Mostrando postagens com marcador As secas em Camocim. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador As secas em Camocim. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

A FESTA DE SÃO SEBASTIÃO EM AMARELAS. CAMOCIM. 2026


Capela de São Sebastião. Amarelas. Anos 1970. Fonte: Acervo do Sr. Osmundo Rodrigues Campos.



            Amarelas foi guindado a condição de distrito em 03 de julho de 1963, (Lei Estadual Nº 6.397 de 03/97/1963) quando o governador do Estado do Ceará era Virgílio Távora. Portanto, a primeira esta do padroeiro, São Sebastião, deve ter acontecido em janeiro de 1964. Caso este fato venha a ser confirmado nos documentos eclesiásticos da Paróquia de Bom Jesus dos Navegantes , estaremos vivendo em 2026, 62 anos desta festa religiosa.
            No que as fontes históricas e outras informações nos permitem afirmar, do ponto de vista da administração pública, na gestão do prefeito Edilson Veras Coelho (1977-1982), várias obras foram planejadas para o distrito e algumas executadas neste período:

01. Encampação e recuperação da Escola São Sebastião;
02. Recuperação da Estrada de Rodagem do trecho: KM 21 da CE-020 (Pau Ferrado) para a sede do distrito numa extensão de 10kms;
03. Colocação de um televisor público;
04. Levantamento topográfico da Praça da Matriz para a construção de um passeio;
05. Recuperação do serviço de abastecimento de água e instalação de um chafariz;
06. Reativação do posto de saúde;
07. Conservação das Estrada vicinais do Distrito;
08. Dotação de linha de ônibus diária, para  Camocim e Chaval e vice-versa;
09. Implantação de uma biblioteca escolar (padrão MEC).


            Hoje, além do novenário em honra ao mártir São Sebastião, uma extensa programação social foi elaborada para celebrar os festejos de janeiro de 2026 como a Vaquejada no Parque Encontro dos Amigos, que se realizou nos dias  17 a 18. Ainda no dia 18, aconteceu a 7ª Corrida de São Sebastião em Amarelas, campeonato de futebol, dentre outras atividades lúdicas. 
    Uma outra atividade importante para a comunidade será a Audiência Pública na EEF São Sebastião, em Amarelas, sobre a Revisão do Plano Diretor, que acontecerá no dia 22 de janeiro (quinta-feira).



 Fontes: 
1. Foto da Capela. Acervo do Sr. Osmundo Campos.
2. Relação das obras da Administração Edilson Veras Coelho, 1981, p.03. Acervo do Sr. Osmundo Campos.


    

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

O CONSELHO COMUNITÁRIO DE CAMOCIM. 1967

    

  

Estatuto do Conselho Comunitário de Camocim. 1967. Acervo do Sr. Osmundo Campos.


 Quem acompanha minimamente uma administração pública sabe da importância dos Conselhos Municipais, quando funcionam efetivamente e plenamente, na implementação e fiscalização das políticas públicas adotadas pelos governantes nas mais distintas esferas de poder. Hoje se tem conselhos específicos para a educação, saúde, cultura, assistência social, dentre outras áreas.

    No entanto, este tipo de organização social não é de hoje. Há muito tempo que existem na configuração administrativa do Estado Brasileiro, mesmo que fossem formas de participação popular de natureza informal, vinda da experiência do associativismo comunitário de bairros, finalmente previstos, depois de muita luta, na Constituição de 1988, favorecendo a formação de lideranças sociais de base comunitária, que redundou na criação dos conselhos participativos previstos em lei.

    Num olhar retrospectivo, vamos encontrar o "Conselho Comunitário de Camocim" atuando na década de 1960, formado mais como um "conselho de notáveis" da elite cidade, do que propriamente de uma feição "popular" como entendemos hoje, como  podemos ver pela composição do Conselho Comunitário de Camocim de 1967. E provável que tenha existido outros conselhos antes e depois desta data.

Composição do Conselho Comunitário de Camocim. 1967. Fonte: Estatuto do Conselho Comunitário de Camocim. 1967, p.9. Acervo do Sr. Osmundo Campos.


    Em 1967, Camocim era administrada pelo prefeito Setembrino Veras e a Câmara Municipal era dirigida pelo vereador Joaquim Pereira de Brito e  vivíamos o período ditatorial militar. Por outro lado o Conselho Comunitário de Camocim ao que tudo indica pelo documento ora apresentado, tinha uma ligação muito forte com o Serviço Social da Indústria - SESI, que era um braço do governo (Sistema S)  que atuava nas áreas de educação, saúde, lazer, cultura e assistência social, desde o ano de 1946, funcionando também como órgão de controle a partir de 1964.

    De todo modo, o SESI atuou em muitas localidades, como Camocim,  estimulando a criação de Conselhos Comunitários, Conselhos de Bairro ou Associações Comunitárias, cujos objetivos principais eram: identificar necessidades locais; mobilizar moradores em torno de projetos sociais; facilitar o diálogo entre comunidade, empresas e poder público.

    Como temos apenas o Estatuto do Conselho Comunitário de Camocim, não temos como saber o nível de politização deste grupo e quais os projetos que desenvolveu ou ajudou a administração pública a desenvolver. Contudo, é uma fonte que mostra como Camocim participou deste momento associativo.


Fonte: Estatuto do Conselho Comunitário de Camocim. 1967. Colaboração do SESI. Acervo do Sr. Osmundo Campos.

terça-feira, 1 de março de 2022

HISTÓRICOS PLUVIOMÉTRICOS DE CAMOCIM. 1929

 

Informações Pluviométricas de 1929. Fonte: Anuário Estatístico do IBGE. 1930, p. 51.


Não querendo entrar na seara do pesquisador Luiz Gonzaga, mas, quando encontro uma informação meteorológica de antigamente, salvo logo nos meus arquivos. 
Hoje, pela manhã, acordo com o rádio dizendo que os dados da FUNCEME para o mês de fevereiro, ficaram abaixo da média, cerca de 40% a menos do que se esperava. Embora que em janeiro a expectativa tenha ficado acima da média, o dado preocupa.
Mas, como março é o mês que realmente marca o começo do nosso "inverno", esperamos que nossos índices fiquem igual ou acima do que foi registrado no ano de 1929, como mostra a gravura acima. 
Naquele ano choveu, 1.350 milímetros, portanto, acima da nossa média anual,  em 123 dias de chuva.
E aí, o inverno vai ser bom ou não vai?





sábado, 21 de outubro de 2017

A SECA DE 1958 EM CAMOCIM.

O Presidente Juscelino Kubitschek recebe em audiência o Prefeito de Camocim, Murilo Aguiar. 1958. Fonte: SIAN.
O sábado nascera inclemente. No céu, nenhuma nuvem que pudesse confirmar a crença que o dia consagrado a São José fosse a última esperança de chuva. Assim, o dia 29 de março de 1958 confirmaria mais uma estiagem, de uma das secas mais terríveis que a população cearense já sofreu, relembrada pela historiografia e a memória popular.

Em Camocim, naquele dia, os vereadores foram convocados para uma Sessão Extraordinária na Câmara Municipal, convocada pelo então Presidente da Casa, vereador José Maria Parente Viana. Naquela oportunidade foi lida a seguinte mensagem do Poder Executivo:

Mensagem Nº 02/58, datada de 24/3/58, de autoria do Snr. Prefeito Municipal, Murilo Rocha Aguiar, solicitando à Câmara, licença de 60 dias, para se ausentar deste município e " se o caso exigir, viajar até a Capital da república onde tratará mais de perto das providências a serem adotadas". Para evitar as consequências da seca. Aprovado por unanimidade. (2ª Sessão Extraordinária de 29 de março de 1958).

Dois dias depois, a Câmara Municipal se reuniria extraordinariamente mais uma vez, onde ficou registrado o apelo do então vereador Gregório Francisco Alexandrino, líder da região do “outro lado” do rio Coreaú, assim registrado nas atas:

Vereador Gregório Francisco Alexandrino, levou ao conhecimento desta Casa a situação do povo se sua região pela estiagem das chuvas, o que tem causado a retirada de grande número de famílias, no maior flagelo, e assim vem apelar para esta egrégia casa, para tomar consideração e seu apelo e passar telegramas para as autoridades competentes, pedindo auxílio necessário para que venha minorar tal situação. (Os telegramas foram expedidos). (5ª Sessão Extraordinária de 31 de março de 1958).

Além destas referências nos documentos do Poder Legislativo de Camocim, outros foram produzidos e hoje podem ser acessados na base de dados do Arquivo Nacional, como o registro da audiência em que o Presidente da República, Juscelino Kubitschek, recebe em audiência no Palácio do Catete, o prefeito de Camocim, Murilo Rocha Aguiar (Na foto, da esquerda para a direita, Murilo Aguiar, 2º e JK, o 4º).

Apesar de a seca repelir e atrair contingentes populacionais, Camocim por sua posição geográfica acabou por receber mais do que exportar flagelados. Destes entendimentos governamentais algumas obras vieram para o município, como o sistema de abastecimento de água e a construção do cais do porto, finalizados já no início da década de 1960.

Ressalte-se, contudo, que o problema da convivência com a seca em nosso semiárido é uma questão secular que ainda hoje se arrasta sem um planejamento adequado às adversidades climáticas. Hoje, por exemplo, vivemos em pleno período de estiagem, no dia em que o Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS), criado com o nome de Inspetoria de Obras Contra as Secas(IOCS) através do Decreto 7.619, de 21 de outubro de 1909, completa 108 anos de criação. Será que os nossos governantes querem mesmo resolver o problema?

Fontes:
SIAN - Arquivo Nacional.
Câmara Municipal de Camocim. 3º Livro de Atas.
http://www2.dnocs.gov.br/historia



sexta-feira, 18 de março de 2016

CORRUPÇÃO EM TEMPOS DE SECA EM CAMOCIM

Camocim. Foto: Evandro da Silva Araújo. www.geocities.ws

Não tem jeito, vou ter que entrar no assunto palpitante do momento: CORRUPÇÃO. 
Mas vou entrar pela janela do passado e tentar encontrar a porta do presente nesse caminho labiríntico para compreender esse imaginário, ou essa "cultura" que acaba se transformando numa espécie de identidade do brasileiro. 
Vivemos tempos de seca e o colapso está diante de nós. No entanto, a agenda, a pauta das discussões é quem vai ser o próximo delatado, o próximo escândalo, o próximo espetáculo midiático a atingir velhos e novos políticos.   
No final do século XIX não se tinha todo esse aparato, mas o jornalista já usava de pseudônimos para denunciar os desmandos dos espertalhões que já naquela época, enricavam com a desgraça dos outros. Foi o que fez João Biró em dois momentos:

"Em Camocim todos os mezes são roubadas as cargas que se recolhem  no armazem  da Companhia Maranhense, não só do governo como de particulares". (Jornal A Constituição, Fortaleza-CE, 1878, nº 29, p.3).

"Na Comarca de Granja tem sido grande o esbanjamento  dos gêneros distribuídos aos famintos.
[...] Entretanto, o roubo em Camocim não é menos escandaloso:
Parece incrível a despeza feita com os socorros naquella villa, mas o que é verdade é que nem a centésima parte dos generos e fazendas tenha cabido ás infelizes victimas da secca.
[...] Os vendedores de generos e de gado estão estam associados ao contractante do fornecimento.
[...]A distribuição das fazendas foi feita entre os parentes da sagrada famillia, sem reserva nenhuma. Pessoas abastadas receberam pessas. E falla se em despeza com famintos! (Jornal A Constituição, Fortaleza-CE, 1878, nº 29, p.3).

Talvez nunca saberemos quem foi João Biró. Quanto aos corruptos, esses fazem história e deixam descendentes que continuam fazendo das suas!

Fonte: Jornal A Constituição, Fortaleza-CE 1878, nº 29, p.3; 1878, nº 29, p.3).

terça-feira, 11 de setembro de 2012

II SC - A SECA E OS SAQUES EM CAMOCIM - Nº 5

 
Estação Ferroviária de Camocim. Uma das obras contra a seca realizadas pelo Governo Imperial no final do séc. XIX.

Estamos vivendo mais um período de seca. Na história do município os períodos de estiagem eram momentos em que se recebia levas de retirantes procurando amenizar seus sofrimentos. Com efeito, as regiões litorâneas sempre serviram como pólos de atração dessa massa faminta. Por outro lado, essa população adventícia provocava temores na sociedade local. O medo que as populações tangidas pela seca provocavam não era somente o de trazer com elas as doenças. A possibilidade de saques contra o comércio e as repartições públicas também foi uma constante. 
Na década de 1950, algumas ações e tentativas dessa natureza foram registradas. Em janeiro de 1950, a cidade foi invadida por 300 retirantes que ameaçaram “atacar o comércio”, face a pouca assistência prestada e a iminência de perda da produção agrícola. Este número aumenta para 500 flagelados numa outra ação em que efetivamente houve um arrombamento do “depósito da Prefeitura, julgando haver algum gênero armazenado”. Em abril de 1953, outro saque aconteceu onde um grupo de flagelados carregou “parte da mercadoria existente”. Na grande seca de 1958, novamente, a cidade é invadida por retirantes em busca de trabalho e comida. São, portanto, ações da multidão varrida pelo flagelo da fome no Ceará, geradora de vários conflitos com os moradores das cidades, muito bem analisadas pelo historiador Frederico de Castro Neves.1
Exemplos destes conflitos estão documentados nos arquivos da Associação Commercial de Camocim. No ofício enviado à autoridade policial em junho de 1919, (já reproduzido no blog em postagem anterior) fica claro a defesa dos interesses dos comerciantes sobre os demais, como o direito de ir e vir, além de uma certa institucionalização da atividade comercial como o “Commercio” (grafado com letra maiúscula, a letra m dobrada e sem acento), o que de antemão já sugere uma divisão entre os que trabalham, ou melhor, entre a sociedade do trabalho e a ociosidade, vista por estes homens como a mãe de todos os vícios. 
1 
Fontes:

1 NEVES, Frederico de Castro. A Multidão e a História: saques e outras ações de massas no Ceará. Rio de Janeiro: Relume Dumará. Fortaleza, CE: Secretaria de Cultura e Desporto, 2000, pp. 166, 168,185. 
Foto: Blog Ipugrande. 

domingo, 4 de setembro de 2011

SC3 - A SECA DE 1919 EM CAMOCIM

A contar pelos registros do Pe. José Augusto da Silva, nosso primeiro pároco, depois tornado Monsenhor, que cuidou do rebanho católico camocinense entre 1906 - 1930, podemos dizer que era um religioso que se preocupava também com a história da sua comunidade. A postagem de hoje ressalta os acontecimentos da Seca de 1919 sob o ponto de vista do padre e da ação da paróquia no sentido de minorar os sofrimentos dos flagelados:

"Com a anormalidade causada pela terrível sêcca de 1919, muito resentio-se a Parochia de Camocim, aliás o ponto escolhido de preferencia pelos emigrantes. A generosidade do povo camocinense, dêve a organização de um dispensario para os mpobres flagellados. por alguns meses conseguio distribuir esmolas em dinheiro, fazendas e legumes aos necessitados. Alem do valioso auxílio, enviado pela Autoridade Diocesana, na importancia de alguns contos de réis, parcelladamente, muito importante também fôra a acção do Commercio em geral.
A Conferência Vicentina não descuidou-se, a medida de suas posses, no desempenho de seus deveres de caridade".
(1º Livro de Tombo da Paróquia de Bom Jesus dos Navegantes, p.21v)

Foto: fortalezanobre.blogspot.com
O registro mostra claramente o litoral camocinense como válvula de escape dos flagelados em tempos de seca. Ressalte-se que este tipo de migração forçada contribuiu enormemente para a configuração urbana e composição das famílias hoje existentes no município no decorrer do tempo. Isto é, após passar os efeitos da seca, muitas dessas famílias fixaram-se em Camocim, continuando a construir seus laços de sociabilidade por aqui e contribuindo para sua formação e evolução.