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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

CAMOCIM NAS LEMBRANÇAS DE J. MACÊDO - PARTE II

J.Macêdo e o jornalista Glauco Carneiro conversando com pescadores. Camocim.1988.


Como dissemos na postagem anterior "... sua história de sucesso é contada e recontada em livros, reportagens e documentários". Uma delas é a biografia feita pelo jornalista cearense radicado no eixo Rio/São Paulo Glauco Carneiro, intitulada "J. Macêdo. Uma saga empresarial Brasileira" (1989). Uma outra biografia mais recente, saiu em 2010, "Parece que foi amanhã", mas dela falaremos depois. Instado pelo autor da biografia em realizar uma viagem sentimental à Camocim (1988), J. Macêdo percorre os caminhos da memória infantil e de aprendiz de comerciante assim descritos pelo autor: 

"... José Dias Macêdo reviu a casa onde nasceu, situada na esquina das ruas Independência e Bom Jesus onde hoje funciona uma escola que atende a 300 menores. A fachada, algo modificada em relação ao tempo de menino, não impede as recordações. Trata-se de uma daquelas residências típicas, antigas, com corredor central e aposentos nas laterais." (p.40).

Em outra passagem:

"Com a crise de 1929 a situação econômica de Camocim agravou-se e a firma de Manoel Dias Macêdo entrou em concordata, forçando-o a vender casa. A família, então, foi morar em imóvel alugado, enquanto o comércio transferiu-se para o mercado. E ali José participou com o pai em um novo tipo de negócio: aquisição e venda de peles de animais silvestres. Na época, havia muita oferta e procura de couros de cobra, gato maracajá, tijuassu, sapo. O menino, já quase rapazinho, acordava de madrugada e ia esperar os caboclos que se deslocavam até à sede do município, a cavalo ou jumento, e os acompanhava por algum tempo, indagando se levavam peles. Se isso acontecia, fazia-os parar, classificava os produtos e os adquiria em nome do pai, que depois enviava para Fortaleza, em revenda aos exportadores". (p.43).

No restante da obra, o autor descreve a trajetória comercial dos Macêdo até sua ascensão com capitão de indústria. Numa perspectiva linear, este tipo de escrito começa pelas lembranças de menino. este parece ser o lugar de Camocim nas memórias do ilustre biografado.




Fonte: In: CARNEIRO, Glauco. J. Macêdo. Uma saga empresarial Brasileira. São Paulo: Edicon. 1989, p .40-3.
Foto: Idem, p.37.

sábado, 6 de dezembro de 2014

CAMOCIM NAS LEMBRANÇAS DE J. MACEDO

José Dias Macêdo.
Fonte: coisadecearense.blogspot.com
Ele está entre os maiores empresários do país. Sua história de sucesso é contada e recontada em livros, reportagens e documentários. Já tratamos da sua trajetória politica aqui no blog na série PARLAMENTARES CAMOCINENSES. Mas, o que liga a história e a figura de José Dias Macedo (J. Macêdo) à Camocim além de ter sido seu lugar de nascimento? Há quem diga, que o mesmo fez ou faz muito pouco pela sua cidade natal. Não quero entrar nesse mérito, afinal de contas um empresário do seu porte aprendeu onde e como investir seu dinheiro. Lembro ainda do seu discurso de inauguração do Colégio Georgina Leitão Macêdo quando pedia desculpas aos vizinhos pelos transtornos que a obra tinha provocado. Como bom negociante fez uma rápida referência, entre o cômico e o irônico, sobre os preços que teve de pagar por umas casinhas para que o empreendimento escolar pudesse ter aquela estrutura. Para mim,  importante é o fato de o grande empresário não negar suas origens, escrevendo nossa cidade na história empresarial e industrial do país. Do alto dos seus 94 anos, pelo menos as lembranças da infância são imorredouras, como as relatadas ao jornalista João Soares Neto
"Embora eu morasse em uma casa simples e fosse um menino pobre, nunca senti essa pobreza porque sempre fui muito bem alimentado e contei com a convivência de uma família com muitos irmãos e tios. Contei também com pai e mãe muito empenhados com a formação dos filhos. Nasci em uma cidade praiana e na praia tem sempre o que comer. Tem também muito espaço para a gente se divertir. Costumávamos atravessar o rio Coreaú numa canoa à vela para ir tomar banho de água doce nas lagoas formadas entre as dunas. Existiam muitas lagoas. Como a gente tomava banho pelado, os meninos ficavam separados das meninas. Cada qual em uma lagoa. Na época de caju, a gente se reunia para chupar caju e assar castanha. Meu pai sempre levava a gente para passar as férias em um lugarzinho perto de Massapé, chamado Riachão, por onde passava a estrada de ferro, e ali a gente tinha contato com outras pessoas. Era muito bom. Camocim, comparado com Riachão, era uma cidade avançada, tinha porto e o trem estacionava dentro da própria gare. Era uma festa a espera do trem nos dias de domingo. Quer dizer, fui um menino pobre, mas com uma infância muito saudável."

Fonte entrevista: www.joaosoaresneto.com.br/entrevistas_dias_macedo.asp

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

SOBRE O "DIA DA CIDADE" DE CAMOCIM

Enseada dos Barcos. Camocim-CE. 2013. Foto: Vando Arcanjo.

                Comecei a me perguntar sobre o porquê de nossa cidade não ter o seu dia. Não, não estou falando do 29 de setembro que é o dia do município. Muitos lugares comemoram  esses dias distintamente, como por exemplo, a cidade de Fortaleza, a nossa capital. Poderíamos, portanto, comemorar o dia 17 de agosto, afinal de contas, o então distrito da Barra do Camocim foi elevado à categoria de cidade quase dez anos depois de ter se tornado município pela Lei Nº 2.162, de 17 de agosto de 1899, ano no qual, aliás, foi proclamada a República no Brasil.
            Nestes 115 anos de cidade temos uma história que nos é peculiar, feita por seus habitantes e quem chega nela, afinal de contas, a cidade nada mais é o que nós somos individual e coletivamente.  Camocim, portanto, já foi apelidada de “Pequena Moscou”, “Cidade Heroica”, “Moscouzinha” e “Cidade Vermelha” pela imprensa comunista dos anos 1940, denominações estas que evocam um passado denunciador de uma intensa atividade política dos trabalhadores no porto e na ferrovia.
            Se temos um belo hino que começa assim:Verdes mares bravios do norte/A lutar nesse eterno fragor,/Como vós nosso povo é tão forte,/Tão feroz, pertinaz, lutador.” (Trecho do Hino de Camocim. Letra e música: Prof. Francisco Valmir Rocha), poderíamos ter a canção da cidade, algo do tipo: Camocim,/ Claro céu cristal/ Coqueiros cacheados/ Cajueiros copados... (Camocim-Ceará: Música: Raimundo Arnaldo). Mas também poderíamos fazer um concurso para escolher tal canção.
            Enfim, fica a sugestão para termos mais uma data para o calendário turístico e uma oportunidade de mostrarmos nosso potencial cultural, como o que aconteceu no último sábado com a "Feira Pote de Saberes".



quarta-feira, 12 de novembro de 2014

POLÍTICA CULTURAL EM CAMOCIM. QUANDO TEREMOS?

Boi de Camocim: Fonte: Foto Claúdia.

 
            De quando em vez vejo comentários nas redes sociais sobre a falta de uma política cultural em nosso município. As ações quase sempre são eventuais como são os eventos. Eu mesmo já andei sugerindo algumas coisas como a instalação de um teatro, de um museu, de uma feira de livros, dentre outros. Pode até se argumentar de que os tempos são outros e que a juventude quer outros tipos de atração. No entanto, essa mesma população não pode querer aquilo que não lhe é ofertado. Basta olhar para os nossos eventos culturais. Se não fora a visão da então prefeita Ana Maria Veras nos anos 1980, não teríamos Festival de Quadrilhas, Salão de Artes. Infelizmente o Festival de Música, o Festival de Violeiros, as Olímpiadas de Camocim, criados também nesta época, morreram por inanição. 
Urge, portanto, que se promovam as condições para a geração de uma política cultural para além dos eventos, principalmente por termos hoje no comando da cultura camocinense a incansável Ana Maria Veras. Não estou com isso renegando outras manifestações hodiernas. Vivemos o tempo presente, no entanto, às gerações atuais devem ser mostradas àquilo que se solidificou como legado cultural dos nossos antepassados. 
Desta forma, hoje atribuo meu gosto pela cultura popular ao meu pai que proporcionava aos seus filhos e vizinhos o acesso á essas manifestações. Vez por outra, Zé do Gás botava "boneco" em nossa casa com as histórias hilárias de seus mamulengos. Da mesma forma, um compadre do meu pai que me foge o nome, às vezes era chamado para cantar melodiosamente os "romances" (lembro vem dos Doze Pares de França) ao som de um berimbau. Nos aniversários do meu velho era certo uma dupla de violeiros vir animar a festa com seus repentes de elogio ao dono da casa e de desafios entre eles. Nas temporadas de bois, o Boi do Juriti em pelo menos uma noite animava a Rua do Egito defronte de nossa casa.  Como disse, tudo é uma questão de hábito!


sexta-feira, 31 de outubro de 2014

A FERROVIA E A URBANIZAÇÃO DE CAMOCIM

Fonte: IPHAN/Superintendência do Ceará.
A foto acima mostra o quanto um empreendimento pode influir na urbanização de uma cidade. Foi o caso da construção da Estrada de Ferro de Sobral iniciada no então distrito da Barra do Camocim no ano de 1877. Naquele momento pertencíamos ao município de Granja, mas, tínhamos um porto que era uma das mais importantes portas de entrada do estado do Ceará. Com a intenção de ligar o nosso porto ao mais importante centro comercial da região, Sobral, ponto de confluência dos sertões de Crateús e da Serra da Ibiapaba, a ferrovia proporcionou um crescimento urbano sem precedentes na história de Camocim. 
Na foto acima temos duas plantas que refletem esse crescimento urbanístico. Como podemos perceber, no ano de 1878 (planta inferior) os pontos em negrito se resume a uma mancha residencial que não ultrapassa a três quarteirões e mesmo assim com muitos espaços em branco, revelando o que éramos naquele ano, além do porto, uma aldeia de pescadores. Já na planta superior, datada do ano de 1880, apenas dois anos depois, o adensamento urbano apresenta um volume quase duplicado, diminuindo os espaços em branco próximo ao porto e à estação ferroviária, o que demonstra que foi em torno deste espaço de trabalho - o porto e a ferrovia, que se desenvolveu a cidade de Camocim. Por outro lado, vale destacar que já em 1879, o distrito de Barra do Camocim já se desmembrava de Granja e se transformava no município de Camocim. 
Estas imagens foram usadas recentemente num documentário para mostrar a importância das estradas de ferro no desenvolvimento do Ceará, notadamente a Estrada de Ferro de Sobral para a nossa região.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

PINTO MARTINS - O AVIADOR DE CAMOCIM

Fonte: putegi.blogspot.com
Hoje é Dia do Aviador e da Aviação. Em Camocim a relação com o pioneirismo de Pinto Martins deveria ser automática. Contudo, muita gente ainda não faz a devida correspondência do nome com o fato ocorrido em 1922, quando o camocinense Euclydes Pinto Martins, juntamente com aviadores americanos singraram os ares ligando Nova Iorque ao Rio de Janeiro, abrindo perspectivas para a aviação comercial entre as duas Américas.
Em sua memória temos o aeroporto local e o internacional de Fortaleza, a Biblioteca Municipal, uma comenda e o seu dia, 15 de abril - alusão a data do seu nascimento, além da Praça Pinto Martins onde encontra-se uma estátua de corpo inteiro e um avião-caça da Força Aérea Brasileira (FAB). São peças que vão se integrando num espaço em tempos e intenções diferentes, que vão ganhando ares de pequeno museu a céu aberto. Desta forma um dia botei na cabeça e imaginei ver este espaço de memória ampliado ao modo de um memorial e publiquei artigo neste sentido no extinto "O Literário". Reproduzo e repito a ideia novamente:

[...] a proposta é deveras simples e pode ser executada com recursos do IPTU. Trata-se de construir no perímetro da Praça Pinto Martins (já aproveitando a Estátua de Pinto Martins e o Avião) um memorial a céu aberto (como gostam os aviadores). Constará de [...] colunas distribuídas por toda a praça. A cada coluna será afixada uma placa de acrílico (ou outro material) contendo a reprodução de uma obra de arte e um texto resumo de artistas e escritores locais sobre o "Voo de Pinto Martins". Sugiro logo os nomes. Para escrever a saga do voo. Convidem: Raimundo Silva Cavalcante,  Artur Queirós, Valmir Rocha, Cardeal, Sotero, Inácio Santos, Avelar Santos, Fernando Veras e Aradi Silva. Para pintar a saga do voo, convidem: Totõe, Mauro Viana, Eglauber, Kadal, Francisco Carlos, Eduardo, Catarina, Batista Senna e mais três revelações do último salão de artes. Encimando cada coluna uma miniatura do biplano Sampaio Correia feita por Romilson Lopes. Para finalizar, promover uma revitalização em torno da estátua de Pinto Martins, iluminando-a e ajardinando o pedestal, além de colocar placas comemorativas. Claro que outros artistas e escritores poderão participar deste projeto e melhorá-lo com outras sugestões. Feito isto teríamos uma sala de aula ao ar livre onde os professores poderiam levar seus alunos para conhecerem a história da genialidade de Pinto Martins, além de um ponto turístico de qualidade".

Como se diz hoje: fica a dica!

terça-feira, 7 de outubro de 2014

CAMOCIM E AS ELEIÇÕES Á BICO DE PENA


            Passada a primeira etapa das eleições de 2014, cada vez mais a tecnologia toma conta do embate eleitoral. No mesmo dia temos os resultados das urnas e vitoriosos e derrotados não são expostos à uma tensão maior de espera dos seus esforços de campanha. Os eleitores já estão sendo identificados pela biometria diminuindo sensivelmente as fraudes. Mas, nem sempre foi assim. Sou do tempo em que a vitória ou a derrota dos partidos e candidatos só era conhecida após três dias, no caso de Camocim. A central de apuração era no então prédio do INPS e a contagem era feita voto a voto, nas cédulas de papel, e as diferenças transmitidas por meio de bilhetes jogados do alto para a população que se aglomerava nas imediações ou então pelos informes dos repórteres das rádios ligadas aos grupos políticos Cara Preta e Fundo Mole - Radio União e Pinto Martins, respectivamente. Quando um partido se distanciava na contagem, o desânimo tomava conta dos radialistas do partido que estava perdendo e as atualizações dos resultados para estes, eram um verdadeiro calvário a ponto de desistirem antes de finda a apuração. Mas se voltarmos ao inicio do século XX, as eleições não tinham essa exploração midiática. Os resultados eram praticamente feitos nas alcovas das repartições públicas, à bico de pena, como se dizia antigamente, por pessoas ligadas ao partido que estava no poder. Embora com caráter anedótico, o jornal A Esquerda de Fortaleza de 1928, traz um episódio escrito na coluna Respingos, assinada por um certo H.M, que ilustra bem como foi decidido os destinos políticos de Camocim naquele ano, mas que serve para qualquer lugar. Diz o nosso colunista:
 - Senhor coronel o homem foi derrotado barbaramente: gemeu o escriba.
-Quantos votos a mais?
-Duzentos, afora as cédulas rasgadas.
-E você fez o que seu palerma.
- O que pude. O pessoal do cemitério votou todo, mas falta ainda gente e a cabeça não ajudou.
- Tolice homem. Vamos. Escreva lá: João Silva.
- Já votou: Tartamudeou o outro.
- Pancrácio Pimenta.
- Serve.
            Os nomes sucederam-se numa cantilena monótona até de manhã quando o coronel inquiriu:
- Uns dois,
- Ponha lá!
- Não posso mais estou com a munheca dormente.
            O coronel escreveu os nomes restantes e o candidato situacionista foi eleito...

            Se pudessem, com certeza ainda haveria políticos que usariam deste expediente.

Fonte: Jornal A Esquerda. Fortaleza-CE. 31 de julho de 1929, ed. 91, p.6.

sábado, 27 de setembro de 2014

IV SC 07 - O FAROL DO CAMOCIM ANTIGO


Farol Trapiá - Camocim-Ce. 1968. Fonte: Marinha do Brasil

Esse era o nosso antigo farol, o sinalizador para uma chegada segura ao nosso porto e à nossa cidade via Oceano Atlântico. No final dos anos 1960, no entanto, a sólida casa do faroleiro que ficava ao lado, já estava em ruínas. Muitas histórias são contadas desse lugar ermo do Camocim de então que chegaram inclusive às páginas da literatura através da pena irretocável do nosso escritor maior Carlos Cardeal. Histórias de amores secretos e outros nem tanto, de assassinatos e até de assombrações aliados às lendas indígenas fizeram deste local, um ponto exótico e até maldito. É só conversar com moradores e pescadores mais velhos que eles sempre terão uma história para contar sobre o nosso antigo farol. Hoje, no entanto, a força dessas histórias e lendas vão perdendo sua força. No local, um outro farol foi construído e é mantido pela Marinha do Brasil, guiando ao abrigo do continente nossos bravos navegantes. 




terça-feira, 23 de setembro de 2014

IV SC 06 - O LIVRO DIDÁTICO DE CAMOCIM

Capa do Livro Historiando Camocim. Autor: Luis Carlos Lima.
Foto: Robervaldo Monteiro


             Inicialmente, gostaríamos de pedir licença aos leitores para publicarmos algo relacionado á nossa pessoa, posto que a intenção do blog é registrar e interpretar fatos da história de Camocim. Todavia, o assunto de hoje acaba por conter essas duas dimensões e ficou impossível não falar de um projeto que acalentamos durante muito tempo e que agora vem à lume. Trata-se do Projeto Historiando Camocim que tem como finalidade maior a elaboração de um livro didático sobre a História de Camocim. Efetivamente, amanhã, 24 de setembro de 2014, na 4ª CREDE, a partir das 8:00h, estaremos prestando contas desse projeto junto aos professores de história da rede municipal de ensino, gestores e demais autoridades, apresentando e entregando o resultado final em sua primeira versão. No entanto, é preciso historicizar um pouco este momento. Depois de algumas tentativas frustradas junto a quem de direito em tempos passados, apresentamos nosso projeto à atual administração através da Secretaria da Educação que de pronto sinalizou positivamente. Feitos os procedimentos burocráticos, lançamo-nos na formação da equipe e durante oito meses de trabalho, chegamos a uma versão final do que será o protótipo do  livro que será publicado e utilizado nas escolas municipais no próximo ano. Aliado a este trabalho, realizamos três encontros de formação com os professores da rede municipal no sentido de trocarmos ideias, receber sugestões e construirmos coletivamente o produto. Foram momentos ricos e interativos. Ainda teremos dois meses pela frente para fazermos os ajustes e detalhes finais, próprios da elaboração de qualquer obra literária. Voltando ao livro, o mesmo constará ainda de um Manual do Professor para auxiliar e orientar os docentes no desenvolvimento dos conteúdos. Por falar em conteúdo, a obra constará de seis capítulos a saber: Capítulo Primeiro - Origens Históricas; Capítulo Segundo - Estrutura Administrativa e Política; Capítulo Terceiro - Economia e Trabalho; Capítulo Quarto - Cotidiano e Cultura; Capítulo Quinto - Educação e Religião e Capítulo Sexto - Patrimônio Histórico e Cultural. Um aviso: este é apenas um livro e, por ser didático e destinar-se ao público específico do Ensino Fundamental II, tem suas limitações de conteúdo e espaço. Temos consciência de que muito da nossa história não foi contemplado por estes motivos. Portanto, aos professores deve servir, antes de tudo como mais um recurso para suas aulas, como ponto de partida para a descoberta e construção de outras histórias. Por fim, agradecemos a todos que contribuíram de alguma forma para que chegássemos ao intento pretendido e podermos dizer que finalmente Camocim tem seu livro didático.

sábado, 20 de setembro de 2014

IV SC 05 - PATRIMÔNIO FERRO PORTUÁRIO DE CAMOCIM - ÁREA DE PROTEÇÃO

Fonte: IPHAN/Ceará.



Na postagem anterior falamos do estudo que instruiu o tombamento do Complexo Ferro Portuário de Camocim. Hoje, falaremos sobre o que seria a área tombada prevista para a criação de um Parque Ferroviário dentro desse complexo, conforme mostra a foto acima. A área seria a circundada em vermelho na foto. No texto de instrução elaborada pelo Iphan temos:

Memorial descritivo de um imóvel situado na Esplanada de Camocim, Centro, no município de Camocim, pertencente ao acervo da Rede Ferroviária S.A.- RFFSA (extinta), patrimônio 1020008/8-000, denominado Esplanada Camocim, registrado no Cartório André- 2° Ofício, Matrícula 1.756, Livro 2- F, Fls. 35, de 30.06.1993, com desmembramento da área destinada alienação através de edital, conforme planta de situação em anexo, cujas confrontações são as seguintes: 

Ao Norte (Frente): Segmento 1-16, mede 36,00m, limita-se com a Praça Vicente Aguiar (anteriormente denominada 7 de Setembro); Segmento 14-15, mede 238,00m, limita-se com a Rua General Tibúrcio;

Ao Sul (Fundos): Segmento 9-10, mede 29,00; limita-se com a área a ser desmembrada, pertence a RFFSA; Segmento 11-12, a Rua Boa Vista (Bairro Salgadinho).

Ao Leste (Lado Direito): Segmento 1-2, mede 70,00m, Segmento 4-5, mede 16,00m, Segmento 5-6, mede 35,00m, segmento 6-7, mede 5,50m, Segmento 7-8, mede 81,00m, limita-se coma Rua dos Coqueiros e Segmento 10-11, mede 214,00m, limita-se com a área a ser desmembrada, pertencente a RFFSA.

Ao Oeste (Lado Esquerdo): Segmento 12-13, mede 22, 00m, Segmento 13-14, mede 160,00m, limita-se com a Rua 24 de maio.


No terreno encontram-se erigidas as seguintes edificações:
-       Estação Ferroviária de Camocim, com área construída de 2.104,24 m² , em bom estado de conservação;
-       Residência do Diretor Geral, com área construída de 439,87 m², em regular estado de conservação;
-       Residências do Inspetor, Agente e Mestre de Linha, com iguais áreas construídas de 194,36m² em regular estado de conservação;
-       Galpão atrás da Estação Ferroviária, com área construída de 393,62m², em precário estado de conservação;
-       Galpão à Esquerda da Estação Ferroviária, com área construída de 238,76m², em ruínas;
-       Oficinas, com área construída de 3.701,84 m², em ruínas;
-       Residência do Mestre das Oficinas, com área construída de 235,31m², em regular estado de preservação;
-       Caldeira, com área construída de 17,94m², em ruínas.

-       Almoxarifado com área construída de 1.005,72 m ², demolido.

Ainda segundo o documento, recomenda-se criação de um parque na área tombada. Na próxima postagem apresentaremos mais detalhes da proposta de tombamento.

Fonte para citação: Texto Base de Instrução de Tombamento. Iphan-CE, p.17.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

IV SC 04 - MESTRE CAZUMBI E O FUTEBOL DE CAMOCIM

Antonio Pereira da Silva - Mestre Cazumbi. Foto: camocimonline.com
Em Kimbundu, língua nativa da Angola, Cazumbi significa um "pequeno zumbi" ou "filho de Zumbi". É nome também de uma badalada banda de rock africana. Para nós camocinenses é sinônimo de um pequeno grande homem que viveu sua simplicidade ao extremo. Ele foi um verdadeiro Mestre, pois ensinou aos jovens de Camocim, o pouco e o tudo que sabia no futebol e na música. Tenho para mim que depois que o Campo do Maguary foi loteado pela especulação imobiliária, Cazumbi começou a morrer aos poucos. Mesmo assim, fez do Campo do Tapete Verde sua segunda casa. Em 2007 fui entrevistá-lo em sua casa e o encontrei lavando o uniforme do seu time. Entre lembranças, momentos de tristeza estampados no rosto, mas também de boas  gargalhadas, passamos boa parte da manhã conversando. Na saída, uma constatação, aquele homem estava precisando de quem conversasse com ele. Em sua homenagem reproduzimos o que escrevemos naquela oportunidade e que está no nosso livro "Entre o Porto e a Estação..." a ser lançado no próximo dia 24 de setembro em Camocim:
"Antônio Pereira da Silva, o Mestre Cazumbi, além de músico, tem uma trajetória ligada ao esporte. Hoje aposentado, ainda tem fôlego para toda semana treinar jovens em campos de terra da periferia. Contemporâneo de Sebastião Marques, ele fez parte de uma geração onde se destacaram outros trabalhadores jogadores como Quebrado, Passaqui, Canoé, Expedito leitão, Zé Olhim, Linha Fina, Zé Maria, Pepeta, dentre outros. Na saudação de um cronista local, treinado em seus tempos de adolescente pelo Mestre Cazumbi, constatamos a importância de seu trabalho junto à juventude camocinense:
 '... foi de tudo no futebol: chegou a ser técnico da nossa seleção, com um desempenho razoável. Quem não passou pelas mãos do velho Cazumba? Acho que toda garotada teve suas primeiras noções de jogar bola com o ‘Guerreiro’. (...) mas já não tem a mesma garra de outrora, porém continua sendo um grande exemplo de desportista para os jovens.' [1]
            Mesmo no alto de seus 76 anos, quase cego e sem poder andar muito, ainda vamos encontrar o Mestre Cazumbi tocando sua tuba nos eventos religiosos e festivos da cidade. Duas ou três vezes na semana, leva seu material de treino para o campo do Tapete Verde para não deixar o time do Maguary morrer. Mesmo sem o reconhecimento e apoio das entidades esportivas locais, ele continua sendo aquele tipo de pessoa que deixou o esporte entranhar nas veias, sendo o faz-tudo do seu time: dono, treinador e roupeiro."
            Ao Mestre Cazumbi, com carinho... descanse em paz!




FONTE: [1] “O Velho Cazumba”. Aradi Silva. O Literário. Ano III, Edição 18, julho de 2001, p.4. Camocim-CE. 

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

IV SC 03 - O PATRIMÔNIO FERRO´PORTUÁRIO DE CAMOCIM

Capa do Estudo para tombamento Federal do Complexo Ferro-portuário de Camocim. Fonte: IPHAN/Superintendência do Ceará.


Olhe bem para esta imagem! Imagine o mar chegando em dias de ressaca lamber os batentes da Estação Ferroviária; a orla marítima sem nenhum paredão a sufocar as ondas; os trabalhadores da beira da praia afundando os pés de pescadores no areal quente. É isto que a imagem nos traz imediatamente, esta orla quase virgem que se desabrochou para o mundo na passagem do século XIX para o XX. De lá para cá, várias intervenções foram feitas no espaço urbano de Camocim que se avolumou com a chegada da Estrada de Ferro de Sobral. Hoje, no século XXI, sobram resquícios, vestígios e memórias de um passado, que podem ainda ser ressignificados, preservados e até tombados. É isso de que trata o estudo feito pelo IPHAN em 2009 visando o tombamento federal do ficou convencionado como Complexo Ferro-portuário de Camocim. Como sabemos, do que restou, apenas a Estação Ferroviária de Camocim está tombada pelo patrimônio estadual do Ceará. Esta imagem é a capa do referido estudo, que pretendemos mostrar  e analisar numa série de postagens, com imagens inéditas.  O processo de tombamento está nesta fase de estudos e torcemos para que ele se conclua o mais rápido possível para que possamos ter um espaço revitalizado, reutilizado e ressignificado e, o mais importante, referenciador de nossa história recente.

domingo, 7 de setembro de 2014

IV SC 02 - OS DESFILES DE 7 DE SETEMBRO EM CAMOCIM

Instituto São José. Desfile de 7 de setembro. Rua 24 de Maio. Sentido norte-sul.Entre as ruas da Independencia e Alcindo Rocha. Arquivo: ISJ.

Um professor pergunta-me sobre o sentido dos desfiles de 07 de setembro na atualidade, talvez pensando que no dia seguinte terá que passar toda a manhã sob um sol escaldante representando sua escola e cuidando de um pelotão de alunos ou mesmo do sentido de comemorar a independência do Brasil. Respondo-lhe que o culto às datas nacionais faz parte de uma tradição de toda nação, embora que, de acordo com a construção do processo histórico, elas vão perdendo e adquirindo novos sentidos. Da mesma forma, perguntei para o professor qual seria a repercussão de não se fazer um desfile de 07 de setembro. Com efeito, não se vai mais às ruas no dia da Independência do Brasil com o mesmo sentimento de outrora. Muito potencializada no governo ditatorial dos militares pós-64, a data tinha uma outra significância durante o período. Até os desfiles escolares eram à feição da disciplina militar. Hoje, vejo mais como uma apresentação das escolas com um tema gerador, diria mesmo um enredo, e seus projetos pedagógicos. Os significados simbólicos que remetem à data da nossa independência ficam em segundo plano. Nos anos 1970, quando eu desfilava, a Parada de 07 de setembro era um "acontecimento" na cidade. Desde cedo, os Sonoros Pinto Martins enchia a cidade com seu som a toda potência com hinos e marchas militares. Em cada escola, a concentração dos alunos e os últimos detalhes eram checados, afinal, apresentar-se bem poderia trazer para a escola o título de campeã do desfile. As rivalidades, por outro lado, faziam com que os alunos se compenetrassem na marcha, batendo forte o pé direito no calçamento quente no ritmo dos tambores. Mesmo sendo uma escola pública, o João Ramos rivalizava com a escola particular do Instituto São José e quase sempre perdia. No quesito elegância, o SESI era rival do CSU, ao desfilarem o colorido de suas agremiações representadas por times de futebol do estado e do país. Quadros vivos da nossa história iam às ruas em carros alegóricos. Quase sempre tinha um D. Pedro I num cavalo ou uma Princesa Isabel rodeada de escravos. Era assim os desfiles de outrora. O que não muda é a batida dos tambores que puxam os desfiles. Mas, se você quiser conferir os novos sentidos, saia de casa e observe. Para mim, qualquer que seja a motivação do presente, estou lá para ver e interpretar, além do que, de vez em quando aparece uma surpresa nos desfiles que escapam à organização, ou mesmo à ordem, palavra muito forte que frequentou os desfiles do passado.


terça-feira, 2 de setembro de 2014

IV SC 01 - O ABASTECIMENTO D'ÁGUA DE CAMOCIM

Jornal Brazil Livre. Agosto de 1925. Sobral-CE.

Desde 1925 que a Prefeitura de Camocim procurava dotar a cidade de um sistema de abastecimento de água.

O ano era 1925. O prefeito, Francisco Nelson Pessoa Chaves. A notícia era a publicação da Lei Nº 100, de 20 de agosto de 1925. Por esta lei, a  administração municipal aprovava e ampliava o contrato de abastecimento d'água da cidade com o concessionário Manoel Pinto Filho. Aprovada pela Câmara Municipal e sancionada pelo prefeito, a tal lei privilegiava o tal concessionário ou empresa desde que os mesmos organizassem o abastecimento d'água, inclusive do porto, o que demonstra a importância desse espaço de trabalho para a cidade. Interessante notar nesta lei a dispensa de caução por parte do concessionário, desde que o material usado para o abastecimento d'água não pudesse "ser transferido definitivamente a ninguém sem assistência do município". Este fragmento da lei dá pistas sobre um primeiro tipo de sistema de abastecimento, embora que a publicidade da lei no jornal sobralense Brazil Livre não ofereça mais detalhes sobre como o mesmo era feito, como por exemplo, se a água era encanada. Como se sabe, o abastecimento d'água dessa forma e mais abrangente, ligado ao Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) só foi implantado no começo dos anos 1960. De qualquer forma, a publicação dessa lei mostra que a preocupação com o abastecimento d'água é antigo. 


IV SETEMBRO CAMOCIM

Logomarca do Projeto Historiando Camocim. Acervo do blog.

Caros amigos internautas e leitores do blog CAMOCIM POTE DE HISTÓRIAS, é com muita honra e orgulho que chegamos ao IV SETEMBRO CAMOCIM, um encarte anual de postagens que fazemos por ocasião do mês de aniversário de emancipação política do nosso município. Durante todo o mês publicaremos postagens inéditas sobre a história de Camocim, sempre com o intento de subsidiar as pesquisas acadêmicas e escolares dos nossos conterrâneos e amigos leitores do blog, além de fornecer sempre um fragmento da nossa rica história. Neste setembro, afora essa seção do blog, como historiador ainda ofereceremos dois produtos, frutos das nossas pesquisas. Primeiro, será a entrega da pesquisa do Projeto Historiando Camocim sobre a história local em forma de livro didático, que a Prefeitura Municipal de Camocim pretende adotar no currículo escolar do Ensino Fundamental II em 2015. Estamos finalizando o trabalho e breve entregaremos para publicação. O segundo será o lançamento do livro "Entre o porto e a estação: cotidiano e cultura dos trabalhadores urbanos de Camocim-CE. 1920-1970."  A referida obra é o resultado de nossa tese de doutorado defendida em 2008 na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), publicada pela Edições INESP/Assembleia Legislativa do Estado do Ceará. Breve estaremos divulgando a data do evento onde serão apresentados estes produtos para a comunidade camocinense.

Capa do livro "Entre o porto e a estação...". Acervo do blog.

Voltando à seção acima referida, a apresentação será a mesma das anteriores. Antes do título de cada postagem teremos a expressão IV SC e o número correspondente á postagem. Feliz aniversário para Camocim em seus 135 anos de emancipação política.


sábado, 23 de agosto de 2014

OS ESTRANGEIROS EM CAMOCIM. OS AMERICANOS

Continuando nossa série sobre a presença de estrangeiros em Camocim, hoje apresentaremos os americanos. Esse contato direto e indireto começa com as exportações de algodão e borracha através do nosso porto, no chamado "esforço de guerra", contexto da Primeira Guerra Mundial. Sintomaticamente, é no entre-guerras que se dá o boom econômico e cultural da cidade. Já na Segunda Guerra Mundial, os americanos cogitaram instalar em Camocim um Posto de Comando, que afinal se fixou em Fortaleza, visto que a capital proporcionava melhores condições logísticas. No entanto, uma pequena base militar foi construída como ponto de apoio para as manobras militares, abrigando um grupo de militares americanos. Contudo, a maior estrutura logística da capital, Fortaleza, suplantou a vantagem geográfica que Camocim apresentava com relação à distância atlântica do Brasil entre a Europa e África.[1] 
Base americana em Camocim. Acervo do blog.
Por outro lado, a presença dos americanos entre nós pode ser percebida pelas lembranças de antigos moradores. Segundo o Sr. Antônio de Albuquerque Sousa Filho, a cidade “se tornou ponto estratégico importante, atraindo soldados norte-americanos e com uma base onde chegaram a atracar Zepelins”. Em suas memórias, o antigo morador salienta um clima de colaboração entre os soldados americanos e a população local, no que se referei às trocas gastronômicas, cuja novidade eram “as saladas de frutas em lata que os americanos distribuíam com as famílias da cidade, que por sua vez lhes presenteavam bolos”.[2]
Relembrando os escritos do imortal Arthur Queirós, a presença de celebridades americanas, mesmo que  por algumas horas em solo camocinense, que cruzavam o Atlântico, nas frequentes paradas dos aviões da Panair, era um programa imperdível para os locais que tinham acesso. "Transitaram por Camocim, portanto, muitos notáveis, gente importante, do que mencionamos os artistas Henry Fonda (...) Greta Garbo, por aqui esteve por duas vezes, na última em 1943, exibindo-se para soldados e oficiais americanos aqui destacados, na Base Militar de apoio da segunda guerra mundial, que aqui construíram (...) transitaram ainda, Buck Jones, George O’Brien, Charles Starret, Sonja Henie e muitos outros... Dona Darcy Vargas, esposa do grande Presidente Vargas, por aqui transitou com destino à Norte América, ocasião em que muito aplaudida foi, pelos camocinenses. [3]
Outros americanos chegaram a habitar entre nós, notadamente missionários protestantes como Orlando Boyer e Mister Paul, dentre outros. É possível a existência de muitos outros em nossa longa história. Por hora, são estes que vem na nossa lembrança e que constam de nossos registros. 
 



[1] Descartada a proposta de um posto de comando, um pequeno número de soldados americanos foi destacado para Camocim para dar suporte a alguma manobra. Os mesmos ficaram abrigados numa pequena base militar construída para tal fim e nos hotéis da cidade. Informações prestadas pelo memorialista Artur Queirós.
[2] FILHO, Antônio de Albuquerque Sousa. Camocim do meu tempo. p.2.
[3] QUEIRÓS, Arthur. Idem.

domingo, 17 de agosto de 2014

O ENGENHO PERDIDO DE GRANJA ( OU CAMOCIM?)

Engenho dos Gouveias. Foto: Emanoel Reis

Esta postagem mostra como os leitores podem colaborar com nossa árdua tarefa de mostrar as coisas de Camocim, seja da cidade ou da zona rural. Recebo e repasso para todos um "achado" do nosso leitor Emanoel Reis. Trata-se das ruínas do que fora um antigo engenho de cana-de-açúcar localizado no povoado de Lusitânia, zona oeste de nosso município. Segundo o leitor que nos enviou várias fotos do local e uma descrição, o engenho funcionava numa "área de um grande  latifúndio pertencente a família dos ''Gouveias''. Logo associei uma coisa na outra, aquele  engenho pertencia a família dos ''Gouveias'' [...] depois conversei sobre o engenho com um  ex-morador da região, que tem 85 anos, perguntei-lhe  se ele sabia aproximadamente quantos anos tinha aquela construção, ele respondeu que sua família chegou naquela região em 1919 e seus pais relatavam que em 1919 já estava desativado [...]Conversei com outros moradores antigos, mas nenhum pode dar uma resposta conclusiva sobre a idade daquela construção, pois ela é mais antiga, que os pais dos moradores mas antigos, acredito eu que a idade cronológica daquele engenho coincida com o fim do Brasil colonial, imperial e a escravidão, mas até agora não tenho uma fonte contundente para afirmar que existiram escravos.  Outra coisa que descobri, é que aquele lugar era habitado por indígenas (Tapuios), e tinha o nome de "Tarraco'', mas com a colonização dos Gouveias, por meio da extração da madeira, monocultura e posteriormente da criação extensiva do gado, excluindo os indígenas do seu projeto de povoamento, o lugar passou a se chamar ''Lusitânia'', nome de origem Portuguesa".

Como se pode concluir, outras histórias poderão complementar a descoberta do nosso leitor. O fato de um engenho encravado no interior do município já revela uma proibição colonial, ou seja, plantar cana-de-açúcar próxima do litoral, além de confirmar a existência de terras férteis para a cultura da cana (massapê) em nosso município a ponto de justificar o funcionamento do engenho. Quando tivermos mais informações sobre este tema, voltaremos ao assunto.





     

quinta-feira, 31 de julho de 2014

OS ESTRANGEIROS EM CAMOCIM. OS INGLESES

Fonte: http://blog.liverpoolmuseums.org.uk/2007/12/maritime-tales-escape-to-the-sun/

Quando os marinheiros ingleses aportavam por aqui, gostavam de comprar macaquinhos e periquitos. O Sr. Euclides Negreiros em depoimento nos disse: “Quando eu era menino, subia nos navios para vender laranjas e soins para os marinheiros ingleses (...) eu pegava os macaquinhos, dava de comer e amansava para vender prá eles”.[1]. Mas os ingleses não foram somente compradores de espécimes da nossa fauna. Os mesmos estiveram aqui quando da construção da Estrada de Ferro de Sobral. Acharam bom o negócio que depois uma firma inglesa arrendou a ferrovia através da The South American Railway Construction Company Limited, entre 1910 a 1915.[2].
No entanto, a presença inglesa não ficou por aí. Nos anos 1940 a Booth Line,  empresa de navegação, explorou no Porto de Camocim o serviço de alvarengas,embarcações que faziam o serviço de embarque e desembarque dos navios em alto mar. À época, dizia-se que o porto de Camocim não tinha condições de receber  os navios, até que o comandante do Navio Aratanha em 1946 pôs por água abaixo essa mentira que durou mais de uma década, a qual era reiterada pelo prático da barra e a empresa inglesa, mas essa é uma história controversa que merece ainda ser melhor apurada. 

Notas:


[1] Soim é um pequeno macaco muito comum no território brasileiro. Entrevista com o Sr. Euclides Negreiros, marinheiro, 90 anos. 24 de abril de 2007. Camocim-CE.
[2] Para saber mais sobre a construção e o arrendamento da ferrovia, ver: OLIVEIRA, André Frota de. A Estrada de Ferro de Sobral. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora Ltda, 1994.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

OS ESTRANGEIROS EM CAMOCIM. OS HOLANDESES

Ocupação Holandesa no Ceará. Século XVII.
Os holandeses dominaram o que se chama hoje de nordeste na primeira metade do século XVII. De 1630 e 1654, através da  Companhia das Índias Ocidentais, os objetivos dos mesmos eram controlar a região produtora de cana-de-açúcar, além de, explorar a terra em busca de outras riquezas.
Neste sentido,os holandeses exploraram bastante a região do rio Camocim a ponto de terem erguido uma fortificação para melhor proteção de suas explorações na embocadura do rio, próximo à atual Granja,além de um outro em Jericoacoara.Depois que o Conde Maurício de Nassau se instalou em Pernambuco mandou missões de reconhecimento ao Ceará para sondagem de suas potencialidades econômicas. Desta forma, Gedeon Morris confirmou a existência de boa quantidade de sal, âmbar gris e do pau violeta (tatajuba). O explorador holandês ainda fez referências a existência de 30 tribos tapuias e da excelência do porto para as atividades de carregamento de navios. Nas palavras da historiadora Rita Kromemem constata-se: "expedição para Camocim valeu a pena. Gedeon Morris encontrou outra salina rendosa, distante da costa apenas 1700 passos. O porto prestava-se também ao carregamento de navios. Por outro lado, viviam nos arredores 30 tribos tapuias, das quais apenas dez eram aliadas aos holandeses. Por isso queria o zelandês (sic!) ir ao interior da região, a fim de atrair mais índios para os seus homens através de atitudes humanas e de bom tratamento. Também não esqueceu de preparar uma determinada quantidade de madeira corante para exportação.(KROMEMEN, Rita. Mathias Beck e a Cia. das Índias Ocidentais. O domínio holandês no Ceará colonial. Fortaleza: UFC, 1997, p. 56).
 Por outro lado, a presença de holandeses na região pode ser atestada pelos registros após a Guerra da Restauração que expulsou os mesmos de Pernambuco com os índios que lhe eram aliados. Referindo-se à crônica da guerra, o historiador Ronaldo Vainfas assinala: "Outro chefe notável do chamado “partido holandês”, entre os potiguaras, foi Antônio Paraopaba, guerreiro afamado, responsável por várias vitórias holandesas na fase do domínio holandês contra os restauradores de 1645. Foi um dos chefes dos massacres perpetrados pelos holandeses em Cunhaú e Uruaçu, no Rio Grande, em 1645, respectivamente em julho e outubro, e comandante da retirada dos índios para a Serra da Ibiapaba, no Ceará, depois da derrota holandesa de 1654.(VAINFAS, Ronaldo. Traição. Companhia das Letras, 2008). 
A presença holandesa no Ceará será retratada em documentário num projeto denominado Neerlandeses Missão em Terras Alencarinas sob a direção do jornalista Roberto Bomfim trazendo depoimentos de historiadores e moradores das localidades visitadas pelos holandeses de então.

Fonte da foto:http://cearaemfotos.blogspot.com.br/2011/05/ocupacao-holandesa-no-ceara.html

domingo, 13 de julho de 2014

OS ESTRANGEIROS EM CAMOCIM. OS FRANCESES


Praia das Barreiras. Fonte:www.groupon.com.br
Uma cidade que se ergue à beira do mar, ao redor de um porto tende a ser uma porta aberta para a chegada e fixação de estrangeiros e aventureiros que, talvez, por "serem de fora", enxergam no lugar outras possibilidades e belezas que os nativos, habituados com a paisagem diária, não percebem. Iniciamos, portanto, uma série de postagens onde destacaremos as passagens de estrangeiros por Camocim, analisando suas contribuições para a formação da cidade ou apenas simples e efêmeros momentos que aqui desfrutaram. Começaremos, até por uma questão cronológica, pelos franceses.O processo de colonização da Capitania do Ceará pelos portugueses, como se sabe, se deu tardiamente. Essa demora, permitiu que outros navegantes explorassem nossa costa, como os franceses o fizeram. Quando os portugueses deram por si, sobre a possibilidade de perderem esta parte do território no começo do século XVII e enviaram a expedição de Pero Coelho em 1604 para a expulsão dos franceses da Ibiapaba, há muito os mesmos já negociavam com os índios as chamadas "espécimes de fauna e flora" da região. Por conta desse contato, os franceses quase sempre tinham a simpatia e a aliança das tribos indígenas e de seus "maiorais" (como eram chamados seus líderes) nas guerras de ocupação contra portugueses e holandeses.Os franceses, portanto, exploraram bastante o comércio com os índios Tabajaras da Ibiapaba usando o rio Camocim ou rio da Cruz (atualmente Coreaú) e logicamente fazendo essa rota conhecida em seus documentos náuticos e históricos. Como vimos acima, a expedição de Pero Coelho de 1604 acaba por expulsar os franceses da Ibiapaba iniciando efetivamente a colonização portuguesa na região. 

sexta-feira, 13 de junho de 2014

FAROL DO TRAPIÁ - O FAROL DE CAMOCIM

Marinheiros fazendo manutenção no Farol do Trapiá. Camocim-CE. 

As primeiras referências do farol de Camocim chegaram a mim como Farol do Trapiá lendo a obra do escritor imortal Carlos Cardeal no romance "Terra e Mar". Depois, num trabalho da faculdade no final dos anos 1980, uma colega camocinense me apresentou uma foto do referido farol que me ficou na lembrança. Mais recentemente, algumas pessoas nas redes sociais fizeram referência ao atual farol como uma construção sem nenhum atrativo arquitetônico, fazendo comparação com um antigo farol erguido na praia do mesmo nome. Independente da importância maior que um farol tem para os navegantes, para nossos irmãos pescadores que é sinalizar a entrada da nossa barra, fui atrás de fotos da antiga construção e acionei o acervo da Marinha do Brasil através do meu irmão Suboficial(HN)Luís Carlos Pereira dos Santos. O resultado será mostrado nesta e futuras postagens. Na foto, observamos marinheiros fazendo serviço de manutenção no farol tendo ao lado uma construção sólida de uma casa, provavelmente para morada do faroleiro





FONTE: Marinha do Brasil. CAMR-Centro de Sinalização Náutica Almirante Moraes Rego.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

O PATRIMÔNIO DE CAMOCIM EM 1890





Mercado Público de Camocim. Fonte: arquivo do blog.
Patrimônio é o que se tem, o que se herda, o que se preserva e também o que se perde! Embora o texto não verse sobre a moderna noção de patrimônio, notadamente sobre sua classificação em material e imaterial e a consequente sensibilização de preservarmos os bens materiais de um povo, de um município, gostaríamos de discutir um pouco sobre o que seria isso no tempo. Quando Camocim não passava de um pequeno burgo, emancipado recentemente de Granja, o patrimônio informado pelo Intendente ao Presidente da Província do Ceará em 1890, resumia-se a:
Seis quartos no Mercado Público desta cidade, construído de tijolo e barro no valor de 300$000 cada um; 
 Uma cacimba pública em frente ao Mercado construída de alvenaria ordinária no valor de 50$000; 
 Um curral de madeira para recolhimento de gado destinados ao consumo público no valor de 150$000;  
Um cemitério construído de tijolo e cal no valor de 1:500$000; Um açude na povoação da Barroquinha, neste município, construído de barro no valor de 2:000,000.
Camocim, 4 de setembro de 1890.
O Secretário da Intendência
José Carneiro de Araújo. 
Esse era o nosso patrimônio, no valor exato de 4:000$000 (quatro contos de réis). Mais do que uma curiosidade histórica, vale fazer um alerta para a questão do registro nos arquivos municipais: quase nada temos sobre os tempos pretéritos e o que se tem está se acabando pela voracidade do tempo e o descuido com os documentos, além do que esta responsabilidade é do poder público. Se eu não tivesse feito esse registro quando da publicação do livro A Casa do Povo em 2008, ficaria difícil, por exemplo, algum setor da Prefeitura Municipal localizar algo sobre o Mercado Público de Camocim no 1º Livro de Officios Expedidos.
Fonte:  1º Livro de Officios Expedidos.
SANTOS, Carlos Augusto P. dos. A Casa do Povo. História do legislativo Camocinense, 2008.