O Blog:

Amigos e conterrâneos camocinenses, a gente só dar o que tem. Quando pensamos editar um blog, este foi o pensamento: doar todo nosso esforço na construção de uma ferramenta como esta para a divulgação pura e simples da nossa história. Contudo, essa é uma oportunidade de todos participarem desta empreitada, seja comentando, sugerindo, corrigindo e, efetivamente, participando dessa grande viagem que a História nos proporciona. Que nosso "POTE" nunca encha e sacie a todos!!!

domingo, 28 de abril de 2013

A INAUGURAÇÃO DA LUZ ELECTRICA EM CAMOCIM - CFLC - 1925

Ruínas do Prédio da Usina que forneceu energia elétrica de 1925 a 1969 em Camocim. Foto; arquivo do blog.
Já postamos neste blog a chegada da energia elétrica de Paulo Afonso em Camocim, que se deu em dezembro de 1969 e, naquele momento evidenciamos que até então, a comodidade da luz eletrica nos lares e nas ruas camocinenses era distribuída pela Companhia de Luz e Força de Camocim - CFLC, a Usina como se chamava o empreendimento da Família Cela. Assim como a cidade se engalanou para receber a eneriga produzida pelas cahoeiras de Paulo Afonso, não foi diferente, quando, saindo da escuridão natural. em 1925, a Usina começava a explorar esse serviço na cidade. O fato foi bastante festejado  e mereceu o destaque da imprensa sobralense, como destaca o jornal "A Imprensa", Anno 1, nº 49 de 9 de setembro de 1925, trazendo o programa completo das atividades que durou dois dias, 11 e 12 do mesmo mês. Na época, o Prefeito Nelson Pessoa Chaves chefiava a edilidade camocinense e recebeu fartos elogios do semanário ligado ao Partido Democrata, o mesmo do político referido, tratando-o como "admistrador modelo", no comando da "progressista cidade litôranea do norte cearense". Pelo programa abaixo descrito podemos ter a dimensão do envolvimento da população com a novidade que se inaugurava, um panorama das instituições existentes na cidade e até suas diferenças sociais:

PROGRAMMA

DOS FESTEJOS A REALIZAREM-SE NOS DIAS 12 e 13 DO CORRENTE, POR 0CCASIÃ0 DA  INAUGURAÇÃO DA LUZ ELECTRICA PUBLICA Ê PARTICULAR, NA CIDADE DE CAMOCIM

5 HORAS—A cidade será despertada por uma salva de 21 tiros anhunciando o inicio da festa — Quatro bandas de musica farão alvorada nas principaes ruas da cidade, fazendo retretas na praça 7 de Setembro.
13 HORAS - Nova salva de 21 tiros annünçiandò a benção suiemne da USINA, acto que se realisarà às 14 horas, para o qual haverá convites.
15 HORAS—Será franca a entrada na USINA ao povo em geral.
17 HORAS—Recepção na gare da estação á Delegação do Sao Christovam Foot-Ball, Club, de Sobral, e aos demais convidados.
18 HORAS-Reunião na Praça 7 de Setembro (Quadro), onde terá logar, às 19 horas, a soleriinidade da inauguração, que será revestida do maior brilhantismo, pois que a commissáo prepara deslumbrantes surprezas.
20 HORAS—«Marche aux Flambeaux» pelas ruas da cidade, servidas pela illuminação, dispèrsando-se em frente ao edifício "Cinema Ribalta" que será inaugurado por essa occasião com uma sessão ao ar livre.
22 HORAS—Grandes "saraus" dansantes nos luxuosos e confortáveis salões do "Sport-Club", que estarão feericamente iílüminados, offerecidos aos visitantes, e, nos vastos salões da Prefeitura, ao povo em geral, para o que haveiá convites antecipados.
5 HORAS—Salva de 21 tiros e alvorada pelas bandas de Sobral, Sant" Anna, Viçosa, Granja, Chaval e Camocim, que terminará com interessante «düéllo» na praça 7 de Setembro, sendo acclamada a vencedora.
7 HORAS—Formatura dos alumnos das Escolas Publicas e Particulares, locaes, devidamente uniformisados.
7,1/2 »  - Exercícios spportivos e suecos pelos intelligéntes e disciplinados alumnos do Collegio da Arregimentada Colônia de Pescadores "'Dr.' Justhiano de Serpa", no que disputarão prêmios, conferidos pelo representante  do Exmo. Snr. Presidente do Estado,
8,1/2 » — Destribuiçáo de doces e bon-bons á petizada estudiosa.
9 HORAS—Passeata dos alumnos acompanhados das bandas de musica até a Matriz, onde, depois de ouvirem missa, dispersarão.
12 HORAS—Belíssima regata na bacia do ancoradouro, para a qual estão inscriptas 32 embarcações á vela e a remo. Haverão 3 valiosos prêmios para os 1º, 2º' e 3º vencedores. O vapor "Camocim" galhardamente embandeirado, fará por occasião da regata giros em torno da bahia, conduzindo em seu bordo duas bandas de musica e os convidados.
16 HORAS—Animada partida de foot-ball entre as disciplinadas e pujantes equipes do São Christovam F. C. de Sobral, e Camocinense F. C. local, no campo deste,disputando uma rica taça commemorativa, offerecida pela commissão dos festejos.
19 HORAS—Haverá kermesse de custosas prendas em beneficio da Caixa Escolar na Praça 7 de Setembro, á cargo das professoras locaes, auxiliadas por uma commissão de gentis senhoritas.
21 HORAS—Bailes: no edifício do "Sport Club" á cargo do Snr. Prefeito Municipal, offerecido ás autoridades, aos representantes da imprensa e á Delegação do São Christovam; nas sedes da Sociedade Deus e Mar e Colomnia de Pescadores, offerecidos à classe marítima.
23 HORAS—Serão queimados em frente aos edifícios da Prefeitura, Sport Club e na Praça 7 de Setembro, lindas e artísticas girandolas de fogos de artificio, terminando os festejos com uma salva de 21 tiros. Além das cinco bandas de musica que, por occasião dos festejos, se gladiarão, para maior successo dos «saraus» dansantes, a commissão conseguiu a" vinda da magnífica e tradicional orchestra dirigida pelo competentissimo maestro José Pedro de Alcântara, de Sobral.
 
AVISO IMP0RTANTE-O commercio em geral, altendendo solicitação do Exmo. Snr. Prefeito e da Commissão de festejos, fechara seus estabelecimentos sabbado, 12, às 11 horas da manhã, reabrindo-os somente segunda-feira. O mesmo acontecendo com as repartições publicas, inclusive as da Estrada de Ferro, afim de que todos possam tomar parte nas festas dando assim melhor expansão ao júbilo que, naturalmente, experimentarão pela realisaçãó do aspirado ideal do povo de Camocim.

CAMOCIM, 7 DE SETEMBRO DE 1925.

Fonte: Jornal "A Imprensa", Anno 1, Nº 49, 09 de setembro de 1925. Cópia escaneada do original gentilmente cedida pelo historiador ipuense, Antonio Vitorino Farias Filho.

domingo, 21 de abril de 2013

DOMINGO EM CAMOCIM - VAI DAR PRAIA?

Praia do Odus. Camocim-CE. Fonte: Arquivo de Mauro Viana.
Esta postagem vai fugir um pouco do convecional do blog. Numa dessas raridades de compartilhamento via facebook, deparo-me em pleno domingo com a foto acima. Impossível não se sensibilizar, não compatilhar. Logo me perguntam de que década é a foto e eu tento precisar dizendo ser da década de 1960, mas poderia ser antes ou depois, enfim, talvez quem postou inicialmente saiba a data correta. Mas, o mais importante é quem está à beira dos 50 como eu, pode usufruir desta paisagem típica de uma vila de pescadores encravada numa cidade portuária. Como a foto mostra, o casario ainda é rústico. e a área de praia se estendia para frente e o mar estava literalmente na porta de casa. Não existia calçadas, rua pavimentada, calçadões, nem a grande quantidade de canoas e bastardos que se vê hoje e a paz parecia reinar com mais vigor. Não á toa, nas primeiras décadas do século XX, Camocim era receitada por médicos como um ótimo lugar para se recuperar de males do corpo e do espírito. Não à toa, Raimundo Cela, o grande pintor cearense veio para Camocim se curar do pulmão e teve nesta paisagem de mar e pescadores seu grande tema de inspiração que conquistou os salões de pintura europeus e ainda hoje rende belas pinturas dos pintores locais, como por exemplo, Mauro Viana e Totõe. Esta sensação de quem não tem pressa é típica das regiões litorâneas e a foto transmite isso pela criança que anda pela areia da praia. De formas que, nesse saudosismo que a foto contém, impossível não lembrar da ansiedade que era a espera do domingo para ir á praia com os amigos saindo da Rua do Egito a pé e voltando por volta das três horas da tarde a tempo de almoçar e se preparar para a missa das cinco. Impossível não lembrar dos carnavais num tempo em que as famílias se reuniam na praia para uma confraternização momina. Meu pai tinha a mania de sempre no último dia de carnaval levar todo mundo. Até a mamãe saía do pé do fogão... Tenham todos um bom domingo!

sábado, 20 de abril de 2013

MULHERES DE CAMOCIM - DONA GUIOMAR E A MILITANCIA COMUNISTA

Quando eu estava pesquisando sobre a militância comunista em Camocim, Dona Guiomar Cordeiro de Oliveira, foi uma das minhas entrevistadas. Filha de Pedro Rufino, irmã do Seu Nilo, relembrou os tempos de tortura e sacrifícios. Quase tudo que ela me disse está reproduzido em entrevista concedida por ela no Portal Vermelho que reproduzimos abaixo. No momento em que o país tenta viabilizar uma Comissão da Verdade no sentido de investigar essa página triste da história brasileira, depoimentos como o da Dona Guiomar são reveladores. Leiam!
Dona Guiomar Cordeiro de Oliveira. Fonte: vermelho.org.br
Guiomar Cordeiro: “Meu pai deu a vida ao Partido Comunista”
Por Carolina Campos
Passo firme, sorriso ABERTO e muita história pra contar. Aos 87 anos, Guiomar Cordeiro de Oliveira recebeu o Vermelho/CE para falar da sua história de luta, da atuação comunista e de seu grande exemplo: o pai. Pedro Teixeira de Oliveira, conhecido como Pedro Rufino, foi um dos fundadores do Partido Comunista do Brasil, em Camocim, e é até hoje um dos maiores símbolos comunistas cearenses.
Única filha mulher de Pedro Rufino, Dona Guiomar tem da infância lembranças da companhia do pai nas passeatas, comícios e reuniões que ele participava. “Eu era pequena, não entendia muito, mas sempre o acompanhava”. Mas as recordações também são dolorosas. “Ele foi preso onze vezes, apenas por ser comunista e lutar pelo direito dos trabalhadores e do povo da região.
Muitas vezes ia deixar a comida dele na prisão, ficava na delegacia fazendo companhia e quando voltava, chorava de saudade”, relembra. Na escola, quando ouvia brincadeira dos colegas por conta das prisões, a resposta tinha na ponta da língua. “Ele não é ladrão. Foi preso porque defende os direitos dos pais de vocês”.
Não foram poucas as vezes que Dona Guiomar presenciou a prisão do pai. “Ele era comerciante, tinha um bar e atendia a clientela noite adentro. Uma vez, tarde da noite, ao chamar minha mãe para abrir a porta, foi surpreendido pela polícia que já o aguardava de tocaia. Não pode nem entrar para pegar roupas”, recorda.
Pedro Rufino filiou-se ao Partido Comunista do Brasil em 1928, ano em que fundou o Partido em Camocim. Liderança destacada, sempre lutou pelos direitos dos trabalhadores e das pessoas da região. “Meu pai nunca foi empregado de ninguém, então colocou um comércio. Ele não aguentava abuso de patrão e por isso defendia tanto os trabalhadores”, ratifica Dona Guiomar.
Foram inúmeras as participações de Pedro Rufino que marcaram o movimento popular em Camocim. “Onde ele chegava, era logo cercado. Meu pai era muito querido por todos. Mercado, estação de trem, construção civil, todo mundo recorria a ele quando precisava de alguma coisa”.
Dona Guiomar cita um incêndio que aconteceu numa localidade próxima e Pedro Rufino saiu em defesa da vítima. “Ele veio a Fortaleza, falar pessoalmente com o Governador, para garantir o ressarcimento dos bens”.
Nas passeatas do 1º de Maio e na greve geral de 1949, ele também era destaque. “Outra data de muito discurso e festa era o dia 3 de janeiro, dia em que comemorávamos o aniversário de Luis Carlos Prestes. O dia já amanhecia com foguetório na cidade”, sorri ao relembrar. A luta pela manutenção da estrada de ferro foi outra bandeira encabeçada por Pedro Rufino. “Foram meses se dedicando a esta causa.
Dia e noite, ele estava atuando, mobilizando as pessoas para garantir que a estrada de ferro não fosse retirada de Camocim. Teve até a visita de ministro na cidade e conseguimos adiar por quase 30 anos esta decisão. Saímos vitoriosos”, comemora Dona Guiomar.

Companheira de lutas do pai
Já mocinha, Dona Guiomar além de acompanhar Pedro Rufino nas atividades, também passou a participar dos debates. “Gostava de conversar com ele porque sei que o que dizia era o certo. Eu fazia até discursos nos comícios, sempre seguindo o mesmo caminho do meu pai”.
Dona Guiomar casou bem jovem, aos 15 anos. Por um tempo morou em Parnaíba (PI), mas sempre com vínculos em Camocim. Após oito anos, volta para a cidade natal e começa a atuar na defesa dos direitos das mulheres. “Fui presidente da União Feminina de Camocim. Realizávamos reuniões aos domingos para discutir as necessidades das mulheres da região. Nossa sede era bem movimentada e a participação empolgava. Muitas vezes vim a Fortaleza para representar a entidade nos encontros da capital”. Dentre as demandas, leite para as crianças carentes e melhoria das escolas. “A gente também se integrou na campanha ‘O Petroleo é nosso’. Saíamos para colher assinaturas”, relembra.
Dona Guiomar já tinha os quatro filhos quando Pedro Rufino foi eleito vereador, em 1948. Apesar de comunista, foi pelo Partido Republicano que conseguiu concluir o mandato, sigla que abrigou os comunistas no Ceará depois de o Partido Comunista entrar na ilegalidade.
A atuação de Pedro Rufino na Câmara Municipal de Camocim foi marcada por posições firmes e muita polêmica, principalmente por ir de encontro aos interesses das famílias tradicionais da política local. Como parlamentar fez parte das Comissões de Legislação, Educação e Cultura, Comissão de Saúde Pública e Assistência Social e Comissão de Redação. “Ele contribuiu na redação do regimento da Câmara de Camocim que está em vigor até hoje”, ratifica Dona Guiomar, orgulhosa.
Um fato que hoje arranca sorrisos de Dona Guiomar era a conduta do Vereador Alfredo Coelho. “Ele faltava sessões e pedia licenças constantes porque não queria ter o desprazer de dividir o mesmo lugar com meu pai nem ser chamado de colega por um comunista”. Além de vereador, Pedro Rufino foi ainda Presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Camocim e de outras entidades e associações ligadas aos movimentos sociais da região. Ele faleceu em 18 de outubro de 1973, em decorrência de problemas cardíacos.
Filiada há mais de 50 anos ao Partido Comunista, Dona Guiomar continua com a convicção de defender as ideias de Pedro Rufino. “A lição que ele me deixou foi de fazer o bem, defender o povo e trabalhar muito em benefício da melhoria de vida das pessoas. Meu pai deu a vida ao Partido Comunista e em defesa de sua causa e nada era mais importante para ele que as ações do Partido”.
Uma das pioneiras na luta em defesa dos direitos da mulher, Dona Guiomar comemora o fato de uma mulher ter sido eleita Presidente do Brasil pela primeira vez. “Ela é corajosa e muito inteirada das coisas. Torço que continue nossa luta e faça um grande governo, com democracia e sem corrupção. Eu estou do lado dela”, ratifica.
Liderança destacada e referência comunista no Ceará, Pedro Rufino foi responsável pelo fortalecimento do Partido no Estado. Atualmente, o PCdoB elegeu um Senador (Inácio Arruda), dois Deputados Federais (Chico Lopes e João Ananias), um Deputado Estadual (Lula Morais), além de administrar várias prefeituras cearenses. Questionada sobre o que o pai acharia deste crescimento, Dona Guiomar é enfática: “Ele estaria muito feliz e batalhando para o Partido crescer ainda mais. Quem sabe até ele mesmo chegar a estes cargos”.
Apesar da idade avançada, Dona Guiomar ainda acompanha reuniões do Partido e participa de eventos, como na solenidade em comemoração aos 90 anos de fundação do PCdoB, momento em que a atuação de Pedro Rufino foi destacada como um dos comunistas pioneiros no Ceará. “Até quando puder, vou continuar a luta de meu pai, na defesa dos trabalhadores, das mulheres e dos direitos do povo”.
Com atuação voltada para a juventude e para as mulheres, Dona Guiomar deixa um recado para os comunistas enfatizando a necessidade de o povo se organizar e da união de todos. “É aquele velho ditado: uma andorinha só não faz verão. Devemos atuar com união e organização, trabalhando pela defesa dos direitos das pessoas e sempre com um olhar voltado para o futuro”, defende.

Fonte: Portal Vermelho. 10/04/2012.

terça-feira, 16 de abril de 2013

O DIA E A COMENDA PINTO MARTINS - PEQUENO HISTÓRICO



Prof. Paulo José proferindo palestra sobre Pinto Martins. Camocim.Abril de 2013. Fonte: Camocim Online
Uma das poucas coisas boas instituídas no governo municipal anterior foi a criação do Dia de Pinto Martins e a Comenda Pinto Martins, em homenagem ao nosso ilustre aviador. A Comenda Pinto Martins foi criada em 2008, e em cuja solenidade fomos convidados a falar sobre o feito imortalizado que foi o voo pioneiro entre Nova Iorque e Rio de Janeiro em 1922. Naquela oportunidade foram agraciados os três primeiros homenageados - um sobrinho neto do aviador que não recordamos agora o nome e que veio do Rio de Janeiro para receber a comenda, o Professor Valmir Rocha, autor do Hino à Camocim e, se não me falha a memória, o ex-prefeito Dr. José Maria Primo de Carvalho.  Desta forma o Dia de Pinto Martins, comemorado em 15 de Abril, data de nascimento do aviador, vem sendo utilizada para a realização de atividades escolares,  Neste ano houve a  apresentação da Banda de Metais Lyra, do Tiro de Guerra, leitura de poesias de concursos literários realizados tendo como tema a vida do aviador, palestra com o historiador Paulo José dos Santos sobre a vida de Pinto Martins e a entrega de prêmios aos vencedores dos concursos literários. Sem dúvida, é uma festa que merece continuar no sentido de avivar sempre a memória e a história de Pinto Martins. A Comenda Pinto Martins vem sendo entregue, principalmente, nas comemorações do dia do município que ocorre em 29 de Setembro. Fazendo uma breve pesquisa, listamos abaixo os agraciados da Comenda Pinto Martins até agora:


2009
Dr.Raimundo Silva Cavalcante - Advogado
Raimundo Bento Sotero - Escritor e Poeta
José Osvaldo Angelim - Comerciante e na época Presidente da Associação Comercial.

2010
Dr. Fernando Luiz Pinheiro - Juiz de Direito
Dra. Sônia Cahu Beltrão - Médica ginecologista
Instituto São José - Instituição de Ensino - representada pela diretora Irmã Dulcinda de Jesus.
 
2011
Benedito Genésio Ferreira - Professor Universitário
Tânia Pessoa Navarro Veras - Advogada
Dom Francisco Javier Hernandez Arnedo - Bispo da Diocese de Tianguá.

2012
Não houve condecoração.
 

sexta-feira, 12 de abril de 2013

A GREVE DOS FERROVIÁRIOS EM CAMOCIM


Entre novembro de 1949 e janeiro de 1950 a população de Camocim viveu um fato inusitado em sua história - uma greve de ferroviários com reflexos na população e outro setores da cidade que protestavam contra a saída dos trens e das oficinas de manutenção da cidade para outros locais. Como grande fonte empregadora de mão-de-obra - a ferrovia chegou a ter cerca de 800 funcionários no seu quadro distribuídos nas várias seções. A transferência de funcionários para outras cidades, o sucateamento do material rodante que não tinha reposição, acenderam o sinal de alerta entre os ferroviários que viram neste conjunto de fatores uma forma de pouco a pouco ir desestabilizando o ramal ferroviário Camocim-Sobral, o que aconteceria realmente em 1977.No entanto, os trabalhadores reagiram e escreveram uma página de resistência de seus postos de trabalho como mostra a documentação da época, quando foi preciso a vinda do representante do Ministro de Obras e Viação e do Governador do Estado para acalmar os ânimos do povo. Vejamos como isso aconteceu: 
População defronte da Associação Comercial. Foto: Arquivo Elda Aguiar
Os telegramas trocados entre a Associação Commercial, que se achava em sessão permanente, e a direção da Rede de Viação Cearense eram analisados pelo povo, que insistentemente ficava de prontidão em seus arredores. Neles, algumas passagens mostram o caráter resoluto da população na defesa da manutenção das oficinas e funcionários em Camocim:
“A cidade, não obstante não haver-se registrado nenhum incidente, ainda permanece sob intensa exaltação. A massa popular continua vibrante e entusiasmada, com o propósito de obter o cancelamento da ordem de saída de qualquer operário. Acredito que somente a vinda do ministro da Viação conseguirá normalizar a situação....  Saudações.”       
Capitão Assis Pereira Delegado Especial.
“Em resposta ao seu radiograma, informamos que estamos empregando todos os esforços no sentido de que a tranqüilidade volte a reinar em nossa terra. O povo, entretanto, continua intransigente, com o objetivo de conseguir um pronunciamento definitivo do sr. Ministro da Viação sobre a permanência das oficinas da Estrada de Ferro, (...) Toda a população, sem distinção de classe ou de credos, percorre as rua da cidade, numa demonstração evidente de que pretende fazer valer os seus direitos. Logo mais, daremos melhores informações sobre os resultados que estamos empregando.                                  Abraços.”       
Murilo Aguiar e Alfredo Coelho.
Continuamos a empregar grandes esforços no sentido de conseguir que o povo aceite a solução contida no telegrama do Dr. Hugo Rocha. Entretanto, consideramo-nos impotentes, dada a exaltação do povo. Abraços.
                       Murilo Aguiar, Alfredo Coelho e José Coelho.”.[1]
Como se percebe, povo, associações de classe e políticos deram as mãos e fizeram esforços no sentido de manter os postos de trabalho na ferrovia. Um simples exemplo de como as coisas podem ser resolvidas em prol da comunidade e sem vaidades políticas. Fica o exemplo! 

FONTE: "Cidade Vermelha - a militância comunista nos espaços de trabalho. 1927-1970"


[1] Telegramas publicados em Janeiro de 1950 no Jornal “O Povo”, Fortaleza-CE. Apud OLIVEIRA, André Frota de. Op. cit., p.105-6