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quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

CAMOCIM NO INÍCIO DO SÉCULO XX - POR SOUZA LIMA

Capa do Livro "Adolescência na Selva" de Souza Lima

Na minha última viagem ao Rio de Janeiro, o amigo Olivar (Vavá), embaixador de Camocim na antiga capital da República já me esperava com uma novidade: o livro “Adolescência na Selva” de João Evangelista de Souza Lima (Souza Lima). Trata-se de um livro de memórias do autor, notadamente do tempo de criança vivido na cidade até o ano de 1915. No entanto, o autor narra ainda a trajetória de sua família no antigo território do Acre nos seringais da Amazônia, numa verdadeira saga que marca as vidas dos migrantes cearenses da época, que tinham nesta região o grande eldorado, parte da política do governo de se livrar de flagelados do nordeste com a justificativa de povoar a selva amazônica sob a extração da borracha, então o grande produto de exportação brasileira. A leitura atenta do livro chama a atenção para os detalhes da memória de uma criança, evidentemente transformada com o tempo em seus códigos de percepção da vida. No entanto, a rememoração de tipos humanos, de lugares que não existem mais, de uma Camocim que dava seus primeiros passos como cidade tornam a leitura um irrecusável convite para o passado. Brevemente estaremos explorando neste espaço as possibilidades de contato com a história do município que o livro traz. Para quem objetiva adquirir esta obra, numa rápida pesquisa à Estante Virtual, identificamos ainda cinco exemplares da obra à venda. Segue o link para você adquirir o seu e se deliciar com as historias de Souza Lima:


Foto: Arquivo do blog.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

DIM BRIQUEDIM DE CAMOCIM EXPÕE NO RIO DE JANEIRO

Não costumamos reproduzir matérias neste espaço, mas, nesse caso, a exceção é por uma causa nobre - mostrar a excelência dos artistas camocinenses. Na quarta-feira, 04 estivemos na Hall da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará conferindo a Exposição "Olhares sobre Camocim" com os recentes trabalhos expostos pelos artistas camocinenses no Salão de Artes ocorrido em setembro em Camocim. Desta vez e a exposição de Dim Brinquedim no Museu Janete Costa em Niterói-RJ, que começou ontem, sábado, 07 e vai até março de 2014. Esta também vou conferir de perto no próximo final de semana. Abaixo a matéria do site do museu:

MUSEU JANETE COSTA
27/11/2013

Brinquedos artesanais no Museu Janete Costa



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O Museu Janete Costa de Arte Popular lança a exposição "Dim Brinquedim, homo ludens: brinquetú, brincamos nós!", com obras dos artistas plásticos Dim Brinquedim, Adalton Lopes e Antônio de Oliveira, no próximo dia 7 de dezembro, sábado, às 15h.

A mostra, que conta com o apoio do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural - INEPAC e do Museu Casa do Pontal, reúne brinquedos, esculturas, telas e objetos tridimensionais produzidos pelo artista cearense Dim Brinquedim, além de peças dos artistas Adalton Lopes, de São Gonçalo, e Antônio de Oliveira, de Minas Gerais, que têm o brinquedo como inspiração.

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Os brinquedos populares sempre estiveram presentes na vida de Dim Brinquedim, que saiu da infância, da adolescência, entrou na fase adulta e continuou brincando, criando bonecos e jogos infantis. Desde pequeno, sua mãe já o chamava de "Dim faz tudo". Na realidade, Antônio Jader, que hoje tem 45 anos, nunca deixou de criar. Tanto é verdade, que não repete os brinquedos que constrói, os "brinqueDim". Em cada um deles, sempre acrescenta algo de novo, de diferente.

Pai da Risa, uma atriz e escritora de 11 anos, e de Ud, de 7 anos, que também já faz brinquedos, o artista é o idealizador do Museu Brinquedim, em Pindoretama (Ceará), um espaço que recupera, através da arte, uma dimensão fundamental da condição humana: a capacidade de brincar, de jogar e de sorrir. O Museu, localizdo numa casa típica da região, edificada em 1970, em um espaço rodeado de cajueiros e outras espécies nativas, abriga um acervo de centenas de obras, criadas ao longo de 40 anos.

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De acordo com o curador do Museu Janete Costa, o professor Wallace De Deus, a arte de Dim lembra alguns dos ícones da arte popular fluminense, como Adalton Fernandes Lopes, cuja obra está espalhada em vários museus nacionais. No entanto, seu trabalho não deve ser confundido com uma 'brinquedoteca', como adverte, mas sim como uma 'arte inspirada nos brinquedos e jogos populares'.

O conceito de Homo Ludens foi desenvolvido pelo historiador e filósofo holandês, Johan Huizinga (1872-1945) que, em seu livro clássico de 1938, argumentava que "o jogo está na gênese do pensamento e da descoberta de si mesmo, da possibilidade de experimentar, de criar e de transformar o mundo, onde se apresenta justamente o lúdico". Para ele, a ideia de jogo é central para a civilização e este, conceitualmente, não diverge da brincadeira. Em sua teoria, ao contrário do que muitas pessoas imaginam, "brincar" é coisa muito séria e necessária, além de ser um direito de todos.

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[...]
A exposição "Dim Brinquedim, homo ludens: brinquetú, brincamos nós!" pode ser visitada até o dia 31 de março de 2014, sempre de terça a domingo, das 10h às 18h. Entrada franca. Aos sábados, serão realizadas oficinas de brinquedo, contação de histórias e visitas mediadas, promovidas pelo setor educativo do Museu. Informações: 2705-3929.


Serviço

"Dim Brinquedim, homo ludens: brinquetú, brincamos nós!"

Exposição de brinquedos, esculturas, telas e objetos tridimensionais produzidos pelo artista cearense Dim Brinquedim, além de peças dos artistas Adalton Lopes, de São Gonçalo, e Antônio de Oliveira, de Minas Gerais

Abertura: 07 de dezembro (sábado), às 15h
Em cartaz: De 07 de dezembro a 31 de março de 2014
Horário de visitação: De terça a domingo, das 10h às 18h
Entrada franca

Local: Museu Janete Costa de Arte Popular
Endereço: Rua Presidente Domiciano, 178-182, Ingá, Niterói-RJ

Informações: (21) 2705-3929

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O CHEIRO DE CAJU DE CAMOCIM


Fonte: camocimonline
Toda vez que adentro na cidade, principalmente nos "beerreobrós", me vem à mente a memória olfativa do cheiro de caju. Isso mesmo, a cidade pode ser percebida também pelos seus cheiros. Em Camocim, o da maresia se sobressai por sua condição litorânea, mas, difícil esquecer o cheiro agridoce de caju que impregnava a entrada da cidade, desde muito antes do Bairro da Tijuca e terminava na Fábrica de Castanha (atual Democrata).
No entanto, as constantes safras ruins do produto ocasionadas por invernos irregulares vêm diminuindo para mim a sensação olfativa de que falei antes. Além disso, creio que a economia da cidade também sofre, posto que, a castanha do caju é um de seus pilares. Não à toa, o caju (pedúnculo e castanha) está na nossa bandeira. Poderia até estar no nosso hino! Contudo, nos tempos dos festivais, numa canção intitulada “Camocim-Ceará”, cantada pelo Naldinho num ritmo “country”, escrevi: Camocim/ Claro céu cristal/ Coqueiros cacheados/ Cajueiros copados.
Pois é, os cajueiros copados de cajus, cada vez mais fica difícil de se ver, de colhê-los dos galhos fora da cerca, de brincar com castanhas. Isso mesmo, a temporada dos cajus animava muito as brincadeiras infantis, cujas castanhas era uma espécie de moeda de troca. Quase tudo era disputado com castanha, além do velho jogo de calçada onde se colocava uma castanha avantajada no pé da parede e, da beira da calçada os participantes do jogo impulsionavam outras castanhas com os dedos tentando acertar o alvo, vencendo quem derrubasse primeiro a grande castanha.

Caju e Castanha é até nome de dupla de emboladores. Contudo, a dupla imbatível de cheiros continua na minha memória - a do caju que impregnava a entrada da cidade e a da castanha assada no quintal, em cima de um pedaço de flandres, do fogo apagado com areia. E você, que memória tem desses tempos?!

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

UMA REFORMA NA IGREJA MATRIZ DE CAMOCIM

Interessante como um simples documento pode nos informar muito sobre a história de nossa cidade. Pessoas, lugares, objetos, comportamentos e outros aspectos podem ser lidos direta e indiretamente. Neste sentido farei a transcrição de um destes documentos para que o leitor possa fazer suas apropriações. Trata-se de um registro no 3º Livro de Tombo da Paróquia de Bom Jesus dos Navegantes, p.35, que trata sobre uma campanha feita pelo Lions Club de Camocim para angariar recursos para a reforma do teto da Igreja Matriz em 1976, portanto, há 37 anos atrás: 
Matriz de Bom Jesus dos Navegantes. Camocim-CE. Foto: arquivo do blog.

[...] Esta reforma se deve às ajudas e colaboração valiosíssima da Sociedade Lions Club de Camocim que mediante bingos e rifas de objetos preciosos, ofertados por diversas firmas locais deu a quantia de 43.000 (quarenta e três mil cruzeiros) sendo 5.000 para o conserto do Relógio da referida Matriz.
Os objetos ofertados foram os seguintes:
1º) Uma máquina de costura - ofertada por José Siebra.
2º) 1 Geladeira Consul, pela Delmar Produtos do Mar.
3º) 1 Rádio Semp por Francisco Soares Romão.
4º) 1 Fogão Jangada por José Ximenes Soares.
5º) 1 Garrote por Dr. Francisco Edson Xerex Martins (médico).
6º) 1 Radiola Filipis (sic!) 503 - pela Capitania dos Portos de Camocim.
7º) 1 Bicicleta Monark pela Companhia da Polícia Militar.
8º) 1 Liquidificador Walita - pela Janasa.
9º) Os cartões de bingo, digo para o bingo - por Raimundo Aragão.
Seria, por certo, uma grande lacuna, não ser registrada esta campanha em favor da Matriz, provida pelo esforço e dedicação do Lions Club de Camocim.

Espera-se os comentários!

domingo, 24 de novembro de 2013

IVAN PEREIRA DE CARVALHO - O PRIMEIRO PADRE FILHO DE CAMOCIM

Se vivo fosse, no próximo 03 de dezembro de 2013, IVAN PEREIRA DE CARVALHO completaria 80 anos de ordenação sacerdotal. Segundo o 2º Livro de Tombo da Paróquia de Bom Jesus dos Navegantes (1931-1961),, o mesmo foi ordenado a "3 de dezembro do corrente anno de 1933, celebrou a sua primeira missa cantada nessa parochia a 8 do mesmo mez". Como uma vez padre, sempre padre, seria importante que se lembrasse desse camocinense que se constituiu no "primeiro sacerdote filho de Camocim" conforme nos diz o documento. Embora que para a grande maioria dos camocinenses vivos, a  lembrança do Professor Ivan tenha sido como educador, à frente do antigo Colégio Estadual Padre Anchieta, o Padre Ivan  filho de Luciano Pereira da Luz e Amélia de Carvalho Pereira, nascido na Rua 24 de maio no dia 08/11/1909, teve também uma trajetória muito interessante. Senão Vejamos: 

[...] Em 1924 ingressou no Seminário da Prainha, em Fortaleza, onde cursou o segundo e o terceiro anos ginasiais. Em 1925, foi transferido para o Seminário de Sobral onde cursou o quarto e quinto ano ginasiais. Terminado o primeiro grau, voltou a estudar em Fortaleza em 1927, onde cursou o primeiro e o segundo anos de Filosofia no Seminário da Prainha. Nos anos de 1929, 30, 31, 32 e 33, cursou Teologia Moral e Dogmática. Em 03 de dezembro de 1933, recebeu as Ordens de Presbítero das mãos de D. José Tupinambá da Frota, na Igreja Catedral da cidade de Sobral.-CE. Em 1934, aos 26 anos, foi nomeado vigário e assumiu a Paróquia de Palmas, hoje Coreaú, onde permaneceu como Ministro da Igreja até janeiro de 1942, quando mudou-se para Sobral para exercer as funções isde vice-diretor e vice-prefeito de disciplina do Colégio Sobarlense a convite do Bispo de Sobral, D. José Tupinambá e do diretor do Colégio Sobralense, Monsenhor Aloizio Pinto.
[...] No decorrer da formação histórica da Educação de Camocim, mais precisamente em julho de 1968, Padre Ivan decidiu renunciar aos votos religiosos fazendo o pedido de dispensa dos votos à Santa Sé e ainda movido pelo amor, resolveu desposar Terezinha Lira, moça prendada, de família tradicional de Camocim, que lhe deu cinco (05) filhos: Ivânia, Jeovane, Francisco, Luciano e Juliana.(Fonte: O Literário, Ano I, volume 2, edição 10, junho de 1999. Camocim-CE, p.1.)

Ao historiador cabe lembrar quando todos se esquecem.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O TRANSPORTE MARÍTIMO EM CAMOCIM

Foto: Vapor Camocim. Arquivo do blog.

Um leitor do blog nos pergunta sobre o transporte de pessoas em barcos e navios para Belém na década de 1950. Com efeito, os jornais do final do século XIX e das primeiras décadas do século XX de todo o Brasil, são pródigos em anunciar os trajetos e horários destas embarcações em suas páginas. Não sabemos dizer se efetivamente houve linhas marítimas só de passageiros, mas, combinando-se cargas com pessoas, as  companhias faziam este transporte regularmente. Nestes mesmos jornais, em colunas específicas, era comum se noticiar a chegada e partida de pessoas, notadamente de autoridades que visitavam as redações dos periódicos para oferecer-se a registro e mostrar distinção dos demais pobres mortais, com seu nome no jornal mostrando o que veio fazer naquele lugar de passagem: negócios ou passeios. Ecos do culto às “celebridades” de outrora!
Desta forma, o Porto de Camocim era um ponto de convergência para quem queria viajar para a capital Fortaleza, outros estados da federação ou mesmo outros países, já que o porto era contemplado com roteiros para o continente americano e europeu, principalmente. No entanto, nos momentos de secas e guerras, o porto servia como base de transporte de levas de emigrantes da região para outras partes do país.
Ainda no século XIX, por exemplo, o jornal A Federação, órgão do Partido Republicano Federal editado em Manaus, na edição de 14 de dezembro de 1898, Nº 282, traz um relatório desse transporte para aquele ano, que nestes tempos de guerra ou seca era custeado pelo governo. Vejamos (respeitando a grafia da época):
 
PELOS ESTADOS: De janeiro a outubro sahiram pelo Porto de Camocim com destino ao norte, 3.795 pessoas a saber. 
Nos navios da Companhia Maranhense - 2.099
Nos da Companhia Pernambucana –       1.232
Em diversos vapores -                               414
Total                                                      3.795
 
Portanto, quando o transporte marítimo era nossa principal via de comunicação, o Porto de Camocim tinha relevância no cenário nacional.       

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

PORTAL "BRASIL NUNCA MAIS" TRAZ DOCUMENTOS SOBRE COMUNISTAS DE CAMOCIM

A cada dia a pesquisa sobre os Anos de Chumbo da História do Brasil fica mais fácil com a digitalização de documentos. Neste sentido o Portal Brasil Nunca Mais agora disponibiliza mais de 900 mil páginas online para consultas e pesquisas. Os documentos foram sendo reunidos desde 1979, quando um "grupo formado por religiosos e advogados deu início ao ambicioso projeto de obter informações e evidências de violações de direitos humanos praticadas por agentes da repressão durante a ditadura militar no Brasil" (RHBN, p.15). O projeto rendeu anteriormente um livro denúncia com o mesmo nome: "Brasil: nunca mais", onde podemos conferir os depoimentos de torturados, entre eles o de João Farias de Souza, o "Caboclinho Farias". Numa rápida olhada no portal podemos perceber cerca de 39 ocorrências relacionadas aos comunistas de Camocim, dentre eles, João Ricardo, acusado de distribuir propaganda subversiva. A maioria da documentação digitalizada pelo portal é constituída de papéis produzidos pela polícia política, o que vale a advertência de que as declarações contidas nestes documentos não constitui a verdade, posto que conseguidas em sua grande maioria sob tortura. O endereço do portal é: bnmdigital.mpf.mp.br/.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

PARA AS CRIANÇAS DE CAMOCIM

Foto: Crianças de CAMOCIM. Arquivo do Blog

Uma das certezas que temos quando somos adultos é que fomos crianças. Muito do nosso caráter é forjado na infância e, sem dúvida, um adulto do bem carrega sempre uma criança dentro de si. Claro que não basta colocar no seu perfil das redes sociais uma foto de quando era criança. Não basta ter comprado o presentinho para seu filho, afilhado ou criança carente. A criança que existe dentro de nós, imagino, tem que ser vivenciada cotidianamente nas nossas ações, mostrada pelo desapego às coisas materiais, no pleno entendimento das diferenças, no compartilhamento do lúdico, enfim, nas demonstrações de afeto sem cobranças. Neste ponto fico a pensar o que estamos fazendo com nossas crianças: muito do que falta ou do que excede para elas, dadas ou furtadas pelos pais, tutores ou políticos, formarão os adultos do amanhã. 
Quantas vezes, não falta um simples brinquedo ou carinho. Outras tantas, se rouba a infância delas enchendo-as com mimos tecnológicos e outros produtos da modernidade, ou se nega o básico para sua sobrevivência, desnaturalizando-as, transformando-as em seres incapazes na vida adulta. Não era nossa intenção psicologizar esse momento, nossa função aqui nesse espaço é outra: historicizar. Neste sentido, não há como não lembrar do nosso Parque Infantil que ficava ao lado da Igreja Matriz, na frente do CEJA João Ramos, com uma boa variedade de brinquedos e que fazia a festa das crianças e dos pais que levavam seus filhos no passeio dominical típico de cidade de interior: ir à missa e passear com seus filhos. 
Pelo menos duas vezes ao ano essa rotina era quebrada com a chegada do Parque de Diversões Ibiapaba com seus brinquedos coloridos: espalha brasa, os botes, as patinhas, os cavalinhos, os carrinhos e o créme de la créme do parque: a roda-gigante (não tão gigante como as de hoje!). Como podemos perceber, para fazer uma criança feliz não precisamos levá-las à Disneylândia. Desta forma, parabéns para quem teve a ideia de reviver um pouco do nosso antigo parque infantil com os brinquedos típicos dessa época naquele pequeno espaço defronte da Estação Ferroviária, início da Avenida Beira-Mar.Vê-las em profusão com a algazarra própria delas experimentando os brinquedos, trouxe o passado de volta, o passado que insiste em ser presente quando queremos reviver a criança que existe dentro de nós.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

SOBRE CAMOCIM... ERRATA E DESCULPAS!


 
Autores do livro: Professores Carlos Augusto, Francisco Rocha e Carlos Manuel. Fonte: blog miolo de pote.
O trabalho de escrever um livro só o sabe quem já fez um. São madrugadas varadas na pesquisa, outras tantas na escrita, idas e vindas na gráfica, correções, etc. No entanto, quase sempre escapam erros na edição final. Os leitores, é claro, não querem saber disso, afinal, quando adquirem um livro para ler, esperam um produto bem acabado e sem falhas. Escrever um livro de história, no entanto, é mais difícil ainda, pois mexe com o passado das pessoas, com as emoções, com as trajetórias de vida. Para exemplificar, quando mencionamos um nome ou a profissão de uma pessoa, muitas vezes como complemento de uma informação pode suscitar na família aquela sensação de que o mesmo não foi bem descrito. Ora, mas ele não era o objeto de pesquisa, diríamos. No entanto, muitos não entenderão. Desta forma, este texto deve ser compreendido como uma errata, com as devidas desculpas dos autores.
Começamos pela orelha da contracapa na identificação dos autores. Na minha descrição, a palavra "pela" está duplicada dificultando um pouco o entendimento. Na dedicatória, o nome do Seu Nilo veio grafado errado: "Silva" em vez de Oliveira. Confesso que na última hora me surgiu a dúvida, posto que o nome de seu pai é Pedro Teixeira de Oliveira. Como não tinha tempo hábil de consultar a família, recorri ao blog Portal da Esquerda (AQUI) num réquiem escrito pelo companheiro Joan Edesson de Oliveira, onde estava escrito Nilo Cordeiro da Silva. Erro imperdoável no qual embarcamos juntos. Felizmente todo Camocim sabe de quem se trata e não existe outro "Seu Nilo" comunista e a nossa dedicatória a ele imagino ser mais importante. Na página 71, há um erro de concordância verbal: onde se lê: "a primazia de ser narradas por um dos personagens que fazem uma viagem à próspera cidade litorânea de Camocim", leia-se:  "a primazia de serem narradas por um dos personagens que faz uma viagem à próspera cidade litorânea de Camocim". 
Por fim, os erros seguintes decorreram mais da transcrição de entrevistas. Na página 110, a grafia correta do Circo Freketi, após uma pesquisa básica é Circo Fekete. Já na página 135, a grafia correta do cantor romântico "Luisito James" é sem dúvida alguma Luizito Gemma. Com certeza o amigo leitor encontrará outros erros e, chegando até nós, retificaremos numa próxima oportunidade. Obrigado pela leitura atenta!

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

SABÃO "MADE IN" CAMOCIM.

Fonte: ibamendes.com
Cinco meses antes de presidir a fundação da Augusta Respeitável e Benemérita Loja Simbólica DEUS E CAMOCIM N° 1, a propaganda dos produtos da fábrica do italiano João Baptista Gizzi já estampava os jornais de Sobral, especialmente do "Sabão Magestade", em pequenos espaços e com linguagem criativa. No jornal "A Lucta", de 25 de fevereiro de 1920, anunciava-se: 

Sabão! Sabão! 

Experimentae sabão
MAGESTADE
De GIZZI & COMP. CAMOCIM.

Em outro espaço, mais uma chamada!
NOVIDADES
Experimentae o sabão
MAGESTADE
Agente nesta cidade NICOLAU & CARNEIRO.

No mesmo número, a empresa anuncia através de seu representante comercial em Sobral acima referido o Sabão Londres em tablets, como uma homenagem às "Senhoritas Sobralenses". A concorrência também estava presente, mostrando que a indústria e o comércio de sabão era um bom  investimento naquela época. Também eram anunciados no mesmo número do jornal os sabões Aristolino e Econômico, fabricados no Rio de Janeiro e Fortaleza, respectivamente. Deste modo, um produto "made in" Camocim como o Sabão Magestade já limpou muita sujeira no passado.

AGRADECIMENTOS AOS CAMOCINENSES!

 Fonte: camocimonline.
Mais um setembro se foi! Como há dois anos atrás, fizemos mais uma série SETEMBRO CAMOCIM, que já vem se tornando tradição no blog no sentido de mostrar fatos de nossa história e subsidiar pesquisas escolares. Intentamos no futuro transformar estas postagens num instrumento didático, mas, espero que os professores estejam fazendo bom uso delas, juntamente com seus alunos, o que, de alguma forma pode ser percebido pelas visitas durante o referido mês: de 49 mil visitas pulamos para 52 mil acessos. Se metade disso tiver sido no âmbito escolar, já nos damos por satisfeitos. Aprendemos muito neste mês. A pesquisa incessante e as conversas com populares e intelectuais da cidade nos momentos em que estivemos lançando o livro "Sobre Camocim: política, trabalho e cotidiano", nos trouxe muitas ideias e projetos. Continuaremos sempre nessa trajetória, posto que a História não para.

FOTO: "CUMPLICIDADE". Robervaldo Monteiro. Vencedor da categoria fotografia. XXV Salão de Artes de Camocim. 2013.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

III SC 14 - ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA DERRUBA PRÉDIOS HISTÓRICOS EM CAMOCIM




Empresa de Algodão Ltda. Fonte: arquivo do blog.
Primeiro foi a casa do comerciante João da Silva Ramos. Depois na mesma rua, a antiga Casa da Cultura, esquina com a Rádio União. E assim vai: uma casa aqui outra ali no entorno do primeiro núcleo histórico de Camocim e pouco a pouco os exemplares arquitetônicos do início do século XX, vão tombando em favor da especulação imobiliária. Desta vez, o antigo Hotel da Ambrosina e a Mercearia Serrote (que outrora foi sede de um banco) estão vindo abaixo. Tal qual o ”Mato Grosso e o Joca” da música, por alguns minutos fiquei a testemunhar um operário com sua marreta, pôr tijolos ao chão. 
Já falei em alguns outros espaços e neste blog, sobre a importância de se preservar estes monumentos. O Município tem meios para isso e não precisa ficar esperando a ação do IPHAN. Em Camocim, enquanto prédios, só temos a Estação Ferroviária tombada pela patrimônio estadual e mesmo assim já foram feitas  intervenções internas que beiram o ridículo. No próprio Código de Posturas e no Plano Diretor existem a possibilidade de se criar um conselho municipal onde pessoas de conhecimento sobre a questão podem definir áreas a serem preservadas. Qual a motivação de não se fazer isso? Talvez seja a falta da tal “vontade política”, ou mesmo desinformação. Outro dia conversando com a arquiteta Silvana Valente ela me falou de sua luta junto aos gestores quando fez parte da administração municipal, para que esse conselho fosse efetivado.  Preservar não é engessar o espaço; é dar-lhe um novo uso recuperando a história passada. Fico imaginando o quanto não seria interessante se este entorno pudesse ser apropriado para se criar equipamentos de cultura, entretenimento e lazer. A Empresa de Algodão (foto) poderia ser um cine-teatro, os armazéns em volta poderiam se transformar em restaurante-escola, um museu. A Casa dos Engenheiros que já é a sede da Academia Camocinense de Artes e Letras (ACCAL), poderia incorporar um Café Literário e uma livraria, enfim, equipamentos que dinamizariam a vida cultural da cidade em consonância com a atividade turística. Ideias não faltam... o que falta é esta tal vontade! São nossos sonhos... enquanto não podemos ter outra coisa!

terça-feira, 24 de setembro de 2013

III SC 13 - ESTUDANTES E PROFESSORES DO LICEU DE CAMOCIM REVIVEM FESTIVAL DE MÚSICA

Logomarca do evento. Fonte: http://liceucamocim.blogspot.com.br
 
Muito me honrou o convite dos alunos e professores do Liceu de Camocim Deputado Murilo Aguiar para comparecer ao "I FESTIVAL DE MÚSICA DO LICEU DE CAMOCIM. Revivendo a História, Renovando Talentos". O mesmo ocorrerá hoje, 24 de setembro às 19h no pátio desta unidade escolar. Na oportunidade haverá apresentação dos nossos jovens talentos e premiação para os ganhadores. Além deste evento, alunos e professores estão produzindo um documentário sobre as memórias dos festivais de outrora, para o qual fui entrevistado recentemente. Louvamos a iniciativa deste grupo, pois alia as recordações dos antigos festivais com a musicalidade dos jovens talentos do Liceu. Acreditamos que com isso se possa recuperar este importante evento para o calendário turístico de Camocim e  promover a descoberta de grandes talentos para a música local. Abaixo, apresentamos a logomarca do VIII Festival de Música em Camocim.
Fonte: Arquivo do blog.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

III SC - 12 . MINISTRO NEGA ISENÇÃO PARA FÁBRICA DE ALGODÃO EM CAMOCIM

Jornal "O GLOBO".

As primeiras décadas do século XX foram de alguma prosperidade para o Ceará na atividade cotonicultora. Com efeito, esse "boom" algodoeiro propiciou a fortuna de muita gente e possibilitou a inserção cearense na indústria têxtil. Por este tempo a Fábrica de Tecidos Ernesto Deocleciano em Sobral produzia tecidos para exportação e o Porto de Camocim tinha um posto de classificação da fibra que foi chamada de "ouro branco". Por outro lado, a exploração de qualquer atividade empresarial sempre esteve ligada à regulamentação do Estado, seja ele próprio isentando impostos no sentido de promover setores produtores, ou das empresas atrás de benesses para aumentar seus lucros. Não sabemos em quais destes aspectos se inseriu o que passamos a relatar, mas, o certo é que a Empresa de Algodão Limitada de  Camocim tentou a isenção dos impostos de uma "prensa hydraulica de algodão" junto ao Ministério da Fazenda, através da Federação de Associações Comerciaes (grafia da época)Na nota no jornal "O Globo" do Rio de Janeiro de 04 de dezembro de 1929(foto), o Ministro nega o pleito ao 1º Secretário da referida federação, alegando "falta de apoio legal" para tal pedido. À época, a Empresa de Algodão Limitada era "consignada à S. A. White Martins, de Recife". Neste sentido podemos perceber na pequena nota as relações comerciais de Camocim com Pernambuco além da relação íntima do comércio camocinense, representada pela Associação Comercial local e sua representação nacional junto à Federação das Associações Comerciais, no Rio de Janeiro.

Fonte:Jornal "O GLOBO". Anno V. Nº 1577. 14. 04/12/1929. Edição das 19 horas.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

III SC 11 - PROFESSORES DE CAMOCIM LANÇAM LIVRO NOS 134 ANOS DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA

Capa do livro: Fonte: Arquivo do blog.


Com a sensação do dever cumprido, de um filho ter parido (juntamente com outros dois professores), finalmente, depois de meses de trabalho, desde a concepção do projeto até agora, apresentamos o resultado do nosso esforço de pesquisa em forma de livro de autoria coletiva. Segue abaixo a sinopse:

SINOPSE:
Título: Sobre Camocim: política, trabalho e cotidiano.
Autores: Carlos Augusto Pereira dos Santos, Carlos Manuel do Nascimento e Francisco Rocha Pereira.
Editora: Edições Universitárias. Universidade Estadual  Vale do Acaraú.
Cidade:  Sobral-CE.
Ano: 2013.
Nº de páginas: 160
Tiragem: 1000 exemplares.
Preço: R$ 15,00


Resumo: O livro é constituído de três capítulos: No primeiro, “Perfis Comunistas”, o Prof. Carlos Augusto Pereira dos Santos reúne artigos publicados nos jornais de Camocim, Sobral e Fortaleza quando pesquisava sobre a militância comunista em Camocim, que resultou em sua dissertação de mestrado, além de textos e documentos inéditos. O segundo capítulo, O Cotidiano dos Trabalhadores do Porto de Camocim (1977 – 1985)”, e o terceiro:  “A Cidade nas Ondas do Rádio - Memórias e Histórias dos Serviços de Alto-Falantes de Camocim” são resultados de pesquisas sobre Camocim defendidas em monografias no Curso de História da UVA, pelos professores Francisco Rocha Pereira e Carlos Manuel do Nascimento, respectivamente.

Lançamentos:
Dia 20 de setembro às 19h: UVA/CCH. Campus do Junco. Sobral-CE.
Dia 21 de setembro às 19h: Associação Comercial. Camocim-CE (Os Autores)
Dia 27 de setembro às 20h: Boa Vista Resort. Camocim-CE (Programação Oficial da Semana do Município/PMC).

III SC 10 - O BAIRRO DA BOA ESPERANÇA EM CAMOCIM

E.E.M. Monsenhor José Augusto. Antigo Colégio Novo.
Se existe um bairro em Camocim que se identifica com seu nome e sua história, este é o Bairro da Boa Esperança, hoje, sem dúvida, o mais populoso de nossa cidade. No final dos anos setenta do século passado nada mais era do que uma gleba de terra que começava numa estrada de piçarra e ia até às imediações do Lago Seco. Na beira da estrada ficava o Campo da Catingueira (alusão a um arbusto da nossa caatinga) onde se disputava partidas de futebol aos domingos. Lembro ainda de um destes jogos que meu pai me levou a assistir. Naquele tempo ainda se podia vislumbrar grandes áreas de terra que ainda não tinham sido incorporadas à urbanização recente que a cidade experimentava. Com visão de futuro o proprietário deste terreno fez a lógica inversa da especulação imobiliária e, de uma só vez resolveu alguns problemas que Camocim enfrentava naquele momento.
Primeiro fez a doação para o Instituto São José que enfrentava problemas financeiros com sérias ameaças de fechamento. As Irmãs Capuchinhas lotearam toda a área e puderam soerguer o tradicional estabelecimento de ensino da cidade. Com a venda dos lotes a preços razoáveis e parcelados surgiram as primeiras casas do bairro, visto que, havia uma grande demanda de pessoas vindas do interior do município e de cidades vizinhas (base da população do bairro) em busca de novos ares. Portanto, nisso vemos a relação com o nome dado – uma nova esperança para as pessoas que aqui chegavam e buscavam uma nova vida. Esperança também para o ISJ que pode se consolidar como equipamento educacional. 
No entanto, a ação do proprietário, Coronel Libório Gomes da Silva ainda teria repercussões na área educacional ao doar parte deste terreno para a fundação do Colégio Estadual Monsenhor José Augusto da Silva, (foto) por muito tempo e ainda hoje chamado de Colégio Novo no local onde ficava o Campo da Catingueira. Com isso, o Governo do Estado pode instalar em Camocim uma escola pública, proporcionando esperança para os filhos dos moradores da área em busca de uma educação gratuita, e que até hoje presta serviços à nossa comunidade. 
Coronel Libório não é lembrado pela nomenclatura das ruas do bairro. E nas escolas referidas? 


P.S. Publicado inicialmente no Camocim Online.

Foto: profissionaldasalainformatica.blogspot.com 

domingo, 15 de setembro de 2013

III SC 09 - AS ANTIGAS CACIMBAS DE CAMOCIM

Cacimba. Fonte: daylawell.blogspot.com
Não sou tão velho assim, mas as cacimbas até bem pouco tempo atrás faziam parte do nosso cotidiano. Para sempre se perderam as conversas e outros tipos de relações que esses encontros no pé da cacimba proporcionava. Com a modernidade e com as novas exigências no campo da saúde e da higiene, ter água tratada por um sistema de abastecimento passou a ser imperativo para cidades do porte de Camocim. Com a chegada da água encanada, as cacimbas foram perdendo espaço nos quintais das casas, sendo demolidas e aterradas, à medida que as casas iam adquirindo o serviço do SAAEMinha primeira relação com uma delas foi a que existia na casa do Sr. José Guilherme (pai dos amigos Olivar e Ozenard). A boca era tão alta que eu, garoto de sete, oito anos de idade, tinha que ficar nas pontas dos pés para alcançar o balde. Depois mudamos para a Rua 24 de Maio (Rua do Egito). Na casa que meu pai comprara tinha uma cacimba menor, que no inverno de 1974 encheu até à boca, jorrando água para fora. Nessa cacimba tinha uma bomba manual que facilitava o serviço de tirar água. Nos invernos "fracos", lembro que foi a cacimba do Sr. Mário Monteiro, na General Tibúrcio que salvou muita gente das redondezas. Se retrocedermos na história, as cacimbas tiveram importância capital para aliviar os rigores das secas. Teve uma "cacimba do padre", que os registros dizem ter sido localizada por detrás da Igreja Matriz. Na Praça Pinto Martins, uma cacimba servia a quem se utilizava do Mercado Público e era um dos poucos bens que a municipalidade registrava no final do século XIX.  Acho que ainda hoje ela deve estar camuflada entre os quiosques da referida praça. No pátio da Estação Ferroviária um grande cacimbão quase em frente da nossa casa da Rua do Egito, era o local preferido dos jovens das ruas próximas todas as tardes, que escalavam a grande boca e pulavam de cabeça desafiando o perigo que representava os trilhos jogados lá dentro, segundo diziam. Com o tempo, animais mortos e lixo foram sendo jogados nesse local tornando impraticável esse divertimento. Contudo, lembro que um jovem desavisado, empolgado com as peripécias do amor, achou de namorar justamente na boca desse cacimbão e, não se sabe como, acabou caindo nele com a jovem parceira a tiracolo. Foram socorridos pelos moradores em plena madrugada.  A partir daí passou a ser chamado de outra forma, carregando para sempre o "Cacimba" no nome. Com a ajuda de leitores do Camocim Online registramos ainda a antiga Cacimba da Prefeitura "onde toda manhã os detentos faziam suas faxinas na limpeza das celas e onde depois do jogo no campo ao lado do prédio da Prefeitura, a gente ia se refrescar, tomando banho, quando o pai do Chico Pedim, deixava "Seu Pedrinho"", diz-nos o leitor Serrote. Já o Programa Última Trombeta recorda de: "Uma das cacimbas mais conhecidas e que mais serviu o povo de Camocim, com água de boa qualidade, foi a da dona Paty (Vila Paty - travessa rua da República). Os irmãos Jairo (gago) e Jonas vendiam a água dessa cacimba em "ancoretas" (pequenos barris de madeira), transportada em lombo de jumento. Era como beber água mineral. O gago gritava: "olha a ácua boa, pessoal"! E para fechar o professor Olivando Almeida registra:"Na Rua Quintino Bocaiúva, no bairro do Cruzeiro, tinha uma cacimba bem no meio da rua, onde muita gente ia pegar água. Inclusive, a dona Alzira, uma senhora que passava a madrugada pegando água para lavar roupas. Alguns moradores dizem, que de vez em quando, na calada da noite, se ouve o ringido do carretel. Será visagem? E você, tema a sua cacimba na mente?

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

III SC 08 - A VOCAÇÃO NAVAL DE CAMOCIM

Navio "Camocim". Fonte:solariseditora.com.br
Com as recentes notícias de que há uma possibilidade de instalação de um estaleiro naval em Camocim com capital russo ou mesmo da intenção de Nelson Piquet também de criar um empreendimento da mesma natureza, há que se buscar na história algumas coincidências que puseram o nome de Camocim em evidência. Não à toa, em 1937, a Marinha Brasileira, através do seu Ministro Aristides Guilhem e do Presidente da República Getúlio Vargas orgulhavam-se de dotar a Armada brasileira de mais um navio mineiro, o terceiro, denominado "Camocim". Com efeito, o jornal "O Globo" de 11 de dezembro de 1937 estampava em primeira página: "PARA O BRASIL - UMA ESQUADRA CONSTRUÍDA PELOS BRASILEIROS". Em tipos menores e abaixo da manchete os dizeres: "Reaffirmaram-se hoje as grandes possibilidades no dominio das construcções navaes com o batimento da quilha do 'Camocim'".
Não somente pela coincidência histórica da utilização do nome Camocim como marco da indústria naval brasileira que realçamos a matéria do jornal carioca do século passado, mas também pela possibilidade de realmente um dia podermos noticiar que daqui de Camocim partem embarcações feitas pelas camocinenses, além de torcermos para que não seja mais uma promessa política em tempos pré-eleitorais.

Fonte: O Globo.11/12/1937.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

III SC 07 - O DEFESO DO CARANGUEJO EM CAMOCIM

Vendedor de caranguejo. Camocim. Foto: Arquivo do blog.
Se tem uma coisa que rima com Camocim é caranguejo. No entanto, cada vez mais eles estão se tornando mais raros e menores. Pude conferir isso domingo passado na Barraca da Valdete no outro lado. Para quem comeu caranguejos e siris enormes, corós carnudos e camarões corados, como uma vez escrevi numa canção, logo vem à mente a falta de uma política de preservação do nosso crustáceo. Não somente política, como também conscientização das pessoas que vivem desse comércio (dos que capturam e dos que vendem), assim como da população que consome. Os vendedores do mercado já ficam olhando diferente quando chego logo dizendo que não quero caranguejo fêmea na minha corda, assim como quando sento à mesa de uma barraca ou restaurante. Contudo, apesar de tudo isso, as ações de controle não são de hoje. Desde os anos 1970 que os órgãos de fiscalização do governo tentam contem a captura exagerada e fora do tempo das espécies marinhas, conforme atesta o oficio abaixo da Seção Regional da SUDEPE - Superintendência do Desenvolvimento da Pesca, endereçado ao Presidente da Associação Comercial de Camocim, procurando saber os métodos de captura, os tipos de caranguejo desta área litorânea. No entanto, estas ações, na maioria das vezes ficas apenas nas intenções e nada é feito. O atual defeso do caranguejo é respeitado em Camocim. Quem fiscaliza? Não é surreal, para não dizer catastrófico a falta de um contingente do IBAMA em Camocim para atuar nessa área e outras demandas dos ecossistemas locais? Enquanto isso, o nosso caranguejo vai diminuindo de tamanho rumo à extinção!   
Ofício Nº 205/70. Fonte: Associação Comercial de Camocim.

sábado, 7 de setembro de 2013

III SC 06 - OS DESFILES DE 7 DE SETEMBRO EM CAMOCIM

Desfile de 7 de Setembro. Escola General Campos. 1991. Arquivo do blog.

Eis que nessa fase de remexer o baú me deparo com esta foto em que apareço com alunos da Escola Municipal General Campos. No momento em que escrevo esta postagem o fundo musical são os tambores do desfile de 7 de setembro que acontecem neste ano na Rua Dr. João Thomé. As lembranças são inevitáveis e as mudanças também. Se antes, principalmente, no período da ditadura civil-militar de 1964, os desfiles tinham um sentido bem demarcado, tendo consequência, inclusive, no jeito de desfilar - os alunos das escolas eram treinados para um desfile militar, além da recorrência a fatos e episódios da História do Brasil, hoje, a Parada de Sete de Setembro, como também era chamada o desfile, é mais um desfilar diante das autoridades constituídas, sem muitas pompas, onde as escolas procuram mostrar mais seus projetos pedagógicos e ações de sucesso. Por outro lado, é também oportunidade da administração municipal de promover diante de todos seus feitos conseguidos. Como tudo nessa vida, o desfile também assume as cores do seu tempo! E por falar nisso, alguém já enfeitou hoje sua bicicleta em verde-amarelo, espontaneamente?

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

III SC 05 - A PESQUISA SOBRE O COMUNISMO EM CAMOCIM

"Historiador faz pesquisa sobre Partido Comunista em Camocim. Fonte: Tribuna do Ceará. 1998. Fortaleza.

Parece que foi ontem, mas já faz mais de quinze anos que iniciamos a pesquisa sobre a experiência ideológica dos militantes comunistas em Camocim. Começou com uma simples informação sobre o apelido que a cidade recebeu por conta dessa militância em Camocim, a "Cidade Vermelha". Daí em diante, com a possibilidade de iniciarmos uma carreira acadêmica, começamos por uma monografia num Curso de Especialização em Teoria da História, na UVA, depois veio o Mestrado em História Social na UFRJ/UFC e, finalmente com desdobramentos no  Doutorado na UFPE. Foram muitas horas, dias, meses e anos nos arquivos de Camocim, Fortaleza e Rio de Janeiro, escarafunchando documentos, lamentando a ausência de outros (principalmente dos produzidos pelo PCB), entrevistando pessoas (algumas morreram antes de conceder seu depoimento) além das orientações, da leitura de textos, livros e da solidão da escrita, afora as horas furtadas da família. Tudo isso, no entanto, foi compensado com a publicação da dissertação de mestrado e do reconhecimento dos conterrâneos e dos meus pares na academia em inúmeros eventos em que apresentamos os resultados dessas pesquisas. No final de setembro, apresentaremos parte destes textos publicados na imprensa local e alguns inéditos enfeixados em livro (Sobre Camocim. Política, trabalho e cotidiano), juntamente com outros trabalhos dos professores Carlos Manuel e Francisco Rocha. A foto acima marca o início dessa caminhada no ano de 1998, quando fomos entrevistados pelo então correspondente do jornal Tribuna do Ceará em Camocim, Denilson Siqueira.

III SC 04 - O VEREADOR SALINEIRO DE CAMOCIM

Câmara Municipal. Foto:camocimimparcial.blogspot.com

Com a profissionalização da política atualmente, fica até difícil imaginar um vereador vindo do povo, trabalhador das salinas, sem receber salários para comparecer às sessões e ainda ter que justificar suas faltas às mesmas. Pois  isto já aconteceu num tempo em que a Câmara Municipal de Camocim era composta por homens (e até uma mulher!) que, apesar de seus interesses próprios e convicções políticas partidárias, tinham alguma ideia do que era a noção de representar a população junto ao poder legislativo. A Sessão Ordinária de 17 de maio de 1963 nos dá bem um retrato de como era exercido os mandatos há cinquenta anos atrás. Abaixo transcrevemos um trecho da mesma em que o então vereador Luiz Damião de Oliveira (ainda vivo entre nós) demonstra a simplicidade do exercício do mandato, um simples salineiro, que posteriormente foi uma liderança dos portuários, envolvido na faina cotidiana do seu trabalho para prover a família e ainda tendo obrigações junto à Câmara. Leiamos?


14ª Sessão Ordinária –5ª Legislatura, 1º Período Legislativo. 17 de Maio de 1963.

(...)

Em seguida foi lido pelo Snr. Vereador Luiz Damião de Oliveira o Projeto de Lei Nº 5/63, de 10/5/63, de sua autoria, que “Autoriza o Chefe do Poder Executivo Municipal criar tornando feriado municipal todos os dias santificados, reconhecidos e respeitados pela Igreja Católica Apostólica Romana desta cidade”. Continuando justificou as suas faltas de comparecimento às sessões, isto,verificou-se quando o mesmo está trabalhando nas salinas em carregamento de vapores e não haver na ocasião das sessões transportes para tal fim.

Para termos um panorama da composição da Câmara naquela legislatura segue abaixo a relação:

1963Presidente – Amanajás Passos de Araújo

1964/1965Presidente – Antonio Marques de Almeida

1966Presidente – Luis Lopes Viana



VEREADORES:



Carlos Alberto Nóbrega

Gregório Francisco Alexandrino

João Oldernes Fiúza Lima

Luis Damião de Oliveira

Maria Carmelita Veras de Paula

Mauricio Lacerda Rêgo

Otavio de Santana

Raimundo Ferreira de Albuquerque

(Suplente) Joaquim Pereira de Brito

(Suplente) Valdemar Bessa

Prefeito: João Batista Aguiar

Vice: Setembrino Véras.

Fonte: Livro de Atas. Arquivo da Câmara Municipal de Camocim.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

III SC 03. RECORDAÇÕES DO FESTIVAL DE MÚSICA DE CAMOCIM

Letra da música "Camocim". 1991. Arquivo do blog
Remexendo nos meus arquivos eis que me deparo com a letra da música "Camocim", concorrente do Festival que acontecia na cidade no mês de setembro. Dizem até que o evento vai voltar. Tomara que seja verdade. O referido documento data de 08 de julho de 1991 e trata-se do registro da letra no Cartório André do 2º Ofício, como atesta a assinatura da saudosa tabeliã, Sra. Iolanda Gomes. A letra da música "Camocim" é de minha autoria e ela me veio à mente numa tarde quando eu, meu amigo Adeilson de Senador Sá (in memorian) e o Hélio, também daquela cidade, dedilhava um violão no antigo Restaurante Odus enquanto eu olhava "os mastros dos bastardos sem pano. Letra feita, apresentei-a ao grande músico camocinense Rildo Vilela, que infelizmente nos deixou e foi animar os bailes celestes. No VI Festival de Música de 1991, a música foi interpretada pela cantora Aparecida Silvino e acabou se classificando em 2º lugar. Abaixo a letra na íntegra, que na versão musicada sofreu algumas alterações. Infelizmente não temos o registro sonoro:

Camocim 


Letra: Carlos Augusto
Música: Rildo Vilela

I
E eu d'aqui
Olhando os mastros dos bastardos sem pano.
Mini-gigantes emergindo do mar
Como dedos do oceano.
II
Das Barreias ao Cais 
São tantos ais, que eu nem conto.
Em cada abraço apertado,
Extasiados, casais se encantam.
III
Na terra do sol,
CAMOCIM, pedaço de litoral.
Queremos ser terra do sal,
Mas com os mangues
Enverdecendo o arrebol.
IV
Alvejando o luar
Tuas dunas desnudas
Pedem vegetação.
Teus mangues emboras mudos
Gritam por preservação.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

III SC 02 - A RUA SANTOS DUMONT EM CAMOCIM E SEUS CODINOMES


Rua Santos Dumont. Camocim-CE. Fonte: googlemaps
A Rua Santos Dumont em Camocim, talvez seja a que tenha tido mais codinomes em toda sua extensão e história. Isso é muito interessante pois mostra que uma rua é viva e tem íntima relação com seus moradores e com os outros habitantes da cidade, conferindo-lhes uma certa identidade. Caso típico é esta rua que vamos comentar. Antes de receber o nome do "Pai da Aviação", era batizada de Rua da Aurora, como nos lembra o saudoso memorialista Artur Queirós: “... assistimos da calçada de nosso avô Joaquim Carneiro, à rua da Aurora, hoje trecho da rua Santos Dumont, ao insolente e tétrico fogaréu”. (Fonte: SPORT CLUB, In: QUEIRÓS, Artur. Recordações camocinenses e outras memórias. 2ª edição. Fortaleza: RBS Gráfica, 2003, p.40). 
Talvez por chamar-se Aurora, o referido trecho também ficou imortalizado como "Rua do Sol", denominação que até hoje é chamada romanticamente pelos mais velhos.
Seguindo na direção sul-norte temos o Apertada-hora, no cruzamento das Ruas Boa Vista (atual D.Pedro II) com Marechal Floriano. Mais uma vez Artur Queirós nos socorre na descrição: “Local macabro e desabitado, temido por causa das assombrações comentadas. Por ali apenas se passava de dia e, mesmo assim, arredio e desconfiado, com as pernas de sobreaviso para eventual carreira. Á noite, nem pensar. Era necessário um longo contorno por outras ruas, para se evitar o ‘Apertada-hora’,rumo ao centro”. (Fonte: LOBISOMENS E VISAGENS.In: QUEIRÓS, Artur. Recordações camocinenses e outras memórias. 2ª edição. Fortaleza: RBS Gráfica, 2003, p.47-8). 
Seguindo mais à frente, tínhamos a Rua do Macêdo, trecho de casas usadas por prostitutas no trecho que fica imediatamente atrás da Igreja de São Pedro. E a sua rua, tem outros nomes e codinomes?