O Blog:

Amigos e conterrâneos camocinenses, a gente só dar o que tem. Quando pensamos editar um blog, este foi o pensamento: doar todo nosso esforço na construção de uma ferramenta como esta para a divulgação pura e simples da nossa história. Contudo, essa é uma oportunidade de todos participarem desta empreitada, seja comentando, sugerindo, corrigindo e, efetivamente, participando dessa grande viagem que a História nos proporciona. Que nosso "POTE" nunca encha e sacie a todos!!!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O CAMOCIM DAS MULHERES

Prefeita Ana Maria (sentada) ladeada de mulheres com posição de mando em Camocim.
Prefeita Ana Maria Veras (ao centro de saia amarela)e funcionárias da PMC.
Falar da importância das mulheres na históra de Camocim é necessário uma investigação acadêmica. Com efeito,  até monografia na UVA já abordou o assunto. No entanto, houve um período durante os anos 1980 que elas ascenderam de forma decisiva nos principais postos de comando da cidade. Desde a adminisstração municipal, passando por órgãos do Estado e da União, além da iniciativa privada, elas pontificaram num tempo em que a abertura política no país trazia novos tempos, pensamentos e comportamentos. Portanto, antes dos grandes debates que permitiram às mulheres uma maior participação na vida política do país e da luta pelos direitos enfim consignados na Constituição de 1988, eis que Camocim já era manchete (sem trocadilho) na extinta Revista Manchete (1987) em alentada reportagem que destacava essa presença feminina. Camocim era, portanto, "A Cidade das Mulheres", capitaneada pela então Prefeita Ana Maria Veras (então pertencente à facção política "Fundo Mole), num tempo que a possibilidade de termos uma presidente mulher no Brasil era quase utopia. Não somente seu staff de colaboradoras na administração municipal na figura de secretárias, diretoras de escolas e outros cargos foram mostrados, mas, também diretoras de ógãos como o INPS, COELCE, SESI, Delegacia do Trabalho, Promotoria, evidenciando a supremacia feminina no comando dos principais postos da cidade. Algumas dessas mulheres não estão mais entre nós, mas suas marcas estão na nossa memória. Em postagens posteriores, pretendemos enfocar mais detidamente o trabalho e trechos dessa histórica reportagem, onde mulheres das mais variadas origens escreveram um pouco da nossa história.

Fonte: Revista Manchete (1987)

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

CANGARÓ - (CANGATI E CORÓ - OS PEIXES DE GRANJA E CAMOCIM)

Conforme prometido, transcrevo a poesia "Cangaró", de minha autoria, classificada em 2º lugar numa das edições do "Festival de Música e Poesia de Granja", se não me falha a memória, no ínicio da década de 1990. A inspiração veio por conta da minha convivência com amigos granjenses no Colégio Agrícola Guilherme Gouveia, onde a rivalidade entre Camocim e Granja se acirrava nas aulas e terminava com as gozações de parte a parte, nos chamando de "cangati" e "coró", cada qual puxando a brasa para o seu peixe. Leiamos:





CANGARÓ
No mundo da cultura
erudita ou popular
elementos se incorporam numa interessante relação
com lugares, tipos e povos,
seja cidade ou nação.

Daí ser atribuída:
a pontualidade aos ingleses,
o trabalho ao Japão,
o bom vinho aos franceses,
a cerveja ao alemão.
O "jeitinho é brasileiro,
o "bom garfo", italiano,
o silêncio é mineiro,
o frevo pernambucano.
Carimbó, ritmo do Pará,
mulher rendeira, jangadeiro,
típicos do Ceará.

Poderia lembrar Granja
como "Terra das Macabas". Macaboqueira,
terra da carnáuba, de fama mundial.
Poderia lembrar Camocim
como cidade hospitaleira,
paraíso litoral.
Porém minha intenção
é resgatar a importância
de dois saborosos teleósteos,
os peixes que nos dão tanta sustância,
conhecidos por aqui
como coró e cangati.

Já dizia minha tataravó:
-Quem visita Camocim duas coisas não esquece.
Uma é a chupada no olho do coró.
A outra é a brisa que sopra quando anoitece.
Granjense que se preza
não deixa botar canga em si,
nem tampouco menospreza
uma pratada de cangati.

Água doce, água salgada,
em rios do mesmo nome.
Os pescadores de isca armada
fisgam o "pão" que mata a fome
do nativo e do estranja.
E na cultura tupiniquim,
cangati representa Granja,
coró identifica Camocim.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

LIVRO "CIDADE VERMELHA" AGORA EM "E-BOOK".

Lançado em 2007 em formato de livro pela Universidade Federal do Ceará, a nossa dissertação de mestrado, intitulada "Cidade Vermelha - a militância comunista em Camocim-CE. 1920-1970", agora ganha uma nova versão em e-book (livro digital), hospedado no site da Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA. O e-book inaugura uma nova seção do Sistema de Bibliotecas da UVA, as "Publicações Digitais". Para acessar e fazer o dowload completo da obra é muito simples: basta visitar o site da UVA: www.uvanet.br e no lado esquerdo clicar em "Sistema de Bibliotecas", que direcionará a busca para a página seguinte, onde deve-se clicar em "Publicações Digitais". Automaticamente aparecerá a capa do e-book (foto ao lado), que nesta nova versão foi elaborada pelo aluno do PET/História UVA Luis Carlos Souza Lima. Gostaria de agradecer a Assessoria de Comunicação da UVA na pessoa do jornalista Fábio de Melo e da equipe do NTI que possibilitaram  a execução deste projeto.

OS PEIXES DE CAMOCIM

Camocim terra do peixe! Dentre as características de nossa terra lá fora, a associação com o pescado e frutos do mar é natural. Sempre que voltamos à Camocim nosso desejo, quase instinto é comer peixe, degustar um caranguejo, comprar alguns quilos e encher o isopor para ter na comida uma lembrança da terrinha. Ultimamente essa prática anda bastante maltratada. As condições de compra e venda do peixe na "latada" armada junto ao Mercado Público é ultrajante e higienicamente incorreta. O jeito é recorrer à história e aos bons tempos em que isso não era problema e a fartura do nosso Rio da Cruz era mais pródiga. A matéria abaixo nos deixa com água na boca, como relata o Camocim Jornal, ano III, Nº 75 de 06 de janeito de 1924:

"Peixe entrado no mercado d'essa colônia no período de  18 de novembro a 18 de dezembro de 1923:

Camurupim                                Kilos                     732
Cavalla                                          "                       29
Curvina                                         "                      144
Bagres                                          "                   1.708
Mero                                            "                        58
Pescada cobra                              "                     1.906
Pescada amarela                           "                    2.268
Coró amarelo                               "                         66
Curuca                                         "                        60
Cação                                          "                      120
Serra                                            "                       10
Arraia                                          "                        09
Peixe-pedra                                 "                         39
Carapeba                                    "                         96
Charéo                                        "                         21
Barbudo                                      "                         37
Beijú Pirá                                    "                         17
Parum                                         "                       177
Camurim                                     "                           9
Biquara                                       "                        105
Tainha                                         "                       384
                                                                         ______
Total                                                                 7.995         

Como se pode observar, naquele mês e ano era tempo de pescada amarela., dentre as quase 8 toneladas de pescado posta à venda. Salta aos olhos (e a boca) a variedade nas espécies de peixe, muitas quase extintas das águas do nosso rio, como o bom e velho Coró, nome pelo qual os granjenses nos chamavam pejorativamente (ou carinhosamente); assim como nós os apelidávamos de Cangati. Mas, essa antiga rivalidade transformei em poesia de nome "Cangaró" que publicarei em outro momento.

P.S: Termino a postagem e vou jantar Serra e Tainha, trazida da minha última estada em Camocim.

Foto: tainhanarede.blogspot.com
                                         

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O MOVIMENTO SINDICAL EM CAMOCIM

Em agosto de 1945, as entidades representativas do trabalhismo no Ceará resolvem promover o 1º Congresso Sindical Trabalhista do Ceará. Como sabemos, o país vivia numa ebulição tremenda face aos acontecimentos a nível nacional e internacional. Com a derrubada da Ditadura Vargas e o ventos democratizantes vindo com a queda do nazifascismo pela Segunda Guerra Mundial, inaugurou-se no Brasil um período que a historiografia consagrou como REDEMOCRATIZAÇÃO. No manifesto do referido congresso lemos:

"O momento foi, sem dúvida, dos mais oportunos. A par das profundas mofificações socio-politico-economicas impostas ao mundo para a preservação da paz, nossa terra, particularmente e em muito boa hora, já envereda pelo seguro caminho da Democracia. Breve teremos representantes e dirigntes à testa dos nossos destinos. Nossos problemas, agitados e revolvidos, trarão á tona e ao exame de uns e outros, o que a respeito deles julgam as fprças trabalhadoras da nação, após um trabalho de crítica sereno e desapaixonado".

Corroboando um passado de lutas, os trabalhadores e a classe patronal de Camocim estiveram representados neste congresso que, entre outras temas, orientou a discussão para:
1) Melhoria do nível economico do trabalhador.
2) Reorganização dos serviços de assistencia á saúde dos trabalhadores.
3) Elevação do nível social das classes trabalhadoras.
4) Justiça do Trabalho.
5) Reivindicações profissionais.
6) Problemas de interesse local. 

Nas treze páginas do manifesto estes pontos são discutidos neste tom e propondo soluções, trazendo inclusive pontos especíicos, como as reivindicações dos ferroviários de Camocim, tidos como desamparados pelas autoridades competentes, recomendando:

a) Garantia de seguro contra os riscos de acidente de trabalho e maior rapidez no processo de liquidação das indenizações;
b) Instituição do reimem de oioto horas de trabalho para oos os que viajam nos trens;
c) Regularização dos pagamentos dos operarios que, sem explicação alguma, estão sendo efetuadas após o dia 20 de cada mês;
d) Aposentadoria, com toos os vencimentos, após trinta anos de serviços.

Ao final do documento, segue-e a lista completa das entidades presentes ao evento, dentre elas as representantes camocinenses, confirmando a tradição que o município já teve no cenário cearense no que diz respeito às lutas dos trabalhadores para conseguirem melhores conições de vida e trabalho:

SOCIEDADE BENEFICENTE DOS FERROVIÁRIOS DE CAMOCIM
ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE CAMOCIM
SINDICATO DOS CARREGADORES DO PORTO DE CAMOCIM
SINDICATO MARÍTIMO DOS ESTIVADORES DO PORTO DE CAMOCIM
SINDICATO DOS TRAB. NAS IND. DE CONSTR. CIVIS DE CAMOCIM.
Fonte: Manifesto do 1º Congresso Sindical Trabalhista do Ceará. Cópia xérox datilogradfa, gentilmente cedida ao autor pelo Prof. Benedito Genésio Ferreira.

Foto: "Operários", de Tarsila do Amaral. Disponível em:  blog.brenosiviero.com.br


terça-feira, 15 de novembro de 2011

JOAO BAPTISTA GIZZI E A ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE CAMOCIM

O italiano JOAO BAPTISTA GIZZI fez história em Camocim e tal assunto já foi abordado neste espaço. Um dos mentores da fundação da Loja Maçônica em Camocim, "Seu Giz", como ficou conhecido na cidade, participou também da fundação de outra instituição quase secular e ativa ainda hoje: A Associação Comercial de Camocim. Contudo, o destino colheu de forma cruel o empreendimento industrial de Seu Giz na cidade, uma fabrica de sabão que veio a incendiar no início dos anos 1930. O processo do incêndio da fábrica que ficava na Praça Pinto Matins (atual Farmácia São Paulo e adjcências) encontra-se no Arquivo Público do Estado do Ceará, onde pude ler o sinistro. Quase inteiramente falido, Seu Giz resolve se mudar para Fortaleza, onde veio a morrer em 14 de julho de 1933. (QUEIRÓS, Artur. Recordações camocinenses e outras memórias. 2ª edição. Fortaleza: RBS Gráfica, 2003, p.15-6).  
Antes, porém, passando por dificuldades financeiras, o imigrante italiano recorre aos seus antigos amigos da Associação Comercial de Camocim por carta, lida em 18 de abril de 1932: 
  "Do Snr. João Baptista Gizzi, ex-consórcio e diretor desta Associação uma carta solicitando um auxílio monetário, sendo votado pela mesa de se mandar para o mesmo Snr, a importância de R$ 200$000, duzentos mil réis, sendo cuja transferência feita por intermédio dos Snrs, Albuquerque & Cia" (Livro de Atas da Associação Comercial de Camocim, p.79).
Não se tem a certeza pela leitura das atas se tal depósito foi confirmado. Além do que em data posterior se verifica um outro pedido da esposa de "Seu Giz". Acreditando-se que a ajuda de 1932 foi dada, o certo é que o moribundo italiano veio a falecer, como já se disse em 1933, no anonimato. A Loja Maçônica Deus e Camocim tem instituída em sua homenagem uma medalha com seu nome.


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A EDUCAÇÃO EM CAMOCIM - O COLLEGIO 5 DE JULHO.


Em postagem anterior enfocamos a existência das Escolas Reunidas em Camocim. Hoje, apresentaremos o Collegio 5 de Julho, fundado pelo jornalista Francisco Theodoro, um dos fundadores do Partido Comunista em Camocim. A escola teve vida efêmera, principalmente por causa dos  problemas de perseguição política que o fundador sofreu na cidade e no país. Vejamos:




Collegio 5 de Julho 

Até o fim deste mez se acha aberta a matricula deste collegio.
Materias: Leitura, Arithmetica, Portuguez, Geographia, Historia do Brasil, Historia Natural, Escripta e Francez.
Lecionamento pelos methodos mais modernos.
AULAS NOCTURNAS: Dentro de seis mezes este collegio habilita rapazes em correspondência inclusive commercial, quatro operações de conta, alguns problemas mais necessarios e leitura.
Aulas diurnas das 8 ás 11.
Aulas nocturnas das 6 ás 9. 
 
(Fonte: Jornal “O Operário”, Anno IV, 18 de janeiro de 1931, Nº. 75. Camocim-CE, p. 2).


Com este anúncio publicado em seu próprio jornal, o Professor Francisco Theodoro oferecia seus serviços à comunidade camocinense, quando o Brasil vivia o clima da Revolução de 1930, num momento em que o sistema educacional ensaiava adaptar-se ao sistema político, fundamentado nos princípios nacionalistas de caráter ufanista, assim como no culto à imagem de Vargas e na censura posterior do Departamento de Imprensa e Propaganda - DIP.
Desde o final da década de 1920 que o Professor Theodoro procurava desenvolver suas atividades políticas com a profissão de professor. Sendo também jornalista, buscava através do jornal “O Operário”, incentivar uma participação política da classe trabalhadora de Camocim nos domínios da política, estimulando até, uma representação trabalhista na Câmara Municipal e denunciando conchavos e escândalos da política local.
Podemos perceber aí, a impossibilidade da prática política de Francisco Theodoro com sua atividade profissional que lhe permitia sustentar sua família. Sabidamente comunista, pois desde março de 1928, fundara, juntamente com outros camaradas o Comitê Municipal do PCB, (dentre outros, Pedro Teixeira de Oliveira (Pedro Rufino), João Farias Sobrinho( Caboclinho Farias) , Raimundo Ferreira de Sousa (Raimundo Vermelho), Sotero Lopes, Joaquim Manso, Petrônio Pessoa dos Santos), Francisco Theodoro iria experimentar toda sorte de perseguições por sua opção política. No ano de 1931 ele denunciaria o boicote que a sociedade local faria contra seu jornal e sua escola. Eram dois espaços entendidos como um só, isto é, a sociedade não entendia a diferença entre a ação do político junto ao operariado e o professor que pretendia “habilitar rapazes em correspondência inclusive commercial, quatro operações de conta, alguns problemas mais necessarios e leitura”.

Foto: Capa do livro editado pelo Arquivo Público do Rio de Janeiro, cujo conteúdo é o diário do Professor Francisco Theodoro escrito na prisão em 1932, onde narra o cotidiano da prisão e as perseguições sofridas em Camocim. Disponível em: www.faperj.br

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O CONTRABANDO EM CAMOCIM - PARTE 3

Nas postagens anteriores nos referimos à constituição de uma CPI contra o Contrabando do Café e Cera de Carnaúba no Ceará em 1959, assim como o pedido de prisão do contrabandista "Milton Cachorrinho" em 1964. Leitor do blog pede que fôssemos mais fundo na questão e procurasse mostrar o envolvimento de políticos com a prática ilícita do contrabando. Ele queria nomes, mas, a prudência me faz pautar pelo que disponho de prova factual, no caso a imprensa, que, por seus motivos não faz alusão aos nomes dos envolvidos, apenas supondo, visto que o caso estava em investigação na esfera policial. Na postagem de hoje, o ano é 1963 e refere-se a uma pequena apreensão de caixas de uísque escocês na Praia de Mundaú, litoral oeste.
 Contudo, a matéria sugere outras nuances do caso, como a denúncia do jornalista Roberto Antunes que diz que o contrabando "envolve o Legislativo e elementos da própria Polícia, que estariam compactuando com os contrabandistas". O Governador da época Virgílio Távora pede rigor na apuração da denúncia do jornalista e a Assembleia Legislativa  cria uma comissão de deputados para  se dirigir a Camocim, Chaval, Granja e Acaraú "para fazer investigações sobre a participação dos deputados" A matéria traz ainda a posição do Capitão dos Portos do Ceará, que cobra uma maior participação da Capitania local no combate ao tráfico de mercadorias. A matéria acima fecha de forma lacônica: "Vai o café, volta a jóia, o uísque, a sandália japonesa, o perfume, os tecidos finos, aparelhos domésticos e até automóveis - em saquinhos com a rubrica do IBC (Cofee of Brazil)". Na próxima postagem traremos a repercussão do contraando em textos literários de renomados autores do Brasil.

Fonte: Jornal "O Povo". Fortaleza-CE. 25 de julho de 1963, p.2. Biblioteca Pública Menezes Pimentel.

sábado, 5 de novembro de 2011

UM BENEDITINO CAMOCINENSE NA 1ª GUERRA MUNDIAL

O blog hoje traz uma pequena biografia de mais um camocinense que "ganhou" o mundo. Essa postagem é no sentido de mostrar para a juventude camocinense, tão carente de exemplos, uma trajetória de um conterrâneo do passado. Confira:

Leandro (Caio) Menescal Marques de Sousa foi religioso, educador, capelão da Esquadra brasileira na primeira guerra mundial, reitor do Mosteiro de São Bento (Rio de Janeiro).Leandro Menescal Marques de Sousa - Benedictino—Nasceu em Camocim a 21 de Maio de 1888, sendo seus paes o Engenheiro Francisco Marques de Souza, Fluminense, e D.a Anna Petronilla Menescal M. de Souza, Cearense, da villa da Palma. Caio foi seu nome de baptismo. Alumno dos Padres Benedictinos do Quixadá, seguiu para Roma, onde fez os estudos ecclesiasticos, e ordenou-se no Rio de Janeiro a 16 de Agosto de 1912. Cantou sua 1.a missa na festividade de S. Joaquim (18 de agosto) com as assistência pontifical do Archi-Abbade Dom Geraldo van Caloen. 

Foto: Mosteiro de São Bento: Rio de Janeiro. Disponível em: flickr.com 

terça-feira, 1 de novembro de 2011

O CONTRABANDO EM CAMOCIM - PARTE 2

Seis anos depois de instalada a CPI do Contrabando do Café e da Cera de Carnaúba na Câmara dos Deputados, a imprensa cearense  ainda noticiava ações da polícia em prender contabandistas envolvidos com as "muambas em vários locais, inclusive no Ceará, no município de Camocim" (Jornal O Povo, 20 e 21 de junho de 1964, p.2). O major Egmont Bastos Gonçalves que presidia o inquérito no Ceará, revelava naquela oportunidade que havia solicitado a prisão do contrabandista "Milton Cachorrinho" que estaria homiziado no Sul do país. Na mesma nota (foto ao lado), o major informa também que a "Comissão já ouviu o espanhol Luis Morallez também implicado e prepara-se para fazer o mesmo com o sr. Zacarias Neves, tido como o 'rei do contrabando' no Pará". Como podemos observar os nomes que aparecem nesta fonte não envolve m políticos e suas redes de proteção. Vale salientar que, neste mesmo número do jornal cearense o jornalista Tarcisio Holanda , conscientemente ou não, aponta para uma prática  que se inaugurava  no contexto pós-golpe onde os grupos políticos vencedores do Golpe Civil-Militar de 1964 usariam pra perseguir seus adversários - a acusação de serem contrabandistas. Foi o caso da cassação do mandato de Deputado Federal do Padre José Palhano de Sabóia, cujo processo em sua formulação teve a decisiva participação do General Flamarion Barreto e do Coronel Luciano Barreto, ambos irmãos do então Prefeito de Sobral, Cesário Barreto, inimigos políticos do afilhado de Dom José Tupimambá da Frota.Vale ressaltar que em muitas ocasiões, acusadores e acusados estavam envolvidos na prática ilícita do contrabando, se sobressaindo a força política na cassação de mandatos parlamentares. Voltaremos a falar do assunto em postagens posteriores.