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| Matriz de Bom Jesus dos Navegantes. Camocim-CE. Colorizada por IA. Fonte: Arquivo do CPH. |
A Igreja Matriz do Bom Jesus dos
Navegantes, em Camocim, constitui um dos mais importantes marcos históricos e religiosos
da cidade em sua vida centenária. Projetada inicialmente pelo engenheiro da
Estrada de Ferro de Sobral, Dr. José Privat — cujos restos mortais estão
sepultados na própria igreja. A Matriz teve sua construção consolidada em 1919,
durante a administração do Padre José Augusto da Silva, sendo abençoada por Dom
José Tupinambá da Frota, então bispo da Diocese de Sobral, à qual Camocim
pertencia. Embora
inaugurada em 1919, a torre da Matriz só recebeu seu “grande relógio” em 1953,
como consta no Livro de Tombo da Paróquia de Bom Jesus dos Navegantes. Segundo
o registro desta fonte, o equipamento chegou à cidade em 23 de maio daquele
ano, transportado pelo famoso navio “Aratanha”, como doação da tradicional
Família Morel, por iniciativa de Vicente Morel, em homenagem ao centenário de
nascimento de seu pai, José Severiano Morel, importante benfeitor da Igreja
local. Fabricado em São Paulo pela firma José Michelini & Filhos, o relógio
custou cinquenta mil cruzeiros, a moeda corrente da época. Antes
mesmo da chegada do relógio a Camocim, a Câmara Municipal providenciou o
agradecimento da oferta, como indica a Ata da Sessão Ordinária
de 22 de março de 1953.
Nela, o vereador Joaquim Pereira de
Brito requereu que se telegrafasse “ao senhor Vicente Morel agradecendo a
valiosa oferta de um relógio para a Igreja Matriz, o qual será instalado por
ocasião das comemorações do Centenário de nascimento de seu pai José Severiano
Morel". Para
a instalação do relógio, a Prefeitura de Camocim (cujo prefeito na época era o
Sr. Setembrino Veras) contratou o mecânico Nilton Muratori, de Fortaleza, para
realizar a montagem, que terminou a 8 de setembro. Sua inauguração ocorreu em 9
de setembro de 1953, em cerimônia solene marcada por discursos que exaltaram a
memória de José Severiano Morel,
e apresentaram o relógio como símbolo do progresso urbano da cidade. Ao longo das décadas, o relógio
tornou-se uma das referências mais conhecidas da paisagem urbana camocinense,
embora tenha enfrentado constantes problemas mecânicos, permanecendo
frequentemente atrasado ou parado, assim como, consertado algumas vezes pelo
Sebastiãozinho Relojoeiro, ou pelos mecânicos da Estrada de Ferro João
Evangelista de Sousa e Jairo Teixeira Bezerra, fatos lembrados com humor e
nostalgia pelos moradores mais antigos. Em 1976, a Matriz passou por
importante reforma em seu teto, graças à mobilização do Lions Club de Camocim,
que promoveu bingos e rifas para arrecadar recursos. A campanha reuniu doações
de comerciantes, empresários e instituições locais, permitindo arrecadar
quarenta e três mil cruzeiros, dos quais cinco mil foram destinados
especificamente ao conserto do relógio da igreja. Entre os prêmios ofertados
estavam máquina de costura Singer, geladeira Consul, rádio Semp, fogão Jangada,
bicicleta Monark, radiola Philips e até um garrote, evidenciando o forte
envolvimento da comunidade camocinense nas obras de preservação da Matriz. 2026. Cinquenta anos depois, num
momento em que um novo equipamento marcará o passar das horas em nossa cidade,
a história do relógio e da própria Igreja Matriz revela não apenas a
importância da religiosidade em Camocim, mas também o papel desempenhado pelas
famílias tradicionais, pelo poder público e pelas associações civis na
construção da memória urbana e cultural da cidade. Fontes. 2º Livro de Tombo da Paróquia de
Bom Jesus dos Navegantes. Camocim-CE, 1953, p. 148 a 149. 3º Livro de Tombo da Paróquia de Bom Jesus dos
Navegantes, p.35, Livro de Atas das Sessões
Ordinárias da Câmara Municipal de Camocim. 1953. Blog Camocim Pote de Histórias
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