domingo, 13 de setembro de 2026

XV SETEMBRO CAMOCIM. CAMOCIM PRODUZ CAFÉ? 3


Café Camocim. Fonte: https://www.cafecamocim.com.br

  Camocim produz café? Não! Não temos as condições edafoclimáticas para o desenvolvimento da cultura. No entanto, a bebida mais consumida no Brasil e no mundo, produzida na Fazenda Camocim, na localidade de Pedra Azul, no estado do Espírito Santo, tem um produto com a denominação CAFÉ CAMOCIM. Se você fizer uma busca na internet vai adquirir diversos tipos de cafés com esta marca, entre R$ 61,00 a R$284,00, disponibilizados em cápsulas ou em pacotes de 100 g a 1Kg. Como se pode perceber são cafés de alto padrão, produzidos organicamente e com vários prêmios no mercado especializado.

    Outra especialidade da Fazenda Camocim e o Café Jacu Bird: o café mais raro do Brasil. O Café do Jacu, como é mais conhecido tem um interessante processo de produção: 

O pássaro jacu, uma ave silvestre nativa da Mata Atlântica, escolhe e come apenas os frutos do café mais maduros e perfeitos no pé. Daí, o sistema digestivo da ave consome a polpa e repele a semente intacta nas fezes, que são recolhidas manualmente no chão da mata. O material coletado passa por rigorosos processos de higienização, secagem, descanso e torra cuidadosa. O pioneiro e principal produtor no país é a Fazenda Camocim, localizada em Pedra Azul, nas montanhas do Espírito Santo. 

Olivar Araújo Fontenelle.(1908-2009). Fonte:https://museudapessoa.org

    Mas, qual a origem e o porque do nome CAMOCIM a este café? É que o fundador da Fazenda Camocim foi o sr. Olivar Fontenelle de Araújo.

"Ele nasceu no município de Camocim, no Ceará, no dia 26 de julho de 1908. Curiosamente, a escolha do nome de sua famosa propriedade no Espírito Santo — a Fazenda Camocim, conhecida internacionalmente pela produção do exótico Café do Jacu — foi justamente uma homenagem à sua terra natal cearense. Olivar comprou as terras capixabas em 1962, dando início a um histórico legado de reflorestamento e agricultura orgânica que hoje é continuado por seu neto.

    Olivar Araújo Fontenelle, de vida centenária, nasceu em 1908 e faleceu em 2009. Para os mais velhos fica sua lembrança. Para os mais novos, o legado de um homem visionário que apostou na agroecologia, recuperando terras no Espírito Santo e nos deixando o Café Camocim.

Fontes:

https://www.cafecamocim.com.br

https://museudapessoa.org/pessoa/olivar-fontenelle-de-ara-jo/


quarta-feira, 9 de setembro de 2026

XV SETEMBRO CAMOCIM. OS TRABALHADORES DAS OFICINAS DA FERROVIA. 2

 

    

Oficinas de Manutenção de Trens, Camocim. Fonte: Camocim Ribeiro.

    Nas várias postagens que já fiz sobre a ferrovia, assinalei a importância das Oficinas de Manutenção de Trens localizada no pátio de manobras em Camocim. Ela não foi apenas o suporte para o bom funcionamento do material rodante da Estrada de Ferro de Sobral, mas, serviu como uma verdadeira escola para a formação de trabalhadores especializados em várias áreas que a ferrovia necessitava. Por outro lado, após o fechamento do ramal Sobral-Camocim, muitos destes "artistas" seguiram na profissão de carpinteiros, serralheiros, torneiros mecânicos, ferreiros, dentre outros.

    Portanto, para a existência de uma ferrovia não era necessário apenas profissionais relacionados com o funcionamento dos trens, como maquinistas, foguistas, guarda-freios, agentes ou administradores. Uma gama de trabalhadores que, no auge da estrada beirou oitocentas pessoas, constituíam uma classe com intensa atividade, inclusive política, visto os vários movimentos grevistas que se apresentaram por quase um século de atuação.

    A este respeito, transcrevo aqui uma nota do pesquisador Camocim Ribeiro, o que atesta o que dissemos acima: 

Após a greve de 1957, a Rede de Viação Cearense promoveu a admissão de novos ferroviários para as Oficinas Ferroviárias de Camocim. A iniciativa contribuiu para restabelecer a confiança dos trabalhadores e da comunidade ferroviária, afastando o receio de que a ferrovia e suas oficinas viessem a ser desativadas por aquela autarquia. A contratação de novos profissionais demonstrava, naquele momento, a intenção de manter e fortalecer as atividades ferroviárias em Camocim.

Relação de Trabalhadores admitidos nas Oficinas de Camocim. 1957. Fonte: Camocim Ribeiro.

    Segundo a documentação, estes trabalhadores foram admitidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico -BNDE. (Na época, o banco ainda não tinha o "S" de social) para prestar serviços na Estrada de Ferro de Sobral, distribuídos nos cargos de servente, serralheiro, ferreiro, aplainador e carpinteiro.

    A ferrovia foi também escola!

sábado, 5 de setembro de 2026

XV SETEMBRO CAMOCIM. A CRIAÇÃO DA FREGUESIA. PRIMEIRO PÁROCO. 1




Pe. Leandro Teixeira Pequeno. Fonte: Galeria dos Párocos de Camocim. Paróquia de Bom Jesus dos Navegantes. Camocim-CE.

    O que é uma freguesia? Eclesialmente falando era uma antiga divisão administrativa usada pela Igreja Católica. Geralmente, a freguesia acompanha a evolução política de um determinado lugar.
    Foi o que aconteceu aqui com a instituição da Freguesia de Camocim pela Lei Provincial nº 2007, em 5 de setembro de 1882. 
    Percebam que esse ato se deu após a criação do município em 29 de setembro de 1879, três anos depois, com a mesma abrangência territorial do município, finalmente provisionada canonicamente em 19 de janeiro de 1883.
    Com a criação da freguesia havia a necessidade da nomeação do pároco,  recaindo na pessoa do Padre Leandro Teixeira Pequeno, nosso primeiro pároco, que teve duas passagens no comando da Paróquia de Bom Jesus dos Navegantes, entre 1883 a 1884 e de 1895 a 1903.
   O padre Leandro Teixeira Pequeno nasceu no município de "Icó, em 02 de fevereiro de 1855. Filho de Manoel Joaquim Teixeira e D. Maria Rita Pequeno. Foi batizado pelo Pe. Diogo Luís de Souza Lima, em 25 de março de 1855. Foi ordenado sacerdote por D. Luís Antônio dos Santos, em Fortaleza, no dia 30 de novembro de 1878".
    Ainda com relação a nossa freguesia, a mesma esteve anexada a de Granja, de novembro de 1904 a janeiro de 1906, data em que o Revdmo. Pe. José Augusto da Silva foi nomeado para reger a Freguesia de Camocim.

Fontes: 
Galeria dos Párocos. Paróquia de Bom Jesus dos Navegantes. Camocim-CE.
http://paroquiasjgranja.blogspot.com/2011/12/parocosvigarioscuras-e-vacancias.html

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

XV SETEMBRO CAMOCIM. 147 ANOS DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA.

    

Logomarca de 147 anos da emancipação política de Camocim-CE. 2026.

    Há quinze anos que em todo setembro procuramos trazer novas histórias sobre o nosso município.

    Através do blog CAMOCIM POTE DE HISTÓRIAS e das nossas redes sociais, compartilhamos o que descobrimos em nossas pesquisas e do que amigos pesquisadores disponibilizam para a nossa apreciação.

    No decorrer deste mês, estaremos postando matérias, participando das atividades do Coletivo de Professores e Historiadores de Camocim- COPHIC, dentre outros trabalhos relacionados à data magna do nosso município.

    Parabéns Camocim por toda sua existência.

Confiram, sugiram e comentem!!!

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

MUNICÍPIO DOA TERRENO PARA CONSTRUÇÃO DE LOJA MAÇONICA PINTO MARTINS

     

Logomarca da Loja Maçonica Pinto Martins. Fonte: Blog da CPH.


    Em 31 de março de 2026, a Câmara Municpal de Camocim aprovou Projeto de Lei do Executivo Nº 24/2026 em que doa um terreno no Bairro Olinda para a construção da Loja Maçonica Euclydes Pinto Martins. Após a discussão da matéria, o projeto foi provado por unanimidade pelos vereadores.

    Na ocasião, uma representação da Loja Maçonica Euclydes Martins (4894) , ligada ao Grande Oriente do Brasil, esteve presente ao plenário da Câmara, capitaneada pelo venerável Antonio Vandenvelde de Oliveira, que assegurou ao blog Camocim Pote de Histórias que os serviços de construção da loja ainda começara ainda este ano.

Representação da Loja Maçonica Euclydes Pinto Martins. Camocim-CE. 2026. Fonte: blog CPH.

    A Loja Maçonica Euclydes Pinto Martins foi fundada em 19 de abril de 2025 e homenageia o aviador camocinense, heroi do voo pioneiro da travessia das Américas entre Nova Iorque e Rio de Janeiro em 1922-23. A referida loja funciona com 20 irmãos maçons, provisoriamente na Rua Dr. Raimundo Veras, 2001, Bairro Nossa Senhora de Fátima. Camocim-CE. CEP: 62400-000.

    

quinta-feira, 23 de julho de 2026

CORONEL LIBÓRIO GOMES DA SILVA - 103 ANOS

    Praticamente passou despercebida em Camocim a data de nascimento de Libório Gomes da Silva, que nasceu a 22 de julho de 1923, na localidade de Tremendal, Distrito de Amarelas, Camocim-CE. Na sua trajetória de vida foi, dentre outras atividades, coronel da Polícia Militar do Ceará e deputado estadual por Camocim por dois mandatos (1970-1974. Suplente e 1974-1978, eleito). 

Homenagem prestada ao Coronel Libório Gomes da Silva na Escola de 1ª Grau Monsenhor José Augusto da Silva. Camocim-CE. Fonte: Livro "De soldado a coronel", p. 43.

    Benfeitor da educação camocinense, contribuiu para a fundação da EMMTI Monsenhor José Augusto da Silva (Colégio Novo) e para o soerguimento do Instituto São José (1973-1976), além de ter sido um grande apoiador do Núcleo dos Estudantes de Camocim (NEC- Casa dos Estudantes), em Fortaleza, num tempo em que o município não tinha estrutura para o ensino médio e os jovens que podiam tinham que estudar na capital do estado.

    Um resumo da sua intensa atividade na Polícia Militar e na  Assembléia Legislativa do Estado do Ceará, além das suas realizações ligadas ao Distrito de Amarelas, podem ser conferidas no livro "De Soldado a Coronel".

Inauguração da Escola Municipal Coronel Libório Gomes da Silva. 29/09/2003. Camocim-CE.Fonte: Galeria Fotográfica do Quartel da Polícia Militar de Camocim.   

    Em Camocim, além da EMTIEF Coronel Libório, seu nome também é dado a Policlínica Cel. Libório Gomes da Silva e ao Quartel da Polícia Militar.

    Coronel Libório Gomes da Silva, 103 anos de história!


Fontes impressas:

1. Instituto São José. 50 anos. Sobral-CE: Sográfica, 2000.

2. RODRIGUES, Maria das Graças. De soldado a coronel. Libório Gomes da Silva. Fortaleza-CE; INESP, 2003.

     

quinta-feira, 4 de junho de 2026

O NOVO RELÓGIO DA MATRIZ

 

Matriz de Bom Jesus dos Navegantes. Camocim-CE. Colorizada por IA. Fonte: Arquivo do CPH.


A Igreja Matriz do Bom Jesus dos Navegantes, em Camocim, constitui um dos mais importantes marcos históricos e religiosos da cidade em sua vida centenária. Projetada inicialmente pelo engenheiro da Estrada de Ferro de Sobral, Dr. José Privat — cujos restos mortais estão sepultados na própria igreja. A Matriz teve sua construção consolidada em 1919, durante a administração do Padre José Augusto da Silva, sendo abençoada por Dom José Tupinambá da Frota, então bispo da Diocese de Sobral, à qual Camocim pertencia.

Embora inaugurada em 1919, a torre da Matriz só recebeu seu “grande relógio” em 1953, como consta no Livro de Tombo da Paróquia de Bom Jesus dos Navegantes. Segundo o registro desta fonte, o equipamento chegou à cidade em 23 de maio daquele ano, transportado pelo famoso navio “Aratanha”, como doação da tradicional Família Morel, por iniciativa de Vicente Morel, em homenagem ao centenário de nascimento de seu pai, José Severiano Morel, importante benfeitor da Igreja local. Fabricado em São Paulo pela firma José Michelini & Filhos, o relógio custou cinquenta mil cruzeiros, a moeda corrente da época.

Antes mesmo da chegada do relógio a Camocim, a Câmara Municipal providenciou o agradecimento da oferta, como indica a Ata da Sessão Ordinária de 22 de março de 1953. Nela, o vereador Joaquim Pereira de Brito requereu que se telegrafasse “ao senhor Vicente Morel agradecendo a valiosa oferta de um relógio para a Igreja Matriz, o qual será instalado por ocasião das comemorações do Centenário de nascimento de seu pai José Severiano Morel".

Para a instalação do relógio, a Prefeitura de Camocim (cujo prefeito na época era o Sr. Setembrino Veras) contratou o mecânico Nilton Muratori, de Fortaleza, para realizar a montagem, que terminou a 8 de setembro. Sua inauguração ocorreu em 9 de setembro de 1953, em cerimônia solene marcada por discursos que exaltaram a memória de José Severiano Morel, e apresentaram o relógio como símbolo do progresso urbano da cidade.

Ao longo das décadas, o relógio tornou-se uma das referências mais conhecidas da paisagem urbana camocinense, embora tenha enfrentado constantes problemas mecânicos, permanecendo frequentemente atrasado ou parado, assim como, consertado algumas vezes pelo Sebastiãozinho Relojoeiro, ou pelos mecânicos da Estrada de Ferro João Evangelista de Sousa e Jairo Teixeira Bezerra, fatos lembrados com humor e nostalgia pelos moradores mais antigos.


Em 1976, a Matriz passou por importante reforma em seu teto, graças à mobilização do Lions Club de Camocim, que promoveu bingos e rifas para arrecadar recursos. A campanha reuniu doações de comerciantes, empresários e instituições locais, permitindo arrecadar quarenta e três mil cruzeiros, dos quais cinco mil foram destinados especificamente ao conserto do relógio da igreja. Entre os prêmios ofertados estavam máquina de costura Singer, geladeira Consul, rádio Semp, fogão Jangada, bicicleta Monark, radiola Philips e até um garrote, evidenciando o forte envolvimento da comunidade camocinense nas obras de preservação da Matriz.

2026. Cinquenta anos depois, num momento em que um novo equipamento marcará o passar das horas em nossa cidade, a história do relógio e da própria Igreja Matriz revela não apenas a importância da religiosidade em Camocim, mas também o papel desempenhado pelas famílias tradicionais, pelo poder público e pelas associações civis na construção da memória urbana e cultural da cidade.


Fontes.

2º Livro de Tombo da Paróquia de Bom Jesus dos Navegantes. Camocim-CE, 1953, p. 148 a 149.

3º Livro de Tombo da Paróquia de Bom Jesus dos Navegantes, p.35, 

Livro de Atas das Sessões Ordinárias da Câmara Municipal de Camocim. 1953.

Blog Camocim Pote de Histórias   

 

      

sexta-feira, 1 de maio de 2026

RECORDAÇÕES DO PRIMEIRO DE MAIO

 

Cartaz !º de Maio. Dia do TRabalhador. Fonte: https://www.aguiabranca.com.br/glossario/datas-comemorativas/trabalho


Até uma década atrás, o Primeiro de Maio em Camocim ainda me despertava para um dai intenso. Este dia começava antes do sol com as alvoradas anunciadas a foguetes, espocados das diversas direções aonde ficavam as sedes dos sindicatos classistas.

Eu acordava cedo para ver ouvir as vozes das ruas. Havia um certo tom celebrativo ou de protesto, mesmo  quando a data já vestia algumas roupas políticas. Ainda assim, era bom espreitar como os grupos de plantão no poder, anunciavam suas verdades naquele dia.

Se desenterrássemos as bandeiras dos velhos líderes trabalhistas, veríamos que houve um tempo em que  Camocim tinha uma "central sindical", aonde se discutiam e resolviam  os problemas que ocorriam nos postos de trabalho que a cidade oferecia e que a data do Primeiro de Maio era marcada pelos bonitos desfiles que percorriam as sedes das associações e sindicatos, sobressaindo-se a beleza de suas flâmulas e bandeiras. 

Como se sabe, o Primeiro de Maio nasceu de um histórico de lutas, das mãos calejadas que sentiram o peso de reivindicar melhores condições de trabalho o tempo todo, relembrando o fato e as apropriações dos "Oito Mártires de Chicago”, que varreu o mundo.

Mas o tempo, esse artesão paciente, transformou o Primeiro de Maio em algo menos alvoroçado, digamos assim. Veio o tempo dos desfiles protocolares retirando da turba o "grito dos excluídos". Virou, por um tempo, vitrine das administrações municipais em seu desfilar burocrático, controlado, sem que algo ou alguém destoasse da música tocada pela banda. Quando muito, a praça se torna uma arena de serviços prestados à população como dádiva (verifica-se a pressão arterial, corta-se cabelo, emitem-se documentos, joga-se bola aqui e ali). Os sindicatos, menos que os dedos da mão, por sua vez, enclausuram-se: uma reunião tímida neste, uma palestra qualquer naquele.

E assim, o Primeiro de Maio vai se descaracterizando, se tornando um feriado mesmo para o ócio doméstico, ou, como este de 2026, abertura de mais um feriadão para gáudio do trade turístico, ou não, se a procura não for boa. 

Resta o apelo para a marca "Dia do Trabalhador". Aproveitou-se muito a data para se promover a nova febre em Camocim - correu-se muito à beira-mar. Sem alarde, a memória do "Dia do Trabalho", cansada de carregar tanto peso, resolvesse ressignificar um pouco sua própria luta.