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sexta-feira, 29 de setembro de 2017

VII SETEMBRO CAMOCIM. XIV. HISTÓRIAS E LIVROS

A CAMOCIM e seus 138 anos de emancipação política.
Capa do Livro "Sobre Camocim...". 2013. 

Pensando em escrever um texto sobre nosso município não encontrei inicialmente palavras, diante de tantos que foram escritos com rara beleza, especialmente, os de Avelar SantosJosé Arilson e João Batista do Nascimento. O que me restou foi discorrer sobre CAMOCIM e HISTÓRIA, minhas eternas paixões. Aí comecei a matutar o que já fiz em nome dessas paixões que se resumem aos livros que escrevi e a um pouco mais de uma dezena de artigos em livros compartilhados. Como não tenho recursos suficientes para bancar uma publicação sozinho, quase sempre procuro o poder público, independente dos gestores, no sentido de dotar o município de uma historiografia local e os livros são distribuídos gratuitamente: Daí que:

1. Em 2005, organizei "Lugares do passado, lembranças do presente - História e memória no jornal O Literário" (2005), com textos dos amigos, patrocinado pela Prefeitura Municipal de Camocim.
2. Em 2008 publiquei "A Casa do Povo - História do Legislativo Camocinense", trabalho patrocinado pela Câmara Municipal de Camocim, Presidente Jarbas Ferreira.
3. Em 2011 a Universidade Federal do Ceará (UFC) publicou a nossa Dissertação de Mestrado, intitulada, "Cidade Vermelha: a militância comunista em Camocim-CE. 1927-1950". Da parte que coube ao autor foi autorizado a venda dos exemplares.
4. Em 2013, juntamente com os professores Carlos Manuel Nascimento e Francisco Rocha Pereira publicamos o livro "Sobre Camocim: política, trabalho e cotidiano". A Prefeitura de Camocim entrou com a metade do orçamento. Os autores venderam a parte que lhes couberam.
5. Em 2014, a Assembleia Legislativa do Estado do Ceará publicou a nossa Tese de Doutorado. "Entre o Porto e a Estação: Cotidiano e cultura dos trabalhadores urbanos de Camocim-CE. 1920-1970. Todos os livros foram distribuídos gratuitamente.
6. Amanhã, 30 de setembro de 2017 será lançado "A Nostalgia dos Apitos", livro paradidático a ser distribuído nas escolas do município, patrocinado pela Prefeitura Municipal de Camocim. 
7. Em outubro de 2017, deverá ser lançado o LIVRO DIDÁTICO DE HISTÓRIA, "HISTORIANDO CAMOCIM" em co-autoria com a Profa. Maria Freitas. O livro será adotado na rede pública a atenderá 2000 alunos do Ensino Fundamental II. A elaboração da referida obra foi objeto de licitação em 2014 e realizada no mesmo ano, contando para sua feitura uma equipe de produção composta por: historiador, transpositor didático, diagramador, fotógrafo e revisor.
Essa é a minha fortuna! Parabéns Camocim em seus 128 anos!

VII SETEMBRO CAMOCIM. XIII. O REISADO EM CAMOCIM

Aproveitando a colaboração dos escritores de Camocim, reproduzo aqui texto escrito pelo amigo Charles Nunes Melo publicado no Camocim Online.

O REISADO, POR CHARLES NUNES DE MELO

O reisado era uma tradição forte em Camocim nos saudosos anos 1970. O grupo de pessoas saia finalzinho da noite e início das madrugadas nos meses de janeiro, pedindo donativos de porta em porta para a festa de Reis realizada no dia 06. 
A cantiga era a forma de comunicação entre os participantes dos grupos e os donos das casas, que geralmente estava dormindo naquela hora. As cantigas eram as mais engraçadas e criativas possíveis e o repertório era bastante extenso. Existiam cantigas para quem colaborava e havia cantos para quem não ajudava.
O trajeto do cortejo, composto por pessoas vestidas de roupas coloridas portando instrumentos musicais, começava no salão paroquial e percorria as ruas no entorno da Igreja Matriz. O quadrilátero formado pelas ruas 24 de maio, José de Alencar, General Tibúrcio e Santos Dumont era o preferido dos participantes, pois ficam mais próximos do início da caminhada como também morava algumas pessoas mais abastadas da cidade naquela época. 
Quando a turma estava mais disposta, estendia o trajeto até a rua Humaitá, Duque de Caxias e Alcindo Rocha. Os bairros da periferia, como o Cruzeiro, Praia, Brasília, Olinda e outros, nunca foram visitados, pelos dois motivos citados acima.
Ainda sobre as músicas, uma delas era cantada para os moradores que não abriam a porta de jeito nenhum, os chamados sovinas, miseráveis, mão de vaca etc. A música era esta:
“Vou me embora, vou me embora
Pois aqui não volto mais
Esta casa é maldita
Aqui mora o satanás” 
Em uma noite, no ano de 1977, as pessoas não estavam colaborando muito. Batemos em várias portas, mas poucas abriram, e as que colaboraram não foram tão generosas.   Quando já estávamos nos preparando para retornar para nossas casas, aconteceu um fato deveras interessante e engraçado que guardo na memória.
A lua estava clara e a porta de uma residência na rua Santos Dumont, a conhecida rua do Sol, era a última tentativa naquela fracassada noite. Era costume cantarmos cinco músicas antes da última, que tanto poderia ser de agradecimento ou de descontentamento como essa que escrevi anteriormente, pois dependia circunstâncias do momento.   
Cantamos, cantamos e nada da porta ser aberta. Quando já havíamos cantado quase a música inteira e nos preparávamos para entoar o último verso: “Aqui mora o satanás”, no exato momento de pronunciar a palavra ”satanás”, eis que o sonolento morador abriu a tão sonhada porta. Dessa forma, a música ganhou uma nova versão devido a situação inesperada. 
Ficou então assim: Aqui mora o....seu Luiz. 
O Zé Rocha, um dos nossos colegas e talvez o mais gaiato, teve a coragem de falar “seu Luiz” após um silêncio provocado pelo susto diante da presença do homem, que nos deixou boquiabertos e nos impediu de chamá-lo de satanás. Ainda bem que surgiu aquela alma caridosa com aquela solitária voz (depois seguida por nós) para salvar a nossa pele, pois teria sido uma tremenda injustiça e deselegância, naquele momento, fazer essa desfeita com a pessoa que iria nos ajudar. 
Também, se a música tivesse sido cantada na versão original e o morador tivesse ouvido, com certeza, teria havido uma debandada geral com direito a uma tremenda correria. Porém, fomos salvos por um triz pelo nosso corajoso colega que teve essa presença de espírito em pronunciar o nome do Seu Luiz na hora exata e numa rapidez impressionante.

Após esse episódio, saímos da residência todos sorridentes pela oferta vultosa, até certo ponto, e por tudo que aconteceu na casa do Seu Luiz. Fomos ao salão paroquial onde trocamos de roupas, para em seguida irmos para nossas residências e esperarmos pela próxima noite de reisado.  
Charles Nunes de Melo

VII SETEMBRO CAMOCIM. XII. CAMOCIM EM POESIA

Agradecendo ao poeta cordelista João Batista do Nascimento pela colaboração.
Calçadão da Beira Mar. Camocim-CE. 2017. Foto: Vando Arcanjo.

Para comemorar os 138 anos de emancipação política de Camocim, dedico esse mote, em homenagem a essa cidade linda e suas belas praias naturais de encantos mil. PARABÉNS CAMOCIM, PRINCESINHA TERRA DO SOL E DO MAR.

Camocim princesinha terra do sol e do mar

Sob um céu azul anil
Cheia de encantos mil
Terra de gente gentil
Deus na terra veio criar
Meu amor a declamar
Para esta terra minha
Camocim é a princesinha
Terra do sol e do mar
Seu extenso litoral
De beleza natural
Cercada de manguezal
A todos faz abismar
Sem querer subestimar
Qualquer cidade vizinha
Camocim é a princesinha
Terra do sol e do mar
Banhada por mar e rio
A cidade é um desafio
De beleza tão sutil
Cada vez mais a clamar
Seus encantos além mar
Dessa linda cabrochinha
Camocim é a princesinha
Terra do sol e do mar
À noite a lua brilhante
Vem aqui como amante
Seu amor bem declarante
A ela vem namorar
As estrelas a testemunhar
Se transformam em madrinha
Camocim é a princesinha
Terra do sol e do mar
Na linda ilha do amor
Com suas dunas um primor
Ali Deus encontrou
A forma de transformar
Unir o rio com o mar
Com suas águas morninha
Camocim é a princesinha
Terra do sol e do mar
As mais belas paisagens
Temas de grandes postagens
Em todo canto e paragem
Nos faz entusiasmar
E cada vez mais amar
Essa linda formosinha
Camocim é a princesinha
Terra do sol e do mar
Praias do guriú e tatajuba
Dos remédios e Caraúbas
Suas lagoas com carnaúbas
Maceió e farol do trapiá
A ilha do amor para amar
Xavier com areias branquinhas
Camocim é a princesinha
Terra do sol e do mar
Lago grande e imburanas
Lagoa da torta não te engana
Barrinha com terra plana
Lago das moreias te faz mimar
Em cangalhas você vai confirmar
Barreiras é a mais vizinha
Camocim é a princesinha
Terra do sol e do mar
O lago seco hoje bem ressecado
Foi o point em tempos passados
Lugar de encontros marcados
Paredões para dançar
A juventude a inflamar
Se amavam em surdina
Camocim é a princesinha
Terra do sol e do mar
Sua população aconchegante
Recebem seus visitantes
De forma gratificante
Com gentileza no olhar
À base de frutos do mar
A culinária é gostosinha
Camocim é a princesinha
Terra do sol e do mar
Bom Jesus dos Navegantes
É seu padroeiro edificante
Protetor a todo instante
Que devemos sublimar
Com fé vem venturar
Essa terra formosinha
Camocim é a princesinha
Terra do sol e do mar
A estimar novamente
Estou aqui tão contente
Coração fértil envolvente
Não me canso de exaltar
O encontro do rio com o mar
Manhã tarde e noitinha
Camocim é a princesinha
Terra do sol e do mar.

Autor: Joabnascimento
DATA: 10/03/17
Recanto das Letras: Joabnascimento
Blog: joaobnascimento55.blogspot.com
Twitter:@ljoaobatista
Foto: joaobnascimento.blospot.com

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

VII SETEMBRO CAMOCIM. XI. VULTOS CAMOCINENSES NA HISTÓRIA

Ivan Pereira de Carvalho. Padre e Professor. Fonte: arquivo do blog.

A partir de uma postagem no facebook do nosso pároco Padre Evaldo Carneiro e, com autorização do mesmo, segue abaixo uma lista de pessoas que fizeram história em suas trajetórias de vida e que são camocinenses.

NO CLERO.
Pe. Ivan de Carvalho, filho de Luciano Pereira da Luz e Amélia de -Carvalho Pereira, nasceu a 8 de novembro de 1909 e ordenou-se a 3 de dezembro de 1933.
-Dom Leandro Menescal Marques de Sousa, da Ordem Beneditina, nasceu em 2 de maio de 1888. Foi capelão da Esquadra Brasileira, que tomou parte na Guerra Europeia em 1914.
-Clérigo Nilo Navarro Pessoa de Carvalho, filho de Horácio Pessoa e Luzia navarro Pessoa. Noviço da Companhia de Jesus.


NAS CIÊNCIAS E NAS LETRAS.
-Dr Alfredo Pessoa de Carvalho. Engenheiro geógrafo, filho de João Nicolau Cavalcante e Luzia Pessoa Cavalcante, nasceu a 26 de fevereiro de 1895.
-Dr. Antônio Dias Macedo, bacharel em Direito, nasceu a 5 de agosto de 1907.
-Dr. Artur Veras. Bacharel em Direito, filho de Tomaz Zeferino Veras e Emília Pessoa Veras, nasceu em 30 de julho de 1900.
-Dr. Carlos Felinto Cavalcante, nasceu a 16 de setembro de 1909. Filho de José Felinto Cavalcante.
-Dr. Domingos Olímpio Cavalcante de Saboia. Médico. Nasceu a 19 de setembro de 1907.
-Dr. Etibano Pessoa Chaves. Farmacêutico. Filho de Francisco Nelson Chaves Filho e Maria Carneiro Chaves.
-Euclides Pinto Martins. Aviador. Filho de Antonio Pinto Martins e Maria do Carmo Pinto Martins. Diplomou-se Engenheiro Mecânico pelo Instituto Drexel, de Filadelfia em 1912 e em 1921 recebeu o brevet de aviador, em Nova York. Fez o raid Nova York-Rio de Janeiro em agosto de 1922 em comemoração ao centenário da Independência do Brasil e faleceu tragicamente na capital da República a 12 de abril de 1924.
-Dr. Edmilson Pessoa Cavalcante. Médico.
-Dr. João Evangelista Barbosa. Engenheiro formado em Londres. Filho de João Evangelista Barbosa e Carlota Saboia Barbosa.
-Dr. José Jaime de Oliveira Praxedes. Magistrado. filho de José Praxedes e Emília Praxedes.
-Dr. José Torquato Praxedes Pessoa. Farmacêutico. Nasceu a 28 de setembro de 1901.
Dr. José Felinto Cavalcante Filho. Engenheiro Agrônomo, nasceu a 4 de junho de 1913.
-Dr. José Espiridião de Carvalho. Magistrado.
-Dr. Raimundo Veras. Médico. Filho de Tomaz Zeferino Veras e Emília Pinheiro Veras.
-Comandante Raimundo Cavalcante de Araújo. Capitão de longo curso. Filho de Alcebiades José de Araújo e Leonília Cavalcante de Araújo. Nasceu a 12 de abril de 1900.
-Comandante Tasso Augusto Napoleão. Capitão de longo curso. Filho freire Napoleão e Maria da Glória Napoleão.


NAS ARMAS.
-Ten. Francisco Marques de Sousa. Oficial do Exército. Nasceu a 9 de abril de 1884 e faleceu em 1915.
-Cap. Bibiano Pessoa Chaves. Oficial do Exército. Filho de Francisco Nelson Chaves.
-Cap. João Carvalhedo. Filho de José Cavalcante e Júlia Barbosa Carvalhedo. Nasceu a 21 de março de 1905. Verificoi praça a 23 de março de 1923. Asp. a 7 de janeiro de 1927; 2º tenente a 14 de julho de 1927; 1º tenente a 18 de julho de 1929; cap. a 31 de julho de 1934. Fez o curso de Infantaria pelo regulamento de 1924.
-Cap. Júlio Veras. Oficial do Exército. Filho de Tomaz Zeferino Veras e Emília Pinheiro Veras. Nasceu a 12 de agosto de 1900. Verificou praça a 12 de março de 1923. Asp. a 7 de janeiro de 1927. 2º tenente a 14 de julho de 1927. 1º tenente 18 de julho de 1929. Na revolução de 1930 ocupou o cargo de Governador Militar do Pará.
-Ten. Potiguara Veras. Oficial dos Exército. Filho Antonio Zeferino Veras e Maria Coelho.
-Ten. Tércio Veras. Oficial do Exercito. Filho de Tomaz Zeferino Veras e Emília Pinheiro Veras.

..................................se não tivesse cansado, continuava.
Pe. Evaldo Caneiro. Pároco de Camocim/CE.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

VII SETEMBRO CAMOCIM. X. O TRAÇADO URBANO E AS RUAS DE CAMOCIM NO TEMPO

Primeira Planta da Cidade de Camocim. 1933.


Em 1933, o então interventor do município, Dr. Gentil Barreira, contratou o Engenheiro Militar Capitão José Rodrigues da Silva que elaborou uma planta da cidade onde constava 29 ruas e seis praças. No mesmo ano, um jornal local (infelizmente, sobreviveu ao tempo apenas um recorte sem o título do periódico) publicava o Decreto nº 26 de 1º de agosto de 1933, onde apareciam 31 ruas e seis praças. Para efeito de conhecimento de todos, transcrevemos a composição do traçado urbano desta época:

As ruas eram as seguintes, segundo o recorte de jornal:

 “AS RUAS: 1- da Praia, 2-Engenheiro Privat, 3- General Sampaio, 4- Senador Jaguaribe, 5- 24 de Maio, 6- Santos Dumont, 7- Humaitá, 8- Paisandú, 9-Riachuelo, 10- Joaquim Távora, 11- João Pessôa, 12- 3 de Outubro,13- Professor Castello Branco, 14- Siqueira Campos, 15- Rui Barbosa, 16- Quintino Bocaiúva, 17- Don Pedro II, 18- Benjamin Constant, 19- Marechal Deodoro, 20- Marechal Floriano, 21- da Republica, 22- Zeferino Veras, 23- da Independência, 24- 13 de Maio, 25- José de Alencar, 26- do Comercio, 27- General Tiburcio, 28- Tiradentes, 29- Duque de Caxias, 30- (ilegível) Ceará, 31- 8 de Janeiro

PRAÇAS – 1- 15 de Novembro, 2- 7 de Setembro, 3- Pinto Martins, 4- da Matriz, 5-Francisco Nelson, 6- Bom Jesus”. 


Novas ruas de Camocim. Fonte: areah.


Muitas destas ruas continuam com a antiga denominação, enquanto outras foram renomeadas, mas, muitas outras foram incorporadas ao traçado urbano através dos tempos.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

VII SETEMBRO CAMOCIM. IX. 1919.CENTENÁRIO DA AGÊNCIA DO BANCO DO BRASIL DE CAMOCIM.

Anúncio do Banco do Brasil em Camocim. Fonte: Jornal Folha do Litoral. 26/01/1919. Camocim-CE.


 Em postagem no ano de 2016 abordamos a inauguração da Agência do Banco do Brasil em Camocim em 9 de janeiro de 1919, que ficava localizada na Rua da Estação (atual Engenheiro Privat). A notícia da inauguração foi noticiada na primeira página pela Folha do Litoral de Camocim em 12 de janeiro do mesmo ano, tendo como  primeiro gerente o Sr. Antonio Lima e Silva. Em 2019, portanto, a nossa agência completará seu primeiro centenário.
Em 26 de janeiro de 1919, a propaganda da então "maior instituição bancária do país" já aparecia no jornal local Folha do Litoral, apresentando as vantagens de se depositar o dinheiro dos futuros clientes em contas correntes a prazo fixo, realização de empréstimos e cobranças no território nacional e no exterior.
Por outro lado, percebe-se que o "comercial" do Banco do Brasil, com a relação das agências do país (no Ceará, até os anos 1950 eram apenas dez, Camocim incluso) era recorrente nos principais jornais e revistas do país.

domingo, 24 de setembro de 2017

VII SETEMBRO CAMOCIM. VIII. AS TRADIÇÕES E SABERES NAS ÁGUAS DE CAMOCIM

Convite da Exposição Tradições e Saberes nas águas de Camocim.
20 de setembro a 20 de outubro de 2017. Criação: Regina Raick.


Uma exposição em homenagem às tradições e saberes nas águas de Camocim com feição etnográfica está montada na Estação Ferroviária de Camocim e estará aberta à visitação pública de 20 de setembro a 20 de outubro de 2017. A curadoria da referida exposição é da Profa. Regina Raick da Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA e foi construída com os alunos do Curso de História PARFOR/UVA/Camocim, como requisito da disciplina de Ação Educativa em Museus.
As experiências museológicas mostradas na exposição retratam vários aspectos de nossa identidade cultural, como A Religiosidade; Os Mestres do Mar; A Cata Tradicional do Caranguejo como Fonte de Renda; As Chapeleiras, dentre outros aspectos.
Além da visitação do público em geral que poderá ser feita durante o tempo programado, a exposição servirá também para que os professores da rede de ensino pública e privada possam levar seus alunos para atividades pedagógicas.


VII SETEMBRO CAMOCIM. VII. O SIMPÓSIO DE HISTÓRIA E LITERATURA DO VALE DO COREAÚ.

Logomarca do evento. Criação: Regina Raick. Finalização: Ed Propp. Camocim-CE. 2017.



Ocorreu em Camocim, de 22 a 23 de setembro de 2017, o I SIMPÓSIO DE CAMOCIM, História e Literatura do Vale do Coreaú. O evento foi uma experiência no sentido de ter continuidade no tempo, trazendo para o debate questões pertinentes no campo da educação e cultura, principalmente. Nesta primeira edição, o foco foi os diálogos pertinentes entre história e literatura, oportunizando aos alunos dos Cursos de História e Letras PARFOR/UVA momentos de intensas atividades extra curriculares que auxiliarão em suas formações.

Passeio cultural: Os caminhos de Carlos Cardeal. A cidade no romance "O Terra e mar". Camocim-CE. 2017.
Foto: Célia Santos.

A programação do evento contou com diversas atividades como mesa-redonda, minicursos, oficinas, uma exposição sobre "Os saberes do mar" (que ainda pode ser vista na Estação Ferroviária) e um passeio cultural pelas ruas da cidade, guiado pelo professor Carlos Augusto P. dos Santos, através do romance do escritor Carlos Cardeal, o, "Terra e Mar", publicado em 1988.
O evento foi finalizado com apresentação de trabalhos (banners) na Estação Ferroviária sobre a historiografia cearense realizado pelos alunos do Curso de História PARFOR/UVA/Camocim e o poeta Lívio Barreto e a Padaria Espiritual, desenvolvido por alunos do Curso de Letras PARFOR/UVA, da cidade de Granja.
Que no próximo ano, a interdisciplinaridade e a amplitude do evento seja maior!

terça-feira, 19 de setembro de 2017

VI I SETEMBRO CAMOCIM.VI. A EXPORTAÇÃO DE ALGODÃO PELO PORTO DE CAMOCIM.

Jornal "A Esquerda". Rio de Janeiro. 19 de agosto de 1931.

Quase um ano após à Revolução de 1930, o chamado Governo Revolucionário de Vargas procurou disciplinar os serviços de exportação de produtos agrícolas, que passaram a ser melhor inspecionadas e classificadas. Neste sentido, um decreto editado em agosto de 1931 reformulava a exportação do algodão, um dos produtos mais importante da pauta econômica da época.
Camocim, por ser um porto exportador produto, tinha um Posto de Classificação de Algodão sob a responsabilidade do Centro de Exportadores do Ceará.
A propósito, o jornal A Esquerda do Rio de Janeiro, de  19 de agosto de 1931, traz uma reportagem sobre uma série de medidas a serem adotadas para a comercialização do “algodão exportavel”, dentre elas a uniformização dos serviços de certificação do produto, a cargo de funcionários da União, através da Superintendência do Serviço do Algodão.
A reportagem segue elencando outras medidas e ressaltando a produção nacional, inclusive os números da exportação do algodão vias portos do Ceará: “pelo porto de Fortaleza, 29.748 fardo, pesando 5.354.640 kilos e, pelo porto de Camocim 2.564 fardos, com o pesa de 442.777 kilos, o que faz um total de 32.312, fardos, com 5.977.417 kilos”.

Empresa de Algodão Ltda. Camocim-CE. Foto: Arquivo do blog.

Infelizmente a matéria não traz mais elementos sobre a exportação do algodão em Camocim, como por exemplo, o nome dos funcionários do governo que fiscalizavam o serviço de classificação, a relação das fábricas que descaroçavam o algodão ou os tipos de prensas. Isso é matéria para futuras pesquisas. Contudo, sabe-se que por muito tempo, o algodão da hoje região noroeste do Estado do Ceará, passava pelo Porto de Camocim e as ruínas da Empresa de Algodão ainda estão aí para atestar aquele tempo áureo.


segunda-feira, 18 de setembro de 2017

VII SETEMBRO CAMOCIM. V. OS DADOS POPULACIONAIS DE CAMOCIM NA HISTÓRIA

Regatas de Canoas em Camocim. 1983. Fonte: IBGE.
Por vários motivos, dentre eles o da credibilidade dos números, os primeiros censos demográficos não eram muito precisos, Com efeito, desde a segunda metade do século XIX que o governo tenta contar a população do país.  Para nossa região, os primeiros números são de 1872, quando se contou a população escrava da província. Neste ano, Camocim ainda era ligado ao município de Granja, e os números eram de 783 (363 homens e 420 mulheres) escravos no Distrito de São José de Granja e 61 (34 homens e 22 mulheres) escravos no Distrito de Nossa Senhora da Amarração (atual Luís Correia), totalizando 814 cativos.
Os números para Camocim começam com o Recenseamento de 1890, cuja população, distribuída entre a sede e os distritos de Barroquinha e Gurihú (grafado desta forma) totalizava 6.667 habitantes, sendo 3.251 homens e 3.416 mulheres.
Da passagem do séc. XIX para o séc. XX, o crescimento ainda é pouco, visto que, quase 30 anos depois, o município de Camocim tem o acréscimo de apenas 2.603 habitantes, visto que em 1917, a população era estimada em 9.270 pessoas.
Três anos depois, no Censo de 1920, Camocim teve um aumento de quase 100%, passando para 17.271 habitantes, se revelando um polo de atração, notadamente pelo movimento de emigração observado na Seca de 1915, se tornando nesta época o 28º município mais populoso do Ceará.
A mais recente estimativa divulgada em 30 de agosto de 2017 pelo IBGE, revelou que Camocim conta atualmente com 62.985 habitantes, apontando um crescimento de 4,7% em relação ao Censo de 2010, que à época tinha 60.163 habitantes.

Fontes: Synopse do Recenseamento de 31 de dezembro de 1890. Rio de Janeiro. Officina da Estatística, 1898.
IBGE.


quarta-feira, 13 de setembro de 2017

VII SETEMBRO CAMOCIM. IV. O CENTENÁRIO DA MATRIZ DE BOM JESUS DOS NAVEGANTES

Fonte: acervo do blog
Uma das instituições camocinenses mais antigas na cidade é a Igreja Matriz de Bom Jesus dos Navegantes. Segundo a historiadora Célia Santos em recente trabalho defendido no Curso de História da UVA, intitulado "E ERGUEU-SE UM TEMPLO A BOM JESUS: A ESCRITA DA HISTÓRIA SOB A ÓTICA RELIGIOSA EM CAMOCIM-CE (1905-1917)", a edificação da antiga capela é de 1880, portanto, um ano após a nossa emancipação política. A obra foi retomada em 1905. Sobre a antiga capela ela nos diz:
A primeira planta foi criada pelo Dr. Engenheiro Privat, em 1880, que foi o primeiro Diretor das obras da Estação Ferroviária de Sobral, e as obras que deram início neste mesmo ano, foram concluídos em 1882, sendo feita a capela-mor sobre direção de Dr. Beltrão Pereira, que conseguiu levantar a faixada da frente, arcadas e paredes laterais da nave principal da futura matriz. (P.24).

No entanto, em 11 de abril de 1909, a edificação ruiu. No Livro de Tombo, o então Padre José Augusto da Silva escreveu sobre o desmoronamento:
Aos onze de Abril porém uma surpreza para toda a cidade, foi o desabamento completo da Igreja. Isto é, primeiramente um lado e após seis dias o outro. Tudo fora destruído em poucos minutos; o trabalho de muitos ficara reduzido a um montão de ruínas intransponíveis. A exceção da torre tudo mais era entulho que impedia passagem para a capella que servia de igreja. Fui obrigado a mudar a entrada para os fundos da capella. Toda comunicação era feita pela sacristhia. Uma verdadeira catástrofe fora o desabamento da igreja. O povo em geral perdera a esperança de ver uma igreja tão cedo.

            Já no ano de 1910, as obras foram retomadas, tendo uma paralização nos trabalhos por ocasião da grande seca de 1915, quando as atenções da paróquia se voltaram para minorar os sofrimentos dos retirantes que chegavam à Camocim. Com muito esforço, no ano de 1917, foi feita a “benção principal da Igreja, na qual se fez presente na cidade, o Exm. Sr. Bispo Diocesano Dom.José Tupinambá da Frota.
Recorrendo mais uma vez ao  Livro de Tombo, assim foi narrada “pelo  pároco José Augusto, a visita de Dom. José a Camocim, a fim de benzer a imagem de Bom Jesus dos Navegantes, (...) A trinta de Dezembro de 1917 o Exmo. Sr. José dignou-se vir a esta cidade especialmente para benzer a imagem do Senhor Bom Jesus dos Navegantes, offerta do Cel.. Jose Adonias de Araujo, a matriz.

Em 30 de dezembro de 2017, portanto, a nossa Matriz completará um século. O trabalho da historiadora é mais completo e interessante do que estas poucas informações que recolho. Seria interessante que a Paróquia de Bom Jesus dos Navegantes, através da Diocese de Tianguá pudesse viabilizar a publicação do mesmo, para que os católicos camocinenses pudessem saber mais sobre a história do seu templo.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

VII SETEMBRO CAMOCIM. III. OS DESFILES DE 7 DE SETEMBRO DE OUTRORA


Alunas do Instituto São José em desfile de 7 de setembro.  Camocim-CE. Anos 1980.
Trecho entre a esquina da Rua Independência e Zeferino Veras. Sentido. Sul-norte). Prédio ao fundo: Associação dos Retalhistas. Fonte: Arquivo do ISJ 

Em postagens anteriores já nos referimos sobre os antigos desfiles de 7 de setembro. Essas, portanto, são reminiscências para quem tem mais de 40 anos. O Dia da Pátria começava cedinho com uma alvorada ao som de hinos e dobrados tocados pelo Sonoros Pinto Martins. Aliás, era entre as ruas Alcindo Rocha e Independência que o palanque das autoridades ficava, quase em frente da Biblioteca Municipal Pinto Martins, na rua 24 de Maio. Cordas de náilon atadas nos postes faziam o cordão de isolamento. O verde e amarelo predominava nas bandeirolas, bandeirinhas distribuídas para a população que se acotovelava para ver a Parada de Sete de Setembro. Nas escolas, antes de sair para o desfile era feita a revista dos pelotões. De todos os cantos da cidade o som dos tambores chegavam desencontrados, mas que, por ironia, provocavam um fundo musical característico. Aqui e acolá troava um som de corneta. As autoridades se aboletavam no pequeno palanque ornado de verde e amarelo, ele mesmo pintado dessa cor esperando o desfile das escolas e das representações do Exército, que era o Tiro de Guerra, da Marinha, quase sempre nos seus jipes e da gloriosa Polícia Militar que encerrava o desfile ao som de sua banda e de tiros para o alto que invariavelmente provocava alguns gritos de espanto da multidão.
Contudo, no que se refere ao desfile estudantil, a atenção maior era para a competição estimulada pela Prefeitura Municipal. Neste sentido, se esmeravam para ganhar o prêmio, o Instituto São José, com representações de quadros da história nacional em carros abertos, o SESI (Serviço Social da Indústria) e o CSU (Centro Social Urbanos) com seus pelotões representativos de modalidades esportivas e projetos desenvolvidos nestas instituições.
Muito deste aparato cívico foi-se com o tempo! O desfile hodierno é mais uma formalidade, com outros símbolos e sentidos, mesmo porque, que Independência devemos comemorar? 

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

VII SETEMBRO CAMOCIM. II. INSTITUIÇÕES CENTENÁRIAS.


Vista da Igreja Matrix de Camocim. 2017. Foto: Wanderson Lima.
Camocim, como sabemos, fará no próximo dia 29 de setembro de 2017, 138 anos de emancipação política. Com a história do município, várias instituições também se tornaram centenárias ou estão em vias de completar esta data histórica. Senão vejamos, alguns exemplos:

Igreja Matriz de Bom Jesus dos Navegantes. Dezembro de 1917
Tiro de Guerra. julho de 1917. Centenário comemorado e amplamente divulgado aqui no Camocim Pote de Histórias
Associação Comercial de Camocim. 1918.
Banco do Brasil. 1919
Banda Lyra. abril de 1920.
Maçonaria. Loja Deus e Camocim. 1920.
Capitania dos Portos: 1899 (completou 118 anos em 05 de julho de 2017)
Ao longo deste mês, na série VII SETEMBRO CAMOCIM,  traremos mais aspectos históricos sobre estas instituições que atuam em nosso município e fazem parte do cotidiano de seus habitantes.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

VII SETEMBRO CAMOCIM. I. A 20ª JORNADA DOS IDOSOS CAMOCINENSES


Folder da 20ª Jornada de Confraternização Camocinense. Camocim. 2017.


Desde ontem, 31 de outubro  que um grupo de camocinenses residentes em Fortaleza está em nossa cidade. Eles se denominam "Idosos Vaidosos" e desde agosto de 1998, que todo ano, uma caravana de idosos voltam à terrinha para matar a saudade. Em 2017, portanto, completa-se a XX JORNADA DE CONFRATERNIZAÇÃO CAMOCINENSE, entre 31 de agosto e 3 de setembro. Muito bem humorados e dispostos, ontem foram recepcionados pela Prefeitura Municipal através da Secretaria de Turismo e pela Banda Lyra, no pátio da Estação Ferroviária, onde abraçaram simbolicamente o prédio. Posteriormente, nossos conterrâneos conferiram de perto a Exposição 40 anos do último trem de Camocim do artista plástico Elenildo Eduardo de Souza e peças de artesanato.
A estadia em solo camocinense prosseguirá com uma vasta programação com passeios pela Praia do Maceió e Bitupitá, Festa dos Anos Dourados, Recital de Piano e Missa de Ação de Graças.
Desejamos a todos uma bela e proveitosa estadia em nossa cidade.