O Blog:

Amigos e conterrâneos camocinenses, a gente só dar o que tem. Quando pensamos editar um blog, este foi o pensamento: doar todo nosso esforço na construção de uma ferramenta como esta para a divulgação pura e simples da nossa história. Contudo, essa é uma oportunidade de todos participarem desta empreitada, seja comentando, sugerindo, corrigindo e, efetivamente, participando dessa grande viagem que a História nos proporciona. Que nosso "POTE" nunca encha e sacie a todos!!!

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

SC 24 - CAMOCIM COMO INSPIRAÇÃO POÉTICA

No tempo em que poetava cometi estes versos sobre Camocim. Hoje, pela passagem dos 132 anos de emancipação política, ofereço-os a todos os camocinenses no mundo inteiro:

 



Camocim,
Claro céu cristal,
Coqueiros cacheados,
Cajueiros copados.

Camocim,
Cor carmim,
Caranguejos cobiçados,
Camarões corados.

Clima cálido,
Carnaval cativa calor,
Charme, chama ,cantiga,
Cintilante cor.

Camocinenses,
Cidadãos corretos,
Cidade coração,
Consagrado chão.

Camocim,
Curumim crescido.
Camocim,
Caboclo cafuzo.
Camocim,
Corós carnudos.
Camocim-Ceará..

Num tempo que tinha festivais na cidade, Raimundo Arnaldo (Naldinho) musicou esta letra e o povo cantou a plenos pulmões...

Foto: Tadeu Nogueira. Blog: camocimonline

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

SC 23 - O CENTENÁRIO DO MUNICIPIO DE CAMOCIM

Na data que marca o aniversário da emancipação política do município de Camocim, reproduzinmos o que o Monsenhor Inácio Nogueira Magalhães anotou no Terceiro Livro de Tombo da Paróquia de Bom Jesus dos Navegantes !962-1989 (p. 38), com destaque para a presença do Cardeal Dom Aluíso Lorscheider nas comemorações do Centenário de Camocim: 

MONSENHOR iNÁCIO INAUGURANDO A ANTIGA AGÊNCIA DO BANCO DO ESTADO DO CEARÁ - BEC.
"No dia 29 de Setembro de 1979 Camocim em peso celebrou com muito fausto e solenidade o centenário da creação do seu município. Para dar maior brilho e esplendor aos festejos comemorativos do Centenário, o Prefeito local Edilson Veras Coêlho teve a honra de convidar a Dom Aluísio Lorscheider que muito prontamente aceitou o convite. (...) veio Dom Aluísio, acompanhado pelo Sr. Bispo Diocesano, Dom Timóteo, o Sr. Prefeito e Vigário para a Igreja Matriz, onde se realisou uma imponente sessão, que tinha por objetivo dar manifestações de boas vindas a Dom Aluísio, o primeiro cardeal que aportou a esta cidade. Nessa ocaisão usaram da palavra o Sr. Edilson em nome do município, o Sr Valmir Rocha, que representou a Paróquia de Camocim. Dom Aluísio agradeceu com profunda emoção as homenagens a ele oferecidas. Às 7 horas da noite todos os festejos atingiram o seu ponto culminante, ao lado do nascente da Prefeitura, que fica na Praça da Matriz, o Sr. Cardeal celebrou  o Santo Sacrifício da Missa sendo concelebrantes, Dom Timóteo Cordeiro e o Vigário Mons. Inácio Nogueira Magalhães. (...) Ás 8,30 a Irmã Pedrina, Diretora do Artesanato fez um convite para um lauto jantar... (...) No dia seguinte pela manhã mui cêdo, Dom Aluísio regressou à Fortaleza, deixando lembrança imorredoura pela sua presnça tão preciosa nesta cidade de Camocim.

FOTO: Camocimonline, com cessão do radialista Inácio Santos.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

SC - 22. UM LIVRO, UMA DATA: O CENTENÁRIO DE CAMOCIM


Durante muito tempo e ainda hoje, o Livro "Camocim Centenário" de Tobis de Melo Monteiro foi e ainda é uma referência para a história do Município de Camocim. O blog traz hoje uma resenha que fiz desse livro há algum tempo atrás para uma publicação conjunta com alunos do Curso de História da UVA, que breve será lançada.


Uma data centenária é sempre um momento de comemoração. Não foi diferente em Camocim-Ceará, situada no litoral oeste do estado. O mês de setembro do ano de 1979 foi marcado por muitas festas, inaugurações de obras, promessas de outras. A cidade foi cantada em prosa e verso. No íntimo, talvez o administrador da época procurasse a todo custo fazer com que os munícipes esquecessem a trágica partida do trem e, com ele a desativação do ramal ferroviário Camocim-Sobral, ocorrida há dois anos antes.
A nostalgia dos apitos matutinos e vespertinos do bólido de ferro, a sair e a chegar do seu itinerário secular, contudo, parecia estar presente na memória do povo que ainda vivia a expectativa de sua volta, sempre alimentada pelos políticos locais. Camocim, portanto, vivia a realidade da desativação não só da ferrovia, mas também do porto que dava intensos sinais de declínio. A conjugação desses espaços de trabalho, desde o final do século XIX, sustentava a economia local e de toda a região norte do Estado do Ceará e estados vizinhos.
Dentre os eventos do centenário, trago à luz para análise o livro Camocim Centenário. 1879-1979, do jornalista camocinense Tóbis de Melo Monteiro, que de certa forma, contextualiza esse baque sofrido no cotidiano da cidade – o esvaziamento econômico provocado pela desativação do porto e da ferrovia. Neste sentido, o autor além de lamentar essa conjuntura, indica várias ações propositivas para o soerguimento econômico do município. Conclama os comerciantes a serem mais agressivos em suas áreas de atuação, cita exemplos a serem seguidos, elenca as potencialidades industriais, visualiza futuro na exploração de minerais e petróleo para a revitalização do porto.
Tóbis Monteiro, jornalista e filho de jornalista, faz do seu trabalho apresentado no livro uma grande reportagem. E é neste aspecto que a obra escapa de uma linearidade que marca os livros de história dos municípios com essa pretensão. Embora conte com todos os elementos que caracterizam esse tipo de obra como as informações quanto aos primeiros habitantes, evolução toponômica, economia, história, emancipação política, filhos ilustres, aspectos culturais, dentre outros, o texto do autor acaba por diluir esse roteiro pelos vários capítulos, ou subitens que organizam o livro.
Do ponto de vista da estrutura da obra, como já dissemos, o autor procura se afastar de uma linha do tempo. Começa por dar uma visão panorâmica do ano de 1984 , trafega por aqueles lugares comuns que já assinalamos neste tipo de obra, dedica capítulo especial às festividades do centenário, escreve suas reminiscências desde o ano de 1919 a 1933, inclui traços biográficos de seu pai e de um irmão e fecha com uma ampla compilação do que saiu nos jornais sobre o voo heroico e pioneiro do piloto camocinense Pinto Martins entre Nova Iorque e Rio de Janeiro em 1922.
Vale salientar a valorização à poetas e artistas da terra feita pelo autor. Seu texto, sempre que possível é permeado por poesias e gravuras, como as das telas famosas do artista plástico Raimundo Cela, cujo resultado final como efeito visual fica prejudicado, posto que o livro foi publicado em papel jornal. Isto salta aos olhos para uma publicação que visava marcar o centenário da cidade. O jornalista parece não ter tido apoio oficial, visto que não há nenhuma menção dessa ajuda, nem logotipos oficiais.
Quanto ao posicionamento político do autor, o mesmo busca uma pretensa neutralidade, talvez forjada pela distância em que se encontra, escrevendo do Rio de Janeiro. Na apresentação da obra ele é enfático: “Não contém nenhuma crítica a quem quer que seja. Pelo contrário, traz uma mensagem de paz, confiança e otimismo” (p.7). A legitimação da obra, portanto, parece não carecer do aval dos políticos da época e nem autor parece buscar isso, o que seria bastante presumível numa obra que destacaria os feitos administrativos daquele ano.
Ao contrário, e sem citar nomes o autor respalda sua pesquisa por quatro “camocinenses de boa têmpera”:

Do funcionário público: bom. Onde você foi buscar tantas informações?
Do 1º advogado: o trabalho é muito interessante.
Do 2º advogado: Bom. É rico de informações. Você diz coisas que eu não sabia.
Do bancário: É justamente o livro que estava faltando em Camocim. (p.7)

Portanto, a data centenária estava contemplada com seu competente registro, registro este que perdurou e ainda perdura como uma obra a suprir as mesmices das pesquisas escolares quando todo setembro chega. Talvez nisso ainda resida sua importância como uma obra histórica, mas, por outro lado também tem a capacidade de inspirar outras pesquisas que, felizmente vem dando outros frutos, mesmo que lentamente, seja na produção de memorialistas ou de historiadores formados pelo Curso de História da UVA.

sábado, 24 de setembro de 2011

SC 21 - OS NAVIOS COM O NOME DE CAMOCIM - PARTE 3

Finalizando a série, trazemos agora o Navio Hidrográfico CAMOCIM. Infelizmente todos os navios mostrados estão fora de operação e hoje são história nos arquivos da Marinha. Nossa missão, no entanto, foi mostrar a pujança do nome CAMOCIM outrora reconhecido por aquela Força Armada do Brasil.


AvHi Camocim - H 16/DHN 03
Classe Paraibano


D a t a s

Batimento de Quilha: ?
Lançamento: ?
Incorporação: 22 de setembro de 1972
Baixa: 8 de abril de 1991


C a r a c t e r í s t i c a s

Deslocamento: 32 ton (padrão), 50 ton (carregado).
Dimensões: 16 m de comprimento, 4.6 m de boca e 1.3 m de calado.
Propulsão: 2 motores diesel GM 6-71, gerando 330 bhp, acoplados a dois eixos com hélices de passo fixo.
Velocidade: 11 nós.
Raio de Ação: 600 milhas náuticas, a 11 nós.
Armamento: nenhum.
Sensores: 1 radar de navegação.
Código Internacional de Chamada: PWBC
Tripulação: 11 homens, sendo 2 oficiais e 9 praças.


H i s t ó r i c o

O Aviso Hidrográfico Camocim - H 16, é o terceiro navio a ostentar esse nome na Marinha do Brasil, em homenagem ao rio e a cidade homônimos do Ceará e o quinto de uma serie de seis unidades da mesma classe. Foi construído no estaleiro Bormann, no Rio de Janeiro e foi incorporado à Armada em 22 de setembro de 1972.

É sediado no Rio de Janeiro, tendo a seu cargo a atualização da batimetria de carta desde a Barra do Rio de Janeiro até os recantos da Baixada Fluminense.

1974

Em setembro, esteve em Santos-SP.

1979

Em 13 de dezembro, participou da Parada Naval em comemoração ao Dia do Marinheiro, que contou com a presença do Exmo. Sr. Presidente da Republica João Baptista de Oliveira Figueiredo, acompanhado pelo Ministro da Marinha AE Maximiano Eduardo da Silva Fonseca e demais autoridades embarcados na F Liberal - F 43.

1981

Em 26 de julho, iniciou o levantamento hidrográfico nas proximidades da Ilha de Itacuruça, conduzindo nessa comissão alunos do Curso de Aperfeiçoamento de Hidrografia para Oficiais - CAHO.

1985

Realizou os primeiros testes do Equipamento de Posicionamento e batimetria de fabricação nacional, o GEOCOMP e o ECO COESTER.

1991

Em 8 de abril, seu baixa do Serviço Ativo da Armada, sendo submetido a Mostra de Desarmamento, em cumprimento a Portaria Ministerial n.º 0634 de 14/09/90, em cerimônia conjunta com o AvPqOc Suboficial Oliveira - H 23, presidida pelo Diretor da DHN, VA Luiz Philippe da Costa Fernandes, realizada às 16:00hs, no molhe da Ilha Fiscal. Até a sua baixa, havia atingido as marcas de 949 dias de mar e 57.468 milhas navegadas.

Mesmo depois de dar baixa do Serviço Ativo, continuou prestando serviços a Marinha, na área do 1º Distrito Naval sob a subordinação direta da DHN e recebeu um novo indicativo - DHN 03.


SC 2 0 - OS NAVIOS COM O NOME DE CAMOCIM - PARTE 2

FOTO: SDM. Coleção Edson Lucas
Continuando com a série, trazemos mais um navio com o nome de nossa cidade. O primeiro foi como vimos, uma canhoneira. O segundo também, dentro do que  Marinha convenionou chamar de "Navios Mineiros". Vejamos a descrição completa abaixo: 


1822             -                NAVIOS DE GUERRA BRASILEIROS            -               Hoje

NM/Cv Camocim - C 3
Classe Carioca



D a t a s

Batimento de Quilha: 11 de dezembro de 1937
Lançamento: 28 de outubro de 1939
Incorporação: 7 de junho de 1940
Baixa: ?

C a r a c t e r í s t i c a s

Deslocamento: 550 ton (padrão).
Dimensões: 57 m de comprimento, 7.80 m de boca e 2.50 m de calado.
Propulsão: 2 caldeiras e 2 maquinas alternativas gerando 1.300 hp.
Combustível: 85 toneladas.
Eletricidade: ?
Velocidade: máxima de 15 nós.
Raio de Ação: 2.500 milhas náuticas.
Armamento: 1 canhão de 4 pol. (102 mm/28), 2 metralhadoras Oerlikon Mk 10 de 20 mm/70 em reparos singelos, 44 minas.
Sensores: ?
Código Internacional de Chamada: ?
Tripulação: 70 homens, sendo 5 oficiais e 65 praças.


H i s t ó r i c o

O Navio Mineiro Camocim - C 3, foi o segundo navio a ostentar esse nome na Marinha do Brasil, em homenagem ao rio e a cidade homônimos do Ceará. Foi construída no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro. Teve sua quilha batida em 11 de dezembro de 1937, foi lançada ao mar em 28 de outubro de 1939 e foi incorporada em 7 de junho de 1940. Naquela ocasião, assumiu o comando, o Capitão-de-Corveta Américo Jacques Mascarenhas da Silveira.

1940

Foi incorporada a Flotilha de Navios Mineiros com sede na Ilha de Mocanguê Grande, comandada pelo então Contra-Almirante Gustavo Goulart.


1949

Em 13 de dezembro, de 1949, foi desincorporado, retornado a atividade como corveta pelo Aviso n.º 2447.

 R e l a ç ã o    d e    C o m a n d a n t e s

Comandante
Período
CC Américo Jacques Mascarenhas da Silveira
07/06/1940 a __/__/194_
CC Henrique Alberto Carlos Júnior
__/__/194_ a __/__/194_
CC Oswaldo de Alvarenga Gáudio
__/__/194_ a __/__/194_
CC Augusto Hamann Rademaker Grünewald
__/__/194_ a __/__/194_
CC Osmar Almeida de A. Rodrigues
__/01/194_ a __/__/194_
1º Ten. Armando Moraes e Mello Filho
__/__/195_ a __/__/195_


B i b l i o g r a f i a

- Mendonça, Mário F. e Vasconcelos, Alberto. Repositório de Nomes dos Navios da Esquadra Brasileira. 3ª edição. Rio de Janeiro. SDGM. 1959. p.61-62.

- Almte.Saldanha da Gama, Artur Oscar. A Marinha do Brasil na Segunda Guerra
Mundial
. Rio de Janeiro, ed. Capemi.

- Mendonça, José R. A Marinha Brasileira de 1940-2000. Rio de Janeiro. José Ribeiro de Mendonça, 2001.






sexta-feira, 23 de setembro de 2011

SC 19 - OS NAVIOS COM O NOME DE CAMOCIM

FOTO: SDM
Cidade importante do litoral brasileiro, Camocim já foi lembrada para batizar navios da MARINHA DO BRASIL, conforme nos manda o marinheiro leitor do blog, meu irmão Luís Carlos Pereira dos Santos. São os leitores colaborando conosco na missão de mostrar o que Camocim "tem" e o que "já teve":


1822             -                NAVIOS DE GUERRA BRASILEIROS            -               Hoje
Canhoneira Camocim
Classe Carioca

D a t a s

Batimento de Quilha: ?
Lançamento: 31 de julho de 1886
Incorporação: 3 de agosto de 1886
Baixa: 26 de novembro de 1906

C a r a c t e r í s t i c a s

Deslocamento: 210 ton.
Dimensões: 37.30 m de comprimento, 7.62 m de boca, 2.11 m de pontal e 1.24 m de calado.
Blindagem: ?
Propulsão: mista vela e vapor, armada em Escuna e 2 máquinas a vapor, gerando 200 hp, acoplada a dois eixos.
Velocidade: 9 nós.
Raio de ação: ?
Armamento: 2 canhões Nordenfeldt de 37 mm e 4 metralhadoras de 25 mm.
Tripulação: ?


H i s t ó r i c o

A Canhoneira Camocim, foi o primeiro navio a ostentar esse nome na Marinha do Brasil, em homenagem a cidade e ao rio homonimos localizados no Ceará. Foi construída no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, sendo lançada ao mar em 31 de julho de 1886. Foi submetida a Mostra de Armamento e incorporada em 3 de agosto de 1886.

1886

Logo depois de ser incorporada foi mandada para o Rio Grande do Sul, onde a partir de 1887 passou a ser capitânia da Flotinha da Provincia.

1887

Em 13 de outubro, foi autorizada a obra de que carecia o farol de Itapuan, na Lagoa dos Patos, ficando a mesma a cargo da Comissão de Engenharia Militar da Provincia do Rio Grande do Sul, à qual a Marinha pôs a disposição a Camocim.

1892-94

Fez parte da Flotilha do Rio Grande do Sul.

1894

Em 7 e 10 de abril, durante a Revolta da Armada opos-se junto com a Canhoneira Cananéia aos navios do Almirante Custódio de Mello que tentavam forçar a Barra de Rio Grande.

1906

Em 26 de novembro, deu baixa do serviço ativo pelo Aviso n.º 1853-D.


R e l a ç ã o    d e    C o m a n d a n t e s

Não disponível no momento

B i b l i o g r a f i a

- Mendonça, Mário F. e Vasconcelos, Alberto. Repositório de Nomes dos Navios da Esquadra Brasileira. 3ª edição. Rio de Janeiro. SDGM. 1959. p.61-62.

- Dantas, Ney. A História da Sinalização Náutica Brasileira e breves memórias, Rio de Janeiro. Ed. FEMAR, 2000.


quinta-feira, 22 de setembro de 2011

SC 18 - OS INDIOS DE CAMOCIM


Os primeiros registros da região do Camocim, seja na análise dos historiadores ou na documentação administrativa quase sempre estão ligados à presença de indígenas e as tentativas de estabelecimentos de colonos e os respectivos confrontos. Por outro lado, a presença de estrangeiros na exploração dos recursos naturais e sua relação com os nativos é outro aspecto a ser ressaltado. É essa presença estrangeira, inclusive, que forçaria que a atenção dos colonizadores se voltasse para a região.
Portanto, é a partir da segunda metade do século XVII que a região de Camocim passa a ter alguma visibilidade, seja como lugar de descanso de reabastecimento de tropas rumo à Ibiapaba, de expedições exploratórias holandesas,  ou de realocamento de grupos indígenas fugidos de outras refregas na capitania.
Neste sentido, dentro do contexto da Guerra da Restauração que tinha como objetivo expulsar os holandeses da Capitania de Pernambuco, a região aparece na crônica da guerra, como assinala o historiador Ronaldo Vainfas:
Outro chefe notável do chamado “partido holandês”, entre os potiguaras, foi Antônio Paraopaba, guerreiro afamado, responsável por várias vitórias holandesas na fase do domínio holandês contra os restauradores de 1645. Foi um dos chefes dos massacres perpetrados pelos holandeses em Cunhaú e Uruaçu, no Rio Grande, em 1645, respectivamente em julho e outubro, e comandante da retirada dos índios para a Serra da Ibiapaba, no Ceará, depois da derrota holandesa de 1654. 1

Sobre a estratégia dos holandeses de se aliarem aos índios para lutarem contra os portugueses, os mesmos os também usaram deste expediente na luta contras os franceses, na conquista da Capitania do Ceará. José Cordeiro, em  Os Índios no Siará. Massacre e resistência. Fortaleza, ed., 1989, assinala alguns nomes de maiorais indígenas da região:

Amaniú (Algodão) – Cacique potiguara. Ofereceu e deu ajuda aos holandeses, auxiliando-os com duzentos índios na tomada do forte do Ceará. Em 1637 André Vidal de Negreiros recebeu ordens do Reino para afugentá-lo. O cacique deixou sua aldeia às margens do Rio Ceará e foi se estabelecer no Camocim. Deram-lhe o nome de Domingos Ticuna. Ainda em 1656 o Rei recomendava a Vidal de Negreiros nova ação contra este maioral”.
(p.205)
Cobra Azul – Índio tabajara, do Ceará. Era filho de Amaniú. Rebelou-se contra o padre Luís Figueira e acabou migrando para o Maranhão. (Século XVII).
(p.208)
Tatupeba (Tatu Chato) – Cacique de Camocim, Ceará.

1 VAINFAS, Ronaldo. Traição.  
Foto: diariodonordeste.globo.com


terça-feira, 20 de setembro de 2011

SC 17 - O HOSPITAL MATERNIDADE DE CAMOCIM

Foto: camocimonline.com
Atualmente enfrentamos no país a precariedade da saúde pública. O documento transcrito abaixo, contudo, mostra, na visão de quem o escreve, a satisfação de uma necessidade básica que até então a cidade não tinha - um hospital. A descrição nos informa muito sobre o mundo da política e dos costumes da cidade, além, da evidente satisfação que o redator, Monsenhor Inácio Magalhães transpôs para o papel. Acompanhemos:


Inauguração da Maternidade Hospital de Camocim.
No dia 30 de julho de 1958, constituio espetáculo de fé e civismo a inauguração da Maternidade Hospital desta cidade, construído pelo Governo Federal, garças a iniciativa e os esforços do Prefeito local, Sr. Murilo Aguiar.
Foi convidado para presidir a cerimônia de inauguração o Sr. Parsifal Barroso, candidato ao Governo do Estado. A sua presença emprestou às festas desse dia brilho invulgar. Foi elaborado pela Sociedade Mantenedora da Maternidade-Hospital um belo programa que foi integralmente executado.
Viajando por avião da Real, as 7 horas d manhã chegou a esta cidade o Sr. Parsifal Barroso seguido de uma luzida comitiva, composta dos Srs. Wilson Gonçalves, candidato a Vice-Governador, os deputados federaes, Francisco Menezes Pimentel, José Martins Rodrigues e Carlos Jereissati. Do campo de pouso um imenso cortejo com as mais calorosas ovações acompanhou ao Sr. Parsifal até a casa do Sr. Murilo Aguiar, onde foi ofertado um ligeiro lanche aos ilustres recém-chegados, em seguida o Sr. Parsifal e comitiva se dirigiu para a Igreja Matriz onde foi celebrada uma missa em ação de graças pelo Revmo. Pe. Fulton, contando com a assistência de um numero consolador de fieis e sendo solenisada pelo côro do Ginásio Imaculada Conceição.
Após a missa, o Sr. Parsifal seguiu para o Edifício da Maternidade onde ao chegar cortou na entrada a fita simbólica no meio das mais calorosas aclamações da multidão que ali se apinhava. Ato seguido, o Vigário acolitado procedeu digo por Monsenhor José Carneiro da Cunha procedeu a benção do Edifício. Finda a benção, efetuou-se uma solene sessão; usaram da palavra diversos oradores: Dr. José Vieira de Ibiapina que pronunciou um substancioso discurso sobre os inúmeros benefícios de uma maternidade numa localidade de população avultada, o Sr. José Barreto proferiu uma magistral peça oratória sobre o triunfo e regosijo do povo de Camocim na concretisação desta obra de tão grande relevância social. O Sr. Murilo Aguiar o maior benfeitor dessa obra de grande vulto entregou a Maternidade-Hospital ao povo de Camocim num gesto simbólico e com palavras repassadas de mais viva emoção; dissertaram ainda sobre o acontecimento do dia, enaltecendo os méritos do Sr. Murilo os oradores Sr. José Martins Rodrigues, o Sr. Nazareno, funcionário do Banco do Brasil, o Sr. Américo Barreira; por último com a palavra fluente e fácil do Sr. Parsifal Barroso, discorrendo sobre o grande melhoramento de que naquelle instante estava sendo beneficiada a população de Camocim, foi encerrada a sessão. Logo após a sessão, o Vigário concluiu os trabalhos de inauguração, benzendo as imagens ofertadas à Capela do Edifício.
Cumpre assinalar que exerceu papel preponderante nas cerimônias de inauguração o coro lítero-musical do Ginásio Imaculada Conceição, executando maviosas peças musicaes, bem como a banda de música local apresentando expressivos dobrados.
A Direção da Maternidade-Hospital ficou confiada às Irmãs Terceiras Capuchinhas sob a chefia do Dr. José Vieira Ibiapina. Foram as primeiras irmãs da Maternidade:
Irmã Mariana Maria de Belém.
Irmã Pascoalina Maria de Esperantina.
Irmã Giovana Maria de Joaseiro”. 1
1 I Livro de Tombo da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Navegantes. Camocim-CE. p. 178-180.



SC 16 - A LOJA MAÇONICA DEUS E CAMOCIM

 As primeiras décadas do século XX para Camocim foram  muito intensas no que diz respeito à fundação de clubes, associações, sindicatos, dentre outras entidades. Aqui neste espaço já ressaltamos algumas. Hoje, destacaremos a LOJA MAÇONICA DEUS E CAMOCIM – Uma das primeiras lojas maçônicas a serem fundadas no Ceará, no rito escocês, no interior a primeira. Teve como fundador um imigrante italiano chamado João Batista Gizzi, que se estabeleceu em Camocim no início do século XX. Foi fundada em 1920. Nos idos de 1948 funcionava na Praça 7 de Setembro, 280 e tinha como Venerável Horácio Pessoa.  Sobre seu fundador, é necessário uma pesquisa mais aprofundada, principalmente sua atuação no seio da Loja Maçônica e seus objetivos. Em Camocim têm-se registrado seu caráter empreendedor, tendo sido industrial do ramo de fabricação de sabão. No Arquivo Público do Estado do Ceará, deparei-me com o processo que relatava o incêndio de tal fábrica, onde hoje fica a Farmácia São Paulo e adjacências.  Foi também fundador da Associação Comercial de Camocim. Sobre ele, assim escreveu o imortal Artur Queirós. 
JOÃO BAPTISTA GIZZI – Fundador da Loja Maçônica Deus e Camocim em 1920, filiada ao Grande Oriente, rito escocês. Conhecido como “Seu Giz”,estabeleceu-se comercialmente em Camocim com “uma fábrica de produtos de limpeza, tomando como base sabão de boa qualidade”,situada na Praça Pinto Martins. A fábrica sofreu um incêndio em meados da década de 1930, fazendo com que “Seu Giz” se transferisse para Fortaleza, onde veio a falecer em 14 de julho de 1933. (Fonte: QUEIRÓS, Artur. Recordações camocinenses e outras memórias. 2ª edição. Fortaleza: RBS Gráfica, 2003, p.15-6).
No blog da instituição, assim diz o histórico da fundação da loja:
Aos vinte e oito dias do mês de julho do ano de 1920, nesta cidade de Camocim precisamente às 19:00h, no edifício do gabinete de Leitura Camocinense, em local reservado acontecia à sessão de fundação da Augusta Respeitável e Benemérita Loja Simbólica Deus e Camocim nº 1, onde se faziam presentes os maçons João Batista Gizzi, Bernardo da Silva, Eurico de Paiva Mota, Francisco Cavalcante, José Mendes da Silva, Antônio Francisco dos Santos Junior, Artur Lemos de Pinto e José Vitorino de Meneses. Esse acontecimento iria ao encontro dos desejos desses briosos maçons que a muito ansiavam fundar aqui uma Loja Maçônica.Seu primeiro grande feito foi juntamente com as Lojas Porangaba nº 2 e Fortaleza nº 3, fundar a nossa Grande Loja Maçônica do Estado Ceará. 
    Fonte: arlsdeusecamocim.blogspot.com
    Foto: Arquivo do blog.

    segunda-feira, 19 de setembro de 2011

    SC 15 - A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL EM CAMOCIM


    Trapiche da “base” americana em Camocim – Avião sendo reabastecido. Foto: Arquivo do blog
    Durante a Segunda Guerra Mundial, Camocim foi sondada para a  instalação de um posto de comando, que acabou sendo instalado em Fortaleza, que acabou dando origem ao Bairro do Pici (PC em inglẽs). No clima da guerra, jornalistas camocinenses no Jornal "O Momento" defenderam que os países aliados deveriam compor uma grande base de defesa aérea e naval no sentido de conter os possíveis ataques alemães nas Américas.No mesmo artigo, a receita de um estrategista francês para combater essa possível invasão: “construir uma imensa frota de bombardeiros; treinar um grande exército de guerrilhas, como a HOME GUARD dos ingleses e acabar, desde já, com todos os 5ª colunistas”. Tais preocupações parecem ter sido as mesmas dos redatores do jornal aludido. Infelizmente, a matéria na qual nossos antenados jornalistas antecipavam essa preocupação não sobreviveu ao tempo:
    Tem sido isso, justamente o que nós do Momento de há muito vimos dizendo. Temos denunciado os quinta colunistas e os traidores por eles subornados, mostrando os propósitos de conquista do nosso país, alimentado pelos totalitários. Os fatos tem-nos dado razão.
    Quando o Momento publicou um artigo com a epígrafe – Camocim base naval e aérea – muita gente riu. O que nós dizíamos não passava de tolice.
    Agora, porém, todos estão vendo que o que dissemos naquele artigo era fruto de observação e estudo, e que a razão estava conosco.1
    Não dá para dizer da repercussão destes acontecimentos nos ânimos dos camocinenses de então, afora os defensores na trincheira de “O Momento”, contudo, não deixa de ser um retrato do cotidiano da guerra. Para não dizer que os temores eram de todo infundados, em Camocim foi construído um trapiche, tomado como uma pequena base americana, no atual Bairro dos Coqueiros que servia de ponto de reabastecimento de aviões e, no ano de 1942 tem-se o registro de prisões de quatro pessoas tidas como suspeitas de algum crime, dentre eles, o alemão Werner Timm, acusado de exercer espionagem a favor do Eixo, já que fora preso em sua casa na cidade de Sobral, com material de rádio transmissor. 


    1 RODRIGUES, Fernando. Disciplina e Liberdade. O Momento. Ano 5, nº 160. Camocim-CE, 24 de abril de 1942, p.1