O Blog:

Amigos e conterrâneos camocinenses, a gente só dar o que tem. Quando pensamos editar um blog, este foi o pensamento: doar todo nosso esforço na construção de uma ferramenta como esta para a divulgação pura e simples da nossa história. Contudo, essa é uma oportunidade de todos participarem desta empreitada, seja comentando, sugerindo, corrigindo e, efetivamente, participando dessa grande viagem que a História nos proporciona. Que nosso "POTE" nunca encha e sacie a todos!!!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O PATRIMÔNIO FERROVIÁRIO DE CAMOCIM - 1


1881. Séc. XIX.
O Império se despede deixando o litoral do Ceará ligado ao sertão da pécuária. Camocim recebe a Estação com sua gare imponente e um parque de oficinas dos mais modernos para a época. Vagões são aqui construídos. As Oficinas se tornam além de ponto de apoio para a manutenção dos trens, uma escola de aprendizado de ofícios correlatos para os ferroviários e seus filhos.

1950. Séc. XX.
Primeira tentativa de se retirar os trens de Camocim. O parque de manobras e as oficinas dão os primeiros sinais de que seu fechamento era questão de tempo, face à precarização do transporte ferroviário no Brasil.

1977. Séc. XX.
As oficinas já não cumprem seu papel. O discurso do déficit do ramal Sobral-Camocim sela seu destino. Os galpões são depredados pela própria população e por vândalos. A Estação se torna um covil para a prostituição. Políticos lucram com votos prometendo a volta dos trens e dos anos dourados.

Final dos anos 1980.
A Estação é recuperada e tombada pelo patrimônio do Estado. Se transforma em Casa de Cultura, depois Campus Avançado da UVA e hoje Prefeitura. Mas, e o restante das edificações que compunha o parque ferroviário?

2002. Séc. XXI.
A reportagem do Jornal "O Povo" (foto ao lado) denuncia: "... um passeio por trás do prédio da Estação mostra outras marcas dos áureos tempos estão mal conservadas. A área aguarda um projeto de urbanização que (....) será financiado pelo Banco Mundial. Casarões do seculo XIX, fechados, foram residência de engenheiros e técnicos da estrada de ferro, Grandes galpões que foram casa de máquinas e oficinas para os vagões, hoje são abrigos para famílias carentes. Quase favelas, com residéncias improvisadas, separadas por papelão, plásticos e pedaços de tábua".

2011. Séc. XXI. Quase uma década depois da denúncia, o que mudou? Qual o projeto para a área? Quais as discussões com a população a respeito de sua preservação e novos usos? É uma espera quase interminável... Até quando?

Fonte: Jornal "O Povo". Fortaleza-CE, Domingo. 24 de fevereiro de 2002. Biblioteca Menezes Pimentel.

domingo, 28 de agosto de 2011

DE OLHO NA RUA - BAIRRO BOA ESPERANÇA


Duas imagens permanecem vivas em minha mente sobre o espaço e os limites que hoje se constitui o Bairro Boa Esperança: o campo de futebol Catingueira, onde hoje se encontra erguido o "Colégio Novo" e o São Braz, terreno que posteriormente foi construído o Hospital São Francisco. No primeiro lugar, meu pai uma vez me levou para assitir uma partida de futebol (Ah! as recordações domingueiras). No segundo, final dos anos 1970, diariamente meu pai me mandava deixar um vaca para pastar no São Braz. Pois é, já fui vaqueiro de uma vaca só. Com o crescimento da cidade, a urbanização atingiu a parte oeste, onde o Bairro da Boa Esperança pontifica como um dos maiores bairros da cidade, senão o maior em termos populacionais. A origem se deu com a doação do terreno pelo então político e militar Coronel Libório Gomes da Silva às Irmãs Capuchinhas de Camocim que lotearam o terreno, cuja renda se reverteu para o soerguimento do Instituto São José. Em 1991, a Câmara Municipal de Camocim oficializou a denominação, conforme Oficio Nº 044/91 de 9 de dezembro de 1991, transcrito abaixo:
"Senhor Prefeito. Encaminho a V. Sa., o Projeto de Lei Nº 03/91, oriundo do Sr. Vereador Araújo Brito, que denomina de "Boa Esperança", o bairro situado entre a "Perimetral, ao Norte, "São Braz", ao Sul, "3 de Outubro", a leste e "Antonio Magalhães" a Oeste. Referido Projeto de Lei foi aprovado por unanimidade na Sessão Ordinária realizada nesta Câmara, no dia 06 de Dezembro do corrente. Nesta oportunidde, reitero a V. Sa, meus protestos de elevada consideração e apreço. Saudações.
Luciano Trévia
Presidente".


OBS: Há um erro com relação aos pontos limites norte e sul, que na verdade, estão trocados. A Rua Perimetral fica ao Sul e a antiga Rua 3 de Outubro ao Norte.

Fonte: Câmara Municipal de Camocim.


Foto:
Rua Niterói. Bairro Boa Esperança. www.noticiasdagranja.blogspot.com

JANGADEIROS DE CAMOCIM - POR RAIMUNDO CELA

Hoje é domingo. É o dia de que tenho mais saudade da terrinha, posto que, de onde estou, fica apenas na retina, a lembrança do mar se derramando sobre a cidade, os pescadores chegando ou saindo em suas embarcações, as pessoas se dirigindo às praias para o seu banho dominical, do lado de cá ou para o "outro lado". A paisagem que se descortina em minha mente, em tempos outros, inspirou o grande pintor Raimundo Cela a pintar seus quadros e retratar a nossa gente mundo afora. Curando sua doença nos banhos de mar e no clima de Camocim, Cela legou ao mundo das artes, peças imortais como "Jangadeiros em Palestra", que hoje ilustra nossa humilde postagem. O jornal "O Povo" de 19 de julho de 2008, assim se reportava à imagem:

RAIMUNDO CELA (1890-1954) Jangadeiros em palestra, 1943. Óleo sobre madeira do acervo do Banco do Nordeste do Brasil.Natural de Sobral, o gravador epintor dividiu o fazer artístico com o ofício de engenheiro. Estudou no Rio de Janeiro e, por lá, foi influenciado pelo academicismo. Morador de Camocim, teve sua obra influenciada pela imagem de pescadores e de tipos populares, empregando em suas telas a força, o movimento e a luminosidade da paisagem nordestina.

Fonte: Jornal "O Povo", 19/07/2008. Biblioteca Menezes Pimentel

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O RAMAL SOBRAL-CAMOCIM


Prefeitos da Região Norte tentam reativar o ramal ferroviário depois de desativado. Acabaram por perder o "trem" da história.


1977. Extinção do ramal ferroviário Sobral-Camocim. A data marcaria o final de uma longa trajetória de desativação da ferrovia que ligava o Porto de Camocim à cidade de Sobral, que remonta aos anos 1950. A notícia ao lado publicada no jornal O Povo expresa bem a máxima popular de que "o brasileiro só fecha a porta depois de roubado". Pois bem, logo após a desativação, os prefeitos da região se reunem com o Governador Adauto Bezerra, por 45 minutos, para chorarem a ferrovia desativada. Por outro lado, a lacônica nota em seus dizeres não dá muita esperança de reversão nos acontecimentos. Não aparece na nota qualquer especificidade apresentada pelos prefeitos dos municípios dos efeitos danosos que a extinção do ramal causaria às cidades servidas pela ferrovia. Vejamos o texto que finaliza a nota: "O Chefe do Executivo Cearense após a reunião coordenada pelo deputado Haroldo Sanford, recebeu um completo elatório de cada prefeito presente". Estes relatórios, com certeza, quando disponibilizados, poderão nos esclarecer mais sobre este episódio da nossa história. Na época, o Prefeito de Camocim, que esteve na reunião, era Edilson Veras Coelho.


Fonte: Jornal "O Povo". 1977. Biblioteca Menezes Pimentel.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

CAMOCIM POTE DE HISTÓRIAS -10.000 ACESSOS


Agradeço a todos os leitores e amigos internautas que acessaram o blog nos últimos 10.000 acessos. Confesso que não tinha muitas expectativas com relação ao mesmo, mesmo porque, falar de história num blog não é o que se pode dizer, o tipo de asunto mais atraente neste mundo internético. Contudo, creio que o sucesso desse canal ser acessado em mais de 17 países e atingir essa marca em 08 meses de vida,deve-se creditar aos milhares de camocinenses espalhados por esse "mundão de meu Deus", como se dizia antigamente. Por outro lado, cada vez que volta a Camocim, sinto-me revigorado pelos elogios e sugestões que os amigos fazem ao blog, o que me dá a sensação de que não estou morando em outra cidade, que fui só dar um passeio ali em Sobral para trabalhar, fazer compras ou consultar um médico. Como historiador busco mostrar nosso povo e nossa cultura dentro do espírito cearense de ser, procurando dosar a responsabilidade de informar com a irreverência característica que nos marca. Espero ter fôlego para manter este espaço até onde a minha vontade de fazê-lo estiver em sintonia com a disposição dos leitores em acessá-lo.

Foto: Av. Beira Mar de Camocim – Ceará / Óleo s/ Tela Pintada em Julho 2008 por encomenda. Cláudio Dickson. Disponível em: http://tintaaoleo.wordpress.com/2008/05/13/galeria-3-praia-e-sertao-do-ceara/

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

OS "CARAS PRETAS" E "FUNDOS MOLES DE CAMOCIM

Com esta postagem chegamos ao número redondo de 100. Hoje, graças aos internautas estamos perto de bater os 10.000 acessos. Para um blog de natureza específica, ainda mais voltado para a história local, é um número para se comemorar. Para marcar esta conquista, brindamos os leitores com um depoimento do Sr. Orion Menezes, ainda vivo na nossa comunidade, que fala com a autoridade de quem presenciou o fato, a versão sobre o surgimento das facções políticas ligadas às famílias Aguiar e Coelho de Camocim que, por muito tempo se dividiram em "Cara Preta" e "Fundo Mole". Os apelidos nasceram das características dos seus líderes, segundo contam, das pintas pretas do rosto de Murilo Aguiar e as calças de fundo mole de Alfredo Coelho. Agora, sobre os motivos da divisão política, quem conta é o Sr. Orion Menezes, em entrevista ao historiador Carlos Manuel do Nascimento em seu trabalho sobre as amplificadoras em Camocim. Leiamos:



"Durante a campanha para prefeito de Camocim, em 1950, foi realizado um comício na Amplificadora Pinto Martins, onde estavam presentes os líderes e opositores da política local, Murilo Rocha Aguiar e Alfredo Coelho. No desenrolar dos acontecimentos, os líderes políticos acabaram desentendendo-se e provocando certo tumulto na Praça Pinto Martins, acirrando a disputa pela Prefeitura Municipal. O Sr. Orion Menezes narra o fato:

A disputa política foi o seguinte, isso eu sei contar bem direitim: o Alfredo Coelho era compadre do Murilo Aguiar, (...) eles eram muito amigos, todos dois comerciantes do alto comércio aqui de Camocim, Alfredo Othon Coelho e Murilo Rocha Aguiar, já veio do Vicente Aguiar que começou o comércio. (...) aí veio a política, o Alfredo Coelho era da UDN e o Murilo do PSD, aí eu sei que o Murilo ficou arrepiado com o compadre que era o Alfredo Coelho, aí o Alfredo lançou a candidatura de João Colares Filho pra prefeito de Camocim. (...) Pois bom, aí o resultado foi que eu estava lá no comício quando o Sr. Murilo foi falar, aí eles não deixaram o Murilo Aguiar falar, eles tomaram o microfone; aí quando botaram pro João Colares Filho, o Pascoal puxou pelo canivete e cortou o fio do microfone, foi uma confusão danada e o povo estava era aí, com a língua horrível, né? Aí o resultado, o Murilo Aguiar disse: “quem for do meu lado me acompanhe até a praça”, hoje a Praça da Estação; aí menino, ficou pouca gente lá no palanque do Alfredo Coelho, pouca gente; a multidãozona acompanhou o Murilo Aguiar. Começou a partida política dele desde esse tempo. Aí o Murilo Aguiar disse: “vou lançar um candidato, o Vaqueiro da Esperança, Setembrino Veras”. Ele estava lá nas Amarelas, no terreno dele lá, ele vivia mais no interior. (...) O Murilo Aguiar lançou a candidatura dele, quando foi no outro dia o Setembrino entrou aqui no carro, foi foguete, às sete horas da noite. Vaqueiro da Esperança, botaram o apelido dele, aí o Setembrino ganhou a prefeitura, aí meteu o pau no outro candidato, ajeitou a cidade, aí começou a intriga do Alfredo Coelho com o Murilo Aguiar. Foi o rompimento. 1

A briga política dos líderes partidários provocou uma divisão no cenário político de Camocim. A atitude e a frase emblemática do Sr. Murilo Aguiar, “quem for do meu lado me acompanhe até a praça” sinalizava muito mais que um rompimento político, era o nascimento de duas facções que durante logos disputariam o poder local e, em alguns momentos, se alternariam na gestão da cidade. De um lado estava o grupo político alcunhado de “Cara Preta”, sob a liderança de Murilo Aguiar, do outro, “Fundo Mole”, liderado por Alfredo Coelho".

1 Entrevista com o Sr. Orion Menezes, funcionário público aposentado, 73 anos, realizado em 04/03/2008, em sua residência, situado à Rua José Maria Veras, nº. 30, Camocim-Ceará.

Fonte: NASCIMENTO, Carlos Manuel. . A CIDADE NAS ONDAS DO RÁDIO - Memórias e Histórias dos Serviços de Alto-Falantes de Camocim. Capítulo III. Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA, 2009.



QUEM FOI O SORTUDO DE CAMOCIM?


Diz um ditado popular que há três maneiras de enricar: já nascer rico, casar com alguém rico ou ganhar na loteria. Você pode perguntar: o que isso tem a ver com a história e com o blog? Respondo: curiosidade histórica apenas, querer saber quem foi o sortudo da Loteria Estadual do Ceará que na extração Nº 77, de 17 de agosto de 1962,ilhete 0220 e a ganhou Cr$ 100.000,00, faturando o 3º prêmio. Conforme o publicado pelo jornal "O Povo" de 18 de agosto (foto ao lado), este prêmio saiu para Camocim, fazendo a felicidade do portador do bilhete. Quem teria sido? Fez bom uso desse dinheiro? Ainda estará vivo? Fica o desafio de encontrarmos este cidadão e sabermos dele sobre este momento, afinal de contas, não é todo dia que alguém de Camocim ganha na loteria. Se o encontrarmos, o blog se compromete de fazer uma matéria especial com o mesmo. Que os blogs parceiros entrem em ação no sentido de descobrirmos nosso sortudo de 1962. Boa sorte!
Fonte: Jornal "O Povo". 18/08/1962. Biblioteca Menezes Pimentel.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

"RECUERDOS" DOS DIAS DOS PAIS EM CAMOCIM


Não que eu seja um filho tão ausente e Camocim esteja tão distante. Voltar à terrinha é mais difícil para quem mora em Fortaleza e em outras paragens por este mundão afora. Desta forma, mesmo estando com a cabeça em Sobral, o velho coração fica sempre apontando para o mar e aí já sabe, quando a desculpa calha com algum sobrando no bolso, pego a mochila, soco "no ponto zero", como diz o Tadeu e me mando. Neste final de semana, a desculpa foi levar para casa minha irmã Irene e suas "culuminhas" recém-nascidas: Ana Gisele e Ana Letícia!!! Ah! e também o Dia dos Pais. Como o meu já subiu para o andar de cima, eu e mamãe fomos visitá-lo no cemitério e cultuar a memória do Seu Augusto. Ainda no sábado, o indefectível "roteiro etílico" (que a diabetes não ouça!): Nazaré, Valdécio e Grijalba. À noite, Dona Margareth acha de "desejar" um feijão tropeiro do Timoneiro e, como não sou de ferro, encaro a iguaria também com mais uma dose generosa de Teacher's (bicho prá gostar de Teacher´s é professor, por que será?), já fazendo as contas de quanto será a glicose no dia seguinte. Mas, o melhor disso tudo é saber que os amigos seguem esse humilde blog. Meu amigo Célio Porto Cavalcante fica de me mandar algo sobre sua confraria que reúne uma galera que discute e cultua Patativa do Assaré. Outro que diz que de vez em quando dá uma "brechada" no Pote de Histórias é o Stênio da Fundação, cuja dívida no Grijalba, coincidentemente, foi igual à minha. No domingo, minha filha Ana Ruth me carrega para as Barreiras para devorar caranguejos na mesma barraca de sempre. Lá encontro Toinho Lima e conversamos sobre os problemas da Rádio União e outros assuntos que não podemos revelar. Enfim, um final de semana para recarrregar as baterias e esperar a próxima oportunidade de voltar à "Cidade Sereia" (como dizia um antigo locutor da Rádio Pinto Martins, Reusk Mask), quando a desculpa e bolso permitirem.

Foto: Blog da Rádio União de Camocim.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

HISTORIADORES DE CAMOCIM - FRANCISCO PEREIRA DA ROCHA


Dando sequência à série "Historiadores de Camocim", destacamos hoje o trabalho de Francisco Pereira da Rocha, com o título: "Cotidiano dos trabalhadors do Porto e Camocim", defendido no Curso de História da Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA, orientado pela Profa. Edvanir Maia da Silveira. Selecionamos um trecho que ressalta a formação da classe portuária em Camocim e o surgimento dos sindicatos das categorias que trabalhavam no porto. Confiramos:


"Em Camocim a classe portuária subdividia-se em: portuários, estivadores, conferentes, capatazes, agentes portuários e o prático, além daqueles que faziam os serviços gerais de limpeza e manutenção dos navios. De acordo com a Lei nº 8.630, de 25 de fevereiro de 1993, que dispõe sobre Regime Judiciário da Exploração dos Portos Organizados e das Instalações Portuárias, no seu artigo 3º do Capítulo I, existem mais outras funções trabalhistas em um porto como por exemplo: a administração do porto, denominada autoridade portuária, e as autoridades aduaneiras marítimas, sanitária, de saúde e polícia marítima. [1]

Segundo o Sr. Francisco Arcelino do Carmo, o trabalho portuário é na beira do cais carregando os sacos de gêneros ou caixas de mercadorias na cabeça para os armazéns e vice-versa; o estivador com um trabalho menos pesado atua somente dentro dos navios, arrumando a carga no porão; o conferente é a pessoa que fica observando o trabalho, conferindo quantas toneladas são carregados para prestação de contas com as companhias responsáveis; o capataz é aquele que está a serviço dos Sindicatos (Portuários e Estivadores) para organizar as turmas e depois prestar conta e fazer o pagamento dos trabalhadores; o prático é aquele que vai buscar e deixar o navio fora da barra por ser o conhecedor do canal de acesso ao porto. [2]

Em Camocim o trabalho de pagamento, controle, registro dos trabalhadores era organizado pelos dois Sindicatos: dos Portuários e dos Estivadores. O primeiro fundado em 06 de janeiro de 1934, (reconhecido em 06 de maio de 1958), [3] o segundo conforme o Sr. Francisco das Chagas de Carvalho ex-presidente, fundado em 1919 e reconhecido em 1942".



[1] Lei nº 8.630 de fevereiro de 1993. dispõe sobre regime jurídico da exploração dos portos organizados e das instalações portuárias e das outras providências (sancionada pelo Presidente da República).

[2] Entrevista realizada em 16-11-2002 com o Sr. Francisco Arcelino do Carmo, atual presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Portuário de Camocim.

[3] Estatuto do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Portuário de Camocim.


Foto: Trapiche. Arquivo do blog.

O ANIVERSÁRIO DE CAMOCIM SE APROXIMA


Em 1999, Camocim comemorou 120 anos de emancipação. Nesta data, o Jornal "O POVO", publicou matéria com fotos do mais antigo fotógrafo do jornal à época, Alcebíades Silva. Na matéria, o fotográfo registrou as belezas de Camocim e Quixadá, como podemos ver na ilustração ao lado. Naquele tempo, o foco nas belezas naturais era o que sobressaía no texto, sem adentrar muito nas atividades de comemoração que por acaso tiveram naquele ano. Sintomaticamente, os últimos aniversários do município tem sido pífias, com solenidades sem muita criatividade, salvo alguma exceção vinda das escolas. Nos 129 anos em 2008, não fora o lançamento do nosso livro "A Casa do Povo", patrocinado pela Câmara Municipal de Camocim, prestigiada por algumas dezenas de pessoas, a data teria passado em branco em meio a ferrenha disputa na campanha eleitoral daquele ano. Veio a data redonda de 130 anos em 2009 e conseguimos realizar, com o apoio da Prefeitura e outros parceiros o Primeiro Encontro de História em Camocim, discutindo a produção historiográfica e literária do município. Em 2010, apesar dos esforços do Grupo de Amigos da História de Camocim, mais uma vez, a campanha eleitoral foi a desculpa para não conseguirmos realizar o segundo encontro. Neste ano, ainda não vimos qualquer iniciativa no sentido de marcar essa data tão relevante para nossa história. Como já estamos em meados de agosto, o blog e eu pessoalmente, desde já nos dispomos a colaborar com qualquer atividade que possa colocar em foco e discussão os meandros de nossa história. Pelo menos de nossa parte, no limiar das quase 100 postagens do blog, estamos preparando matérias interessante e polêmicas para nosso leitores. Viva Camocim!!!!

Fonte: Jornal O POVO. Caderno 2 - Turismo. 3 de junho de 1999. Biblioteca Menezes Pimentel

sábado, 6 de agosto de 2011

A HISTÓRICA FALTA DE SINAL DE TV EM CAMOCIM



Descaso de gestores aliado à utilização destes fatos como discurso politiqueiro, marcam a secular falta de sinal de TV em Camocim.

Final dos anos 1970 e eis que finalmente Camocim teria sua primeira repetidora de TV. Agora não iríamos depender mais do sinal de uma torre localizada no Morro na Tiaia, no caminho do Parazinho. A novidade foi erguida na entrada da cidade, ali no Triângulo, onde hoje existe uma moageira de sal. Marcada a inauguração, finalmente a administração João Pascoal de Melo iria marcar um tento no seu govrno, visto que a Câmara Municipal, com maioria "Fundo Mole", dificultava as coisas pra ala "Cara Preta", da qual o Prefeito era aliado. Papai, com a reprovação da mamãe, conseguiu junto ao prefeito uma colocação para ser o vigia de tal torre, porém, problemas técnicos na torre, fizeram com que ele não passasse da primeira noite fora de casa. e lá seoi o senho de ser funcionário público Ninguém conseguia consertar a aparelhagem, passando a maioria do tempo fora do ar até ser desativada e talvez ser vendida no quilo. Vieram os anos 1980 e essa lenga-lenga de quando em vez alimentava as conversas em rodinhas na cidade. A matéria acima, mostra que a Prefeita Ana Maria Veras, reclamava da empresa da época responsável, a ECETEL, a falta de som e imagem dos canais de então em Camocim. Para os adversários, era pura falta de pagamento da gestora. E fui crescendo ouvindo isso. Sempre que faltava o sinal era o prefeito inadiplente o culpado. O que nos incomoda é que em pleno século XXI, com toda a tecnologia e os meios fáceis e rápidos de se conseguir as coisas nesse campo, a população ainda tenha que reclamar da falta da TV de cada dia em noticiários do rádio e dos blogs. A matéria teve como correspondente, o radialista Cardoso Filho, que marcou época na então Rádio Pinto Martins.

Fonte: Jornal Trubina do Ceará. 18/05/1984. Biblioteca Menezes Pimentel.

O FORTIM DE CAMOCIM - SÉRIE LUGARES


Ás vezes fico me perguntando sobre o mundo da publicidade e seus gurus, principalmente pela qualidade das peças e/ou seus rebuscamentos. Muitas vezes, a mensagem fica tão truncada e subjetiva, que a parte principal, ou seja a comunicação de algo que ser quer anunciar ou vender fica em segundo plano. A simplicidade às vezes é o melhor remédio. Foi o que o blog encontrou ao fuçar o jornal "O Povo" deparando-se com o anúncio ao lado, no ano de 1974, portanto, há 37 anos atrás, do então Restaurante "O Fortim", sob o comando do saudoso "Ferreira". O slogan "INDO A CAMOCIM, FAÇA A RIMA: VÁ AO FORTIM", simples e forte, pegou tanto, que ainda hoje, é referência para turistas e filhos desgarrados que voltam à terrinha. A tradição do Fortim continuou com os filhos do Ferreira, Jarbas e Alice. Hoje, a Tia Alice, como todos a chamamos carinhosamente, recebe os clientes com o melhor da peixada cearense, sem falar do lugar, como já se dizia no anúncio de outrora: "Característico", "Estratégico", com panorânica do Rio Coreaú com seus mangues e ao fundo a Ilha da Testa Branca (Ilha do Amor). Que este lugar continue sendo um point de encontros dos camocinenses e acolhida para quem nos visita. Bom final de semana para todos!

Fonte: Jornal O Povo. (1974) - Biblioteca Menezes Pimentel.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

OS CANDIDATOS DO PSD EM CAMOCIM - EM 1934


Recentemente o noticiário político do país alimentou as discussões em torno do surgimento de um novo (não tão novo, já que se advoga á tradição da sigla) partido político, o PSD - Partido Social Democrático, agora refundado pelo atual Prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. O PSD já fez história no país abrigando nomes como de Juscelino Kubitscheck, arquirival da UDN - União Democrática Nacional. Composto de descontentes do PSDB e no sentido de dar uma sobrevida ao DEM, Kassab saiu-se com uma solução salomônica para explicar o surgimento da nova sigla - não é um partido nem de direita, nem de esquerda, pretende ser oposição, mas apoiará o Governo quando lhe convier. Recuperando a história, no início da Ditadura Vargas, o PSD, assim como agora, pelo menos no Ceará, está se configurando como um partido auxiliar dos interesses do Governo para abrigar suas lideranças, muitas vezes de diferentes matizes, mas como os mesmos objetivos - permancer no poder. O blog recupera uma matéria paga no jornal "O Povo" de outubro de 1934, onde se relaciona os candidatos à Câmara Federal e à Constituinte Estadual, contendo alguns nomes atrelados à política local. Referimo-nos à Gentil Barreira, advogado, que foi Prefeito Interventor, residente em Camocim, que em sua gestão construiu o antigo prédio da Prefeitura, Os Correios e o Mercado Público, além de José Carlos Veras, comerciante, para a Constituinte Estadual. Quem agora levantará a bandeira do PSD em Camocim? Lembrando que o mesmo partido já teve candidato à prefeito em Camocim, Murilo Aguiar Filho, nas eleições de 1996.

Fonte: Jornal "O Povo". Biblioteca Menezes Pimentel