O Blog:

Amigos e conterrâneos camocinenses, a gente só dar o que tem. Quando pensamos editar um blog, este foi o pensamento: doar todo nosso esforço na construção de uma ferramenta como esta para a divulgação pura e simples da nossa história. Contudo, essa é uma oportunidade de todos participarem desta empreitada, seja comentando, sugerindo, corrigindo e, efetivamente, participando dessa grande viagem que a História nos proporciona. Que nosso "POTE" nunca encha e sacie a todos!!!

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

OS "CARAS PRETAS" E "FUNDOS MOLES DE CAMOCIM

Com esta postagem chegamos ao número redondo de 100. Hoje, graças aos internautas estamos perto de bater os 10.000 acessos. Para um blog de natureza específica, ainda mais voltado para a história local, é um número para se comemorar. Para marcar esta conquista, brindamos os leitores com um depoimento do Sr. Orion Menezes, ainda vivo na nossa comunidade, que fala com a autoridade de quem presenciou o fato, a versão sobre o surgimento das facções políticas ligadas às famílias Aguiar e Coelho de Camocim que, por muito tempo se dividiram em "Cara Preta" e "Fundo Mole". Os apelidos nasceram das características dos seus líderes, segundo contam, das pintas pretas do rosto de Murilo Aguiar e as calças de fundo mole de Alfredo Coelho. Agora, sobre os motivos da divisão política, quem conta é o Sr. Orion Menezes, em entrevista ao historiador Carlos Manuel do Nascimento em seu trabalho sobre as amplificadoras em Camocim. Leiamos:



"Durante a campanha para prefeito de Camocim, em 1950, foi realizado um comício na Amplificadora Pinto Martins, onde estavam presentes os líderes e opositores da política local, Murilo Rocha Aguiar e Alfredo Coelho. No desenrolar dos acontecimentos, os líderes políticos acabaram desentendendo-se e provocando certo tumulto na Praça Pinto Martins, acirrando a disputa pela Prefeitura Municipal. O Sr. Orion Menezes narra o fato:

A disputa política foi o seguinte, isso eu sei contar bem direitim: o Alfredo Coelho era compadre do Murilo Aguiar, (...) eles eram muito amigos, todos dois comerciantes do alto comércio aqui de Camocim, Alfredo Othon Coelho e Murilo Rocha Aguiar, já veio do Vicente Aguiar que começou o comércio. (...) aí veio a política, o Alfredo Coelho era da UDN e o Murilo do PSD, aí eu sei que o Murilo ficou arrepiado com o compadre que era o Alfredo Coelho, aí o Alfredo lançou a candidatura de João Colares Filho pra prefeito de Camocim. (...) Pois bom, aí o resultado foi que eu estava lá no comício quando o Sr. Murilo foi falar, aí eles não deixaram o Murilo Aguiar falar, eles tomaram o microfone; aí quando botaram pro João Colares Filho, o Pascoal puxou pelo canivete e cortou o fio do microfone, foi uma confusão danada e o povo estava era aí, com a língua horrível, né? Aí o resultado, o Murilo Aguiar disse: “quem for do meu lado me acompanhe até a praça”, hoje a Praça da Estação; aí menino, ficou pouca gente lá no palanque do Alfredo Coelho, pouca gente; a multidãozona acompanhou o Murilo Aguiar. Começou a partida política dele desde esse tempo. Aí o Murilo Aguiar disse: “vou lançar um candidato, o Vaqueiro da Esperança, Setembrino Veras”. Ele estava lá nas Amarelas, no terreno dele lá, ele vivia mais no interior. (...) O Murilo Aguiar lançou a candidatura dele, quando foi no outro dia o Setembrino entrou aqui no carro, foi foguete, às sete horas da noite. Vaqueiro da Esperança, botaram o apelido dele, aí o Setembrino ganhou a prefeitura, aí meteu o pau no outro candidato, ajeitou a cidade, aí começou a intriga do Alfredo Coelho com o Murilo Aguiar. Foi o rompimento. 1

A briga política dos líderes partidários provocou uma divisão no cenário político de Camocim. A atitude e a frase emblemática do Sr. Murilo Aguiar, “quem for do meu lado me acompanhe até a praça” sinalizava muito mais que um rompimento político, era o nascimento de duas facções que durante logos disputariam o poder local e, em alguns momentos, se alternariam na gestão da cidade. De um lado estava o grupo político alcunhado de “Cara Preta”, sob a liderança de Murilo Aguiar, do outro, “Fundo Mole”, liderado por Alfredo Coelho".

1 Entrevista com o Sr. Orion Menezes, funcionário público aposentado, 73 anos, realizado em 04/03/2008, em sua residência, situado à Rua José Maria Veras, nº. 30, Camocim-Ceará.

Fonte: NASCIMENTO, Carlos Manuel. . A CIDADE NAS ONDAS DO RÁDIO - Memórias e Histórias dos Serviços de Alto-Falantes de Camocim. Capítulo III. Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA, 2009.



7 comentários:

  1. Ao ler o texto fiquei emocionado pois não só conheci os dois lideres como por muitas vezes quando adolescente acompanhei meu pai Piragibe Melo-que era cara preta,depois virou fundo mole- aos comícios do seu Murilo, certa vez em Barroquinha que na época era Distrito de Camocim arranjei até uma namorada, que legal eram verdadeiras aventuras viajar pelo interior do município e aqui acolá até tocar o coração das nativas. Bons tempos aqueles.
    Prof.Dr. Carlos Augusto parabéns pelo trabalho.
    Um abraço!

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  2. Minha lembrança de Barroquinha foi a batalha, melhor dizendo. o tiroteio onde o Sr. Murilo e o Carasco foram atingidos de parte a parte. Acho que isso merece até uma postagem. Meu pai, que sempre foi Cara Preta, havia me levado à então festa....

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  3. oi , carlos augusto, não querendo corrigí-lo, pois essa matéria vc já recebeu de outra pessoa, mas nossa família é menezes com z.

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  4. Obrigado Priscila pela correção! Vou retificar! Grande abraço e continue nos acessando...

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  5. É interessante saber que os "cara-preta" e os "fundo-mole" eram um só lado político.

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  6. Nossa e muito bom saber sobre a História de minha querida cidade. Seria bom ler a historia do Tiroteio de Barroquinha. Um Forte abraço.
    Também tenho um livro seu. A Casa do povo e por sinal e muito interessante já li varias vezes.

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