O Blog:

Amigos e conterrâneos camocinenses, a gente só dar o que tem. Quando pensamos editar um blog, este foi o pensamento: doar todo nosso esforço na construção de uma ferramenta como esta para a divulgação pura e simples da nossa história. Contudo, essa é uma oportunidade de todos participarem desta empreitada, seja comentando, sugerindo, corrigindo e, efetivamente, participando dessa grande viagem que a História nos proporciona. Que nosso "POTE" nunca encha e sacie a todos!!!

quinta-feira, 15 de junho de 2017

INTENDENTES E PREFEITOS DE CAMOCIM



Prefeitura Municipal de Camocim. Anos 1950. Fonte: IBGEce34414.
            A administração dos municípios brasileiros passaram por vários momentos. No Brasil Colônia, o poder executivo, legislativo e judiciário era exercido pela Câmara Municipal, inspirado no modelo português, que tinha a incumbência de coletar impostos, regular o exercício das profissões e do comércio, além de preservar o patrimônio público. O Presidente da Câmara, portanto, chefiava a administração pública.
            No Brasil Império, a autonomia das Câmaras Municipais foi diminuída com a centralização administração pública como um todo. A legislatura foi fixada em quatro anos e, o Presidente da Câmara, eleito entre os vereadores mais votados, passou a ter obrigações comparáveis as do prefeito, atualmente, além das funções de vereador.
Na República, as Câmaras Municipais são dissolvidas. Foram criados então, os Conselhos de Intendência, com responsabilidade exclusiva de gerir o poder executivo. O poder legislativo continuou com as Câmaras Municipais quando as mesmas foram recompostas. No entanto, muitas vezes, o Intendente era a mesma pessoa que presidia a Câmara, daí a confusão dos termos e funções. Os intendentes eram nomeados pelo Presidente de Estado, cargo equivalente ao de Governador, atualmente. Na documentação oficial pode se ter vários intendentes num mesmo ano ou legislatura, visto que, a permanência dos mesmos nos cargos, estava condicionada às alterações da política estadual ou federal, como podemos observar na lista abaixo dos intendentes de Camocim.
No início do século XX, em 1905 foi instituída a Intendência Municipal e a figura do Intendente Geral. A diferença é que a partir de então: Não mais há a coincidência entre os dois cargos, o de intendente e o de presidente da Câmara. No entanto, ao mesmo tempo em que os membros da câmara municipal – e, portanto, indiretamente o presidente da Câmara - são eleitos pelo povo, o intendente geral continua a ser apontado pelo presidente de cada estado”.
Nesse sentido, embora a contagem dos prefeitos de Camocim comece a partir de 1919 com o Padre José Augusto da Silva, até 1930 os comandantes do poder executivo eram oficialmente chamados de “Intendente Geral”.
Com a Revolução de 1930, criou-se, finalmente, a figura do Prefeito e da Prefeitura Municipal, atribuindo-se as funções do Poder Executivo. Esse período em Camocim começa com a nomeação do Prefeito Gentil Barreira, como interventor, posto que, somente a partir da Constituição de 1934, os prefeitos seriam escolhidos pelo povo. No entanto, a partir de 1937 a 1945, quando da Ditadura Vargas, o cargo de prefeito “voltou a ser preenchido por apontamento dos governos federal ou estadual”.
Na lista abaixo temos os nomes de intendentes, presidentes de Câmara e prefeitos do município de Camocim. Na categoria Intendentes, a mesma ainda se acha incompleta, com alguns vazios temporais, visto que, a mesma foi feita a partir de documentos esparsos e notícias de jornais.
INTENDENTES
1883 – Diogo José de Souza
1887 – Leonel Dias da Fonseca
1888 – Serafim Manoel de Freitas
1889 – Luís Gomes de Lima
1890 – Francisco Freire Napoleão
1890 – Francisco José BernardoTeixeira (até nov.)
1891 - José Evangelista Barbosa
1891 – Quariguazil Barreto (mai.)
1891 - Raymundo Thiers (ago.)
1901 - 1902 –  Dr. João Thomé de Saboia e Silva
1903 – Joaquim Inacio Pessoa
1903 – Zeferino Ferreira de Véras
1904 - Zeferino Ferreira de Véras
1909 - Zeferino Ferreira de Véras
1912 - Severiano José de Carvalho (jan.)
1912 – Zeferino Ferreira de Véras
1914 – Francisco Louzada
1917 – Tasso Augusto Napoleão

PREFEITOS
01 -1919 - Pe. José Augusto da Silva.
02- 1920 - Tenente Coronel José Vitorino de Meneses
03- 1921 - Moisés Cavalcante Rocha
04- 1923 - Francisco Nelson Pessoa Chaves
05- 1927 - Thomaz Zeferino Veras
06- 1930 - Dr. Gentil Barreira
07- 1935 - João da Silva Ramos
08- 1944 - Tenente João Batista de Souza Brandão
09- 1945 - Horácio Pessoa (março a junho)
10- 1945 - Antonio Alcindo Rocha - (jul. a out.)
11- 1945 - Antonio de Albuquerque Souza (nov)
12- 1945-  Francisco Othon Coelho (dez.)
13- 1946 - Tenente Luís Marques de Souza
14- 1947 - José Pinheiro Pessoa
15- 1948 - Francisco Othon Coelho
16- 1951 - Setembrino Fontenele Veras
17- 1955 - Murilo Rocha Aguiar
18- 1959 - Carlos Trévia
19- 1963 - João Batista Rocha Aguiar
20- 1967 - Setembrino Fontenele Veras
21- 1971 - Dr. José Maria Primo de Carvalho
22- 1973 - João Pascoal de Melo
23- 1977 - Edilson Veras Coelho
24- 1983 - Ana Maria Beviláqua Moreira Veras
25- 1989 - Murilo Rocha Aguiar Filho
26- 1993 - Antonio Manoel Fontenele Veras
27- 1997 - Sérgio Aguiar Lima Aguiar
28- 2001 - Sérgio Aguiar Lima Aguiar
29- 2005 - Francisco Maciel de Oliveira
30- 2009 - Francisco Maciel de Oliveira
31-2013- Mônica Gomes Aguiar
32-2017 - Mônica Gomes Aguiar

Legenda:

INTENDENTES – Conforme aparecem na documentação pesquisada.

PREFEITOS (ou Intendente Geral) – Nomeados pelos Presidentes de Estado

PREFEITOS INTERVENTORES – PERIODO DA ERA VARGAS
PREFEITOS ELEITOS

quarta-feira, 14 de junho de 2017

A CACIMBA DO CUPIM - CAMOCIM. A MAIOR DO MUNDO?

Não sei se é a maior cacimba do mundo. Mas, se acreditarmos no leitor e colaborador do blog Francisco Rocha Pereira, a Cacimba do Cupim é insuperável neste aspecto. Para sabermos mais sobre a história da mesma, leiamos o texto abaixo enviado para nossa redação:


Cacimba do Cupim
Cacimba do Cupim. 2017. Cupim- Camocim. Foto: Francisco Rocha Pereira
Eu quero ver alguém me mostrar outra cacimba maior que essa. Para mim, até que me provem o contrário, ela é a maior que existe! Foi cavada no ano de 1955, à custa do seu proprietário, o Sr. João Paulo dos Santos, na localidade de Cupim – Camocim. De dimensões gigantescas que, causou, e até hoje causa grande admiração, espanto e tem gente que até sente medo ao se aproximar. Assim virou atração porque nunca se viu outra igual.
Com diâmetro interno de 3,85m (três metros e oitenta e oitenta e cinco centímetros), cavada com picareta à força braçal humana. Toda empedrada com argamassa à base de cal trazido da cidade de Granja em costa de jumentos e tijolos fabricados em uma olaria na própria baixa do Cupim, cujo barreiro onde foi tirado o barro, ficou conhecido como Barreiro do Odilon, por ficar próximo à casa que morava o saudoso Odilon Marques dos Reis (Odilon Bala), que me corrijam seus parentes.
Hoje vale a pena relembrar a façanha do Sr. João Paulo pelo empreendimento naqueles anos de dificuldade e a bravura dos trabalhadores, liderados pelo grande e inesquecível mestre de obras, Luís Tavares dos Santos, ainda hoje elogiado pelos que lhe conheceram, por sua inteligência, capacidade e capricho no que fazia.
Contam os mais velhos que eram muitos homens trabalhando com quatro gangorras puxando barro ou descendo material para vencer a demanda. Pois, na escavação a tabatinga desabava aterrando o que havia sido feito. O serviço dos gangorreiros era retirar esse material em caixões de madeira amarrados com cordas e logo depois fazendo o inverso, devolvendo o barro para encher o grande abismo causado pelo desabamento.
Hoje os moradores utilizam água do poço profundo da Escola João Paulo dos Santos situada há poucos metros. E o cacimbão de maior circunferência do mundo, mesmo que desativado e semiabandonado ainda serve de atração e memória da infância de muitos moradores contemporâneos da abundância de suas águas que por muitos anos matou a sede do povo e dos animais do Cupim e daquelas redondezas.

 

sábado, 10 de junho de 2017

A EDUCAÇÃO EM CAMOCIM - PRIMEIRA DÉCADA DO SÉC. XX

Relação de Escolas de Camocim. Fonte: Annuario Almanack Laemmert. p.268.

No início do século XX, o acesso à educação no Brasil ainda era muito limitado para o conjunto da população. Talvez por isso, pouco era também o número de escolas e professores. Não muito distante deste tempo, até por volta dos anos 1970, era corriqueiro primeiro se estudar numa "escola", que funcionava na casa do professor (a), onde se aprendia o "alfabeto" e só depois se ingressava numa escola propriamente dita.
 No município de Camocim, os dados de 1909, mostra essa realidade. Existiam naquela época algumas escolas particulares e municipais de instrução primária, como por exemplo:

"ESCOLAS PARTICULARES:
Instrucção Primaria
Sexo masculino
Professor: Francisco Menescal Carneiro. nocturna.
Mixtas:
Angela Ferreira Colyer
D. Eustachia Aragão
D. Francelina de Castro Fialho
D. Urbina Gondim Barbosa

ESCOLAS MUNICIPAES
Instrucção Primaria
Instituto Municipal Camociense
Professor: Raul Rocha"

Existiam ainda escolas nas povoações de Almas, Barroquinha, Guriú e Araras, que eram fiscalizadas pelo Presidente da Câmara, àquela epóca, Poder Executivo. Além da instrução primária, havia ainda outras escolas públicas, destinadas aos sexos feminino, masculino e mistas:

"Escolas publicas:
Sexo masculino:D. Maria Carolina Brandão Cela.
Sexo feminino: D. Heraclia Theodora de Sá Callado.

Ainda segundo o documento analisado, existia uma escola particular como o nome:

"COLLEGIO JOSÉ DE ALENCAR
Director: José Telles de Sousa".

O Conselho Escolar do município era formado por:

"Severiano José de Carvalho - presidente
Julio Cícero Monteiro
José Joaquim de Oliveira Praxedes
Antonio Sampaio Torres
José Maximiano Brasil".









sábado, 3 de junho de 2017

CAMOCIM NOS LIVROS VII - A EXPEDIÇÃO DE PERO COELHO À IBIAPABA


Capa do livro  História do Brasil (1500-1627).de Frei Vicente Salvador. Fonte: http://www.fundar.org.br
Prosseguindo na tarefa de mostrar Camocim nos livros, desta vez trazemos para o conhecimento de todos a primeira obra de história escrita por um brasileiro. Trata-se de História do Brasil. 1500-1627, de Frei Vicente Salvador, nascido na Bahia. A referida obra data do início do século XVII, mas só foi publicada em fins do século XIX. Pelo recorte temporal da obra, logicamente a mesma se refere aos "acontecimentos relativos à formação do Brasil desde a descoberta, em 1500, até o governo de Diogo Luís de Oliveira, em 1627. As figuras eminentes do tempo e os fatos ocorridos são descritos com graça, humor e simplicidade".
E Camocim não poderia estar fora destes acontecimentos, notadamente relacionados ao período do Ceará Colonial. Com riqueza de detalhes o autor narra os eventos que marcaram a retomada pelos portugueses da Serra da Ibiapaba aos franceses, no que resultou numa guerra sangrenta, no capítulo, 38º: – Da entrada que fez Pero Coelho de Sousa da Paraíba com licença do governador à Serra de Boapaba. O capítulo começa narrando os preparativos da expedição até chegar ao ponto de partida para a subida da serra, a barra do Camocim. Vejamos este trecho da obra: 


O mesmo fizeram depois os da outra aldeia à imitação destoutros, e foram todos marchando até o Ceará, onde, depois de alguns dias de descanso por causa da gente miúda, tornaram a marchar até um outeiro a que depois chamaram dos Cocos, porque uns sete ou oito que plantaram à tornada os viram nascidos com muito viço. E dali foram à enseada grande do âmbar e à mata do pau de cores, que chamam iburá-quatiara, depois ao Camoci, que é a barra da Serra da Boapaba, para a qual marcharam o seguinte dia, véspera de São Sebastião, 19 de janeiro de 1604, antemanhã. (p.292, Grifo nosso).


O mérito da obra do autor baiano só foi reconhecido tempos depois, através do  historiador cearense Capistrano de Abreu, "o principal responsável por tornar conhecida a História do Brasil, de Frei Vicente do Salvador, o primeiro livro a oferecer interpretação sistemática da “história do Brasil”. Escrito parte na metrópole, parte na colônia, o manuscrito ficou ignorado no Brasil, mas não inteiramente em Portugal, onde circularam algumas cópias.
Algumas passagens dessa obra tornaram-se antológicas e, provavelmente, foi o que mais entusiasmou Capistrano de Abreu e estudiosos como Manoel Bomfim, José Honório Rodrigues e Francisco Iglésias. Pautados pelo desejo de dar um fim às narrativas de exaltação à colonização portuguesa (e protagonizadas apenas pelas elites tradicionais), eles identificaram nessas passagens “sementes” de um pensamento nativista, ou mesmo, como chegaram a sugerir Bomfim e Iglésias, as primeiras manifestações de “nacionalismo” já no século XVII". (Biblioteca Básica do Brasil).

Fontes:
 www.estante,virtual.com.br
 http://www.fundar.org.br

sábado, 27 de maio de 2017

ONDE ESTÃO OS PEIXES DE CAMOCIM?

Vir a Camocim e não comer um peixe de "respeito" é a mesma coisa que ir à Roma e não ver o Papa.
Pois bem, hoje, depois de duas idas ao Mercado Público não consegui comprar um peixinho da minha predileção para o almoço. Tive que recorrer à velha e boa carne de gado para o repasto de logo mais. Chegando em casa ao mexer no arquivo, deparo-me com o Anuário do Ceará de 1953-1954. Além das ostras, caranguejos, biquaras, curucas, sardinhas, espadas e tubarão, tínhamos uma variedade de peixes mais nobres, com a quantidade, o valor total e o preço médio de cada espécie, conforme a tabela abaixo:

Anuário do Ceará. Produção de pescado. 1953-1954, p.108-109.
Evidentemente, que nos anos 1950 nosso mar era mais piscoso. Hoje, encontrar um bom coró, o peixe que nos identifica na cultura popular, ou o insuperável cangulo é quase tarefa de gincana. Agora, como disse o meu peixeiro: "Vamos apelar prá amanhã e torcer para o vento colaborar e o pessoal trazer peixe de canoa".

Fonte: UCHÔA, Waldery. Anuário do Ceará. 1953-1954.


quarta-feira, 17 de maio de 2017

CAMOCIM NAS TESES ACADÊMICAS III - TURISMO

Folha de rosto da Tese de Doutorado
 de  Lenilton Francisdo de Assis. USP. 2012.
Continuando a série CAMOCIM NAS TESES ACADÊMICAS, apresentamos hoje nessa postagem a Tese de Doutorado de Lenilton Francisco de Assis, ex-professor do Curso de Geografia da Universidade Estadual Vale do Acaraú - (UVA),  que trata da atração do espaço camocinense  para o turismo residencia. O trabalho foi defendido em 2012 na Universidade de São Paulo (USP). Para além do fenômeno turístico, o professor analisa as políticas de incentivo ao turismo, sua implementação no município, e suas potencialidades como destino turístico, assim como os problemas enfrentados à época da pesquisa. Abaixo, reproduzimos o resumo da obra. Colocamos também o contato do professor caso algum internauta queira mais detalhes sobre a referida tese.

RESUMO

O aumento da mobilidade tem incorporado novos usos às segundas residências que tornam ultrapassadas antigas polêmicas conceituais como a indefinição entre domicílios de lazer e alojamentos turísticos. Hoje, elas tanto abrigam o veranista local que desfruta do lazer de final de semana, quanto o turista residencial que adquire nova moradia em outro país, onde se comporta como turista e imigrante. Com o incremento das viagens, múltiplos territórios (materiais e simbólicos) são acionados entre as primeiras e as segundas residências, produzindo novas dinâmicas espaciais que resultam na multiterritorialidade. Lógicas distintas de territorialização, endógena e exógena, passam a conviver e a se confrontar nos espaços apropriados por esses domicílios que têm o seu boom atrelado à crescente fusão do turismo com o setor imobiliário. Tomando como referência essas transformações em curso no Nordeste brasileiro, a pesquisa busca enfocar os velhos e novos usos das segundas residências em Camocim/CE, visando entender se suas diferentes lógicas de territorialização promovem a solidariedade ou a segregação socioespacial. A partir de uma abordagem qualitativa, o estudo analisa como as praias das Barreiras, Maceió e Tatajuba se convertem, em Camocim, em múltiplos territórios de convivência e de conflitos entre nativos e visitantes.

Palavras-chave: turismo; segunda residência; território; turismo residencial; setor imobiliário; multiterritorialidade.

Fonte: ASSIS, Lenilton Francisco de. Entre o turismo e o imobiliário: velhos e novos usos das segundas residências sob o enfoque da multiterritorialidade - Camocim/CE. 2012. 278 f. Tese (Doutorado em Geografia Humana). Departamento de Geografia, Universidade de São Paulo, 2012. E-mail: lenilton@yahoo.com

sexta-feira, 28 de abril de 2017

CAMOCIM NAS TESES ACADÊMICAS II - DANOS AMBIENTAIS


Área urbana consolidada em Camocim, margem oeste do Rio Coreaú. Foto: Carolina Braga Dias.

Nesta série, destacaremos como nosso município é tomado como objeto de estudo acadêmico. Nesta postagem trazemos para  o conhecimento de nossos leitores a Tese de Doutorado de Carolina Braga Dias, apresentada  ao  Curso   Doutorado   em Ciências Marinhas Tropicais da Universidade Federal do Ceará, (UFC), em Ciências Marinhas Tropicais,  orientada pelo Prof. Dr. Jáder Onofre de Morais, defendida e aprovada em 28 de agosto de 2015.

Em seu resumo a autora destaca que o objetivo principal da pesquisa  "foi traçar elos entre os aspectos legais e o conhecimento técnico-científico dos sistemas ambientais, tendo como cenário o Município de Camocim – CE. O foco foram os danos ambientais em Áreas de Preservação Permanente, com destaque para as apurações na esfera administrativa e cível, considerando os percalços típicos da análise processual, reconhecendo falhas e propondo ajustes e diretrizes. [...] Por fim, a tese apresentou uma discussão sobre os pontos fortes e as fragilidades da atuação administrativa na proteção do meio ambiente do Estado do Ceará. Nesse exercício, percebeu-se que as decisões, judiciais e administrativas, tendem a ser mais medíocres quanto menos se conhece os ambientes afetados. Comprovadamente, a reparação in natura é a melhor opção".

Lendo a tese, pinçamos uma citação de que a autora faz uso da nossa tese de doutorado:

"Uma série de melhoramentos chega com o trem: o telégrafo, a mesa de rendas, fábricas de cigarro, sabão e beneficiamento de algodão, posto médico, farmácia, construção da Igreja Matriz, elevação da vila em cidade (1889), cinemas, jornais, dentre outros. A própria ferrovia também toma iniciativas, inserindo muitos jovens na aprendizagem de diversos ofícios em suas oficinas e fundando escolas formais em vários pontos do trajeto da estrada. [...] A ferrovia ofereceu em momentos de pico, quase 300 empregos diretos entre funcionários de manutenção de trens e pessoal burocrático. O movimento da ferrovia quase sempre foi superavitário, sobretudo no período de arrendamento para a firma Sabóia, Albuquerque & Cia., de 1898 a 1910". [...] (SANTOS, 2008).