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Amigos e conterrâneos camocinenses, a gente só dar o que tem. Quando pensamos editar um blog, este foi o pensamento: doar todo nosso esforço na construção de uma ferramenta como esta para a divulgação pura e simples da nossa história. Contudo, essa é uma oportunidade de todos participarem desta empreitada, seja comentando, sugerindo, corrigindo e, efetivamente, participando dessa grande viagem que a História nos proporciona. Que nosso "POTE" nunca encha e sacie a todos!!!

sábado, 17 de setembro de 2011

SC - 14 - NOS TEMPOS DA LAGOSTA EM CAMOCIM

Barcos lagosteiros -  Fonte: radiouniaodecamocim.blogspot.com
Houve um tempo que a pesca da lagosta movimentava a economia de Camocim. Nos acostumamos com a partida dos barcos para uma jornada de 90 dias no mar, quase sempre no mês de maio, após o defeso do crustáceo, diante da balaustrada da Avenida Beira-Mar com muito foguete e lenços de despedida do povo e dos familiares dos pescadores desejando-lhes uma boa pescaria. Quando menino ainda tentei fazer umas telas de arame para manzuás no quintal de um vizinho, porém, sem sucesso. As firmas de pesca terceirizavam o serviço de fabricação de manzuás, a armadilha para se pegar a lagosta e quase todo quintal de Camocim tinha gente fabricando as estruturas de madeira (varas de marmeleiro) e arame, além dos cordões para fazer a boa da armadilha. Com o tempo, os manzuás foram ficando obsoletos e novas técnicas de captura foram sendo desenvolvidas, trazendo também com elas a destruição do habitat marinho das lagostas, diminuido as "safras" e gerando problemas de ordem ecológicas e de competição na captura do crustáceo, como assinala a reportagem do Jornal Tribuna do Ceará em 1985, mostrando o conflito entre pesca industrial e artesanal do produto. Em Camocim, era notável o enriquecimento de donos,mestres e motoristas de barco, além de emprego para centenas de pescadores. O comércio varejista também ganhava com o abastecimento dos barcos. Em meados dos anos 1990 firmas e barcos migraram, principalmente, para o Estado do Pará, região de Bragança e Maracanã. Hoje a lembrança dos "tempos da pesca da lagosta" é o que fica, posto que esta não é mais uma atividade lucrativa e significativa na cidade. Até a Festa da Lagosta, (que escolhia suas rainhas e princesas e traziam grandes bandas e nomes da música nacional, como Banda Paulo de Tarso, Trepidant´s, The Fevers, Vanusa, Karybeans Kings, dentre outros) a mais tradicional da cidade, última referência deste tempo áureo, não aconteceu este ano, de 2011 depois de 34 anos seguidos de realização sob a batuta do Lions Club de Camocim.

Fonte: Jornal  Tribuna do Ceará. Fortaleza, 17/05/1985. Biblioteca Menezes Pimentel

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