O Blog:

Amigos e conterrâneos camocinenses, a gente só dar o que tem. Quando pensamos editar um blog, este foi o pensamento: doar todo nosso esforço na construção de uma ferramenta como esta para a divulgação pura e simples da nossa história. Contudo, essa é uma oportunidade de todos participarem desta empreitada, seja comentando, sugerindo, corrigindo e, efetivamente, participando dessa grande viagem que a História nos proporciona. Que nosso "POTE" nunca encha e sacie a todos!!!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

CAMOCIM NOS CLÁSSICOS DA HISTORIOGRAFIA

Porto de Camocim. Arquivo do blog.
Capa do livro em edição da Cia. das Letras
Diante de uma crítica mordaz de um colega que acha que minha predileção por Camocim é algo extravagante, passo a editar postagens que embasam essa minha cachaça de achar que a História do Brasil passa por aqui. Em mente, tenho um projeto de um dia escrever sobre isso no sentido de subsidiar outras pesquisas ou até mesmo tornar as aulas de História do Brasil mais próximas de nós. Para começar, iniciarei pelos clássicos da historiografia nacional, destacando como Camocim aparece nestas obras. Daí que, a Formação do Brasil Contemporâneo de Caio Prado Júnior é uma destas, que ao lado de Casa Grande & Senzala de Gilberto Freyre e Raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Holanda, formam a tríade de livros que todo professor de história deveria lê-los. Vejamos como o marxista Caio Prado Júnior descreve nossa região no item "Povoamento" de sua obra à pagina 46:
"São as serras , que em maciços isolados se alinham sucessivamente ao longo da costa e captam um pouco de umidade atmosférica; destacam-se por isso estas elevações como oásis de terras férteis e cultiváveis em meio da aridez que as cerca. Tais serras (Ibiapaba, Sobral, Uruburetama, Baturité) atraíram e fixaram algum povoamento que procura saída pelo mar próximo, dando lugar a pequenos portos que se arranjaram como puderam nesta costa difícil: Camocim, Acaraú, Fortaleza - que será a capital da capitania graças à sua posição central, à proteção, embora pequena, que lhe proporciona a ponta do Mucuripe, e sobretudo a fertilidade da serra de Baturité que forma sua hinterlândia".

Nota-se que o famoso autor comete um pequeno erro ao grafar Sobral em vez de Meruoca, talvez devido à proximidade geográfica. Saliente-se ainda que o autor está discorrendo sobre as correntes de povoamento e não se detém sobre a importância efetiva que o Porto de Camocim teve posteriormente na economia do Ceará. Contudo, vale o registro.


Um comentário:

  1. Professor, existem outras citações importantes.
    No livro "À margem da história do Ceará", do fenomenal Gustavo Barroso, há um capítulo que descreve a primeira aventura de Pero Coelho, o açoriano que se transformou no europeu pioneiro a desbravar nossas vastas plagas ainda não alencarinas, à época e que em 1604 percorreu o litoral cearense até Camocim, para daí subir a Ibiapaba e combater os franceses que tinham se instalado no alto da chapada (vindos do Maranhão), em coluio com os índios tabajaras.
    No excelente livro "Povos antigos e povoamentos do Brasil", do historiador maranguapense Capistrano de Abreu, há menção de Camocim, quando relata a aventura de dois jesuítas que tentaram, sem sucesso, velejar do Maranhão ao Ceará. Esse fator inclusive, influenciou toda a ocupação ao longo do litoral cearense, sendo, creio eu, o motivo do Ceará ser o último rincão a ser colonizado no nordeste brasileiro.
    Caso seja do interesse do Sr., ou caso não conheças as obras, posso transcrever os capítulos citados num blog em que publico temas de história geral.
    E mais uma vez, parabéns por esse teu utilíssimo e importante blog.

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