quarta-feira, 21 de setembro de 2016

VI SETEMBRO CAMOCIM - IV. COMUNIDADE DE "ABORRECIDO" PRODUZ HORTALIÇAS PARA O CONSUMO EM CAMOCIM

by Joana Darc dos Santos
Aluna do Curso de História PARFOR/UVA. Camocim.

Hortaliças na comunidade de Aborrecido. Camocim-CE. Foto: Joana Darc dos Santos 

Na localidade do Aborrecido à 26 km de Camocim, existe uma comunidade que tira o seu próprio sustento através do seu trabalho com plantação de hortaliças que é realizado por homens e mulheres que descobriram um meio de sobrevivência no seu próprio lugar de origem.

A plantação teve início no ano de 1990, quando algumas mulheres plantavam hortaliças para o seu próprio consumo na comunidade de Aborrecido. Um dia, uma dessas mulheres sentiu a necessidade de vender as hortaliças para sua vizinha, que comprou e indicou outras vizinhas que também não tinham plantação em casa. Foi aí que as mulheres começaram a se unir e cada uma fizeram um canteiro no quintal de suas casas para plantar hortaliças. Como a produção aumentou, começaram a comercializar o excedente de hortaliças em Camocim. No início as dificuldades era com a irrigação, pois naquele tempo a água usada para regar as plantações era de cacimba. Posteriormente a Prefeitura de Camocim perfurou um poço profundo que foi doado para as pessoas que trabalhavam com a referida cultura de hortaliças.

Uma senhora da comunidade chamada Maria Genilda Gregório, 38 anos, percebendo a necessidade crescente das mulheres em plantar as hortaliças, ofereceu um terreno de extensão de 40 metros quadrados que fica no fundo do quintal de sua residência. Todos os dias as mulheres vão regar as plantações enquanto seus maridos vão comercializar no mercado de Camocim. Os compradores recebem as mercadorias e vendem para seus clientes, gerando assim uma renda com base de R$ 400,00 a R$ 500,00 reais por mês para cada família.

Horta na comunidade de Aborrecido. Foto: Joana Darc dos Santos
Quando começou a plantação era apenas um grupo de mulheres. Em seguida a plantação de hortaliças se estendeu para o restante da comunidade. Com o aumento do negócio, formaram um projeto e se associaram ao Sindicato  dos Trabalhadores Rurais de Camocim, que por sua vez orientou a comunidade a fazer um empréstimo no Banco do Nordeste em Granja, que tem linha de crédito para os agricultores com juros baixos e descontos no valor total do capital de giro
Esta atividade melhorou a qualidade de vida dos agricultores que além de investir nas plantações de cebola, alface, coentro, pimenta e até berinjela, compraram também  seus veículos para o transporte das mercadorias para chegarem as seus fornecedores com qualidade. O projeto deu tão certo que as plantações só tendem a crescer cada vez mais,com muito esforço e dedicação dos agricultores, que gostam muito do trabalho no campo.

Fontes orais:
Manoel Gregório do Nascimento, 69 anos, nascido em 04/09/1947, vigia contratado na escola Gregório Pedro do Nascimento, Aborrecido, Camocim-CE.
Maria Genilda Gregório,38 anos, nascida em 01/08/1979; merendeira, concursada na escola Gregório Pedro do Nascimento, Aborrecido, Camocim-CE. 


VI SETEMBRO CAMOCIM - III - ANASTÁCIO PEDROSA E AS LEMBRANÇAS DA FERROVIA EM CAMOCIM


COM OS OLHOS DE HOJE. RESTA-NOS VER A SAUDADE DA PARTIDA DO PASSADO.

by Charles dos Santos Silva

Carteira de Trabalho do Sr. Anastácio Pedrosa Filho.
Fonte: Acervo da Família
Anastácio Pedrosa Filho, nascido no dia 08 de Outubro de 1961, na Maternidade Doutor Marques Bastos, na cidade de Parnaíba-Piauí era filho de Anastácio Pedrosa, foguista e de Luzia Melo Pedrosa.  Seu Anastácio, um ex-ferroviário que morou em Camocim, em 14 de julho de 1975 passou a ser empregado da Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima (RFFSA), da 2ª Divisão Operacional Cearense com o cargo de maquinista, matrícula 30978, como informa seus documentos.
Camocim, originalmente, foi o trecho inicial da Estrada de Ferro Camocim-Sobral e, junto com o porto, foram de suma importância para a economia local. A linha histórica da antiga estrada de ferro, no período do século XX, chega a seu ponto máximo em Oiticica na divisa com o Piauí, em 1932. Seu Anastácio foi um morador de Camocim no bairro Olinda. Como todo ferroviário, participou dessa fase econômica de grande importância para a economia regional.
Dados deixados em seu diário de BORDO, constam datas desde 1967, cada bloco e locomotiva com suas numerações e dados de velocidade do trem. Os registros em seu diário mostram a seriedade e importância de seu trabalho como maquinista na estrada de ferro, além de revelar aspectos do cotidiano de trabalho na ferrovia e as relações entre os funcionários.
Postal ofertado aos funcionários da RFFSA.
Acervo: Família do Sr. Anastácio Pedrosa Filho.
Anastácio tinha a responsabilidade de anotar e registrar toda e qualquer alteração ocorrida na locomotiva, sendo na velocidade, parada ou cargas extras como trazidas e levadas pelos seus vagões do trem, puxados pela conhecida Maria fumaça, assim chamada pela população camocinense que recebia a comissão com grandes demonstrações de alegrias.
O tempo passou e ficou a saudade dos trens como assinala o poeta: “No hoje de nossos dias, decorridos tantos anos da partida definitiva do último trem da estação de Camocim, tudo quanto lhe abraça com os olhos tudo se torna assim como um sacramento, por que provoca uma recordação daquela glória passada.” (XIMENES, Pe. Luís. Paixão Ferroviária. Ed. do Autor, 1984, p.194). 

Fontes: Diário de Bordo. Anastácio Pedrosa, p.196).Acervo da família de Anastácio Pedrosa. 
Agradecimento: Cleciane Chaves e Nando (neto).
Postado por Charles dos Santos Silva. Aluno do curso de História PARFOR/UVA




quarta-feira, 14 de setembro de 2016

VI SETEMBRO CAMOCIM II - OS DOCUMENTOS DA VILLA

Oficio nº 42 de 31 de dezembro de 1887. Câmara Municipal de Camocim.


A história é deveras fascinante! No momento atual vivemos mais um período eleitoral com todas as suas anomalias, trâmites, vicissitudes, jogos de cena, festejos, desejos inconfessos, promessas e interesses outros.
Para o então município que se formava, ainda não éramos nem cidade, apenas uma vila recém criada, as eleições talvez ainda não tivesse toda essa complexidade, mas já apresentava os nomes das pessoas que tinham o destino de comandar o novo município desmembrado do município de Granja, posto que, naquela época, as câmaras municipais tinham também a função de executivo.
O ofício em questão trata apenas da acusação do recebimento de um oficio do Presidente da Província do Ceará que incluía o "Decreto Legislativo nº 3340 de 14 de outubro de 1887" com as orientações sobre as alterações do pleito eleitoral para os representantes da Assembleia Provincial e Câmaras Municipais.
A Câmara de Camocim desta época era composto por:

Lionel Dias da Fonseca - Presidente
Luís Gomes de Lima
Antonio Nogueira de Carvalho
Custodio Archanjo Soares
Serafim Melo de Freitas.

Fonte: Site do Instituto Histórico, Geográfico e Antropológico do Ceará.


sexta-feira, 2 de setembro de 2016

VI SETEMBRO CAMOCIM I - A CIDADE NOS ANOS 1940

Trecho da Rua 24 de Maio e Largo da Matriz. Camocim. 1941. Fonte: Revista Cruzeiro, RJ.

Em março de 1941 a Revista Cruzeiro, a maior revista de circulação nacional àquela época fez uma matéria especial sobre nossa cidade. Nos anos 1940, o município experimentava os fatores positivos do movimento do nosso porto e da estrada de ferro. Vejamos um trecho da referida reportagem, entremeada de algumas tomadas fotográficas de nosso traçado urbano:

"O município de Camocim um dos mais importantes do Estado do Ceará, possuindo uma população de 22.750 almas, é banhado pelo Oceano Atlântico, ao norte, e pelo Rio Coreaú, a leste, que lhe offerece excelente ancoradouro situado na cidade de mesmo nome e que é a sede do município.
O porto de Camocim é visitado, no seu ancoradouro interno, pelos vapores de pequeno calado do Lloyd Brasileiro, da Companhia Commercrio e Navegação, do Lloyd Nacional e de outras empresas particulares.
O município de Camocim é também servido pela Estrada de Ferro de Sobral, que o atravessa de norte a sul, sendo seu ponto inicial a cidade de mesmo nome.

A foto acima foi feita do alto da torre da Igreja Matriz e mostra um trecho da atual Rua 24 de Maio, Na época,, o prefeito era o Sr. João da Silva Ramos que, no decorrer da reportagem, faz uma uma espécie de prestação de contas de sua administração. Eãom postagens posteriores, forneceremos maiores detalhes desta publicação.

 Fonte: Revista Cruzeiro, RJ. 29 de março de 1941, p. 49.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

VI SETEMBRO CAMOCIM

Canoas Olímpicas. Camocim. 2015. Foto: Vando Arcanjo.
Caros conterrâneos e internautas que acessam sempre o CAMOCIM POTE DE HISTÓRIAS, como fazemos há cinco anos, iniciaremos hoje mais uma temporada especial de postagens. Desta feita, será o VI SETEMBRO CAMOCIM, mais uma contribuição singela à história do município, por ocasião do mês de aniversário que marca os 137 anos de nossa emancipação política. Como sempre, procuraremos trazer postagens e matérias inéditas que despertem o nosso gosto pela nossa história e procurando desenvolver uma consciência crítica de preservação e ressignificação da mesma. Neste ano esperamos contar com a colaboração valiosa dos alunos da Turma de História da UVA/PARFOR/CAMOCIM como forma de exercitarem o que estão experimentando no curso.  Mãos á obra?!

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

O PORTO DE CAMOCIM NA VISÃO DO HISTORIADOR FRANCÊS

Capa da obra Brésil au xx' siècle de Pierre Denis
. Fonte: ebay.fr
Muito já falamos sobre o Porto de Camocim e sua importância para o desenvolvimento da economia regional para a zona norte do Ceará no final do século XIX e primeiras décadas do século XX. Com efeito, a historiografia sobre o período sempre destacou esta peculiaridade. Deste modo, para efeito de ilustração, trazemos á lume um trecho da obra Le Brésil au XX" Siècle, do historiador francês Pierre Denis:
Chose étrange, le sertaon, pays d'élevage, ne consomme pas de viande ; et dans Ia serra, pays agricole,où l'élevage est inconnu, l'usage en est general. Sur le nombre des boeufs amenés aux foires de Baturite, les plus importantes de toutes, un tiers sert à l'approvisionnement de Ie capitale; un autre tiers est emmené par les chemins du plateau jusqu'au port de Camocim, oú il est embarque à destination du Para; le dernier tiers enfin est destine à Ia serra de Baturite. Les serras, les provinces de l' Amazone, et Fortaleza, tels sont les principaux clients des éleveurs du sertaon.
Porto de Camocim.
 Fonte: camocimpotedehistorais.blogspot.com.br

Numa tradução livre teríamos o seguinte:

Estranhamente, o sertão, país gado, não consome carne; a serra, país agrícola, onde o gado é desconhecido, seu uso é geral. Os bovinos são trazidos para as feiras, onde Baturité é a mais importante de todas; um terço é usado para abastecimento da capital; outro terço é levada das estradas do planalto para o porto de Camocim, onde de lá navegam ao Pará; o último terço é destinado finalmente para Baturité. A Serras, as províncias da Amazônia, e Fortaleza, estes são os principais clientes dos criadores do sertão.


Fonte: DENIS, Pierre. Le Brésil au XX'.Sixieme Edition. Librairie Colin, Paris. 1921.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

O INICIO EMPRESARIAL DOS MACEDO EM CAMOCIM

 
Jornal A Pátria. Anno VI, Nº 248, p.3. 27 de janeiro de 1915.

Atualmente propaga-se mais uma crise financeira internacional. Dizem também que são nos momentos de crise que os mais arrojados se superam. Isso explica, de certo modo, a longevidade de grandes grupos empresariais que, nestes momentos de dificuldades, sabem contornar os problemas e até saírem mais fortes das crises. Todos sabem, por exemplo, da grandiosidade do Grupo J. Macedo no cenário empresarial que neste ano completa 77 anos e de que seu atual capitão de indústria José Dias Macedo nasceu ali naquela casa da Rua da Independência onde hoje se acha o Colégio Georgina Leitão Macedo, aliás, em homenagem à sua genitora e esposa de quem começou a saga dos Macedo no comércio - Manoel Dias Macedo, sobre o qual versa esta postagem.
O início do ano de 1915 parecia confirmar o ápice daquele período de estiagem que ficaria célebre na fortuna literária de Raquel de Queiroz (o romance "O Quinze"). Portanto, chegava a hora de redimensionar as finanças. Manoel Dias Macedo então toma algumas providências e trata de publicizá-las no jornal A Pátria, órgão do então Partido Republicano Conservador do Ceará.
Conforme a nota, ele "previne aos Snrs. Collectores Federal e Estadual, para o fim de evitar o lançamentos indevidos" em seu nome, visto que, pela referida nota, ele estava deixando de "negociar no anno de 1915 com fazendas, deixando também de funccionar sua salgadeira e carroça". Portanto, nota-se aí os efeitos da seca, visto que o negócio de vendas de tecidos (as fazendas) não ia bem, nem tampouco uma salgadeira de peles e couros, também atingida pela estiagem com reflexos na criação de animais. Desta forma, avisava Manoel Dias Macedo, seus negocios estavam restritos ao seu "estabelecimento de vender molhados e generos do paiz, a travessa da Independencia".
O grande império que é hoje o Grupo J. Macedo, portanto, teve seu início entre o acanhado Mercado Público de Camocim e a Rua da Independência






Fonte: Hemeroteca da Biblioteca Nacional. Jornal A Pátria.Anno VI, Nº 248, p.3. 27 de janeiro de 1915.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

AS DOENÇAS E AS CURAS SOFRIDOS PELOS CAMOCINENSES

Revista Careta. Rio de Janeiro, 05 de outubro de 1918, nº537, p.35.
Interessante este mundo da propaganda de remédios. As notícias de hoje dão conta de que a indústria farmacêutica não investe em pesquisa de medicamentos que curariam certas doenças porque não dão lucros satisfatórios, preferindo outros menos eficazes para que as pessoas fiquem sempre comprando até morrerem. Por outro lado, nas primeiras décadas do século XX, os antigos medicamentos e seus respectivos detentores das fórmulas, utilizavam-se de depoimentos de usuários para atestarem sua eficácia, aliando ao testemunho, a foto das pessoas que fizeram uso do medicamento na cura das mais diversas moléstias que iam da sífilis, passando por males do fígado, feridas, etc. A exemplo disso, temos o depoimento do advogado, jornalista e poeta camocinense Raul Rocha em outubro de 1917 fornecido à Revista Careta, do Rio de Janeiro, que exaltava os efeitos curativos do ELIXIR DE NOGUEIRA. Dizia ele:
"Illmos.Srs. VIUVA SILVEIRA & FILHO
Rio de Janeiro
Soffrendo de horríveis coceiras produzidas por eczemas em diversas partes do corpo, especialmente nos pés, sujeitei-me a tratamento rigoroso, ingerindo preparados especia, encontrando porém, sempre resultado negativo.
Aconselhado os preparados mercuriaes, recusei-os, por julgal-os prejudiciaes; resolvi usar o universal medicamento ELIXIR DE NOGUEIRA do Pharmaceutico Chimico Joao da Silva Silveira de abencoada memoria e com poucos vidros, senti-me radicalmente curado.
Pelo benefico resultado obtido attesto conscienciosamente, sua maravilhosa efficacia".
Camocim (Ceará), 14 de outubro de 1917
Raul Rocha
(Advogado e jornalista).
Estes documentos, além de revelarem os tipos de doenças do começo do século XX. oferece algumas fotografias de diversas pessoas que tiveram algum destaque na sociedade camocinense.