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quarta-feira, 1 de outubro de 2025

CALENDÁRIO HISTÓRICO DE CAMOCIM. MÊS DE OUTUBRO

Igrejinha de São Francisco. Camocim-CE. Arquivo do CPH.

    Neste mês de outubro destacamos algumas datas importantes para o nosso município, dentre elas a da benção e inauguração da Igrejinha de São Francisco, demolida e posteriormente reerguida. Hoje é a Matriz da Paróquia de São Francisco em nossa cidade. Outubro também marca o aniversário de nascimento do nosso querido escritor Carlos Cardeal de Araújo.

04 de outubro de 1965 - Benção e inauguração da Igrejinha de São Francisco pelo Monsenhor Inácio Nogueira Magalhães, por delegação de Dom Walfrido Teixeira Vieira, no Bairro Brasília. (Fonte: Livro de Tombo da Paróquia de Bom Jesus dos Navegantes. Camocim-CE).

09 de outubro de 1972 - Sanção da Lei Municipal Nº 313 de 09 de outubro de 1972 pelo Prefeito Municipal de Camocim, José Maria Primo de Carvalho, que cria a BIBLIOTECA PÚBLICA MUNICIPAL “PINTO MARTINS”. 

30 de outubro de 1980 – Declaração de utilidade pública para fins de desapropriação do terreno onde foi construído o Hotel Municipal. Decreto Executivo Nº 59, de 30 de outubro de 1980. Prefeito Edílson Veras Coelho.

Escritor Carlos Cardeal. Fonte: Arquivo do CPH.

31 de outubro de 1955. Nasceu em Viçosa do Ceará, na localidade de Passagem da Onça, o escritor Carlos Cardeal de Araújo, autor dos romances “O Terra e Mar” e “Ida e Volta”. Membro da Academia Camocinense de Ciências Artes e Letras - ACCAL



Fotos: Blog Camocim Pote de Histórias.

quinta-feira, 27 de junho de 2024

A SECA, A CHUVA E O SAPO - A escrita do mestre Artur Queirós

 

Artur Queirós. Foto: Camocim Online.



    Uma das múltiplas habilidades do memorialista camocinense Artur Queirós era a de ser correspondente para vários jornais do Ceará. Sempre sonhei em ter acesso a este material jornalístico como fonte histórica. Imagino que deve ter algo desse período no seu sobrado, mas não se tem acesso ao seu imenso acervo.
    Nas minhas peregrinações pelo mundo virtual, me deparei com uma notícia da seca de 1958 enviada por Artur Queirós. E uma raridade, uma pérola do jornalismo e da capacidade escritural do nosso correspondente. Numa simples nota, ele consegue aliar a riqueza de detalhes com a concisão jornalística com laivos literários, sem deixar de informar. Vamos a notícia:

0 FLAGELO DA SECA. Levas de pedintes nas ruas da cidade
CAMOCIM. (Por Artur QUEIROZ). É dolorosamente triste ver-se o dia todo, levas de pedintes perambulando pelas ruas da cidade, implorando a caridade pública, procurando subsistir à inclemência da seca. Não chove e o camponês já desenganou-se. Desesperados pela situação deplorável, ameaçam a todo instante invasão em casas comerciais, inspirados pelo clássico axioma: A Fome é Ruim Conselheiro.
O curioso é que o inverno retardou, mas, como a esperança é a última que morre, o dia 1º do março marcou, desde as primeiras horas da madrugada, na opinião de todos, o início de um inverno arrojado. Com fortes trovoadas começou a abundante chuva logo pela madrugada, que perdurou pelo dia todo. Muita chuva, chuva grossa, chuva fina, a intervalos. Dia silente, escuro, com os pardos horizontes carregados. -E choveu com abundância, diariamente, até o dia 6. Sapos euforicamente cantando toda a noite nas lagoas, chão molhado, encharcado. Alegria geral, e legume nascendo exuberantemente viçoso. Durou pouco a odisseia. Do dia 7 para cá, nada de chuva: tempo limpo, vezes outras, na maioria, intensamente nublado, mas chover que é bom, não chove. O camponês desesperou, o sapo calou e sumiu o legume e o espectro da miséria se identifica em toda face marcado pelo estigma da devastadora seca, numa conjuntura cm que a média classe e a pobre já subsistia com ingente esforço, ante a dificuldade de ganhos, ganhos mirrados, e a perene ascensão vertiginosa da espiral dos preços das utilidades.
Restam agora, portanto, os socorros da administrativa federal, em sufrágio desta lamentável situação. Consta que será eficiente e breve, pois a conjuntura não tolera a mínima delonga. Que venha logo, portanto, as providencias salvadoras do poder Central.

    Espero que este exemplo de escrita, diante de tanta baboseira que se escreve atualmente nos canais de "imprensa" nas redes sociais, sem falar das barbaridades cometidas contra a língua pátria, possa inspirar quem se aventura neste campo.

Fonte: Jornal "O Unitário", 02 de abril de 1958, p. 3
Foto: CAMOCIM ONLINE

terça-feira, 21 de maio de 2024

FILHOS DA TERRA. Raimundo Nonato de Carvalho (Naldo)


   

Capa do livro  "Filhos da Terra". Autor: Naldo. 2024. Fonte: Editora Sertão Cult.


 "Filhos da Terra" é o livro de estreia de Raimundo Arnaldo de Carvalho, mais conhecido em Camocim como Naldo, famoso cantor e compositor local, descoberto nos tempos dos festivais de música de Camocim e no Ceará, além de animar o povo com suas músicas nos ritos católicos. Naldo também é professor nas disciplinas de Ensino Religioso e Arte Educação no Ensino Fundamental e Médio, bem como Língua Portuguesa no ensino Fundamental por mais de 25 anos. 

    Em "Filhos da Terra", Naldo faz através do soneto, uma singela e forte homenagem ao que ele chama de “personagens marcantes de nossa cidade, que com o maior prazer tentarei expressar com o máximo de cuidado e zelo. Esse pessoal, de fato, marcou época, alegrando o povo de seu tempo, para esta cidade, contribuindo muito para o crescimento cultural de Camocim. Aqui se misturam alegria e nostalgia de um período que deixou marcas no tempo histórico do nosso povo.” 

    Mas, os personagens são tantos que, com certeza, Naldo ficará com a incumbência de elaborar mais livros para dar conta da diversidade do nosso povo.

    "Filhos da Terra" faz parte da "Série História Camocinense" e sua edição foi possível graças ao convenio entre Prefeitura Municipal de Camocim e Ministério da Cultura, através da Lei Paulo Gustavo e pode ser baixado gratuitamente através do endereço: https://camocim.ce.gov.br/livros/.

O lançamento oficial do e-book de "Filhos da Terra" será no dia 07/06/2024 na Academia Camocinense de Ciências Artes e Letras (ACCAL).

segunda-feira, 20 de maio de 2024

METAMORFOSE LITERÁRIA. INÁCIO SANTOS

 

Capa do livro "Metamorfose Literária" - Inácio Santos. 2024. Fonte: Editora Sertão Cult.

    "Metamorfose Literária" é o segundo livro de Francisco Inácio dos Santos, radialista, poeta, escritor, cronista e compositor camocinense. Militante das letras em nosso município, Inácio Santos é titular da cadeira número 26 da Academia Camocinense de Ciências Artes e Letras (ACCAL). 

    Nesta obra, dividida em duas partes: Versos em Profusão e Crônicas, Inácio Santos destila a sua melhor verve literária, que o fez um dos principais cronistas e poetas de nossa cidade. 

    A primeira parte é constituída de poemas, em sua grande maioria sonetos, seara na qual Inácio Santos se tornou especialista. Na segunda parte, Inácio nos brinda com outro gênero textual – a crônica, que alia brilhantemente “pitada de humor, mas também de saudade, a viajar num passado nostálgico, conhecer alguns causos e se entrelaçar poeticamente com personagens que podem ser identificados ao nosso redor e, talvez, em nós mesmos".

    O livro "Metamorfose Literária" faz parte da Série História Camocinense e foi custeada pelo convenio Prefeitura Municipal de Camocim e Ministério da Cultura, através da Lei Paulo Gustavo. A obra em epígrafe pode ser baixada para download gratuitamente no endereço: https://camocim.ce.gov.br/livros/.

    No dia 7 de junho de 2024 haverá o lançamento oficial do e-book de Metamorfose Literária na Academia Camocinense de Ciências Artes e Letras (ACCAL). 

Serviço:

Livro: Metamorfose Literária

Autor: Inácio Santos

Ano: 2024

Páginas: 130

Editora: Sertão Cult


    

    


domingo, 19 de maio de 2024

SÉRIE HISTÓRIA CAMOCINENSE. NOVOS TÍTULOS

   

Selo da Série História Camocinense. 2022. Arquivo do CPH.

     Lançada no ano de 2022, a Série História Camocinense, se juntou a outras obras que, por sua vez, ganharam espaço no site oficial da Prefeitura Municipal de Camocim para que atingisse um maior público. Naquele momento os livros a ter o selo da série foram: “CAMOCIM RESPIRAVA ESSE AR DE MÚSICA (Sílvio Paz Pessoa/Carlos Augusto Pereira dos Santos); AS CANTORIAS NAS ONDAS DO RÁDIO AM DE CAMOCIM (Maely Alves de Mesquita); MIOLO DE POTE (Carlos Augusto Pereira dos Santos) e DEPOIS DA MEIA NOITE. LENDAS E MITOS QUE NARRAM O COTIDIANO DE CAMOCIM (Edcarlos da Silva Araújo), cuja produção, financiada integralmente pela Prefeitura Municipal de Camocim, foi distribuída a todos os professores que participaram da Jornada Pedagógica de 2022. 

Agora, em 2024, mais quatro obras no formato e-book acrescerão a Série História Camocinense, atualizando o espaço do site da Prefeitura destinado á série. Os livros se dividem entre literatura (poesia) e história local, que desta vez oram financiados com recursos da Lei Paulo Gustavo em convenio com a Prefeitura Municipal de Camocim.

Os novos livros são: Metamorfose Literária (Inácio Santos); Filhos da Terra (Raimundo Arnaldo de Carvalho); História Religiosa de Camocim (Maria Célia Pereira dos Santos, Gabriel Belchior e Jane Elida Costa e Silva) e Camocim de Porto e Alma (Carlos Augusto Pereira dos Santos).

Em 07 de junho de 2024, acontecerá o lançamento oficial destes livros na Academia Camocinense de Ciências Artes e Letras (ACCAL).

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

LIVRO "HISTÓRIA POLÍTICA DE CAMOCIM. 1898-1987. Vol. 1"





No último dia 21 de dezembro de 2022, por ocasião da Sessão Solene da Câmara Municipal de Camocim que agraciou várias pessoas com o título honorífico de Cidadão Camocinense, evento que ocorreu na Escola Profissionalizante, lançamos o livro "História Política de Camocim. 1898-1987". vol. 1, publicado pela Editora Sertão Cult. Trata-se da 14ª obra de nossa autoria sobre o município e que inaugura uma série sobre o cotidiano político local.

Agradecemos a todos que contribuíram para a escrita deste livro que durou dois anos, especialmente à Câmara Municipal, a ANPUH -CE, ao Prof. Airton de Farias pelo prefácio da obra e ao Prof. Gilson Cordeiro , pela apresentação do livro no evento, da qual reproduzimos um trecho abaixo:



O Prof Carlos Augusto, professor adjunto da Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA, vem desenvolvendo significativos estudos nas areas de memória, história oral, cotidiano, trabalho e outros. Tem uma vasta bibliografia de trabalhos publicados desde organizações de livro, livros solo e trabalhos belíssimos de orientação. Dentre estas obras, destacamos livros de natureza didática que lançam um olhar aguçado para a juventude da cidade, uma brilhante ação de resistência e memória local.

Destacamos hoje a obra História Politica de Camocim, considerando mais 100 anos de política local registrados, catalogados com personagens que contribuíram para o colorido espaço de fazeres sociais neste espaco de tempo.Mais que uma galeria de ilustres, com datas e feitos romanescos, o professor Carlos nos presenteia com uma percepção crítica da vida social da cidade,  de pormenores cotidianos a complexas conjunturas politicas locais que dialogam para o entendimento do cenário politico brasileiro do século XIX e XX, trazendo-nos pistas do que somos e por que somos.

Enfim, tenho a honra de dizer que se trata de uma obra para leitura de especialistas em história, antropologia até jovens vestibulandos e todos que procuram compreender o espaço onde vivem".

O livro está disponível para download no site da Prefeitura Municipal de Camocim, na aba "História Camocinense".

quinta-feira, 16 de junho de 2022

CAMOCIM NOS LIVROS. MAÍRA, DE DARCY RIBEIRO

 

Capa do romance "Maíra". 10ª edição. Darcy Ribeiro. Editora Record. 1989

. Fonte: estante virtual.


    Já postamos aqui neste espaço matérias sobre a etimologia do nome "Camocim". São vários os estudos e teorias sobre a origem do nome da nossa cidade, sendo objeto de estudo de historiadores e literatos, do porte de um José de Alencar, por exemplo.
    Eu, no entanto, já estou convencido da sua origem tupi, sem muitos rebuscamentos e baseado no que a palavra significa tanto no universo amazônico, quanto no nosso imenso litoral - isto é, "camucim", assim escrito com "u", nada mais é do que um utensílio da forma de um "pote" como tal o conhecemos.
    Portanto, o nosso "camucim", por aliteração, se transformou em "Camocim" e é usado para referenciar um pote (inclusive na literatura alencariana na narração do mito de Iracema), com o qual, as mais variadas tribos indígenas do Brasil, faziam dele variados usos, inclusive o de "enterrar os seus defuntos" como urna funerária.
    Deste modo, destaco hoje como o escritor, etnólogo, antropólogo Darcy Ribeiro faz uso do termo em seu romance MAÍRA. Embora na descrição a cena seja a de um sepultamento de um velho cacique e os cerimoniais decorrentes de tal fato entre os indígenas da tribo Mairum, os "camucins" tem outra utilidade:

"Começa a acumular-se também a carne moqueada de caça e as mantas de pirarucu seco. Muito mais ainda terá que ser caçado e pescado para dar de comer a tanta gente durante todos os dias das festas grandes que virão. Hoje o aroe fez rolar para dentro do baíto quatro camucins enormes, acabados de modelar e de queimar pela velha Anoã. São camucins verdadeiros, grandes como os antigos e bojudos como devem serpara o cauim de caju fermentar bem, espocando. Todos estão primorosamente pintados". ( RIBEIRO, Darcy. Maíra. 10ª edição. Rio de Janeiro, Record, 1989, p. 47-48. Grifos nossos).

    Qualquer semelhança é ótima literatura nacional a confirmar nossa escolha de uma origem etimológica da palavra que condiz melhor com nossa história.


quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

SERIE HISTÓRIA CAMOCINENSE. FAÇA O DOWNLOAD DOS LIVROS

 

Foto oficial do lançamento da Série História Camocinense. Camocim. 24 de janeiro de 2022
Fonte: Site da Prefeitura Municipal de Camocim.
















PREFEITURA DE CAMOCIM FINANCIA PUBLICAÇÃO DE 4 NOVOS LIVROS SOBRE A HISTÓRIA DE CAMOCIM






Na noite desta segunda-feira, 24 de janeiro, Dia Internacional da Educação, a Prefeitura de Camocim promoveu o lançamento de 4 novos livros, de autores do próprio município, que contam a história da cidade. A noite de autógrafos ocorreu durante a Jornada Pedagógica 2022, evento da Secretaria Municipal de Educação que marca o início do ano letivo. Os livros, cuja produção foi financiada integralmente pela Prefeitura Municipal de Camocim, foram distribuídos a todos os professores que participaram da Jornada Pedagógica.

A Historiadora Maely Alves de Mesquita lançou o livro “A cantoria nas ondas das rádios AM de Camocim”, inspirada na obra de seu pai, o radialista, poeta e musicista camocinense Damião Libório. Professora Maely traz um recorte das relações políticas e culturais que envolvem as rádios de nossa cidade entre 1979 e 1989.

Francisco da Paz Pessoa, mais conhecido como Professor Sílvio Paz, da Rede Municipal de Ensino, lançou a obra “Camocim respirava esse ar de música”. A pesquisa do historiador aborda os tradicionais festivais de música de Camocim, realizados entre os anos de 1986 e 2003. Sílvio Paz convidou para o lançamento o compositor camocinense Chico Sabiá.

O Professor, Historiador e Mestre em História Edcarlos da Silva Araújo lançou a obra “Depois da meia-noite”. O livro narra experiências extraordinárias, transmitidas por intermédio de lendas e mitos, que contam um pouco do cotidiano de Camocim entre os anos 1950 e 1969.

O Professor Adjunto da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), Carlos Augusto Pereira dos Santos, Mestre e Doutor em História e Pós-Doutor em Estudos Culturais, é organizador da “Série História Camocinense”. Neste novo livro, “Miolo de Pote”, o historiador reúne as melhores histórias publicadas em dez anos de existência do blog “Camocim Pote de Histórias”, mantido pelo professor.

Noite de autógrafos

Por questões de saúde, os professores Carlos Augusto e Edcarlos Araújo não puderam estar presentes à noite de autógrafos. Registramos, assim, os depoimentos dos professores Maely Mesquita e Silvio Paz, que representaram os 4 autores na noite:

Maely Mesquita: “É uma honra para mim estar aqui, hoje, lançando esta obra. Eu sou filha de Camocim, e filha do poeta Damião Libório. Este livro é uma celebração à vida de meu pai, que faleceu no dia 24 de janeiro de 2014, exatamente 8 anos atrás. Eu prometi a ele que escreveria esse livro quando terminasse minha faculdade de História, sobre as duas paixões da vida dele: a rádio e a cantoria. Eu ia todo dia pro colégio Santa Maria Goreti ao som da viola do meu pai. A comunicação, a poesia, o cordel, a cantoria, o forró pé-de-serra, o baião, tudo isso está dentro do meu coração. Essa obra historiográfica é isso, um pouco do que o nosso município viveu nesse trecho entre 1979 e 1989, período em que vivemos a ditadura civil-militar, quando muita coisa foi censurada, mas a cantoria como cultura prevaleceu. As ondas do rádio eram utilizadas politicamente, eu trato sobre isso na obra, mas a cantoria trazia essa alegria ao sertanejo, e eu desejo que vocês levem esse conhecimento histórico para a sala de aula. Eu sou professora de história e me alegro muito em escrever, ensinar a história do meu município.”

Silvio Paz: “Estou muito grato por estar com vocês aqui neste momento. Poder entregar o fruto de um trabalho para toda sociedade camocinense, saber que meu esforço será algo útil, especialmente para nossas escolas. Escrever um livro é algo fantástico, em especial na nossa cultura, não é todo dia que vemos pessoas do interior como a gente escrever um livro. A possibilidade da gente criar é muito bom, seja você compor um simples poema, e mais fantástico ainda é quando você sabe que esse algo que você criou escapa da sua mão e permanece de maneira positiva junto à sua comunidade, seja escolar ou de forma geral. E é com essa alegria que estou muito grato com o município por ter me proporcionado chegar até aqui e entregar essa obra aos nossos alunos! Esse livro é um trabalho de pesquisa que fizemos há 2 anos, era um sonho meu bem antigo, poder contar a história dos nossos festivais de música de Camocim. O nosso livro trata o período de 1986, primeira edição dos festivais, até 2003. Nesse meio tempo houve algumas pausas, mas o livro traz todo esse legado da dimensão do que foi o Festival para Camocim. Eu sou muito curioso, então me perguntava: cadê nossas músicas? O que aconteceu com aquelas letras, com os nossos artistas, com nossos compositores? Então comecei a vasculhar, e com orientação do amigo e professor Carlos Augusto, conseguimos concluir essa obra. Lá estão as letras de algumas músicas conhecidas como Boi Magia, Os Meninos, de Edmar Gonçalves, e a vida de compositores como Batista Sena e Chico Sabiá.”

CLIQUE NO LINK E BAIXE OS LIVROS

https://camocim.ce.gov.br/2022/01/26/prefeitura-de-camocim-financia-publicacao-de-4-novos-livros-sobre-a-historia-de-camocim/


quarta-feira, 29 de setembro de 2021

"SÉRIE HISTÓRIA CAMOCINENSE". CAMOCIM PUBLICA TRABALHOS SOBRE SUA HISTÓRIA. (XI SETEMBRO CAMOCIM. 2021. Nº10).

Selo da "Série História Camocinense". 2021. Editora Sertão Cult.


Por conta do aniversário dos 142 anos de emancipação política de Camocim, o Coletivo de Historiadores e a Prefeitura Municipal lançam a "Série História Camocinense". A ideia é que a partir de agora a publicação de trabalhados sobre a história do município via poder público estejam organizados nesta série, a partir das demandas e interesses dos parceiros deste projeto.
Neste sentido, a prefeita Maria Elizabete Magalhães (cuja formação acadêmica inicial é em História) autorizou a publicação de quatro volumes inicialmente organizados em dois tomos, já tendo outros trabalhos organizados pelo Coletivo de Historiadores à espera de publicação, dentro no projeto inicial apresentado à prefeita, dentre outras iniciativas no campo da história local.
Desta forma, alunos, professores e comunidade em geral terão mais quatro obras sobre nossa história que serão disponibilizadas brevemente no formato e-book no site da Prefeitura Municipal de Camocim (https://camocim.ce.gov.br/) e na página da Editora Sertão Cult (https://editorasertaocult.com/).
As obras são as seguintes:
1. "Camocim Respirava Este Ar de Música. História e Memória dos Festivais de Música em Camocim. (1986-2003). Francisco da Paz Pessoa (Sílvio Paz) e Carlos Augusto P. dos Santos.


2. A Cantoria nas ondas do rádio AM de Camocim. Relações Políticas e Culturais. (1979-1989). Maely Alves Mesquita.



3. Miolo de Pote. Dez anos do blog Camocim Pote de Histórias. (2011-2021). Carlos Augusto P. dos Santos.



4. Depois da Meia Noite. Experiências Extraordinárias em Contos, Lendas e Mitos que Narram o Cotidiano de Camocim. Edcarlos da Silva Araújo. (1950-1969).


Posteriormente, quando as versões impressas chegarem a Prefeitura Municipal de Camocim fará um lançamento e uma noite de autógrafos. São pequenas obras, mas de grande significação para dotarmos o município de uma cultura de publicação, especialmente em história. E é esse o nosso presente para o nosso povo.

Fontes: 
Prefeitura Municipal de Camocim
Editora Sertão Cult
Coletivo de Historiadores de Camocim







 

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

ESCRITORES CAMOCINENSES. CARLOS CAVALCANTI. (XI SETEMBRO CAMOCIM. 2011. N.08)

 


Capa do livro "Como entender a pintura moderna", de Carlos Cavalcanti, Civilização Brasileira, 1966.



Mais uma vez, devemos ao amigo Francisco Olivar (Vavá) a revelação de mais um escritor camocinense desconhecido em nossa terra, mas, de inserção nacional quando o assunto se trata de ARTE.
Trata-se de Carlos Felinto Cavalcanti, nascido em nossa cidade no ano de 1909. Carlos Cavalcanti, como ficou mais conhecido foi jornalista, professor, conferencista, crítico e historiador da arte, conservador do Museu de Arte do Ministério da Educação e Cultura, membro do Conselho Técnico de Artes Plásticas do Museu da Imagem e do Som, e da Associação Internacional de Críticos de Arte, além de Coordenador do Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas, publicado pelo Instituto Nacional do Livro. 
Como escritor publicou: Ensaios Sobre Arte (Pongetti, Rio de Janeiro, 1955), Os Mistérios da Pintura Moderna (Universidade de Cultura Popular, Rio de Janeiro, 1963), História das Artes. 2 volumes. (1963), Arte e Sociedade (MEC, 1966), Como entender a arte moderna (Civilização Brasileira, 1966), dentre outros.

Na área do magistério, Carlos Cavalcanti foi professor do  primeiro Curso Superior de História da Arte no Brasil, oferecido pelo Instituto Brasileiro da Arte., do qual foi fundador e 1º Vice - Presidente.

Infelizmente não encontramos uma foto dele para ilustrar esta postagem, mas fica o registro da capa de um dos seus livros.


Fonte: 

AMARO, Danielle. O lugar da História da Arte no Brasil: breve revisão da instituição da história da arte no Brasil a partir dos cursos de graduação. Cuadernos de Música, Artes Visuales y Artes Escénicas / Volumen 9 - Número 1 Enero - Junio de 2014 / ISSN 1794-6670/ Bogotá, D.C., Colombia / pp. 69-93.

Revista Instituto do Ceará-2010.


sábado, 11 de setembro de 2021

ESCRITORES CAMOCINENSES. JOSÉ ARTHUR DE CARVALHO. (XI SETEMBRO CAMOCIM. 2021, N.2).

 


Capa do livro "Retalhos do Cotidiano", de José Arthur de Carvalho.


Acaba de chegar às minhas mãos o livro RETALHOS DO COTIDIANO, do escritor, professor, poeta, músico, compositor e Farmacêutico de profissão camocinense, JOSÉ ARTHUR DE CARVALHO, herdeiro de um ofício de tradição familiar.
Em outras postagens já destacamos esse conterrâneo por conta do medicamento conhecido como GOTAS ARTHUR DE CARVALHO, criado e produzido em Camocim. Atualmente ele é nome de rua em Fortaleza e um dos grandes nomes da Farmácia no Ceará.
Na obra em questão, o autor destaca sua terra natal em quatro crônicas: "O último trem de CAMOCIM"; "Os mangues e caranguejos de CAMOCIM"; "A Inesquecível Rua das Flores
e "Camocim, 35 anos depois".
O referido livro foi publicado em 1982 pela Editora Henriqueta Galeno, Fortaleza-CE. O autor registrou no livro a passagem dos 102 anos de Camocim.
Mais um nome que entra para a galeria dos autores camocinenses.
Prof. José Artur de Carvalho. Fonte: www.ceara.pro.br 


sábado, 19 de dezembro de 2020

O PARLAMENTO CAMOCINENSE

 

Capa do livro "O Parlamento Camocinense". 2020. Camocim-CE.


Acaba de ser editado pela Editora Sertão Cult, com patrocínio da Câmara Municipal de Camocim o livro "O Parlamento Camocinense. Fatos históricos. 1879-2019", de nossa autoria. A referida obra é resultado de nosso trabalho junto ao Memorial do Legislativo Camocinense, que tem por objetivo a preservação e publicação da história do poder legislativo e do município.
Além de se referir aos primeiros documentos da Câmara Municipal e da transição política do Império para a República e sua repercussão em Camocim, o livro traz ainda uma seleção de fatos do cotidiano de nosso município que foram discutidos e registrados nas atas das sessões do legislativo camocinense, como projetos dos vereadores e dos prefeito(a)s, reivindicações da sociedade organizada, disputas políticas, cassações de prefeitos, dentre outros assuntos.
Finalizando, a obra traz também as atas de posses dos presidentes da Câmara Municipal e dos prefeitos de Camocim e uma relação dos títulos de cidadãos camocinenses ao longo do tempo.
A obra se configura mais como um registro das ações do legislativo camocinense, dando publicidade a seus atos, do que propriamente uma análise da história política do município. É um livro para o leitor ler e tirar suas próprias conclusões.
Agradecemos o apoio do atual presidente da Câmara Municipal de Camocim, vereador César Veras, pela publicação do livro, que brevemente será distribuído entre as escolas, bibliotecas e entidades camocinenenses, e disponibilizado eletronicamente no site da entidade.

Ficha Técnica:

Título: O Parlamento Camocinense. Fatos Históricos. 1879-2019.
Autor: Carlos Augusto Pereira dos Santos.
Ano: 2020.
Editora: Sertão Cult. 
Local: Sobral-CE.
Nº de páginas: 320.
Dimensões: 15cm x 22cm.
Tiragem: 300 exemplares.


quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

O DIA DO SAMBA É CRIAÇÃO DE UM CAMOCINENSE

ANÉSIO FROTA AGUIAR. Fonte: CEDIM.

Em tempo de pandemia, a data passou quase despercebida. Até o carnaval já foi adiado. Mas,  como expressão musical, o SAMBA também tem seu dia, 02 de dezembro. No entanto, poucos sabem que a efeméride está intimamente ligada a um camocinense. Pois é, trata-se de Anésio Frota Aguiar, já referido em outras postagens neste blog como político.
E como deputado estadual, ele foi autor da Lei nº 681, em 19 de novembro de 1962, "que redundaria, em 28 de julho de 1964, a Lei nº 554 que criou definitivo o "DIA DO SAMBA" e fixou em 02 de dezembro, coincidindo com a data em que foi encerrado o I CONGRESSO NACIONAL DO SAMBA". (p.17).
Segundo o autor da lei, no livreto de sua autoria intitulado "O Samba e sua História" (1991. Editora Cátedra, p. 18), nos diz:

"Deputado na época e acompanhando de perto o acontecimento, senti a imperiosa necessidade de fixá-lo na memória dos pósteros, impedindo que tão importante evento viesse a se desvanecer na poeira do tempo. Daí a minha iniciativa de criar O DIA DO SAMBA".
Para termos uma ideia da grandiosidade deste evento ocorrido no Rio de Janeiro, estavam presentes "figuras exponenciais do movimento artístico e musical da época, tais como Almitante, Ari Barroso, Pascoal Carlos Magno, maestro José Siqueira, Paulo Tapajós, Haroldo Costa, Sérgio Cabral, Donga, Araci de Almeida, e muitas outras personalidades de nossa cultura popular". (p.18).

A data de 02 de dezembro foi escolhida por marcar legalmente, naquela época, o começo dos ensaios das "referidas escolas, visando o carnaval do ano seguinte". (Almanaque do Samba).

O projeto aprovado na Assembleia do Estado da Guanabara foi vetado pelo governador Carlos Lacerda, mas se tornou lei com a derrubada do veto pelos deputados guanabarenses.

Fonte: baraulhodeagua.com



Com  o tempo a data foi se consolidando como Dia Nacional do Samba.

Fonte: AGUIAR, Frota. O Sambra e sua história. Rio de Janeiro, 1991. Editora Cátedra.

www.almanaquedosamba.com.br/perfil-de-a-z/destaques/item/999-a-origem-do-dia-nacional-do-samba

barulhodeagua.com



 

domingo, 31 de maio de 2020

A VIOLETA. A REVISTA DA MULHER CAMOCINENSE

Revista "A Violeta", nº 174, março de 1941. Fonte: APMT.

A fertilidade da imprensa camocinense já foi abordada nete espaço. Nas primeiras décadas do século XX foi grande a variedade de periódicos e revistas que surgiram em nossa cidade, variando do noticioso informativo ao humorístico, clubístico, de representação política, da classe operária (O Operário), dentre outros. A crônica histórica recupera mais de trinta títulos, alguns sendo editados simultaneamente, além da existência por certo tempo de duas tipografias na cidade, a  Typographia Commercial e Officinas Typographicas,  do jornal “Gazeta de Camocim”.
Feito este intróito, cumpre informar que as mulheres camocinenses também tiveram uma publicação específica para elas. Segundo a Revista do Instituto Histórico do ano de 1908 em Camocim "surgiu A Violeta, orgam literário e recreativo dedicado ao 'bello sexo'", no ano de 1907. Naquela época, o Barão de Studart fazia na Revista do Instituto Histórico um interessante trabalho de pesquisa sobre a imprensa cearense.
Interessante como este nome "Violeta" surge denominando jornais e revistas dedicados ao público feminino, seja para o entretenimento ou na divulgação das ideias do feminismo que surgia naquela época. Neste sentido, vamos encontrar uma revista denominada "A Violeta" ainda no séc, XIX em Parnaíba-PI, no ano de 1863. No entanto, talvez a mais profícua e duradoura foi "A Violeta" de Mato Grosso, "periódico editado em Cuiabá, a partir de 1916, por uma pequena elite de pessoas letradas, lideradas por mulheres que escreviam e editavam a revista, aproximava ideias e pensamentos que estavam na pauta dos debates contemporâneos".  A revista mato-grossense saiu regularmente até 1950, que nos seus "309 títulos, revelou uma longa vida, traduzida nas muitas décadas utilizadas em suas publicações. O último número dessa revista foi editado por ocasião da posse do Presidente da República, Eurico Gaspar Dutra, nascido em Cuiabá".
Infelizmente ainda não encontramos nenhum exemplar de "A Violeta" editada em Camocim para sabermos como o "belo sexo" camocinense, como se dizia à época era retratado.

Fonte: Revista do Instituto Histórico do Ceará. 1908,
ROCHA, Olívia. Mulheres e Imprensa no Piauí. 2012.
MARQUES, Ana Maria. O Feminismo nas narrativas de mulheres na revista "A Violeta". Cuiabá. 1916-1950. Revista Territórios e Fronteiras, n.1, v.4, 2011.


domingo, 29 de setembro de 2019

CAMOCIM E O POETA LÍVIO BARRETO. (IX SC 2019. 14)


"Contos Camocinenses",Tela vencedora do 31º Salão de Artes de Camocim,
pintada por Chagas Albuquerque. 2019.

Para marcar o aniversário de Camocim, trazemos as impressões do maior poeta granjense - Lívio Barreto, escritas numa carta em 1894 enviada a um amigo. Guarda livros em Camocim da Companhia Maranhense de Navegação a Vapor, tendo ainda exercido sua profissão em Granja, Fortaleza e Santa Maria de Belém do Grão-Pará, o poeta se rende ao tédio crepuscular de uma tarde sem a azáfama característica dos portos. O documento dá uma idéia do espaço urbano de Camocim no final do século XIX. A correspondência de escritores cada vez mais vem sendo usada por historiadores como documentos que revelam não só a intimidade destes homens de letras, como de contexto histórico dos espaços onde atuavam.
Lívio Barreto. Lápis de Otacílio Azevedo. Fonte: deliviobarreto.blogspot.com

“Camocim, domingo, 2 de dezembro de 94.
am. Ulysses,

Abraço-te.
Li tua carta e respondo-a. Faço sinceros votos para que a saúde te tenha voltado ao corpo, e com ela a sentillante alegria que sempre iluminou o teu fino e nervoso rosto de bohemio.
Dou-te notícias de Camocim. Não te interessam? Pois tenha paciência. Isto aqui não é sertão nem é serra e assemelha-se à praia. A hora em que te escrevo, 5 da tarde, sopra um vento triste e frio de começo de inverno. A maré escua-se lentamente como n’uma agonia sem lamentos, E por traz das casas baixas d’este burgo o sol se embebe no poente, Esmorecido, sem esplendor, sem a pompa áurea dos acasos de verão.
Para minha frente, o rio (aqui diz-se mar),para as minhas costas o ... matto, e por toda a parte a areia, o pó. Que tédio! No porto o perfil alvacente e incaracterístico de uma escuna norueguesa ou o costado sujo de um vapor pernambucano.
Nos trapiches abandonados, atulhados de fardos de algodão, os rapazinhos pescam à luz moribunda da tarde, saccando d’água peixes pequenos que protestam estorcendo-se á ponta da linha com a fúria de um peixe!
Vista ao largo. A maré de vazante a barra não tem attractivos. É bom de ver-se quando ella enche, as mandas de ondas com suas jubas brancas de espumas, albalroando-se, desfazendo-se para se tornarem a formar, fazendo chegar até nós a surda melopéia longíqua do mar, o coro eterno das vagas.
Ainda á nossa frente, da outra banda, os mangues esbatidos, de um verde escuro á claridade mórbida e triste do fim do dia, trancam o horisonte com a longa sombra de sua folhagem escura, tão densa que atravez d’ella não se vê o sol quando de salteia, de manhã, em curtos vôos lentos uma garça põe com a brancura de sua plumagem uma nódoa de leite n’aquella tela cor de lodo, e rasando a ilha dos mangues, um braço do rio alonga-se matto a dentro, perdendo-se em meandros, esvahindo-se ao longe...
Da Granja, desce uma canoa de vasante, batendo os remos, como barbatanas, esguia e longa, com os seus dois remadores e o seu mestre apoiando o cotovelo sobre a cana do leme immóvel.
E sobre toda essa paysagem incolor, de uma monotonia de missa de dia de fazer, paira a aza pesada e sonnolenta do aborrecimento o mais medonho, do tédio o mais cruel!
Ah! se aquellas nuvens que ameaçam chuva se rasgassem agora, como eu iria me deitar satisfeito, ás 6 horas da tarde, fugindo a este enjôo que envenena como uma despepsia!
Adeus, abraço, etc.
Lívio Barreto”.

(Publicado no “O Literário”. Ano IV-Edição 02. Maio de 2002, p. 2. Camocim-CE).