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Amigos e conterrâneos camocinenses, a gente só dar o que tem. Quando pensamos editar um blog, este foi o pensamento: doar todo nosso esforço na construção de uma ferramenta como esta para a divulgação pura e simples da nossa história. Contudo, essa é uma oportunidade de todos participarem desta empreitada, seja comentando, sugerindo, corrigindo e, efetivamente, participando dessa grande viagem que a História nos proporciona. Que nosso "POTE" nunca encha e sacie a todos!!!

sábado, 15 de agosto de 2015

A COMPANHIA NORUEGUESA LORENTZEN EM CAMOCIM



Fonte: arquivo do blog.
                        No porto o perfil alvacente e incaracterístico de uma escuna norueguesa ou o costado sujo de um vapor pernambucano.
 (Trecho de uma carta do poeta Lívio Barreto ao amigo Ulysses, datada de 1894


Entre 1900 e 1914, um capitão norueguês,  chamado M. L. Lorentzen  começou a explorar os serviços de cabotagem entre Camocim e o Estado do Pará. Antes, havia explorado a navegação nos portos do sul. Atraído pelas possibilidades de negócios na região, o referido capitão fez fortuna por aqui, transportando bois e pessoas em seus vapores. A Companhia Lorentzen, além do vapor Rio, se constituía dos vapores Camocim, Sobral, Ipu e Cratheús. A empresa era administrada em Camocim por noruegueses chefiados por Bjorn Bugge, de mesma nacionalidade. Os serviços de frete e capatazia era da responsabilidade da firma camocinense Nicolau & Carneiro. O primeiro desses vapores a operar em Camocim foi o IPU, fabricado em 1905, com capacidade para 700 bois. Depois veio o SOBRAL com data de fabricação de 1908, já com capacidade para 1200 bois. Com o negócio a pleno "vapor", em 1909 chegou o CAMOCIM. No ano de 1910, a firma Nicolau & Carneiro anunciava que o Vapor Camocim (foto) era "[...]melhor aperfeiçoado que o SOBRAL e de marcha mais rápida - 12 knots por hora, illuminado e ventilado á electricidade [...]"(ver foto). Todos estes vapores foram construídos num estaleiro em Oslo, capital da Noruega. No mesmo anúncio, fala-se da construção do CRATHEÚS(1910), que, igualmente aos anteriores, tinha uma capacidade de transporte de 1200 bois. O frete do boi era de 20 mil réis para o Pará e 50 mil réis para o Amazonas. Com o sucesso do empreendimento, a firma norueguesa Lorentzen & Comp. solicita ao Governo Federal a concessão de regalias e vantagens de paquete para os vapores CRATHEÚS e CAMOCIM, concessão esta assinada pelo então Presidente Marechal Hermes da Fonseca pelo Decreto nº 9.725, de 14 de agosto de 1912.
Jornal A Pátria. Sobral-CE. Anno I, nº 26, 03/08/1910
Com a chegada Primeira Guerra Mundial, o capitão norueguês de desfez dos vapores e aplicou o capital numa fábrica de cimento em Oslo. Ficou somente com o vapor Camocim que foi posteriormente vendido para a China. Após a guerra, o capitão norueguês se voltou novamente para a navegação marítima em outros mares.

Fonte: Correio do Ceará, 08 de janeiro de 1970.


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