sábado, 19 de setembro de 2020

ESCOLA BATISTA DAS NEVES. COLÔNIA DOS PESCADORES. (X SETEMBRO CAMOCIM. 02)

 

Escola Batista das Neves. Camocim. 1941. Fonte: A Voz do Mar. RJ, edição 177, p. 19.

Na trajetória da educação de Camocim ainda existem muitas histórias a serem desvendadas. Antes de termos um efetivo sistema escolar municipal e estadual de ensino, muitas escolas funcionaram esporadicamente ou com alguma regularidade em diversos espaços, notadamente associativos, sindicatos, igrejas, dentre outros. Sempre que descobrimos estas iniciativas do passado, registramos aqui neste espaço.

Hoje focalizaremos uma escola que funcionou da Colônia dos Pescadores. Muitos camocinenses já estudaram em diversas escolinhas que funcionaram nesta associação localizada no Bairro da Praia, com  diversas denominações, principalmente filhos de pescadores. Trata-se  da Escola Batista das Neves que, no ano de 1941, foi registrada  pela revista A Voz do Mar, editada no Rio de Janeiro.

Como se pode observar na foto acima, a professora está no centro, ladeada por 47 crianças de  idades  e tamanho variados, meninas e meninos,  o que sugere uma escola de natureza mista. A matéria não traz maiores informações a não ser a foto da turma de alunos com a professora e notícias de outras colônias de pescadores do Ceará, numa reportagem que acompanhava uma visita de inspeção às colônias de pescadores do Brasil.

Em 1941, a entidade representativa dos pescadores em Camocim era a Colônia dos Pescadores Z-17, e a diretoria era composta por Vital Ferreira da Silva - presidente; Manoel Agostinho dos Prazeres - secretário e Francisco Barros da Silva, tesoureiro. Por outro lado, não obtemos informações sobre quem seria "Batista das Neves", detalhe para pesquisas posteriores.
  
Fonte: A Voz do Mar. RJ. 1941. edição, 177.


sábado, 5 de setembro de 2020

A SIMBIOSE HOMEM-NATUREZA . X SETEMBRO CAMOCIM 2020. 01

Foz do Rio Coreaú. Camocim-CE. Foto: Leopoldo Kaswiner. 


Abrindo mais um SETEMBRO CAMOCIM (Décima edição - 2020), vamos dar uma parada naquelas matérias sobre política do passado (mas, nem tanto!) para evidenciarmos a nossa história local que, neste ano de pandemia, será um pouco diferente. Para começarmos vamos nos valer de mais uma preciosidade revelada dos arquivos do livreiro Trata-se de um cartão postal, intitulado "Foz do Rio Coreaú - Camocim-Ceará", de Leopoldo Kaswiner, retratando a faina do pescador camocinense. A foto não traz a data e o efeito em preto e branco parece remeter para um passado em que as dunas ainda tinham alguma cobertura vegetal, num tempo em que nelas se plantava salsa para impedir o assoreamento do canal natural do rio. Neste trabalho, realizado antigamente, muitas pessoas foram empregadas para tal fim, tanto no sentido de mitigar os efeitos da fome e da seca (inclusive usando-se mão de obra vinda de outras cidades como Ipu e Crateús), quanto para a fixação propriamente ditas das dunas móveis do Outro Lado (ou do Morro da Testa Branca para os mais velhos), da agora famosa Ilha do Amor.
No entanto, por ser uma foto de Leopoldo Kaswiner, especialista em fotografar as paisagens marítimas (embora ele trafegue por outros territórios com a mesma sensibilidade), acredito que a foto seja de décadas recentes. Leopoldo Kaswiner é o autor das fotos do livro "Sítio Histórico de Sobral - Monumento Nacional", além de várias obras e exposições fotográficas e está em plena atividade. Vamos tentar um contato com ele para precisar a data da foto que ilustra esta postagem.
Camocim, 05/09/2020. 174 dias de isolamento social.

Foto: Foz do Rio Coreaú - Camocim-Ceará. Leopoldo Kaswiner. Arquivo:
Francisco Olivar Olivar
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segunda-feira, 17 de agosto de 2020

O FUNCIONALISMO PÚBLICO DE CAMOCIM NO SÉCULO XIX


Dentro do pacote de crueldades que se anuncia nos bastidores do governo, a reforma administrativa atingirá em cheio o funcionalismo público. Não que não haja distorções a serem corrigidas, mas, ao fim e ao cabo, as várias reformas que já aconteceram no país, sempre quebram no lado mais fraco, além de áreas importantes da administração pública ficarem com seus serviços minimizados pela falta, justamente, de funcionários.

Desde a nascente República que este tema foi sempre recorrente nos anais da História e da Literatura. O sempre polêmico escritor Lima Barreto, em 1915, no seu conto “Projeto de Lei”, alfinetava o crescente cabide de empregos em que se tornara o novo regime, sem perder o tom irônico na fala de um deputado personagem:

“Meus senhores. A pátria este em perigo; o Tesouro está exausto; os recursos da nação estão esgotados. Urge que tomemos providências, a fim de evitar a bancarrota. O que mais pesa no nosso orçamento são os funcionários públicos. É preciso acabar com essa chaga que corrói o organismo do país. Eles podem muito bem ir plantar batatas”.

Por outro lado, voltando no tempo, a Câmara Municipal de Camocim e a Intendência Municipal nos idos de 1898 também reclamava por sua vez, da falta de verbas para manter seus poucos funcionários e manter as despesas da Municipalidade. Se naquela época o serviço público “inchava” também por culpa dos próprios políticos, atualmente, quando se quer “enxugar” os gastos com a máquina pública, os políticos elegem o funcionalismo como a fonte dos seus males.

Para efeito de comparação, na virada do século XIX para o vinte, existiam em Camocim apenas 17 funcionários: cinco municipais (destes, dois lotados na Câmara, um deles o próprio Presidente) e outros doze, distribuídos nas funções de prático de barra, oficial de justiça, carcereiro, telegrafista. Os oito restantes tinham apenas a especificação de “funcionário público”, sem uma função definida.

 

Fontes

Texto: Alistamento dos Eleitores do Município de Camocim. 10 de abril de 1898. Disponível em: portal.ceara.pro.br.

Texto: SCHWARCZ, Lilia. (Org.). Contos completos de Lima Barreto. São Paulo: Companhia das Letras, p.403.

Imagem: asmetro.org.br

 

 

domingo, 16 de agosto de 2020

AS PROFISSÕES DOS POLÍTICOS DE CAMOCIM NO SÉCULO XIX


A política sempre foi expressão do poder. Contudo, nem sempre ela foi exercida como algo ligada à profissão de uma pessoa. Atualmente há quem faça disso seu principal ganha pão, honesta ou desonestamente. Isso não quer dizer também que, desde sempre, alguém não a usasse como fonte de desvios e desmandos do dinheiro público. Mas, tirando de lado o aspecto corruptor e corruptivo que o poder político pode levar, os cidadãos de antanho (refiro-me aos nossos eleitores do fim do século XIX e início do XX) muitas vezes deixavam seus afazeres para dedicar alguns dias e horas à administração do município, gerando com isso, muitas desistências dos cargos e substituições de vereadores alegando seus compromissos com suas profissões, afinal de contas, eram elas que lhes davam o sustento familiar.

Nesta época os vereadores não eram remunerados e somente 19 anos depois de ser criado o município, a Câmara Municipal de Camocim votou uma lei criando uma gratificação para o Intendente Municipal que era escolhido entre os vereadores (Lei Municipal 462 de 12 de setembro de 1898), no valor de seiscentos mil réis (600$000) anuais.

Deste modo, a relação dos eleitores do Município de Camocim nos informa a profissão de vários destes políticos que exerceram a Intendência ou o mandato de vereador, como por exemplo: Diogo José de Souza (Negociante); Antonio Sampaio Torres (Criador); Joaquim Ignacio Pessôa (Proprietário), Francisco Freire Napoleão (Proprietário);  Laurentino Carlos Monteiro (Artista); Severiano José de Carvalho (Negociante); Serafim Manoel de Freitas (Empregado Público); Manoel Romão Sueiro (Proprietário); Zeferino Ferreira de Véras (Negociante), dentre outros.  Este último, patriarca da família Veras, exerceu várias vezes o mandato de vereador e intendente, iniciando a presença da família na política local, até hoje presente. No alistamento de 1898, tinha o título de nº 186, 63 anos, casado, eleitor do 2º quarteirão da localidade de Burithy.


Fonte: Alistamento dos Eleitores do Município de Camocim para as eleições Estadual e Municipal procedido em 10 de abril de 1898. Fonte:https://portal.ceara.pro.br


 

 

 

 

O ELEITORADO DE CAMOCIM NO FINAL DO SÉCULO XIX


 

               















Para termos uma ideia da participação da população de Camocim nas primeiras décadas do período republicano, o levantamento dos eleitores no ano de 1898, apenas 232 eleitores estavam aptos a votar nas eleições daquele ano, incluindo a sede e os distritos de Barroquinha e Guriú. Para efeito de comparação, no censo de 1900, Camocim tinha 7.884 habitantes (3.844 homens e 4.040 mulheres), ou seja, votavam apenas cerca de 3% da população. Naquela época ao invés de zonas eleitorais, os privilegiados eram organizados por “quarteirões” e, no alistamento constava, além do nome do eleitor, a idade, filiação (só o nome do pai), profissão e local de domicílio. Neste aspecto, a maioria dos eleitores eram “artistas” (alguém que tinha uma profissão fixa), empregados públicos e da ferrovia, negociantes, criadores, lavradores, proprietários, e alguns poucos, operários,  pescadores e vaqueiros; o prático da barra, um marchante, além do Engenheiro da  Estrada de Ferro, o Dr. João Thome de Saboia e Silva, eleitor do 3º quarteirão com o número 70.

                Na lista de eleitores podemos ver alguns nomes conhecidos da nossa história, como o do empregado da estrada de ferro Julio Cícero Monteiro, criador do Tiro de Guerra Infantil em 1912, também eleitor do 3º quarteirão sob o número 72. Ainda neste mesmo quarteirão vamos encontrar José Cella (nº 62), de origem espanhola, também empregado da ferrovia e pai do futuro artista plástico de renome internacional Raimundo Cela. O documento também revela pelos sobrenomes constantes, as famílias de maior poder aquisitivo do município e sua inserção política naquele tempo, como os Veras, Coelhos, Cavalcante, Rocha, Soares, Carvalho,  Parente, Saboia, Vianna, Araújo, dentre outros. Era este o panorama eleitoral no final do século XIX.

 

 Foto: Alistamento dos Eleitores do Municipio de Camocim para as eleições Estadual e Municipal procedido em 10 de abril de 1898. Fonte:https://portal.ceara.pro.br


 

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

O CENTENÁRIO DA BANDA LYRA CAMOCINENSE


Hoje, 07 de agosto de 2020, a Banda Lyra Camocinense completa seu Primeiro Centenário. Seu fundador foi o Maestro Luís Joaquim de Moraes que chegando em Camocim em abril de 1920. Logo que chegou, começou a ensinar música a alguns meninos da cidade. Num livro de memórias publicado em 1925, o próprio maestro narra como se deu a fundação da banda:
"Achando-se Camocim sem uma banda de música resolvi ensinar meninos, o que comecei a por em pratica no mez de abril de 1920. No dia 7 de agosto daquele mesmo anno consegui inaugurar uma nova banda de musica sob denominação de LYRA CAMOCINENSE com o numero de 13 músicos, sendo 2 antigos e 11 novos, ensinados por mim, a custo de muito sacrifício"
Neste mesmo livro o maestro informa que a Banda LYRA CAMOCINENSE tocou na festa em homenagem ao aviador Pinto Martins em 1922, quando o mesmo passou por Camocim durante o voo pioneiro New York-Rio de Janeiro. Na ocasião foi executada a "Valsa Camocinense", composta por Raimundo Nonato de Araújo (Mundico) pela Banda Lyra Camocinense, na aludida festa, sob a batuta do maestro Luís de Moraes.
Nestes 100 anos de história, a banda teve muitas formações e foi comandada por vários maestros, como Antonio Basílio, Antonio Pereira da Silva (o Mestre Cazumbim), dentre outros, além de ter formado centenas de jovens músicos, se constituindo num dos patrimônios imateriais mais antigos e duradouros do município. A Banda Lyra Camocinense até meses atrás era regida pelo Maestro Miguel Arcanjo, que por motivo da legislação eleitoral se descompatibilizou da função.
Parabéns a todos os músicos que fizeram e fazem parte da BANDA LYRA CAMOCINENSE.

Fonte: MORAES, Luís. Resumo histórico da vida de Luís de Moraes desde sua chegada a cidade de Camocim. 1907-1924. Typ. Correio da Semana. Sobral-CE. 1925, p. 7.
Foto: Banda Lyra Camocinense. Camocim-CE. 2012. Arquivo: Camocim Online.

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

O ELEITORADO DE CAMOCIM NO FINAL DO SÉCULO XIX

Para termos uma ideia da participação da população de Camocim nas primeiras décadas do período republicano, o levantamento dos eleitores no ano de 1898, apenas 232 eleitores estavam aptos a votar nas eleições daquele ano, incluindo a sede e os distritos de Barroquinha e Guriú. Para efeito de comparação, no censo de 1900, Camocim tinha 7.884 habitantes (3.844 homens e 4.040 mulheres), ou seja, votavam apenas cerca de 3% da população. 

Naquela época ao invés de zonas eleitorais, os privilegiados eram organizados por “quarteirões” e, no alistamento constava, além do nome do eleitor, a idade, filiação (só o nome do pai), profissão e local de domicílio. Neste aspecto, a maioria dos eleitores eram “artistas” (alguém que tinha uma profissão fixa), empregados públicos e da ferrovia, negociantes, criadores, lavradores, proprietários, e alguns poucos, operários,  pescadores e vaqueiros; o prático da barra, um marchante, além do Engenheiro da  Estrada de Ferro, o Dr. João Thome de Saboia e Silva, eleitor do 3º quarteirão com o número 70.

Na lista de eleitores podemos ver alguns nomes conhecidos da nossa história, como o do empregado da estrada de ferro Júlio Cícero Monteiro, criador do Tiro de Guerra Infantil em 1912, também eleitor do 3º quarteirão sob o número 72. Ainda neste mesmo quarteirão vamos encontrar José Cella (nº 62), de origem espanhola, também empregado da ferrovia e pai do futuro artista plástico de renome internacional Raimundo Cela. O documento também revela pelos sobrenomes constantes, as famílias de maior poder aquisitivo do município e sua inserção política naquele tempo, como os Veras, Coelhos, Cavalcante, Rocha, Soares, Carvalho,  Parente, Saboia, Vianna, Araújo, dentre outros. Era este o panorama eleitoral no final do século XIX.


Foto: Fragmento da Listagem de Eleitores de Camocim-CE. 1898.

Fonte:https://portal.ceara.pro.br 


sábado, 18 de julho de 2020

DA VILA FALCÃO AO RESIDENCIAL BONITO. AS CASAS POPULARES EM CAMOCIM

Vila "Ministro Waldemar Falcão". Fortaleza - CE. 1950.
Fonte: Revista "O Cruzeiro", RJ. 12 de agosto de 1950, ed. 43, p.73.


Talvez poucos saibam, mas, a construção de casas populares em Camocim remonta ao século passado, mais precisamente no ano de 1950. No governo do general Eurico Gaspar Dutra convidou para presidir o Instituto de Aposentadoria e Pensões Marítimas (IAPM), o político cearense Armando Ribeiro Falcão (1919-2010), que ficou à frente da entidade no biênio 1949-1950. Foi na gestão que vários municípios do Ceará e do Brasil foram contemplados com casas populares para marítimos, jangadeiros, pescadores, enfim, homens do mar. Desta forma, podemos dizer, que esta iniciativa foi o embrião dos posteriores conjuntos habitacionais. Em Camocim, a obra foi a Vila Falcão, em homenagem ao ministro, que fica na Rua José de Alencar, entre as ruas Santos Dumont e Humaitá. Hoje, quase ninguém lembra que estas casas tiveram esta denominação. A arquitetura original também já foi totalmente modificada (ver foto acima de como era o modelo inicial). Antigamente existia uma placa alusiva à obra, mas, como todas em Camocim, teve outro destino por seu valor em bronze. Não sei se as pessoas contempladas à época com estas casas eram em sua totalidade, marítimos ou algo parecido. O certo é que, Armando Falcão. depois de sua passagem pelo IAPM, foi alvo de "várias denúncias de irregularidades administrativas e financeiras..." 
De lá para cá, várias outras gestões construíram casas populares que tomaram várias denominações nos bairros da Olinda, Boa Esperança, Apossados, dentre outros, além da COHAB que também se tornou um bairro.
A bola da vez agora é o Residencial Bonito III no bairro Jardim das Oliveiras. Trezentas famílias beneficiadas pelo Programa Minha Casa, Minha Vida. Na emoção de ter um teto para chamar de seu, de cada contemplado, observa-se o quanto é importante uma politica de governo para o setor habitacional. Do outro lado a constatação politiqueira oportunista de se querer tirar proveito com a paternidade da obra. São quase trezentos pais... 




Fonte: http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-biografico/armando-ribeiro-falcao
Fonte: Revista "O Cruzeiro". RJ. 12 de agosto de 1950, ed. 43, p.73.