terça-feira, 14 de junho de 2016

PONTES, TRAPICHES E PIER EM CAMOCIM

Ponte flutuante da Panair. Camocim. Anos 1930. Fonte: arquivo do blog
Quando Camocim era rota de navios cargueiros das companhias de navegação nacionais e internacionais e de aviões que aqui se reabasteciam para seguir voo para outros estados do Brasil e do exterior, alguns trapiches e pontes forma erguidos para atracação dos mesmos ao longo da orla marítima. Brevemente se estará inagurando na cidade um pier com módulo flutuante para a atracação de pequenos barcos que fazem a travessia do Rio Coreaú, trazendo habitantes "do outro lado" e levando turistas para a Ilha do Amor. Contudo, a tecnologia de flutuantes não é inédita por aqui. Ficou para os anais da história, registros de que a Panair do Brasil, que chegou a ter dois voos regulares por semana, passando por Camocim, construiu lá para as bandas do bairro dos Coqueiros sua plataforma de embarque. Na foto acima, vê-se um avião sendo reabastecido de gasolina. No trecho do jornal "A Razão", de Fortaleza, é citado o jornal "A Razão" de Camocim, sobre a construção da "Ponte fluctuante da Panair" em 1931, ponte esta que deve ter servido de base para os aviões americanos durante a Segunda Guerra Mundial em Camocim, nos anos 1940. Conforme a matéria:

"Dentro de poucos dias estará concluído o preparo da ponte fluctuante da 'Panair do Brasil', serviuço esse da maior utilidade, tanto para os passageiros como para a grande empreza de navegação aérea.
Acha-se dirigindo o importante trabalho, o ilustre profissional dr. J. C. Grybaki - engenheiro da Emprêza, que veio de montar o fluctuante do porto de Caravellas.
Do que vimos na visita que fizemos à referida ponte, ella terá as seguintes características: 4 grandes tubos de ferro, à pressão hydraulica, unidos por fortes vigas também de ferro, servem de fluctuadores. Acima dessa base, erguem-se as paredes feitas de taboas que serão pintadas de branco. Sobre a plataforma será estabelecida uma sala de espera de cerca de 6 a 8 metros, contígua à qual estará uma W.C. e o armazem para deposito de gazolina, etc. Nos possantes tubos de ferro se acham os tanques de gazolina, sendo os hydros-aviões abastecidos por uma bomba propria e respectivas mangueiras.
Com as informações solicitamente prestadas pelo dr. Grybaky, podemos adeantar que de um lado do fluctuante haverá uma rampada movel que servirá para a atracação dos apparelhos formando, por meio de um cabo, o avião e o fluctuante uma só unidade. Um quarto de hota antes da chegada do avião, serão içadas na ponte uma bandeira brasileira e a da 'Panair'.
Os passageiros, bem como os visitantes, poderão chegar à ponte meia hora antes do avião, onde ficarão muito bem accomodados na sala de espera. O fluctuante poderá omportar francamente 35 pessoas, incluindo nesse numero a tripulação e os passageiros a desembarcarem do avião. Dois funcionários da Empresa estacionarão aqui para o trabalho de zelo e conservação da ponte.

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Uma recomendação da Empreza, que deverá ser fielmente observada: Os passageiros e visitantes, não deverão impedir, de forma alguma, as manobras dos aviões, ficando na sala de espera até o apparelho atracar e se abastecer de gazolina".
Jornal A Razão. 22/04/1931. Fortaleza-CE, citando matéria do jornal homônimo de Camocim.


O pier ora construído já está, para além da sua função objetiva e necessária, sendo considerado o novo cartão-postal da cidade. Que possamos utilizá-lo e conservá-lo por muito tempo, visto que, da ponte flutuante da Panair, só temos fotografias e matérias de jornal e talvez, algumas lembranças, dos mais velhos.




Pier de Camocim: Foto: Denilson Siqueira

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