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quinta-feira, 4 de junho de 2026

O NOVO RELÓGIO DA MATRIZ

 

Matriz de Bom Jesus dos Navegantes. Camocim-CE. Colorizada por IA. Fonte: Arquivo do CPH.


A Igreja Matriz do Bom Jesus dos Navegantes, em Camocim, constitui um dos mais importantes marcos históricos e religiosos da cidade em sua vida centenária. Projetada inicialmente pelo engenheiro da Estrada de Ferro de Sobral, Dr. José Privat — cujos restos mortais estão sepultados na própria igreja. A Matriz teve sua construção consolidada em 1919, durante a administração do Padre José Augusto da Silva, sendo abençoada por Dom José Tupinambá da Frota, então bispo da Diocese de Sobral, à qual Camocim pertencia.

Embora inaugurada em 1919, a torre da Matriz só recebeu seu “grande relógio” em 1953, como consta no Livro de Tombo da Paróquia de Bom Jesus dos Navegantes. Segundo o registro desta fonte, o equipamento chegou à cidade em 23 de maio daquele ano, transportado pelo famoso navio “Aratanha”, como doação da tradicional Família Morel, por iniciativa de Vicente Morel, em homenagem ao centenário de nascimento de seu pai, José Severiano Morel, importante benfeitor da Igreja local. Fabricado em São Paulo pela firma José Michelini & Filhos, o relógio custou cinquenta mil cruzeiros, a moeda corrente da época.

Antes mesmo da chegada do relógio a Camocim, a Câmara Municipal providenciou o agradecimento da oferta, como indica a Ata da Sessão Ordinária de 22 de março de 1953. Nela, o vereador Joaquim Pereira de Brito requereu que se telegrafasse “ao senhor Vicente Morel agradecendo a valiosa oferta de um relógio para a Igreja Matriz, o qual será instalado por ocasião das comemorações do Centenário de nascimento de seu pai José Severiano Morel".

Para a instalação do relógio, a Prefeitura de Camocim (cujo prefeito na época era o Sr. Setembrino Veras) contratou o mecânico Nilton Muratori, de Fortaleza, para realizar a montagem, que terminou a 8 de setembro. Sua inauguração ocorreu em 9 de setembro de 1953, em cerimônia solene marcada por discursos que exaltaram a memória de José Severiano Morel, e apresentaram o relógio como símbolo do progresso urbano da cidade.

Ao longo das décadas, o relógio tornou-se uma das referências mais conhecidas da paisagem urbana camocinense, embora tenha enfrentado constantes problemas mecânicos, permanecendo frequentemente atrasado ou parado, assim como, consertado algumas vezes pelo Sebastiãozinho Relojoeiro, ou pelos mecânicos da Estrada de Ferro João Evangelista de Sousa e Jairo Teixeira Bezerra, fatos lembrados com humor e nostalgia pelos moradores mais antigos.


Em 1976, a Matriz passou por importante reforma em seu teto, graças à mobilização do Lions Club de Camocim, que promoveu bingos e rifas para arrecadar recursos. A campanha reuniu doações de comerciantes, empresários e instituições locais, permitindo arrecadar quarenta e três mil cruzeiros, dos quais cinco mil foram destinados especificamente ao conserto do relógio da igreja. Entre os prêmios ofertados estavam máquina de costura Singer, geladeira Consul, rádio Semp, fogão Jangada, bicicleta Monark, radiola Philips e até um garrote, evidenciando o forte envolvimento da comunidade camocinense nas obras de preservação da Matriz.

2026. Cinquenta anos depois, num momento em que um novo equipamento marcará o passar das horas em nossa cidade, a história do relógio e da própria Igreja Matriz revela não apenas a importância da religiosidade em Camocim, mas também o papel desempenhado pelas famílias tradicionais, pelo poder público e pelas associações civis na construção da memória urbana e cultural da cidade.


Fontes.

2º Livro de Tombo da Paróquia de Bom Jesus dos Navegantes. Camocim-CE, 1953, p. 148 a 149.

3º Livro de Tombo da Paróquia de Bom Jesus dos Navegantes, p.35, 

Livro de Atas das Sessões Ordinárias da Câmara Municipal de Camocim. 1953.

Blog Camocim Pote de Histórias   

 

      

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

FOLHA DO LITORAL. O NOSSO JORNAL. (XII SETEMBRO CAMOCIM. 2022. Nº 6)

 



Folha do Litoral. Camocim-CE. 22 de setembro de 1918. Fonte: Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.


     Os jornais são grandes fontes para a história. Visitar o passado através deles é uma forma de se perceber como a imprensa noticiava sobre os grandes temas e o cotidiano de um lugar. 
        Não é chavão, mas, Camocim "já teve" uma imprensa fértil em quantidade de jornais e periódicos de qualidade que se ombreavam com os jornais da capital. Dentre eles, podemos citar o Folha do Litoral, que circulou em nossa cidade entre os anos de 1918 e 1919, cujos números estão preservados na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, sempre citado nos levantamentos da imprensa cearense.
        Fisicamente, o jornal Folha do Litoral tinha quatro páginas. Na primeira trazia sempre uma fotografia que remetia a reportagem de capa e algumas notícias locais e nacionais. Na segunda trazia o "Expediente", algumas poesias e notícias da sociedade local na coluna "Folha Social". A terceira página era recheada com a "movimentação do porto", editais, telegramas e algumas propagandas do comércio de representações. Na quarta e última página, a metade era dedicada aos anúncios da Casa Nicolau & Carneiro, proprietária do jornal e de outras casas comerciais de Camocim.
        Mas, como nasceu o jornal Folha do Litoral em Camocim? Quem nos conta é o o historiador Oswaldo de Araújo no artigo "Imprensa do Passado", Revista do Instituto Histórico do Ceará, p,84-87:


    Estamos em plena era digital. Mas, para mim, falta um jornal em nossa cidade.

Fontes: 
Folha do Litoral. Camocim-CE. 22 de setembro de 1918. Fonte: Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.
ARAUJO, Oswaldo. Imprensa do Passado", Revista do Instituto Histórico do Ceará, p,84-87.
             
           













 



terça-feira, 22 de setembro de 2020

OS TELÉGRAFOS. (X SETEMBRO CAMOCIM. 2020. Nº 3).

 

Notícia de inauguração dos telégrafos em Camocim.
Fonte: A Razão. Fortaleza. edição 68, 30 de maio de 1929.


Com a decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) sobre a questão da greve nos Correios e Telégrafos, mais uma greve na estatal parece estar por terminar, com um ganho de míseros 2,6% de reajuste salarial. As conversas nos bastidores do governo atual tendem para a privatização de um dos serviços mais antigos do país e de uma empresa que já foi a referência de credibilidades dos brasileiros.
No entanto, nem sempre correios e telégrafos foram serviços que funcionaram juntos. Muitas vezes, tinha-se um e inexistia o outro. Em Camocim, os correios já funcionavam pelas linhas de navegação e pela Estrada de Ferro de Sobral (EFS), desde o final do século XIX. Posteriormente, os aviões do Correio Aéreo Nacional (CAN) faziam uma parada em Camocim. O telégrafo, por sua vez, era um serviço atrelado ao funcionamento da estrada de ferro.
Como repartição federal conjunta (Correios e Telégrafos) em nossa cidade, somente no final da década de 1920 é que a estação telegráfica foi inaugurada, conforme notícia veiculada no jornal A Razão, edição de 30 de maio de 1929 (ver recorte de jornal acima). Portanto, este serviço em Camocim, completou 90 anos.
Em 1932, o chamado "governo revolucionário" de Vargas inaugurou o prédio definitivo que ainda hoje abriga a sede da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT) em Camocim,  que em breve pode ser adquirido por gigantes do comércio varejista.

quarta-feira, 17 de junho de 2020

CASAS COMERCIAIS DE CAMOCIM DO SÉCULO XX - A ITALIANA


Anúncio da "A Italiana". Camocim-CE. 1918. Fonte: Jornal Folha do Littoral. 01/09/1918, nº 12, p.4.



Nas primeiras décadas do século XX, o comércio de Camocim era bem diversificado, seja no atacado,como mo varejo. Uma pesquisa nos jornais da época, sinaliza neste recorte temporal a existência de casas comerciais que se instalaram no primeiro centro comercial da cidade - as imediações da Praça da Estação. Armazéns de grande porte para a época, firmas comerciais de representação, bancos, clubes sociais, cinemas, repartições públicas e mercearias "sortidas" tinham naquele espaço a sua localização.
Hoje enfocaremos a casa comercial "A Italiana", uma referência, sem dúvida, à origem de seu proprietário, o Sr. Francisco Trévia. Outros membros desta família também fizeram história no comércio camocinense (Fernando Trévia, Dedim Trévia, Toinho Trévia, Carlos Augusto Trévia, Fernandinho, dentre outros) e ainda hoje permanecem neste ramo, como Luciano Trévia.
A Italiana, como se pode observar no seu anúncio no jornal Folha do Littoral, era mais do que uma mercearia com seu sortimento variado de conservas, massas, biscoitos, doces, licores e bebidas em geral. Mas também era um botequim, um bilhar, enfim, um espaço onde os homens poderiam, principalmente, podiam se encontrar, conversar, beber o Vermutim "o melhor aperitivo do mundo", fumar um charuto "Stender", enfim, exercitar suas práticas sociais. 

Fonte:Jornal Folha do Littoral. 01/09/1918, nº 12, p.4.

domingo, 31 de maio de 2020

A VIOLETA. A REVISTA DA MULHER CAMOCINENSE

Revista "A Violeta", nº 174, março de 1941. Fonte: APMT.

A fertilidade da imprensa camocinense já foi abordada nete espaço. Nas primeiras décadas do século XX foi grande a variedade de periódicos e revistas que surgiram em nossa cidade, variando do noticioso informativo ao humorístico, clubístico, de representação política, da classe operária (O Operário), dentre outros. A crônica histórica recupera mais de trinta títulos, alguns sendo editados simultaneamente, além da existência por certo tempo de duas tipografias na cidade, a  Typographia Commercial e Officinas Typographicas,  do jornal “Gazeta de Camocim”.
Feito este intróito, cumpre informar que as mulheres camocinenses também tiveram uma publicação específica para elas. Segundo a Revista do Instituto Histórico do ano de 1908 em Camocim "surgiu A Violeta, orgam literário e recreativo dedicado ao 'bello sexo'", no ano de 1907. Naquela época, o Barão de Studart fazia na Revista do Instituto Histórico um interessante trabalho de pesquisa sobre a imprensa cearense.
Interessante como este nome "Violeta" surge denominando jornais e revistas dedicados ao público feminino, seja para o entretenimento ou na divulgação das ideias do feminismo que surgia naquela época. Neste sentido, vamos encontrar uma revista denominada "A Violeta" ainda no séc, XIX em Parnaíba-PI, no ano de 1863. No entanto, talvez a mais profícua e duradoura foi "A Violeta" de Mato Grosso, "periódico editado em Cuiabá, a partir de 1916, por uma pequena elite de pessoas letradas, lideradas por mulheres que escreviam e editavam a revista, aproximava ideias e pensamentos que estavam na pauta dos debates contemporâneos".  A revista mato-grossense saiu regularmente até 1950, que nos seus "309 títulos, revelou uma longa vida, traduzida nas muitas décadas utilizadas em suas publicações. O último número dessa revista foi editado por ocasião da posse do Presidente da República, Eurico Gaspar Dutra, nascido em Cuiabá".
Infelizmente ainda não encontramos nenhum exemplar de "A Violeta" editada em Camocim para sabermos como o "belo sexo" camocinense, como se dizia à época era retratado.

Fonte: Revista do Instituto Histórico do Ceará. 1908,
ROCHA, Olívia. Mulheres e Imprensa no Piauí. 2012.
MARQUES, Ana Maria. O Feminismo nas narrativas de mulheres na revista "A Violeta". Cuiabá. 1916-1950. Revista Territórios e Fronteiras, n.1, v.4, 2011.


sexta-feira, 22 de maio de 2020

CAMOCIM E A INDÚSTRIA FARMACÊUTICA

Anúncio dos produtos farmacêuticos J. Arthur de Carvalho. Camocim-CE. 1918. Fonte: Folha do Littoral.


Diante de toda celeuma atual que envolve o uso ou não do medicamento cloroquina que, sem dúvida, envolve interesses muito maiores e difusos do que uma saída segura como remédio eficaz para o combate do corona vírus, lembramos que nosso município já foi um polo de produção de produtos farmacêuticos que ainda hoje podem se encontrar nas farmácias.
Quem já não usou as famosas Gotas Arthur de Carvalho para se aliviar de problemas estomacais? Pois bem, nas primeira décadas do século XX, o farmacêutico Joaquim Arthur de Carvalho montou em Camocim o Depósito Geral do seu Laboratorio Chimico-Pharmaceutico, produzindo as Gottas Arthur de Carvalho ou Gottas Estomacaes para os problemas do estômago; Caneroina, para combater a consequências da sífilis; Ulcerina, eficaz contra as "úlceras de mau caracter"; Calloina, para desfazer os problemas de calos na pele; o Tonico Prior, uma loção antisséptica que prometia evitar a queda de cabelo e eliminar a caspa e o Elixir anti-asmatico, que, como o próprio nome diz, servia para combater a asma, mesma aquela "mais rebelde, quando delle se faz uso mais prolongado".
A fama dos produtos de J.Arthur de Carvalho correu o Brasil daquela época, demonstrado pelos vários pedidos dos medicamentos junto à firma de representação local  Nicolau & Carneiro. A firma mantinha uma espécie de filial em Fortaleza, com um depósito estabelecido à Rua Major Facundo, nº 44.
J. Arthur de Carvalho não era somente um farmacêutico conhecido. Á noite, reunia em sua farmácia um  grupo de pessoas letradas da cidade, dentre eles o pintor Raimundo Cela, para uma boa roda de conversa.

FONTE: Jornal Folha do Littoral. Camocim-CE, 22/09/18, ed.15, p.3. 

domingo, 19 de abril de 2020

O PAPA, AS CRIANCINHAS E A SOLIDARIEDADE CAMOCINENSE

Fonte: Correio da Semana. Sobral-CE, 28/03/1941, nº 54, p3.

Em tempos de pandemia, verificam-se as ações de solidariedade em todo o mundo no sentido de combater a fome das pessoas, aumentada pela diminuição da atividade econômica imposta pelo isolamento social.
Artistas e celebridades fazem suas "lives" no sentido de arrecadar alimentos e artigos de limpeza, principalmente, quase numa competição para saberem quem mais arrecadou. Se isto fosse uma ação corriqueira, o problema da fome estaria solucionada no mundo. Por outro lado, fico a me perguntar como se dá logística da entrega das milhares de toneladas arrecadadas.
Contudo, estas campanhas nem sempre tiveram essa espetacularização midiática e resultados tão "satisfatórios". Na campanha do Santo Padre Pio XII, a favor das crianças vítimas da Segunda Guerra Mundial, a Diocese de Sobral apresenta os valores arrecadados em tal campanha, lamentando a "mão de vaca" dos sobralenses em contribuir com o apelo papal, registrado pelo jornal católico Correio da Semana: 

" É pena Sobral, que devia dar o exemplo, contribuir com tão pouco para corresponder ao angustioso appelo do Santo Padre".

Por outro lado, a pequena nota prefere destacar o pão durismo dos sobralenses ao invés de destacar a arrecadação das paróquias de Acarahú, Massapê e Independência, as que mais arrecadaram. Como se vê na publicação, somente Camocim com  150$000, quase empata com as duas paróquias de Sobral, naquela época,  Sé e Patrocínio, que juntas, arrecadaram somente 170$000. Ao todo a Diocese de Sobral enviou para os cofres do Vaticano a quantia de 3.437$000.
O Papa não era tão pop!

Fonte:Correio da Semana. Sobral-CE, 28/03/1941, nº 54, p3.

quarta-feira, 8 de abril de 2020

A ELITE DE CAMOCIM NO INÍCIO DO SÉCULO XX

Jornal Folha do Litoral. Camocim-CE. 1918. Fonte: Hemeroteca da BN.

O termo "elite" hoje possui vários significados. No entanto, seu maior emprego serve para designar uma parte da sociedade de um lugar, uma classe que se sobrepõe a uma outra em vários aspectos. Neste sentido, a elite social sempre foi associada com aquela parcela da população que detém os meios de distinção social, política e econômica, enfim, a classe dominante de determinado lugar.
Para se ter uma ideia de quem era esta "escol" no início do século XX em Camocim, a matéria jornalística de que trata sobre a morte da jovem Amélia Veras traz uma relação de pessoas que faziam parte da dita "sociedade" camocinense na década de 1910, com suas ramificações e descendências até hoje percebida no nosso cotidiano social.
Vamos portanto à matéria do jornal Folha do Littoral de 15 de dezembro de 1918:

"Completando a nota que demos referente ao sentido do desenlace da extincta senhorinha, damos abaixo a lista das pessoas que formaram o prestito funebre da inesquecivel morta:
Dr. Hermes Parahyba, Joaquim Arthur de Carvalho, Antonio de Lima e Silva, João Gualberto Lima, Luiz de Castro, Tobias Navarro, Miguel de Paschoa, Adhemar Leitão, Manuel Ribeiro, Manuel de Saldanha Junior, Diogo José de Souza, Hildebrando Callado, André Pessôa, Tasso Napoleão, Júlio Monteiro, Mario Militão, Custodio Costa, Carlos Tavares, José Felinto Cavalcante, Antonio Luiz de Aguiar, Moysés Rocha, Manuel Dias Macedo, José Cela, João Ramos, Francisco Assis, Manuel Francisco Vianna, Polycarpo Souza, Juvenal Medeiros, José Severiano Morel, Pedro Morel, Francisco Morel, Manuel Nemezio, Brisamar Rocha, Manuel Pinto Filho, José Carneiro Fonseca, Manuel Juarez, Manuel Carneiro, Arthur Carvalho, Joaquim Queiroz, José Lopes Vianna, Chromacio Cabral, José Osvaldo, Bichara Musolem, Francisco Fontenelle, Rodolpho Fonseca, Francisco Magalhães, José Freire de Aguiar, Navegantino Pedreira, Cel. Severiano Carvalho, João Evangelista Souza, Antonio Barros, Carlos Parente, Francisco Marçal, Raymundo Carneiro da Silva, Pio Bandeira, Miguel Marcondes, José Motta, José Gomes do Valle, João Alves Ribeiro, Silva Aguiar, Francisco Americo, Venancio Prado, Melchiades Ribeiro, Isidrio Barros, Antonio José de Pinho, Alfredo Coelho, José Perales, Nicacio Pinto, José Ferreira, Horacio Pessôa, Antônio Delmiro da Rocha, José Pinheiro Pessôa, José Coelho, João Veras, Thomaz Zeferino Veras, Hyppolito Navarro [...] e Tobias Navarro.
Senhorinhas: Ayda Perales, Augusta Veras, Julieta Veras, Rosa Coelho, Maria Onisia Araujo, Raymundinha Santos, Mariinha Santos, Maria de Lurdes, Delzuira Carneiro, Argea Tavares, Olga Bevilaqua, Francisca Vasconcellos, [...] Odilia Carneiro, Alcira Nascimento, Angelita Carvalho, Cotinha Aguiar, Cyra Debora Sampaio, Antonieta Rodrigues, Arica Carneiro, Maria e Iracema Aguiar, Innocencia Menescal, Judith Araujo, Julia Santos, Alice Rodrigues, Rosa Carneiro e Maria do Prado".

Alguns destes nomes são do nosso conhecimento que nomeiam ruas e prédios de nossa cidade. E você encontrou seu parente distante nesta lista?

Fonte:  Jornal Folha do Littoral , Camocim-CE, 15 de dezembro de 1918, p.2.

terça-feira, 31 de março de 2020

GRIPE ESPANHOLA MATA EM CAMOCIM. AMÉLIA VERAS


Jornal Folha do Littoral. Camocim-CE, 08 de dezembro de 1918. Fonte: Hemeroteca da BN.
28 de setembro, um sábado, véspera da data em que Camocim completaria 39 anos de emancipação política, o Vapor Ceará, da Companhia Lloyd Brasileiro atracava no Porto de Fortaleza, trazendo o germe do "morbo hespanhol". A embarcação vinha dos estados do sul, onde a epidemia acabara de chegar. Até março de 1919 os jornais ainda traziam notícias de mortes provocadas pela febre epidêmica, Em Camocim, apesar de não sabermos ainda o número correto de mortes, foram dezenas de camocinenses que sucumbiram à peste. Como sempre acontece nas pandemias quem mais morre são as pessoas pobres, daí não estamparem as manchetes dos jornais.
Contudo, a peste não seleciona classe ou posição social. Neste sentido, a morte da "Senhorinha Amélia Veras", filha do Cel. Thomaz Zeferino de Veras e D. Emília Pessoa Veras, ocorrido em 06 de dezembro de 1918, teve seu falecimento noticiado por dois números seguidos do jornal Folha do Littoral (08 e 15 de dezembro de 1918).
Embora dois médicos tivessem vindo em trem especial de Sobral para socorrer a jovem de apenas 15 anos, os mesmos já a alcançaram sem vida. Este fato gerou comoção na cidade e o enterro da mesma, ocorrido em 07 de dezembro de 1918 foi noticiado pelo jornal, inclusive com a relação dos presentes ao ato fúnebre. Na escrita jornalística, o sentimento de perda:

 "O passamento da desditosa mocinha, que, ainda no verdor dos annos, quando a existencia para ella começava desabrochar no sorrir tonificante da primavera da vida, pois que apenas contava com 15 annos de idade foi consternadamente sentido no seio da sociedade camocinense onde, pelo seu grandioso dote de maneiras e coração captivante produto feliz do seu espirito alegre e angelical, era vantajosa e distinctamente apreciada".


Fonte: Jornal Folha do Littoral. Camocim-CE. 1918, nº 26 e 27. Respeitou-se a grafia da época.

terça-feira, 24 de março de 2020

A GRIPE ESPANHOLA EM CAMOCIM


Jornal Folha do Littoral, Camocim-CE. 1918. Fonte: Hemeroteca da Biblioteca Nacional.

Quero ainda ter tempo e disposição para um dia escrever sobre a saúde e a doença em Camocim. Ao tempo em que seu clima era aconselhado pelos médicos para a cura de alguns males do corpo (Raimundo Cela se curou em Camocim), sua condição de porto movimentado nas primeiras décadas do século XX era porta de entrada de várias doenças, como a GRIPE ESPANHOLA, (que apesar do nome, não surgiu na Espanha e sim nos EUA) que matou até o presidente da época, Rodrigues Alves (ele não era tão imune como o de agora).
Vou à imprensa da época para entender um pouco dessa epidemia (na época o termo pandemia era pouco usado), num jornal nosso, editado em Camocim, chamado Folha do Littoral. Restaram alguns exemplares dos anos 1918 e 1919, tempo em que a "gripe" grassou em nosso país, matando mais de 30 mil pessoas. E, para quem acompanha a loucura que é a imprensa atual, naquele momento os jornais diziam que era apenas uma "gripe":
"O QUE É A INFLUENZA HESPANHOLA. Os medicos descobriram que a influenza hespanhola é simples gripe aggravada com a differença de clima. Falleceram em consequencia desta molestia 88 pessoas pertencentes as nossas divizão de guerra e a missão medica". (Folha do Littoral, Camocim-CE, 06 de outubro de 1918, ed. 17, p1.).

Em outubro de 1918 a doença ainda estava no começo. No Brasil ela teria chegado através de um vapor inglês em setembro que aportou no Rio de Janeiro. No Ceará, ela veio por um navio do Lloyd Brasileiro. Percebam que a linguagem jornalística é fria e curta, pois, ao mesmo tempo que minimiza a descoberta da doença, assinala o número de mortes como algo natural.
Na próxima postagem descreverei como os articulistas do jornal começam a se preocupar com a doença e o abandono do nosso porto do ponto de vista sanitário.

Fonte: Folha do Littoral, Camocim-CE, 06 de outubro de 1918, ed. 17, p1.).

sábado, 14 de dezembro de 2019

O CORETO DA LUZ DE CAMOCIM.

Coreto da Praça 7 de setembro. 2016. Camocim-CE. Fonte: publicinista.com
Pouca gente sabe, mas, a Praça do Coreto foi a primeira praça construída em Camocim pelo então intendente municipal, Francisco Nelson Chaves (1923-1927). Provavelmente construída entre 1923-24, recebeu ao longo do tempo, várias denominações, desde a oficial, Praça Sete de Setembro, depois rebatizada para Praça Francisco Fontenele Frota (Chico Panair). No entanto, no gosto popular, se seculariza Praça do Coreto, face à construção de origem francesa que adornou várias praças no mundo afora. Em Camocim, tivemos outra praça no mesmo formato em frente do Camocim Club, que foi demolida há muito tempo atrás.
No entanto, outro fato importante marca a existência do Coreto, cuja praça passa agora por mais uma reforma, segundo dizem, para resolver uma demanda de estacionamento no núcleo central da cidade. Foi neste Coreto que se deu a inauguração do primeiro sistema de iluminação pública de Camocim inaugurado em 1925 sob a responsabilidade do engenheiro Raimundo Cela, que depois se tornou um famoso pintor de renome internacional. O jornal Diário do Ceará reportou:

"Na Praça 7 de Setembro, especialmente engalanada para o ato, realizou-se às 20 horas, a inauguração oficial da iluminação. No coreto recentemente construído viam-se os convidados para o ato. O orador oficial da festa sr. Tertuliano Menezes, inspetor escolar regional, pronunciou excelente discurso sobre a importância do ato e se congratulando com a população. Aplausos demorados abafam as últimas palavras do orador..." (Diário do Ceará, In: GALVÃO, Roberto. Prova de Estágio. Notas Biográficas de Raimundo Cela, Fortaleza: Expressão Gráfica, 2019, p.61-2).
Maquete da futura Praça do Coreto. 2019. Fonte: google.com
Com a reforma, esperamos que o Coreto possa ser revitalizado sendo espaço para apresentações musicais, retretas, dentre outras atividades culturais.

sábado, 27 de julho de 2019

CAMOCIM E O ELIXIR DE NOGUEIRA

Anúncio do Elixir de Nogueira. Fonte: Revista D. Quixote - RJ, 1921. Anno 5, nº 201, p.4

O que um simples anúncio de remédio pode revelar para a história? Muito mais do que a gente pensa. Numa época em que a indústria farmacêutica e a mídia ainda não tinham o arsenal de mídias que possuem hoje, os anúncios em jornais em revistas, além do rádio, era a maneira de propagar os efeitos de seus produtos, sem falar dos propagandistas de feiras a percorrer o país.
Mas, hoje vamos enfocar os anúncios dos remédios em revistas de circulação nacional, como a D. Quixote do Rio de Janeiro. Uma dos recursos de marketing da época era o depoimento de pessoas, impressos nas revistas, contando como foram curadas, oriundas de várias cidades do país. Neste sentido, encontramos vários destes depoimentos enviados de Camocim, quase sempre por indivíduos da chamada "sociedade", ou seja, da elite local.
No anúncio destacado, enaltecendo os efeitos curativos do Elixir de Nogueira, observa-se no depoimento do Sr. Francisco Menescal Carneiro, identificado como Redator Chefe do jornal "O Rubi", que o mesmo foi curado "de um forte reumatismo no peito", e que sua mulher e uma filha que sofriam de "flores brancas", foram completamente curadas. "Flores Brancas" era o nome popular para candidíase
Além de se visualizar uma foto do jornalista Francisco Menescal Carneiro, muito rara para os dias de hoje, sabemos pelo anúncio que o Elixir de Nogueira era vendido em todo o Brasil e países da América Latina como Argentina, Uruguai, Bolívia, Chile, dentre outros.
Por uma simples carta datada de 1917 e anunciada numa revista em 1921, podemos ter várias informações e possibilidades de se ver a história da cidade. Este é o seu fascínio!

sábado, 11 de agosto de 2018

JULIO CICERO MONTEIRO. BIOGRAFIA

Júlio Cícero Monteiro. Camocim. 1922. Fonte: O Malho, 1992, ed.1049, p.31

Já escrevemos sobre Júlio Cícero Monteiro (JUCIMON) em várias postagens neste blog. Ipuense de nascimento, mas foi em Camocim onde exerceu várias atividades. Desta vez, reproduzimos uma mini-biografia que mostra um pouco mais de sua profissão de jornalista.

Julio Cicero Monteiro - Filho de José Monteiro da Silva Moral e Dona Delphina Gonçalves da Silva Braga, nasceu em Ipu a 18 de Janeiro de 1867.

Dedicou-se aos estudos de linguística e ao folclore, foi charadista e decifrador de mérito e atividade.
Desde muito criança começou a escrever em jornaizinhos, que ele mesmo caligrafava.
Com Manoel Coelho fundou o jornalzinho manuscrito Paladino, órgão da sociedade “Paladinos do Progresso”, e foi um dos redatores do O Globo, que existiu em 1887 — 1888 na cidade de Maranguape e no qual publicou artigos e versos, que assinava sempre com pseudônimos. Passando-se para Parangaba, fundou o Club Literário Democrático, dali passou-se para Fortaleza onde fundou O Bilontra, e de novo para Ipu onde fundou O Ipuense.
Empregado superior no Escritório Central da Estrada de Ferro de Camocim, Julio Monteiro teve em nossa cidade exercido vários cargos, como o de membro do Conselho Escolar, ajudante do procurador da República, e vereador da Câmara Municipal.
Foi presidente do Gabinete Camocinense de Leitura, fundado a 12 de Janeiro de 1913. Escreveu em 1893 um “Primeiro Livro de Leitura”, que foi approvado por Acto de 22 de Março da Junta de Instrucção Publica do Rio de Janeiro.

Fonte: Dicionário Bio-bibliográfico Cearense. Barão de Studart.



sábado, 21 de abril de 2018

GABINETE CAMOCINENSE DE LEITURA

Jornal "A Lucta". Sobral-CE. 1916. edição 91, p. 2


Nas primeiras décadas do século XX, um dos esforços das elites de qualquer lugar, principalmente a letrada, era se distinguir no processo civilizatório através da criação de entidades onde a sociabilidade dava-se, pretensamente, pelo culto às letras, à cultura, a educação formal e informal, dentre outros fatores. Neste sentido, proliferou nas principais cidades da então zona norte do Ceará, a criação de "Gabinetes de Leitura", inspirado no modelo francês, uma espécie de sociedade de letrados, onde se agremiavam os principais nomes da sociedade local, no que diz respeito ao prestígio político, poder econômico e intelectualidade. Hoje, seria o que chamamos de Academia de Letras que, do mesmo, modo, tem correspondência atualmente, com as várias academias que existem em praticamente, nas mesmas cidades. 

Crateús, Ipu, Sobral, Viçosa, Granja e Camocim tiveram seus gabinetes de leitura, onde se pode conferir suas atividades nos jornais da época. Em algum destes lugares, como Camocim, por exemplo, o gabinete de leitura ampliou sua ação para além das reuniões literárias em torno da sua biblioteca - criou uma escola noturna.
Como se disse anteriormente, os jornais eram pródigos em cobrir as atividades dos gabinetes. Exemplo disso, é a notícia em segunda página do jornal sobralense "A Lucta", que manda enviado especial para acompanhar a sessão de abertura dos trabalhos do Gabinete Camocinense de Leitura, em 16 de janeiro de 1916, publicada na edição 91 de 26 de janeiro daquele ano.

Além de uma evidente narrativa laudatória,  pode-se perceber a associação da matéria jornalística com as ideias de prosperidade que a cidade experimentava: "um padrão de progredir desta próspera cidade", aliando à festa de terceiro ano de existência da entidade, fundada em 12 de janeiro de 1913.

Outra associação fica evidente em relação aos ideais republicanos, além de uma referência aos novos tempos e à juventude: "o enunciar a inmensidade dos beneficios que ha trazido ao publico, máxime à mocidade camocinense, esse manancial inexhaurivel de luz, de moral, de civismo".

A matéria segue descrevendo a festa de aniversário do Gabinete Camocinense de Leitura, na época presidido por Júlio Cícero Monteiro, entre o som da banda "Harmonia Camocinense", dos discursos, dentre eles do orador oficial Pedro Morel, do bibliotecário F. Menescal Carneiro, dentre outros, arrematados, segundo o jornalista Oswaldo Araújo, do jornal "A Lucta", pela própria natureza, "enviando a Camocim, como portadora de seu saudar, uma chuva bonançosa".

terça-feira, 13 de março de 2018

SABÃO LONDRES. MADE IN CAMOCIM

Anúncio do "Sabão Londres" no jornal A Lucta. Sobral-CE. 1920. Edição 314, p.2.


Em postagem de 03 de outubro de 2013, já havíamos falado do Sabão Londres como um produto da fábrica de Sabão Stella, ou SABOARIA STELLA,que havia em Camocim, de propriedade do italiano João Baptista Gizzi. A referida fábrica funcionava na Rua 24 de maio, onde hoje está instalada a Farmácia São Paulo e se estendia até onde fica o Mercantil do Nilo, mais ou menos.
Hoje, trazemos o anúncio do referido sabão, publicado no jornal sobralense A Lucta, no ano de 1920. Além do anúncio, um texto abaixo, como se fosse um diálogo entre dois coronéis compadres, no qual um exalta o tal sabão Londres "que é mesmo um sabonete, e tanto serve para uma cousa, como para outra". 
O texto ainda destaca o empreendimento como um marco no comércio local, produzindo sabões de qualidade e superior aos vindos de fora. 
Ao se despedir, um dos compadres ressalta que: "falta meia hora para o almoço e vou comprar um sabão 'LONDRES' e vou tomar um belo banho e dizer em casa que experimente o sabão 'MAGESTADE', porque o sabão 'Stella' já conhecemos de perto, é uma beleza. olha compadre, está discotido (sic) que devemos  mesmo só gastar as marcas de sabão da 'SABOARIA STELLA'. Fabricado por GIZZI & CIA", em Camocim.
Por outro lado, o fato do anúncio trazer no seu topo um apelo às "Senhoritas Sobralenses", pressupõe-se de que este produto parecia ser mais elaborado, próprio para o uso feminino, vendido em tablets e ser o "sabão da moda".
 

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

A GREVE DOS FERROVIÁRIOS DE CAMOCIM EM 1914

Jornal  "A Lucta". Sobral-CE. 07/05/1914
Uma pesquisa nunca termina. Um texto nunca fica pronto definitivamente. Os fatos históricos nunca são estanques no tempo. Em 2000 escrevi sobre a Greve de 1914 ocorrida em Camocim, na Estrada de Ferro de Sobral, naquela época arrendada pelos ingleses, fundamentado naquilo que o jornalista Lustosa da Costa escreveu no Diário do Nordeste em 04/09/1996 em sua coluna diária, sob o tópico "Greve", no livro Cidade Vermelha:
 
"Os ferroviários, antes da fundação do Partido Comunista em Camocim em 1928, já tinham experimentado uma greve em 1914, contra a arrendatária inglesa da Estrada de Ferro de Sobral -The South American Railway Construction Limited que pretendia pagar somente três dias pelo trabalho de uma semana. A greve é vencedora e o pagamento integral restabelecido.Neste episódio,podem estar as condições que iriam gerar no seio da categoria dos ferroviários uma consciência de luta por seus direitos, que brotariam em outros momentos onde as relações de trabalho na ferrovia se tornavam adversas".

Com efeito, um jornal da época, editado em Sobral, denominado "A Lucta", na edição de 07 de maio de 1914, esclarece melhor o conflito:

"Tendo o administrador da estrada de ferro resumido para dois dias na semana, o trabalho nas officinas e suas dependencias, o operariado em numero de 75, se manifestou em greve pacifica, exigindo trabalho para a semana inteira. Hontem, por intermedeio do fiscal dr. Propercio Balieiro, que muito trabalhou em favor dos grevistas, conseguiu o trabalho para 4 dias na semana, solução esta aceita pelos operarios que já voltaram ao serviço.
Por esse motivo, houve hontem à noite, uma concorrida passeata, acompanhada por uma banda de musica, sendo erguido muitos vivas ao dr. Balieiro e o operariado camocinense.
Hoje ás 9 horas da noite, um filho de Raymundo Gomes, phaloreiro da barra, e outros, aggrediram o sr. Julio Morel, socio da importante firma desta praça, Albuquerque & Comp. esse cavalheiro, para atemorizar os seus agressores, saccou de um revolver, disparando-o para o ar. Por esse motivo foi o sr. Morel preso e recolhido ao quartel da força federal, aqui estacionada, em quanto os aggressores nada sofreram porque gosam da immunidade da intervensão. 
6-4=914.  (manteve-se a grafia da época).

Percebemos dois aspectos com a nota do jornal: a ideia de amenidade no conflito resolvida pelo fiscal, não se configurando com a típica "semana inglesa" de trabalho, posto que a ideia dos arrendatários era diminuir o tempo de serviço, e, consequentemente os salários dos operários, além de se criticar o momento político sob a responsabilidade do interventor de plantão, defendendo-se um comerciante. 
Por essas e por outras é que a história precisa sempre ser reescrita.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

VII SETEMBRO CAMOCIM. IX. 1919.CENTENÁRIO DA AGÊNCIA DO BANCO DO BRASIL DE CAMOCIM.

Anúncio do Banco do Brasil em Camocim. Fonte: Jornal Folha do Litoral. 26/01/1919. Camocim-CE.


 Em postagem no ano de 2016 abordamos a inauguração da Agência do Banco do Brasil em Camocim em 9 de janeiro de 1919, que ficava localizada na Rua da Estação (atual Engenheiro Privat). A notícia da inauguração foi noticiada na primeira página pela Folha do Litoral de Camocim em 12 de janeiro do mesmo ano, tendo como  primeiro gerente o Sr. Antonio Lima e Silva. Em 2019, portanto, a nossa agência completará seu primeiro centenário.
Em 26 de janeiro de 1919, a propaganda da então "maior instituição bancária do país" já aparecia no jornal local Folha do Litoral, apresentando as vantagens de se depositar o dinheiro dos futuros clientes em contas correntes a prazo fixo, realização de empréstimos e cobranças no território nacional e no exterior.
Por outro lado, percebe-se que o "comercial" do Banco do Brasil, com a relação das agências do país (no Ceará, até os anos 1950 eram apenas dez, Camocim incluso) era recorrente nos principais jornais e revistas do país.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

OS INTENDENTES DE CAMOCIM NA PRIMEIRA REPÚBLICA

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Jornal O Cearense, ed, 178, 23/08/1891. Fortaleza-CE.


Os intendentes dentro da organização administrativa de um município é o corresponde ao que chamaríamos hoje de prefeitos. Mesmo com o advento da República, que acenava com um cenário mais democrático do que o período imperial, os intendentes continuaram a ser nomeados, no caso dos municípios, pelos Presidentes de Estado, hoje Governadores.
Dese modo, a nomeação dos intendentes era uma espécie de moeda política que mudava a cada eleição. Por outro lado, qualquer outro motivo poderia levar à sua destituição pelo poder concedente.
Não raro, os jornais traziam a publicação de exoneração e nomeação destes intendentes conforme os interesses políticos, na seção "Actos officiaes", cujas notas revelavam mais do escondiam sob as frases: "Foram dispensados por incompatibilidade os seguintes intendentes municipaes" e "Foram nomeados os intendentes municipaes".
Em agosto de 1891 por exemplo, relacionado ao município de Camocim, os "Actos Officiaes" do jornal "O Cearense", trazia a troca de intendente daquele ano:

              "Foram dispensados por incompatibilidade os                      seguintes intendentes municipaes:

              De Camocim, José Evangelista Barbosa,

              [...]Foram nomeados os intendentes municipaes:

              Do Camocim, Raymundo Thiers".

Uma certeza, porém, José Evangelista Barbosa e Raymundo Thiers estavam em lados opostos na nascente República brasileira.              

Fonte:Jornal O Cearense, ed, 178, 23/08/1891. Fortaleza-CE.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

A EDUCAÇÃO EM CAMOCIM - INSTITUTO RUY BARBOSA

Anúncio do Instituto Ruy Barbosa no jornal A Razão. 08 de maio de 1927. Camocim-CE. 
Nas primeiras décadas do século XX ainda não havia um sistema escolar que desse conta da demanda por educação, por outro lado, isso ainda não era um direito de todos. Deste modo, o acesso à escolas era restrito praticamente aos filhos de pais bem aquinhoados que pudessem pagar um ensino particular.
Por outro lado, a mulher também sofria restrições nesta área, sendo que a permissão era apenas para as chamadas "primeiras letras" ou cursos para a formação para a boa condução do lar: corte e costura, bordados, pintura, etc. Em Camocim houve até uma escola específica para as mulheres: a Escola Joana D'Arc que funcionou no local onde funcionou a antiga Agência do SESI.
Aos rapazes, várias escolas particulares funcionaram em Camocim, que além de uma instrução primária e secundária, ofereciam uma formação na área comercial e contábil, habilitando-os para trabalharem nas casas comerciais.
Exemplo deste tipo de educandário foi o Instituto Ruy Barbosa, dirigido pelo Dr. Targino Filho que além de ensinar as matérias de "Portuguez, Francês, Inglez, Geografia, História Nacional, Educação Cívica e Sciencias Naturaes", oferecia ainda um "Curso especial de Escripturação Mercantil e Dactylographia (Remington)". Conforme o anúncio estampado no jornal A Razão, (1927) a referida escola situava-se na Rua da Estação.
Em 1930-31 funcionou uma escola semelhante, tendo como mestre-escola o jornalista e professor Francisco Theodoro Rodrigues (Chico Teodoro), também fundador do Partido Comunista Brasileiro em Camocim, denominada Collegio 5 de Julho cujos alunos, em sua maioria, era filho de operários, conforme matéria já postada neste blog (A EDUCAÇÃO EM CAMOCIM - O COLLEGIO 5 DE JULHO, de 10 de novembro de 2011).


Fonte: Jornal "A Razão", 08 de maio de 1927. Camocim-CE, p.04.
Jornal “O Operário”, Anno IV, 18 de janeiro de 1931, Nº. 75. Camocim-CE, p. 2.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

V SC. 03 - A LEI DA BALA E A IMPRENSA EM CAMOCIM.





Jornal O Ceará. Fortaleza, 12/03/1928, p.7
Não é de hoje que os ditos "homens de imprensa" são vítimas da violência. O preceito constitucional da livre expressão quase sempre era soterrado pela lei do mais forte ou como sugere a matéria jornalística aqui apresentada, pela "lei da bala". Voltemos pois, aos acontecimentos em Camocim no ano de 1928. Era tempo de eleição e o jornalista Francisco Theodoro Rodrigues (Chico Teodoro) com seu jornal "O Operário", fazia campanha para eleger uma representação dos trabalhadores à Câmara Municipal. Naquela época, o sistema eleitoral permitia que os partidos políticos distribuíssem as cédulas já votadas para os eleitores, que só tinham o trabalho de ir á seção para depositá-la na urna. Deste modo, o jornalista denuncia em carta para outro jornal, "O Ceará", como as coisas se sucederam em Camocim quando ele e outros companheiros tentaram fazer uma reunião com os sócios da Sociedade Deus e Mar para distribuir as cédulas, que naquela época congregava portuários e estivadores, principalmente. Vejamos trechos dessa carta: "Na hora em que íamos abrir a porta do edificio em que funcciona esta sociedade, o delegado de polícia local, á frente de um contigente de soldados armados nos intimou a abandonarmos a idéa da alludida reunião. Allegamos que tanto os estatutos de nossa sociedade como a Constituição da Republica nos garantia esse direito, tendo como resposta, de um sobrinho do delegado, o sr. José Carlos Véras, que a lei era bala (bala nelles!) [...] Hoje, quando se começava a distribuir as chapas eu, apezar e socio da "Deus e Mar", fui, injustificavelmente e violentamente, preso, conduzido ao xadrez e conservado incommunicavel. A maioria do eleitorado aqui é operária e a victoria dos nossos candidatos seria certa se a lei do "bala nelles", não imperasse, irritantemente com ostensivo menosprezo a todas as garantia e direitos eleitoraes. [..] Nem esta carta saberei se chegará à vossas mãos. São nove horas e a luz do cubiculo é pessima.
O director de "O OPERARIO"
Estamos em pleno século XXI, mas, de vez em quando, por este e outros motivos, uma voz se cala.
Fonte: Jornal "O Ceará". Sexta-feira, 12 de março de 1928, p.7.