Mostrando postagens com marcador Comunismo em Camocim. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Comunismo em Camocim. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

A FESTA DE SÃO SEBASTIÃO EM AMARELAS. CAMOCIM. 2026


Capela de São Sebastião. Amarelas. Anos 1970. Fonte: Acervo do Sr. Osmundo Rodrigues Campos.



            Amarelas foi guindado a condição de distrito em 03 de julho de 1963, (Lei Estadual Nº 6.397 de 03/97/1963) quando o governador do Estado do Ceará era Virgílio Távora. Portanto, a primeira esta do padroeiro, São Sebastião, deve ter acontecido em janeiro de 1964. Caso este fato venha a ser confirmado nos documentos eclesiásticos da Paróquia de Bom Jesus dos Navegantes , estaremos vivendo em 2026, 62 anos desta festa religiosa.
            No que as fontes históricas e outras informações nos permitem afirmar, do ponto de vista da administração pública, na gestão do prefeito Edilson Veras Coelho (1977-1982), várias obras foram planejadas para o distrito e algumas executadas neste período:

01. Encampação e recuperação da Escola São Sebastião;
02. Recuperação da Estrada de Rodagem do trecho: KM 21 da CE-020 (Pau Ferrado) para a sede do distrito numa extensão de 10kms;
03. Colocação de um televisor público;
04. Levantamento topográfico da Praça da Matriz para a construção de um passeio;
05. Recuperação do serviço de abastecimento de água e instalação de um chafariz;
06. Reativação do posto de saúde;
07. Conservação das Estrada vicinais do Distrito;
08. Dotação de linha de ônibus diária, para  Camocim e Chaval e vice-versa;
09. Implantação de uma biblioteca escolar (padrão MEC).


            Hoje, além do novenário em honra ao mártir São Sebastião, uma extensa programação social foi elaborada para celebrar os festejos de janeiro de 2026 como a Vaquejada no Parque Encontro dos Amigos, que se realizou nos dias  17 a 18. Ainda no dia 18, aconteceu a 7ª Corrida de São Sebastião em Amarelas, campeonato de futebol, dentre outras atividades lúdicas. 
    Uma outra atividade importante para a comunidade será a Audiência Pública na EEF São Sebastião, em Amarelas, sobre a Revisão do Plano Diretor, que acontecerá no dia 22 de janeiro (quinta-feira).



 Fontes: 
1. Foto da Capela. Acervo do Sr. Osmundo Campos.
2. Relação das obras da Administração Edilson Veras Coelho, 1981, p.03. Acervo do Sr. Osmundo Campos.


    

quarta-feira, 4 de junho de 2025

CALENDÁRIO HISTÓRICO DE CAMOCIM. JUNHO


                                               Igreja de São Pedro. Fonte: Portal de Camocim.


    O mês de junho, mês dos festejos juninos, traz datas interessantes sobre nossa história administrativa, política, educacional e da Estrada de Ferro.

01 de junho de 1878 - O Conselho de Estado, presidido por João Lins Cansanção de Sinimbu, envia mensagem anexada ao Decreto nº 6.918, que autorizava o prolongamento da Estrada de Ferro de Baturité a construção da Estrada de Ferro de Sobral, visando minorar os efeitos da seca de 1877 em socorro dos flagelados da região.

08 de junho de 1985 – Solenidades comemorativas do 30º aniversário do Colégio Estadual Padre Anchieta (CEPA). Local: dependências do colégio.

9 de junho de 1948. Criação da Comarca de Camocim pela Lei Estadual Nº213, de forma definitiva, depois de ter sido criada em 8 de novembro de 1943 e suprimida duas vezes. Foi finalmente instalada a 13 de agosto de 1948.

19 de junho de 1878 -  Assinatura do Decreto nº 6.940, que considerava a Estrada de Ferro de Sobral de estrada geral, autorizando os estudos e construção por conta do Estado.

24 de junho de 1936 - Data em que ocorreu o "Massacre do Salgadinho" em Camocim, quando a policia estadual matou dois militantes comunistas (Amaral e  Luís Pretinho), que fugiam da repressão à Intentona Comunista de 1935, além de Raimundo Vermelho, que morreu três meses depois vitimado pelas torturas sofridas na Casa de Detenção em Fortaleza.

29 de junho de 1942 - Inauguração da Igreja de São Pedro pelo Padre Inácio Nogueira Magalhães. A obra foi iniciada pelo Padre Manoel Henriques.

Imagens: 

CEPI. Camocim Online

IGREJA DE SÃO PEDRO. Portal de Camocim 

sexta-feira, 28 de março de 2025

LOJA MAÇÔNICA EUCLYDES PINTO MARTINS. CAMOCIM-CE



Logomarca da Loja Maçônica Euclides Pinto Martins. Camocim-CE.


              A maçonaria em Camocim existe há mais de um século, mais precisamente, 125 anos, desde que o italiano Jean Baptiste Gizzi, juntamente com outros cidadãos que moravam em Camocim em 1920, trouxeram para cá os princípios maçons.
    Naquela época, Camocim se inscrevia no pioneirismo cearense em fundar uma loja maçônica, a Augusta, Respeitável, Benfeitora, Benemérita e Centenária Loja Simbólica Deus e Camocim Nº 1. Ao longo do tempo, para além dos serviços prestados pelos maçons no campo da filantropia em nossa comunidade, muitos cidadãos camocinenses foram iniciados nos ritos maçônicos.
            As instituições centenárias, por sua longevidade acabam se transformando, por vezes se multiplicando ou se dividindo para atender aos interesses e objetivos que o tempo reclama, afinal de contas são feitas por homens em sociedade. Deste modo, um grupo de maçons de Camocim resolveram fundar uma nova loja, homenageando o filho mais ilustre do município, o maçom e aviador Euclydes Pinto Martins. Teremos, portanto, a partir de agora em Camocim, duas lojas maçônicas. Para efeito de comparação, Sobral tem hoje em funcionamento, cinco lojas.
             As primeiras informações dão conta de que a existência da nova loja já foi comunicada ao Eminente Ir. Leonardo de Almeida Monteiro, Gr. M. do Grande Oriente do Brasil do Estado do Ceará (GOB-CE) com o nome de Augusta e Respeitável Loja Simbólica Euclydes Pinto Martins, cujos cargos já foram preenchidos pelos irmãos eleitos interinamente e que estão se reunindo semanalmente nas sextas-feiras no horário das 19:30h, trabalhando no RITO ESCOCÊS.
            Na nova loja o mandato da diretoria será bienal e a sede provisória está situada na Rua Dr. Raimundo Veras, 2001-A, no bairro Nossa Senhora de Fátima, CEP: 62.400-000. Camocim-CE.

            Segue abaixo a lista dos irmãos fundadores da nova loja maçônica Euclydes Pinto Martins em Camocim, por ordem alfabética:
1. Antonio Cleile Martins Oliveira; 2. Antonio Vandenvelde Dalio de Oliveira; 3. Carlos Feitosa de Freitas; 4. Danilo Lopes Locateli; 5. Demétrio Leandro; 6. Eduardo Noemandia Albuquerque Neto; 7. Gilson dos Santos Pereira; 8. José Eduardo Miranda; 9. José Valdir de Lima; 10. Juvane José Correa; 11. Kennedy de Sousa Braga; 12. Libni Saulo Carneiro de Oliveira; 13.Márcio Glaidson Pereira de Sousa; 14. Magno Cronemberger de Oliveira; 15. Silvio Laeth Barros Almada; Vicente de Paula Pinto Veras.
            Desejamos vida longa a mais nova instituição camocinense.
            
   Fonte:Arquivo da Augusta e Respeitável Loja Simbólica Euclydes Pinto Martins
          

















 

sexta-feira, 25 de março de 2022

94 ANOS EM 100. A LONGEVIDADE DO PARTIDO COMUNISTA EM CAMOCIM-CE

Francisco Theodoro Rodrigues, "Chico Teodoro". Fonte: ONH


Pedro Teixeira de Oliveira. "Pedro Rufino". Fonte: Arquivo do CPH.


Em 25 de março de 1922 o Partido Comunista Brasileiro (PCB) era fundado em Niterói, Rio de Janeiro. Cinco anos depois, em 1927, o mesmo se dava em Fortaleza, capital do Ceará. No interior do estado, um ano depois, era fundado em 25 de março de 1928, o Comitê Municipal do PCB em Camocim, se tornando a primeira célula interiorana do partido.
Portanto, hoje, os comunistas de todo o país celebram o centenário do partido político mais antigo em atividade. Em Camocim, a mesma data completa 94 anos. 
Entre marchas e contramarchas, períodos de legalidade e ilegalidade, repressão e apagamento da memória, a militância conseguiu sustentar uma ideia revolucionária de entendimento da sociedade que o fez se tornar "perigoso", caracterizado de "alienígena" e outros adjetivos negativos durante toda sua existência, para os setores conservadores desta mesma sociedade.
Neste sentido, a semente plantada em 1928 em Camocim, por homens destemidos como o professor Francisco Theodoro Rodrigues e o motorista Pedro Teixeira de Oliveira (Pedro Rufino) (fotos), dentre outros, ainda produz frutos, tendo hoje o PCdoB como herdeiro desta tradição de "Cidade Vermelha", que ainda hoje Camocim é conhecida.
Parabéns aos militantes, antigos e novos camaradas, como se dizia antigamente entre eles.



 

sábado, 25 de abril de 2020

DOCUMENTOS SECRETOS (?). CAMOCIM

Atividades do Grupo Marighela. Distrito Federal e Goiás. SNI. Fonte: Arquivo Nacional

Na recente saída do ex-Ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro do Governo, o mesmo alegou que o Presidente da República queria interferir nas ações da Polícia Federal. Em sua justificativa, alegou a autonomia da PF dizendo que a mesma não era a ABIN - Agência Brasileira de Informações, onde o Chefe do Executivo pode receber relatórios de suas atividades.

Pois bem, a ABIN é a versão atual do que foi o Serviço Nacional de Informações - SNI, criado no período da ditadura civil-militar de 1964. Todo governo tem sua agência de informações e, como tal, funciona como um aparato do Estado. No entanto, a Polícia Federal é polícia judiciária e atua nas investigações dos crimes, inclusive os do Presidente da República, se for o caso, portanto, estes órgãos tem funcionalidades diferentes.

Neste sentido, mostro como exemplo, uma investigação feita pelo antigo SNI, que resulta em elaboração de relatórios e que são remetidos aos órgãos competentes e para o próprio Presidente, para tomarem as providências devidas.
O ano era 1969 e a repressão à luta armada estava no auge, fundamentada nos preceitos do AI-5. O SNI investigou as relações na capital federal de militantes com o que chamou de "Grupo Marighela" e suas atividades no Distrito Federal e  Goiás. É um relatório de 54 páginas onde são relacionados integrantes e colaboradores deste grupo. 
Agora já disponibilizados para consulta pública, vamos encontrar um camocinense envolvido nesta investigação. Trata-se de WEIMER LIMA LEMOS, nascido em Camocim em 05 de janeiro de 1943, filho de José Oliveira Lima e Julita Lima Lemos. Ele era escriturário e residia na SQS 115. Acampamento da CCA.

No documento não aparece mais detalhes do nosso conterrâneo, talvez por ter sido listado como simples colaborador das atividades do grupo investigado.

quarta-feira, 28 de março de 2018

NOVENTA ANOS DO COMUNISMO EM CAMOCIM



Logomarca de capa do PC do B na rede social facebook. Camocim-CE, 2018.
Como se sabe, o Partido Comunista do Brasil (PCB) foi fundado no Brasil em 25 de março de 1922, "ganhando projeção não apenas como um partido institucional que pautava sua existência para a disputa eleitoral, mas porque procurava manter-se vinculado aos movimentos sociais que emergiam no período", na esteira dos eventos da Revolução Russa de 1917. Segundo os historiadores Ramsés Eduardo Pinheiro de Morais Sousa e José Maurício M. dos Santos (2014):

O partido foi fundado no contexto da Primeira República, onde a política brasileira era hegemonizada pelo pacto político entre as elites mineiras e paulistas, muito embora estivessem ocorrendo mudanças econômicas e sociais no país. Após de sua fundação, o PCB começou a se estruturar pelas várias regiões do país, e logo surgiu em algumas cidades da região nordeste. Em 1927, o Partido é fundado no Ceará e consegue penetrar pelo interior do Estado, se consolidando em algumas cidades importantes, como Camocim (onde foi fundado em 1928), cidade comercial localizada no litoral norte do Ceará a 126 quilômetros da cidade de Parnaíba no Piauí. (SANTOS, 2011) .

Não sabemos a data precisa da fundação do PCB em Camocim em 1928, mas, levando-se em conta uma tradição forte na agremiação comunista em simbolizar o dia 25 de Março para fundar as células do partido, como aconteceu em 25 de março de 1949 em Uruoca,  acredito que deva ter sido em 25 de março de 1928, a data em que Francisco Theodoro Rodrigues (Chico Teodoro), Pedro Teixeira de Oliveira (Pedro Rufino), João Farias de Sousa (Caboclinho Farias), Sotero Lopes, Raimundo Ferreira de Sousa (Raimundo Vermelho), Joaquim Manso, dentre outros, fundaram o Comitê Municipal do PCB em Camocim.

O PCB em Camocim como já disse em outras postagens e livros, teve uma boa acolhida no seio operário da cidade, mas, também muita perseguição política, desde os anos 1930 (Ditadura Vargas) até o final da ditadura civil-militar em 1985, onde se escreveu uma página de dor que dilacerou muitas famílias, cujos chefes aderiram ao "credo vermelho", citados acima, além de outros como Chico Ricardo. 

Após a redemocratização o partido ressurge ainda como PCB, concorrendo às eleições de 1988 com o motorista Haroldo Carvalho de Oliveira, neto de Pedro Rufino. A partir das eleições seguintes, o PCB se tornou PCdoB. Hoje, o PC do B tem dois representantes na Câmara Municipal, os vereadores Oliveira da Pesqueira e James do Peixe. 







Fontes:

“VELHOS CAMARADAS”: contribuição inicial à história do Partido Comunista Brasileiro no Piauí (1932- 1964) RAMSÉS EDUARDO PINHEIRO DE MORAIS , JOSÉ MAURICIO MOREIRA DOS SANTOS.
SANTOS, Carlos Augusto P. dos Santos. Cidade Vermelha: a militância comunista nos espaços do trabalho. Camocim-CE. (1927-1950). Fortaleza: UFC/BNB/TRT-CE, 2007.   

terça-feira, 25 de outubro de 2016

PCdoB DE CAMOCIM FEZ BONITO NAS ELEIÇÕES DE 2016

Após as eleições de 2016, o leitor Francisco Rocha Pereira fez uma análise do desempenho do PCdoB em Camocim para a Câmara Municipal, recuperando historicamente a atuação do partido em nosso município.


by Francisco Rocha Pereira
Historiador e militante do PCdoB

Pedro Teixeira de Oliveira (Pedro Rufino). Fundador do PCB em Camocim 
e Vereador na Legislatura de 1948-1950. Fonte: acervo do blog.
Haroldo Carvalho de Oliveira. 
Candidato a Prefeito de Camocim pelo PCB em 1988. 
Fonte: Livro "A Casa do Povo".
O Partido Comunista do Brasil (PCdoB), mais uma vez faz história em Camocim. Não é à toa que ainda na primeira metade do século XX, Camocim recebeu a alcunha de “Cidade Vermelha” devido a importância que esse partido teve, principalmente no meio sindical e trabalhista, desde as primeiras décadas do mesmo, muito bem retratada no livro “CIDADE VERMELHA: A militância comunista nos espaços do trabalho. Camocim – CE (1927-1950)”, do historiador Carlos Augusto Pereira dos Santos. Ainda do mesmo autor, antes que eu me esqueça, já que quero falar de eleição, nota-se a força dos comunistas ao conquistarem uma vaga na Câmara Municipal de Camocim na Legislatura de 1948-1950, detalhado no livro “A CASA DO POVO: História do Legislativo camocinense”, mesmo que para isso tenha sido necessário se abrigar em outro partido, devido a cassação do registro do PCB (Partido Comunista Brasileiro), que era vítima da perseguição e repressão aos comunistas no governo do Presidente Dutra.Trata-se do então vereador Pedro Teixeira de Oliveira (Pedro Rufino), um dos mais destacados edis daquela legislatura. De lá para cá, hora com mais, hora com menos filiados, esse partido que sempre foi guerreiro na defesa da classe trabalhadora e do socialismo, sempre vinha concorrendo ao legislativo, mas sem êxito. Somente no pleito de 2012, após 65 anos da eleição de Pedro Rufino, o agora PCdoB, volta a ter sucesso obtendo 2.739 votos e conseguindo eleger o segundo vereador na história municipal do partido para atuar na Casa do Povo, o Sr. Edivanilson Oliveira de Sousa (Oliveira da Pesqueira). Não sei se é coincidência, mas na referida eleição observa-se dois fatos inusitados: o total de anos que separa as duas eleições é igual a sigla do partido (65); o outro é que embora não tivesse tradição na política, Oliveira, além da sorte de entrar logo na primeira tentativa, deve se orgulhar também, de ter sangue de Pedro Rufino em suas veias, pois é filho de uma sobrinha do mesmo.
Edivanilson  Oliveira de Sousa(Oliveira da Pesqueira). 
Vereador do PCdo B, reeleito para a legislatura 2017-2020. 
Fonte; politicaemevidencia.com.br
Antes de ir para um segundo ponto, gostaria de destacar a forma corajosa e peculiar do PCdoB caminhar independente de quem esteja no poder. Seus encontros e conferências são uma boa aula de história e tem como ponto forte a conscientização política e a primazia do bem comum.
É sabido que na cidade de Camocim há dois grupos fortes que, juntos, são detentores de quase a totalidade do eleitorado, não sobrando muito espaço para uma terceira via; quando surge. Essa condição faz com que o partido às vezes apoie um grupo nas eleições para prefeito, às vezes, o outro. Entretanto já teve a ousadia de concorrer ao executivo em 1988 com o nome do saudoso Haroldo Rufino, neto de Pedro, como terceira opção, e em 2008 concorreu a Vice-Prefeitura com o radialista Assis Araújo na chapa encabeçada por Mônica Aguiar, quando ficaram em segundo lugar. Desde então os comunistas vem apostando no projeto político do grupo liderado pelo Deputado Sérgio Aguiar. De 2012 para cá, o partido não só contribuiu para a eleição e reeleição da Prefeita Mônica, como também teve um significativo crescimento nesse período, conseguindo mais um feito inédito nessas eleições de 2016, que apresentaremos a seguir, de acordo com alguns dados fornecidos pelo Diretório Municipal: De 2.739 votos em 2012, pulou para 4.049 em 2016, mais 103 votos de legenda; No geral a Coligação ficou em 3º lugar, já o partido ficou em 2º lugar, ficando atrás somente do PDT da Prefeita reeleita, superando até mesmo o próprio PMDB da candidata derrotada que, embora tenha sido bem votado, não fez um vereador sequer pela legenda de seu partido. 
James do Peixe. Vereador eleito pelo PCdo B para a 
legislatura 2017-2020. Fonte:gazetadopovo.com.br 
Enquanto isso o PCdoB fez dois, reelegendo Oliveira com votação dobrada, elegendo James do Peixe que a exemplo do primeiro tem o mesmo ramo de vida, (vendedor de peixe), e também entrou na primeira tentativa, e ainda conseguiu mais um vereador pela coligação PCdoB/DEM, que foi o Zezinho da Rádio (DEM). Esta superação e crescimento são resultado do empenho dos camaradas, sendo motivo de orgulho para todos os que fazem parte do Diretório Municipal, dos candidatos eleitos e não eleitos e também dos simpatizantes. Antes de finalizar, quero chamar atenção para um pequeno contraponto: A ênfase à evolução do partido não significa dizer que não haja divergências entre os que o compõem. Afinal, elas fazem parte dos desafios enfrentados e superados.Há quem diga que o partido não é mais o mesmo, mas há de se ver também que algumas mudanças estratégicas às vezes são necessárias para se alcançar um objetivo. E desta vez, o objetivo de colocar dois vereadores para fortalecer as ações dos comunistas no Parlamento Municipal foi alcançado. Esperamos que estes, eleitos pelo PCdoB, exercendo o verdadeiro papel de vereador, façam jus aos votos de confiança que lhes foram dados, e que através de suas vozes os ideais socialistas e a classe trabalhadora sejam mais difundidos e melhor defendidos na Casa do Povo...
Viva o Partido Comunista do Brasil!
Avante camaradas!



quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

HAROLDO CARVALHO DE OLIVEIRA - EX-VEREADOR DE CAMOCIM.

Haroldo Carvalho de Oliveira. 2008. Fonte: A Casa do Povo.
Faleceu em Fortaleza, no último dia 02 de janeiro de 2016 o Sr. Haroldo Carvalho de Oliveira  (1941-2016), conhecido como Haroldo Rufino, neto de Pedro Teixeira de Oliveira (Pedro Rufino), um dos fundadores do Partido Comunista Brasileiro em Camocim. Além das profissões de motorista e comerciante, o Sr. Haroldo exerceu mandato de vereador entre os anos 1971 e 1972, eleito com 394 votos pela Aliança Renovadora Nacional (ARENA). Com a abertura política e fim da ditadura civil-militar foi candidato à prefeito de Camocim nas eleições de 1988 pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB) mantendo a tradição política da sua família, obtendo 153 votos e tendo como candidato à vice-prefeito José Dager Pereira dos Santos. O seu sepultamento ocorreu no dia 03 de janeiro de 2016 no Cemitério São José com a presença de familiares, amigos, políticos e população em geral. Em 2008 concedeu entrevista para o projeto editorial que redundou na publicação do livro A Casa do Povo, a qual transcrevemos abaixo:

Nome Completo (apelido): Haroldo Carvalho de Oliveira.
Filiação: Valdemar Pinto Carvalho e Guiomar Cordeiro de Oliveira.
Naturalidade: Camocim-CE.
Data de Nascimento: 02/04/1941.
Escolaridade: Ginásio.
Profissão: Motorista.
Mandatos: 01.
Períodos: 1971 a 1972
Partidos: ARENA.
Qual sua ocupação atual:
Aposentado e Motorista.
Qual seu político de referência?
Não houve um político de referência, se candidatou por indicação de amigos.
Se pudesse realizar uma obra ou projeto para Camocim, qual seria?
Um projeto voltado para a agricultura, com um apoio específico e local adequado. Construção de uma Escola Profissionalizante.
Qual foi sua motivação para entrar na política?Nenhuma motivação. Somente depois da Anistia e a influência de seu avô Pedro Teixeira de Oliveira é que passou a gostar de política..
Observações:
Neste período os vereadores não tinham autonomia para realizar projetos e todas as decisões e “louros” cabiam ao Prefeito. O Prefeito do referido período foi o Sr. José Maria Primo de Carvalho. Entrevista cedida pelo próprio em seu comércio na tarde do dia 02 de abril de 2008.

Fonte: Livro A Casa do Povo/TRE-CE,

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

PORTAL "BRASIL NUNCA MAIS" TRAZ DOCUMENTOS SOBRE COMUNISTAS DE CAMOCIM

A cada dia a pesquisa sobre os Anos de Chumbo da História do Brasil fica mais fácil com a digitalização de documentos. Neste sentido o Portal Brasil Nunca Mais agora disponibiliza mais de 900 mil páginas online para consultas e pesquisas. Os documentos foram sendo reunidos desde 1979, quando um "grupo formado por religiosos e advogados deu início ao ambicioso projeto de obter informações e evidências de violações de direitos humanos praticadas por agentes da repressão durante a ditadura militar no Brasil" (RHBN, p.15). O projeto rendeu anteriormente um livro denúncia com o mesmo nome: "Brasil: nunca mais", onde podemos conferir os depoimentos de torturados, entre eles o de João Farias de Souza, o "Caboclinho Farias". Numa rápida olhada no portal podemos perceber cerca de 39 ocorrências relacionadas aos comunistas de Camocim, dentre eles, João Ricardo, acusado de distribuir propaganda subversiva. A maioria da documentação digitalizada pelo portal é constituída de papéis produzidos pela polícia política, o que vale a advertência de que as declarações contidas nestes documentos não constitui a verdade, posto que conseguidas em sua grande maioria sob tortura. O endereço do portal é: bnmdigital.mpf.mp.br/. ‎

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

III SC 05 - A PESQUISA SOBRE O COMUNISMO EM CAMOCIM

"Historiador faz pesquisa sobre Partido Comunista em Camocim. Fonte: Tribuna do Ceará. 1998. Fortaleza.

Parece que foi ontem, mas já faz mais de quinze anos que iniciamos a pesquisa sobre a experiência ideológica dos militantes comunistas em Camocim. Começou com uma simples informação sobre o apelido que a cidade recebeu por conta dessa militância em Camocim, a "Cidade Vermelha". Daí em diante, com a possibilidade de iniciarmos uma carreira acadêmica, começamos por uma monografia num Curso de Especialização em Teoria da História, na UVA, depois veio o Mestrado em História Social na UFRJ/UFC e, finalmente com desdobramentos no  Doutorado na UFPE. Foram muitas horas, dias, meses e anos nos arquivos de Camocim, Fortaleza e Rio de Janeiro, escarafunchando documentos, lamentando a ausência de outros (principalmente dos produzidos pelo PCB), entrevistando pessoas (algumas morreram antes de conceder seu depoimento) além das orientações, da leitura de textos, livros e da solidão da escrita, afora as horas furtadas da família. Tudo isso, no entanto, foi compensado com a publicação da dissertação de mestrado e do reconhecimento dos conterrâneos e dos meus pares na academia em inúmeros eventos em que apresentamos os resultados dessas pesquisas. No final de setembro, apresentaremos parte destes textos publicados na imprensa local e alguns inéditos enfeixados em livro (Sobre Camocim. Política, trabalho e cotidiano), juntamente com outros trabalhos dos professores Carlos Manuel e Francisco Rocha. A foto acima marca o início dessa caminhada no ano de 1998, quando fomos entrevistados pelo então correspondente do jornal Tribuna do Ceará em Camocim, Denilson Siqueira.

sábado, 20 de abril de 2013

MULHERES DE CAMOCIM - DONA GUIOMAR E A MILITANCIA COMUNISTA

Quando eu estava pesquisando sobre a militância comunista em Camocim, Dona Guiomar Cordeiro de Oliveira, foi uma das minhas entrevistadas. Filha de Pedro Rufino, irmã do Seu Nilo, relembrou os tempos de tortura e sacrifícios. Quase tudo que ela me disse está reproduzido em entrevista concedida por ela no Portal Vermelho que reproduzimos abaixo. No momento em que o país tenta viabilizar uma Comissão da Verdade no sentido de investigar essa página triste da história brasileira, depoimentos como o da Dona Guiomar são reveladores. Leiam!
Dona Guiomar Cordeiro de Oliveira. Fonte: vermelho.org.br
Guiomar Cordeiro: “Meu pai deu a vida ao Partido Comunista”
Por Carolina Campos
Passo firme, sorriso ABERTO e muita história pra contar. Aos 87 anos, Guiomar Cordeiro de Oliveira recebeu o Vermelho/CE para falar da sua história de luta, da atuação comunista e de seu grande exemplo: o pai. Pedro Teixeira de Oliveira, conhecido como Pedro Rufino, foi um dos fundadores do Partido Comunista do Brasil, em Camocim, e é até hoje um dos maiores símbolos comunistas cearenses.
Única filha mulher de Pedro Rufino, Dona Guiomar tem da infância lembranças da companhia do pai nas passeatas, comícios e reuniões que ele participava. “Eu era pequena, não entendia muito, mas sempre o acompanhava”. Mas as recordações também são dolorosas. “Ele foi preso onze vezes, apenas por ser comunista e lutar pelo direito dos trabalhadores e do povo da região.
Muitas vezes ia deixar a comida dele na prisão, ficava na delegacia fazendo companhia e quando voltava, chorava de saudade”, relembra. Na escola, quando ouvia brincadeira dos colegas por conta das prisões, a resposta tinha na ponta da língua. “Ele não é ladrão. Foi preso porque defende os direitos dos pais de vocês”.
Não foram poucas as vezes que Dona Guiomar presenciou a prisão do pai. “Ele era comerciante, tinha um bar e atendia a clientela noite adentro. Uma vez, tarde da noite, ao chamar minha mãe para abrir a porta, foi surpreendido pela polícia que já o aguardava de tocaia. Não pode nem entrar para pegar roupas”, recorda.
Pedro Rufino filiou-se ao Partido Comunista do Brasil em 1928, ano em que fundou o Partido em Camocim. Liderança destacada, sempre lutou pelos direitos dos trabalhadores e das pessoas da região. “Meu pai nunca foi empregado de ninguém, então colocou um comércio. Ele não aguentava abuso de patrão e por isso defendia tanto os trabalhadores”, ratifica Dona Guiomar.
Foram inúmeras as participações de Pedro Rufino que marcaram o movimento popular em Camocim. “Onde ele chegava, era logo cercado. Meu pai era muito querido por todos. Mercado, estação de trem, construção civil, todo mundo recorria a ele quando precisava de alguma coisa”.
Dona Guiomar cita um incêndio que aconteceu numa localidade próxima e Pedro Rufino saiu em defesa da vítima. “Ele veio a Fortaleza, falar pessoalmente com o Governador, para garantir o ressarcimento dos bens”.
Nas passeatas do 1º de Maio e na greve geral de 1949, ele também era destaque. “Outra data de muito discurso e festa era o dia 3 de janeiro, dia em que comemorávamos o aniversário de Luis Carlos Prestes. O dia já amanhecia com foguetório na cidade”, sorri ao relembrar. A luta pela manutenção da estrada de ferro foi outra bandeira encabeçada por Pedro Rufino. “Foram meses se dedicando a esta causa.
Dia e noite, ele estava atuando, mobilizando as pessoas para garantir que a estrada de ferro não fosse retirada de Camocim. Teve até a visita de ministro na cidade e conseguimos adiar por quase 30 anos esta decisão. Saímos vitoriosos”, comemora Dona Guiomar.

Companheira de lutas do pai
Já mocinha, Dona Guiomar além de acompanhar Pedro Rufino nas atividades, também passou a participar dos debates. “Gostava de conversar com ele porque sei que o que dizia era o certo. Eu fazia até discursos nos comícios, sempre seguindo o mesmo caminho do meu pai”.
Dona Guiomar casou bem jovem, aos 15 anos. Por um tempo morou em Parnaíba (PI), mas sempre com vínculos em Camocim. Após oito anos, volta para a cidade natal e começa a atuar na defesa dos direitos das mulheres. “Fui presidente da União Feminina de Camocim. Realizávamos reuniões aos domingos para discutir as necessidades das mulheres da região. Nossa sede era bem movimentada e a participação empolgava. Muitas vezes vim a Fortaleza para representar a entidade nos encontros da capital”. Dentre as demandas, leite para as crianças carentes e melhoria das escolas. “A gente também se integrou na campanha ‘O Petroleo é nosso’. Saíamos para colher assinaturas”, relembra.
Dona Guiomar já tinha os quatro filhos quando Pedro Rufino foi eleito vereador, em 1948. Apesar de comunista, foi pelo Partido Republicano que conseguiu concluir o mandato, sigla que abrigou os comunistas no Ceará depois de o Partido Comunista entrar na ilegalidade.
A atuação de Pedro Rufino na Câmara Municipal de Camocim foi marcada por posições firmes e muita polêmica, principalmente por ir de encontro aos interesses das famílias tradicionais da política local. Como parlamentar fez parte das Comissões de Legislação, Educação e Cultura, Comissão de Saúde Pública e Assistência Social e Comissão de Redação. “Ele contribuiu na redação do regimento da Câmara de Camocim que está em vigor até hoje”, ratifica Dona Guiomar, orgulhosa.
Um fato que hoje arranca sorrisos de Dona Guiomar era a conduta do Vereador Alfredo Coelho. “Ele faltava sessões e pedia licenças constantes porque não queria ter o desprazer de dividir o mesmo lugar com meu pai nem ser chamado de colega por um comunista”. Além de vereador, Pedro Rufino foi ainda Presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Camocim e de outras entidades e associações ligadas aos movimentos sociais da região. Ele faleceu em 18 de outubro de 1973, em decorrência de problemas cardíacos.
Filiada há mais de 50 anos ao Partido Comunista, Dona Guiomar continua com a convicção de defender as ideias de Pedro Rufino. “A lição que ele me deixou foi de fazer o bem, defender o povo e trabalhar muito em benefício da melhoria de vida das pessoas. Meu pai deu a vida ao Partido Comunista e em defesa de sua causa e nada era mais importante para ele que as ações do Partido”.
Uma das pioneiras na luta em defesa dos direitos da mulher, Dona Guiomar comemora o fato de uma mulher ter sido eleita Presidente do Brasil pela primeira vez. “Ela é corajosa e muito inteirada das coisas. Torço que continue nossa luta e faça um grande governo, com democracia e sem corrupção. Eu estou do lado dela”, ratifica.
Liderança destacada e referência comunista no Ceará, Pedro Rufino foi responsável pelo fortalecimento do Partido no Estado. Atualmente, o PCdoB elegeu um Senador (Inácio Arruda), dois Deputados Federais (Chico Lopes e João Ananias), um Deputado Estadual (Lula Morais), além de administrar várias prefeituras cearenses. Questionada sobre o que o pai acharia deste crescimento, Dona Guiomar é enfática: “Ele estaria muito feliz e batalhando para o Partido crescer ainda mais. Quem sabe até ele mesmo chegar a estes cargos”.
Apesar da idade avançada, Dona Guiomar ainda acompanha reuniões do Partido e participa de eventos, como na solenidade em comemoração aos 90 anos de fundação do PCdoB, momento em que a atuação de Pedro Rufino foi destacada como um dos comunistas pioneiros no Ceará. “Até quando puder, vou continuar a luta de meu pai, na defesa dos trabalhadores, das mulheres e dos direitos do povo”.
Com atuação voltada para a juventude e para as mulheres, Dona Guiomar deixa um recado para os comunistas enfatizando a necessidade de o povo se organizar e da união de todos. “É aquele velho ditado: uma andorinha só não faz verão. Devemos atuar com união e organização, trabalhando pela defesa dos direitos das pessoas e sempre com um olhar voltado para o futuro”, defende.

Fonte: Portal Vermelho. 10/04/2012.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

A GREVE DOS FERROVIÁRIOS EM CAMOCIM


Entre novembro de 1949 e janeiro de 1950 a população de Camocim viveu um fato inusitado em sua história - uma greve de ferroviários com reflexos na população e outro setores da cidade que protestavam contra a saída dos trens e das oficinas de manutenção da cidade para outros locais. Como grande fonte empregadora de mão-de-obra - a ferrovia chegou a ter cerca de 800 funcionários no seu quadro distribuídos nas várias seções. A transferência de funcionários para outras cidades, o sucateamento do material rodante que não tinha reposição, acenderam o sinal de alerta entre os ferroviários que viram neste conjunto de fatores uma forma de pouco a pouco ir desestabilizando o ramal ferroviário Camocim-Sobral, o que aconteceria realmente em 1977.No entanto, os trabalhadores reagiram e escreveram uma página de resistência de seus postos de trabalho como mostra a documentação da época, quando foi preciso a vinda do representante do Ministro de Obras e Viação e do Governador do Estado para acalmar os ânimos do povo. Vejamos como isso aconteceu: 
População defronte da Associação Comercial. Foto: Arquivo Elda Aguiar
Os telegramas trocados entre a Associação Commercial, que se achava em sessão permanente, e a direção da Rede de Viação Cearense eram analisados pelo povo, que insistentemente ficava de prontidão em seus arredores. Neles, algumas passagens mostram o caráter resoluto da população na defesa da manutenção das oficinas e funcionários em Camocim:
“A cidade, não obstante não haver-se registrado nenhum incidente, ainda permanece sob intensa exaltação. A massa popular continua vibrante e entusiasmada, com o propósito de obter o cancelamento da ordem de saída de qualquer operário. Acredito que somente a vinda do ministro da Viação conseguirá normalizar a situação....  Saudações.”       
Capitão Assis Pereira Delegado Especial.
“Em resposta ao seu radiograma, informamos que estamos empregando todos os esforços no sentido de que a tranqüilidade volte a reinar em nossa terra. O povo, entretanto, continua intransigente, com o objetivo de conseguir um pronunciamento definitivo do sr. Ministro da Viação sobre a permanência das oficinas da Estrada de Ferro, (...) Toda a população, sem distinção de classe ou de credos, percorre as rua da cidade, numa demonstração evidente de que pretende fazer valer os seus direitos. Logo mais, daremos melhores informações sobre os resultados que estamos empregando.                                  Abraços.”       
Murilo Aguiar e Alfredo Coelho.
“Continuamos a empregar grandes esforços no sentido de conseguir que o povo aceite a solução contida no telegrama do Dr. Hugo Rocha. Entretanto, consideramo-nos impotentes, dada a exaltação do povo. Abraços.
                       Murilo Aguiar, Alfredo Coelho e José Coelho.”.[1]
Como se percebe, povo, associações de classe e políticos deram as mãos e fizeram esforços no sentido de manter os postos de trabalho na ferrovia. Um simples exemplo de como as coisas podem ser resolvidas em prol da comunidade e sem vaidades políticas. Fica o exemplo! 

FONTE: "Cidade Vermelha - a militância comunista nos espaços de trabalho. 1927-1970"


[1] Telegramas publicados em Janeiro de 1950 no Jornal “O Povo”, Fortaleza-CE. Apud OLIVEIRA, André Frota de. Op. cit., p.105-6

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

CAMOCIM DE LUTO - MORRE O COMUNISTA NILO CORDEIRO DE OLIVEIRA


Sr. Nilo Cordeiro de Oliveira. Fonte: Camocim Imparcial


       Quando me ocorreu que a história dos comunistas de Camocim era um bom tema para uma dissertação de mestrado, mal sabia da complexidade que era mexer com um tema desta natureza. Mais do que me cercar de uma vasta bibliografia sobre os “vermelhos”, era preciso recuperar através da memória, os testemunhos de quem vivera os ideais do credo comunista. Desta forma, logo a pessoa do Sr.Nilo Cordeiro de Oliveira foi me colocada como referência. Mas, quem era aquele homem franzino envolto nas lides de uma oficina mecânica? Era simplesmente um dos filhos de Pedro Rufino, um dos oito “camaradas” que tiveram a coragem, no final dos anos 1920, fundar uma célula comunista em Camocim sob a liderança do prof. Francisco Theodoro Rodrigues. A partir da conversa inicial com o Sr. Nilo, outros nomes foram sendo postos nesta operação de reviver o passado, a maioria deles já morta, no entanto, outros vivos. Francisco Theodoro, não poderia mais falar, mas conseguimos entrevistar sua filha Lenize. Raimundo Vermelho não poderia mais falar, mas seu filho Dedé Vermelho ainda nos disse algo sobre o “Massacre do Salgadinho”. João Ricardo infelizmente partiu antes de nos falar da sua militância. Enfim, foram histórias que traziam não apenas as marcas do estigma do pensar diferente, do ser “comunista” numa sociedade, para usar um termo da época “reacionária", mas, principalmente de dor e opressão vividas por estes homens desassombrados e seus familiares que muito nos comoveu. 
         Hoje, 19 de dezembro de 2012 quem parte é NILO CORDEIRO DE OLIVEIRA, 86 anos. Das entrevistas que fizemos, sem dúvida foi a mais completa, posto que, além de trazer o sofrimento por se defender uma causa, trouxe a convicção ideológica, a certeza daqueles que acreditam numa sociedade mais humana e fraterna, a certeza da vitória do proletariado, do comunismo. O Sr. Nilo da oficina parte para se juntar a outros que pereceram com essa certeza, certeza essa que fez com que acreditasse que um dia o PC do B reconquistasse a cadeira de vereador na Câmara Municipal de Camocim tão bem representada por seu pai Pedro Rufino na legislatura de 1948-1951, afinal realizada no último pleito, com a eleição do Oliveira da Pesqueira, por coincidência membro da família do Sr. Nilo. 
     Que o partido possa honrar com esse mandato legislativo essa convicção, essa certeza destes homens que se foram. 

Requiscat in pace!