O Blog:

Amigos e conterrâneos camocinenses, a gente só dar o que tem. Quando pensamos editar um blog, este foi o pensamento: doar todo nosso esforço na construção de uma ferramenta como esta para a divulgação pura e simples da nossa história. Contudo, essa é uma oportunidade de todos participarem desta empreitada, seja comentando, sugerindo, corrigindo e, efetivamente, participando dessa grande viagem que a História nos proporciona. Que nosso "POTE" nunca encha e sacie a todos!!!

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

UMA REFORMA NA IGREJA MATRIZ DE CAMOCIM

Interessante como um simples documento pode nos informar muito sobre a história de nossa cidade. Pessoas, lugares, objetos, comportamentos e outros aspectos podem ser lidos direta e indiretamente. Neste sentido farei a transcrição de um destes documentos para que o leitor possa fazer suas apropriações. Trata-se de um registro no 3º Livro de Tombo da Paróquia de Bom Jesus dos Navegantes, p.35, que trata sobre uma campanha feita pelo Lions Club de Camocim para angariar recursos para a reforma do teto da Igreja Matriz em 1976, portanto, há 37 anos atrás: 
Matriz de Bom Jesus dos Navegantes. Camocim-CE. Foto: arquivo do blog.

[...] Esta reforma se deve às ajudas e colaboração valiosíssima da Sociedade Lions Club de Camocim que mediante bingos e rifas de objetos preciosos, ofertados por diversas firmas locais deu a quantia de 43.000 (quarenta e três mil cruzeiros) sendo 5.000 para o conserto do Relógio da referida Matriz.
Os objetos ofertados foram os seguintes:
1º) Uma máquina de costura - ofertada por José Siebra.
2º) 1 Geladeira Consul, pela Delmar Produtos do Mar.
3º) 1 Rádio Semp por Francisco Soares Romão.
4º) 1 Fogão Jangada por José Ximenes Soares.
5º) 1 Garrote por Dr. Francisco Edson Xerex Martins (médico).
6º) 1 Radiola Filipis (sic!) 503 - pela Capitania dos Portos de Camocim.
7º) 1 Bicicleta Monark pela Companhia da Polícia Militar.
8º) 1 Liquidificador Walita - pela Janasa.
9º) Os cartões de bingo, digo para o bingo - por Raimundo Aragão.
Seria, por certo, uma grande lacuna, não ser registrada esta campanha em favor da Matriz, provida pelo esforço e dedicação do Lions Club de Camocim.

Espera-se os comentários!

domingo, 24 de novembro de 2013

IVAN PEREIRA DE CARVALHO - O PRIMEIRO PADRE FILHO DE CAMOCIM

Se vivo fosse, no próximo 03 de dezembro de 2013, IVAN PEREIRA DE CARVALHO completaria 80 anos de ordenação sacerdotal. Segundo o 2º Livro de Tombo da Paróquia de Bom Jesus dos Navegantes (1931-1961),, o mesmo foi ordenado a "3 de dezembro do corrente anno de 1933, celebrou a sua primeira missa cantada nessa parochia a 8 do mesmo mez". Como uma vez padre, sempre padre, seria importante que se lembrasse desse camocinense que se constituiu no "primeiro sacerdote filho de Camocim" conforme nos diz o documento. Embora que para a grande maioria dos camocinenses vivos, a  lembrança do Professor Ivan tenha sido como educador, à frente do antigo Colégio Estadual Padre Anchieta, o Padre Ivan  filho de Luciano Pereira da Luz e Amélia de Carvalho Pereira, nascido na Rua 24 de maio no dia 08/11/1909, teve também uma trajetória muito interessante. Senão Vejamos: 

[...] Em 1924 ingressou no Seminário da Prainha, em Fortaleza, onde cursou o segundo e o terceiro anos ginasiais. Em 1925, foi transferido para o Seminário de Sobral onde cursou o quarto e quinto ano ginasiais. Terminado o primeiro grau, voltou a estudar em Fortaleza em 1927, onde cursou o primeiro e o segundo anos de Filosofia no Seminário da Prainha. Nos anos de 1929, 30, 31, 32 e 33, cursou Teologia Moral e Dogmática. Em 03 de dezembro de 1933, recebeu as Ordens de Presbítero das mãos de D. José Tupinambá da Frota, na Igreja Catedral da cidade de Sobral.-CE. Em 1934, aos 26 anos, foi nomeado vigário e assumiu a Paróquia de Palmas, hoje Coreaú, onde permaneceu como Ministro da Igreja até janeiro de 1942, quando mudou-se para Sobral para exercer as funções isde vice-diretor e vice-prefeito de disciplina do Colégio Sobarlense a convite do Bispo de Sobral, D. José Tupinambá e do diretor do Colégio Sobralense, Monsenhor Aloizio Pinto.
[...] No decorrer da formação histórica da Educação de Camocim, mais precisamente em julho de 1968, Padre Ivan decidiu renunciar aos votos religiosos fazendo o pedido de dispensa dos votos à Santa Sé e ainda movido pelo amor, resolveu desposar Terezinha Lira, moça prendada, de família tradicional de Camocim, que lhe deu cinco (05) filhos: Ivânia, Jeovane, Francisco, Luciano e Juliana.(Fonte: O Literário, Ano I, volume 2, edição 10, junho de 1999. Camocim-CE, p.1.)

Ao historiador cabe lembrar quando todos se esquecem.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O TRANSPORTE MARÍTIMO EM CAMOCIM

Foto: Vapor Camocim. Arquivo do blog.

Um leitor do blog nos pergunta sobre o transporte de pessoas em barcos e navios para Belém na década de 1950. Com efeito, os jornais do final do século XIX e das primeiras décadas do século XX de todo o Brasil, são pródigos em anunciar os trajetos e horários destas embarcações em suas páginas. Não sabemos dizer se efetivamente houve linhas marítimas só de passageiros, mas, combinando-se cargas com pessoas, as  companhias faziam este transporte regularmente. Nestes mesmos jornais, em colunas específicas, era comum se noticiar a chegada e partida de pessoas, notadamente de autoridades que visitavam as redações dos periódicos para oferecer-se a registro e mostrar distinção dos demais pobres mortais, com seu nome no jornal mostrando o que veio fazer naquele lugar de passagem: negócios ou passeios. Ecos do culto às “celebridades” de outrora!
Desta forma, o Porto de Camocim era um ponto de convergência para quem queria viajar para a capital Fortaleza, outros estados da federação ou mesmo outros países, já que o porto era contemplado com roteiros para o continente americano e europeu, principalmente. No entanto, nos momentos de secas e guerras, o porto servia como base de transporte de levas de emigrantes da região para outras partes do país.
Ainda no século XIX, por exemplo, o jornal A Federação, órgão do Partido Republicano Federal editado em Manaus, na edição de 14 de dezembro de 1898, Nº 282, traz um relatório desse transporte para aquele ano, que nestes tempos de guerra ou seca era custeado pelo governo. Vejamos (respeitando a grafia da época):
 
PELOS ESTADOS: De janeiro a outubro sahiram pelo Porto de Camocim com destino ao norte, 3.795 pessoas a saber. 
Nos navios da Companhia Maranhense - 2.099
Nos da Companhia Pernambucana –       1.232
Em diversos vapores -                               414
Total                                                      3.795
 
Portanto, quando o transporte marítimo era nossa principal via de comunicação, o Porto de Camocim tinha relevância no cenário nacional.