quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

RELIGIOSOS DE CAMOCIM. MONSENHOR INÁCIO NOGUEIRA MAGALHÃES

Monsenhor Inácio beijando a mão do Papa João Paulo II. Acervo: Francisco Olivar (Vavá).

Hoje completam 35 anos de morte daquele que por mais de quarenta anos conduziu a Paróquia de Bom Jesus dos Navegantes. No ano em que a Igreja Matriz de Bom Jesus dos Navegantes completou 100 anos, quase metade dessa história é tributada ao Monsenhor Inácio Nogueira Magalhães, cujos restos mortais se encontram sepultados no referido templo católico. Por mais de uma vez, enfocamos a figura de Monsenhor Inácio neste blog, seja referenciando sua rigorosidade nos rituais da igreja ou sua sabedoria como professor.
Natural do município de Granja-CE, nascido em 31 de julho de 1910, era filho de José Silvestre Magalhães e Etelvina Nogueira Magalhães. Ordenado padre aos 23 anos de idade, chega em Camocim para sua missão pastoral em 1940, depois de exercer o sacerdócio no município de Ubajara-CE. Trinta anos depois, a Câmara Municipal de Camocim, através do vereador Joaquim Pereira de Brito, outorga-lhe o título de Cidadão Camocinense, mais precisamente no dia 19 de maio de 1970 (Ata da Sessão Ordinária em 19 de maio de 1970. Primeiro Período Legislativo, p.14v).

A entrega do título de cidadão camocinense ao Monsenhor Inácio Nogueira Magalhães foi muito prestigiada, segundo a  Ata da 11ª Sessão Extraordinária da Câmara Municipal de Camocim, que ocorreu em 20 de março de 1971( p.39 v).
 A comenda da Câmara Municipal ao nosso querido padre, ao nosso ver, se enquadra naquelas formalidades da sociedade civil, pois, um camocinense como Monsenhor Inácio é difícil de encontrar, por sua dedicação e apego à nossa gente. Que pelo menos, a data de sua morte seja lembrada hoje no local onde devotou todo seu esforço em conduzir o rebanho de Cristo.


terça-feira, 12 de dezembro de 2017

A GREVE DOS FERROVIÁRIOS DE CAMOCIM EM 1914

Jornal  "A Lucta". Sobral-CE. 07/05/1914
Uma pesquisa nunca termina. Um texto nunca fica pronto definitivamente. Os fatos históricos nunca são estanques no tempo. Em 2000 escrevi sobre a Greve de 1914 ocorrida em Camocim, na Estrada de Ferro de Sobral, naquela época arrendada pelos ingleses, fundamentado naquilo que o jornalista Lustosa da Costa escreveu no Diário do Nordeste em 04/09/1996 em sua coluna diária, sob o tópico "Greve", no livro Cidade Vermelha:
 
"Os ferroviários, antes da fundação do Partido Comunista em Camocim em 1928, já tinham experimentado uma greve em 1914, contra a arrendatária inglesa da Estrada de Ferro de Sobral -The South American Railway Construction Limited que pretendia pagar somente três dias pelo trabalho de uma semana. A greve é vencedora e o pagamento integral restabelecido.Neste episódio,podem estar as condições que iriam gerar no seio da categoria dos ferroviários uma consciência de luta por seus direitos, que brotariam em outros momentos onde as relações de trabalho na ferrovia se tornavam adversas".

Com efeito, um jornal da época, editado em Sobral, denominado "A Lucta", na edição de 07 de maio de 1914, esclarece melhor o conflito:

"Tendo o administrador da estrada de ferro resumido para dois dias na semana, o trabalho nas officinas e suas dependencias, o operariado em numero de 75, se manifestou em greve pacifica, exigindo trabalho para a semana inteira. Hontem, por intermedeio do fiscal dr. Propercio Balieiro, que muito trabalhou em favor dos grevistas, conseguiu o trabalho para 4 dias na semana, solução esta aceita pelos operarios que já voltaram ao serviço.
Por esse motivo, houve hontem à noite, uma concorrida passeata, acompanhada por uma banda de musica, sendo erguido muitos vivas ao dr. Balieiro e o operariado camocinense.
Hoje ás 9 horas da noite, um filho de Raymundo Gomes, phaloreiro da barra, e outros, aggrediram o sr. Julio Morel, socio da importante firma desta praça, Albuquerque & Comp. esse cavalheiro, para atemorizar os seus agressores, saccou de um revolver, disparando-o para o ar. Por esse motivo foi o sr. Morel preso e recolhido ao quartel da força federal, aqui estacionada, em quanto os aggressores nada sofreram porque gosam da immunidade da intervensão. 
6-4=914.  (manteve-se a grafia da época).

Percebemos dois aspectos com a nota do jornal: a ideia de amenidade no conflito resolvida pelo fiscal, não se configurando com a típica "semana inglesa" de trabalho, posto que a ideia dos arrendatários era diminuir o tempo de serviço, e, consequentemente os salários dos operários, além de se criticar o momento político sob a responsabilidade do interventor de plantão, defendendo-se um comerciante. 
Por essas e por outras é que a história precisa sempre ser reescrita.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

HISTORIANDO CAMOCIM - O LIVRO DIDÁTICO DE HISTÓRIA


Capa e contracapa de "Historiando Camocim". 2016.


Caros amigos de Camocim, meus prezados alunos, ex-alunos e companheiros professores. Há exatamente quatro anos que iniciamos um projeto de escrita de um livro didático de história para Camocim. Em dezembro de 2013 a Prefeitura Municipal de Camocim abriu uma licitação e vencemos a concorrência. Em janeiro de 2014 formamos uma equipe de execução do projeto (Carlos Augusto, Gleiciane Freitas, Luis Carlos Lima, Jonas Pessoa e Júlio Pinto) e outros colaboradores se juntaram a nós, principalmente os fotógrafos da cidade cedendo suas fotos para comporem o livro. Reunimos os professores da rede municipal em dois encontros para sabermos sobre suas dificuldades, experiências e potencialidades. Durante dez meses trabalhamos arduamente e entregamos o resultado da pesquisa em 24 de setembro de 2014, finalizando definitivamente os detalhes em outubro de 2014. Nosso trabalho foi concluído aí. Era desejo da Secretaria de Educação adotar o livro no Ensino Fundamental II em 2015. No entanto, processos licitatórios não concluídos, acabaram adiando a publicação da obra. Finalmente, em 2017 esse problema foi resolvido e o livro didático de história de Camocim está publicado com o selo das Edições UVA e Global Gráfica de Sobral e será lançado na próxima sexta-feira, 15 de dezembro de 2017, por ocasião da Festa dos Professores, na Chácara Lago Seco. Obrigado pela atenção! Espero que a espera não tenha sido em vão e que este trabalho possa render bons frutos para o entendimento sobre a história de nossa cidade. Façam bom uso dele!

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

CAMOCIM NOS LIVROS. XII. E NA FICÇÃO DE RAQUEL DE QUEIROZ

Capa de "As Três Marias". Rachel de Queiroz. TAG/José Olympio.2017.

Há um ano sou assinante da TAG - Experiências Literárias. Neste sistema, a cada mês, o assinante recebe um livro especialmente editado em projeto gráfico inovador e criativo, da literatura nacional ou internacional, desde títulos clássicos a autores desconhecidos no Brasil. Neste novembro de 2017, tive a grata satisfação de receber um romance de Rachel de Queiroz, "As Três Marias". A satisfação aumentou ainda mais quando da leitura do romance. ao ver Camocim, sendo citado em duas passagens, às paginas 64 e 74. Embora que Camocim não seja o espaço onde se passa o romance, interessante e ver como este espaço faz parte do universo ficcional de Rachel de Queiroz: o  porto, como um lugar de passagem para se chegar a Fortaleza, capital do estado, ou mesmo no imaginário de um marinheiro que aparece na trama. 
Na primeira, uma personagem secundária Teresa, ao ser descoberta namorando com um filho de um desafeto de seu pai, provoca um escândalo e a família dela resolve mandá-la para um colégio de freiras na capital. Daí, Rachel escreve: "Teresa levou uma surra de relho e no dia seguinte estava tomando o navio em Camocim, rumo a Fortaleza, onde a esperavam o internato, o degredo". (p.64).
Na segunda passagem, a escritora trata da personagem Jandira, uma das internas do Colégio Imaculada Conceição, falando de seu namorado, um marinheiro, que lhe envia vários presentes e são compartilhados com as "Três Marias", menos as cartas: "Nunca, porém, nos mostrou as cartas, as que ele escreveu durante uma viagem que fez a Camocim". (p.74).
Camocim, portanto, como um lugar que tinha um porto importante, passagem quase que obrigatória de velhos marinheiros, fez parte do universo ficcional da maior escritora cearense, Rachel de Queiroz.
Para aguçar a curiosidade dos nossos leitores, segue um resumo da obra acima referida:

Em seu quarto romance, 'As Três Marias', a escritora cearense Rachel de Queiroz foi ainda mais fundo em um tema que já estava presente em todas as suas obras anteriores: o papel da mulher na sociedade. A história tem início nos pátios e salas de aula de um colégio interno dirigido por freiras: Maria Augusta, Maria da Glória e Maria José são amigas inseparáveis que ganham de seus colegas e professores o apelido de 'as três Marias'. À noite, deitadas na grama e olhando para o céu, as meninas se reconhecem na constelação com a qual dividem o nome. A estrela de cima é Maria da Glória, resplandecente e próxima. Maria José se identifica com a da outra ponta, pequenina e trêmula. A do meio, serena e de luz azulada, é Maria Augusta - ou simplesmente Guta, como sempre preferiu ser chamada. Com o passar do tempo, Maria da Glória se transforma em uma dedicada mãe de família e Maria José se entrega por completo à religião. Guta, por outro lado, não se sente capaz de seguir os passos de nenhuma de suas velhas companheiras. Apesar de sua formação conservadora e rígida, ela sempre desejou ir muito além dos portões e muros daquele internato. Seus instintos a instigavam a procurar e explorar novos mundos. Assim, Guta termina a colégio e corre em busca de sua independência. Seu ideal é viver sozinha, seguir seu próprio caminho, livrar-se da família, romper todas as raízes, ser completamente livre. A realidade, no entanto, se mostra muito diferente daquilo que estava descrito nos romances açucarados e livros de poesia que passavam de mão em mão entre as adolescentes sonhadoras. Guta descobre o amor, mas através dele é também apresentada à desilusão e à morte. 'As Três Marias', publicado originalmente em 1939, conquistou o cobiçado prêmio da Sociedade Felipe de Oliveira e, décadas depois, foi adaptado como uma novela para a televisão. De leitura ágil, o romance é um importante marco na literatura brasileira e um dos mais populares em toda a obra de Rachel de Queiroz.

Fonte: Livraria Saraiva.
QUEIROZ, Rachel de. As Três Marias. 1ª. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2017, p.64 e 74.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

O VAQUEIRO EM VERSOS. PROJETO VISA PERPETUAR O ABOIO

ALUNOS DA Escola ProfISSIONAL DE GRANJA, JONH PEREIRA E GEANE PINTO , DESENVOLVEM O PROJETO "O VAQUEIRO EM VERSOS: PELA PERPETUAÇÃO DO ABOIO",  QUE BUSCA CHAMAR A ATENÇÃO PARA ESTE ASPECTO DE NOSSA CULTURA POPULAR. O PROJETO TEM COMO ORIENTADORES OS PROFESSORES Célia Santos e Inácio Carvalho

Fonte: vaqueiro-lu-paternostro.

O Projeto surgiu em um momento em uma discussão na aula de Projeto Interdisciplinar (P.I), nas quais tratávamos acerca das profissões dos pais dos alunos, em que se constatou a existência de muitos deles o ofício de vaqueiro. Diante de alguns debates notamos que a profissão apesar de resistir ao tempo, estava se perdendo em meios aos processos de massificação da globalização.
            Era preciso que se pensasse em alguma ação que trabalhasse a continuidade da profissão em que os alunos pudessem conhecer melhor a mesma, e a vissem como parte da cultura local de Granja. Assim, trabalhamos em base de questionários retratando que muitos dos alunos não conheciam o aboio, símbolo da profissão do vaqueiro.
            Com isso, o trabalho buscou na história oral, obter traços da vida de alguns vaqueiros da cidade de Granja, que se reuniram com os alunos participantes do projeto em uma roda de conversa de onde saíram muitas histórias recontadas após em formato de cordéis feitos pelos alunos.
            Diante dos relatos encontrados e dados percebidos pela pesquisa de campo, foi realizada na EEEPEOAC uma exposição intitulada: Casa do Vaqueiro com objetos utilizados por eles em seu cotidiano. Os vaqueiros entrevistados participaram dando vida a exposição, cantando seus aboios em meios aos improvisos dos versos.
            O projeto após passar pela etapa escolar irá disputar a Regional (CREDE 04), buscando resultados satisfatórios em meio a seu principal objetivo que é: reconhecer a profissão do vaqueiro, valorizando o seu aspecto histórico-cultural na cidade de Granja. O desejo é ir além da cidade, levar adiante essa importância a esse homem do sertão assim como nos remete Raimundo Girão: “Foi este homem assim quem, destemidamente, forjou a colonização do Nordeste e a mantém até hoje. Venceu o índio, venceu a agrestia do ambiente, venceu as feras que o cercavam em cada instante..”A figura emblemática do vaqueiro prenuncia desde primórdios da colonização brasileira a sua significativa importância devido o apoio constante a boiada do patrão e a luta na guia da mesma. A cidade de Granja reflete um cenário efervescente desta cultura, mesmo diante das mudanças no processo de urbanização, o vaqueiro continua a agir apesar dos jovens não se dedicarem tanto mais a dar seguimento na profissão.
            O projeto tem ganhado muita força dentro da escola e na comunidade local, mostrando a sua real dimensão e significância. Pois vale a pena lutar pela causa de nossa cultura. Nossas próximas ações serão baseadas no encontro com os vaqueiros da região buscando transmitir aos mesmos seus direitos de acordo com a lei, buscando estratégias junto a eles para perpetuar de fato, esta bela profissão.
Avante vaqueiros!!!
prof. Célia santos (orientadora do projeto)