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quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

SERIE HISTÓRIA CAMOCINENSE. FAÇA O DOWNLOAD DOS LIVROS

 

Foto oficial do lançamento da Série História Camocinense. Camocim. 24 de janeiro de 2022
Fonte: Site da Prefeitura Municipal de Camocim.
















PREFEITURA DE CAMOCIM FINANCIA PUBLICAÇÃO DE 4 NOVOS LIVROS SOBRE A HISTÓRIA DE CAMOCIM






Na noite desta segunda-feira, 24 de janeiro, Dia Internacional da Educação, a Prefeitura de Camocim promoveu o lançamento de 4 novos livros, de autores do próprio município, que contam a história da cidade. A noite de autógrafos ocorreu durante a Jornada Pedagógica 2022, evento da Secretaria Municipal de Educação que marca o início do ano letivo. Os livros, cuja produção foi financiada integralmente pela Prefeitura Municipal de Camocim, foram distribuídos a todos os professores que participaram da Jornada Pedagógica.

A Historiadora Maely Alves de Mesquita lançou o livro “A cantoria nas ondas das rádios AM de Camocim”, inspirada na obra de seu pai, o radialista, poeta e musicista camocinense Damião Libório. Professora Maely traz um recorte das relações políticas e culturais que envolvem as rádios de nossa cidade entre 1979 e 1989.

Francisco da Paz Pessoa, mais conhecido como Professor Sílvio Paz, da Rede Municipal de Ensino, lançou a obra “Camocim respirava esse ar de música”. A pesquisa do historiador aborda os tradicionais festivais de música de Camocim, realizados entre os anos de 1986 e 2003. Sílvio Paz convidou para o lançamento o compositor camocinense Chico Sabiá.

O Professor, Historiador e Mestre em História Edcarlos da Silva Araújo lançou a obra “Depois da meia-noite”. O livro narra experiências extraordinárias, transmitidas por intermédio de lendas e mitos, que contam um pouco do cotidiano de Camocim entre os anos 1950 e 1969.

O Professor Adjunto da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), Carlos Augusto Pereira dos Santos, Mestre e Doutor em História e Pós-Doutor em Estudos Culturais, é organizador da “Série História Camocinense”. Neste novo livro, “Miolo de Pote”, o historiador reúne as melhores histórias publicadas em dez anos de existência do blog “Camocim Pote de Histórias”, mantido pelo professor.

Noite de autógrafos

Por questões de saúde, os professores Carlos Augusto e Edcarlos Araújo não puderam estar presentes à noite de autógrafos. Registramos, assim, os depoimentos dos professores Maely Mesquita e Silvio Paz, que representaram os 4 autores na noite:

Maely Mesquita: “É uma honra para mim estar aqui, hoje, lançando esta obra. Eu sou filha de Camocim, e filha do poeta Damião Libório. Este livro é uma celebração à vida de meu pai, que faleceu no dia 24 de janeiro de 2014, exatamente 8 anos atrás. Eu prometi a ele que escreveria esse livro quando terminasse minha faculdade de História, sobre as duas paixões da vida dele: a rádio e a cantoria. Eu ia todo dia pro colégio Santa Maria Goreti ao som da viola do meu pai. A comunicação, a poesia, o cordel, a cantoria, o forró pé-de-serra, o baião, tudo isso está dentro do meu coração. Essa obra historiográfica é isso, um pouco do que o nosso município viveu nesse trecho entre 1979 e 1989, período em que vivemos a ditadura civil-militar, quando muita coisa foi censurada, mas a cantoria como cultura prevaleceu. As ondas do rádio eram utilizadas politicamente, eu trato sobre isso na obra, mas a cantoria trazia essa alegria ao sertanejo, e eu desejo que vocês levem esse conhecimento histórico para a sala de aula. Eu sou professora de história e me alegro muito em escrever, ensinar a história do meu município.”

Silvio Paz: “Estou muito grato por estar com vocês aqui neste momento. Poder entregar o fruto de um trabalho para toda sociedade camocinense, saber que meu esforço será algo útil, especialmente para nossas escolas. Escrever um livro é algo fantástico, em especial na nossa cultura, não é todo dia que vemos pessoas do interior como a gente escrever um livro. A possibilidade da gente criar é muito bom, seja você compor um simples poema, e mais fantástico ainda é quando você sabe que esse algo que você criou escapa da sua mão e permanece de maneira positiva junto à sua comunidade, seja escolar ou de forma geral. E é com essa alegria que estou muito grato com o município por ter me proporcionado chegar até aqui e entregar essa obra aos nossos alunos! Esse livro é um trabalho de pesquisa que fizemos há 2 anos, era um sonho meu bem antigo, poder contar a história dos nossos festivais de música de Camocim. O nosso livro trata o período de 1986, primeira edição dos festivais, até 2003. Nesse meio tempo houve algumas pausas, mas o livro traz todo esse legado da dimensão do que foi o Festival para Camocim. Eu sou muito curioso, então me perguntava: cadê nossas músicas? O que aconteceu com aquelas letras, com os nossos artistas, com nossos compositores? Então comecei a vasculhar, e com orientação do amigo e professor Carlos Augusto, conseguimos concluir essa obra. Lá estão as letras de algumas músicas conhecidas como Boi Magia, Os Meninos, de Edmar Gonçalves, e a vida de compositores como Batista Sena e Chico Sabiá.”

CLIQUE NO LINK E BAIXE OS LIVROS

https://camocim.ce.gov.br/2022/01/26/prefeitura-de-camocim-financia-publicacao-de-4-novos-livros-sobre-a-historia-de-camocim/


quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

O FUTEBOL EM CAMOCIM. GUARANI FUTEBOL CLUBE

Associação Guarani Futebol Clube. Camocim-CE. Fonte: Arquivo do clube.

Vez por outra a lembrança me leva para as tardes de domingo no Estádio Fernando Trévia. Às vezes, mais especificamente para o time que torci desde a adolescência - no caso a Associação Guarani Futebol Clube, fundado em 17 de julho de 1984, tendo como sede a Rua Duque de Caxias, 559, bairro Brasília.
Apesar de ter morado neste tempo na Rua 24 de maio, acompanhei as peladas vespertinas no campo do Secos e Molhados que ficava na confluência desta rua com a Duque de Caxias, dentro do terreno da Estação Ferroviária. A maioria dos jogadores do futuro Guarani de 1984, saíram destas ruas e do Bairro Brasília.
Da foto acima, provavelmente da segunda metade da década de 1980, percebe-se a presença de alguns jogadores moradores de outros bairros, alguns com presença na Seleção Camocinense de Futebol (Caetano Prado, Cláudio, Fogoió) e que chegaram ao futebol profissional como os zagueiros Tinguí (Tiradentes- Fortaleza-CE) e Deca (Guarany de Sobral).
Eu, particularmente, gostava muito do futebol do meia Marquinhos (último agachado, da esquerda para a direita), de muita categoria no domínio de bola e no drible.
No entanto, a figura mais emblemática do Guarani, sem dúvida aidna é o amigo José Ribamar Praciano de Sousa - o Ribão, que literalmente foi de tudo no time.
Tempos que não voltam mais!


sexta-feira, 26 de novembro de 2021

A MAÇONARIA CENTENÁRIA DE CAMOCIM

 

Rua General Sampaio. Camocim-CE. 2021. Foto: Arquivo do blog CPH.


    Em postagem anterior de 20 de setembro de 2011 (http://camocimpotedehistorias.blogspot.com/2011/09/sc-16-loja-maconica-deus-e-camocim.html), já havíamos salientado que a Loja Maçônica Deus e Camocim, nos idos de 1948, funcionava ao lado da Praça 7 de Setembro, nº 280. (antiga Praça do Quadro, Chico Panair, mais conhecida mesmo como Pracinha do Coreto).  Fundada pelo  italiano João Baptista Gizzi, em 1948, o venerável era Horácio Pessoa. 
    Neste sentido, trazemos hoje um documento comprobatório de que a maçonaria em Camocim funcionou numa modesta casa na Rua General Sampaio, 280, lado leste da Praça do Coreto. Trata-se do requerimento à Prefeitura Municipal de Camocim para realizar ligação elétrica "interna do prédio que lhe serve de sede social. sito à praça 7 de setembro, nesta cidade, para a quantidade de cem velas mensais", com data de 17 de fevereiro de 1948. (foto abaixo).  
    Pelas coordenadas oferecidas, a antiga sede da maçonaria de Camocim funcionou na casa com uma árvore à frente, que hoje tem a numeração 282 ou na vizinha, de número, 276. (foto acima). 



    Em 28 de julho de 2020, a instituição comemorou seu primeiro centenário em cerimônia realizada na sua atual sede à Rua 24 de Maio, 866, esquina com a Rua Zeferino Veras. O advogado José Gildo Soares de Lima é o atual venerável.

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

A PRAÇA DA REPÚBLICA EM CAMOCIM

 

Lei Municipal Nº 233, de 29 de abril de 1968. Fonte: Arquivo da Câmara Municipal de Camocim-CE.


         O dia 15 de novembro, como sabemos, é uma data em que se comemora a Proclamação da República no Brasil. Por outro lado, datas comemorativas e nomes de personagens da história pátria são a base para a nomenclatura de ruas e logradouros das cidades brasileiras,  inclusive, sendo recomendação  do governo federal para tal expediente desde os anos 1930.
   O município de Camocim, neste sentido, cumpriu a recomendação, nomeando suas ruas e praças com as datas e nomes da nossa história, tanto do Império, quanto da República, inclusive, a data referente da sua proclamação.

Praça Vicente Aguiar. Camocim-CE. Fonte: http://alannacaldasnews.blogspot.com/

     Daí, até 1968, tínhamos a Praça 15 de Novembro em homenagem ao ato proclamado pelo Marechal Deodoro da Fonseca.  No entanto, em 29 de abril daquele ano, o então prefeito municipal Setembrino Veras, sancionou a lei que transformava o "onomástico da Praça 15 de Novembro, nesta cidade, para o onomástico Vicente Aguiar". A Praça Vicente Aguiar fica localizada ao lado da Estação Ferroviária e defronte à Rádio União.
           Portanto, já tivemos uma praça 15 de novembro em referência à Republica brasileira (a da Independência já se foi). No entanto, ainda temos a Rua da República para dizer que temos, pelo menos, até um dia que algum vereador tiver a ideia de mudar seu nome .


Fonte: Leis Municipais de Camocim. Arquivo da Câmara Municipal de Camocim.
 

sábado, 23 de outubro de 2021

PROJETO DO CENTENÁRIO DO VOO PIONEIRO DE PINTO MARTINS

Card comemorativo do Dia do Aviador. 2021. Fonte: Prefeitura Municipal de Camocim.


No início deste ano tivemos a oportunidade de entregar à Secretaria da Educação de Camocim uma proposta do COLETIVO DE HISTORIADORES DE CAMOCIM para a área da educação. Desta iniciativa, já foi concretizada a criação da SÉRIE HISTÓRICA CAMOCINENSE, com a publicação de 04 livros sobre nossa história, já mencionados por mim neste espaço.
No documento, outras demandas foram elencadas, dentre elas, algumas alusivas a data que se aproxima do I CENTENÁRIO DO VOO PIONEIRO DE PINTO MARTINS. São ações simples, que estão a nosso alcance e que podem ser feitas pelo conjunto dos camocinenses. Logicamente, que o poder público, a população, podem e devem pensar outras ações e atividades que poderão constar das comemorações.
Neste sentido, apresentamos as nossas propostas para o conhecimento de todos:
1. Um livro de textos feito por alunos da rede pública (ensino fundamental II) a partir de atividades desenvolvidas em sala de aula. (Secretaria de Educação).
2. Uma Revista em Quadrinhos contando a saga do voo de Nova Iorque-Rio de Janeiro realizado por Pinto Martins, para ser distribuído aos alunos e trabalhada em sala de aula como instrumento didático. (Paulo José/ Coletivo Dragão do Mar (quadrinistas).
3. Pinto Martins e a imprensa – um livro mostrando a repercussão do voo de Pinto Martins na imprensa brasileira (Carlos Augusto).
4. Um filme-documentário sobre Pinto Martins e voo pioneiro. (NS Filmes de Camocim ou outra produtora com assessoria histórica do Coletivo).
PS: Há meses atrás, eu e o prof. Paulo José fomos convidados pela Prefeitura para uma conversa com o arquiteto Brandão para se discutir a revitalização da praça Pinto Martins. Nesta conversa, sugerimos várias ideias que podem ser inclusas no projeto a ser desenvolvido na referida praça, como painéis, réplica do Sampaio Correia II, mausóleu, etc. Continuamos fazendo nossa parte!


sábado, 16 de outubro de 2021

RAYMUNDO SOARES VASCONCELOS - UM ESTIVADOR DE CAMOCIM NO PORTO DE SANTOS

 

Coleção "O Comunismo no Brasil". IPM 709. 4.vols. Fonte: Biblioteca do Exército.

    Uma pesquisa nunca termina. Mesmo dando por terminado uma tese de doutorado, sempre alguns aspectos ficam para se esclarecer posteriormente. Foi o que aconteceu comigo em relação à detalhes sobre alguns trabalhadores camocinenses que saíram daqui e foram buscar trabalhos em outros portos do país, especialmente, Santos-SP. Um deles foi Raymundo Soares Vasconcelos. Na época da escrita da tese, dissemos sobre ele o seguinte:

Dos portos do país, um dos mais visitados pelos trabalhadores camocinenses em serviço era o de Santos. Com efeito, as ligações com o Sindicato dos Estivadores de Santos eram mais estreitas, a ponto de alguns desenvolverem militância política dentro desse sindicato ou fora dele. Na memória de alguns estivadores está viva a trajetória de Raimundo Soares Vasconcelos, que partiu de Camocim em busca de trabalho no Porto de Santos e chegou a presidir o sindicato da categoria na cidade paulista, além de ter facilitado o ingresso de companheiros naquele porto durante a década de 1960. (SANTOS, 2014, p.175).

    Como se sabe, existia entre os estivadores de todo país uma forte militância comunista e Raymundo Soares Vasconcelos e Aloysio Soares Vasconcelos, vulgo “Ceará” (provavelmente parente de Raimundo), acabaram participando e sendo fichados como comunistas. Aloysio, por exemplo, foi preso em 1948 por “agitação comunista”, pelo Departamento Estadual de Ordem Política e Social - DEOPS de São Paulo (SANTOS, 2014, p.175).
    Na época da escrita da tese, não encontramos maiores detalhes sobre Raymundo Soares Vasconcelos, apenas o prontuário de Aloysio no DEOPS, acima referido. No entanto, chega às minhas mãos, através do sempre prestimoso amigo livreiro Francisco Olivar (Vavá), o INQUÉRITO POLICIAL MILITAR - 709, produzido pelas forças de repressão, notadamente, o Exército Brasileiro. O famoso IPM 709 é o trabalho mais completo realizado pelas autoridades, não somente pontuado pelos relatórios das atividades dos "agitadores comunistas" elaborados por agentes infiltrados nas várias organizações de trabalhadores, mas, também de análise do movimento comunista, suas organizações, métodos, ligações e infiltrações na sociedade brasileira.



    No segundo volume da coleção vamos encontrar o camocinense RAYMUNDO SOARES VASCONCELOS, no ano de 1962 (o que revela várias décadas de militância dele), presidindo uma reunião do Fórum Sindical de Debates (FSD) de 05 de julho de 1962, um dia após a uma GREVE GERAL na cidade de Santos, cujo informe anexo fala sobre o sucesso da ação, além de ligar os acontecimentos com a aprovação do então Presidente da República e o Comandante do 1º Exército. (O Comunismo no Brasil. IPM 709, p.363).
    Temos, portanto, um camocinense, senão no centro, mas no olho do furacão dos movimentos que envolveram as relações entre trabalhadores e Governo, que acabaram sendo lidas pelos aparelhos de repressão como um perigo de estabelecimento de uma república sindicalista no país com forte inspiração comunista. Aqui não é o espaço para a discussão se isso era uma possibilidade real ou fruto do zelo conservador  e justificador das elites para a decretação do Golpe Civil-Militar de 1964, mas, o de destacar, que um simples estivador, saído de Camocim em busca de trabalho, conseguiu presidir o sindicato do maior porto do país e se tornou um militante importante da causa que abraçou.


Fonte: SANTOS, Carlos Augusto Pereira dos. Entre o porto e a estação: cotidiano e cultura dos trabalhadores urbanos de Camocim-CE. 1920-1970. Fortaleza: INESP 2014.

CARVALHO, Ferdinando de. O Comunismo no Brasil. INQUÉRITO POLICIAL MILITAR 709. 4vls. Editora Biblioteca do Exército, 1966.


terça-feira, 5 de outubro de 2021

CAMOCIM NA REVOLUÇÃO DE 1930.

Cartão Postal em homenagem à Revolução de 1930. Fonte: CPDOC.


Sempre digo que Camocim é um museu a céu aberto para ser utilizado nas aulas de História do Brasil. A Revolução de 1930 é um exemplo. Até outro dia tínhamos uma rua em homenagem à data do fato (03 de outubro, atualmente Antonio Zeferino Veras). Por outro lado, alguns camocinenses participaram da "revolução" que guindou Getúlio Vargas ao poder por 15 anos no Brasil. Vejamos a história contada por Tóbis de Melo Monteiro no livro "Camocim Centenário":

Funcionava em Camocim o Tiro de Guerra 2'13 sob a presidência do então Prefeito Municipal, Dr. Gentil Barreira. O instrutor era o Sargento Bezerra (Joaquim Olímpio Bezerra), militar autêntico por gosto e vocação.Como ele desfilava garboso no seu uniforme verde oliva. Peito para fora e barriga para dentro, como se diz na linguagem militar. As aulas eram à noite, na Praça do Mercado. A nossa arma era o fuzil Mauzer, modelo 1908. O nosso Tiro-de-Guerra diplomou muitos reservistas.

Certo dia, em 1930, no auge da revolução que explodiu para depor o então Presidente constitucional, Dr. Washington Luis, desembarcou em Camocim um sargento do exército que veio encarregado de alistar voluntários para servirem à causa da revolução. O sargento reuniu os reservistas do Tiro-de.Guerra e fez a pergunta: Quem quer ir? E a resposta começou a sair dos lábios da maioria: “Não vou porque o papai não quer e a mamãe não deixa”.. E, por fim, lá se foi o nosso contingente formado, apenas, de oito voluntários. O distintivo dos revoltosos era um lenço vermelho atado em volta do pescoço.

Embarcados à tarde no vapor "Monte Moreno" que, naquele dia, estava ancorado no porto. Muita gente acorreu à praia para assistir a partida de nossos heróis da revolução. Fomos  para Fortaleza e de lá embarcamos em outro navio maior e cheio de soldados. Rumamos para o Norte até chegar a Belém. A finalidade daquela viagem era depor o Governo do Pará que, até então, se  conservava fiel ao Dr. Washington Luis. A vida a bordo era dura. Passávamos o dia e a noite no tombadilho, sujeitos à chuva e ao sol. À noite, tínhamos que fazer plantão. 

Já em Belém, na primeira noite, às 22 horas, rendi a sentinela e ela me deu as ordens: “Existe um preso muito importante a bordo. E ele está ali, naquele camarote. Se tentar fugir pode atirar”. Enchi o fuzil de balas é fiquei olhando a noite toda para aquela porta.  O silêncio era completo. A noite era escura. Apenas a luz de bordo tremia e tremia na superfície buliçosa das águas. A soldadesca dormia, a sono solto, deitada no convés daquele transporte improvisado de tropas. Deu meia noite, Eu de olho na porta e de mão no fuzil.  Finalmente deu 4 horas da matina e, graças à Deus,  o nosso homem não fugiu. E eu senti um grandioso alívio ao passar ao meu substituto aquela instrução tão radical.

Em Belém fomos alojados num Grupo Escolar, cujas camas eram  o próprio chão duro e seco. A  nossa comida constava de bolacha, café, carne, feijão e arroz feita lá mesmo na cozinha de campanha. Nós mesmos lavávamos os nossos pratos e copos. Ficamos apenas 15 dias nesse sufoco e fomos devolvidos a Camocim pelo mesmo vapor “Monte Moreno”. Aqui em Camocim fomos recebidos com indiferença\e alguns até ficaram até criticando o nosso “heroísmo” verde-amarelo. (p.135-136).

Pela narrativa em primeira pessoa, pode-se inferir que o próprio escritor foi um dos oito voluntários que seguiram para o norte do país. Mas, quem seriam os outros sete bravos soldados? Fica a pergunta e a dica de pesquisa posterior. 


Fonte: MONTEIRO, Tóbis Melo. Camocim Centenário. IOCE, 1984, p.135-136.


quarta-feira, 29 de setembro de 2021

"SÉRIE HISTÓRIA CAMOCINENSE". CAMOCIM PUBLICA TRABALHOS SOBRE SUA HISTÓRIA. (XI SETEMBRO CAMOCIM. 2021. Nº10).

Selo da "Série História Camocinense". 2021. Editora Sertão Cult.


Por conta do aniversário dos 142 anos de emancipação política de Camocim, o Coletivo de Historiadores e a Prefeitura Municipal lançam a "Série História Camocinense". A ideia é que a partir de agora a publicação de trabalhados sobre a história do município via poder público estejam organizados nesta série, a partir das demandas e interesses dos parceiros deste projeto.
Neste sentido, a prefeita Maria Elizabete Magalhães (cuja formação acadêmica inicial é em História) autorizou a publicação de quatro volumes inicialmente organizados em dois tomos, já tendo outros trabalhos organizados pelo Coletivo de Historiadores à espera de publicação, dentro no projeto inicial apresentado à prefeita, dentre outras iniciativas no campo da história local.
Desta forma, alunos, professores e comunidade em geral terão mais quatro obras sobre nossa história que serão disponibilizadas brevemente no formato e-book no site da Prefeitura Municipal de Camocim (https://camocim.ce.gov.br/) e na página da Editora Sertão Cult (https://editorasertaocult.com/).
As obras são as seguintes:
1. "Camocim Respirava Este Ar de Música. História e Memória dos Festivais de Música em Camocim. (1986-2003). Francisco da Paz Pessoa (Sílvio Paz) e Carlos Augusto P. dos Santos.


2. A Cantoria nas ondas do rádio AM de Camocim. Relações Políticas e Culturais. (1979-1989). Maely Alves Mesquita.



3. Miolo de Pote. Dez anos do blog Camocim Pote de Histórias. (2011-2021). Carlos Augusto P. dos Santos.



4. Depois da Meia Noite. Experiências Extraordinárias em Contos, Lendas e Mitos que Narram o Cotidiano de Camocim. Edcarlos da Silva Araújo. (1950-1969).


Posteriormente, quando as versões impressas chegarem a Prefeitura Municipal de Camocim fará um lançamento e uma noite de autógrafos. São pequenas obras, mas de grande significação para dotarmos o município de uma cultura de publicação, especialmente em história. E é esse o nosso presente para o nosso povo.

Fontes: 
Prefeitura Municipal de Camocim
Editora Sertão Cult
Coletivo de Historiadores de Camocim