caranguejo fêmea na minha corda, assim como quando sento à mesa de uma barraca ou restaurante. Contudo, apesar de tudo isso, as ações de controle não são de hoje. Desde os anos 1970 que os órgãos de fiscalização do governo tentam contem a captura exagerada e fora do tempo das espécies marinhas, conforme atesta o oficio abaixo da Seção Regional da SUDEPE - Superintendência do Desenvolvimento da Pesca, endereçado ao Presidente da Associação Comercial de Camocim, procurando saber os métodos de captura, os tipos de caranguejo desta área litorânea. No entanto, estas ações, na maioria das vezes ficas apenas nas intenções e nada é feito. O atual defeso do caranguejo é respeitado em Camocim. Quem fiscaliza? Não é surreal, para não dizer catastrófico a falta de um contingente do IBAMA em Camocim para atuar nessa área e outras demandas dos ecossistemas locais? Enquanto isso, o nosso caranguejo vai diminuindo de tamanho rumo à extinção!   
Ofício Nº 205/70. Fonte: Associação Comercial de Camocim.