O Blog:

Amigos e conterrâneos camocinenses, a gente só dar o que tem. Quando pensamos editar um blog, este foi o pensamento: doar todo nosso esforço na construção de uma ferramenta como esta para a divulgação pura e simples da nossa história. Contudo, essa é uma oportunidade de todos participarem desta empreitada, seja comentando, sugerindo, corrigindo e, efetivamente, participando dessa grande viagem que a História nos proporciona. Que nosso "POTE" nunca encha e sacie a todos!!!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

CANGARÓ - (CANGATI E CORÓ - OS PEIXES DE GRANJA E CAMOCIM)

Conforme prometido, transcrevo a poesia "Cangaró", de minha autoria, classificada em 2º lugar numa das edições do "Festival de Música e Poesia de Granja", se não me falha a memória, no ínicio da década de 1990. A inspiração veio por conta da minha convivência com amigos granjenses no Colégio Agrícola Guilherme Gouveia, onde a rivalidade entre Camocim e Granja se acirrava nas aulas e terminava com as gozações de parte a parte, nos chamando de "cangati" e "coró", cada qual puxando a brasa para o seu peixe. Leiamos:





CANGARÓ
No mundo da cultura
erudita ou popular
elementos se incorporam numa interessante relação
com lugares, tipos e povos,
seja cidade ou nação.

Daí ser atribuída:
a pontualidade aos ingleses,
o trabalho ao Japão,
o bom vinho aos franceses,
a cerveja ao alemão.
O "jeitinho é brasileiro,
o "bom garfo", italiano,
o silêncio é mineiro,
o frevo pernambucano.
Carimbó, ritmo do Pará,
mulher rendeira, jangadeiro,
típicos do Ceará.

Poderia lembrar Granja
como "Terra das Macabas". Macaboqueira,
terra da carnáuba, de fama mundial.
Poderia lembrar Camocim
como cidade hospitaleira,
paraíso litoral.
Porém minha intenção
é resgatar a importância
de dois saborosos teleósteos,
os peixes que nos dão tanta sustância,
conhecidos por aqui
como coró e cangati.

Já dizia minha tataravó:
-Quem visita Camocim duas coisas não esquece.
Uma é a chupada no olho do coró.
A outra é a brisa que sopra quando anoitece.
Granjense que se preza
não deixa botar canga em si,
nem tampouco menospreza
uma pratada de cangati.

Água doce, água salgada,
em rios do mesmo nome.
Os pescadores de isca armada
fisgam o "pão" que mata a fome
do nativo e do estranja.
E na cultura tupiniquim,
cangati representa Granja,
coró identifica Camocim.

Um comentário:

  1. Adorei a poesia. Trago lembranças da minha infância saboreando cangati, peixe preferido da minha mãe, hoje com 93 anos. Duas cidades costeiras que moram no meu coaracatia Aracati e Camocim

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