quarta-feira, 9 de setembro de 2026

XV SETEMBRO CAMOCIM. OS TRABALHADORES DAS OFICINAS DA FERROVIA. 2

 

    

Oficinas de Manutenção de Trens, Camocim. Fonte: Camocim Ribeiro.

    Nas várias postagens que já fiz sobre a ferrovia, assinalei a importância das Oficinas de Manutenção de Trens localizada no pátio de manobras em Camocim. Ela não foi apenas o suporte para o bom funcionamento do material rodante da Estrada de Ferro de Sobral, mas, serviu como uma verdadeira escola para a formação de trabalhadores especializados em várias áreas que a ferrovia necessitava. Por outro lado, após o fechamento do ramal Sobral-Camocim, muitos destes "artistas" seguiram na profissão de carpinteiros, serralheiros, torneiros mecânicos, ferreiros, dentre outros.

    Portanto, para a existência de uma ferrovia não era necessário apenas profissionais relacionados com o funcionamento dos trens, como maquinistas, foguistas, guarda-freios, agentes ou administradores. Uma gama de trabalhadores que, no auge da estrada beirou oitocentas pessoas, constituíam uma classe com intensa atividade, inclusive política, visto os vários movimentos grevistas que se apresentaram por quase um século de atuação.

    A este respeito, transcrevo aqui uma nota do pesquisador Camocim Ribeiro, o que atesta o que dissemos acima: 

Após a greve de 1957, a Rede de Viação Cearense promoveu a admissão de novos ferroviários para as Oficinas Ferroviárias de Camocim. A iniciativa contribuiu para restabelecer a confiança dos trabalhadores e da comunidade ferroviária, afastando o receio de que a ferrovia e suas oficinas viessem a ser desativadas por aquela autarquia. A contratação de novos profissionais demonstrava, naquele momento, a intenção de manter e fortalecer as atividades ferroviárias em Camocim.

Relação de Trabalhadores admitidos nas Oficinas de Camocim. 1957. Fonte: Camocim Ribeiro.

    Segundo a documentação, estes trabalhadores foram admitidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico -BNDE. (Na época, o banco ainda não tinha o "S" de social) para prestar serviços na Estrada de Ferro de Sobral, distribuídos nos cargos de servente, serralheiro, ferreiro, aplainador e carpinteiro.

    A ferrovia foi também escola!

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