sábado, 27 de outubro de 2018

CARTAS DE CAMOCIM


Camocim, 31 de março de 1988.

Caro Dr. Sócrates,


Só agora, superado meus medos, posso contar-lhe algo que vi quando tinha sete anos, aqui mesmo em Camocim na Rua General Tibúrcio (só agora sei que esse Tibúrcio foi aquele que lutou na Guerra do Paraguai, nascido em Viçosa, e não o Tibúrcio Cavalcante que vai no endereço dessa carta). Usarei nomes inventados nesta missiva.Pois bem, como o doutor sabe, desde criança moro nessa rua, quando ainda ela era um imenso areal e a casa que se distinguia era aquela que ficava dentro do sítio do Sr. José Guilherme. Outro ponto a destacar nessa rua de casas baixas e pobres era um "munturo" que ficava na esquina, defronte da bodega do Libório. Pois bem, a imagem que não me sai da cabeça e agora está voltando fortemente nos meus sonhos, vinte anos depois, é a de um policial conduzindo um homem pela rua em pleno meio dia, açoitando-o, de mãos amarradas para trás e de cabeça raspada. Atrás deles, algumas crianças gritando ruidosamente. Depois vim a saber que se tratava de um ritual rotineiro quando a polícia prendia aqueles ladrões de galinha de então... Mas, o meu problema se agravou, doutor. depois que descobri recentemente que aquele mesmo policial era o delegado local que vez por outra ia até a Baiúca, uma casa de rende-vous que ficava no final da rua, quase esquina com a João Pessoa, com dois pés de ficus benjamim na frente, com a intermediação da cafetina dona do local, desvirginar menores para o seu deleite sexual, com promessas de comida e vestido. Só para exemplificar, acho que o senhor conhece, as duas filhas do Quelemente lá das Flamengas sucumbiram à tara do delegado. A irmã do Zé Valente das Moreias, também foi engabelada pelas promessas dos dois. Quando foi embora daqui, o tal delegado pavoneava: - Só em Camocim tirei cabaço de mais de cem! Não sei se foi castigo, mas ele veio a morrer mês passado, de morte tão horrível que não sei como descrever... Talvez por isso esteja lhe contando somente agora.
Do seu fiel paciente...

P. S. Estou pensando em parar com os remédios....
Foto: Rua General Tibúrcio. Fonte: Google.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

O VERBETE "CAMOCIM"



Capa do Diccionario Topographico do Império do Brasil. 1984.
Numas destas noites que a insônia chega sem avisar, costumo buscar raridades sobre Camocim no grande oráculo Google. Desta vez, o incômodo foi recompensado e, antes que eu caísse nos braços de Morfeu, deparei-me com o Diccinario Topographico do Imperio do Brasil, obra publicada em 1834. 
O verbete Camocim.

Com avidez, busquei o verbete CAMOCIM, no entanto, o mesmo nada continha sobre o então distrito da Barra do Camocim. A referência era sobre o Rio Camocim que nascia na Ibiapaba e desaguava no Oceano Atlântico, trazendo informações sobre sua localização e limites. Não foi o que eu esperava, mas valeu, mesmo porque, antes do trem, parecíamos apenas ser água e sal...

Fonte: Dicionário Topográfico do Império do Brasil, 1834.

domingo, 7 de outubro de 2018

ELEIÇÕES EM CAMOCIM. HÁ 106 ANOS ATRÁS!

Camocim. Dia de Eleições. 1912. Fonte: Revista da Semana, RJ.


Hoje, 07 de outubro de 2018. Dia de eleições gerais no Brasil para escolha de presidente, governador, senador, deputados federal e estadual. Depois de uma campanha cheia de comédias, tragicomédia, de atos burlescos e até reações que nos deixam aterrorizados diante do que pode estar por vir, os cidadãos aptos vão às urnas fazer suas escolhas. Que pelo menos o dia de hoje não seja marcado por arbitrariedades e que todos possam exercer seu direito legitimamente, sem pressões e/ou outros expedientes escusos.
106 anos atrás, portanto, em 1912, uma imagem que, se não revela a tranquilidade do que era uma eleição no século passado, passa, para a cobertura do fato naquele tempo, um evento que se torna "aspectos cearenses", sem maiores problemas e pacatez. Sem dúvida, naquela época, as tensões e interesses eram outros e em outras proporções.
Da foto, fica registrado o modo de como se ia votar, o cruzamento das atuais rua 24 de Maio com Independência e alguns prédios que não existem mais. Ainda se pode ver a Casa Coelho, antigo prédio da Rádio Pinto Martins e parte da casa da viúva do Sr. Hamilton Rocha.
Bons votos!

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

CAMOCIM. PEDAÇO DO PARAÍSO


O mês de setembro passou, mas, celebrar Camocim deve ser tarefa diária. Através da minha aluna Rozangela Oliveira Ribeiro do Curso de História/PARFOR/UVA/Camocim chegou-me esta poesia que compartilho com os leitores do blog Camocim Pote de Histórias.
Praia das Barreiras. Camocim. 2018. Foto: Adauto Gouveia M. Júnior (facebook).

PEDAÇO DO PARAÍSO 

Camocim terra pacata
 Onde muitos visitam 
Cidade de lindas praias 
E muitos pontos turísticos . 
Tua beleza nos basta 
Mas sempre queremos mais 
Quem esta cidade visita 
Dela não esquece jamais.
 Tu és orgulho 
Pra todo cearense 
E temos mais orgulho ainda 
De sermos 
Camocinense. 
Temos a praia das Barreiras
 O bonito Maceió 
O grande Lago Seco 
Com sua beleza maior. 
Existe o Lago das Cangalhas 
Com sua natureza total 
Que é o Paraíso das Águas 
De beleza original. 

SILVA BRITO

sábado, 29 de setembro de 2018

A LEI DE CRIAÇÃO DO MUNICÍPIO DE CAMOCIM. VIII SET/12

Publicação da Lei de Criação do Município de Camocim. 1879. Fonte: Cearense, Ano XXIV, nº 120, sexta-feira, 31 de outubro de 1879. Fortaleza. CE.


As leis, depois de sancionadas, para terem efeito legal, devem ser publicizadas. Isto é um expediente que existe desde que inventaram as leis. Antes dos jornais, as leis eram anunciadas por funcionários da burocracia em alto e bom som (geralmente nas feiras)ou escritas e transcritas e colocadas em local visível para o conhecimento de todos.
Este pequeno preâmbulo é para destacar a publicação da lei de criação do município de Camocim, sancionada há 139 anos atrás e publicada nos jornais da capital, dois dias depois.
Deste modo, o blog Camocim Pote de Histórias, disponibiliza a seus leitores no mundo todo, de forma inédita, a publicação da Lei Nº 1849, de 29 de setembro de 1879,ano 58º da Independência e do Império, que cria a Villa de Camocim, cujos limites ficaram os mesmos de quando era distrito de Granja, elevando-a à condição de município,  assinada pelo então Presidente da Província José Júlio de Albuquerque Barros, futuro Barão de Sobral, o mesmo, dois anos antes, batera o primeiro prego para a construção da Estrada de Ferro de Sobral em Camocim.
Este e mais outros documentos farão parte de um futuro memorial que está sendo criado na Câmara Municipal de Camocim.


RESTAURANTE POPULAR DE CAMOCIM. O "MOSQUEIRO". VIII SET/11

Restaurante Popular. "O Mosqueiro". Camocim. Fonte: www.tripadvisor.com

Alguma vez você fez alguma refeição no Restaurante Popular? Talvez houvesse alguma hesitação na resposta. Mas, se a pergunta fosse: você já comeu no "Mosqueiro"? Com certeza a grande maioria diria que sim, principalmente aqueles que tem mais de 50 anos e curou uma carraspana do dia anterior, vindo dos bailes do Balneário, Comercial ou Camocim Club. O "Mosqueiro", apesar dessa alcunha pejorativa, entrou para o anedotário popular e serve uma boa comida e de qualidade, principalmente para as pessoas que trabalham e trafegam no Mercado Público de Camocim. No entanto, você sabe a quanto tempo existe este estabelecimento em nossa cidade? Quem o construiu e quanto custou? O recibo abaixo traz mais esclarecimentos,

Recibo referente às despesas de construção do Restaurante Popular. Camocim. 1971. Fonte: Arquivo PMC.  
Pois é, nosso Restaurante Popular ou "Mosqueiro", como queiram, foi erguido durante a administração do prefeito José Maria Primo de Carvalho, no ano de 1971. A obra custou aos cofres públicos a quantia de Cr$ 9.200,00 ( Nove mil e duzentos cruzeiros), segundo o recibo assinado pelo Sr. Francisco das Chagas Araújo, famoso construtor da cidade que ergueu obras como o sólido Instituto São José, dentre outras, mais conhecido entre nós como Mestre Chico Araújo. Ainda segundo especificações do recibo, o Restaurante Popular foi construído,

"obedecendo as mais rigorosas normas de higiene e possuindo dimensão de 06,30m de largura por 20m de cumprimento. Revestido por paredes de alvenaria, apresenta-se com quinze bem distribuídos "boxes" azulejados; balcões de marmorite e mesas de pia, culminando com eficiente serviço de água e esgôto, tendo feito dentro da moderna estética".

Quarenta e sete anos depois, o "Mosqueiro" ainda resiste se constituindo num patrimônio histórico do nosso município,

OS DISCOS VOADORES DE BITUPITÁ E OS JIPES DE CAMOCIM. VIII SET/10

Recibo de Francisco Frederico Lopes. Camocim. 1976. Fonte: Arquivo da PMC.
Qual a relação entre discos voadores (OVNIS) e jipes? Aparentemente nenhuma. Mas, no ano de 1976, estes veículos terrestres e extraterrestres cruzaram (não, no sentido literal) seus caminhos, mais precisamente na praia de Bitupitá, então distrito de Barroquinha do município de Camocim.
Após várias aparições de objetos "suspeitos que estavam baixando no referido distrito", as autoridades de Camocim, e das Forças Armadas, resolveram constatar "in locco" o aparecimento destes objetos voadores não identificados.

É aí que os jipes entram na história. Sem viaturas específicas para o patrulhamento, a Prefeitura de Camocim contratou três jipes para conduzirem até Bitupitá, "oficiais da Agência da Capitania dos Portos", "oficiais da Marinha de Guerra" e "oficiais do Exército que se deslocaram de Fortaleza para visitar o referido distrito".
Estas são informações que constam de recibos assinados pelos proprietários dos veículos junto à Prefeitura Municipal que pagou entre Cr$ 300,00 a  Cr$ 450,00 por cada frete. Os recibos são fontes históricas que dizem pouco sobre o fato, mas revelam um caminho de pesquisa a ser aprofundado.



Conversando com o taxista Pedro Farias Filho, que ainda hoje faz ponto com seu táxi no Mercado Público, um dos que assinaram os recibos, o mesmo confirmou o fato do ter ido à Bitupitá com as autoridades, mas, o jipe não era seu e sim do nosso saudoso mecânico, Nilo Cordeiro da Silva.
Não sabemos se as autoridades confirmaram o aparecimento dos objetos estranhos que estariam pousando na praia de Bitupitá, mas os rastros da história ficaram nos documentos. Quem averiguará?

Fonte: Recibos. 1976. Arquivo Público da Prefeitura Municipal de Camocim.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

AS CONTAS DE ÁGUA, LUZ E TELEFONE DE CAMOCIM. VIII SET/09

Conta do SAAE de Camocim. 1970. Fonte: Arquivo da PMC.


Como você paga sua conta de água mensalmente em Camocim? Provavelmente em algum posto de recolhimento mediante o "papel" da conta correspondente. Mas, e como eram os recibos na década de 1970, do século passado. O blog recupera o modelo utilizado nesta época, devidamente preenchido à máquina de datilografia e sem maiores informações, além do consumo mensal. Hoje, informações como turbidez, cor, quantidade de flúor e coliformes são informados nos chamados "parâmetros da água distribuída. A conta acima é do consumo do Mercado Público de Camocim.


E a conta da luz? Antes mesmo da COELCE - Companhia de Eletricidade do Ceará, os recibos de energia em Camocim eram emitidos pela Companhia de Eletrificação Rural do Nordeste - CERNE. Eu ainda sou do tempo em que se falava que a energia de Camocim foi trazida da Hidrelétrica de Paulo Afonso, através da CENORTE, sigla gravada nos postes de cimento. A conta mostrada é de 1971 e também se refere ao consumo do Mercado Público de Camocim.


E a sua operadora de telefone? Em 1971, o celular não era cogitado nem em sonho e a telefonia era fixa, conforme mostra o recibo da conta do mês de setembro da Prefeitura Municipal de Camocim, no valor de Cr$ 12,35 (doze cruzeiros e trinta e cinco centavos). A nossa "operadora" local era o Serviço Telefônico de Camocim S.A e funcionava com o auxílio de uma telefonista que comandava as chamadas de uma central telefônica que funcionou por um tempo na Rua 24 de maio, ao lado da Escola João da Silva Ramos.
Até hoje, se não pagar em dia, os serviços são cortados...


Fonte: Conta de Luz. 1970. Arquivo da Prefeitura Municipal de Camocim.
Conta de Telefone. 1971. Arquivo da Prefeitura Municipal de Camocim.