O Blog:

Amigos e conterrâneos camocinenses, a gente só dar o que tem. Quando pensamos editar um blog, este foi o pensamento: doar todo nosso esforço na construção de uma ferramenta como esta para a divulgação pura e simples da nossa história. Contudo, essa é uma oportunidade de todos participarem desta empreitada, seja comentando, sugerindo, corrigindo e, efetivamente, participando dessa grande viagem que a História nos proporciona. Que nosso "POTE" nunca encha e sacie a todos!!!

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

O INICIO EMPRESARIAL DOS MACEDO EM CAMOCIM

 
Jornal A Pátria. Anno VI, Nº 248, p.3. 27 de janeiro de 1915.

Atualmente propaga-se mais uma crise financeira internacional. Dizem também que são nos momentos de crise que os mais arrojados se superam. Isso explica, de certo modo, a longevidade de grandes grupos empresariais que, nestes momentos de dificuldades, sabem contornar os problemas e até saírem mais fortes das crises. Todos sabem, por exemplo, da grandiosidade do Grupo J. Macedo no cenário empresarial que neste ano completa 77 anos e de que seu atual capitão de indústria José Dias Macedo nasceu ali naquela casa da Rua da Independência onde hoje se acha o Colégio Georgina Leitão Macedo, aliás, em homenagem à sua genitora e esposa de quem começou a saga dos Macedo no comércio - Manoel Dias Macedo, sobre o qual versa esta postagem.
O início do ano de 1915 parecia confirmar o ápice daquele período de estiagem que ficaria célebre na fortuna literária de Raquel de Queiroz (o romance "O Quinze"). Portanto, chegava a hora de redimensionar as finanças. Manoel Dias Macedo então toma algumas providências e trata de publicizá-las no jornal A Pátria, órgão do então Partido Republicano Conservador do Ceará.
Conforme a nota, ele "previne aos Snrs. Collectores Federal e Estadual, para o fim de evitar o lançamentos indevidos" em seu nome, visto que, pela referida nota, ele estava deixando de "negociar no anno de 1915 com fazendas, deixando também de funccionar sua salgadeira e carroça". Portanto, nota-se aí os efeitos da seca, visto que o negócio de vendas de tecidos (as fazendas) não ia bem, nem tampouco uma salgadeira de peles e couros, também atingida pela estiagem com reflexos na criação de animais. Desta forma, avisava Manoel Dias Macedo, seus negocios estavam restritos ao seu "estabelecimento de vender molhados e generos do paiz, a travessa da Independencia".
O grande império que é hoje o Grupo J. Macedo, portanto, teve seu início entre o acanhado Mercado Público de Camocim e a Rua da Independência






Fonte: Hemeroteca da Biblioteca Nacional. Jornal A Pátria.Anno VI, Nº 248, p.3. 27 de janeiro de 1915.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

AS DOENÇAS E AS CURAS SOFRIDOS PELOS CAMOCINENSES

Revista Careta. Rio de Janeiro, 05 de outubro de 1918, nº537, p.35.
Interessante este mundo da propaganda de remédios. As notícias de hoje dão conta de que a indústria farmacêutica não investe em pesquisa de medicamentos que curariam certas doenças porque não dão lucros satisfatórios, preferindo outros menos eficazes para que as pessoas fiquem sempre comprando até morrerem. Por outro lado, nas primeiras décadas do século XX, os antigos medicamentos e seus respectivos detentores das fórmulas, utilizavam-se de depoimentos de usuários para atestarem sua eficácia, aliando ao testemunho, a foto das pessoas que fizeram uso do medicamento na cura das mais diversas moléstias que iam da sífilis, passando por males do fígado, feridas, etc. A exemplo disso, temos o depoimento do advogado, jornalista e poeta camocinense Raul Rocha em outubro de 1917 fornecido à Revista Careta, do Rio de Janeiro, que exaltava os efeitos curativos do ELIXIR DE NOGUEIRA. Dizia ele:
"Illmos.Srs. VIUVA SILVEIRA & FILHO
Rio de Janeiro
Soffrendo de horríveis coceiras produzidas por eczemas em diversas partes do corpo, especialmente nos pés, sujeitei-me a tratamento rigoroso, ingerindo preparados especia, encontrando porém, sempre resultado negativo.
Aconselhado os preparados mercuriaes, recusei-os, por julgal-os prejudiciaes; resolvi usar o universal medicamento ELIXIR DE NOGUEIRA do Pharmaceutico Chimico Joao da Silva Silveira de abencoada memoria e com poucos vidros, senti-me radicalmente curado.
Pelo benefico resultado obtido attesto conscienciosamente, sua maravilhosa efficacia".
Camocim (Ceará), 14 de outubro de 1917
Raul Rocha
(Advogado e jornalista).
Estes documentos, além de revelarem os tipos de doenças do começo do século XX. oferece algumas fotografias de diversas pessoas que tiveram algum destaque na sociedade camocinense.

sábado, 9 de julho de 2016

O FUTEBOL DE ANTIGAMENTE EM CAMOCIM

Jornal A Razão. 12.03.1937. Fortaleza-CE.



Num tempo em que o futebol talvez não fosse um esporte de massa como é hoje; quando essa paixão ainda perigava se chamar PEBOL ou LUDOPÉDIO; quando ainda o Brasil passaria mais de duas décadas para ganhar a primeira Copa do Mundo, eis que aconteceu numa tarde quente em Camocim. o que passa a ser narrado:


" [...] Pisando pela primeira vez o gramado do Ferroviário S. C. o valorozo invicto Paraná F. C para uma renhida luta [...]perante uma boa assistencia, sahindo vencedor o Ferroviário pela contagem de 3 x 1.
[...] O Juiz dá o sinal da partida: Negrinho passa a Milton este a Bevilaqua que, envia sem demora ao ponta esquerda Mesquita que manda a goal para Oreste, fazer uma excelente pegada. [...] Bevilaqua que é encarregado de bater (um escanteio) e faz com admiravel perfeição um tiro matematico nos pés de Milton que, sem demora envia o couro a goal, marcando o primeiro ponto da tarde do F.S.C., - o jogo continua bastante animado até o final do primeiro tempo com ataques perigozos de ambas as partes e termina com a contagem de 1 x o favoravel ao F.S.C.
[...] Começando o segundo tempo com a saída do "Paraná", Peralta passa a Rego este a Zé que em seguida passa a Sampaio e este em cima da linha de meta envia um forte pelotaço a goal e Porangaba bem colocado segura o couro com admiravel destreza e é aplaudido bastante pela assistencia, foi esta uma das defesas mais perigozas da tarde.



Bem amigos, se vocês quiserem saber sobre o desenrolar da partida vão ter que ver a matéria completa que o jornal A Razão, editado em Fortaleza, publicou no dia 12 de Março de 1937. Naquele tempo o rádio, a televisão não haviam chegado por aqui e uma das formas de nossos craques e conterrâneos de então acompanharem uma partida de futebol via imprensa era ler os jornais, que descrevem não somente as partidas, mas as chegadas das delegações nas cidades quando se tratavam de amistosos intermunicipais e interestaduais. 
Para o registro, finalizamos com a divulgação dos jogadores daquela partida, autênticos craques camocinenses. No jornal, os nomes são grafados de forma a dar ideia do esquema tático. Aqui, apenas a relação:


F.S.C. - Porangaba, Xico, Gustavo, Osvaldo, Mundico e Alves. Mesquita, Milton, Negrinho, Baiano e Bevilaqua.
Paraná: Oreste, Rosendo, Carrapato, Lino, Cosmo e Caçote, Zé, Sampaio, Peralta, Rego e Ribamar.
Depois do jogo foi servido cerveja aos jogadores do F.S.C. por ordem do prezidente Sr. Luca.
"O Correspondente".



Fonte: A Razão, 12, mar.1937. Fortaleza-CE.
Imagem: trivela.uol.com.br

quinta-feira, 23 de junho de 2016

ILHA DO AMOR. BEM PÚBLICO DE CAMOCIM.

Vista panorâmica da Ilha do Amor. Camocim-CE.


Em recente decisão judicial sobre o reconhecimento da Ilha do Amor (um eufemismo geográfico, visto tratar-se de uma península) como bem público de Camocim, o douto julgador apôs à sua decisão o valor histórico, visto que " a área em questão teria sido onde Vicente Pizón teria encontrado as terras alencarinas". Há muita controvérsia nessa versão, inclusive a que cabe ao navegador espanhol a primazia da descoberta do Brasil. Ainda segundo a decisão, uma "outra referência sugere que, através da foz do Rio Coreaú, que fica em frente à Ilha do Amor, ingressou a primeira expedição oficial de colonização portuguesa no Ceará, em 1603.
A respeito desta segunda afirmação não há dúvida e as referências abundam nos documentos e nas narrativas dos primeiros historiadores que escreveram sobre a presença portuguesa no Brasil. A título de ilustração, transcrevemos um pequeno trecho da obra "História do Brasil. 1500-1627", de autoria de Frei Vicente Salvador, que segundo o historiador cearense Capistrano de Abreu foi , "o primeiro livro a oferecer uma interpretação sistemática da história do Brasil”:
O mesmo fizeram depois os da outra aldeia à imitação destoutros, e foram todos marchando até o Ceará, onde, depois de alguns dias de descanso por causa da gente miúda, tornaram a marchar até um outeiro a que depois chamaram dos Cocos,porque uns sete ou oito que plantaram à tornada os viram nascidos com muito viço. E dali foram à enseada grande do âmbar e à mata do pau de cores, que chamam iburá-quatiara, depois ao Camoci, que é a barra da Serra da Boapaba, para a qual marcharam o seguinte dia, véspera de São Sebastião,19 de janeiro de 1604, antemanhã.

Deste modo, a Ilha da Testa Branca (ou Ilha do Amor), assim como Camocim, está na história desde os primeiros tempos da colonização.

Fonte: SALVADOR, Frei Vicente. História do Brasil. 1500-1627, p.292.
Foto: www.hotelilhadoamor.com.br

terça-feira, 14 de junho de 2016

PONTES, TRAPICHES E PIER EM CAMOCIM

Ponte flutuante da Panair. Camocim. Anos 1930. Fonte: arquivo do blog
Quando Camocim era rota de navios cargueiros das companhias de navegação nacionais e internacionais e de aviões que aqui se reabasteciam para seguir voo para outros estados do Brasil e do exterior, alguns trapiches e pontes forma erguidos para atracação dos mesmos ao longo da orla marítima. Brevemente se estará inagurando na cidade um pier com módulo flutuante para a atracação de pequenos barcos que fazem a travessia do Rio Coreaú, trazendo habitantes "do outro lado" e levando turistas para a Ilha do Amor. Contudo, a tecnologia de flutuantes não é inédita por aqui. Ficou para os anais da história, registros de que a Panair do Brasil, que chegou a ter dois voos regulares por semana, passando por Camocim, construiu lá para as bandas do bairro dos Coqueiros sua plataforma de embarque. Na foto acima, vê-se um avião sendo reabastecido de gasolina. No trecho do jornal "A Razão", de Fortaleza, é citado o jornal "A Razão" de Camocim, sobre a construção da "Ponte fluctuante da Panair" em 1931, ponte esta que deve ter servido de base para os aviões americanos durante a Segunda Guerra Mundial em Camocim, nos anos 1940. Conforme a matéria:

"Dentro de poucos dias estará concluído o preparo da ponte fluctuante da 'Panair do Brasil', serviuço esse da maior utilidade, tanto para os passageiros como para a grande empreza de navegação aérea.
Acha-se dirigindo o importante trabalho, o ilustre profissional dr. J. C. Grybaki - engenheiro da Emprêza, que veio de montar o fluctuante do porto de Caravellas.
Do que vimos na visita que fizemos à referida ponte, ella terá as seguintes características: 4 grandes tubos de ferro, à pressão hydraulica, unidos por fortes vigas também de ferro, servem de fluctuadores. Acima dessa base, erguem-se as paredes feitas de taboas que serão pintadas de branco. Sobre a plataforma será estabelecida uma sala de espera de cerca de 6 a 8 metros, contígua à qual estará uma W.C. e o armazem para deposito de gazolina, etc. Nos possantes tubos de ferro se acham os tanques de gazolina, sendo os hydros-aviões abastecidos por uma bomba propria e respectivas mangueiras.
Com as informações solicitamente prestadas pelo dr. Grybaky, podemos adeantar que de um lado do fluctuante haverá uma rampada movel que servirá para a atracação dos apparelhos formando, por meio de um cabo, o avião e o fluctuante uma só unidade. Um quarto de hota antes da chegada do avião, serão içadas na ponte uma bandeira brasileira e a da 'Panair'.
Os passageiros, bem como os visitantes, poderão chegar à ponte meia hora antes do avião, onde ficarão muito bem accomodados na sala de espera. O fluctuante poderá omportar francamente 35 pessoas, incluindo nesse numero a tripulação e os passageiros a desembarcarem do avião. Dois funcionários da Empresa estacionarão aqui para o trabalho de zelo e conservação da ponte.

                                        *    *   *
Uma recomendação da Empreza, que deverá ser fielmente observada: Os passageiros e visitantes, não deverão impedir, de forma alguma, as manobras dos aviões, ficando na sala de espera até o apparelho atracar e se abastecer de gazolina".
Jornal A Razão. 22/04/1931. Fortaleza-CE, citando matéria do jornal homônimo de Camocim.


O pier ora construído já está, para além da sua função objetiva e necessária, sendo considerado o novo cartão-postal da cidade. Que possamos utilizá-lo e conservá-lo por muito tempo, visto que, da ponte flutuante da Panair, só temos fotografias e matérias de jornal e talvez, algumas lembranças, dos mais velhos.




Pier de Camocim: Foto: Denilson Siqueira

sábado, 11 de junho de 2016

AS PRAÇAS DE CAMOCIM. PRAÇA JOSÉ XIMENES SOARES

Em 2002 eu frequentava o Lions Clube de Camocim e como diretor vogal fui incumbido de escrever algumas linhas sobre os agraciados da Festa dos Destaques daquele ano. Na categoria "Comércio", a comenda foi denominada de TROFÉU JOSÉ XIMENES SOARES. Todos sabem que em 1992 a Pracinha do Hospital, Praça do João Ramos ou, para os mais antigos o PARQUE INFANTIL foi oficialmente denominada de Praça JOSÉ XIMENES SOARES. Amanhã, 12/06/2016 a referida praça será reinaugurada. Remexendo em nosso baú, encontre o que escrevi sobre o Seu Zequinha Ximenes para aquela festa leonística:


LIONS CLUBE DE CAMOCIM –
FESTA DOS DESTAQUES DE 2002
CATEGORIA- COMÉRCIO
TROFÉU JOSÉ XIMENES SOARES. BIOGRAFIA

José Ximenes Soares, o nosso conhecido “Zequinha Ximenes”, nasceu em Camocim a 31 de dezembro de 1924. Filho de Miguel Ximenes Soares e de Tereza Ximenes Soares foi um dos mais destacados comerciantes e filantropos de nossa cidade. Contribuindo para o desenvolvimento e melhoria das condições de vida de seus concidadãos menos afortunados.
Do seu casamento com Antonieta Trévia Soares, teve cinco filhos: Ginna (companheira leão) , Gilson, Gilvan, Gláucia e Gretchen. Seu primeiro emprego foi aos 12 anos como balconista auxiliar da firma F. Ricardo (Casa Iracema), ainda menor abriu sua primeira loja comercial.
Sempre foi líder de destaque dentro do comércio camocinense, sendo Presidente da associação Comercial e fundador do Clube de Dirigentes Lojistas de Camocim, sendo seu presidente e participando de várias diretorias desta entidade. Foi secretário da Associação dos Retalhistas, recebendo em 1987 a comenda “Canoa de Honra” daquele ano.
Entre outras atividades foi ex-presidente do Conselho Comunitário de Camocim, do Comercial Clube, Presidente e secretário da Liga Desportiva Camocinense. Na Maçonaria, da qual foi participante ativo, sua passagem como presidente da Loja Maçônica Deus e Camocim nº 1, ficou marcada pela entrega de uma placa de bronze por sua participação atuante durante trinta anos na entidade.
“Zequinha Ximenes foi fundador e presidente em várias oportunidades do LIONS CLUBE de Camocim, diretor e presidente de divisão B-2 no AL 78/79, encabeçando várias campanhas em prol da comunidade, como o Festival do Chope e um Bingo de um Carro, cujas rendas foram revertidas para a construção da Escola CL Monsenhor Inácio Nogueira Magalhães, e outras promoções em prol da Igreja Matriz de Camocim, sendo, portanto, um referencial do leonismo na região.
Em 1991, quis o destino que “Zequinha Ximenes nos deixasse. Várias homenagens póstumas lhe foram prestadas, dentre elas o bloco de salas de aula e o Pavilhão deste clube em seu nome, assim como as salas na CDL e Maçonaria. Ainda em 1998, o Leo Clube de Camocim levou seu nome. Já em 2001, foi instituído o Troféu José Ximenes Soares, entregues a personalidades como o Presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará, Sr, Gervásio Braga e ao Superintendente do SEBRAE-CE, Sr. Francisco Régis Dias Cavalcante.
Por tudo isso e muito mais é que o LIONS CLUBE de Camocim, por acasião do afastamento de 12 anos de “Zequinha Ximenes” do nosso convívio é que homenageamos o Destaque do Comércio 2002 em seu nome.

Prof. Carlos Augusto.
Diretor Vogal.

Foto: Praça José Ximenes Soares. Camocim-CE. 2016. Vando Arcanjo.

sábado, 4 de junho de 2016

O TUBARÃO "MONSTRO" DE CAMOCIM. HISTÓRIA DE PESCADOR?


Fonte: www.mundodosanimais.pt
            A notícia correu célere, como acontece em toda cidade pequena. Lá para as bandas das Barreiras, pescadores arpoaram um cação de tamanho incomum.  - O bicho dá mais de uma tonelada! Foi preciso mais de 20 homens para puxarem o bicho para a praia! Vixe Maria é o fim das eras! Ele veio para comer a devassidão que acontece nesse lugar - disse uma carola mais impertinente! Enfim, uma verdadeira multidão enfrentou a areia quente que ia da Praticagem até ao local do ocorrido. Daquele dia até a Festa de São José era só o que se falava. Como muitos acreditavam ter sido um sinal dos tempos, boa parte da carcaça do tubarão branco ficou na praia para deleite dos urubus e outros animais carnívoros. Por outro lado, a muqueca correu solta na beira da praia servindo de refeição nas casas dos pescadores que participaram da caça e das poucas biroscas da beira mar como tiragosto da famosa cachaça "Piojota" da Viçosa do Ceará. Um viajante da capital que passava pela cidade, ciente do caso e sabedor das propriedades do óleo de fígado de tubarão, arrematou o mesmo, cujo peso atingiu oitenta e cinco quilos.
            Esse relato poderia ser o começo de uma crônica que retratasse mais uma "história de pescador", dentre tantas outras que se ouve destes homens bravos que costumam aliar o fantástico às suas aventuras e suas lidas diárias para conseguir o pescado necessário para suas sobrevivências. No entanto, o fato acima foi publicado em jornal de grande circulação nacional - A Noite, do Rio de Janeiro, em 17 de março de 1939 - naqueles espaços destinados aos informes das sucursais em forma de pequenas notas em meio ao noticiário e publicidade. A pequena manchete apela um pouco para o sensacionalismo: "Arpoado um tubarão monstro". O texto, no entanto,  não corresponde ao apelo da manchete: "Na praia de Camocim foi arpoado um tubarão monstro, cujo fígado pesava 85 quilos. O local onde foi fisgado o colossal monstro marinho esteve repleto de curiosos". 

Fonte: Jornal "A Noite". 17/03/1939.
nº 9824, p.11, Rio de Janeiro-RJ.

            Tivesse a matéria rendido uma reportagem com alguma pesquisa adicional , o caso poderia ter um outro sentido, visto que é natural tubarões deste tamanho, especialmente, da espécie tubarão branco ou tubarão baleia. O fato de ter sido pescado em Camocim pode ser explicado devido aos movimentos migratórios destes animais. Por algum motivo, o tal tubarão desgarrou e errou o caminho entrando no Rio Coreaú. A matéria não se refere a tal espécie, mas o tubarão branco (Carcharodon carcharias) "pesa 1,3 tonelada em média, mas alguns podem atingir até cinco metros de comprimento. Estudos recentes mostraram que ele também é um migrador de capacidades extraordinárias. Em 2005, uma equipe internacional de pesquisadores publicou na revista 'Science' o tempo recorde marcado por um tubarão branco fêmea na travessia de ida e volta do oceano Índico. 'Nicole' percorreu mais de 20 mil quilômetros em pouco menos de nove meses".
            E se o tamanho do fígado causa admiração, vale dizer que nos tubarões ele  "pode representar até 28% do peso total do corpo e constitui uma enorme reserva de energia. Para neutralizar o peso do animal na água, um fígado de tubarão branco de 456 kg, contendo 400 litros de óleo, pode fornecer até 50 kg de empuxo".
            Portanto, essa não é uma história de pescador como as que o Bodó conta lá na Mercearia da Nazaré!

Fonte: Jornal "A Noite". 17/03/1939. nº 9824, p.11, Rio de Janeiro-RJ. 
Fonte: http://g1.globo.com/natureza/noticia/2013/07/grande-tubarao-branco-acumula-gordura-antes-de-migrar.html