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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

A FESTA DE SÃO SEBASTIÃO EM AMARELAS. CAMOCIM. 2026


Capela de São Sebastião. Amarelas. Anos 1970. Fonte: Acervo do Sr. Osmundo Rodrigues Campos.



            Amarelas foi guindado a condição de distrito em 03 de julho de 1963, (Lei Estadual Nº 6.397 de 03/97/1963) quando o governador do Estado do Ceará era Virgílio Távora. Portanto, a primeira esta do padroeiro, São Sebastião, deve ter acontecido em janeiro de 1964. Caso este fato venha a ser confirmado nos documentos eclesiásticos da Paróquia de Bom Jesus dos Navegantes , estaremos vivendo em 2026, 62 anos desta festa religiosa.
            No que as fontes históricas e outras informações nos permitem afirmar, do ponto de vista da administração pública, na gestão do prefeito Edilson Veras Coelho (1977-1982), várias obras foram planejadas para o distrito e algumas executadas neste período:

01. Encampação e recuperação da Escola São Sebastião;
02. Recuperação da Estrada de Rodagem do trecho: KM 21 da CE-020 (Pau Ferrado) para a sede do distrito numa extensão de 10kms;
03. Colocação de um televisor público;
04. Levantamento topográfico da Praça da Matriz para a construção de um passeio;
05. Recuperação do serviço de abastecimento de água e instalação de um chafariz;
06. Reativação do posto de saúde;
07. Conservação das Estrada vicinais do Distrito;
08. Dotação de linha de ônibus diária, para  Camocim e Chaval e vice-versa;
09. Implantação de uma biblioteca escolar (padrão MEC).


            Hoje, além do novenário em honra ao mártir São Sebastião, uma extensa programação social foi elaborada para celebrar os festejos de janeiro de 2026 como a Vaquejada no Parque Encontro dos Amigos, que se realizou nos dias  17 a 18. Ainda no dia 18, aconteceu a 7ª Corrida de São Sebastião em Amarelas, campeonato de futebol, dentre outras atividades lúdicas. 
    Uma outra atividade importante para a comunidade será a Audiência Pública na EEF São Sebastião, em Amarelas, sobre a Revisão do Plano Diretor, que acontecerá no dia 22 de janeiro (quinta-feira).



 Fontes: 
1. Foto da Capela. Acervo do Sr. Osmundo Campos.
2. Relação das obras da Administração Edilson Veras Coelho, 1981, p.03. Acervo do Sr. Osmundo Campos.


    

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

O CONSELHO COMUNITÁRIO DE CAMOCIM. 1967

    

  

Estatuto do Conselho Comunitário de Camocim. 1967. Acervo do Sr. Osmundo Campos.


 Quem acompanha minimamente uma administração pública sabe da importância dos Conselhos Municipais, quando funcionam efetivamente e plenamente, na implementação e fiscalização das políticas públicas adotadas pelos governantes nas mais distintas esferas de poder. Hoje se tem conselhos específicos para a educação, saúde, cultura, assistência social, dentre outras áreas.

    No entanto, este tipo de organização social não é de hoje. Há muito tempo que existem na configuração administrativa do Estado Brasileiro, mesmo que fossem formas de participação popular de natureza informal, vinda da experiência do associativismo comunitário de bairros, finalmente previstos, depois de muita luta, na Constituição de 1988, favorecendo a formação de lideranças sociais de base comunitária, que redundou na criação dos conselhos participativos previstos em lei.

    Num olhar retrospectivo, vamos encontrar o "Conselho Comunitário de Camocim" atuando na década de 1960, formado mais como um "conselho de notáveis" da elite cidade, do que propriamente de uma feição "popular" como entendemos hoje, como  podemos ver pela composição do Conselho Comunitário de Camocim de 1967. E provável que tenha existido outros conselhos antes e depois desta data.

Composição do Conselho Comunitário de Camocim. 1967. Fonte: Estatuto do Conselho Comunitário de Camocim. 1967, p.9. Acervo do Sr. Osmundo Campos.


    Em 1967, Camocim era administrada pelo prefeito Setembrino Veras e a Câmara Municipal era dirigida pelo vereador Joaquim Pereira de Brito e  vivíamos o período ditatorial militar. Por outro lado o Conselho Comunitário de Camocim ao que tudo indica pelo documento ora apresentado, tinha uma ligação muito forte com o Serviço Social da Indústria - SESI, que era um braço do governo (Sistema S)  que atuava nas áreas de educação, saúde, lazer, cultura e assistência social, desde o ano de 1946, funcionando também como órgão de controle a partir de 1964.

    De todo modo, o SESI atuou em muitas localidades, como Camocim,  estimulando a criação de Conselhos Comunitários, Conselhos de Bairro ou Associações Comunitárias, cujos objetivos principais eram: identificar necessidades locais; mobilizar moradores em torno de projetos sociais; facilitar o diálogo entre comunidade, empresas e poder público.

    Como temos apenas o Estatuto do Conselho Comunitário de Camocim, não temos como saber o nível de politização deste grupo e quais os projetos que desenvolveu ou ajudou a administração pública a desenvolver. Contudo, é uma fonte que mostra como Camocim participou deste momento associativo.


Fonte: Estatuto do Conselho Comunitário de Camocim. 1967. Colaboração do SESI. Acervo do Sr. Osmundo Campos.

quarta-feira, 10 de setembro de 2025

XIV SETEMBRO CAMOCIM. OS HOTÉIS DE 1977. II

Fachada do antigo Camocim Hotel (Hotel da Ambrozina). Fonte: CPH.

    Na alta e na baixa estação é comum se noticiar a a lotação da rede hoteleira de Camocim pelos meios de comunicação.

    No entanto, para que tudo isso acontecesse, teve um começo. Não à toa, já na década de 1970, o poder público já antevia essa possibilidade de emprego e renda em nosso município. Na gestão do então prefeito Edilson Veras Coelho foi criada uma secretaria de turismo que foi uma espécie de embrião.

    Respondendo a uma demanda do Superintendente da Polícia Federal no mês de julho de 1977, a Prefeitura Municipal de Camocim informava a quantidade de hotéis que existia na cidade (apenas três), mostrando dimensão do quanto ainda engatinhávamos no setor.

Oficio Nº 141/77. Prefeitura Municipal de Camocim. 1977. Acervo: Sr. Osmundo Campos;


    No ofício expedido temos o nome dos hotéis e as diárias praticadas, que transcrevemos abaixo:

Praia Hotel - Rua Alcindo Rocha - Cr$ 80,00

Camocim Hotel - Rua Engenheiro Privat - Cr$ 100,00.

Hotel "O Pipiu' - Rua Engenheiro Privat - Cr$ 80,00. 

Detalhe: as refeições estavam inclusas no preço.

Naquela época até o dinheiro era diferente - o Cruzeiro. Hoje, em tempos da moeda "Real", só  de hotel e pousadas, fora as casas de veraneio, estamos próximos de atingir quatro mil leitos.


Fonte: Ofício nº 141/77. Camocim 12 de julho de 1977. Acervo particular do Sr. Osmundo Campos.

Foto: Ruínas da fachada do Camocim Hotel (Hotel da Ambrozina). CPH.

domingo, 19 de janeiro de 2025

O TRABALHO DOS ESTIVADORES EM CAMOCIM

 





    No tempo em que Camocim sobrevivia economicamente das atividades realizadas entre o porto e a estação, os empregos no "chão do cais" e na ferrovia eram os mais cobiçados, embora que, nem sempre, estar empregado nestes espaço, estivesse associado ao mito de "ganhar bem", posto que havia uma hierarquia de acordo com a atividade  desenvolvida.
    Neste sentido, um estivador, encarregado da movimentação de cargas, principalmente no interior dos navios, ganhava melhor do que um portuário,  enquanto este, melhor do que um salineiro, para falar da realidade dos serviços portuários de Camocim.
    Estas categorias profissionais, vez por outra, tinham suas atividades normatizadas pelo Ministério do Trabalho, através de portarias a serem cumpridas nos mais diversos portos do país.
    E quanto ganhava um estivador por exemplo no ano de 1940? Segundo a  portaria de 22 de abril de 1940,

"O Ministro de Estado, dando aprovação as tabelas de que trata o art. 20; resolve mandar que o o pagamento dos serviços conexos com os de estiva, a bordo dos navios, tais como limpeza de porões, rochedo de carga que não tenha que ser descarregada e outros executados pelos operários estivadores, nos portos adiante mencionados, obedece a seguinte tabela de salários".


        Destacamos aqui, para efeitos comparativos, os salários praticados nos portos cearenses: Camocim- 10$000; Fortaleza- 18$000 e Aracati -11$000. 
    Como podemos notar, o estivador camocinense era o menos remunerado entre os seus conterrâneos.


Foto: TRÉVIA, José Maria. Outros Tempos. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2010, p.62.

Fonte para o  recorte de jornal: Gazeta de Santa Catarina, ed. 1703, p.1, 1940. 




sábado, 21 de dezembro de 2024

CAMOCIM E SUAS LOCALIDADES - TATAJUBA

 

Vila de Tatajuba. Camocim-CE. Fonte: https://almeidamuller.wixsite.com/tatajuba/a-vila?lightbox=dataItem-inf4jjsv


        Estamos trabalhando para uma nova edição do livro didático "Historiando Camocim". Na futura edição, acrescentaremos aspectos geográficos e informações históricas sobre as principais localidades do município. 
    Nesta  rápida postagem, enfocamos a vila de TATAJUBA, nome proveniente muito provavelmente da existência dessa madeira na região (Bagassa guianensis), o pau-amarelo, muito cobiçado pelos holandeses nos tempos em que os mesmos traficavam espécimes da flora e da fauna nessa região.
    Reza a tradição, tanto pela oralidade quanto pelos resquícios arqueológicos que o nosso litoral era rota dos índios tremembés que desciam a Serra da Ibiapaba durante as temporadas de colheita de frutos silvestres (especialmente caju), de caça e pesca e iam explorando o Rio Camocim, o Rio Ceará, até o Rio Grande do Norte e voltavam vice-versa.
    Os mais antigos moradores da vila contam que viam o deslocamento dessa tribo nessa passagem por Tatajuba. que acampavam numa elevação que ficou conhecida como Morro dos Tremembés. Ainda hoje, essa presença pode ser notada pela presença das cascas de ostras no local do acampamento.
    Originalmente chamada de "Cabaceiras", a vila de Tatajuba oi aumentando a partir do século XX (1905) com a chegadas dos primeiros moradores, como o sr. Neuzinho, Chico Pescada e suas famílias que depois se juntaram os Carneiros, e a família do Sr. Gregório Pedro Alexandrino, que se tornou o maior comerciante local, pois possuía um barco para realizar as transações de compra e venda de mercadorias e peixes entre Camocim e Tatajuba.
    Em 1925, estas famílias ergueram a primeira igreja em homenagem ao padroeiro Santo Antonio. Em 1948, construíram uma igreja maior, de frente para o mar, num lugar mais alto, defronte a uma árvore de Tatajuba, cujo nome para o lugar foi oficializado em 1950 pela Câmara Municipal de Camocim. Nos anos 1980 iniciou-se a construção da atual igreja, cuja conclusão deu-se em 1982.
    Com a migração dunar, fenômeno muito característico em nossa região, o vilarejo foi soterrado, fazendo com que a população se dispersasse para locais próximos da antiga vila, formando novos os novos núcleos de Nova Tatajuba, Baixa da Tatajuba, Vila Nova e São Francisco.  Destas localidades, Nova Tatajuba é a que despontou como destino turístico com grandes empreendimentos, se tornando um ponto de esportes náuticos de verão.

    

segunda-feira, 28 de outubro de 2024

O SENADOR E O SAL

 

General Onofre Gomes de Lima. Fonte: www.7bib.eb.mil.br

    O general Gomes de Lima foi um daqueles camocinenses que não tiveram uma identificação muito forte com a cidade. Tanto é que em alguns relatos biográficos é dado e tido como sobralense. Aliás, uma foto sua quase em tamanho natural, orna uma das paredes do Museu Dom José de Sobral. 
    Dono de uma brilhante carreira militar enveredou pela política nas décadas de 1950. Primeiramente, concorreu ao cargo de governador do Estado do Ceará em 1947 e foi derrotado por Faustino de Albuquerque. Inclusive, perdeu em Camocim. Nas eleições gerais de 1950 foi eleito Senador da República pelo Ceará.
    Nos anais do seu mandato, no entanto, a sua atuação pouco se refere ao Ceará e a região norte, propriamente. Rastreando os jornais, no entanto, encontramos uma simples nota, fazendo referência a produção salineira de Chaval e Camocim:

REEQUIPARAÇÃO DE FRETES

    O Sr. Onofre Gomes, da bancada cearense, foi o primeiro a ocupar a tribuna, transmitindo um apelo dos produtores de sal do seu Estado, no sentido de que os fretes de Chaval sejam os mesmos que os do porto de Camocim e que os navios do Loide façam escalas nos aludidos portos, no prazo mínimo de 30 ou 40 dias. Aproveitando o ensejo, o Sr Onofre Gomes fez, também, considerações sobre a crise de produção no Ceará, provocada pela seca. 

    Infelizmente, o site do Senado Federal não traz nenhum pronunciamento do senador Onofre Gomes, notadamente o que se refere a matéria jornalística.


Fonte:Jornal A Manhã, RJ, 1953, ed. 3622, p.6.


sábado, 23 de setembro de 2023

XIII SETEMBRO CAMOCIM. 07. CAMOCIM E A AVIAÇÃO COMERCIAL

 

Cartaz de divulgação. Fonte: INFRAERO.



    A relação de Camocim com a aviação comercial é centenária. Com efeito, desde a passagem do aviador camocinense Pinto Martins, colocando a cidade no circuito da travessia pioneira entre Nova Iorque-Rio de Janeiro em 1922, que Camocim foi passagem de aventureiros do ar em grandes raids que marcaram as primeiras décadas do século XX.
    Por ocasião da Segunda Guerra Mundial, Camocim, por sua posição geográfica estratégica, foi cotada para ser um Posto de Comando, mas perdeu para a capital Fortaleza, Contudo, destes estudos resultou numa pequena base militar americana, usada para o reabastecimento de hidroaviões, localizada no bairro dos Coqueiros com uma estrutura de pier e outras edificações que posteriormente foram melhoradas para abrigarem os voos regulares da Panam e depois Panair (quem não lembra do Chico Pané?!), que exploravam linhas aéreas com destinos nacionais e internacionais.
    Camocim também foi por muito tempo, rota de aviões do Correio Aéreo Nacional (CAN) que nas primeiras décadas do século XX era um serviço prestado pelo Governo Federal na condução das malas postais.
    Revirando o baú, pode-se encontrar anúncios das linhas e horários dos aviões publicados nos jornais locais e da capital, que passavam pelo nosso Campo de Aviação, (quem lembra do Seu João do Campo?!) hoje, Aeroporto Pinto Martins, que foi construído para atender a demanda turística, mas que até o momento não se efetivou plenamente.
    Agora, espera-se que, com a administração da INFRAERO     que em setembro deste ano assumiu a administração dos aeroportos  de Camocim, Aracati, Cruz-Jericoacoara, Sobral, São Benedito, Crateús, Iguatu, Campos Sales, Tauá e Quixadá, possamos ter novamente os aviões riscando o céu de Camocim, fazendo jus ao texto de divulgação da empresa que anuncia esta nova fase:   "A cada dia a gente dá mais um passo para ajudar o Brasil a impulsionar o desenvolvimento econômico das regiões e realizar verdadeiramente -a integração nacional, unindo o país."



    

segunda-feira, 13 de março de 2023

OS CURRAIS DE PESCA DE CAMOCIM DO SÉCULO XVIII

 


Montagem de curral no mar.
Fonte: https://www.jornaldaparnaiba.com/2014/01/o-lugar-distrito-de-barroquinha-revela.html



    Camocim é uma cidade construída a beira-mar e tem na pesca um dos seus sustentáculos econômico. Já tivemos alguns ciclos nesta atividade onde o município respirou pujança na pesca da lagosta e do pargo. Hoje, ainda exportamos pescado para todo o território nacional e a pesca artesanal é de suma importância para o abastecimento do mercado local.
    No entanto, se falarmos da "pesca de curral", uma técnica usada para prender os peixes numa espécie de armadilha durante a maré alta e depois despescada pelos "vaqueiros"-pescadores, quase ninguém irá relacionar com o cotidiano dos pescadores camocinenses, mas, imediatamente, aos bravos homens do mar da praia de Bitupitá, distrito de Barroquinha-CE.
    Por outro lado, a história da exploração desse tipo de atividade no mar, é muito mais antiga do que pensamos. A pesca de curral, a partir dos documentos que ora trazemos nesta postagem, mostram que essa era uma prática utilizada há pelo menos desde a segunda metade do século XVIII. Do ponto de vista dos registros históricos sobre Camocim é anterior a chegada da Família Gabriel para iniciar a exploração do porto em 1792 e da nossa condição de distrito do município de Granja, por exemplo.
    Pelos nomes das pessoas que pedem autorização a Câmara Municipal de Sobral, (antes da elevação do município de Granja, o nosso território pertencia a Sobral), para erguer "currais de pesca", supõe-se  que eram homens brancos e moravam em nossa praia e estavam em contato com os nativos nesta época, visto que os segredos, entrâncias e reentrâncias do nosso rio, segundo a tradição oral, foi ensinada a Gabriel Rodrigues da Rocha (o patriarca da Família Gabriel) por um "velho Tremembé".
    Deste modo, o Livro de Registro de Licenças da Câmara Municipal de Sobral, do ano de 1775, indica as petições e as autorizações do Presidente da Câmara, para o funcionamento dos currais de pesca na praia de Camocim por seis meses, naquele ano, com um custo de seis contos e quarenta réis. Como se vê, era uma atividade cara e talvez por isso, apenas dois moradores, o Alferes Francisco Carneiro da Cunha e Manoel Rodrigues Peixoto solicitaram tais empreendimentos, conforme as transcrições abaixo:






      Como podemos observar, a cada fonte revelada, a cada conhecimento adquirido, a história vai se completando e se 
transformando e se tornando mais plural.


Fonte: Livro de Registro de Licenças da Câmara Municipal de Sobral. 1774. Acervo do Núcleo de Estudos e Documentação Histórica (NEDHIS). UVA/Curso de História. Sobral-CE. 


quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

A PRÁTICA DA FARMÁCIA EM CAMOCIM

 

Símbolo da Farmácia. Fonte: Internet.


Em postagens anteriores já enfocamos a relação de Camocim com a chamada “farmácia oficinal” que colocaram a município no mapa da produção de remédios como as GOTAS ARTHUR DE CARVALHO e o ESPECÍFICO PESSÔA, notadamente na década de 1940.

Neste sentido, nomes como Joaquim Arthur de Carvalho e seu filho José Arthur de Carvalho (nome de rua em Fortaleza) fazem parte de uma tradição histórica que envolvem a prática de farmácia e o estudo acadêmico da área, que, no Ceará, começa em 1919 com a instalação da Faculdade de Farmácia no estado.

Portanto, desde 1861, quando se fundou no Ceará a Inspetoria de Higiene do Estado, responsável por licenciar os “práticos de farmácia”, que vários destes profissionais assumiram a tarefa de curar e administrar medicamentos para a população em geral, às vezes passando o conhecimento para várias gerações familiares, como os Carvalhos e Torquato Pessoa. Atualmente, por exemplo, a família do farmacêutico Chico Sousa já está na quarta geração a frente deste tipo de estabelecimento em Camocim.

Para o registro histórico, fizemos um apanhado regional dos práticos “licenciados pela antiga Inspetoria de Higiene do Estado, até 1919, ano da instalação da Faculdade de Farmácia do Ceará”:

Conrado Porto, Granja, 1899

Aurélio Pessôa, Camocim 1900,

Júlio Guimarães, Camocim, 1906,

Sebastião Freitas, Camocim, 1907

Domingos Braga. Itapipoca, 1913

Filomeno Silveira, Acaraú, 1913

Hugo Mota, Granja, 1918”.

 

Se hoje se observa o aumento constante deste tipo de comércio em nossa cidade, chegando a se ter de 04 a 05 farmácias numa mesma rua, o embrião está num passado distante. Hoje uma farmácia tem de quase tudo,    “inclusive remédio”, como diz uma propaganda radiofônica de uma farmácia sobralense. Sinal dos tempos!

 

Fonte:

A Voz dos Práticos. Fortaleza-CE, 1948. Edição 02, p.06, setembro de 1948.

https://myloview.com.br/poster-simbolo-de-farmacia-copa-de-higia-no-E1BAE5. 

 

 

 

 

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

O COMÉRCIO DE CAMOCIM NO TEMPO DOS SAPATOS "FANABOR". XII SETEMBRO CAMOCIM. 2022. (Nº 5)


Anúncio da firma comercial Studart & Comp. Camocim. 1925. Fonte: A Imprensa. Sobral-CE. Anno I, nº15, p.1.

     Nas primeiras décadas do século XX, o comércio de Camocim era intenso. Não somente os produtos de várias manufaturas e fabriquetas do município, como de toda zona norte, escoavam pelo Porto de Camocim. Por outro lado, o comércio de representações tinham em Camocim um porto seguro dos mais variados produtos comercializados em todo o país. De tudo aqui tinha representação e daqui se transacionava estes produtos para o comércio regional, sem falar das filiais das principais casas bancárias que operavam no comércio.
    Desta forma, várias firmas comerciais podem ser visualizadas nos anúncios de jornais da época editados em Camocim, Sobral, Fortaleza, Recife, Rio, São Paulo e outras "praças" importantes, como se dizia antigamente.
    No destaque de hoje, trazemos um produto que marcou época, os sapatos "Fanabor", que acabou sofrendo corruptela para "fanabu", evidenciando os rústicos sapatos de lona e borracha (que exalavam um certo "cheiro" não muito agradável para os narizes mais sensíveis), que para os da minha geração, nada mais eram do que os velhos "Conga", exigidos como acessórios do fardamento colegial das escolas públicas.
    Em Camocim, como se pode observar pelo anúncio acima destacado, os Sapatos Fanabor "Da Fábrica Nacional de Artefactos de Borracha. A ultima palavra no genero incontestavelmente os mais rezistentes", podiam ser adquiridos na firma Studart & Comp, sediada em nossa cidade.
   

Tênis "Conga". Fonte: https://produto.mercadolivre.com.br


    Os sapatos "Fanabor" foram aquele tipo de produto que acabou se popularizando e tornando sinônimo pela marca do fabricante, assim como a Gillete, se tornou a lâmina de barbear, o Bombril, a palha de aço, etc. Na verdade, Fanabor nada mais era do que a Fábrica Nacional de Artefactos de Borracha.
    Atualmente, a FANABOR (Fanavor Artefatos de Borracha) é uma empresa com sede na cidade de Novo Hamburgo, RS, fabricante de produtos plásticos e de borracha natural e sintética, para a indústria automobilística, construção, máquinas e equipamentos médicos.


quarta-feira, 10 de agosto de 2022

O MERCADO DE NOSSAS MEMÓRIAS

 

Mercado Público de Camocim.  Fonte: IBGE.


    Na próxima década nosso Mercado Público vai virar uma construção centenária. Edificada na gestão do interventor Gentil Barreira (1931-1934). Embora tenha sido bastante modificado com os reformas que sofreu, os quatro portões de entrada continuam com sua arquitetura inicial e, de fato, os únicos locais em que a administração pública é responsável por sua manutenção.
    A foto que trazemos hoje retrata um ângulo do lado leste onde pontificou a esquina onde ficava o comércio do Sr. José Ximenes Soares (O Zequinha) como ficou conhecido na sociedade camocinense. Na época, o mercado era ladeado por ruas e as frondosas mangubeiras. Delas, só resta uma para contar a história.
    Entre o mercado e o mercado do leite, a Pedra, imortalizada em crônica pelo escritor Inácio Santos, recebeu no final dos anos 1970 uma cobertura, na gestão do prefeito Edilson Veras, denominado Abrigo de Feirantes, retirado na última reforma para dar lugar a uma rampa de acesso para o piso superior.
    No entanto, uma construção anterior  com o nome de mercado, nos idos de 1890 existiu, provavelmente no mesmo local, resumindo-se em seis quartos, "construído de tijolo e barro no valor de 300$000 cada um".
    Mas o mercado que sobrevive na maioria dos camocinenses nascidos de 1960 para cá e este da foto, que sofreu incêndio na década de 1950 e foi restaurado pelo prefeito Setembrino Veras (1951-1954).
        Segundo os estudiosos as linhas arquitetônicas que ainda podem ser vistas nos portões tem símbolos maçônicos. Com a palavra os especialistas.

Fonte: 1º Livro de Officios Expedidos. Memorial do Legislativo Camocinense.
I

domingo, 17 de janeiro de 2021

ESTRADA DE FERRO DE SOBRAL. 140 ANOS DO TRECHO CAMOCIM-GRANJA

 

Mapa da Estrada de Ferro de Sobral. Fonte: Bcm 012.


Anteontem, 15 de janeiro de 2021, a cronologia marcou os 140 anos do início da operação da Estrada de Ferro de Sobral (EFS), iniciado com a inauguração do trecho Camocim-Granja em 15 de janeiro de 1881, com a extensão de 24,5 km de trilhos e as duas respectivas estações. Deste dia até o fatídico 24 de agosto de 1977, quando o Sr. Raimundo Nonato de Castro (Bolô), tendo como auxiliar o Sr. Aragão, conduziu o último trem partindo para Sobral, foi quase um século de existência (96 anos, para ser mais exato) de serviços prestados pela ferrovia à população da então zona norte do Ceará.
Por conta da efeméride redonda, há muito me fiz um desafio que pretendo concluir ainda neste ano - uma obra que conte a história da Estrada de Ferro de Sobral sob a perspectiva da História Social. Para isso, venho ao longo do tempo orientando alunos nesta temática, explorando a documentação sobre os diversos lugres por onde a ferrovia passou, recolhendo testemunhos de ex-ferroviários, de pessoas que viveram e viram esta época do trem que marcava o cotidiano das pessoas com suas chegadas e partidas.
Aqui mesmo, neste blog, ou em publicações anteriores como "A Nostalgia dos Apitos", que publicamos em 2017 e que marcou os 40 anos de desativação do ramal ferroviário Sobral-Camocim, já venho realizando este trabalho.
Buscando ampliar este esforço, atualmente oriento um projeto de iniciação científica na UVA denominado: "A História não perdeu o trem. História Social da Estrada de Ferro de Sobral", para dar conta deste desafio maior, que é parar em todas as estações e buscar contar um pouco da história destes lugares que o mapa acima demarca a partir da presença da EFS. Esperamos que este trem não atrase!

Fonte: 

OLIVEIRA, André Frota de. Estrada de Ferro de Sobral.. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 1994.

SANTOS, Carlos Augusto P. dos. A Nostalgia dos Apitos. Sobral: Edições UVA, 2017.
                                                                                                 

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

BANCO DO BRASIL. (X SETEMBRO CAMOCIM. 2020. Nº4)

Agência do Banco do Brasil. Camocim. Foto: Camocim Online.

O Banco do Brasil em Camocim é mais uma das instituições centenárias existentes no município. Neste espaço já comentamos sobre sua inauguração em janeiro de 1919, sendo nossa agência a primeira do interior cearense e a 39ª no Brasil.
Em 1998 sugerimos uma publicação para marcar o centenário da instituição bancária em nossa cidade ao gerente da época, que não manifestou interesse nenhum, justificando-se obviamente na burocracia do banco e dos seus limites de atuação neste campo.
Num momento em que assistimos gestões de privatização do BB (vez por outra aparece esta ideia)  e que sua carteira agrícola (uma das maiores do banco) é vendida para o banco onde um dos maiores acionistas é o próprio Ministro da Economia, resta-nos a história.
Quando da necessidade de evoluirmos de uma simples sucursal para uma agência, que depois se mostrou uma das mais rentáveis do interior cearense, os encaminhamentos eram outros, como mostra algumas notícias do jornal "Folha Litoral", editado em Camocim, no ano de 1918:
1. Em agosto de 1918, o funcionário da Agência do Banco do Brasil de Belém do Pará, Antonio de Lima e Silva chegou a Camocim para escolher um prédio para funcionamento do banco e "gerir a agencia que deverá em breve se instalar nesta praça". 
2. Ainda no mesmo mês, saiu pelo mesmo jornal, a informação de que os "capitalistas" e banqueiros, Srs. Nicolau & Carneiro "promptificaram-se a construir em terreno proprio, o predio onde tem de installar-se a Agencia do Banco do Brasil nesta praça, de acordo com as exigencias para o bom funcionamento desse estabelecimento".

Em todos os tempos, os interesses movem a história!


Fonte: Jornal Folha do Littoral.  Camocim-CE, edições 08 e 09, agosto de 1918.
Foto: Camocim Online.


 

sábado, 5 de setembro de 2020

A SIMBIOSE HOMEM-NATUREZA. (X SETEMBRO CAMOCIM 2020. Nº. 01)

Foz do Rio Coreaú. Camocim-CE. Foto: Leopoldo Kaswiner. 


Abrindo mais um SETEMBRO CAMOCIM (Décima edição - 2020), vamos dar uma parada naquelas matérias sobre política do passado (mas, nem tanto!) para evidenciarmos a nossa história local que, neste ano de pandemia, será um pouco diferente. Para começarmos vamos nos valer de mais uma preciosidade revelada dos arquivos do livreiro Trata-se de um cartão postal, intitulado "Foz do Rio Coreaú - Camocim-Ceará", de Leopoldo Kaswiner, retratando a faina do pescador camocinense. A foto não traz a data e o efeito em preto e branco parece remeter para um passado em que as dunas ainda tinham alguma cobertura vegetal, num tempo em que nelas se plantava salsa para impedir o assoreamento do canal natural do rio. Neste trabalho, realizado antigamente, muitas pessoas foram empregadas para tal fim, tanto no sentido de mitigar os efeitos da fome e da seca (inclusive usando-se mão de obra vinda de outras cidades como Ipu e Crateús), quanto para a fixação propriamente ditas das dunas móveis do Outro Lado (ou do Morro da Testa Branca para os mais velhos), da agora famosa Ilha do Amor.
No entanto, por ser uma foto de Leopoldo Kaswiner, especialista em fotografar as paisagens marítimas (embora ele trafegue por outros territórios com a mesma sensibilidade), acredito que a foto seja de décadas recentes. Leopoldo Kaswiner é o autor das fotos do livro "Sítio Histórico de Sobral - Monumento Nacional", além de várias obras e exposições fotográficas e está em plena atividade. Vamos tentar um contato com ele para precisar a data da foto que ilustra esta postagem.
Camocim, 05/09/2020. 174 dias de isolamento social.

Foto: Foz do Rio Coreaú - Camocim-Ceará. Leopoldo Kaswiner. Arquivo:
Francisco Olivar Olivar
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quarta-feira, 17 de junho de 2020

CASAS COMERCIAIS DE CAMOCIM DO SÉCULO XX - A ITALIANA


Anúncio da "A Italiana". Camocim-CE. 1918. Fonte: Jornal Folha do Littoral. 01/09/1918, nº 12, p.4.



Nas primeiras décadas do século XX, o comércio de Camocim era bem diversificado, seja no atacado,como mo varejo. Uma pesquisa nos jornais da época, sinaliza neste recorte temporal a existência de casas comerciais que se instalaram no primeiro centro comercial da cidade - as imediações da Praça da Estação. Armazéns de grande porte para a época, firmas comerciais de representação, bancos, clubes sociais, cinemas, repartições públicas e mercearias "sortidas" tinham naquele espaço a sua localização.
Hoje enfocaremos a casa comercial "A Italiana", uma referência, sem dúvida, à origem de seu proprietário, o Sr. Francisco Trévia. Outros membros desta família também fizeram história no comércio camocinense (Fernando Trévia, Dedim Trévia, Toinho Trévia, Carlos Augusto Trévia, Fernandinho, dentre outros) e ainda hoje permanecem neste ramo, como Luciano Trévia.
A Italiana, como se pode observar no seu anúncio no jornal Folha do Littoral, era mais do que uma mercearia com seu sortimento variado de conservas, massas, biscoitos, doces, licores e bebidas em geral. Mas também era um botequim, um bilhar, enfim, um espaço onde os homens poderiam, principalmente, podiam se encontrar, conversar, beber o Vermutim "o melhor aperitivo do mundo", fumar um charuto "Stender", enfim, exercitar suas práticas sociais. 

Fonte:Jornal Folha do Littoral. 01/09/1918, nº 12, p.4.

sexta-feira, 22 de maio de 2020

CAMOCIM E A INDÚSTRIA FARMACÊUTICA

Anúncio dos produtos farmacêuticos J. Arthur de Carvalho. Camocim-CE. 1918. Fonte: Folha do Littoral.


Diante de toda celeuma atual que envolve o uso ou não do medicamento cloroquina que, sem dúvida, envolve interesses muito maiores e difusos do que uma saída segura como remédio eficaz para o combate do corona vírus, lembramos que nosso município já foi um polo de produção de produtos farmacêuticos que ainda hoje podem se encontrar nas farmácias.
Quem já não usou as famosas Gotas Arthur de Carvalho para se aliviar de problemas estomacais? Pois bem, nas primeira décadas do século XX, o farmacêutico Joaquim Arthur de Carvalho montou em Camocim o Depósito Geral do seu Laboratorio Chimico-Pharmaceutico, produzindo as Gottas Arthur de Carvalho ou Gottas Estomacaes para os problemas do estômago; Caneroina, para combater a consequências da sífilis; Ulcerina, eficaz contra as "úlceras de mau caracter"; Calloina, para desfazer os problemas de calos na pele; o Tonico Prior, uma loção antisséptica que prometia evitar a queda de cabelo e eliminar a caspa e o Elixir anti-asmatico, que, como o próprio nome diz, servia para combater a asma, mesma aquela "mais rebelde, quando delle se faz uso mais prolongado".
A fama dos produtos de J.Arthur de Carvalho correu o Brasil daquela época, demonstrado pelos vários pedidos dos medicamentos junto à firma de representação local  Nicolau & Carneiro. A firma mantinha uma espécie de filial em Fortaleza, com um depósito estabelecido à Rua Major Facundo, nº 44.
J. Arthur de Carvalho não era somente um farmacêutico conhecido. Á noite, reunia em sua farmácia um  grupo de pessoas letradas da cidade, dentre eles o pintor Raimundo Cela, para uma boa roda de conversa.

FONTE: Jornal Folha do Littoral. Camocim-CE, 22/09/18, ed.15, p.3. 

sábado, 9 de maio de 2020

A COLÔNIA DE PESCADORES DE CAMOCIM - Z17.

A Voz do Mar. Rio de Janeiro. 1941. Edição  179, p.14. Fonte: Hemeroteca da BN. 

Até bem pouco tempo, pensava-se que a denominação da entidade representativa, Colônia de Pescadores Z-1 de Camocim, dava-se por um pioneirismo do associativismo dos homens do mar no Ceará. No entanto, a revista da Confederação Geral dos Pescadores do Brazil, A Voz do Mar, esclarece a divisão das colônias de pescadores no país. Temos conhecimento dessa revista circulando entre 1923 a 1943, portanto, a denominação para Camocim de Z-1 é posterior a esta data, não se sabendo ao certo a partir de quando passou a vigorar a atual denominação. Na verdade, no estado do Ceará nem sequer existia uma Z-1. Na divisão, assim o litoral cearense era classificado: 
Mucuripe (Z-2); Aquiraz (Z-3); Iguape (Z-4); Caponga (Z-5); Beberibe (Z-7); Aracaty (Z-8);  Aracaty (Z-9); Tremembé (Z-14); Mundahú (Z-15); Camocim (Z-17); Fortaleza (Z-18). ( A Voz do Mar, 1924, edição 30, p. 18). 
Posteriormente, a revista traz outras colonias criadas no Ceará, como: Pecém (Z-16); Paracuru (Z-21); Itapagé (Z-23); Espraiado (Z-24).( A Voz do Mar, 1941, edição 183, p. 16). 

Portanto, no mínimo, desde 1924, que Camocim era a Z-17, como mostra a foto acima, inclusive com a numeração no frontispício da sede da nossa Colônia. No sentido de historiar um pouco esta denominação, transcrevemos parte do relatório de vistoria feito em 1941 nas colônias de todo o Brasil

A Colônia Z-17 de Camocim, tem uma diretoria regular. O seu Presidente é o sr. Vital Ferreira da Silva, remador da Agência da Capitania dos Portos em Camocim. A situação financeira dessa Colonia é boa, pois, além de trazer todos os seus funcionários pagos em dia, dispõe de uma ótima casa de tijolo e um mercado para venda do peixe. Em Novembro, último, inspecionei essa Colonia e constatei o seu relativo progresso, através do esforço da diretoria, que não mede sacrifícios pelo engradecimento da causa do pescador naquela praia. O mercado dessa Colonia, que é de taipa, está em cogitação de ser substituído por um de tijolo, com todos os requisitos de higiene, empreendimento esse, a ser leveda a efeito pela Colonia, auxiliada pela Prefeitura local. A medida é bem justa, pelo que esta Federação dará o seu irrestrito apoio


A Voz do Mar. Rio de Janeiro. 1941. Edição  179, p.14. Fonte: Hemeroteca da BN.

Para efeito de informação, além do Presidente, sr. Vital Ferreira da Silva, a diretoria da Colônia de Pescadores de Camocim, no período retratado pela revista, era composta pelo sr. Manoel Agostinho dos Prazeres, secretário e Francisco Barros da Silva, tesoureiro.
Em próxima postagem, traremos informações sobre a Escola Batista Alves, que funcionava na Colônia de Pescadores Z-17, em Camocim.

Fonte: Revista A Voz do Mar, números, 30, 179 e 183. Hemeroteca da BN.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

O ANTIGO CENTRO COMERCIAL DE CAMOCIM. (IX SC 2019. 04)

Estação Ferroviária de Camocim. Primeiras décadas do séc. XX. Fonte: Instituto Histórico do Ceará.

Se você chegasse em Camocim no ano de 1919, o que encontraria, exatamente há cem anos atrás? Primeiramente o centro comercial e social estaria nas imediações do porto e da estação ferroviária. Visitantes e observadores em suas crônicas de viagens, quase sempre retrataram este espaço como o mais fervilhante e próspero da cidade. Senão vejamos, tendo como fonte o jornal Folha do Littoral, editado em  nossa cidade nesta época.
Comercialmente falando, era na Rua da Estação que ficavam os principais estabelecimentos comerciais e os escritórios de serviços prestados por profissionais liberais. Deste modo, a Associação Commercial de Camocim (assim grafada) em 1919, funcionava no Cine Phenix (atual Promotoria Pública), que, além deste também existia o Cine Smart. As representações de agências de vapores, como a The Amazon River Navigation, Companhia Comercio e Navegação e A. Borges & Cia, ficavam na casa bancária Nicolau & Carneiro. Na firma J. Adonias & Cia, tinha a representação da Companhia de Navegação a Vapor do Maranhão. Já a T. Navarro era representante da Empreza de Navegação Mosqueiro e Soure e o Lloyd Brasileiro era representado pela firma Albuquerque & Cia.
Na diversidade comercial de então, você poderia encontrar desde a firma retalhista Elias Asfora & Cia; a casa "A Italiana" e o Bar Commercial, além da Pensão Urbina;  Alfaiataria Central e a Typographia Folha do Littoral.
As repartições também ficavam na Rua da Estação. Os Correios, comandado por D. Maria J. Magalhães;  a Meza de Rendas Estaduaes sob o comando do Cel. Thomaz Zeferino Véras. Moravam na Rua da Estação, o prefeito municipal, Tasso Napoleão; o delegado de polícia, Cel. José Severiano de Carvalho; o delegado de hygiene, Cel. João Nicolau F. Cavalcante.
Dominando toda essa configuração urbana, tínhamos a imponente Estação Ferroviária de Camocim pertencente à Estrada de Ferro de Sobral, que naquele momento era dirigida pelo Dr. Eduardo Monte.
Este centro comercial pode ser ampliado se levarmos em conta os pontos comerciais instalados nas ruas adjacentes como a Rua Senador Jaguaribe, Travessa Dr. João Thomé, Travessa Dr. Privat e Rua da Igreja. Mas essa é uma outra história!