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Amigos e conterrâneos camocinenses, a gente só dar o que tem. Quando pensamos editar um blog, este foi o pensamento: doar todo nosso esforço na construção de uma ferramenta como esta para a divulgação pura e simples da nossa história. Contudo, essa é uma oportunidade de todos participarem desta empreitada, seja comentando, sugerindo, corrigindo e, efetivamente, participando dessa grande viagem que a História nos proporciona. Que nosso "POTE" nunca encha e sacie a todos!!!

quinta-feira, 1 de maio de 2014

REFLEXÕES SOBRE O PRIMEIRO DE MAIO

Fonte: historiadigital.org
Há dois anos escrevi este texto para um jornal local de Sobral para marcar a passagem do feriado de Primeiro de Maio. No entanto, o mesmo não chegou a ser publicado e nem me foi dito o porquê. Relendo-o, acho que o mesmo contêm alguma atualidade, no sentido do que vem se transformando a data que homenageia o trabalhador. Geralmente, as postagens nesse blog se referem exclusivamente à história de Camocim, inclusive já nos reportamos sobre essa data na história do município por mais de uma vez. Embora o texto se refira e seja inspirado noutro espaço - a cidade de Sobral; as reflexões sobre a data e o feriado servem para a compreensão geral do que permite nossa observação. Vamos ao texto:

O Feriado do Dia do Trabalho – os novos sentidos do Primeiro de Maio.
Grandes e pequenas passeatas, desfiles representativos do mundo do trabalho, debates nas sedes de agremiações sindicais e congêneres, sessões de teatro com temáticas proletárias, torneios esportivos, ações de luta para a conscientização das categorias profissionais e até anúncio do salário mínimo pelo governante do plantão, são manifestações que deram sentido a data do Dia do Trabalho que ficaram para trás, na esteira da modernidade globalizante que o capitalismo produziu, com intensa repercussão nos seus sentidos simbólicos.
Com efeito, a política do “pão e circo” produz novos sentidos para a data que, até vinte anos atrás, era apropriado pelos trabalhadores para escancarar em grandes atos políticos, as denúncias das relações vis impostas pelo patronato, principalmente no ABC paulista, na esteira daquele movimento protagonizado pelos metalúrgicos no final dos anos 1970 e que marcou um novo tempo no sindicalismo brasileiro, com as repercussões sociais e políticas que todos nós conhecemos.
Desta forma, uma data que nasceu da luta de trabalhadores norte-americanos no longínquo ano de 1886 pela jornada de 8 horas, que naquela época atingia até 14 horas (com a repressão ao movimento, foram condenados à morte e prisão perpétua), hoje se reconfigura com a promoção das multinacionais e centrais sindicais que lhe dão novos sentidos, promovendo grandes shows com cantores e bandas de sucesso, sorteios de carros e apartamentos. É a política de “pão e circo. Qualquer semelhança com manhãs de sol, churrascos, sorteio de cestas básicas e outros brindes, shows na Margem Esquerda não é mera coincidência.
Essa mudança nos sentidos do Primeiro de Maio que, historicamente teve seu caráter combativo, assim como festivo, embora em menores proporções que atualmente, foi devida, segundo o sociólogo Ricardo Antunes à “implementação do neoliberalismo e com reestruturação produtiva, que gerou a desestruturação da classe trabalhadora, com uma política agressiva de práticas anti-sindicais. Isso acabou conferindo uma transformação no plano das centrais sindicais. Por exemplo, em 1990 nasceu a Força Sindical. Ela herdou o velho peleguismo sindical brasileiro, que queria se reciclar, e se somou com um ideário neoliberal que deu o toque ideológico a essa nova direita. Foi a Força Sindical que introduziu essa prática que é recorrente hoje em todas as centrais sindicais, de um 1° de maio como um circo para os trabalhadores e trabalhadoras”.

         Desta forma, um leitor ou um observador mais atento ficará na expectativa do que irá acontecer em Sobral, o município que é pólo empregador da região noroeste do estado do Ceará, com seus milhares de postos de trabalho. Onde encontrar os trabalhadores nesta terça-feira dedicada, paradoxalmente, ao ócio? Que pelo menos seja ócio criativo para a maioria deles. No entanto, é bem provável que, na falta da Parada Gay, o divertimento se dê diante dos agudos de Agnaldo Timóteo e dos grunhidos de Joelma Calypso. O que diria disso tudo “O Operário de Deus”, epíteto pouco cultivado de D. José Tupinambá da Frota? Diante do exposto, só posso dizer que da data em questão, saiu o proletariado e ficou o feriado.

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