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sexta-feira, 29 de junho de 2018

A FESTA DE SÃO PEDRO EM CAMOCIM


Procissão Marítima de Camocim. Fonte: Evaldo Carneiro (facebook)

Tida como uma das mais belas procissões marítimas do Estado do Ceará, a Procissão de São Pedro em Camocim anualmente arrebata um grande público por terra e por mar, para reverenciar o padroeiro dos pescadores, Não sei se a procissão é mais antiga do que a Igreja de São Pedro, que, em 1942, teve o templo inaugurado, mas, o seu objetivo foi muito mais do que a elevação de um orago ao santo protetor dos pescadores e das viúvas. Segundo a Carta Aberta do Padre Manuel Henriques, a justificativa da construção da Igreja de São Pedro tinha um componente social e político, notadamente, levar o catecismo católico a uma área carente, além do combate ao comunismo de então. Por outro lado, aproveitamos a data para destacar alguns aspectos cronológicos que se relacionam com a data e com os pescadores de Camocim:

29 de junho de 1942 - Inauguração da Igreja de São Pedro pelo Padre Inácio Nogueira Magalhães. A obra foi iniciada pelo Padre Manoel Henriques. Fonte: 1º Livro de Tombo da Paróquia de Bom Jesus dos Navegantes. 1904-1930. Camocim-CE. p.33).
Na etapa de construção iniciada pelo Padre Manoel Henriques o mesmo dirigiu carta aberta a comerciantes e povo em geral de Camocim pedindo ajuda para a construção do templo católico. Recuperamos uma dessas cartas dirigidas ao Sr. F.Menescal Carneiro. 
Carta Aberta. Pe. Manoel Henriques, Camocim. 1938., Fonte: Arquivo do Blog CPH.

12 de abril de 1967 - Sanção da Lei Municipal Nº 230 de 12 de abril de 1967 pelo Prefeito Municipal de Camocim, Setembrino Fontenele Véras que fez doação de um terreno à Rua da Praia, nesta cidade para a CEARÁ PESCA S/A – COMPANHIA DE DESENVOLVIMENTO, para ser utilizado no prazo de doze meses, para a construção de uma Fábrica de Gelo. 


29 de março de 1973 – Criação do Curato de São Pedro na Reunião do Prebistério realizada em Tianguá.
15 de dezembro de 1994 – Aprovação do Projeto Legislativo Nº 006/94, de autoria do vereador Francisco Martins de Oliveira (Fransquim Bruno) que considera de utilidade pública a Colônia de Pescadores Z-1 de Camocim.

BOAS FESTAS.

sexta-feira, 22 de junho de 2018

PINTO MARTINS E A ÁGUIA DE BRONZE


Francisco Olivar, nosso amigo Vavá, além de livreiro é um estudioso da obra de Monteiro Lobato e da vida do nosso conterrâneo Pinto Martins e, nesse sentido, compartilhamos nossas pesquisas sobre estes personagens históricos. Desta feita, ele me manda a seguinte informação que repasso para os leitores mundo afora:

Pensei que já tinha visto e lido todo repertório de maldades e barbáries contra o nosso ídolo maior de Camocim - PINTO MARTINS. Hoje me deparei com mais uma injustiça sem tamanho contra o nosso herói, lendo o livro sobre o grande escultor do Maranhão Newton Sá, sobre a história da escultura de uma águia que o magistral escultor esculpiu pela passagem de Pinto Martins e Walter Hinton pelo Maranhão. Este monumento elevado no meio da escadaria que dá para a rampa do porto de desembarque consistia em uma coluna de mármore, estilizada,sobre a qual estava o bronze da águia pousando. Media três metros da base ao topo,a águia em bronze foi roubada em 1993. Em junho de 1994. todo o pedestal foi tirado e substituído por um busto de Marcílio Dias ,iniciativa do Capitão dos Portos, Carlos Alberto dos Santos Ramos ,com anuência da prefeitura municipal de São Luís.Até hoje não se sabe que fim levou a peça escultórica, nem mesmo o pedestal, sendo que a Prefeitura da Capital não registrou nenhum protesto contra tal furto de um bem público. A Águia que pousa,foi pousar em alguma casa de desmanche, mais um crime entre tantos contra Pinto Martins.

Opinando, só digo uma coisa: é o Brasil sendo Brasil através daqueles que deveriam guardar nossa memória e história.
Monumento comemorativo da passagem de Pinto Martins pelo Maranhão. Fonte: Álbum do Maranhão, 1923.


sábado, 16 de junho de 2018

LEMBRANÇAS DE UM OPERÁRIO DA PANAIR - CAMOCIM


As fontes históricas, sem dúvida, são o alimento do historiador. Por mais diversa e fragmentária que seja, sempre pode ser o início de uma grande pesquisa histórica, Já postamos aqui sobre a existência da PANAIR em Camocim, sua importância econômica e estratégica para a história da aviação no Ceará, através do arquivo e informações nos enviado por Raimundo Wilson, filho de Duarte Moraes, um dos operários que construíram a estrutura de pouso dos hidroaviões em nossa cidade. 

Duarte de Moraes e Geraldo Gomes. Camocim. 1937. Arquivo: Raimundo Wilson.


Hoje reproduziremos duas fotos que mostram não somente o espaço fotografado, mas, as pequenas impressões deixadas escritas no verso das mesmas, que revelam o sentimento captado tanto pela lente como pela emoção de quem quer deixar uma lembrança para a posteridade. Na primeira foto (acima), Duarte Moraes escreve: 

Eu e Geraldo Gomes meu companheiro de "infortúnio". Durante as instalações, trajando macacões, acocorados nas embarcações, trocando confabulações acerca das desillusões, cheios de emoções, immersos em recordações-, contemplam uma encantadôra tarde de Agosto no Ceará. CAMOCIM. 1937.
Duarte Moraes .Camocim. 1937. Arquivo Raimundo Wilson.

Na foto acima, percebe-se o flutuante no meio do rio onde os hidroaviões faziam atracação para reabastecimento. Em primeiro plano, Duarte de Moraes. Nesta foto, ele escreve no verso:
Acossado pelos ventos, arrepiado como um caitetú, da cabaceira da ponte da Panair, em construcção, sobre o rio Camocim, admira a cidade distante e as grandes obras que a Companhia aqui vem realisando. Longe, bem longe - o fluctuante da Panair, onde os aviões atracam.

As fotos e os escritos nos versos não apenas nos remetem para um distante passado em que empresas de aviões usavam nossa cidade como escala, mas, podem também nos informar muito sobre os processos existentes entre a memória e a história.