O Blog:

Amigos e conterrâneos camocinenses, a gente só dar o que tem. Quando pensamos editar um blog, este foi o pensamento: doar todo nosso esforço na construção de uma ferramenta como esta para a divulgação pura e simples da nossa história. Contudo, essa é uma oportunidade de todos participarem desta empreitada, seja comentando, sugerindo, corrigindo e, efetivamente, participando dessa grande viagem que a História nos proporciona. Que nosso "POTE" nunca encha e sacie a todos!!!

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

CAMOCIM X MASSAPÊ. AS DISPUTAS NA POLÍTICA



Sede da antiga Assembleia Legislativa do Estado do Ceará. 1930.
Atualmente Museu do Ceará.
Fonte:Jornal O Nordeste,


Após o período de redemocratização, a chamada zona norte do Estado do Ceará foi pródiga em oferecer representantes ao parlamento estadual. Após a Assembleia Constituinte de 1947, os municípios de Granja, Camocim, Coreaú, Massapê, Sobral, Santana do Acaraú, Acaraú, Itapipoca, Crateús, Ipueiras, Ipu, Reriutaba,São Benedito, Ubajara, dentre outros, tiveram deputados que militavam nestes municípios ou eram originários destes, em várias legislaturas. Neste ano de 2016, em que dois deputados representantes desta região, Sérgio Aguiar (Camocim) e Zezinho Albuquerque (Massapê) disputam a presidência da Mesa Diretora da Assembleia do Estado do Ceará é interessante lançarmos um olhar para o passado, mais especificamente para a  Legislatura de 1959-1962. Sabemos que numa eleição deste tipo, as articulações políticas se sobrepõem aos laços familiares, filiações políticas ou mesmo a origem geográfica. Numa eleição hipotética, se no caso em tela fosse adotado o critério de origem familiar, os Aguiar estariam em vantagem, pois contavam com os deputados: José Firmo de Aguiar, Murilo Rocha AguiarLiberado Moacyr de Aguiar, Manoel Vilebaldo Frota de Aguiar, e Raimundo Elísio Frota Aguiar, além de Francisco Aniceto Rocha, cunhado de Murilo Aguiar.
No entanto, se o critério fosse a origem geográfica, Massapê teria o presidente, visto que José Firmo de Aguiar, José Pontes Neto, Antônio de Melo Arruda, Aurimar Pontes, Francisco Vasconcelos de Arruda e Francisco Vilmar Pontes, nasceram nesta cidade.
Os critérios atuais são outros. Agora é esperar qual será o veredicto.

Abaixo, um pequeno resumo de cada um destes deputados de outrora:

ANTÔNIO DE MELO ARRUDA
PSD PARTIDO SOCIAL DEMOCRÁTICO Filho de João Arruda e Laura de Mello Arruda. Nasceu a 29.03.1913, em Massapê/CE, e faleceu a 25.05.1984, em Fortaleza/CE.

AURIMAR PONTES
PTB PARTIDO TRABALHISTA BRASILEIRO Filho do Coronel João Pontes (Deputado à Constituinte de 1935) e de Maria Haury Araújo Pontes. Nasceu em 07.02.1922, em Massapê/CE. Faleceu a 28.03.2006, em Massapê/CE.

FRANCISCO ANICETO ROCHA
PSP PARTIDO SOCIAL PROGRESSISTA Filho de Antônio da Rocha Carvalho (Deputado Constituinte de 1947) e de Edwirges Angelim Rocha. Nasceu na localidade denominada de Riachão, antigo Distrito de Granja, hoje Uruoca. Faleceu em 15.04.2002.

FRANCISCO VASCONCELOS DE ARRUDA
PSP PARTIDO SOCIAL PROGRESSISTA Nasceu em Massapê a 27.03.1910, filho de Ricardo José de Arruda e Teodora Carminda Vasconcelos de Arruda. Faleceu em 1972, vítima de Acidente Vascular Cerebral.

FRANCISCO VILMAR PONTES
PSP PARTIDO SOCIAL PROGRESSISTA Filho do Coronel João Pontes (Deputado à constituinte de 1935) e Maria Haury Araújo Pontes. Nasceu a 20.10.1921, em Massapê/CE. Faleceu em 11.07.2004.

JOSÉ FIRMO DE AGUIAR
PRT PARTIDO REPUBLICANO TRABALHISTA Nasceu a 11.05.1913 em Massapê/CE, filho de José Firmo de Aguiar e Francisca Dionízia de Aguiar. Faleceu a 11.11.1982.

JOSÉ PONTES NETO
PSP PARTIDO SOCIAL PROGRESSISTA Filho do Coronel João Pontes (Deputado à constituinte de 1935) e de Maria Haury Araújo Pontes. Nasceu a 01.12.1915, em Massapê/CE, e faleceu a 20.06.1994, em Quixeramobim/CE.

MURILO ROCHA AGUIAR
PSD PARTIDO SOCIAL DEMOCRÁTICO Nasceu em Camocim a 25.11.1914. Filho de Vicente de Paula Aguiar e Iracema Rocha Aguiar. Faleceu em Fortaleza a 1°.03.1985.

SUPLENTES

LIBERATO MOACYR DE AGUIAR
UDN UNIÃO DEMOCRÁTICA NACIONAL Nasceu a 05.06.1917 em Fortaleza/CE. Filho de Francisco da Silveira Aguiar (Deputado Constituinte de 1947) e Zulmira Sedrim Aguiar. Faleceu a 18.03.2002.

MANOEL VILEBALDO FROTA AGUIAR
UDN UNIÃO DEMOCRÁTICA NACIONAL Nasceu na cidade de Palma, atual Coreaú, a 12.12.1895. Filho de Francisco Felinto Aguiar e Rosa Frota Aguiar. Faleceu a 13.05.1966.

RAIMUNDO ELÍSIO FROTA AGUIAR
PSD
PARTIDO SOCIAL DEMOCRÁTICO Nasceu na localidade de Palma, atual Coreaú/CE, a 21.10.1894. Filho de Francisco Felinto Frota Aguiar e Rosa Frota Aguiar. Faleceu em Fortaleza a 31.05.1990

Fonte: 
Deputados Estaduais: 15ª legislatura 1959-1962/ Assembléia Legislativa do Estado do Ceará. – 2. ed. – Fortaleza: INESP, 2006.


terça-feira, 29 de novembro de 2016

PARLAMENTARES DE CAMOCIM. VII. HAROLDO SANFORD


Fonte:Deputados estaduais : 19ª legislatura 1975 – 1978. Fortaleza: INESP, 2000, p.89.

Minha lembrança de Sr. Haroldo Sanford Barros advém dos cartazes das campanhas políticas para Deputado Federal nos anos 1970 e 1980 quando era apoiado pelo grupo político do deputado estadual Murilo Rocha Aguiar. Nasceu em Camocim (CE) no dia 11 de setembro de 1925, filho do camocinense Antônio Fernando Barros e da sobralense Susana Sanford Barros, sendo chefe político por muito tempo na região de Meruoca-CE. Seguiu carreira militar, ingressando em 1947 na Academia Militar das Agulhas Negras, depois na Escola de Artilharia Anti-Aérea em 1950, e, finalmente  na Escola de Aperfeiçoamento de Comando de Oficiais em 1957.
Na política, disputou as eleições para a Assembléia Legislativa do Ceará pelo PTN (Partido Trabalhista Nacional) no pleito de novembro de 1962. Eleito, tomou posse em fevereiro de 1963. Após o golpe de 1964, filia-se na Aliança Renovadora Nacional (Arena). Seguindo seus o dados biográficos
No pleito de novembro de 1966 foi reeleito deputado estadual na legenda da Arena, sendo empossado em fevereiro de 1967. Foi novamente eleito deputado estadual para as legislaturas de 1971 a 1975 e de 1975 a 1979, sempre na legenda da Arena. Nos trabalhos legislativos, foi primeiro-vice-presidente da mesa diretora da Assembléia por duas vezes e membro de diversas comissões técnicas ao longo de seus mandatos.
No pleito de novembro de 1978, disputou uma vaga para a Câmara dos Deputados. Eleito, tomou posse em fevereiro do ano seguinte. Com o fim do bipartidarismo em 29 de novembro de 1979 e a conseqüente reorganização partidária, ingressou no Partido Democrático Social (PDS), agremiação que sucedeu a Arena no apoio ao governo.
[...] Reeleito deputado federal no pleito de novembro de 1982, tomou posse em fevereiro de 1983. [...] No Colégio Eleitoral, reunido em 15 de janeiro de 1985 em conseqüência da não-aprovação da emenda Dante de Oliveira, votou em Paulo Maluf. [...] Ainda em 1985, Sanford chegou a anunciar sua filiação ao PMDB, porém terminou por filiar-se ao Partido da Frente Liberal (PFL). Sua estada no PFL foi curta e no pleito de novembro de 1986 já estava filiado ao PMDB, no qual disputou a reeleição, obtendo apenas uma suplência. [...] No pleito de outubro de 1994 tentou voltar à Câmara, desta vez na legenda do Partido Progressista Reformador (PPR), mas só obteve uma suplência. Em outubro de 1998, foi mais uma vez derrotado na disputa de um mandato de deputado federal, agora na legenda do Partido Progressista Brasileiro (PPB). Teve quatro filhos.


FONTE: Deputados estaduais : 19ª Legislatura 1975 – 1978 / Assembléia Legislativa do Estado do Ceará. Memorial Deputado Pontes Neto. – Fortaleza: INESP, 2000.
http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-biografico/sanford-haroldo

PORTO DE CAMOCIM - A CONSTRUÇÃO DO CAIS


Solenidade de lançamento da pedra fundamental do Cais do Porto de Camocim.
Setembro de 1959. Fonte: AVAP. FGV/CPDOC.

Desde os tempos imperiais que o Porto de Camocim é objeto de discussão nos jornais e relatórios governamentais. Situações como o alfandegamento, as dragagens e aparelhamento do mesmo são constantes neste papéis. No entanto, a execução de tais obras se arrastaram com o tempo, merecendo apenas paliativos. Para termos uma ideia dessa morosidade, desde os anos 1930 que estas melhorias eram prometidas pelos sucessivos governos federais, visto que a obra seria de responsabilidade da União. Da Ditadura Vargas ficaram os estudos de viabilidade e algumas tentativas de dragagem. Com a vinda do candidato à Presidente da República Juscelino Kubitschek as promessas foram renovadas. Com efeito, já no final de seu governo foi lançada a pedra fundamental da construção do Cais do Porto como mostram as fotografias (inéditas no blog) do Acervo de Alzira Vargas do Amaral Peixoto, filha de Getúlio Vargas e esposa do então Ministro de Viação e Obras Públicas, Ernani do Amaral Peixoto. Em 1959, o então ministro fez uma visita ao Ceará onde inaugurou obras, lançou outras, almoçou com trabalhadores e beijou crianças. No Ceará, ele esteve em Fortaleza, inaugurando melhorias no Porto do Mucuripe e em Camocim, onde foi recebido com muita festa, como podemos perceber da multidão que comparece ao cais com representações escolares, de trabalhadores e da sociedade civil organizada, além de políticos, como o deputado estadual Murilo Rocha Aguiar (foto abaixo, em primeiro plano, o quinto da esquerda para a direita, careca, de terno preto).

Ministro da Obras e Viação Pública, Ernani Peixoto do Amaral (primeiro da esquerda para a direita, de óculos e terno branco). Solenidade de lançamento da pedra fundamental do Cais do Porto de Camocim. Setembro de 1959. Fonte: AVAP. FVG/CPDOC.

Apesar de ter começado em 1959, as obras do Cais do Porto de Camocim  em 1961 se arrastavam "tartarugamente", como assinalou o jornalista Fernando Pessoa no jornal A Noite em junho daquele ano. Segundo o articulista, o então candidato à presidente Jânio Quadros, prometera de cima de um "jeep" do Padre Palhano em Sobral, "incentivar as obras do Porto de Camocim", por conhecer a "necessidade  de atender a esses melhoramentos, por tratar-se de um porto bem abrigado e de significação para toda a zona norte, não só do Estado do Ceará como do Piauí". Palavras jogadas ao vento! Com efeito, somente ao final deste ano, quando o Ministro da Viação e Obras Públicas era Virgílio Távora, guindado à esta condição quando do governo parlamentarista do Primeiro Ministro Tancredo Neves foi que as obras do Porto de Camocim e Mucuripe tiveram alguma aceleração. Voltaremos ao assunto!

Fontes:
Acervo Alzira Vargas do Amaral Peixoto. FGV/CPDOC.
Jornal A Noite. ed. 15751, 10 de junho de 1961, p.4.


segunda-feira, 28 de novembro de 2016

PARLAMENTARES DE CAMOCIM. VI - SETEMBRINO FONTENELE VERAS




Fonte: Deputados Estaduais: 14ª Legislatura 1955-1958. 2ª. Ed. – Fortaleza: INESP, 2006, p.139.

A figura de Setembrino Veras composta de seu óculos escuros e seu jipe 55 (ou seria 51?) era indefectível para os camocinenses. Apesar de ter sido deputado estadual, a memória de seus mandatos como vereador, vice-prefeito e prefeito de dois mandatos (1951-54 e 1967-71) ainda aparece nas conversas dos mais velhos em Camocim. Na cena política de Camocim, Setembrino Veras foi uma espécie de divisor ideológico quando do rompimento político de Murilo Aguiar e Alfredo Othon Coelho, como nos disse o Sr. Orion Menezes:


Aí o Murilo Aguiar disse: “vou lançar um candidato, o Vaqueiro da Esperança, Setembrino Veras”. Ele estava lá nas Amarelas, no terreno dele lá, ele vivia mais no interior. (...) O Murilo Aguiar lançou a candidatura dele, quando foi no outro dia o Setembrino entrou aqui no carro, foi foguete, às sete horas da noite. Vaqueiro da Esperança, botaram o apelido dele, aí o Setembrino ganhou a prefeitura, aí meteu o pau no outro candidato, ajeitou a cidade, aí começou a intriga do Alfredo Coelho com o Murilo Aguiar. Foi o rompimento. 
Quando prefeito, Setembrino ficou conhecido pelo rigor na fiscalização da venda da carne e do peixe, ter construído o Curro Municipal (matadouro), a balustrada margeando o Rio Coreaú e a reforma do Mercado Público após um incêndio, dentre outras importantes de einfraestrutura.
Na sua página do memorial dos deputados estaduais do Ceará está escrito:

Nasceu em Camocim/CE a 06.02.1918. Filho de José Zeferino Veras e Rosa Fontenele Veras. Faleceu a 23.12.1998. Agrimensor. Iniciou os estudos em sua cidade natal, concluindo a formação de cadete no Colégio Militar de Fortaleza. Freqüentou a Escola Militar de Realengo, entretanto, não chegou a terminar seus estudos por motivo de doença. Retornando a Camocim, passou a exercer as atividades de agrimensor. Ingressou na política, sendo eleito Vereador de Camocim, chegando posteriormente a Prefeito, em dois mandatos, e Vice-Prefeito. Eleito Deputado Estadual na legislatura de 1955.

Fontes: Deputados Estaduais: 14ª Legislatura 1955-1958. 2ª. Ed. – Fortaleza: INESP, 2006, p.139-40.
Blog Camocim Pote de Histórias.


sábado, 26 de novembro de 2016

PARLAMENTARES DE CAMOCIM V - LIBÓRIO GOMES DA SILVA


Fonte:Deputados estaduais : 19ª legislatura 1975 –1978  Fortaleza: INESP, 2000, p.116.
A localidade de Tremedal, Distrito de Amarelas, Camocim-CE foi o berço de Libório Gomes da Silva. No dia 22 de julho de 1923, um domingo, Amâncio Gomes da Silva e Ana Augusta Pessoa da Silva viram nascer um menino que se tornou homem e nunca esqueceu  sua terra natal. Tornou-se militar e político. No memorial dos deputados estaduais cearenses, o seu resumo biográfico nos diz: 

Militar. Fez seus primeiros estudos na Escola Profa. Madalena de Castro e no Externato Santa Tereza de sua cidade natal, concluindo o 2o grau na Escola Prof. André Pessoa. Militar por formação e vocação, ingressou na carreira militar como soldado, em 1941 chegando à patente de Coronel, por merecimento, em 1966.
Sua trajetória dentro da PM foi de invulgar brilhantismo. Delegado Especial em Aquiraz, Baturité, Coreaú e Itapajé de 1946 a 1950; Tesoureiro Geral da Polícia Militar de 1954 a 1959; Assessor da Secretaria da Fazenda do Estado nas Administrações dos Generais Edson Ramalho e Assis Bezerra; Chefe da Casa Militar
do Governo do Estado, de 1966 a 1970; Superintendente da FUNCEME – Fundação Cearense de Meteorologia, de 1979 a 1982.

Sua atuação política foi expressiva e extremamente profícua, e muitas as realizações e benefícios que carreou para o município de Camocim, que representou dignamente no Parlamento Estadual.Foi Deputado Estadual nas legislaturas de 1971/74 e 1975/78. No período de 1973 a 1975 foi 2o Secretário da Mesa Diretora da Assembléia Legislativa do Estado do Ceará.Entre suas realizações, podemos destacar a construção e implantação das seguintes obras:
Casa de Parto Ana Augusta Pessoa da Silva, no Distrito de Amarelas;
Galpão Comunitário no povoado de Tapuiu, no Distrito de Amarelas;
Creche Francisco de Souza Araújo, no lugar Montevidéu, mantendo 40 crianças, permanentemente;
Igreja Católica, no Distrito de Amarelas;
Posto Telefônico, no Distrito de Amarelas;
Extensão da Rede de Alta Tensão de Fortaleza a Camocim, beneficiando as cidades localizadas no percurso, inclusive o município de Sobral. Este Projeto contrariou pareceres da CHESF (Companhia Hidroelétrica do Vale do São Francisco) e SUDENE
(Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste), que opinavam contrariamente, sob a alegativa de que a energia de Paulo Afonso não poderia se estender além de Fortaleza. A argumentação técnica do Engo. Alberto Tavares da Silva – Diretor da
CENORTE (Companhia de Eletrificação do Nordeste), autor do projeto, provou que o referido sistema energético poderia se estender a Camocim, e até Parnaíba, dependendo de vontade política dos governantes da época;
Estação telefônica automática;
Doação de 304 lotes de terra ao Instituto São José, destinados à venda em favor dos pobres;
Doação de uma quadra de terra ao Estado do Ceará, para a construção da Escola de 1º Grau Monsenhor José Augusto da Silva, no Governo Adauto Bezerra.

Libório Gomes da Silva faleceu em 25 de novembro de 2002. Em seu registro autobiográfico intitulado "De soldado a coronel: narração biográfica de Libório Gomes da Silva " está registrado:

Em 1970, Libório foi convidado para suceder a candidatura do deputado estadual Murilo Rocha Aguiar, líder em Camocim. Ele contou com o apoio e incentivo do prefeito Setembrino Veras, seu grande amigo e, nesse instante, deu inicio a sua carreira politica. Contando com o grande apoio de Murilo Aguiar, que escreveu varias cartas para amigos e lideranças politicas em Camocim, iniciou seus primeiros passos em direção da sua candidatura. Muito respeitado em virtude do seu comportamento íntegro, recebeu apoio de outros municípios e outras lideranças que contribuíram significativamente para sua eleição. Eleito terceiro suplente em 30/12/1970, sem proventos do cargo, continuou a trabalhar em prol do povo de Camocim. Fortalecido pelo o Governador César Cals de Oliveira Filho, candidatou-se a deputado e elegeu-se, cumprindo na integra o mandato de 1974 a 1978, assumindo a mesa diretora da Assembleia Legislativa, como segundo secretário. Concluindo o ultimo mandato que lhe foi concedido, em razão da cota politica de Murilo Aguiar para candidatar-se a deputado estadual, Libório, numa demonstração de fidelidade politica, abriu mão da candidatura em prol do amigo, demonstrando, desse modo, seu caráter, sua dignidade e seu desprendimento politico.

Atualmente em Camocim pode-se perceber a sua fortuna nomenclatural em vários lugares, como:
Policlínica Coronel Libório Gomes da Silva (D.O.E. Lei Nº 14.549, de 21 de dezembro de 2009).
Escola de Ensino Fundamental Libório Gomes da Silva
Quartel da PM Coronel Libório Gomes da Silva


Fontes: 
Deputados estaduais : 19a legislatura 1975 –1978 / Assembléia Legislativa do Estado do Ceará.Memorial Deputado Pontes Neto. – Fortaleza: INESP, 2000, p.116.
Diário Oficial do Estado do Ceará. Lei Nº 14.549, de 21 de dezembro de 2009.
Rodrigues, Maria das Graças Gomes.De soldado a coronel: narração biográfica de
Libório Gomes da Silva ;2. ed. – Fortaleza: INESP, 2009.


sexta-feira, 25 de novembro de 2016

PARLAMENTARES DE CAMOCIM IV - MURILO ROCHA AGUIAR

Fonte: Deputados Estaduais: 16ª legislatura, 1963-1966. Fortaleza: INESP, 2006. p.161.


Quando Murilo Rocha Aguiar tomou assento na Assembleia Constituinte de 1947 já era o terceiro político do clã dos Aguiar a ter uma cadeira naquela casa legislativa. Na Legislatura de 1947, seu sogro, o Coronel Antonio de Carvalho Rocha (Tonico Rocha), pai de sua esposa Maria Stela Rocha Aguiar, também era deputado constituinte. Murilo Aguiar foi o segundo filho do casal Vicente de Paula Aguiar e Iracema Rocha Aguiar e quando nasceu em Camocim, havia quatro meses que tinha irrompido a Primeira Guerra Mundial. No seu percurso de estudos, realizou os estudos primários em Camocim. Depois estudou em Fortaleza no Colégio Castelo Branco e, posteriormente ingressou no Seminário em Sobral onde continuou os estudos secundários, até 1928. 
Ainda muito jovem, "dedicou-se ao comércio, estabelecendo-se em 1931 em Reriutaba (antiga Santa Cruz), de onde se transferiu em 1932 para Camocim, ali constituindo a firma individual Murilo Aguiar, uma das mais importantes do norte do Estado, tornando-se, ao mesmo tempo, figura de prol da sociedade, no seio da qual desfruta de arraigadas simpatias e de todo o conceito".
Devido a sua desenvoltura exerceu vários cargos na comunidade camocinense como diretor da Associação dos Retalhistas, Presidente da Associação Comercial e do Banco Auxiliar Agrícola, Camocim Clube, dentre outros. Fundou a Voz de Camocim
Depois da experiência como deputado entre 1947-1950 onde foi membro da Comissão de Indústria e Comércio e Segundo Secretário em 1950, foi prefeito de Camocim entre 1954-1957.
Posteriormente retornou à Assembleia Legislativa como deputado eleito nas legislaturas de 1958, 1962, 1966 e 1982. Nesta última legislatura aconteceu o infausto que causou sua morte: 
Quando da renovação da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa em 1985, apresentaram-se à disputa dois candidatos: Murilo Aguiar e Castelo de Castro. O primeiro, apoiado pelo Governador do Estado, Gonzaga Mota, enquanto Castelo de Castro recebia o beneplácito da oposição e do Presidente da Casa, Aquiles Peres Mota. A previsão do resultado de empate favorecia o mais velho, no caso Murilo Aguiar. A votação decorreu em clima dos mais tumultuados na história do Legislativo Cearense. Quase no final da apuração, o Presidente concluiu pela anulação de um voto favorável a Murilo Aguiar, determinando a vitória de Castelo de Castro. Não suportando o impacto do resultado, viu-se acometido de infarto do miocárdio, falecendo logo após atendimento hospitalar. Como homenagem dos deputados, foi dado o seu nome ao Auditório da Assembleia Legislativa do Ceará. Como homenagem dos deputados, foi dado o seu nome ao Auditório da Assembleia Legislativa do Ceará. Murilo Aguiar faleceu, em Fortaleza, a 1° de março de 1985, antes de concluir seu mandato.

Trinta e um anos depois os jornais cearenses trazem os bastidores de mais uma disputa pela Presidência da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Ceará que envolve um membro da Família Aguiar, desta vez, um dos netos de Murilo, Sérgio Aguiar (PDT), atual primeiro secretário que, com o atual presidente Zezinho Albuquerque, também do PDT, próxima quinta-feira, 01 de dezembro de 2016. Que tudo ocorra dentro da tradição 



Fontes:Deputados Estaduais: 16ª legislatura, 1963-1966. Fortaleza: INESP, 2006. p.161.
Jornal O Estado, 24/11/2016.




quinta-feira, 24 de novembro de 2016

PARLAMENTARES DE CAMOCIM III - ALFREDO VERAS COELHO


Fonte: Deputados estaduais: 16ª legislatura, 1963-1966. – Fortaleza: INESP, 1998. p.206.


Em postagens muito anteriores enfocamos dois parlamentares que tiveram assento na Câmara Federal e nasceram em Camocim: Frota Aguiar e José Dias Macedo. Retomando a seção "Parlamentares de Camocim", vamos agora nos reportar sobre os deputados estaduais, políticos  mais próximos de nós, por terem vivido aqui e recebido o apoio eleitoral de seus munícipes, principalmente. Deste modo, enfocaremos hoje Alfredo Veras Coelho, nascido 24 dias do mês de abril, no ano da Grande Depressão de 1929, uma crise econômica que varreu o mundo. Para a região nordeste, o alívio naquele ano foi ter havido um bom inverno que interrompeu a seca que vinha desde 1926 e dali continuaria até a famosa Seca de 1932. Filho do coronel Alfredo Othon Coelho e Hilda Veras Coelho, "Alfredinho", como ficou conhecido na intimidade familiar e a população camocinense, era também neto  coronéis Tomaz Zeferino Veras e Joaquim Francisco da Fonseca Coelho,  famílias tradicionais do município. Foi deputado estadual suplente na 16ª (1963-1966) e 17ª (1967-1970) legislaturas, assumindo em algumas ocasiões, como em 1964, beneficiado pela cassação de alguns deputados pelo golpe civil-militar daquele ano. No livro Deputados  Estaduais encontramos seu resumo biográfico. 
Agrônomo. Iniciou seus estudos na terra natal. Cursou o 1° e 2° graus no Colégio São João, em Fortaleza. Formado em Agronomia pela Universidade Federal do Ceará. Com apenas 18 anos começou a mostrar seu dinamismo como Secretário do Prefeito de Camocim Francisco Coelho. Eleito Vereador por este município em 1950, [...]. Suplente de Deputado Estadual na legislatura de 1963. [...] Após o cumprimento de seu mandato, foi chamado para ocupar os cargos de Diretor Administrativo e Diretor Comercial da CEPESCA, hoje CEDAP, nos Governos Virgílio Távora e Adauto Bezerra. Diretor Administrativo do Banco de Desenvolvimento do Estado do Ceará - BANDECE, nos Governos Plácido Castelo e Gonzaga Mota. [...] através de seus esforços, Camocim foi o segundo município do interior brasileiro a conseguir energia da hidroelétrica de Paulo Afonso, substituindo os velhos motores a diesel nos distritos de Bitupitá e Arara. Esta façanha aconteceu no Governo do Presidente João Baptista de Figueiredo. Criador da Companhia de Turismo de Camocim, com a conseqüente construção do Hotel Municipal de Camocim. Conseguiu a primeira concessão de rádio para o município, instalando a Rádio Pinto Martins a 19.12.1981. Foi colaborador incansável de seu irmão Edilson Veras Coelho, quando este foi Prefeito de Camocim, no período de 1977 a 1982. Aposentou-se pela Secretaria de Agricultura como Técnico em Administração. Deixou para os que com ele conviveram uma lição de dignidade e trabalho, virtudes características de sua personalidade. Faleceu em dezembro de 1985.
Em 1986, através da Lei nº 11.187, de 09.06.86, o Governador Gonzaga Mota concedeu uma pensão mensal com base em dois terços do subśido de Deputado Estaual à viúva D. Terezinha Costa Coelho.  

Fontes: Diário Oficial do Estado do Ceará - 19.06.1986.   
Deputados estaduais: 16ª legislatura, 1963-1966. – Fortaleza: INESP, 1998, p.206.

 

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

CAMOCIM NOS LIVROS III - ALFREDO PESSOA CAVALCANTE



Foi numa terça de carnaval, no ano que Camocim completaria o 16º ano de emancipação política. que Alfredo veio ao mundo. Na casa  dos Pessoa Cavalcante, o ano de 1895 não podeira começar tão bem. Vinte e três anos depois, o jovem Alfredo Pessoa Cavalcante já se tornara engenheiro-geógrafo formado na Escola Politécnica do Rio de Janeiro (1918). Este é o personagem de hoje da seção Camocim nos livros. Não sabemos se nas três obras que publicou, Alguma Coisa que Vi (1935), Um Homem que Governou (1942), Sempre Haverá Uma Inglaterra (1943), a cidade aparece como objeto de alguma crônica ou reminiscência, mas esta seção pretende recuperar não somente os livros, mas os escritores que tiveram nesta terra o seu berço natal. Alfredo Pessoa Cavalcante foi ainda matemático, professor, diretor de Turismo da Prefeitura do Rio de Janeiro, jornalista. Foi membro de delegação brasileira à ONU e exerceu diversas outras missões no exterior: chefe do Escritório Comercial do Brasil em Nova Iorque, consultor brasileiro de Nelson Rockfeller, representante do Brasil na Feira de Poznan (1935), observador brasileiro junto à Comissão de Energia Atômica da ONU (1948/1949). Seus livros estão esgotadíssimos, mas, numa busca na Estante Virtual, encontram-se ainda seis (06)exemplares para venda de Sempre Haverá Uma Inglaterra (1943), inclusive um autografado (foto) e um exemplar de Alguma Coisa que Vi (1935).



FONTE:http://www.ceara.pro.br (Portal da História do Ceará)

domingo, 6 de novembro de 2016

CAMOCIM NOS LIVROS II - JOSÉ ARIMATÉIA FILHO

Capa de "Seara de Rimas e Rosas. 1992.
Um poeta quase sempre canta sua terra, sua aldeia, seu torrão. Infelizmente, pouco sabemos sobre os velhos vates cantadores e versejadores da nossa idolatrada Camocim. Um destes poetas de antanho é José de Arimatéa Filho. Nasceu em Camocim/CE em 1 de novembro de 1913, filho de José Arimatéa e Maria José de Medeiros. Foi funcionário do Banco do Brasil. Certamente em suas obras, Camocim deve estar contida e cantada. Na sua produção literária constam: "Caixa de Brinquedo” (1977), "Entre Areias e Asfaltos" (1987),  "Seara de Rimas e Rosas" (1992) e “Entre Sombras e Luzes” (1999). José de Arimatéa Filho faz parte da primeira composição da Academia Camocinense de Ciência, Artes e Letras. Excelente trovador, ganhou alguns prêmios. Abaixo, alguma de suas melhores trovas:
TROVAS
Neste mar – vida agitada,
creio, tocado de luz,
que Deus fez minha jangada
dos braços de sua cruz.

Sinto, junto ao mar, sereia,          (Menção Especial em Fortaleza - 1986)
quanto me prendes ainda,
no branco lençol de areia
de minha saudade infinda!...

Tentando driblar a sorte,
rogo a Deus, o tempo inteiro,
para o relógio da morte
atrasar mais o ponteiro...

No trampolim da ilusão
quase que me despedaço,
pois subi como um balão
e caí feito um palhaço.

Pesquei pérolas no mar
dos sonhos bons, fugidios...
- hoje resta-me o pesar
dos meus samburás vazios.


TROVAS DE BOM HUMOR
Justino - moço direito -
cedo casou com Carlota,
mas se mandou... pelo jeito,        (4º lugar em Fortaleza/CE - 1987)
a garota era 'canhota"...



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