O Blog:

Amigos e conterrâneos camocinenses, a gente só dar o que tem. Quando pensamos editar um blog, este foi o pensamento: doar todo nosso esforço na construção de uma ferramenta como esta para a divulgação pura e simples da nossa história. Contudo, essa é uma oportunidade de todos participarem desta empreitada, seja comentando, sugerindo, corrigindo e, efetivamente, participando dessa grande viagem que a História nos proporciona. Que nosso "POTE" nunca encha e sacie a todos!!!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

CRONICAS DO CAMOCIM ANTIGO



Rua Engenheiro Privat, onde se localizava o Hotel São José. Foto: camocimnet.com.br
O ano era 1958. Camocim era destino de levas de retirantes que fugiam da grande seca. O Sr. João Miguel com suas duas filhas adolescentes Maria e Tereza, frutos do primeiro casamento e outros dois menores da sua companheira de então chegam à cidade, oriundos do Piauí tentando driblar a fome. Tereza prefere ficar com a família de Sr.Moreira no KM-08. João Miguel arruma uma tosca morada de roça lá para as bandas do São Brás (onde hoje fica a COHAB) e arranja emprego na Estrada de Ferro de Sobral, roçando as margens da ferrovia. Maria vai trabalhar na casa da Família Menescal (Chico Panair). Hoje, aos 70 anos, Maria é uma senhora marcada pelo trabalho doméstico, que cuida da sua casa e de quem chega nela, realizando os afazeres próprios de uma dona de casa. As lembranças do trabalho árduo em casas de família e em hotéis daquele tempo se confundem com o cansaço de mais um dia de lida, varrendo, lavando, cozinhando. Exímia costureira, já não cose mais. Com mais nitidez, lembra a faina cotidiana que era trabalhar no Hotel São José, de propriedade do Sr.Orlando, funcionário da Alfândega e Dona Carmelita, a esposa e cozinheira. Dezoito quartos tinha o hotel que ficava na Rua da Estação (Rua Engenheiro Privat). Ganhava 250 cruzeiros por mês. O Hotel São José era frequentado pela oficialidade dos navios ancorados no porto, aviadores de carreira, famílias em férias. Folga somente aos domingos quando o movimento era pequeno. Na retina de Maria, o burburinho das tardes-noites da Praça da Estação. Maria não é um personagem e esse texto não é um conto, mas a crônica de vida de minha mãe, saudosa a lembrar de tempos duros e bons com um sorriso no canto da boca.

4 comentários:

  1. Bela crônica!
    Amigo, li e re-li sua crônica. Lendo eu ia gostando e imaginando talvez uma pessoa conhecida ou um personagem qualquer que o tivesse inspirado. Mas quando cheguei ao final, percebendo que se tratava de vossa honrada mãe a qual conheço de vista, então senti vontade de ler de novo. Desta vez a leitura ja foi melhor porque enquanto ia lendo, também ia vendo sua imagem com os olhos da mente. Ler uma crônica como esta é sempre uma boa terapia para nossa imaginaçao. Parabéns!

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  2. Esse blog é excelente! Como historiador, fiquei curioso! Tenho pesquisado muito em jornais antigos e visto muita coisa interessante de Camocim!
    Sou viçosense e me preparo para lançar nos próximos dias meu livro "Viçosa do Ceará: Política e Poder", no qual cito muitas vezes a relação histórica entre Viçosa e Camocim!
    Eônio Fontenele
    eoniofontenele@bol.com.br

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  3. caro Eônio, realmente Camocim e Viçosa estão visceralmente ligados pela História. Caso queira mandar alguma coisa,fique à vontade que publicaremos como texto seu.

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  4. Pois então me mande o seu e-mail, meu caro! Quando for lançar meu livro (que tá perto!), gostaria de enviar pra você o convite, até para que seja divulgado.

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