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Amigos e conterrâneos camocinenses, a gente só dar o que tem. Quando pensamos editar um blog, este foi o pensamento: doar todo nosso esforço na construção de uma ferramenta como esta para a divulgação pura e simples da nossa história. Contudo, essa é uma oportunidade de todos participarem desta empreitada, seja comentando, sugerindo, corrigindo e, efetivamente, participando dessa grande viagem que a História nos proporciona. Que nosso "POTE" nunca encha e sacie a todos!!!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

SC 18 - OS INDIOS DE CAMOCIM


Os primeiros registros da região do Camocim, seja na análise dos historiadores ou na documentação administrativa quase sempre estão ligados à presença de indígenas e as tentativas de estabelecimentos de colonos e os respectivos confrontos. Por outro lado, a presença de estrangeiros na exploração dos recursos naturais e sua relação com os nativos é outro aspecto a ser ressaltado. É essa presença estrangeira, inclusive, que forçaria que a atenção dos colonizadores se voltasse para a região.
Portanto, é a partir da segunda metade do século XVII que a região de Camocim passa a ter alguma visibilidade, seja como lugar de descanso de reabastecimento de tropas rumo à Ibiapaba, de expedições exploratórias holandesas,  ou de realocamento de grupos indígenas fugidos de outras refregas na capitania.
Neste sentido, dentro do contexto da Guerra da Restauração que tinha como objetivo expulsar os holandeses da Capitania de Pernambuco, a região aparece na crônica da guerra, como assinala o historiador Ronaldo Vainfas:
Outro chefe notável do chamado “partido holandês”, entre os potiguaras, foi Antônio Paraopaba, guerreiro afamado, responsável por várias vitórias holandesas na fase do domínio holandês contra os restauradores de 1645. Foi um dos chefes dos massacres perpetrados pelos holandeses em Cunhaú e Uruaçu, no Rio Grande, em 1645, respectivamente em julho e outubro, e comandante da retirada dos índios para a Serra da Ibiapaba, no Ceará, depois da derrota holandesa de 1654. 1

Sobre a estratégia dos holandeses de se aliarem aos índios para lutarem contra os portugueses, os mesmos os também usaram deste expediente na luta contras os franceses, na conquista da Capitania do Ceará. José Cordeiro, em  Os Índios no Siará. Massacre e resistência. Fortaleza, ed., 1989, assinala alguns nomes de maiorais indígenas da região:

Amaniú (Algodão) – Cacique potiguara. Ofereceu e deu ajuda aos holandeses, auxiliando-os com duzentos índios na tomada do forte do Ceará. Em 1637 André Vidal de Negreiros recebeu ordens do Reino para afugentá-lo. O cacique deixou sua aldeia às margens do Rio Ceará e foi se estabelecer no Camocim. Deram-lhe o nome de Domingos Ticuna. Ainda em 1656 o Rei recomendava a Vidal de Negreiros nova ação contra este maioral”.
(p.205)
Cobra Azul – Índio tabajara, do Ceará. Era filho de Amaniú. Rebelou-se contra o padre Luís Figueira e acabou migrando para o Maranhão. (Século XVII).
(p.208)
Tatupeba (Tatu Chato) – Cacique de Camocim, Ceará.

1 VAINFAS, Ronaldo. Traição.  
Foto: diariodonordeste.globo.com


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