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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

XV SETEMBRO CAMOCIM. A ESTAÇÃO E O LIVRO. 6

Card convite do lançamento do livro História Social da Estrada de Ferro de Sobral. Camocim. 2026.


    Mês de setembro, sempre que podemos, lançamos uma obra sobre a história de Camocim. Neste ano não será diferente. Para marcar os 147 anos de emancipação política, assim como contemplar o tema do 37º SALÃO DE ARTES DE CAMOCIM, estaremos realizando o lançamento do livro HISTÓRIA SOCIAL DA ESTRADA DE ERRO DE SOBRAL. Ramal Camocim- Sobral (1877-1977) na próxima sexta-eira, dia 25 de setembro de 2026. 

    Referida obra  já foi lançada em Sobral, no Centro de Ciências Humanas da Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA e em Fortaleza, no Museu Ferroviário do Ceará.

    Para este lançamento, a Prefeitura Municipal de Camocim adquiriu uma edição do livro, que será distribuída no dia do evento supra e para as bibliotecas das escolas da rede municipal de ensino.

    A obra é composta por histórias escritas por historiadores de cada município por onde a ferrovia passava antigamente, integrantes do ramal Camocim-Sobral.

Serviço:

Lançamento do livro HISTÓRIA SOCIAL DA ESTRADA DE ERRO DE SOBRAL. Ramal Camocim- Sobral (1877-1977).

Ano: 2025

Editora: Sertão Cult 

Paginas: 280

Local: Estação Ferroviária de Camocim (37º Salão de Artes)

Data: 25/09/2026

Horário: 19h. 

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

XV SETEMBRO CAMOCIM. IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS. CONTINUAÇÃO. 5

 

Dados históricos da Assembleia de Deus de Camocim. 1979, p.1. Fonte: Acervo do Sr. Osmundo Campos.

        Continuamos com o relato produzido pelo Pastor João Mozart Pereira em 1979, por ocasião do Centenário de Camocim, sobre a Assembleia de Deus. templo central:

No pastorado de José Freires de Alencar construiu o templo na congregação de Bitupitá. O pastor Antonio Rodrigues de Lima construiu um na congregação de Chaval e outro na congregação de Uruoca, outro na congregação de Paula Pessoa e outro na cidade de Granja. No sue pastorado comprou uma casa para residência do pastor.

    Hoje a Igreja Evangélica de Camocim como sociedade religiosa tem sua sede social a Rua Santos Dumont nº 853, Casa Pastora, 855. O Pastor, 2 presbíteros e dois diáconos na sede, na congregação da cidade de Granja 2 presbíteros, 1 diácono. Na congregação de Paula Pessoa tem 1 diácono. O Pastor Antonio Rodrigues de Lima no seu pastorado de quase 17 anos deixou um patrimonio bem firmado.

    Adepois da saída do Reverendo Antonio Rodrigues de Lima esteve pastoreabd esta Igreja is seguintes obreiros: Luis Pacheco do Amaral, Raimundo Nonato Nobre, Walfredo Silva Thé. o atual João Mozart Pereira.

    A Igreja Evangélica Assembleia de Deus hoje tem um rol de membros de 236 crentes... Com sede na Rua Santos Dumont nº 853, cidade de Camocim, Estado do Ceará. Pastor João Mozart Pereira.

    Em 24/04/79.

    João Mozart Pereira

Presbítero e tezoureiro da Igreja. Membro ativo desde o dia 05/04/33.

    Vale salientar, na história da Assembleia de Deus em nossa região duas circunstâncias: 

1. Antes de se instalar em Camocim, Orlando Boyer tentou, sem sucesso, se estabelecer em Sobral e Ipu, cidades onde os católicos reagiram com violência a tentativa de instalação do novo credo.

2. A existência da Estrada de Ferro de Sobral contribuiu decisivamente para a logística de implantação posterior de congregações nas cidades servidas por ela.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

XV SETEMBRO CAMOCIM. OS TRABALHADORES DAS OFICINAS DA FERROVIA. 2

 

    

Oficinas de Manutenção de Trens, Camocim. Fonte: Camocim Ribeiro.

    Nas várias postagens que já fiz sobre a ferrovia, assinalei a importância das Oficinas de Manutenção de Trens localizada no pátio de manobras em Camocim. Ela não foi apenas o suporte para o bom funcionamento do material rodante da Estrada de Ferro de Sobral, mas, serviu como uma verdadeira escola para a formação de trabalhadores especializados em várias áreas que a ferrovia necessitava. Por outro lado, após o fechamento do ramal Sobral-Camocim, muitos destes "artistas" seguiram na profissão de carpinteiros, serralheiros, torneiros mecânicos, ferreiros, dentre outros.

    Portanto, para a existência de uma ferrovia não era necessário apenas profissionais relacionados com o funcionamento dos trens, como maquinistas, foguistas, guarda-freios, agentes ou administradores. Uma gama de trabalhadores que, no auge da estrada beirou oitocentas pessoas, constituíam uma classe com intensa atividade, inclusive política, visto os vários movimentos grevistas que se apresentaram por quase um século de atuação.

    A este respeito, transcrevo aqui uma nota do pesquisador Camocim Ribeiro, o que atesta o que dissemos acima: 

Após a greve de 1957, a Rede de Viação Cearense promoveu a admissão de novos ferroviários para as Oficinas Ferroviárias de Camocim. A iniciativa contribuiu para restabelecer a confiança dos trabalhadores e da comunidade ferroviária, afastando o receio de que a ferrovia e suas oficinas viessem a ser desativadas por aquela autarquia. A contratação de novos profissionais demonstrava, naquele momento, a intenção de manter e fortalecer as atividades ferroviárias em Camocim.

Relação de Trabalhadores admitidos nas Oficinas de Camocim. 1957. Fonte: Camocim Ribeiro.

    Segundo a documentação, estes trabalhadores foram admitidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico -BNDE. (Na época, o banco ainda não tinha o "S" de social) para prestar serviços na Estrada de Ferro de Sobral, distribuídos nos cargos de servente, serralheiro, ferreiro, aplainador e carpinteiro.

    A ferrovia foi também escola!

quarta-feira, 11 de março de 2026

VILAMAR DAMASCENO. ATUALIZANDO A SUA ESTADA EM CAMOCIM

 

Vilamar Damasceno.Fonte: canguleiro10.blogspot.com/2015/05/vilamar-damasceno-coletania.html


    Em 2019 publicamos uma matéria sobre a passagem do cantor e violinista Vilamar Damasceno por Camocim, partir de algumas histórias que nos foram contadas. Como toda história tem sempre várias versões, recebo agora do leitor do blog, o Sr. Passos, novas revelações e correções que, segundo ele, são verdadeiras, posto que, foi testemunha ocular do fato. 

    Como eu acredito nos meus leitores, transcrevo abaixo as informações enviadas na íntegra: 

    Ontem, por acaso li no Portal/blog "CAMOCIM POTE E HISTÓRIA", sobre a apresentação de VILAMAR DAMASCENO , na cidade de Camocim.

     Acompanhei de perto sua permanência na cidade. O ano foi em 1971, e não 1980. Eu tinha 13 anos na época, e eu era uma espécie de técnico de som do Serviço de alto-falante, "A VOZ DE CAMOCIM" que tinha seus estúdios de frente à praça  da estação e era administrado pelo senhor Gerardo Lima Brito - que trabalhava no almoxarifado das oficinas da REFFSA e que atualmente encontra-se em ruínas.

     Durante à permanência do Vilamar em Camocim, ele fez amizade com o senhor Gerardo Brito. Inclusive, se apresentou no serviço de alto-falante tocando e cantando.

    Vilamar, também, apaixonou-se por uma das "garçonetes" do hotel onde estava hospedado. Acredito, que esse foi o motivo da longa permanência dele na cidade.

        Nossos agradecimentos ao Sr. Passos pelo texto enviado.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

2026. 145 ANOS DA ESTRADA DE FERRO DE SOBRAL. 15 DE JANEIRO DE 1881

 

    

"Trem". Tela de autoria do artista plástico camocinense Eglauber Lima.


    O dia 15 de janeiro marca a data da inauguração da Estrada de Ferro de Sobral, no trecho entre Camocim e Granja com extensão de 24,5 Km, além  das duas estações das respectivas cidades, no ano de 1881, portanto, há 145 anos.

    Presentes na solenidade, autoridades do estado do Ceará e dos municípios de Camocim e Granja, local onde foi lavrado um "auto" solene para marcar a data histórica, que abaixo reproduzimos. 

Auto de Inauguração do Trecho entre a Vila de Camocim e a Cidade de Granja.

Aos quinze dias do mez de Janeiro do anno de mil oitocentos e oitentaa e um, sexagesimo da Independencia e do Imperio, reinando sua Magestade o Senhor Dom Pedro Segundo, sendo presidente do Conselho de Ministros o Exm. Sr. Conselheiro José Antonio Saraiva, ministro da Agricultura, Commercio e Obras Publicas o Exmo. Conselheiro Manoel Buarque de Macedo e Presidente da provincia do Ceará o Exmo Sr. Conselheiro André Augusto de Padua Fleury, n”esta cidade e estação da Granja pelas onze horas e quinze minutos da manhã, tendo chegado o engenheiro em chefe da estrada de ferro de Sobral, Luiz da Rocha Dias com numeroso concurso de pessoas gradas, engenheiros e empregados vindos a convite seu no trem inaugural, condusido pela locomotiva "Sinimbú, sahido do Camocim, ponto inicial da estrada a vinte e quatro kilometros e quinhentos metros de distancia foram recebidos pela Illustrissima Camara Municipal, autoridades civis. empregados publicos, pessoas gradas da cidade e elevado nº de cidadãos, e sendo a isso convidado pelo engenheiro em chefe, foi pelo Illm. Presidente da Camara Municipal, coronel Zeferino Gil Peres da Moita declarado inaugurado o trafego da estrada de ferro de Sobra!, desde a villa do Camocim até esta Estação. E para a todo tempo constar. eu, Sisinnio Evergisto da Rocha Dias, secretario da estrada, a tudo presente, lavrei este auto, em que assignam os Illms. Srs. Presidente e maís vereadores da Camara Municipal, o engenheiro em chefe e diversas pessoas que assistiram o acto. Cidade e Estação da Gramja 15 de Janeiro de 1881. Zeferino Gil Peres da Motta - Luiz da Rocha Dias - Francisco Freire Napoleão - Bruno Gomes de Mello, Livio Francisco da Rocha, João Baptista de Carvalho,  Sergio Porfirio da Motta, Vicente Laurindo da Silveira, Joaquim Francisco Garcez dos Santos, José  Joaquim Domingos Carneiro, o delegado de policia Antonio Frederico de Carvalho Motta. Antonio Pereira Cavalcante, Ernesto Deocleciano d’ Albuquerque, Manoel Cornélio Ximenes de Aragão, José Privat, Dr. Clodoaldo de Andrade„ José Patricio de Castro Natalense, Vicente Huet de Bacellar, Pharmaceutico Francisco das Chagas de Araújo Filho, Ataliba Montesuma de Moura Ribeiro, Bacharel Ernesto Antonio Lassance Cunha, José Rodrigues de Albuquerque, Rodolpho Coaracy da Fonseca, Daniel Henninger, Marques de Sousa, José de Xerex, Eugenio de  Barros Raja Gabaglia, Salustiano Moreira  da Costa Marinho, Ricardo Lange, Ernesto Mary, Gabriel Militão de Villa-Nova Machado Junior, Raimundo Belfort Teixeira, José Cesario Ferreita da Costa, Luiz Augusto Dias de Faria, Pedro Leopoldo da Silveira, Alfredo Barão de' Leon, Carlos Raymundo Smith, Manoel de Pontes Franco, Henrique' D. d’ Hargeville, Luiz José Rodrigues, Pedro d'Araujo Sampaio, Joâo Evangelista Barbosa, Luiz Tavares da Silva, Francisco Joaquim Bricio dos Santos, Narciso José Ferreira, José Figueira de Saboia e Silva, Joaquim Cordeiro da Cruz, Miguel Theophilo de Sousa Maria, Francisco José  Garcez dos Santos, Francisco Nelson Chaves, Antonio Raymundo Ferreira Gomes, Francisco Angelo de Maria Arruda, Domingos Craveiro, Victor Barreto Nabuco de Araujo, James Bartholomeu NacCullough, Padre Leandro Teixeira Pequeno, Antonio Augusto Pessoa, Domingos Carlos de Saboia, Joaquim Manoel da Rocha Franco, José Firmo Ferreira da Frota, Antonio Craveiro, Affonso de Andrade Pessoa, Joaquim Ignacio Pessoa, José Philadelpho Pessoa d 'Andrade.[1]

Estação Ferroviária de Granja-CE. Fonte: Internet.

    As autoridades foram recepcionadas pela Câmara Municipal de Granja.

Fonte: [1] STUDART, Dr, Guilherne (Barão de Studart). Datos e Factos para a História do Ceará. Ceará-Província, 2ª volume. Fortaleza, Tipographia Studart, 1896, p.286-287. Apud OLIVEIRA, André Frota de, Estrada de Ferro de Sobral. Fortaleza: Expressão Gráfica, 1994, p.80-81.

sábado, 2 de agosto de 2025

CALENDÁRIO HISTÓRICO DE CAMOCIM. MÊS DE AGOSTO

     

JK em Camocim. 1955. Arquivo Elda Aguiar.


O mês de agosto é muito recheado para nós camocinenses. Vários fatos do nosso cotidiano religioso, administrativo, econômico e político são comemorados neste mês. Confira abaixo as principais datas.

03 de agosto de 1955 - Passagem de Juscelino Kubitschek e João Goulart por Camocim em campanha política para Presidente da República. Foi recepcionado pelo então prefeito Murilo Aguiar. (Fonte: 2º Livro de Tombo da Paróquia de Bom Jesus dos Navegantes).
05 de agosto de 1878 – Início dos estudos para a construção da Estrada de Ferro de Sobral.
07 de agosto de 1901 - Nascimento de Anésio Frota Aguiar, escritor, deputado estadual e federal pelo Rio de Janeiro. Relator da CPI na Câmara dos Deputados que investigou os empréstimos entre o jornal Última Hora e o Banco do Brasil.
07 de agosto de 1920 – fundação da Banda de Música Lyra Camocinense, com 13 músicos, pelo maestro Luis Joaquim de Moraes. Esta banda tocou na festa da chegada de Pinto Martins em Camocim em 19 de dezembro de 1922.
8 de agosto de 1919 - Nasceu em Camocim filho de Manuel Dias de Macedo e Georgina Navarro de Leitão Macedo, José Dias Macedo, um dos maiores industriais do Brasil.
13 de agosto de 1948. Instalação da Comarca de Camocim.

14 de agosto de 1979 - Batalha da Barroquinha. Por ocasião do Festejo Religioso do então distrito de Barroquinha, aconteceu tiroteio entre integrantes das alas políticas de Camocim numa festa dançante, onde saíram baleados pelo lado dos "Cara Pretas", o líder Murilo Aguiar e o vereador Ronaldo Benevides. Do lado dos "Fundo Moles", os irmãos Alfredo Coelho Cruz (Carrasco) e Francisco Coelho Cruz.
17 de agosto de 1889 - A Villa de Camocim é elevada à categoria de cidade pela Lei Provincial Nº 2162.
24 de agosto de 1977 – Último trem que trafegou na Estrada de Ferro de Sobral. Partiu para Sobral a locomotiva nº 611. Maquinista – Raimundo Nonato de Castro (Bolô), Auxiliar- Sr. Aragão.




quarta-feira, 2 de julho de 2025

CALENDÁRIO HISTÓRICO DE CAMOCIM. MÊS DE JULHO

Coronel Libório. Fonte: Camocim Online

Estação de Camocim. Quadro de F. Chagas Albuquerque.





Em julho, mês dedicado ao imperador romano Júlio César e o "mês das férias", chegamos à metade do ano de 2025. Feriado nacional mesmo não temos em julho, mas é um més que temos muita coisa a comemorar. Para Camocim, é só conferir as datas abaixo para ficarmos mais atentos aos fatos da nossa história.

JULHO:

22 de julho de 1923 – Nasceu, na localidade de Tremendal, Distrito de Amarelas, Camocim-CE, Libório Gomes da Silva. Foi coronel da Polícia Militar do Ceará e deputado estadual por Camocim.

23 de julho de 1932 – Fundação da Sociedade Beneficente Ferroviária. Sede própria à Rua Santos Dumont, S/N.

24 de julho de 1878 – Entrada do Vapor Guará no Porto de Camocim, trazendo engenheiros e materiais para a construção da ferrovia. (Estrada de Ferro de Sobral)

28 de julho de 1920. Data da fundação da Augusta, Respeitável, Benfeitora, Benemérita e Centenária Loja Simbólica Deus e Camocim Nº 1, tendo a rente o italiano João Baptista Gizzi  Em 28 de julho de 2020, comemorou seu primeiro centenário

31 de julho de 1889 – Trafegou pela Estrada de Ferro de Sobral o Conde D’Eu, genro do Imperador D. Pedro II. Chegou a Camocim por um navio da Companhia Maranhense de Navegação a Vapor. Foi até Sobral. Na volta visitou em Granja a Igreja Matriz, Casa da Câmara e Cadeia e a residência do Sr. Carvalho Motta. Deu esmolas para casa de caridade em Sobral e Igreja Matriz em Granja, além de alguns populares

quarta-feira, 4 de junho de 2025

CALENDÁRIO HISTÓRICO DE CAMOCIM. JUNHO


                                               Igreja de São Pedro. Fonte: Portal de Camocim.


    O mês de junho, mês dos festejos juninos, traz datas interessantes sobre nossa história administrativa, política, educacional e da Estrada de Ferro.

01 de junho de 1878 - O Conselho de Estado, presidido por João Lins Cansanção de Sinimbu, envia mensagem anexada ao Decreto nº 6.918, que autorizava o prolongamento da Estrada de Ferro de Baturité a construção da Estrada de Ferro de Sobral, visando minorar os efeitos da seca de 1877 em socorro dos flagelados da região.

08 de junho de 1985 – Solenidades comemorativas do 30º aniversário do Colégio Estadual Padre Anchieta (CEPA). Local: dependências do colégio.

9 de junho de 1948. Criação da Comarca de Camocim pela Lei Estadual Nº213, de forma definitiva, depois de ter sido criada em 8 de novembro de 1943 e suprimida duas vezes. Foi finalmente instalada a 13 de agosto de 1948.

19 de junho de 1878 -  Assinatura do Decreto nº 6.940, que considerava a Estrada de Ferro de Sobral de estrada geral, autorizando os estudos e construção por conta do Estado.

24 de junho de 1936 - Data em que ocorreu o "Massacre do Salgadinho" em Camocim, quando a policia estadual matou dois militantes comunistas (Amaral e  Luís Pretinho), que fugiam da repressão à Intentona Comunista de 1935, além de Raimundo Vermelho, que morreu três meses depois vitimado pelas torturas sofridas na Casa de Detenção em Fortaleza.

29 de junho de 1942 - Inauguração da Igreja de São Pedro pelo Padre Inácio Nogueira Magalhães. A obra foi iniciada pelo Padre Manoel Henriques.

Imagens: 

CEPI. Camocim Online

IGREJA DE SÃO PEDRO. Portal de Camocim 

sábado, 1 de março de 2025

CALENDÁRIO HISTÓRICO DE CAMOCIM - MARÇO

         

Mês de março de 2025. Fonte: https://www.istockphoto.com/br/fotos/calenario

    Continuando a sequência do Calendário Histórico de Camocim, iniciamos o mês de março de 2025 com o início do carnaval. Educação, religião e estrada de ferro, marcam o março histórico de Camocim, além de assinalar a morte dos dois maiores líderes políticos do município no século XX: Murilo Aguiar e Alfredo Coelho.


Murilo Rocha Aguiar. (1914-1985).

01 de março de 1956 – Início das aulas da 1ª Série Ginasial do Ginásio Padre Anchieta com 41 alunos. 04 alunos vieram de cidades vizinhas.

01 de março de 1985. Morte do deputado Murilo Rocha Aguiar, em Fortaleza. Em 28 de fevereiro de 1985 ele disputava a Presidência da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará quando passou mal. Foi internado às pressas,  faleceu nas primeiras horas do dia seguinte. Em 2025, 40 anos do ocorrido.

05 de março de 1956 – Fundação do Ginásio Padre Anchieta. (Fonte: Livro de Tombo da Paróquia Bom Jesus dos Navegantes).

08 de março de 1992 – Faleceu em Camocim o coronel Alfredo Othon Coelho. Líder político.


Alfredo Othon Coelho (      - 1992)


19 de março de 1950 – Fundação do Instituto São José (ISJ), iniciativa do Monsenhor Inácio Nogueira Magalhães, com a direção das Irmãs Capuchinhas.

26 de março de 1879 – Inauguração do assentamento dos trilhos da Estrada de Ferro de Sobral pelo Presidente da Província Dr. José Júlio de Albuquerque Barros.

29 de março de 1973 – Criação do Curato de São Pedro na Reunião do Presbitério realizada em Tianguá.



sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DE CAMOCIM. PATRIMÔNIO CULTURAL DO ESTADO DO CEARÁ



Estação Ferroviária de Camocim. 1989. Arquivo: Valdete Fonseca Vieira.


Desde o fechamento do ramal ferroviário Sobral-Camocim  em 1977 que a Estação Ferroviária começou a sofrer um processo de deterioração predial e ocupação das dependências por sem-tetos, usuários de drogas e ponto de prostituição.

Mais de uma década depois, na administração municipal de Murilo Rocha Aguiar Filho - Murilinho (1989-1992), juntamente com outras entidades e pessoas iniciou-se um movimento para a recuperação do prédio símbolo que marcou a nossa história desde as últimas décadas do século XIX até meados do século XX. Deste modo, aproveitando-se uma  visita do então governador do Estado do Ceará, Tasso Ribeiro Jereissati, a população se mobilizou e lotou a Praça da Estação com faixas e cartazes, pedindo a revitalização daquele espaço.

A reforma foi feita e a então Estação Ferroviária passou a ser a Casa da Cultura, além de sediar o SEBRAE e no pátio externo acontecia a "Quinta Cultural", onde feiras e shows de cantores e humoristas aconteceram por um bom tempo.

Estação Ferroviária de Camocim. 2022. Foto: Carlos Augusto P. dos Santos.


No início dos anos 1990, a Estação Ferroviária foi tombada como bem cultural do Estado do Ceará pelo  COEPA – Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural do Estado do Ceará, sob o número 028, em cuja descrição dizia:

Estação Ferroviária de Camocim, localizada na extremidade leste da cidade à margem esquerda do rio Coreaú, foi construída para ser ponto inicial que interligaria o Porto de Camocim à estrada de Sobral.
Construída com traços arquitetônicos que apresentam a influencia marcante exercida pelas edificações ferroviárias europeias no Brasil durante o século XIX, com feições neoclássicas, planta de desenho simétrico e construída em alvenaria portante, a Estação Central de Camocim foi inaugurada em 1881.
Esta edificação nos reporta à época em que o sistema ferroviário despontava como o meio de transporte mais eficiente e hegemônico no Estado, levando e trazendo pessoas e mercadorias, cruzando o Ceará, redefinindo espacialmente a feição das localidades em que se inseria, impulsionando a economia e modificando os modos de pensar e agir da sociedade.

Portanto, a Estação Ferroviária é o nosso único bem tombado por uma lei. De lá para cá, já foi sede da Prefeitura Municipal e hoje abriga a Secretaria da Educação de Camocim. Não importa o uso, desde que se preserve a história e a memória dos lugares.

sábado, 3 de dezembro de 2022

ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DE CAMOCIM. NOSSO ÚNICO BEM TOMBADO PELO PATRIMÔNIO ESTADUAL

 Num momento em que a questão patrimonial começa a ser discutida em nossa cidade, seja pelo processo acelerado de destruição de prédios históricos, seja pelas poucas tentativas de se adotar uma política pública de preservação e conservação do patrimônio cultural, reproduzo aqui um "lugar de memória" dos camocinenses, erguido ainda no século XIX. O artigo foi publicado no site do Laboratório de Estudos dos Mundos do Trabalho (LEHMT/UFRJ), dia 30/11/2022.

LMT #118: Estação Ferroviária de Camocim (CE) – Carlos Augusto Pereira dos Santos


Carlos Augusto Pereira dos Santos
              Professor do Curso de História da Universidade Estadual Vale do Acaraú


Menino da Rua do Egito em Camocim, filho de maquinista,
morando à beira da linha, eu terminei ficando com o trem no
sangue, como diz Rachel de Queiroz.

(Pe. Luís Ximenes, em Paixão Ferroviária, 1984)

AEstrada de Ferro de Sobral, no Ceará, funcionou por quase um século.  Quando da seca de 1877, o Governo Imperial autorizou a análise da viabilidade da ferrovia, no sentido de socorrer os flagelados com postos de trabalho e minimizar a fome que assolava o território cearense. Além disso, a construção da ferrovia seria uma forma de ligar os sertões do norte da província ao porto de Camocim, considerado o de melhor navegabilidade no estado. Os estudos para a construção da estrada de ferro tiveram início em 1878. No ano seguinte, a 26 de março de 1879, realizou-se com solenidade de estilo, o assentamento do primeiro trilho da estrada de ferro em Camocim. Neste mesmo ano, Camocim passou à condição de município se emancipando de Granja. A inauguração do primeiro trecho da Estrada de Ferro de Sobral, entre Camocim e Granja, numa extensão de 24,5 quilômetros, ocorreu no dia 15 de janeiro de 1881, dois anos após o início dos trabalhos.

Construída para ser o ponto inicial que interligava o Porto de Camocim à Sobral, a estação ferroviária apresenta traços da influência europeia no Brasil no que diz respeito às edificações ferroviárias erguidas durante o século XIX. Como se disse anteriormente, a chegada da ferrovia provocou imediatamente a mudança de status administrativo de Camocim alavancando as transações comerciais que já se faziam pelo porto, escoando a produção agropecuária do noroeste cearense. Em pouco tempo, estas atividades demandaram a chegada na cidade da Alfândega, do Banco do Brasil, dos Correios, entre outras repartições públicas e privadas.

A ferrovia para Camocim e região promoveu não somente a economia regional, mas, um interessante espaço para se compreender o mundo do trabalho naquela época. O complexo ferroviário, no auge de suas atividades, chegou a ter em média 800 trabalhadores entre a administração e o pessoal alocado nas oficinas de manutenção de trens. Estas oficinas foram importantes para a formação de várias categorias profissionais como mecânicos, torneiros, carpinteiros, ferreiros, dentre outras. A maioria destes trabalhadores era de Camocim e da região noroeste do estado. Grande parte dos ferroviários se estabeleceram em ruas próximas da estação e os funcionários mais graduados, como os engenheiros e agentes de estação, tinham moradia dentro do pátio de manobras de trens ainda hoje preservadas e habitadas por descendentes destes.


A presença de uma massa de trabalhadores na ferrovia e no porto acabou por despertar as ideologias políticas da época.


Com efeito, a cidade de Camocim foi a primeira do interior cearense a organizar uma célula comunista em 1928 e por conta de seu histórico de lutas na própria ferrovia, acabou por obter o epíteto de “Cidade Vermelha” na imprensa comunista. Por outro lado, o integralismo, embora em menor número, esteve presente entre os trabalhadores ferroviários no contexto da polarização ideológica dos anos 1930.

Um exemplo dessa militância pode ser observado no episódio que ficou conhecido como “A Rebelião da Ferrovia”. Entre novembro de 1949 e janeiro de 1950 uma greve de ferroviários tomou conta da cidade em um protesto contra o fechamento das oficinas de manutenção e a tentativa de transferir funcionários da ferrovia para outros locais. A greve ganhou ares de revolta popular, envolvendo várias categorias e lideranças sindicais. O leito da ferrovia foi interditado pela população com paus, pedras e caldeiras velhas evitando assim a saída dos trens. A tensão durante a rebelião foi muito intensa, a ponto de ser instalada uma espécie de sirene na Estação Ferroviária que era acionada para chamar os manifestantes a qualquer hora do dia quando se percebia algum movimento da direção da ferrovia em desobstruir a via férrea. As mulheres, muitas delas organizadas pela União Feminina Camocinense ligada ao Partido Comunista, tiveram uma participação particularmente significativa na greve e na rebelião popular.

Apenas a vinda de um representante do Ministro de Obras e Viação e do próprio Governador do Estado acalmou os ânimos. Em um grande comício, essas autoridades terminaram por atender ao clamor popular e as oficinas e os funcionários foram mantidos na cidade.

No entanto, o processo de desmonte do ramal ferroviário Camocim a Sobral se acelerou a partir de 1950. Os funcionários foram sendo paulatinamente transferidos para outras estações e praticamente não houve substituição do material rodante neste período até o fechamento do ramal.

Em 24 de agosto de 1977, o último trem partiu de Camocim rumo à Sobral, pondo fim a 96 anos de serviços prestados pela ferrovia à população da então zona norte do Ceará, e de muitas histórias do mundo do trabalho e dos trabalhadores da “estrada”.  Hoje, tombada pelo patrimônio público estadual, a estação ferroviária sedia a Secretaria da Educação Municipal.

Ferroviários em greve e população obstruem a ferrovia. Camocim.  Fonte: Arquivo particular da Sra. Elda Aguiar.

Para saber mais:

  • CARVALHO, Cid Vasconcelos de. O Trem em Camocim: Modernização e Memória. 2001. Dissertação (Mestrado em Programa de Pós-Graduação em Sociologia) – Universidade Federal do Ceará.
  • OLIVEIRA, André Frota de. A Estrada de Ferro de Sobral. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 1994.
  • SANTOS, Carlos Augusto Pereira dos. Entre o porto e a estação. Cotidiano e cultura dos trabalhadores urbanos de Camocim-CE. 1920-1970. Fortaleza: INESP, 2014.

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

A FAÇANHA DE LUIZ GABRIEL. 1879 (XII SETEMBRO CAMOCIM. 2022. Nº1)

Postal. "Ceará. Camocim. Um trecho do Porto". s/d.

     Contam os mais antigos, que por volta de 1790, o velho Gabriel Rocha desembarcou em Camocim para trabalhar como prático da barra e trouxe consigo sua numerosa família. Aqui, com um velho indígena nativo aprendeu os segredos da nossa barra. Ele vinha de Tutóia, Maranhão, onde lá já exercia a mesma profissão. Um dos seus filhos também aprendeu o ofício e continuou o legado de fazer adentrar e sair navios em nosso porto.

    Acontece que o tempo passou e eis que já no final do século XIX, o então distrito da Barra do Camocim passou a município em 29 de setembro de 1879. Desde 1877 que o antigo distrito vinha sendo o epicentro das obras da Estrada de Ferro de Sobral que ligaria nosso porto aos sertões daquela cidade e em sua plenitude atingiria Crateús. Este é o pano de fundo para a história que contaremos hoje na abertura do XII SETEMBRO CAMOCIM e que tem relação com a família Gabriel, pioneira no desenvolvimento do nosso porto, na figura de seu filho, Luiz Gabriel. Assim nos conta o historiador em 1908:

"Em 1879 arribou ao porto de Camocim, um brigue Allemão de grande calado, carregado de materiais para a estrada de ferro. - Informado o Dr. Rocha Dias, do calado do navio, que era de 18 e meio pés, preparava-se para fazêl-lo descarregar fora da barra, com grande aumento de despeza, quando lhe foi informado, por algumas pessoas, que Luiz Gabriel talvez desse entrada aquelle navio.

Chamado Luiz Gabriel e interpellado a respeito, respondeu que no dia seguinte daria resposta e com efeito a deu declarando que daria entrada ao navio decorridos dois dias. (sic)

No dia marcado, pelas cinco horas da tarde o aludido navio, garbosamente entrava e largava ferro no porto de Camocim com admiração e satisfação geral".

O conhecimento prático do prático Luiz Gabriel salvou, digamos assim, que o conhecimento científico do engenheiro Rocha Dias demandasse uma enorme quantia em dinheiro para fazer chegar os materiais para a continuação das obras da ferrovia. 


Fonte: PHILADELFO PESSOA, Antônio; Memorial Histórico da cidade de Camocim, p. 20.

sexta-feira, 30 de abril de 2021

UM FERROVIÁRIO MAIS DO QUE CENTENÁRIO

José Ferreira dos Santos aos 102 anos. 2016. Fonte: Camocim Online.



Hoje 30 de abril comemora-se o Dia do Ferroviário. Como uma cidade que já foi ferroviária, Camocim tem uma grande memória dos "tempos do trem", seja pela íntima relação que a história do município associada à Estrada de Ferro de Sobral, seja pelas lembranças dos habitantes que viveram neste tempo e, principalmente, dos ferroviários que trabalharam nesta estrada por quase um século.
Neste sentido, por ocasião da data comemorativa, o nosso dever de sempre lembrar dos tempos idos se irmana com a trajetória de vida de um destes guerreiros dos caminhos de ferro - José Ferreira dos Santos (1914-2000), mais conhecido entre nós como o Sr. Zé dos Santos.
Coincidentemente, hoje, chafurdando nos arquivos em busca de fontes sobre a militância integralista na cidade, deparei-me com uma nota do ano de 1937 no jornal A Razão, publicado em Fortaleza, onde o nosso longevo ferroviário aparece como secretário da Sociedade Ferroviária de Camocim, mostrando que o mesmo estava envolvido não somente em desenvolver a contento seu trabalho na ferrovia, mas, também antenado com a perspectiva de melhores condições que poderiam advir com o associativismo dos trabalhadores



A  nota, assinada pelo secretário, Sr. José Ferreira dos Santos, logicamente se refere à Associação Beneficente Ferroviária que tinha sido fundada em 1932 que, naquele ano de 1937, informava sobre a posse da nova diretoria da associação para o biênio 1937-1938, que ficou assim constituída:

Presidente: Lamberto de Oliveira Sales.
Vice-presidente: Manoel Pinheiro da Rocha
Secretário: José Ferreira dos Santos
2º Secretário: Luis Gonzaga Viana.
Tesoureiro:  José Araújo Tavares.
2º Tesoureiro: Francisco Xavier Fontenele.

A todos os ferroviários a nossa homenagem!!!

Fonte: 
Jornal A Razão. Fortaleza-CE. 1937. edição 194, p.05.







 


 

domingo, 17 de janeiro de 2021

ESTRADA DE FERRO DE SOBRAL. 140 ANOS DO TRECHO CAMOCIM-GRANJA

 

Mapa da Estrada de Ferro de Sobral. Fonte: Bcm 012.


Anteontem, 15 de janeiro de 2021, a cronologia marcou os 140 anos do início da operação da Estrada de Ferro de Sobral (EFS), iniciado com a inauguração do trecho Camocim-Granja em 15 de janeiro de 1881, com a extensão de 24,5 km de trilhos e as duas respectivas estações. Deste dia até o fatídico 24 de agosto de 1977, quando o Sr. Raimundo Nonato de Castro (Bolô), tendo como auxiliar o Sr. Aragão, conduziu o último trem partindo para Sobral, foi quase um século de existência (96 anos, para ser mais exato) de serviços prestados pela ferrovia à população da então zona norte do Ceará.
Por conta da efeméride redonda, há muito me fiz um desafio que pretendo concluir ainda neste ano - uma obra que conte a história da Estrada de Ferro de Sobral sob a perspectiva da História Social. Para isso, venho ao longo do tempo orientando alunos nesta temática, explorando a documentação sobre os diversos lugres por onde a ferrovia passou, recolhendo testemunhos de ex-ferroviários, de pessoas que viveram e viram esta época do trem que marcava o cotidiano das pessoas com suas chegadas e partidas.
Aqui mesmo, neste blog, ou em publicações anteriores como "A Nostalgia dos Apitos", que publicamos em 2017 e que marcou os 40 anos de desativação do ramal ferroviário Sobral-Camocim, já venho realizando este trabalho.
Buscando ampliar este esforço, atualmente oriento um projeto de iniciação científica na UVA denominado: "A História não perdeu o trem. História Social da Estrada de Ferro de Sobral", para dar conta deste desafio maior, que é parar em todas as estações e buscar contar um pouco da história destes lugares que o mapa acima demarca a partir da presença da EFS. Esperamos que este trem não atrase!

Fonte: 

OLIVEIRA, André Frota de. Estrada de Ferro de Sobral.. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 1994.

SANTOS, Carlos Augusto P. dos. A Nostalgia dos Apitos. Sobral: Edições UVA, 2017.
                                                                                                 

sábado, 26 de setembro de 2020

CAMOCIM DE ALMANAQUE (X SETEMBRO CAMOCIM 2020. Nº06).

Balaustrada de Camocim. 2020. Autor: Nagib Melo.



Já disse mais de uma vez neste espaço que os almanaques são importantes fontes para a história. Como uma fotografia, revelam o instante do objeto focalizado. Assim como os calendários, eram esperados ao fim de cada ano, trazendo as atualizações dos lugares, os números e as mudanças administrativas.

Voltemos o olhar para o distante ano de 1911, quando Camocim comemorava apenas o 32º aniversário de emancipação política. Neste ano, nem sequer éramos uma comarca, pois pertencíamos à de Granja, e os nossos distritos eram Barroquinha, Almas (Bitupitá) e Gurihú (ainda escrito com "h").

No entanto, em 1911, a Câmara Municipal já tinha publicado o seu Código de Posturas (1908) com 245 artigos, o segundo desta natureza, já que o primeiro fora aprovado em 1886. Ainda no ano de 1908 a Câmara fez publicar um Memorial Histórico da Cidade organizado por Antonio Philadelpho Pessôa, em comemoração ao Primeiro Centenário da Abertura dos Portos do Brasil ao comércio internacional. Este trabalho é o primeiro esforço de escrita de história do município (título raríssimo!) feito especialmente para representar Camocim na Exposição Nacional daquele ano.

Em 1911 o Porto de Camocim era considerado o melhor do estado,  tendo 02 armazéns e cinco pontes (trapiches), um farol e bóias que iluminavam a barra, uma pequena casa para observações mareográficas e um galpão que servia como posto fiscal da Recebedoria do Estado. 
A Empresa de Navegação L. Lorentzen, de origem norueguesa, atuava em  Camocim nessa época, mantendo regularmente com os vapores Rio, Ipu, Sobral e  Camocim as seguintes linhas: de Pernambuco a Manaus e de Camocim ao Pará.

Na Praça  da Matriz estavam em construção em 1911, dois poços artesianos. A população era de 6.000 habitantes e os eleitores somavam apenas 544 eleitores (1909).



FONTE: Almanaque Laemmert, 1911, ed.68, p.392.