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segunda-feira, 1 de setembro de 2025

CALENDÁRIO HISTÓRICO DE CAMOCIM. MÊS DE SETEMBRO


Mês de setembro 2025. Fonte: https://br.pinterest.com/pin/133067363988051403/

SETEMBRO

 

5 de setembro de 1882 - Foi instituída a Freguesia de Camocim (divisão administrativa do ponto de vista eclesiástico) por Lei Provincial nº 2007, canonicamente instituída por provisão de 19 de janeiro de 1883, com o mesmo limite do município, nomeado seu primeiro pároco Padre Leandro Teixeira Pequeno.

10 de setembro de 1970 - Sanção da Lei Municipal Nº 283 de 10 de setembro de 1970 pelo Prefeito Municipal de Camocim, Setembrino Fontenele Veras, que autorizou a fazer a doação ao Serviço Social da Indústria (SESI), Departamento Regional do Ceará, um terreno para a construção de uma Praça de Esportes e outras edificações, no prazo de um ano, situado entre as ruas Humaitá e Paissandu.

14 de setembro de 1878 – Início dos trabalhos de construção da linha férrea na 1ª seção, Camocim – Granja.

17 de setembro de 1969 - Sanção da Lei Municipal Nº 260 de 17 de setembro de 1969 pelo Prefeito Municipal de Camocim Setembrino Fontenele Veras que declarou de utilidade pública um imóvel para posterior desapropriação que serviu para construção do prédio do INPS.

20 de setembro de 1972 - Sanção da Lei Municipal Nº 407 de 20 de setembro de 1972 pelo Prefeito Municipal de Camocim, Edilson Veras Coelho, que faz a doação de um terreno situado entre as ruas Paissandu e República em favor da Fundação de Serviços de Saúde Pública (SESP).

27 de setembro de 1959 – Visita do Ministro da Viação, Sr. Amaral Peixoto, do Governador do Ceará, Parsifal Barroso, do camocinense, Sr. José Macêdo, deputado federal. O Ministro fincou com o próprio punho a primeira estaca do Porto de Atracação de Camocim, dando assim início aos trabalhos.

Início dos trabalhos do Cais do Porto de Camocim. Fonte:FGV, CPDOC.

29 de setembro de 1879 – Data da emancipação política de Camocim, pela Lei Provincial Nº 1849 de 1879.

29 de setembro de 1979. – Visita do Cardeal Dom Aluísio Lorscheider, Arcebispo de Fortaleza, para as comemorações do I CENTENÁRIO DE CAMOCIM.

30 de setembro de 1896 – Nasceu em Ipu-CE, Alfredo Otton Coelho.  Filho de Joaquim Francisco da Fonseca Coelho e Leonília Zeferino Veras Coelho. 

domingo, 19 de janeiro de 2025

O TRABALHO DOS ESTIVADORES EM CAMOCIM

 





    No tempo em que Camocim sobrevivia economicamente das atividades realizadas entre o porto e a estação, os empregos no "chão do cais" e na ferrovia eram os mais cobiçados, embora que, nem sempre, estar empregado nestes espaço, estivesse associado ao mito de "ganhar bem", posto que havia uma hierarquia de acordo com a atividade  desenvolvida.
    Neste sentido, um estivador, encarregado da movimentação de cargas, principalmente no interior dos navios, ganhava melhor do que um portuário,  enquanto este, melhor do que um salineiro, para falar da realidade dos serviços portuários de Camocim.
    Estas categorias profissionais, vez por outra, tinham suas atividades normatizadas pelo Ministério do Trabalho, através de portarias a serem cumpridas nos mais diversos portos do país.
    E quanto ganhava um estivador por exemplo no ano de 1940? Segundo a  portaria de 22 de abril de 1940,

"O Ministro de Estado, dando aprovação as tabelas de que trata o art. 20; resolve mandar que o o pagamento dos serviços conexos com os de estiva, a bordo dos navios, tais como limpeza de porões, rochedo de carga que não tenha que ser descarregada e outros executados pelos operários estivadores, nos portos adiante mencionados, obedece a seguinte tabela de salários".


        Destacamos aqui, para efeitos comparativos, os salários praticados nos portos cearenses: Camocim- 10$000; Fortaleza- 18$000 e Aracati -11$000. 
    Como podemos notar, o estivador camocinense era o menos remunerado entre os seus conterrâneos.


Foto: TRÉVIA, José Maria. Outros Tempos. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2010, p.62.

Fonte para o  recorte de jornal: Gazeta de Santa Catarina, ed. 1703, p.1, 1940. 




segunda-feira, 28 de outubro de 2024

O SENADOR E O SAL

 

General Onofre Gomes de Lima. Fonte: www.7bib.eb.mil.br

    O general Gomes de Lima foi um daqueles camocinenses que não tiveram uma identificação muito forte com a cidade. Tanto é que em alguns relatos biográficos é dado e tido como sobralense. Aliás, uma foto sua quase em tamanho natural, orna uma das paredes do Museu Dom José de Sobral. 
    Dono de uma brilhante carreira militar enveredou pela política nas décadas de 1950. Primeiramente, concorreu ao cargo de governador do Estado do Ceará em 1947 e foi derrotado por Faustino de Albuquerque. Inclusive, perdeu em Camocim. Nas eleições gerais de 1950 foi eleito Senador da República pelo Ceará.
    Nos anais do seu mandato, no entanto, a sua atuação pouco se refere ao Ceará e a região norte, propriamente. Rastreando os jornais, no entanto, encontramos uma simples nota, fazendo referência a produção salineira de Chaval e Camocim:

REEQUIPARAÇÃO DE FRETES

    O Sr. Onofre Gomes, da bancada cearense, foi o primeiro a ocupar a tribuna, transmitindo um apelo dos produtores de sal do seu Estado, no sentido de que os fretes de Chaval sejam os mesmos que os do porto de Camocim e que os navios do Loide façam escalas nos aludidos portos, no prazo mínimo de 30 ou 40 dias. Aproveitando o ensejo, o Sr Onofre Gomes fez, também, considerações sobre a crise de produção no Ceará, provocada pela seca. 

    Infelizmente, o site do Senado Federal não traz nenhum pronunciamento do senador Onofre Gomes, notadamente o que se refere a matéria jornalística.


Fonte:Jornal A Manhã, RJ, 1953, ed. 3622, p.6.


sábado, 10 de agosto de 2024

FAROL DO TRAPIÁ - A ORIGEM

Farol do Trapiá. Camocim. Foto: Nilson Filho (Sobralonline).

    Chegamos na temporada dos ventos. Cada vez mais Camocim se insere num destino para os esportes náuticos que tem o vento como motor. E a Praia do Farol é o ponto que agrega todos os desportistas, turistas e as condições para a prática esportiva.

    Mas, e o Farol? Ah, o nosso Farol do Trapiá enquanto balizador dos rumos terrestres para os navegantes não existe mais. Ou melhor, não como era, não como foi  inaugurado há 129 anos. O último farol foi demolido em 24 de janeiro de 2024 e no local se instalou um "farol temporário, até a construção de um novo farol no local."

Antigo Farol do Trapiá. Fonte:  Marinha do Brasil. CAMR-Centro de Sinalização Náutica Almirante Moraes Rego.

    Para os navegantes da história, trago informações sobre o PRIMEIRO FAROL, direto da redação do jornal camocinense FOLHA DO LITTORAL, de 1918, quando se comemorou os 23 anos de existência do equipamento. Mantivemos a escrita da época:

O pharol de nossa barra que serve de mira aos navegantes está situado na ponta do “Trapiá”, na seguinte posição: latitude 2º 51'30" Sul e longitude 40º 42' 50" a Oeste do meridiano de Greenwich, na Inglaterra. É de luz branca, fixa, com lampejos de 30 em 30 segundos. , o Dioptrico de 5ª ordem. Visível a 12 milhas. 

Está acima do solo 10m.50. Acima da préa-mar 13 m.80. Tem a forma de uma colunna de ferro. 

Foi inaugurado no dia 15 de Novembro de 1895. Foram seus primeiros pharoleiros Constantino Lourenço Gomes (que exonerou-se por motivo de doença dose annos depois) e Joaquim Jacob Ramalho, segundo e terceiro pharoleiros respectivamente. Exerceram os cargos ainda de 2º pharoleiro as seguintes pessoas: Francisco de Paula Correia de Mello, Raymundo Gomes de Oliveira Filho e José Olympio dos Santos. O 3º pharoleiro Joaquim Jacob Ramalho, foi ha dois anos removido para o Aracaty. sendo substituído por Claudionor Moreira do Carmo.

Completaram-se ante-hontem, 23 annos que foi inaugurado o pharól da barra de Camocim. 

    Aguardemos, portanto, não somente os ventos, mas um novo farol, já que não preservaram os antigos.


Fontes para o texto: Camocim Online e Folha do Littoral, 1918.

Fontes das imagens: Marinha do Brasil e  Nilson Filho/Sobral Online

domingo, 19 de maio de 2024

SÉRIE HISTÓRIA CAMOCINENSE. NOVOS TÍTULOS

   

Selo da Série História Camocinense. 2022. Arquivo do CPH.

     Lançada no ano de 2022, a Série História Camocinense, se juntou a outras obras que, por sua vez, ganharam espaço no site oficial da Prefeitura Municipal de Camocim para que atingisse um maior público. Naquele momento os livros a ter o selo da série foram: “CAMOCIM RESPIRAVA ESSE AR DE MÚSICA (Sílvio Paz Pessoa/Carlos Augusto Pereira dos Santos); AS CANTORIAS NAS ONDAS DO RÁDIO AM DE CAMOCIM (Maely Alves de Mesquita); MIOLO DE POTE (Carlos Augusto Pereira dos Santos) e DEPOIS DA MEIA NOITE. LENDAS E MITOS QUE NARRAM O COTIDIANO DE CAMOCIM (Edcarlos da Silva Araújo), cuja produção, financiada integralmente pela Prefeitura Municipal de Camocim, foi distribuída a todos os professores que participaram da Jornada Pedagógica de 2022. 

Agora, em 2024, mais quatro obras no formato e-book acrescerão a Série História Camocinense, atualizando o espaço do site da Prefeitura destinado á série. Os livros se dividem entre literatura (poesia) e história local, que desta vez oram financiados com recursos da Lei Paulo Gustavo em convenio com a Prefeitura Municipal de Camocim.

Os novos livros são: Metamorfose Literária (Inácio Santos); Filhos da Terra (Raimundo Arnaldo de Carvalho); História Religiosa de Camocim (Maria Célia Pereira dos Santos, Gabriel Belchior e Jane Elida Costa e Silva) e Camocim de Porto e Alma (Carlos Augusto Pereira dos Santos).

Em 07 de junho de 2024, acontecerá o lançamento oficial destes livros na Academia Camocinense de Ciências Artes e Letras (ACCAL).

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

XIII SETEMBRO CAMOCIM. 06.ANTES DE SER GRANJA, CAMOCIM FOI SOBRAL

 

Camocim (Ceará).O porto. Em primeiro plano, Vapor Camocim. Acervo do blog CPH.



    Neste ano, Sobral comemora 250 anos de história política e administrativa. No entanto, pouca gente sabe, dos ´perrengues que a então vila passou nos primeiros anos de edificação. Já no primeiro ano, o saldo nas contas foi negativo. 

Logomarca dos 250 anos de Sobral. Fonte: https://www.sobral.ce.gov.br/imprensa


    Mas, o que tem ou que teve em comum Sobral e Camocim há 250 anos atrás? Explico, é que em 1773, com a criação da Vila de Sobral, os portos de Acaraú e Camocim estavam sob sua jurisdição. Aqui mesmo neste espaço, já publicamos os pedidos de instalação de currais de pesca em Camocim no ano de 1775 na Câmara de Sobral em favor dos moradores Alferes Francisco Carneiro da Cunha e Manoel Rodrigues Peixoto.

   Voltando para o ano de 1773, data da criação da Vila de Sobral, Camocim vai aparecer nos primórdios da história sobralense, segundo registra o historiador Pe. Sadoc de Araújo em sua "Cronologia Sobralense".  Para poder sustentar os proventos do Juiz de Fora de Sobral, a Câmara teve que instituir um imposto cobrado no porto de Camocim. 

  Nos registros da contabilidade, naquele ano foram recebidos "29$460,  do imposto dos vinténs de 1.470 bois recebidos no porto de Camocim" e "69$000, dos últimos bois e da passagem dos barcos no porto de Camocim recebidos de João Cavalho da Mota"..

    Tres anos depois, em 1776, Camocim passaria de mãos, com a criação da Vila de Granja. Aí já é outra história!

 

Fonte: ARAUJO, Pe. Sadoc de. Cronologia Sobralense. Fortaleza-CE: Edições ECOA, 2015,  p. 374.

segunda-feira, 13 de março de 2023

OS CURRAIS DE PESCA DE CAMOCIM DO SÉCULO XVIII

 


Montagem de curral no mar.
Fonte: https://www.jornaldaparnaiba.com/2014/01/o-lugar-distrito-de-barroquinha-revela.html



    Camocim é uma cidade construída a beira-mar e tem na pesca um dos seus sustentáculos econômico. Já tivemos alguns ciclos nesta atividade onde o município respirou pujança na pesca da lagosta e do pargo. Hoje, ainda exportamos pescado para todo o território nacional e a pesca artesanal é de suma importância para o abastecimento do mercado local.
    No entanto, se falarmos da "pesca de curral", uma técnica usada para prender os peixes numa espécie de armadilha durante a maré alta e depois despescada pelos "vaqueiros"-pescadores, quase ninguém irá relacionar com o cotidiano dos pescadores camocinenses, mas, imediatamente, aos bravos homens do mar da praia de Bitupitá, distrito de Barroquinha-CE.
    Por outro lado, a história da exploração desse tipo de atividade no mar, é muito mais antiga do que pensamos. A pesca de curral, a partir dos documentos que ora trazemos nesta postagem, mostram que essa era uma prática utilizada há pelo menos desde a segunda metade do século XVIII. Do ponto de vista dos registros históricos sobre Camocim é anterior a chegada da Família Gabriel para iniciar a exploração do porto em 1792 e da nossa condição de distrito do município de Granja, por exemplo.
    Pelos nomes das pessoas que pedem autorização a Câmara Municipal de Sobral, (antes da elevação do município de Granja, o nosso território pertencia a Sobral), para erguer "currais de pesca", supõe-se  que eram homens brancos e moravam em nossa praia e estavam em contato com os nativos nesta época, visto que os segredos, entrâncias e reentrâncias do nosso rio, segundo a tradição oral, foi ensinada a Gabriel Rodrigues da Rocha (o patriarca da Família Gabriel) por um "velho Tremembé".
    Deste modo, o Livro de Registro de Licenças da Câmara Municipal de Sobral, do ano de 1775, indica as petições e as autorizações do Presidente da Câmara, para o funcionamento dos currais de pesca na praia de Camocim por seis meses, naquele ano, com um custo de seis contos e quarenta réis. Como se vê, era uma atividade cara e talvez por isso, apenas dois moradores, o Alferes Francisco Carneiro da Cunha e Manoel Rodrigues Peixoto solicitaram tais empreendimentos, conforme as transcrições abaixo:






      Como podemos observar, a cada fonte revelada, a cada conhecimento adquirido, a história vai se completando e se 
transformando e se tornando mais plural.


Fonte: Livro de Registro de Licenças da Câmara Municipal de Sobral. 1774. Acervo do Núcleo de Estudos e Documentação Histórica (NEDHIS). UVA/Curso de História. Sobral-CE. 


quinta-feira, 22 de setembro de 2022

VIOLÊNCIA E GUARDA MUNICIPAL DE CAMOCIM. (XII SETEMBRO CAMOCIM. 2022. Nº 7)

 

Correspondência informando ao Presidente do Estado do Ceará criação provisória da Guarda Municipal de Camocim. 1892. Fonte: portal.ceara.pro.br.

        A violência sempre esteve na ordem do dia. Nos discursos dos políticos em tempos de campanha, como o que vivemos agora, ações e projetos dão como certo a resolução do problema para o ano que vem. Alguns apostam no aumento dos efetivos e equipamentos, outros em megas projetos de inteligência importados e tecnologia de ponta. Enfim, todos parecem preocupados com aquilo que todos nós convivemos, mas, que até ontem não tinha solução.

    Circula entre nós um vídeo onde guardas municipais de Camocim tentam conter um casal infrator e acaba sobrando pancadaria recíproca. Isso me fez lembrar um documento produzido há 130 anos pelo Conselho de Intendência Municipal que acaba dando origem à criação de uma "guarda municipal" temporária para coibir os excessos que ocorriam no Porto de Camocim. Eis os argumentos para tal decisão:


"Conselho da Intendencia Municipal da Cidade de Camocim em 26 de janeiro de 1892.

Esta Intendencia reunida em sessão extraordinaria, em sua maioria, resolveu attender as reclamações que lhe são feitas, pela falta absoluta de garantias que existe nesta localidade; que sendo um porto frequentado por embarcações de diversas procedencias, sempre tem em si mais ou menos alguma aglomeração de povos adventicio, e que dando-se  qual quer pertubação da ordem publica, não tem uma força que garanta a tranquilidade de seus habitantes.

Em consequencia de tão justas reclamações, resolveu este conselho criar temporariamente uma guarda municipal paga pelos cofres da Intendencia e levar ao conhecimento de V. Excia., pedir que attendendo as considerações expostas se digne a approvar este acto.

Saude e Fraternidade

Cidadão  General de Provisão

José Clarindo de Queiros


    Em janeiro de 1892 o Conselho de Intendência Municipal era presidido por Francisco Nelson Chaves. Posteriormente, seu filho, Francisco Nelson Pessoa Chaves foi prefeito de Camocim entre 1923 a 1927.

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

O COMÉRCIO DE CAMOCIM NO TEMPO DOS SAPATOS "FANABOR". XII SETEMBRO CAMOCIM. 2022. (Nº 5)


Anúncio da firma comercial Studart & Comp. Camocim. 1925. Fonte: A Imprensa. Sobral-CE. Anno I, nº15, p.1.

     Nas primeiras décadas do século XX, o comércio de Camocim era intenso. Não somente os produtos de várias manufaturas e fabriquetas do município, como de toda zona norte, escoavam pelo Porto de Camocim. Por outro lado, o comércio de representações tinham em Camocim um porto seguro dos mais variados produtos comercializados em todo o país. De tudo aqui tinha representação e daqui se transacionava estes produtos para o comércio regional, sem falar das filiais das principais casas bancárias que operavam no comércio.
    Desta forma, várias firmas comerciais podem ser visualizadas nos anúncios de jornais da época editados em Camocim, Sobral, Fortaleza, Recife, Rio, São Paulo e outras "praças" importantes, como se dizia antigamente.
    No destaque de hoje, trazemos um produto que marcou época, os sapatos "Fanabor", que acabou sofrendo corruptela para "fanabu", evidenciando os rústicos sapatos de lona e borracha (que exalavam um certo "cheiro" não muito agradável para os narizes mais sensíveis), que para os da minha geração, nada mais eram do que os velhos "Conga", exigidos como acessórios do fardamento colegial das escolas públicas.
    Em Camocim, como se pode observar pelo anúncio acima destacado, os Sapatos Fanabor "Da Fábrica Nacional de Artefactos de Borracha. A ultima palavra no genero incontestavelmente os mais rezistentes", podiam ser adquiridos na firma Studart & Comp, sediada em nossa cidade.
   

Tênis "Conga". Fonte: https://produto.mercadolivre.com.br


    Os sapatos "Fanabor" foram aquele tipo de produto que acabou se popularizando e tornando sinônimo pela marca do fabricante, assim como a Gillete, se tornou a lâmina de barbear, o Bombril, a palha de aço, etc. Na verdade, Fanabor nada mais era do que a Fábrica Nacional de Artefactos de Borracha.
    Atualmente, a FANABOR (Fanavor Artefatos de Borracha) é uma empresa com sede na cidade de Novo Hamburgo, RS, fabricante de produtos plásticos e de borracha natural e sintética, para a indústria automobilística, construção, máquinas e equipamentos médicos.


quinta-feira, 1 de setembro de 2022

A FAÇANHA DE LUIZ GABRIEL. 1879 (XII SETEMBRO CAMOCIM. 2022. Nº1)

Postal. "Ceará. Camocim. Um trecho do Porto". s/d.

     Contam os mais antigos, que por volta de 1790, o velho Gabriel Rocha desembarcou em Camocim para trabalhar como prático da barra e trouxe consigo sua numerosa família. Aqui, com um velho indígena nativo aprendeu os segredos da nossa barra. Ele vinha de Tutóia, Maranhão, onde lá já exercia a mesma profissão. Um dos seus filhos também aprendeu o ofício e continuou o legado de fazer adentrar e sair navios em nosso porto.

    Acontece que o tempo passou e eis que já no final do século XIX, o então distrito da Barra do Camocim passou a município em 29 de setembro de 1879. Desde 1877 que o antigo distrito vinha sendo o epicentro das obras da Estrada de Ferro de Sobral que ligaria nosso porto aos sertões daquela cidade e em sua plenitude atingiria Crateús. Este é o pano de fundo para a história que contaremos hoje na abertura do XII SETEMBRO CAMOCIM e que tem relação com a família Gabriel, pioneira no desenvolvimento do nosso porto, na figura de seu filho, Luiz Gabriel. Assim nos conta o historiador em 1908:

"Em 1879 arribou ao porto de Camocim, um brigue Allemão de grande calado, carregado de materiais para a estrada de ferro. - Informado o Dr. Rocha Dias, do calado do navio, que era de 18 e meio pés, preparava-se para fazêl-lo descarregar fora da barra, com grande aumento de despeza, quando lhe foi informado, por algumas pessoas, que Luiz Gabriel talvez desse entrada aquelle navio.

Chamado Luiz Gabriel e interpellado a respeito, respondeu que no dia seguinte daria resposta e com efeito a deu declarando que daria entrada ao navio decorridos dois dias. (sic)

No dia marcado, pelas cinco horas da tarde o aludido navio, garbosamente entrava e largava ferro no porto de Camocim com admiração e satisfação geral".

O conhecimento prático do prático Luiz Gabriel salvou, digamos assim, que o conhecimento científico do engenheiro Rocha Dias demandasse uma enorme quantia em dinheiro para fazer chegar os materiais para a continuação das obras da ferrovia. 


Fonte: PHILADELFO PESSOA, Antônio; Memorial Histórico da cidade de Camocim, p. 20.

terça-feira, 29 de setembro de 2020

CAMOCIM 141 ANOS (X SETEMBRO CAMOCIM. 2020. Nº 7).

 


Praia  do Pantanal. Camocim. 2019. Foto: Carlos Augusto P. Santos.

Ressaltar as belezas, a história e a cultura do nosso povo no dia hoje é quase pleonasmo. Como historiador,  busco sempre aquilo que pouco sabemos, para lembrar daquilo que quase todos esquecemos. Daí a tarefa dupla do pesquisador de história: recuperar o que está meio obscuro e não deixar cair no esquecimento nossas referências identitárias.

Neste sentido, mais importante do que saber o que significa a palavra CAMOCIM, é compreender como se deu o povoamento de nosso território pelos vários povos nativos e como aqui chegou o negro escravizado. Mais do que  saber quais foram as primeiras famílias a se instalarem no município e  como fincaram suas bases de poder, é entender como seu deu a dinâmica desse poder através dos tempos.

Historiograficamente falando temos um grande caminho a percorrer. O porto e a ferrovia  não bastam para explicar o  que foi Camocim no final do século XIX e primeiras décadas  do século XX, quando despontávamos como um dos municípios mais prósperos do Ceará. A "Cidade Vermelha"  da militância comunista não contempla o seu oposto - a atuação dos integralistas e  os movimentos de direita que existiram por aqui. Pinto Martins é um ícone que não ofusca os milhares de atores comuns que deixaram suas marcas na história que precisam ser recuperadas, para que a história fique mais próximas de nós!

De qualquer  modo, a data de hoje serve para que voltemos mais nossas atenções para a história do município, entendendo a importância que cada habitante tem para a construção permanente e atualizada da identidade de ser camocinense. Parabéns CAMOCIM. 


sábado, 26 de setembro de 2020

CAMOCIM DE ALMANAQUE (X SETEMBRO CAMOCIM 2020. Nº06).

Balaustrada de Camocim. 2020. Autor: Nagib Melo.



Já disse mais de uma vez neste espaço que os almanaques são importantes fontes para a história. Como uma fotografia, revelam o instante do objeto focalizado. Assim como os calendários, eram esperados ao fim de cada ano, trazendo as atualizações dos lugares, os números e as mudanças administrativas.

Voltemos o olhar para o distante ano de 1911, quando Camocim comemorava apenas o 32º aniversário de emancipação política. Neste ano, nem sequer éramos uma comarca, pois pertencíamos à de Granja, e os nossos distritos eram Barroquinha, Almas (Bitupitá) e Gurihú (ainda escrito com "h").

No entanto, em 1911, a Câmara Municipal já tinha publicado o seu Código de Posturas (1908) com 245 artigos, o segundo desta natureza, já que o primeiro fora aprovado em 1886. Ainda no ano de 1908 a Câmara fez publicar um Memorial Histórico da Cidade organizado por Antonio Philadelpho Pessôa, em comemoração ao Primeiro Centenário da Abertura dos Portos do Brasil ao comércio internacional. Este trabalho é o primeiro esforço de escrita de história do município (título raríssimo!) feito especialmente para representar Camocim na Exposição Nacional daquele ano.

Em 1911 o Porto de Camocim era considerado o melhor do estado,  tendo 02 armazéns e cinco pontes (trapiches), um farol e bóias que iluminavam a barra, uma pequena casa para observações mareográficas e um galpão que servia como posto fiscal da Recebedoria do Estado. 
A Empresa de Navegação L. Lorentzen, de origem norueguesa, atuava em  Camocim nessa época, mantendo regularmente com os vapores Rio, Ipu, Sobral e  Camocim as seguintes linhas: de Pernambuco a Manaus e de Camocim ao Pará.

Na Praça  da Matriz estavam em construção em 1911, dois poços artesianos. A população era de 6.000 habitantes e os eleitores somavam apenas 544 eleitores (1909).



FONTE: Almanaque Laemmert, 1911, ed.68, p.392.

sábado, 5 de setembro de 2020

A SIMBIOSE HOMEM-NATUREZA. (X SETEMBRO CAMOCIM 2020. Nº. 01)

Foz do Rio Coreaú. Camocim-CE. Foto: Leopoldo Kaswiner. 


Abrindo mais um SETEMBRO CAMOCIM (Décima edição - 2020), vamos dar uma parada naquelas matérias sobre política do passado (mas, nem tanto!) para evidenciarmos a nossa história local que, neste ano de pandemia, será um pouco diferente. Para começarmos vamos nos valer de mais uma preciosidade revelada dos arquivos do livreiro Trata-se de um cartão postal, intitulado "Foz do Rio Coreaú - Camocim-Ceará", de Leopoldo Kaswiner, retratando a faina do pescador camocinense. A foto não traz a data e o efeito em preto e branco parece remeter para um passado em que as dunas ainda tinham alguma cobertura vegetal, num tempo em que nelas se plantava salsa para impedir o assoreamento do canal natural do rio. Neste trabalho, realizado antigamente, muitas pessoas foram empregadas para tal fim, tanto no sentido de mitigar os efeitos da fome e da seca (inclusive usando-se mão de obra vinda de outras cidades como Ipu e Crateús), quanto para a fixação propriamente ditas das dunas móveis do Outro Lado (ou do Morro da Testa Branca para os mais velhos), da agora famosa Ilha do Amor.
No entanto, por ser uma foto de Leopoldo Kaswiner, especialista em fotografar as paisagens marítimas (embora ele trafegue por outros territórios com a mesma sensibilidade), acredito que a foto seja de décadas recentes. Leopoldo Kaswiner é o autor das fotos do livro "Sítio Histórico de Sobral - Monumento Nacional", além de várias obras e exposições fotográficas e está em plena atividade. Vamos tentar um contato com ele para precisar a data da foto que ilustra esta postagem.
Camocim, 05/09/2020. 174 dias de isolamento social.

Foto: Foz do Rio Coreaú - Camocim-Ceará. Leopoldo Kaswiner. Arquivo:
Francisco Olivar Olivar
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quarta-feira, 8 de julho de 2020

A CAPITANIA DOS PORTOS EM CAMOCIM. MAIS DE UM SÉCULO DE HISTÓRIA

Organizações Militares existentes na Marinha do Brasil. 1964 a 1990. Fonte: Ministério da Defesa. Marinha do Brasil.


No último dia 05 de julho de 2020, a Agência da Capitania dos Portos em Camocim, comemorou 121 anos entre nós.  Portanto, desde 05/07/1899, ainda no século XIX, que a Marinha do Brasil marca sua presença em nosso município. 
Na ORDEM DO DIA Nº 1/2020 publicada pelo atual Agente da Capitania dos Portos em Camocim, Ricardo Corrêa Peixoto - Capitão-Tenente (AA), um resumo dos objetivos da unidade militar em Camocim:

[...] Mercê dessa presença mais que secular, poder-se-ia apresentar as inúmeras estatísticas de inspeções, abordagens, inquéritos, acidentes e multas – robustos, contudo, insensíveis números de um trabalho incansável de um punhado de militares e servidores civis que exerceram e ainda exercem essas importantes atividades. 
Entretanto, o que gostaríamos de sublinhar, nesta célebre ocasião, é a impossibilidade em quantificar o número de pessoas que foram salvas, não apenas após um infortúnio, mas, sobretudo pela orientação contumaz e obstinada dos nossos profissionais em não permitir que embarcações se fizessem ao mar à revelia da segurança da navegação – se essas houvessem ocorrido muitas tragédias e sofrimentos para as famílias teriam sido noticiadas. As pessoas que não perderam as suas vidas são, indubitavelmente, a melhor das estatísticas que esta incansável Organização Militar poderia apresentar.

Não restam dúvidas da importância da presença da Marinha do Brasil face à nossa condição de município litorâneo e da vocação para as atividades laborais ligadas ao mar, aberto ao mundo pelo Rio Coreaú e o Oceano Atlântico. No entanto, as instituições também são filhas do seu tempo e, como tal, exercem outras atividades demandadas pelo aparato estatal. Deste modo, a unidade da Marinha do Brasil em Camocim também cumpriu determinações relacionadas ao processo de controle, vigilância e informação sobre outros atores políticos no período denominado de ditadura civil-militar no país. 
Neste sentido, relatórios, dossiês, interrogatórios e demais informações sobre momentos da nossa história política, envolvendo políticos, principalmente, produzidos neste período, podem hoje ser acessados com a abertura dos arquivos.
No documento acima apresentado, tem-se a relação dos nomes dos agentes que serviram em Camocim entre 1964 a 1989, fornecido pela Marinha do Brasil a pedido da Comissão Nacional da Verdade (CNV). Por outro lado, naquela época, a maioria destes agentes se tornaram "cidadãos camocinenses" pela Câmara Municipal de Camocim.
Os tempos são outros e que a Marinha do Brasil continue imbuída de sua atual missão em nossa terra, como afirma ainda a Ordem do Dia acima mencionada, de:

[...] expressar o orgulho, mais uma vez, pela excelência dos serviços que executam, tendo em vista que é notória a dedicação, esmero, espírito de sacrifício e a sinergia com que executam suas obrigações e tarefas constantes no dia a dia, sacrificando suas famílias pelas ausências e longas jornadas de trabalho. 

Fontes: 
Camocim Online.
Arquivo Nacional. br_rjanrio_cnv_0_rce_6004100274820201315_d0001de0002.

 






quinta-feira, 2 de abril de 2020

OS NOMES DO NOSSO RIO-MAR. SÉRIE MAPAS

Brasilia (Descriptions Ptolomaicae Augmentuum). 1597. Cornelis Wytfleet.

Vez por outra já tocamos nesse assunto: a nomenclatura do nosso principal rio que adentra no Oceano Atlântico. Ou seria o Atlântico que penetra no nosso rio, como poeticamente retratou Inácio Santos, na poesia "Sedução":

É o mar que adentra ao rio
Ou o rio que adentra ao mar
É uma incógnita este desafio
Ninguém consegue explicar
E neste embate aguerrido
De força e de grandeza
Exprime todo o sentido
De luz, magia, e beleza
Também não há explicação
Da indescritível emoção
Que se apodera de mim
Meu coração se faz mar
Lá aonde vai desaguar
Meu lindo rio Camocim,

Pesquisando em mapas antigos, vários nomes são dados ao nosso atual Rio Coreaú, como por exemplo Rio da Cruz (R, Cross, nos mapas em língua inglesa), Rio Camocim (ou Camucim, dependendo da fonte) e, em menor frequência, Rio São Francisco.
Mergulhando a fundo na obra "Tesouros dos Mapas. A Cartografia na Formação do Brasil", encontramos, talvez, o mais antiga referência ao nosso rio-mar. Trata-se da Brasilia (Descriptions Ptolomaicae Augmentuum) elaborado pelo geógrafo Cornelis Wytfleet (? -1597) e publicado em Louvain em 1597.
Segundo a obra, o referido geógrafo foi "secretário do Concílio de Barbante, foi responsável pelo primeiro atlas dedicado exclusivamente à América [...] além de uma História Universal das Índias Orientais, lançada depois de sua morte, em 1605".


Fonte: O Tesouro dos Mapas. A Cartografia na Formação do Brasil. Instituto Cultural Banco Santos. 2002, p.240. 



domingo, 3 de novembro de 2019

OSWALDO CRUZ E SUAS IMPRESSÕES SOBRE CAMOCIM

Há muito tempo que procurava uma documentação sobre o Porto de Camocim, relativa a viagem empreendida pelo sanitarista Oswaldo Cruz no começo do século XX. A expedição ficou conhecida como a "Viagem aos Portos do Norte e Nordeste do Brasil" e desenrolou-se entre os anos 1905 a 1906. Com efeito, desde que assumira o posto de Diretor Geral de Saúde Pública em 1903, defendeu a necessidade de se levar para outras regiões do país as ações de saneamento que estavam sendo realizadas por ele no Rio de Janeiro. Assumira então o compromisso de que, tão logo fosse controlada a febre amarela na capital, iria se dedicar à reformulação dos serviços de saúde dos portos marítimos e fluviais brasileiros", no intuito de " promover a defesa sanitária de seus portos contra a invasão de doenças como o cólera e a peste bubônica".
Sabedor de que a expedição passara pelo Porto de Camocim, recorri a amigos no sentido de buscar essa documentação. No entanto, só agora a mesma está disponibilizada através das cartas que Oswaldo Cruz escrevia à sua esposa Emília Fonseca Cruz de cada porto por onde passava.
A viagem iniciou-se a "28 de setembro de 1905, acompanhado de seu secretário, o médico João Pedroso, Oswaldo Cruz embarcou no rebocador República rumo ao norte do país. Levava na bagagem um plano para a construção de hospitais de isolamento e de estações de desinfecção em cada local a ser visitado.
Experiência pioneira de contato com um Brasil praticamente desconhecido nos grandes centros urbanos, esse trabalho teria continuidade alguns anos depois com as expedições científicas do Instituto Oswaldo Cruz. Será principalmente a partir delas que o país tomará consciência da dramática realidade de sua gente mais sofrida: a população dos sertões brasileiros.
Sobre Camocim, Oswaldo Cruz, depois de enfrentado o  mar revolto típico de novembro ao chegar ao nosso porto, escreveu á sua mulher, dentre outros detalhes:

2 de novembro de 1905
"... Camocim, pequena cidade nova, porto importante do Ceará, ponto de partida duma estrada de ferro que vai a Ipu, passando por Granja e Sobral. Coisa interessante: eram 5 hs da manhã e todas as casas já estavam abertas e as famílias sentadas tomando café! Que madrugadores!"


Como resultado da viagem, o "chefe da DGSP anunciou que em Caravelas, Mossoró e Camocim seriam instaladas delegacias de saúde tendo em vista a importância desses portos e volume de transações comerciais que transcorriam lá. Providências significativas seriam tomadas nesses e nos demais portos: construção de estações de desinfecção para navios e desinfectórios para os passageiros e habitantes, hospitais de isolamento, fornecimento de barcos de desinfecção, com a nomeação de profissionais adequados a esses serviços. Tais ações de prevenção de doenças transmissíveis seriam iniciadas no ano de 1906, destinando-se a elas alguns milhares de contos (SAÚDE PÚBLICA, 1905, p.1). Há que se considerar que esse auspicioso plano geral de saneamento dos portos não veio a ser concretizado nos anos posteriores (FUNDAÇÃO, 2002,p.113)".














Fonte: BEZERRA, Mariza Pinheiro. NOS SERTÕES DO NORTE: SAÚDE PÚBLICA E SANEAMENTO NO MARANHÃO,(1889-1930). Rio de Janeiro. 2019.

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

O FAROL DO CAMOCIM, (IX SC 2019. 15)

Antigo Farol do Trapiá. Camocim-CE, Fonte: Facebook. Raimundo Gomes.


Hoje, 30 de setembro é o dia da Navegação. Neste sentido, um farol é sempre um marco para uma navegação segura. Em Camocim, os homens do mar agradecem esse ponto de luz que os trazem para casa na escuridão da noite. 
Já postamos algo sobre o nosso Farol do Trapiá, com fotografias fornecidas pela Marinha do Brasil. No entanto, hoje trazemos o antigo farol de um novo ângulo. Muito se fala sobre este local na beira da praia. Os mais velhos narram histórias curiosas de assombração, mas também de um tempo em que serviu como salão de festas e local de encontro amorosos.
O escritor Carlos Cardeal em seu romance "O Terra e Mar" (recentemente lançado em sua 2ª edição), o denomina Farol Sem Nome e muitas das cenas do livro tem nele a sua ambientação.
Atualmente, o farol continua lá, com o mesmo nome e função, no entanto, sem o charme da arquitetura de outrora em nome da "força da grana que ergue e destrói coisas belas".

FONTE: "O Terra e Mar".
Foto: Facebook. Raimundo Gomes.