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quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

O FUTEBOL EM CAMOCIM. GUARANI FUTEBOL CLUBE

Associação Guarani Futebol Clube. Camocim-CE. Fonte: Arquivo do clube.

Vez por outra a lembrança me leva para as tardes de domingo no Estádio Fernando Trévia. Às vezes, mais especificamente para o time que torci desde a adolescência - no caso a Associação Guarani Futebol Clube, fundado em 17 de julho de 1984, tendo como sede a Rua Duque de Caxias, 559, bairro Brasília.
Apesar de ter morado neste tempo na Rua 24 de maio, acompanhei as peladas vespertinas no campo do Secos e Molhados que ficava na confluência desta rua com a Duque de Caxias, dentro do terreno da Estação Ferroviária. A maioria dos jogadores do futuro Guarani de 1984, saíram destas ruas e do Bairro Brasília.
Da foto acima, provavelmente da segunda metade da década de 1980, percebe-se a presença de alguns jogadores moradores de outros bairros, alguns com presença na Seleção Camocinense de Futebol (Caetano Prado, Cláudio, Fogoió) e que chegaram ao futebol profissional como os zagueiros Tinguí (Tiradentes- Fortaleza-CE) e Deca (Guarany de Sobral).
Eu, particularmente, gostava muito do futebol do meia Marquinhos (último agachado, da esquerda para a direita), de muita categoria no domínio de bola e no drible.
No entanto, a figura mais emblemática do Guarani, sem dúvida aidna é o amigo José Ribamar Praciano de Sousa - o Ribão, que literalmente foi de tudo no time.
Tempos que não voltam mais!


sexta-feira, 26 de novembro de 2021

A MAÇONARIA CENTENÁRIA DE CAMOCIM

 

Rua General Sampaio. Camocim-CE. 2021. Foto: Arquivo do blog CPH.


    Em postagem anterior de 20 de setembro de 2011 (http://camocimpotedehistorias.blogspot.com/2011/09/sc-16-loja-maconica-deus-e-camocim.html), já havíamos salientado que a Loja Maçônica Deus e Camocim, nos idos de 1948, funcionava ao lado da Praça 7 de Setembro, nº 280. (antiga Praça do Quadro, Chico Panair, mais conhecida mesmo como Pracinha do Coreto).  Fundada pelo  italiano João Baptista Gizzi, em 1948, o venerável era Horácio Pessoa. 
    Neste sentido, trazemos hoje um documento comprobatório de que a maçonaria em Camocim funcionou numa modesta casa na Rua General Sampaio, 280, lado leste da Praça do Coreto. Trata-se do requerimento à Prefeitura Municipal de Camocim para realizar ligação elétrica "interna do prédio que lhe serve de sede social. sito à praça 7 de setembro, nesta cidade, para a quantidade de cem velas mensais", com data de 17 de fevereiro de 1948. (foto abaixo).  
    Pelas coordenadas oferecidas, a antiga sede da maçonaria de Camocim funcionou na casa com uma árvore à frente, que hoje tem a numeração 282 ou na vizinha, de número, 276. (foto acima). 



    Em 28 de julho de 2020, a instituição comemorou seu primeiro centenário em cerimônia realizada na sua atual sede à Rua 24 de Maio, 866, esquina com a Rua Zeferino Veras. O advogado José Gildo Soares de Lima é o atual venerável.

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

A PRAÇA DA REPÚBLICA EM CAMOCIM

 

Lei Municipal Nº 233, de 29 de abril de 1968. Fonte: Arquivo da Câmara Municipal de Camocim-CE.


         O dia 15 de novembro, como sabemos, é uma data em que se comemora a Proclamação da República no Brasil. Por outro lado, datas comemorativas e nomes de personagens da história pátria são a base para a nomenclatura de ruas e logradouros das cidades brasileiras,  inclusive, sendo recomendação  do governo federal para tal expediente desde os anos 1930.
   O município de Camocim, neste sentido, cumpriu a recomendação, nomeando suas ruas e praças com as datas e nomes da nossa história, tanto do Império, quanto da República, inclusive, a data referente da sua proclamação.

Praça Vicente Aguiar. Camocim-CE. Fonte: http://alannacaldasnews.blogspot.com/

     Daí, até 1968, tínhamos a Praça 15 de Novembro em homenagem ao ato proclamado pelo Marechal Deodoro da Fonseca.  No entanto, em 29 de abril daquele ano, o então prefeito municipal Setembrino Veras, sancionou a lei que transformava o "onomástico da Praça 15 de Novembro, nesta cidade, para o onomástico Vicente Aguiar". A Praça Vicente Aguiar fica localizada ao lado da Estação Ferroviária e defronte à Rádio União.
           Portanto, já tivemos uma praça 15 de novembro em referência à Republica brasileira (a da Independência já se foi). No entanto, ainda temos a Rua da República para dizer que temos, pelo menos, até um dia que algum vereador tiver a ideia de mudar seu nome .


Fonte: Leis Municipais de Camocim. Arquivo da Câmara Municipal de Camocim.
 

sábado, 23 de outubro de 2021

PROJETO DO CENTENÁRIO DO VOO PIONEIRO DE PINTO MARTINS

Card comemorativo do Dia do Aviador. 2021. Fonte: Prefeitura Municipal de Camocim.


No início deste ano tivemos a oportunidade de entregar à Secretaria da Educação de Camocim uma proposta do COLETIVO DE HISTORIADORES DE CAMOCIM para a área da educação. Desta iniciativa, já foi concretizada a criação da SÉRIE HISTÓRICA CAMOCINENSE, com a publicação de 04 livros sobre nossa história, já mencionados por mim neste espaço.
No documento, outras demandas foram elencadas, dentre elas, algumas alusivas a data que se aproxima do I CENTENÁRIO DO VOO PIONEIRO DE PINTO MARTINS. São ações simples, que estão a nosso alcance e que podem ser feitas pelo conjunto dos camocinenses. Logicamente, que o poder público, a população, podem e devem pensar outras ações e atividades que poderão constar das comemorações.
Neste sentido, apresentamos as nossas propostas para o conhecimento de todos:
1. Um livro de textos feito por alunos da rede pública (ensino fundamental II) a partir de atividades desenvolvidas em sala de aula. (Secretaria de Educação).
2. Uma Revista em Quadrinhos contando a saga do voo de Nova Iorque-Rio de Janeiro realizado por Pinto Martins, para ser distribuído aos alunos e trabalhada em sala de aula como instrumento didático. (Paulo José/ Coletivo Dragão do Mar (quadrinistas).
3. Pinto Martins e a imprensa – um livro mostrando a repercussão do voo de Pinto Martins na imprensa brasileira (Carlos Augusto).
4. Um filme-documentário sobre Pinto Martins e voo pioneiro. (NS Filmes de Camocim ou outra produtora com assessoria histórica do Coletivo).
PS: Há meses atrás, eu e o prof. Paulo José fomos convidados pela Prefeitura para uma conversa com o arquiteto Brandão para se discutir a revitalização da praça Pinto Martins. Nesta conversa, sugerimos várias ideias que podem ser inclusas no projeto a ser desenvolvido na referida praça, como painéis, réplica do Sampaio Correia II, mausóleu, etc. Continuamos fazendo nossa parte!


sábado, 16 de outubro de 2021

RAYMUNDO SOARES VASCONCELOS - UM ESTIVADOR DE CAMOCIM NO PORTO DE SANTOS

 

Coleção "O Comunismo no Brasil". IPM 709. 4.vols. Fonte: Biblioteca do Exército.

    Uma pesquisa nunca termina. Mesmo dando por terminado uma tese de doutorado, sempre alguns aspectos ficam para se esclarecer posteriormente. Foi o que aconteceu comigo em relação à detalhes sobre alguns trabalhadores camocinenses que saíram daqui e foram buscar trabalhos em outros portos do país, especialmente, Santos-SP. Um deles foi Raymundo Soares Vasconcelos. Na época da escrita da tese, dissemos sobre ele o seguinte:

Dos portos do país, um dos mais visitados pelos trabalhadores camocinenses em serviço era o de Santos. Com efeito, as ligações com o Sindicato dos Estivadores de Santos eram mais estreitas, a ponto de alguns desenvolverem militância política dentro desse sindicato ou fora dele. Na memória de alguns estivadores está viva a trajetória de Raimundo Soares Vasconcelos, que partiu de Camocim em busca de trabalho no Porto de Santos e chegou a presidir o sindicato da categoria na cidade paulista, além de ter facilitado o ingresso de companheiros naquele porto durante a década de 1960. (SANTOS, 2014, p.175).

    Como se sabe, existia entre os estivadores de todo país uma forte militância comunista e Raymundo Soares Vasconcelos e Aloysio Soares Vasconcelos, vulgo “Ceará” (provavelmente parente de Raimundo), acabaram participando e sendo fichados como comunistas. Aloysio, por exemplo, foi preso em 1948 por “agitação comunista”, pelo Departamento Estadual de Ordem Política e Social - DEOPS de São Paulo (SANTOS, 2014, p.175).
    Na época da escrita da tese, não encontramos maiores detalhes sobre Raymundo Soares Vasconcelos, apenas o prontuário de Aloysio no DEOPS, acima referido. No entanto, chega às minhas mãos, através do sempre prestimoso amigo livreiro Francisco Olivar (Vavá), o INQUÉRITO POLICIAL MILITAR - 709, produzido pelas forças de repressão, notadamente, o Exército Brasileiro. O famoso IPM 709 é o trabalho mais completo realizado pelas autoridades, não somente pontuado pelos relatórios das atividades dos "agitadores comunistas" elaborados por agentes infiltrados nas várias organizações de trabalhadores, mas, também de análise do movimento comunista, suas organizações, métodos, ligações e infiltrações na sociedade brasileira.



    No segundo volume da coleção vamos encontrar o camocinense RAYMUNDO SOARES VASCONCELOS, no ano de 1962 (o que revela várias décadas de militância dele), presidindo uma reunião do Fórum Sindical de Debates (FSD) de 05 de julho de 1962, um dia após a uma GREVE GERAL na cidade de Santos, cujo informe anexo fala sobre o sucesso da ação, além de ligar os acontecimentos com a aprovação do então Presidente da República e o Comandante do 1º Exército. (O Comunismo no Brasil. IPM 709, p.363).
    Temos, portanto, um camocinense, senão no centro, mas no olho do furacão dos movimentos que envolveram as relações entre trabalhadores e Governo, que acabaram sendo lidas pelos aparelhos de repressão como um perigo de estabelecimento de uma república sindicalista no país com forte inspiração comunista. Aqui não é o espaço para a discussão se isso era uma possibilidade real ou fruto do zelo conservador  e justificador das elites para a decretação do Golpe Civil-Militar de 1964, mas, o de destacar, que um simples estivador, saído de Camocim em busca de trabalho, conseguiu presidir o sindicato do maior porto do país e se tornou um militante importante da causa que abraçou.


Fonte: SANTOS, Carlos Augusto Pereira dos. Entre o porto e a estação: cotidiano e cultura dos trabalhadores urbanos de Camocim-CE. 1920-1970. Fortaleza: INESP 2014.

CARVALHO, Ferdinando de. O Comunismo no Brasil. INQUÉRITO POLICIAL MILITAR 709. 4vls. Editora Biblioteca do Exército, 1966.


terça-feira, 5 de outubro de 2021

CAMOCIM NA REVOLUÇÃO DE 1930.

Cartão Postal em homenagem à Revolução de 1930. Fonte: CPDOC.


Sempre digo que Camocim é um museu a céu aberto para ser utilizado nas aulas de História do Brasil. A Revolução de 1930 é um exemplo. Até outro dia tínhamos uma rua em homenagem à data do fato (03 de outubro, atualmente Antonio Zeferino Veras). Por outro lado, alguns camocinenses participaram da "revolução" que guindou Getúlio Vargas ao poder por 15 anos no Brasil. Vejamos a história contada por Tóbis de Melo Monteiro no livro "Camocim Centenário":

Funcionava em Camocim o Tiro de Guerra 2'13 sob a presidência do então Prefeito Municipal, Dr. Gentil Barreira. O instrutor era o Sargento Bezerra (Joaquim Olímpio Bezerra), militar autêntico por gosto e vocação.Como ele desfilava garboso no seu uniforme verde oliva. Peito para fora e barriga para dentro, como se diz na linguagem militar. As aulas eram à noite, na Praça do Mercado. A nossa arma era o fuzil Mauzer, modelo 1908. O nosso Tiro-de-Guerra diplomou muitos reservistas.

Certo dia, em 1930, no auge da revolução que explodiu para depor o então Presidente constitucional, Dr. Washington Luis, desembarcou em Camocim um sargento do exército que veio encarregado de alistar voluntários para servirem à causa da revolução. O sargento reuniu os reservistas do Tiro-de.Guerra e fez a pergunta: Quem quer ir? E a resposta começou a sair dos lábios da maioria: “Não vou porque o papai não quer e a mamãe não deixa”.. E, por fim, lá se foi o nosso contingente formado, apenas, de oito voluntários. O distintivo dos revoltosos era um lenço vermelho atado em volta do pescoço.

Embarcados à tarde no vapor "Monte Moreno" que, naquele dia, estava ancorado no porto. Muita gente acorreu à praia para assistir a partida de nossos heróis da revolução. Fomos  para Fortaleza e de lá embarcamos em outro navio maior e cheio de soldados. Rumamos para o Norte até chegar a Belém. A finalidade daquela viagem era depor o Governo do Pará que, até então, se  conservava fiel ao Dr. Washington Luis. A vida a bordo era dura. Passávamos o dia e a noite no tombadilho, sujeitos à chuva e ao sol. À noite, tínhamos que fazer plantão. 

Já em Belém, na primeira noite, às 22 horas, rendi a sentinela e ela me deu as ordens: “Existe um preso muito importante a bordo. E ele está ali, naquele camarote. Se tentar fugir pode atirar”. Enchi o fuzil de balas é fiquei olhando a noite toda para aquela porta.  O silêncio era completo. A noite era escura. Apenas a luz de bordo tremia e tremia na superfície buliçosa das águas. A soldadesca dormia, a sono solto, deitada no convés daquele transporte improvisado de tropas. Deu meia noite, Eu de olho na porta e de mão no fuzil.  Finalmente deu 4 horas da matina e, graças à Deus,  o nosso homem não fugiu. E eu senti um grandioso alívio ao passar ao meu substituto aquela instrução tão radical.

Em Belém fomos alojados num Grupo Escolar, cujas camas eram  o próprio chão duro e seco. A  nossa comida constava de bolacha, café, carne, feijão e arroz feita lá mesmo na cozinha de campanha. Nós mesmos lavávamos os nossos pratos e copos. Ficamos apenas 15 dias nesse sufoco e fomos devolvidos a Camocim pelo mesmo vapor “Monte Moreno”. Aqui em Camocim fomos recebidos com indiferença\e alguns até ficaram até criticando o nosso “heroísmo” verde-amarelo. (p.135-136).

Pela narrativa em primeira pessoa, pode-se inferir que o próprio escritor foi um dos oito voluntários que seguiram para o norte do país. Mas, quem seriam os outros sete bravos soldados? Fica a pergunta e a dica de pesquisa posterior. 


Fonte: MONTEIRO, Tóbis Melo. Camocim Centenário. IOCE, 1984, p.135-136.


quarta-feira, 29 de setembro de 2021

"SÉRIE HISTÓRIA CAMOCINENSE". CAMOCIM PUBLICA TRABALHOS SOBRE SUA HISTÓRIA. (XI SETEMBRO CAMOCIM. 2021. Nº10).

Selo da "Série História Camocinense". 2021. Editora Sertão Cult.


Por conta do aniversário dos 142 anos de emancipação política de Camocim, o Coletivo de Historiadores e a Prefeitura Municipal lançam a "Série História Camocinense". A ideia é que a partir de agora a publicação de trabalhados sobre a história do município via poder público estejam organizados nesta série, a partir das demandas e interesses dos parceiros deste projeto.
Neste sentido, a prefeita Maria Elizabete Magalhães (cuja formação acadêmica inicial é em História) autorizou a publicação de quatro volumes inicialmente organizados em dois tomos, já tendo outros trabalhos organizados pelo Coletivo de Historiadores à espera de publicação, dentro no projeto inicial apresentado à prefeita, dentre outras iniciativas no campo da história local.
Desta forma, alunos, professores e comunidade em geral terão mais quatro obras sobre nossa história que serão disponibilizadas brevemente no formato e-book no site da Prefeitura Municipal de Camocim (https://camocim.ce.gov.br/) e na página da Editora Sertão Cult (https://editorasertaocult.com/).
As obras são as seguintes:
1. "Camocim Respirava Este Ar de Música. História e Memória dos Festivais de Música em Camocim. (1986-2003). Francisco da Paz Pessoa (Sílvio Paz) e Carlos Augusto P. dos Santos.


2. A Cantoria nas ondas do rádio AM de Camocim. Relações Políticas e Culturais. (1979-1989). Maely Alves Mesquita.



3. Miolo de Pote. Dez anos do blog Camocim Pote de Histórias. (2011-2021). Carlos Augusto P. dos Santos.



4. Depois da Meia Noite. Experiências Extraordinárias em Contos, Lendas e Mitos que Narram o Cotidiano de Camocim. Edcarlos da Silva Araújo. (1950-1969).


Posteriormente, quando as versões impressas chegarem a Prefeitura Municipal de Camocim fará um lançamento e uma noite de autógrafos. São pequenas obras, mas de grande significação para dotarmos o município de uma cultura de publicação, especialmente em história. E é esse o nosso presente para o nosso povo.

Fontes: 
Prefeitura Municipal de Camocim
Editora Sertão Cult
Coletivo de Historiadores de Camocim







 

terça-feira, 28 de setembro de 2021

CHICO ARAÚJO. NOSSO CONSTRUTOR. (XI SETEMBRO CAMOCIM. Nº09).

Ex-governador Adauto Bezerra e Chico Araújo. Camocim. Inauguração da CEPESCA. Fonte: Arquivo de Cristiano Sousa.



Em postagem anterior sobre o Restaurante Popular, o popular "Mosqueiro", já havíamos destacado a atuação como construtor do senhor Francisco das Chagas de Araújo em obras públicas na cidade de Camocim.

Hoje falaremos um pouco mais desse cidadão, evidenciando outros aspectos de sua trajetória de vida. Navegando pelo facebook, encontramos alguns dados, para mim inéditos e, com certeza, para muita gente.Pois bem, mestre Chico Araújo, como era conhecido em nossa cidade, na juventude, acalentou o sonho de explorar a Amazônia e foi Soldado da Borracha, no contexto da Segunda Guerra Mundial. Aliás, Camocim, era ponto de partida para os seringais do norte do país. Acometido por doenças tropicais, dentre elas, a malária, voltou para Camocim e se tornou mestre de obras de renome, tendo construído prédios públicos como a Capitania dos Portos e a CEPESCA. Reproduzimos aqui o depoimento de seu filho Cristiano Sousa:

Construída pelo meu estimado pai Chico Araújo, através de um contrato de pura confiança e respeito ao histórico dele na cidade. Na época a Marinha do Brasil consultou em Fortaleza se alguma empreiteira se interessaria pela construção desta obra, mas não conseguiu resposta. Consultou e pesquisou na cidade quem poderia construir de acordo com a planta com fidelidade e garantia. Todos indicaram seu Chico, mas ele não tinha CNPJ e nem empresa registrada em seu nome. Foi chamado à Fortaleza para assinar um contrato e com um orçamento nas mãos conseguiu a aprovação do comandante da Capitania dos Portos do Ceará. Entregou no prazo com qualidade e segurança. Até hoje não entendo como uma pessoa vinda da pobreza extrema, conseguiu se alfabetizar sozinha com uma caligrafia primorosa, fazendo cálculos de construção com sabedoria e inteligência. Na juventude, para escapar da miséria, foi servir como Soldado da Borracha extraindo seringa na Amazônia durante 8 anos no tempo da guerra. Foi atingido por todo tipo de doenças tropicais daquela região. A mais perigosa, malária, o trouxe de volta pra morrer em casa, mas sobreviveu e começou a trabalhar em pequenas obras da Prefeitura em 1954, ganhando a confiança do prefeito da época, Setembrino Veras, depois dele, construiu quase todos os prédios públicos das cinco décadas seguintes. Nunca aceitou esquemas que sujasse sua reputação Morreu pobre com uma aposentadoria de 2 salários . Meu querido , meu velho , minha inspiração de vida.

Vivendo e aprendendo mais sobre a história de Camocim. Parabéns ao Sr, Chico Araújo e seus familiares.


quinta-feira, 23 de setembro de 2021

ESCRITORES CAMOCINENSES. CARLOS CAVALCANTI. (XI SETEMBRO CAMOCIM. 2011. N.08)

 


Capa do livro "Como entender a pintura moderna", de Carlos Cavalcanti, Civilização Brasileira, 1966.



Mais uma vez, devemos ao amigo Francisco Olivar (Vavá) a revelação de mais um escritor camocinense desconhecido em nossa terra, mas, de inserção nacional quando o assunto se trata de ARTE.
Trata-se de Carlos Felinto Cavalcanti, nascido em nossa cidade no ano de 1909. Carlos Cavalcanti, como ficou mais conhecido foi jornalista, professor, conferencista, crítico e historiador da arte, conservador do Museu de Arte do Ministério da Educação e Cultura, membro do Conselho Técnico de Artes Plásticas do Museu da Imagem e do Som, e da Associação Internacional de Críticos de Arte, além de Coordenador do Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas, publicado pelo Instituto Nacional do Livro. 
Como escritor publicou: Ensaios Sobre Arte (Pongetti, Rio de Janeiro, 1955), Os Mistérios da Pintura Moderna (Universidade de Cultura Popular, Rio de Janeiro, 1963), História das Artes. 2 volumes. (1963), Arte e Sociedade (MEC, 1966), Como entender a arte moderna (Civilização Brasileira, 1966), dentre outros.

Na área do magistério, Carlos Cavalcanti foi professor do  primeiro Curso Superior de História da Arte no Brasil, oferecido pelo Instituto Brasileiro da Arte., do qual foi fundador e 1º Vice - Presidente.

Infelizmente não encontramos uma foto dele para ilustrar esta postagem, mas fica o registro da capa de um dos seus livros.


Fonte: 

AMARO, Danielle. O lugar da História da Arte no Brasil: breve revisão da instituição da história da arte no Brasil a partir dos cursos de graduação. Cuadernos de Música, Artes Visuales y Artes Escénicas / Volumen 9 - Número 1 Enero - Junio de 2014 / ISSN 1794-6670/ Bogotá, D.C., Colombia / pp. 69-93.

Revista Instituto do Ceará-2010.


quarta-feira, 22 de setembro de 2021

ASSOCIAÇÃO DO BAIRRO BOA ESPERANÇA. CAMOCIM-CE. 19 ANOS DE LUTAS E HISTÓRIAS. (XI SETEMBRO CAMOCIM. 2021. N.07).


Por ocasião dos 19 anos da Associação Comunitária do Bairro Boa Esperança, o blog Camocim Pote de Histórias homenageia a mesma pelos serviços prestados à comunidade local através de texto enviado pelo historiador Francisco Rocha Pereira, que também é membro da atual diretoria. Parabéns a todos que fazem a associação!

Logomarca da Associação Comunitária da Boa Esperança. Camocim-CE. Fonte: Arquivo da Associação.

 


            Quando se trabalha com dedicação, responsabilidade e perseverança, se ver o resultado. A Associação de Moradores do Bairro Boa Esperança de Camocim é um exemplo. Fundada em 22 de setembro de 2002, teve como seu primeiro presidente o Senhor Manoel de Carvalho. No início as reuniões eram realizadas debaixo de um cajueiro na propriedade do Sr. Carvalho. Mas com muita dedicação e esforço, Seu Carvalho pleiteou e conseguiu um terreno junto ao Município, ainda na gestão do Prefeito Sérgio Aguiar, onde foi construída a sede da Associação.

Vale ressaltar que toda a construção foi realizada com recursos oriundos do programa “Sua nota tem valor”.

O Sr. Manoel de Carvalho tem o reconhecimento da comunidade e das autoridades como um grande benfeitor da referida associação, porém depois de ter muito contribuído, teve que se afastar das atividades por orientação médica para cuidar de sua saúde. Sucedeu-lhe o Sr. Aderaldo Rodrigues de Lima que já está no segundo mandato e a exemplo de seu antecessor, continua fazendo um excelente trabalho, mantendo o ritmo das atividades que beneficiam os sócios e demais pessoas da comunidade, pois esta era a grande preocupação do Sr. Carvalho.

Dos vários projetos que a Associação desenvolve, destacamos o Núcleo de Apoio a Criança e Adolescente criado em 2009, objetivando tirar o público juvenil da ociosidade, prevenindo-os contra as drogas. Isto se dá através de atividades como colônia de férias, aulas de dança, quadrilha junina, escolinha de futebol, aula de violão e reforço escolar e das atividades realizadas no Projeto Telecentroque tem sido uma constante, beneficiando cerca de 150 crianças entre os filhos dos sócios e demais pessoas da comunidade. Mas não é só isso. Para os adultos já foi oferecido vários cursos e oficinas como arte e cultura, manicure, artesanato, pedreiro, culinária, aula de cidadania e ainda tem a zumba para as mulheres ficarem em forma.

Alunos do Curso de Violão na Associação Comunitária do Bairro Boa Esperança. Camocim-CE. Foto: Arquivo da Associação.


Para realizar as ações e projetos, além do empenho da diretoria e colaboração dos sócios e comerciantes voluntários, a Associação conta também com a parceria da Prefeitura Municipal, Ministério Público, Polícia Militar e outras instituições.

 Lembramos que na pandemia foram suspensas as reuniões, obedecendo aos Protocolos Sanitários, mas a associação não parou de todo, pois com o apoio da Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania, através do Projeto “Mãos que Protegem”, as mulheres sócias produziram 10.000 (dez mil) máscaras, que foram distribuídas nas repartições e em 20 comunidades do município.

Não é à toa que a honrada associação tem se destacado como líder da região Norte cearense no programa “Sua Nota Tem Valor”, e participou do Programa Itaú Social UNICEF, obtendo a 6ª colocação no Ceará, ficando entre as 14 melhores associações do Brasil. Isto nos orgulha, não só de ter acompanhado desde o início, mas também de fazer parte dos 19 anos de história e muitas vitórias da Associação da Boa Esperança, já considerada de Utilidade Pública Municipal e Estadual. 

 

Francisco Rocha Pereira

(Membro da Diretoria)

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

A PREVIDÊNCIA SOCIAL EM CAMOCIM. (XI SETEMBRO CAMOCIM. 2021. N.6).

 

Prédio do INPS (hoje INSS) em Camocim-CE. Rua da Independência, 506. Fonte: MONTEIRO, Tóbis de Melo. 1980, p.113.

   

    Um  dos prédios públicos mais bonitos de Camocim,  é o do Instituto Nacional da Seguridade Nacional - INSS. Inaugurado nos anos 1970, chegou aqui com o nome de Instituto Nacional da Previdência Nacional - INPS. Aliás, a Previdência Social do Governo Federal já foi IAPAS, INAMPS, dentre outras siglas.

    No entanto, para que o serviço federal da previdência pudesse funcionar em nossa cidade, foi necessário que município fizesse a doação do terreno. Neste sentido, em 17  de setembro de 1969 foi sancionada a Lei Municipal Nº 260 pelo Prefeito Municipal de Camocim Setembrino Fontenele Véras, declarando de utilidade pública um  imóvel na confluência da rua Independência com Humaitá, para posterior desapropriação que serviu para construção do prédio do INPS.


Agência do INSS em Camocim. 2016. Foto: Marcelo Giovanni C. Moura.

    Além de servir a população no acesso aos serviços  da previdência e assistência social, o prédio do INPS teve outra utilidade - ser o local das apurações de votos das eleições municipais nas décadas de 1970, 1980 e 1990, no tempo em que o voto era assinalado em cédulas eleitorais de papel e depositados em urnas de lonas. Os trabalhos chegavam a durar até uma semana e parte da população acompanhava eufórica ou decepcionada os resultados  nas calçadas adjacentes ao prédio, manifestando-se a cada "ponta" obtida pelos candidatos, anunciados por bilhetes jogados pelos fiscais do primeiro andar do prédio ou pelos locutores das rádios que acompanhavam a "marcha da apuração".

    Terminada a apuração, os vencedores partiam em passeata para  espaços identificados com os partidos políticos ou para as residências dos eleitos.


Fonte: Arquivo da Câmara Municipal de Camocim.











sábado, 18 de setembro de 2021

O PADRE PREFEITO DE CAMOCIM. (XI SETEMBRO CAMOCIM. 2021. Nº5).

 

Monsenhor José Augusto da Silva (1883-?) Fonte: Arquivo do CPH.


O padre José Augusto da Silva nasceu em Baturité em 1883. Ordenou-se padre em 1902 e foi provisionado  como vigário de Camocim em janeiro de 1906.
Com sua característica empreendedora, tratou logo de dar a Camocim um templo católico à altura da cidade. Neste sentido, retomou as obras da Igreja Matriz de Bom Jesus dos Navegantes, finalmente terminadas em dezembro de 1917, "em cujas obras despendeu mais de sessenta contos de réis", em esmolas arrecadadas no próprio município. Além da nossa matriz, o padre José Augusto construiu a capela de Nossa Senhora dos Navegantes na então "povoação de Barroquinha e melhorou consideravelmente a capella de S, Antonio da povoação do Gurihú".
Em 1919, foi nomeado prefeito de Camocim pelo então governador do Ceará, Dr,. João Thomé de Saboya e Silva, que anteriormente havia sido Engenheiro Chefe da Estrada der Ferro de Sobral, morador de Camocim.
Na notícia de posse do reverendo como prefeito da cidade, em 22 de abril de 1919, salta aos olhos o tamanho da "máquina" administrativa do município naquela época, assim como o tempo dispendido para geri-lo:
Prefeitura Municipal de Camocim

"[...] O novo prefeito ao assumir o governo municipal chamou para ser seu secretario o sr. Raymundo Mendes de Souza, que compromissado no mesmo dia começou a exercer as funções.
Foi ainda pelo novo Prefeito nomeado procurador o sr. João Bemvindo de Maria Costa, 1º fiscal o sr. Francisco de Assis Costa; 2º fiscal sr. Aprígio do Prado e zelador do matadouro publico sr. Francisco Freire.
[...] O respeitavel sr. Prefeito Municipal determinou o expediente seguinte: para a Prefeitura de 11 as 15 horas e para o expediente  de S. Revma. de 13 as 14 horas em dias uteis.
É geralmente comentado que o nosso distincto governador municipal tem ideia de tratar da illuminação publica, e logo que as finanças permitam da construcção de um mercado, pois, o actual é um pardieiro em franca ruina e em estado anti-hygienico.
Applaudimos os louvaveis projectos do operoso Sr. Prefeito Municipal e confiamos que os mesmos sejam brevemente uma realidade".

FONTES:

MARTINS, Pe. Vicente. Notas Biographicas do Clero Sobralense. Revista do Instituto do Ceará. 1920.

Jornal Folha do Littoral. Camocim-CE, Anno II, nº 46, quinta-feira, 01 de maio de 1919, p.01.

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

PATRIMÔNIO PRESERVADO. (XI SETEMBRO CAMOCIM. Nº 4)

 

Residência da Família Araújo Rocha. Rua 24 de maio, Camocim-CE,2021. Foto: Arquivo do CPH.


Quem passa pelo centro comercial da cidade de Camocim, na rua 24 de Maio, entre Alcindo Rocha e Independência, notará um patrimônio preservado. Trata-se da residência do Sr. Hamilton Rocha (in memorian). Outrora, afora o Mercado Público, todo seu entorno era residencial. Atualmente é o contrário, a casa em questão é uma das poucas que não sucumbiram ao processo de transformação do centro comercial de Camocim e sobrevive praticamente com as mesmas linhas arquitetônicas de quando foi construída. 
Aqui mesmo no blog, já publicamos uma fotografia em que aparece uma parte desta casa, datada do ano de 1912, portanto, há mais de um século.
Neste sentido, louvamos a atitude da matriarca da família, Teresinha Araújo Rocha, que mantém viva um exemplo arquitetônico que faz referência ao século passado da nossa cidade.
Mas, o motivo principal dessa postagem é no sentido de promover uma discussão sobre patrimônio e sua preservação, face às constantes  demolições de imóveis antigos em nossa cidade, especialmente no centro da cidade. Sabemos que a história é um processo de transformações e este movimento se não for de alguma forma discutido e/ou regulamentado, acabaremos por deitar por terra as mais longínquas referências de nossa história.
Deste modo, o que poderia ser preservado só pode ser feito de duas formas: ou os proprietários tem consciência desta importância patrimonial e preservam as características de seus imóveis através do tempo; ou o poder público cria uma política de preservação e tombamento dos seus bens materiais e imateriais. A base legal desta última possibilidade se encontra no Plano Diretor do município. Mas, precisa-se de vontade política para regulamentar a questão.

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

IGREJA, PREFEITURA, CÂMARA MUNICIPAL E MARINHA NUM SÓ RECIBO. (XI SETEMBRO CAMOCIM.2021. N.3).

Agência da Capitania dos Portos em Camocim. Fonte: https://www.marinha.mil.br/cpce.



Se alguém perguntasse para se responder rapidamente para um cidadão camocinense o que a Igreja Católica, especialmente a Paróquia de Bom Jesus dos Navegantes, a Prefeitura, a Câmara Municipal  e a Marinha do Brasil teriam em comum, talvez a pessoa em questão tivesse um pouco de dificuldade em dar a resposta.
No entanto, um simples RECIBO poderia ser a fonte para uma possível resposta. No plano das instituições, as mesmas travam relações e isso pode ser visto num simples documento de "empenho" contábil, que mostra o momento em que se deu uma transação imobiliária.

 

Recibo de compra e venda de terreno onde se construiu a Capitania dos Portos de Camocim-CE.
Fonte: Arquivo da Prefeitura Municipal de Camocim/CPH. 


Esclarecendo o fato, o recibo atesta que, em determinado momento, a Prefeitura Municipal de Camocim pagou ao representante da Paróquia de Bom Jesus dos Navegantes, Monsenhor Inácio Nogueira Magalhães, a importância de Cr$ 1.500,00 (um mil e quinhentos cruzeiros), por um terreno contíguo à Igreja Matriz "com as seguintes dimensões: pelo nascente 61 metros; ao poente, 62,70 metros; ao Norte 39 metros e ao Sul, 40,70metros. Confina ao nascente com a Igreja de Bom Jesus dos Navegantes; ao poente com a Rua Santos Dumont; ao norte com a rua Dr. João Thomé e ao sul com o calçamento que guarnece por limite, a quadra de esportes do Ginásio Pe. Anchieta".
O leitor,  a esta altura já deve ter identificado que o terreno em questão é onde se encontra atualmente a Capitania dos Portos. Mas, espera aí... e este confinante denominado de "quadra de esportes do Ginásio Pe. Anchieta" não se localiza no Bairro Cruzeiro?" Expliquemos: o terreno onde está a CREDE 4 e o CEJA João da Silva Ramos, até meados dos anos 1970 era onde estava instalado o Ginásio Padre Anchieta, que depois foi transferido para o Bairro Cruzeiro. 
Voltando para o teor da fonte. E onde a Capitania dos Portos entra na história? O terreno adquirido pela Prefeitura Municipal de Camocim, informa o recibo: "o terreno em apreço foi adquirido pela Prefeitura, por autorização do Legislativo e foi doado pela Lei Municipal n° 254 de 8.5.1969, ao Ministério da Marinha, para edificação da sede da Agência da Capitania dos Portos, nesta cidade".
Mas o recibo diz e traz apenas estes detalhes acima referidos? É preciso observar as entrelinhas do documento. Através dele podemos especular o quanto valia o metro quadrado no centro da cidade naquela época (trabalho para os corretores imobiliários de hoje). O porquê da doação não ter sido feita diretamente pela Diocese e sim pela Prefeitura. Fisicamente, o documento apresenta o autógrafo do Monsenhor Inácio, que foi nosso pastor mais longevo, à frente do povo católico camocinense por quase 50 anos.
Num só recibo, muitas histórias a desvendar!






 


sábado, 11 de setembro de 2021

ESCRITORES CAMOCINENSES. JOSÉ ARTHUR DE CARVALHO. (XI SETEMBRO CAMOCIM. 2021, N.2).

 


Capa do livro "Retalhos do Cotidiano", de José Arthur de Carvalho.


Acaba de chegar às minhas mãos o livro RETALHOS DO COTIDIANO, do escritor, professor, poeta, músico, compositor e Farmacêutico de profissão camocinense, JOSÉ ARTHUR DE CARVALHO, herdeiro de um ofício de tradição familiar.
Em outras postagens já destacamos esse conterrâneo por conta do medicamento conhecido como GOTAS ARTHUR DE CARVALHO, criado e produzido em Camocim. Atualmente ele é nome de rua em Fortaleza e um dos grandes nomes da Farmácia no Ceará.
Na obra em questão, o autor destaca sua terra natal em quatro crônicas: "O último trem de CAMOCIM"; "Os mangues e caranguejos de CAMOCIM"; "A Inesquecível Rua das Flores
e "Camocim, 35 anos depois".
O referido livro foi publicado em 1982 pela Editora Henriqueta Galeno, Fortaleza-CE. O autor registrou no livro a passagem dos 102 anos de Camocim.
Mais um nome que entra para a galeria dos autores camocinenses.
Prof. José Artur de Carvalho. Fonte: www.ceara.pro.br 


CAMOCIM 142 ANOS (XI SETEMBRO CAMOCIM. 2021. N.1).

Píer Marcus Tavares. Beira Mar de Camocim. 2021. Foto: Arquivo CPH.


Começamos mais uma série de postagens alusivas ao XI SETEMBRO CAMOCIM, mês em que comemoramos mais uma data comemorativa do município - 142 anos de emancipação política.
Além das postagens inéditas costumeiras que você pode acompanhar aqui no blog Camocim Pote de Histórias, o mês está recheado de novidades na área da história local. 
Neste sentido, iremos ministrar um curso para professores de história da rede pública municipal intitulado "Conversando sobre História Local, Camocim-CE", nos dias 16 e 23 de setembro de 2021. 
Ainda no dia 26, às 19h, estaremos realizando uma conferência junto à Academia Cearense de Letras, dentro do projeto Cidades Escritas
E até o final do mês estaremos lançando a Série História Camocinense, com a publicação de quatro obras de historiadores locais em parceria com a Prefeitura Municipal de Camocim.
Estaremos divulgando tudo isso qui no blog Camocim Pote de Histórias, onze anos a serviço de nossa história.


sexta-feira, 23 de julho de 2021

VOCÊ SABIA? BIBLIOTECA PINTO MARTINS.

 

Biblioteca Municipal Pinto Martins. Camocim-CE. 2021. Foto: Blog CPH.


Depois de um período fechada por conta dos protocolos da pandemia do COVID 19, a Biblioteca Pública Pinto Martins, volta a abrir suas portas ao público estudantil e em geral. Para os estudantes que estão de férias escolares é mais um espaço oferecido pela administração para leituras e pesquisas. A Biblioteca Pública Pinto Martins possui um bom acervo de obras antigas,recentes e de referência.
A Biblioteca Pública Pinto Martins foi criada pela Lei Municipal Nº 313 de 09 de outubro de 1972, na gestão do prefeito José Maria Primo de Carvalho e funciona na casa onde nasceu o aviador camocinense Euclydes Pinto Martins. A última reforma no local foi feita em 2018, na gestão da prefeita Mônica Aguiar.
Desde os anos 1970, a biblioteca cumpre um papel importante na educação dos camocinenses. Visite a nossa biblioteca, que está funcionando em horário corrido, das 8:00h às 14:00h e leia um bom livro!

terça-feira, 22 de junho de 2021

A VACINAÇÃO EM CAMOCIM.

 

Atestado de Vacinação Antivariolica de Maria Alves da Silva. Camocim-CE. 1946. Fonte: Arquivo do CPH.


Em tempos de pandemia do Covid-19, as redes sociais estampam fotos de imunizados (na primeira ou segunda doses, seja de Coronavac, Astrazeneca ou Pfizer), agradecendo a Deus e a ciência ou protestando contra o governo, além de outras manifestações. Passada a fase de imunização da população até frear o avanço do vírus, no futuro teremos que voltar aos postos de vacinação para continuar o controle da pandemia até ser considerada extinta.
Para termos uma ideia da longevidade das pandemias, a varíola. que teve surto no Brasil nas primeiras décadas do século XX, só foi considerada extinta em 1980.
Este procedimento é o que permite entrever o documento acima referido. Num sábado ensolarado (muito provavelmente), Maria Alves Silva, uma morena de 35 anos dirigiu-se à Delegacia de Higiene de Camocim à época dirigida pelo Dr. Jaime Correia e tomou duas injeções no braço esquerdo. Parece ter sido as últimas. visto que no campo onde deveria constar o retorno, o mesmo ficou em branco.
No momento em que o Brasil ultrapassa o número absurdo de 500.000 mortes, vacinar-se é o melhor remédio. Portanto, não deixe de tomar sua dose se ela está disponível.
 


quinta-feira, 27 de maio de 2021

RESIDENCIAL BONITO III. O MAIS NOVO CONJUNTO HABITACIONAL DE CAMOCIM

 

Residencial Bonito III. Camocim-CE. 2021. Fonte: Camocimmotovlog088.

 

Em postagens anteriores já historiamos os vários conjuntos habitacionais em Camocim, desde a famosa Vila Falcão. Com terminologia diferente, os conglomerados habitacionais agora recebem o nome de "Residenciais". A "casa de conjunto" ficou para trás. Os novos projetos contemplam espaços para futuras mudanças e reformas, para que a casa fique de acordo com as condições e posses de seus moradores, sem falar da construção de espaços comuns de reunião e recreação, com infraestrutura de água, esgoto, energia elétrica e de casas adaptadas para pessoas com deficiência. O Residencial Bonito III em Camocim, atende a estes requisitos básicos.~

Residencial Bonito III. Camocim-CE. 2021. Fonte: Camocimmotovlog088.

 

Mas o que é uma casa? Principalmente para quem não tinha uma ou vivia em condições precárias de moradia? pára o filósofo Gaston Bachelard a casa é "o nosso primeiro universo", "um grande berço", se apresentando como proteção, estabilidade, e sossego (BACHELARD, 1989, P.358).

Depois de entregues fui presenciar a chegadas dos moradores beneficiados. No semblante de cada um percebi a alegria daqueles que chegavam com seus móveis, tralhas e antenas parabólicas. Fiquei a pensar em como se processava na cabeça de cada um aquilo que o escritor moçambicano Mia Couto diz em um dos seus romances: "O Importante não é a casa onde moramos. Mas, onde em nós, a casa mora" (COUTO, 2003, p.54).

 

A partir de agora aquele espaço pertence a estes novos moradores que o transformarão com certeza, fazendo dele seu novo universo. O tempo mostrará. Neste sentido, já propus acompanharmos estas mudanças, a começar por historiar as trajetórias destas famílias que agora habitam o Residencial Bonito III.


Fontes: 

Camocimmotovlog0088.

BACHELARD, Gaston. A poética do espaço. São paulo: Martins Fontes. 1989.

COUTO, Mia. Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

 

 

 

 


 

sexta-feira, 30 de abril de 2021

UM FERROVIÁRIO MAIS DO QUE CENTENÁRIO

José Ferreira dos Santos aos 102 anos. 2016. Fonte: Camocim Online.



Hoje 30 de abril comemora-se o Dia do Ferroviário. Como uma cidade que já foi ferroviária, Camocim tem uma grande memória dos "tempos do trem", seja pela íntima relação que a história do município associada à Estrada de Ferro de Sobral, seja pelas lembranças dos habitantes que viveram neste tempo e, principalmente, dos ferroviários que trabalharam nesta estrada por quase um século.
Neste sentido, por ocasião da data comemorativa, o nosso dever de sempre lembrar dos tempos idos se irmana com a trajetória de vida de um destes guerreiros dos caminhos de ferro - José Ferreira dos Santos (1914-2000), mais conhecido entre nós como o Sr. Zé dos Santos.
Coincidentemente, hoje, chafurdando nos arquivos em busca de fontes sobre a militância integralista na cidade, deparei-me com uma nota do ano de 1937 no jornal A Razão, publicado em Fortaleza, onde o nosso longevo ferroviário aparece como secretário da Sociedade Ferroviária de Camocim, mostrando que o mesmo estava envolvido não somente em desenvolver a contento seu trabalho na ferrovia, mas, também antenado com a perspectiva de melhores condições que poderiam advir com o associativismo dos trabalhadores



A  nota, assinada pelo secretário, Sr. José Ferreira dos Santos, logicamente se refere à Associação Beneficente Ferroviária que tinha sido fundada em 1932 que, naquele ano de 1937, informava sobre a posse da nova diretoria da associação para o biênio 1937-1938, que ficou assim constituída:

Presidente: Lamberto de Oliveira Sales.
Vice-presidente: Manoel Pinheiro da Rocha
Secretário: José Ferreira dos Santos
2º Secretário: Luis Gonzaga Viana.
Tesoureiro:  José Araújo Tavares.
2º Tesoureiro: Francisco Xavier Fontenele.

A todos os ferroviários a nossa homenagem!!!

Fonte: 
Jornal A Razão. Fortaleza-CE. 1937. edição 194, p.05.







 


 

sábado, 17 de abril de 2021

NOSSOS LUGARES ANTIGOS. CAMOCIM HOTEL

 


Ruínas do antigo "Camocim Hotel". Camocim-CE. 2018. Fonte. https://www.google.com/maps.


Quem passa hoje pela rua Engenheiro Privat em Camocim, defronte ao número 174, dependendo de quem for, terá recordações diferentes. Pode ir desde a sensação de descaso com o patrimônio material da cidade, da situação de um terreno central inaproveitado, ou mesmo, associar o antigo "Camocim Hotel", com a figura de sua proprietária, Dona Ambrosina Félix, que por muito tempo foi empresária no ramo da hotelaria na cidade, oriunda do então distrito de Barroquinha. 

Recibo de estadia no Camocim Hotel. 1972. Fonte: Arquivo do blog.

Por outro lado, as fontes históricas permitem afirmar e imaginar narrativas múltiplas sobre a história de qualquer objeto de pesquisa. Se a simples análise do recibo acima não nos permite saber quem era ou o que estava fazendo em Camocim durante os dias 22 a 25 de maio de 1972 o inspetor Alberto Barboza de Moura, pode-se afirmar que a autoridade fazia questão de associar seu nome à função policial. Sua rubrica no recibo, endossando  a despesa, sugere que a proprietária deveria receber o valor correspondente de alguém ou de uma entidade, como a Câmara ou a Prefeitura Muncipal. Uma coisa é certa, a diária no melhor hotel da cidade, que nesta época se situava defronte do local que hoje se encontra em ruínas (nº 101), custava Cr$ 15,00 (quinze cruzeiros). É um pequeno registro do cotidiano que pode levar a outras histórias.

Fonte: google.com/maps.