quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

CAMOCIM E SEUS TIPOS HUMANOS

Tinildo. Foto: Camocimonline
A obra de Souza Lima, "Adolescência na Selva", é pontuada de tipos humanos que habitaram nossa cidade no início do século XX. Sem dúvida, uma cidade não teria suas peculiaridades sem esses tipos cuja existência marcam uma época, seja pelo aspecto exótico, pelo inusitado, ou mesmo por suas condutas e cotidiano, saírem dos ditos "padrões normais", que a sociedade institui. Nessas trajetórias de vida, muitos deles trazem consigo uma característica que os distinguem dos demais, os tornando pequenas ilhas humanas onde a sociedade dita normal gravita em torno. 
Ou seria o contrário? Se antes, muito deles eram tidos como loucos (comprovadamente ou não pelo saber científico), hoje são tidos como "especiais". Prefiro dizer que os mesmos são apenas pessoas que, muitas vezes, não por vontade suas, compõem o cenário social da forma como entendem o mundo. Feito este preâmbulo, vou elencar alguns destes tipos que me ocorrem agora, povoadores da minha trajetória de vida e de muitos dos leitores desta coluna. (os retratados por Souza lima ficarão para outra oportunidade). 
Quem não se lembra do Deusdete (ou Deordete, como queiram), balançando sua cabeçorra a pedir esmola de mão estendida, pés descalços envergando quase sempre a mesma roupa? Aos domingos quando meu pai me levava à Pedra para comprar o almoço, sempre divisava o intrépido carreteiro Pilombeta, que mesmo com muitos quilos na cabeça, não dispensava o rebolado característico de homossexual que era e tinha como se estivesse numa passarela, para a alegria e chacota da molecagem do mercado a gritar palavrões e chistes que, creio, no íntimo funcionava como uma plateia para o show particular de Pilombeta. No seu passo cadenciado e pequeno, o Catapora para mim era uma figura estranha que perambulava pelas ruas e se escondia nos escombros da então Estação Ferroviária. O que fazia? Depois de muito tempo soube que consertava máquinas de escrever. E o Zé Capado? Ao juntar o lixo da cidade em seus inúmeros sacos carregava consigo não somente o mau cheiro característico como os sintomas da doença conhecida como Síndrome de Diógenes. 
Outro dia vi o Lucimar! No entanto, apesar do tempo e da história que passou mais de um ano sem dormir, a lembrança firme que tenho dele é de um Sancho Pança ao contrário, cavalgando ou tangendo seu jumentinho à vender lenha, carvão, água e a limpar os quintais de outrora. Dizem que era um autêntico pé-de-valsa e isso pude constatar um dia, quando compareci a uma destes forrós da periferia. Quando dei por mim, o Lucimar já tinha tirado minha esposa para dançar. Mais recentemente, nos anos 1990, a visão mais ingênua e bela que vi nos últimos tempos foi quando, ao abrir a minha porta numa manhã ensolarada de verão,  me deparei com a ... (como é o nome dela mesmo?) completamente nua a tomar banho no jardim. Ela faz isso regularmente até hoje sem constrangimento. E a Regina, lá da Boa Esperança, será que ainda lança os seus impropérios e palavrões nas portas dos bancos contra os ladrões do seu dinheiro? para finalizar, há os tipos que agora sempre estão na mídia. Um virou até título de coluna no Camocim Online. Quando não está pegando seus siris ou os ingressos de cortesias nas festas, Babau serve de alter ego para o Tadeu Nogueira anunciar os eventos do final de semana. Pode haver uma pessoa do bem em Camocim como o Babau? E o Tinildo (foto)? É outro que, com seu faro canino, fareja à distância tudo quanto é comemoração gastronômica. E a senha? Bença Tinildo! Deufasfelis!

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

CAMOCIM E SEUS LUGARES E RUAS ANTIGOS



Agradecendo os acessos dos nossos leitores em 2013, iniciamos mais um ano sempre na missão de destacar nossa história. Que em 2014, possamos ter mais um ano fecundo na descoberta e na escrita do nosso passado. Neste espaço já retratamos antigos nomes de espaços e logradouros de Camocim. No entanto, como prometemos anteriormente, iremos explorar um pouco mais a obra “Adolescência na Selva”, do camocinense SOUZA LIMA. Alguns destes nomes nos soam familiares porque transmitidos pela tradição oral, outros nem tanto. Aí é que está a importância de um escrito como este, datado do início do século XX, quando ainda éramos uma cidadezinha nascente, na transição de distrito da Barra do Camocim ligado à Granja. Os maiores de sessenta anos, com certeza se acharão e se identificarão com estes nomes.
Deste modo, quando o autor rememora a perda do salário semanal de seu pai, funcionário da Estrada de Ferro, registra: “... ao atravessar o Largo Velho, já na esquina do Coronel Severiano José de Carvalho, ao meter a mão no bolso, sentiu que o dinheiro que havia recebido naquele sábado não estava mais ali” (p.16). Ao falar sobre um touro indomável e faminto que corria a cidade sem rumo, diz da sua localização quando o bovino parecia lhe ameaçar: “Eu estava perto do Trapiche Pernambucano, onde os navios pegavam gado, quando havia inverno”. Finaliza dizendo sobre o fim trágico do animal: “E o touro negro, alguns dias depois, foi encontrado morto lá para os lados do Quadro Velho...” (p.24-5). Ao noticiar um crime hediondo contra a família de Francisco Nelson Chaves, do qual veio a falecer o mesmo e sua esposa, o autor nos transporta para as origens do primeiro bairro de Camocim – o Cruzeiro, onde morava o criminoso Joaquim Pacífico de Oliveira: “Socaram-se ali no Largo da Cruz do Século. Compraram aqueles terrenos por um tostão de mel coado” (p.48). Das brincadeiras de menino, nosso escritor descreve a do Judas: “Quando o sino das Oficinas bateu duas badaladas bem compassadas, o mano levantou-se devagarinho com o Judas no ombro...”.  O tal Judas seria roubado por outros rapazes camocinenses que estudavam na capital. Na descrição do roubo, um “caminho” entre a Rua do Egito e a Rua do Sol é revelado: “... uma gritaria se ouvia para o lado do Bêco do João Vital, - eram os alunos do Colégio Militar que vinham numa algazarra enorme, arrastando o Judas para defronte de nossa casa, para fazerem pouco de nós”. (p.67-8).
Oficinas de Camocim. Arquivo do blog.
Feito este mergulho no tempo, lembro-me de quando era menino na Rua do Egito a partir do final dos anos 1970. O sino das Oficinas (foto) não soavam mais e o Beco do João Vital já tinha sido tapado. E você, do que se lembra?


Fonte: LIMA, Souza. Adolescência na Selva.1967.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

CAMOCIM NO INÍCIO DO SÉCULO XX - POR SOUZA LIMA

Capa do Livro "Adolescência na Selva" de Souza Lima

Na minha última viagem ao Rio de Janeiro, o amigo Olivar (Vavá), embaixador de Camocim na antiga capital da República já me esperava com uma novidade: o livro “Adolescência na Selva” de João Evangelista de Souza Lima (Souza Lima). Trata-se de um livro de memórias do autor, notadamente do tempo de criança vivido na cidade até o ano de 1915. No entanto, o autor narra ainda a trajetória de sua família no antigo território do Acre nos seringais da Amazônia, numa verdadeira saga que marca as vidas dos migrantes cearenses da época, que tinham nesta região o grande eldorado, parte da política do governo de se livrar de flagelados do nordeste com a justificativa de povoar a selva amazônica sob a extração da borracha, então o grande produto de exportação brasileira. A leitura atenta do livro chama a atenção para os detalhes da memória de uma criança, evidentemente transformada com o tempo em seus códigos de percepção da vida. No entanto, a rememoração de tipos humanos, de lugares que não existem mais, de uma Camocim que dava seus primeiros passos como cidade tornam a leitura um irrecusável convite para o passado. Brevemente estaremos explorando neste espaço as possibilidades de contato com a história do município que o livro traz. Para quem objetiva adquirir esta obra, numa rápida pesquisa à Estante Virtual, identificamos ainda cinco exemplares da obra à venda. Segue o link para você adquirir o seu e se deliciar com as historias de Souza Lima:


Foto: Arquivo do blog.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

DIM BRIQUEDIM DE CAMOCIM EXPÕE NO RIO DE JANEIRO

Não costumamos reproduzir matérias neste espaço, mas, nesse caso, a exceção é por uma causa nobre - mostrar a excelência dos artistas camocinenses. Na quarta-feira, 04 estivemos na Hall da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará conferindo a Exposição "Olhares sobre Camocim" com os recentes trabalhos expostos pelos artistas camocinenses no Salão de Artes ocorrido em setembro em Camocim. Desta vez e a exposição de Dim Brinquedim no Museu Janete Costa em Niterói-RJ, que começou ontem, sábado, 07 e vai até março de 2014. Esta também vou conferir de perto no próximo final de semana. Abaixo a matéria do site do museu:

MUSEU JANETE COSTA
27/11/2013

Brinquedos artesanais no Museu Janete Costa



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O Museu Janete Costa de Arte Popular lança a exposição "Dim Brinquedim, homo ludens: brinquetú, brincamos nós!", com obras dos artistas plásticos Dim Brinquedim, Adalton Lopes e Antônio de Oliveira, no próximo dia 7 de dezembro, sábado, às 15h.

A mostra, que conta com o apoio do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural - INEPAC e do Museu Casa do Pontal, reúne brinquedos, esculturas, telas e objetos tridimensionais produzidos pelo artista cearense Dim Brinquedim, além de peças dos artistas Adalton Lopes, de São Gonçalo, e Antônio de Oliveira, de Minas Gerais, que têm o brinquedo como inspiração.

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Os brinquedos populares sempre estiveram presentes na vida de Dim Brinquedim, que saiu da infância, da adolescência, entrou na fase adulta e continuou brincando, criando bonecos e jogos infantis. Desde pequeno, sua mãe já o chamava de "Dim faz tudo". Na realidade, Antônio Jader, que hoje tem 45 anos, nunca deixou de criar. Tanto é verdade, que não repete os brinquedos que constrói, os "brinqueDim". Em cada um deles, sempre acrescenta algo de novo, de diferente.

Pai da Risa, uma atriz e escritora de 11 anos, e de Ud, de 7 anos, que também já faz brinquedos, o artista é o idealizador do Museu Brinquedim, em Pindoretama (Ceará), um espaço que recupera, através da arte, uma dimensão fundamental da condição humana: a capacidade de brincar, de jogar e de sorrir. O Museu, localizdo numa casa típica da região, edificada em 1970, em um espaço rodeado de cajueiros e outras espécies nativas, abriga um acervo de centenas de obras, criadas ao longo de 40 anos.

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De acordo com o curador do Museu Janete Costa, o professor Wallace De Deus, a arte de Dim lembra alguns dos ícones da arte popular fluminense, como Adalton Fernandes Lopes, cuja obra está espalhada em vários museus nacionais. No entanto, seu trabalho não deve ser confundido com uma 'brinquedoteca', como adverte, mas sim como uma 'arte inspirada nos brinquedos e jogos populares'.

O conceito de Homo Ludens foi desenvolvido pelo historiador e filósofo holandês, Johan Huizinga (1872-1945) que, em seu livro clássico de 1938, argumentava que "o jogo está na gênese do pensamento e da descoberta de si mesmo, da possibilidade de experimentar, de criar e de transformar o mundo, onde se apresenta justamente o lúdico". Para ele, a ideia de jogo é central para a civilização e este, conceitualmente, não diverge da brincadeira. Em sua teoria, ao contrário do que muitas pessoas imaginam, "brincar" é coisa muito séria e necessária, além de ser um direito de todos.

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[...]
A exposição "Dim Brinquedim, homo ludens: brinquetú, brincamos nós!" pode ser visitada até o dia 31 de março de 2014, sempre de terça a domingo, das 10h às 18h. Entrada franca. Aos sábados, serão realizadas oficinas de brinquedo, contação de histórias e visitas mediadas, promovidas pelo setor educativo do Museu. Informações: 2705-3929.


Serviço

"Dim Brinquedim, homo ludens: brinquetú, brincamos nós!"

Exposição de brinquedos, esculturas, telas e objetos tridimensionais produzidos pelo artista cearense Dim Brinquedim, além de peças dos artistas Adalton Lopes, de São Gonçalo, e Antônio de Oliveira, de Minas Gerais

Abertura: 07 de dezembro (sábado), às 15h
Em cartaz: De 07 de dezembro a 31 de março de 2014
Horário de visitação: De terça a domingo, das 10h às 18h
Entrada franca

Local: Museu Janete Costa de Arte Popular
Endereço: Rua Presidente Domiciano, 178-182, Ingá, Niterói-RJ

Informações: (21) 2705-3929

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O CHEIRO DE CAJU DE CAMOCIM


Fonte: camocimonline
Toda vez que adentro na cidade, principalmente nos "beerreobrós", me vem à mente a memória olfativa do cheiro de caju. Isso mesmo, a cidade pode ser percebida também pelos seus cheiros. Em Camocim, o da maresia se sobressai por sua condição litorânea, mas, difícil esquecer o cheiro agridoce de caju que impregnava a entrada da cidade, desde muito antes do Bairro da Tijuca e terminava na Fábrica de Castanha (atual Democrata).
No entanto, as constantes safras ruins do produto ocasionadas por invernos irregulares vêm diminuindo para mim a sensação olfativa de que falei antes. Além disso, creio que a economia da cidade também sofre, posto que, a castanha do caju é um de seus pilares. Não à toa, o caju (pedúnculo e castanha) está na nossa bandeira. Poderia até estar no nosso hino! Contudo, nos tempos dos festivais, numa canção intitulada “Camocim-Ceará”, cantada pelo Naldinho num ritmo “country”, escrevi: Camocim/ Claro céu cristal/ Coqueiros cacheados/ Cajueiros copados.
Pois é, os cajueiros copados de cajus, cada vez mais fica difícil de se ver, de colhê-los dos galhos fora da cerca, de brincar com castanhas. Isso mesmo, a temporada dos cajus animava muito as brincadeiras infantis, cujas castanhas era uma espécie de moeda de troca. Quase tudo era disputado com castanha, além do velho jogo de calçada onde se colocava uma castanha avantajada no pé da parede e, da beira da calçada os participantes do jogo impulsionavam outras castanhas com os dedos tentando acertar o alvo, vencendo quem derrubasse primeiro a grande castanha.

Caju e Castanha é até nome de dupla de emboladores. Contudo, a dupla imbatível de cheiros continua na minha memória - a do caju que impregnava a entrada da cidade e a da castanha assada no quintal, em cima de um pedaço de flandres, do fogo apagado com areia. E você, que memória tem desses tempos?!

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

UMA REFORMA NA IGREJA MATRIZ DE CAMOCIM

Interessante como um simples documento pode nos informar muito sobre a história de nossa cidade. Pessoas, lugares, objetos, comportamentos e outros aspectos podem ser lidos direta e indiretamente. Neste sentido farei a transcrição de um destes documentos para que o leitor possa fazer suas apropriações. Trata-se de um registro no 3º Livro de Tombo da Paróquia de Bom Jesus dos Navegantes, p.35, que trata sobre uma campanha feita pelo Lions Club de Camocim para angariar recursos para a reforma do teto da Igreja Matriz em 1976, portanto, há 37 anos atrás: 
Matriz de Bom Jesus dos Navegantes. Camocim-CE. Foto: arquivo do blog.

[...] Esta reforma se deve às ajudas e colaboração valiosíssima da Sociedade Lions Club de Camocim que mediante bingos e rifas de objetos preciosos, ofertados por diversas firmas locais deu a quantia de 43.000 (quarenta e três mil cruzeiros) sendo 5.000 para o conserto do Relógio da referida Matriz.
Os objetos ofertados foram os seguintes:
1º) Uma máquina de costura - ofertada por José Siebra.
2º) 1 Geladeira Consul, pela Delmar Produtos do Mar.
3º) 1 Rádio Semp por Francisco Soares Romão.
4º) 1 Fogão Jangada por José Ximenes Soares.
5º) 1 Garrote por Dr. Francisco Edson Xerex Martins (médico).
6º) 1 Radiola Filipis (sic!) 503 - pela Capitania dos Portos de Camocim.
7º) 1 Bicicleta Monark pela Companhia da Polícia Militar.
8º) 1 Liquidificador Walita - pela Janasa.
9º) Os cartões de bingo, digo para o bingo - por Raimundo Aragão.
Seria, por certo, uma grande lacuna, não ser registrada esta campanha em favor da Matriz, provida pelo esforço e dedicação do Lions Club de Camocim.

Espera-se os comentários!

domingo, 24 de novembro de 2013

IVAN PEREIRA DE CARVALHO - O PRIMEIRO PADRE FILHO DE CAMOCIM

Se vivo fosse, no próximo 03 de dezembro de 2013, IVAN PEREIRA DE CARVALHO completaria 80 anos de ordenação sacerdotal. Segundo o 2º Livro de Tombo da Paróquia de Bom Jesus dos Navegantes (1931-1961),, o mesmo foi ordenado a "3 de dezembro do corrente anno de 1933, celebrou a sua primeira missa cantada nessa parochia a 8 do mesmo mez". Como uma vez padre, sempre padre, seria importante que se lembrasse desse camocinense que se constituiu no "primeiro sacerdote filho de Camocim" conforme nos diz o documento. Embora que para a grande maioria dos camocinenses vivos, a  lembrança do Professor Ivan tenha sido como educador, à frente do antigo Colégio Estadual Padre Anchieta, o Padre Ivan  filho de Luciano Pereira da Luz e Amélia de Carvalho Pereira, nascido na Rua 24 de maio no dia 08/11/1909, teve também uma trajetória muito interessante. Senão Vejamos: 

[...] Em 1924 ingressou no Seminário da Prainha, em Fortaleza, onde cursou o segundo e o terceiro anos ginasiais. Em 1925, foi transferido para o Seminário de Sobral onde cursou o quarto e quinto ano ginasiais. Terminado o primeiro grau, voltou a estudar em Fortaleza em 1927, onde cursou o primeiro e o segundo anos de Filosofia no Seminário da Prainha. Nos anos de 1929, 30, 31, 32 e 33, cursou Teologia Moral e Dogmática. Em 03 de dezembro de 1933, recebeu as Ordens de Presbítero das mãos de D. José Tupinambá da Frota, na Igreja Catedral da cidade de Sobral.-CE. Em 1934, aos 26 anos, foi nomeado vigário e assumiu a Paróquia de Palmas, hoje Coreaú, onde permaneceu como Ministro da Igreja até janeiro de 1942, quando mudou-se para Sobral para exercer as funções isde vice-diretor e vice-prefeito de disciplina do Colégio Sobarlense a convite do Bispo de Sobral, D. José Tupinambá e do diretor do Colégio Sobralense, Monsenhor Aloizio Pinto.
[...] No decorrer da formação histórica da Educação de Camocim, mais precisamente em julho de 1968, Padre Ivan decidiu renunciar aos votos religiosos fazendo o pedido de dispensa dos votos à Santa Sé e ainda movido pelo amor, resolveu desposar Terezinha Lira, moça prendada, de família tradicional de Camocim, que lhe deu cinco (05) filhos: Ivânia, Jeovane, Francisco, Luciano e Juliana.(Fonte: O Literário, Ano I, volume 2, edição 10, junho de 1999. Camocim-CE, p.1.)

Ao historiador cabe lembrar quando todos se esquecem.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O TRANSPORTE MARÍTIMO EM CAMOCIM

Foto: Vapor Camocim. Arquivo do blog.

Um leitor do blog nos pergunta sobre o transporte de pessoas em barcos e navios para Belém na década de 1950. Com efeito, os jornais do final do século XIX e das primeiras décadas do século XX de todo o Brasil, são pródigos em anunciar os trajetos e horários destas embarcações em suas páginas. Não sabemos dizer se efetivamente houve linhas marítimas só de passageiros, mas, combinando-se cargas com pessoas, as  companhias faziam este transporte regularmente. Nestes mesmos jornais, em colunas específicas, era comum se noticiar a chegada e partida de pessoas, notadamente de autoridades que visitavam as redações dos periódicos para oferecer-se a registro e mostrar distinção dos demais pobres mortais, com seu nome no jornal mostrando o que veio fazer naquele lugar de passagem: negócios ou passeios. Ecos do culto às “celebridades” de outrora!
Desta forma, o Porto de Camocim era um ponto de convergência para quem queria viajar para a capital Fortaleza, outros estados da federação ou mesmo outros países, já que o porto era contemplado com roteiros para o continente americano e europeu, principalmente. No entanto, nos momentos de secas e guerras, o porto servia como base de transporte de levas de emigrantes da região para outras partes do país.
Ainda no século XIX, por exemplo, o jornal A Federação, órgão do Partido Republicano Federal editado em Manaus, na edição de 14 de dezembro de 1898, Nº 282, traz um relatório desse transporte para aquele ano, que nestes tempos de guerra ou seca era custeado pelo governo. Vejamos (respeitando a grafia da época):
 
PELOS ESTADOS: De janeiro a outubro sahiram pelo Porto de Camocim com destino ao norte, 3.795 pessoas a saber. 
Nos navios da Companhia Maranhense - 2.099
Nos da Companhia Pernambucana –       1.232
Em diversos vapores -                               414
Total                                                      3.795
 
Portanto, quando o transporte marítimo era nossa principal via de comunicação, o Porto de Camocim tinha relevância no cenário nacional.