segunda-feira, 9 de setembro de 2019

O ANTIGO CENTRO COMERCIAL DE CAMOCIM. (IX SC 2019. 04)

Estação Ferroviária de Camocim. Primeiras décadas do séc. XX. Fonte: Instituto Histórico do Ceará.

Se você chegasse em Camocim no ano de 1919, o que encontraria, exatamente há cem anos atrás? Primeiramente o centro comercial e social estaria nas imediações do porto e da estação ferroviária. Visitantes e observadores em suas crônicas de viagens, quase sempre retrataram este espaço como o mais fervilhante e próspero da cidade. Senão vejamos, tendo como fonte o jornal Folha do Littoral, editado em  nossa cidade nesta época.
Comercialmente falando, era na Rua da Estação que ficavam os principais estabelecimentos comerciais e os escritórios de serviços prestados por profissionais liberais. Deste modo, a Associação Commercial de Camocim (assim grafada) em 1919, funcionava no Cine Phenix (atual Promotoria Pública), que, além deste também existia o Cine Smart. As representações de agências de vapores, como a The Amazon River Navigation, Companhia Comercio e Navegação e A. Borges & Cia, ficavam na casa bancária Nicolau & Carneiro. Na firma J. Adonias & Cia, tinha a representação da Companhia de Navegação a Vapor do Maranhão. Já a T. Navarro era representante da Empreza de Navegação Mosqueiro e Soure e o Lloyd Brasileiro era representado pela firma Albuquerque & Cia.
Na diversidade comercial de então, você poderia encontrar desde a firma retalhista Elias Asfora & Cia; a casa "A Italiana" e o Bar Commercial, além da Pensão Urbina;  Alfaiataria Central e a Typographia Folha do Littoral.
As repartições também ficavam na Rua da Estação. Os Correios, comandado por D. Maria J. Magalhães;  a Meza de Rendas Estaduaes sob o comando do Cel. Thomaz Zeferino Véras. Moravam na Rua da Estação, o prefeito municipal, Tasso Napoleão; o delegado de polícia, Cel. José Severiano de Carvalho; o delegado de hygiene, Cel. João Nicolau F. Cavalcante.
Dominando toda essa configuração urbana, tínhamos a imponente Estação Ferroviária de Camocim pertencente à Estrada de Ferro de Sobral, que naquele momento era dirigida pelo Dr. Eduardo Monte.
Este centro comercial pode ser ampliado se levarmos em conta os pontos comerciais instalados nas ruas adjacentes como a Rua Senador Jaguaribe, Travessa Dr. João Thomé, Travessa Dr. Privat e Rua da Igreja. Mas essa é uma outra história!



domingo, 8 de setembro de 2019

AOS ARTISTAS PLÁSTICOS CAMOCINENSES. (IX SC 2019. 03)

Galeria de Obras de Arte Mauro Viana. Câmara Municipal de Camocim. 2019. Foto: Arquivo do blog.

A Câmara Municipal de Camocim não respira apenas política. Afora o plenário Murilo Rocha Aguiar onde os vereadores debatem os problemas citadinos, existem ainda uma galeria que homenageia as mulheres parlamentares, o Memorial do Legislativo Camocinense, contando a história política do município, além de retratar um pouco da história do nosso porto, da estrada de ferro e do ilustre filho da terra, o aviador Pinto Martins
Por outro lado, na parte destinada ao público que vai lá assistir às sessões, foi criada em dezembro do ano passado, na gestão do então Presidente Kléber Veras, a Galeria de Obras de Artes Mauro Viana Melo, contendo algumas obras de artistas plásticos camocinenses, do próprio Mauro Viana, Antonio Carlos "Totõe", Eduardo Souza e da matriarca dos artistas plásticos camocinenses, Beatriz Veras.
No momento da inauguração falou o presidente da Câmara que aquele espaço serviria para "ampliar a divulgação da cultura local e valorizar os artistas da terra".
Portanto, na próxima visita que você fizer à Câmara Municipal de Camocim, dedique um pouco de tempo na apreciação das obras destes artistas, tributários de uma tradição que remonta à muito tempo e faz com que mantenhamos um evento que chega à sua trigésima primeira edição - o XXXI Salão de Artes de Camocim.
Neste domingo, parabéns a todos os artistas camocinenses.  




sexta-feira, 6 de setembro de 2019

CAMOCIM NA HISTORIOGRAFIA ALEMÃ. (IX SC. 2019. 02)





Capa do livro alemão "Das Republikanische Brasilien". Leipízg. 1889.

No final do século XIX, o Brasil ainda era um país a ser descoberto. Desde os idos do século XVI que o futuro país já era estudado pelos estrangeiros. Levas de naturalistas (os cientistas da época) viajaram ao Brasil e informaram seus governos sobre a nossa natureza, história e potencialidade econômica. Nesta postagem, destacamos uma das obras do alemão Oskar Canstatt "Republikanische Brasilien", de 1899 que viveu no Brasil e traz algumas passagens sobre o estado do Ceará, especialmente, Camocim, referindo-se ao porto e ferrovia:

Die wichtigsten Häfen sind die von Camocim, Fortaleza, Acarahü, Mucuripe, Aracaty, Parazinho, Pernambucinho und Pecem. Sie alle haben sehr von Versandung zu leiden. Camocim ist der brauchbarste Hafen. (p.573)

[...] Zum Glück besitzt Cearä neuerdings ein paar Eisenbahnlinien , welche ihm die fehlende FlussschifTahrt in einzelnen Landesteilen ersetzen. Eine der Strecken verbindet den Hafenplatz Camocim mit der Binnenstadt Sobral (128 Kilometer) und ist noch weiter bis Ipd geplant, die andere geht von Fortaleza bis Quixeramobim-Quixadä (187 Kilometer).  (p,574).


Numa livre tradução:

Os principais portos são os de Camocim, Fortaleza, Acaraú, Mucuripe, Aracati, Parazinho, Pernambuquinho e Pecém. Todos eles sofrem muito assoreamento. Camocim é o porto mais utilizável.

Felizmente, o Ceará agora tem algumas linhas ferroviárias que substituem  o cruzeiro fluvial ausente em partes individuais do país. Uma das rotas conecta o porto local de Camocim com a cidade interior de Sobral (128 km) e é planejado até Ipu, o outro vai de Fortaleza a Quixeramobim-Quixadá (187 quilômetros). 

É o Camocim traduzido em várias línguas! 

terça-feira, 3 de setembro de 2019

A PRAÇA DOS PODERES EM CAMOCIM [IX SC.01]

Praça da Matiz. Camocim-CE. 2019. Foto: Wanderson Lima.

Costumo dizer que a Praça da Matriz ou Praça Severiano Morel é a Praça dos Poderes em Camocim. Logicamente que este desenho da localização geográfica das instituições é muito característico das pequenas e médias cidades, muitas delas geradas a partir da ereção de um templo religioso, de uma fazenda, de um porto, etc. 
Efetivamente, o quadrilátero formado pelas ruas Dr. João Thomé, 24 de Maio, José de Alencar e Santos Dumont, constituiu-se ao longo do tempo um espaço vivo da representação dos poderes. 
Desde a centenária Igreja de Bom Jesus dos Navegantes, temos o poder religioso ali representado e o prédio da Prefeitura e Câmara Municipal, como o poder político, além do poder policial e da ordem com a velha Cadeia Pública, hoje desativada. As estruturas do poder educacional são representados pelo Instituto São José e Colégio Estadual Padre Anchieta, desativado e depois erguido em seu lugar a Escola de 1º Grau João da Silva Ramos, hoje CEJA João Ramos, além do Hospital Deputado Murilo Aguiar, atrelado ao poder médico. Posteriormente, agregaram-se à grande praça a Caixa Econômica Federal (CEF. Agência Camocim) como representante do poder financeiro e o prédio do Fórum Dr. Alcimor Aguiar Rocha, do Poder Judiciário.
Por outro lado, até o início da década de 1990, o referido quadrilátero, que era essencialmente residencial, sofreu uma intensa transformação e hoje se tornou um representante do poder comercial, evidenciado pelo setor de comércio e serviços.
A referida praça é um espaço de excelência para que os professores possam contar a história da transformação da cidade para seus alunos. Fica a dica!.

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

IX SETEMBRO CAMOCIM 2019. ESPECIAL CAMOCIM 140 ANOS


Caixas d' água do Pátio da Estrada de Ferro de Sobral. Camocim-CE. Foto: BCPH.



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Setembro chegou e com ele mais uma série especial de postagens do CAMOCIM POTE DE HISTÓRIAS, trazendo novos assuntos e matérias sobre a história do nosso município, que neste ano e neste mês completa 140 anos de emancipação política. Portanto, fique ligado, acesse e deixe seu comentário com críticas, informações e sugestões.
Abrindo o IX SETEMBRO CAMOCIM. 2019. ESPECIAL 140 ANOS trazemos uma imagem icônica do pátio de manobras da Estrada de Ferro de Sobral em Camocim: as duas caixas dáguas. Em minha adolescência, além de jogarmos em vários campinhos neste pátio, parávamos todos para vermos o trem "fazer a manobra". Para que a história "não perca o trem" é que estamos à postos neste blog.

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

A CASA PALANQUE DE CAMOCIM

Casa dos Benícios. Camocim. 2017. Fonte: arquivo do blog,




Aproxima-se mais uma vez o período eleitoral. Por aí vem muita fofoca, disse-me-disse, intrigas, ações na justiça e a campanha eleitoral. Com ela vem também os aparatos da apresentação dos candidatos: cartazes, santinhos, músicas, as moças com as bandeiras nas esquinas das ruas, as passeatas, caminhadas e os comícios. Estes para quase nada servem mais. O "terreiro" onde acontece um, é mais um local de concentração da massa que vê naquilo mais como um evento para encontrar pessoas, paquerar, tomar umas "bicadas" e depois correr atrás de um paredão pela cidade. As propostas e promessas dos candidatos ficam em segundo plano.
Portanto, muito diferente de antigamente, onde a assembleia de um partido político tinha nos oradores o foco principal. Para isso, não precisa de um palco aparelhado de som, com um locutor apresentador fazendo marmota em cima dele. Bastava um plano mais elevado que destacasse o orador um pouco mais alto dos ouvintes: uma mesa, uma sacada de janela, uma carroceria de um caminhão, um estrado sustentado por cavaletes, nada mais do que isso.
Em Camocim, no entanto, a varanda de uma casa serviu como palanque nos idos das décadas de 1950-60. Ela fica quase esquina da Rua 24 de Maio com Zeferino Veras e se destaca pela imponente varanda (foto). Diz a oralidade que políticos como Murilo Aguiar e Setembrino Veras faziam seus comícios desta varanda. Se esta casa-palanque era um reduto dos Aguiar, é possível que os Coelhos tivessem também seu ponto semelhante.
Confesso que sempre tive uma afeição especial por esta casa desde menino, desejando mesmo nela morar e ser seu proprietário. Falta-me, no entanto, o essencial numa transação capitalista para adquiri-la. No entanto, quem tiver o vil metal, pode comprá-la, pois a mesma está à venda, como informa os números de contato pintados na parede da "varanda palanque".

sábado, 27 de julho de 2019

CAMOCIM E O ELIXIR DE NOGUEIRA

Anúncio do Elixir de Nogueira. Fonte: Revista D. Quixote - RJ, 1921. Anno 5, nº 201, p.4

O que um simples anúncio de remédio pode revelar para a história? Muito mais do que a gente pensa. Numa época em que a indústria farmacêutica e a mídia ainda não tinham o arsenal de mídias que possuem hoje, os anúncios em jornais em revistas, além do rádio, era a maneira de propagar os efeitos de seus produtos, sem falar dos propagandistas de feiras a percorrer o país.
Mas, hoje vamos enfocar os anúncios dos remédios em revistas de circulação nacional, como a D. Quixote do Rio de Janeiro. Uma dos recursos de marketing da época era o depoimento de pessoas, impressos nas revistas, contando como foram curadas, oriundas de várias cidades do país. Neste sentido, encontramos vários destes depoimentos enviados de Camocim, quase sempre por indivíduos da chamada "sociedade", ou seja, da elite local.
No anúncio destacado, enaltecendo os efeitos curativos do Elixir de Nogueira, observa-se no depoimento do Sr. Francisco Menescal Carneiro, identificado como Redator Chefe do jornal "O Rubi", que o mesmo foi curado "de um forte reumatismo no peito", e que sua mulher e uma filha que sofriam de "flores brancas", foram completamente curadas. "Flores Brancas" era o nome popular para candidíase
Além de se visualizar uma foto do jornalista Francisco Menescal Carneiro, muito rara para os dias de hoje, sabemos pelo anúncio que o Elixir de Nogueira era vendido em todo o Brasil e países da América Latina como Argentina, Uruguai, Bolívia, Chile, dentre outros.
Por uma simples carta datada de 1917 e anunciada numa revista em 1921, podemos ter várias informações e possibilidades de se ver a história da cidade. Este é o seu fascínio!

sábado, 13 de julho de 2019

RELIGIOSOS DE CAMOCIM. PADRE CLÁUDIO




Padre Antônio Cláudio de Oliveira. Fonte: https://diocesedetiangua.org


No começo deste mês Padre Cláudio nos deixou. O menino que nasceu no bairro de São Francisco aos 15 de setembro de 1962, fez a páscoa definitiva em 02 de julho de 2019, bem próximo de completar 30 anos de sacerdócio, o que ocorreria na próxima terça-feira, 16 de julho de 2019.
O filho do Sr. Raimundo Firmino de Oliveira e da Dona Cândida Silva de Oliveira, portanto, ainda não tinha 57 anos completos.
O garoto Antônio Claudio de Oliveira iniciou seus estudos, segundo o Prof. Benedito Genésio, numa 

"turma de alfabetização em 1967 do SPH confiada à Prof.a MARIA DAS DORES ALEXANDRE (CEMILDA) por indicação da Irmã Áurea, na então igrejinha de S. Francisco. Posteriormente, foi professor da Escola de Promoção Humana(EPH), um desdobramento daquela turma de alfabetização, que funcionava no Centro Comunitário S. Francisco"

Iniciado na carreira religiosa, foi ordenado em 16 de julho de 1989. Na missa de corpo presente em Camocim, o Bispo Dom Edmilson ressaltou ser ele o último padre remanescente do bispado de Dom Timóteo. Nestes quase 30 anos de vida sacerdotal, Pe. Cláudio assumiu as seguintes funções: 

Vigário Paroquial da Paróquia Sant'Ana - Sé Catedral - Tianguá/CE, Pároco da Paróquia Nossa Senhora das Graças - Graça/CE, Administrador Paroquial da Paróquia Santa Luzia - Oiticicas/CE, Pároco da Paróquia Bom Jesus dos Navegantes - Camocim/CE, Pároco da Paróquia Santo Antônio - Chaval/CE, Pároco da Paróquia São Pedro - Ibiapina/CE, Assistente Eclesiástico das Equipes de Nossa Senhora, Juiz Auditor na Câmara Eclesiástica da Diocese de Tianguá/CE e atualmente exercia também a função de Administrador da Área Pastoral Nossa Senhora Imaculada Conceição – Inhuçú – São Benedito/CE.

Missa de corpo presente de Padre Cláudio. Igreja de São Francisco. Camocim-CE. Foto: arquivo do blog.
Desde março deste ano que Padre Cláudio vinha sendo internado seguidamente No Hospital do Coração em Sobral, com o diagnóstico de insuficiência cardíaca. Com seu falecimento, aconteceu em 03 de julho a missa de corpo presente na Igreja de São Francisco, celebrada por Dom Edmilson, Bispo da Diocese Tianguá e todo o clero do bispado, dentre outros companheiros religiosos.
No município de Camocim foram emitidas várias notas de pesar e a Prefeitura Municipal decretou três dias de luto oficial (Decreto 0702001/19).

Requiescat in pace!




Fontes:
Camocim Online
Benedito Genésio (Facebook)