O Blog:

Amigos e conterrâneos camocinenses, a gente só dar o que tem. Quando pensamos editar um blog, este foi o pensamento: doar todo nosso esforço na construção de uma ferramenta como esta para a divulgação pura e simples da nossa história. Contudo, essa é uma oportunidade de todos participarem desta empreitada, seja comentando, sugerindo, corrigindo e, efetivamente, participando dessa grande viagem que a História nos proporciona. Que nosso "POTE" nunca encha e sacie a todos!!!

sábado, 26 de maio de 2012

O ENSINO RELIGIOSO EM CAMOCIM

Fonte: lizzabathory.blogspot.com
A Proclamação da Repúbilca no Brasil tornou o Estado laico e, com isso, o ensino religioso foi banido das escolas. Com a Revolução de 1930, Getúlio Vargas retoma o assunto e o torna facultativo, voltando, portanto a possibilidade da Igreja Católica recuperar seu espaço na formação dos brasileiros. Por todo o país, as manifestações de apoio ao ato do governo "revolucionário" e próvisório de Vargas foram intensas, especialmente na dita imprensa católica. Desta forma, o jornal "Correio da Semana", publicava semanalmente estas manifestações reproduzindo os telegramas enviados ao Presidente da República. Em Camocim não poderia ser diferente. Na edição de 27 de junho de 1931, p. 2, podemos conferir o teor do telegrama enviado à Getúlio Vargas, assim como conferir os nomes da fina flor da elite da época. Confira:

LEIS DO ENSINO RELIGIOSO
Continuamos a publicar os telegramas passados ao Sr. Presidente da República e ao Ministro da Educação e Saúde.

DE CAMOCIM
Dr. Getúlio Vargas
Presidente da República

                          RIO
Nome população Camocim, congratulamo-nos V. Excia, promulgação decreto faculta ensino religioso escolas. Acto correspondente aspiração maioria brasileiros educada são princípios catholicismo e constitue alto attestado grandeza sua administração República perante compatricios e nações cultas mundo catholico. Respeitosas saudações.

(a) Gentil Barreira - Prefeito Municipal, Jayme Praxedes - Juiz de Direito, Dr. Jaime Correia, Dr, José Jurema, Padre Manoel Henriques, Vigário Camocim, André Pessoa - Director "A Razão", Raimundo Nonato Belchior - Delegado de Polícia, Manoel Ribeiro Miranda, Júlio Cícero Monteiro, Thomaz Zeferino Veras, José Philadelpho Pessoa Andrade, Júlio Morel, Manuel Saldanha de Brito Júnior, Eurípedes Ramos Fontenelle, Thomaz Araújo Costa, João da Silva Ramos, Francisco Jayme Medeiros, Tobias Navarro Leitão, Vicente Aguiar, Antônio  Fernandes Barros. 23-V-31.

* Outro telegrama é enviado ao Ministro da Educação e Saúde - Francisco Campos com os mesmos subscritores e datas.

Fonte: Correio da Semana - Ano XIV. Nº 13. Sábado, 27 de junho de 1931, p. 2.


sábado, 19 de maio de 2012

CATÓLICOS X PROTESTANTES - O EMBATE EM CAMOCIM

Fonte: berearepreciso.blogspot.com
Na mesma conjuntura de repressão às ideias comunistas, o embate entre católicos e protestantes também eram motivos das manchetes dos jornais. Na região norte do Estado do Ceará, quem fazia essa vigilância era a Diocese de Sobral através de seu jornal Correio da Semana. O ideário católico combatia ferozmente as chamadas ideias alienígenas: comunismo, espiritismo, protestantismo, maçonaria, dentre outras. Efetivametne, a chegada de protestantes na região foi marcada pelo combate através da imprensa, do púlpito das igrejas, de procissões e da dissolução dos cultos protestantes na base da pedrada. Em Camocim, os ânimos parecem não terem chegado a tal ponto, no entanto, é sintomático e emblemático o fato do Correio da Semana noticiar a prisão  de um moço mariano que tentou interromper uma reunião protestante:

Prisão illegalíssima
                  Estamos bem informados que o Sr. Tenente Luiz Rodrigues Barroso, Delegado Regional de Camocim, fizera ali no dia 14 deste, uma prisão arbitrária e illegalíssima na pessoa do distincto mariano, jovem Raimundo Linhares.
                 Serviu de pretexto áquella autoridade para essa prisão iujustíssima o facto de ter o rapaz, na noite do dia anterior, batido nalguns caixões, dentro de um muro lateral da casa do seu cunhado, Sr. Ernesto Fontenelle, na occasião em que um magote de protestantes fazia na calçada de uma casa fronteira uma reunião cantaroleira, seguida de seus sediços ataques à nossa fé catholica, ao patrimônio mais caro de nossa nacionalidade. (...) para justificativa de suas arbitrariedades, no caso, allega sempre o dispositivo constitucional que "garante a liberdade de cultos", mas deve também lembrar-se de outro dispositivo da Constituição que diz: "Ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escripta da autoridade competente (o juiz), nos casos expressos em lei".

                 Como podemos perceber os debates ideológicos ou doutrinários entre as religiões atualmente são outros, mas, no passado, professar qualquer ideologia ou culto diferente da hegemonia católica era motivo de repressão, mesmo que a autoridade procurasse exercer a lei. 

Fonte: Correio da Semana - 21 de setembro de 1934, nº 26, p.4. Sobral-CE.
 

sexta-feira, 11 de maio de 2012

PARLAMENTARES DE CAMOCIM - II

José Dias Macêdo. Fonte: Site da Cãmara dos Deputados.
Continuando essa série, trazemos hoje os dados biográficos de José Dias Macêdo ou  J. Macêdo, marca internacionalmente conhecida no mundo dos negócios, sendo um dos maiores empresários do Brasil. Além de uma escola que leva o nome de sua mãe, Georgina Leitão Macêdo (ou o Colégio da Dona Elzene), construída pelo grupo empresarial na casa onde nascera, as referências deste homem com os camocinense nos chegam através da memória dos camocinenses que se utilizaram de uma república de estudantes em Fortaleza, denominada NEC - Núcleo dos Estudantes de Camocim, onde grande parte das despesas eram pagas por J. Macêdo. Segue abaixo os dados capturados de sua biografia no site da Câmara dos Deputados.

José Dias Macêdo
Nascimento:
8/8/1919
Naturalidade:
Camocim, CE
Profissões:
Industrial e Economista
Filiação:
Manoel Dias Macêdo e Georgina Leitão Macêdo
Mandatos (na Câmara dos Deputados):
Deputado Federal, 1959-1963, CE, PSD. Dt. Posse: 02/02/1959; Deputado Federal, 1963-1967, CE, PSD. Dt. Posse: 02/02/1963; Deputado Federal, 1967-1971, CE, ARENA. Dt. Posse: 02/02/1967.
Licenças:
Licenciou-se do mandato de Deputado Federal, na Legislatura 1963-1967, para tratamento de saúde, de 16 de abril a 3 de julho de 1963; de 7 de abril a 15 de junho, de 16 de julho a 11 de agosto, de 20 de setembro a 26 de dezembro de 1965. Licenciou-se do mandato de Deputado Federal, na Legislatura 1967-1971, para tratar de interesses particulares, de 3 a 28 de novembro de 1969; de 20 de abril a 18 de junho de 1970; e para tratamento de saúde, por 150 dias, a partir de 21 de agosto de 1968.
Atividades Parlamentares:
CÂMARA DOS DEPUTADOS:
COMISSÕES PERMANENTES: Economia: Membro efetivo, 1963 e 1967.
Atividades Profissionais e Cargos Públicos:
Diretor-presidente da J. Macedo S.A. Comércio Indústria e Agricultura, 2000.
Estudos e Cursos Diversos:
Educandário Fênix Caixeiral, CE; Economia, Universidade do Ceará.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

OS MANGUES DE CAMOCIM

Mangues de Camocim: Fonte: poetajrocha.blogspot.com
O ano era 1947. Nas páginas de  "O Democrata" (Nº403, p.3, 21 de junho de 1947), uma denúncia era publicada. Num tempo em que não se falava de um Código Florestal, vejamos como as autoridades usavam da velha prática dos "dois pesos e duas medidas", com relação ao uso da madeira retirada ilegalmente de nossos mangues. Vejamos na íntegra a matéria transcrita abaixo:

SÓ OS AFORTUNADOS PODEM RETIRAR MADEIRA DO MANGUE EM CAMOCIM.

CAMOCIM - (Do correspondente) - Nesta cidade existem grandes extensões de madeira do mangue. Toda essa madeira é de propriedade do Domínio da União. O sr. Bivar Berredo Guimarães, da Mesa de Renda Alfadengária, vem tomanado  uma nova atitude que não é justa, pois ao mesmo tempo que proíbe a retirada da madeira do mangue, permite que os grandes proprietários retirem-na.
A Capitania informou-nos que já despachou um iate carregado de "mangues", de 1 a 2 e meia de cumprimento.
Chamamos a atenção da Capitania dos Portos para este fato, na certeza de que serão tomadas medidas que porão termo a tal injustiça.

Mais de meio século depois será que mudou alguma coisa? Não temos mais as grandes extensões de mangues, mas apenas uma espécie de cortina que compõe junto com as dunas um dos mais belos cenários litorâneos do Ceará. Seria o caso de olharmos com mais cuidado para o que ainda resta.