terça-feira, 3 de setembro de 2013

III SC 03. RECORDAÇÕES DO FESTIVAL DE MÚSICA DE CAMOCIM

Letra da música "Camocim". 1991. Arquivo do blog
Remexendo nos meus arquivos eis que me deparo com a letra da música "Camocim", concorrente do Festival que acontecia na cidade no mês de setembro. Dizem até que o evento vai voltar. Tomara que seja verdade. O referido documento data de 08 de julho de 1991 e trata-se do registro da letra no Cartório André do 2º Ofício, como atesta a assinatura da saudosa tabeliã, Sra. Iolanda Gomes. A letra da música "Camocim" é de minha autoria e ela me veio à mente numa tarde quando eu, meu amigo Adeilson de Senador Sá (in memorian) e o Hélio, também daquela cidade, dedilhava um violão no antigo Restaurante Odus enquanto eu olhava "os mastros dos bastardos sem pano. Letra feita, apresentei-a ao grande músico camocinense Rildo Vilela, que infelizmente nos deixou e foi animar os bailes celestes. No VI Festival de Música de 1991, a música foi interpretada pela cantora Aparecida Silvino e acabou se classificando em 2º lugar. Abaixo a letra na íntegra, que na versão musicada sofreu algumas alterações. Infelizmente não temos o registro sonoro:

Camocim 


Letra: Carlos Augusto
Música: Rildo Vilela

I
E eu d'aqui
Olhando os mastros dos bastardos sem pano.
Mini-gigantes emergindo do mar
Como dedos do oceano.
II
Das Barreias ao Cais 
São tantos ais, que eu nem conto.
Em cada abraço apertado,
Extasiados, casais se encantam.
III
Na terra do sol,
CAMOCIM, pedaço de litoral.
Queremos ser terra do sal,
Mas com os mangues
Enverdecendo o arrebol.
IV
Alvejando o luar
Tuas dunas desnudas
Pedem vegetação.
Teus mangues emboras mudos
Gritam por preservação.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

III SC 02 - A RUA SANTOS DUMONT EM CAMOCIM E SEUS CODINOMES


Rua Santos Dumont. Camocim-CE. Fonte: googlemaps
A Rua Santos Dumont em Camocim, talvez seja a que tenha tido mais codinomes em toda sua extensão e história. Isso é muito interessante pois mostra que uma rua é viva e tem íntima relação com seus moradores e com os outros habitantes da cidade, conferindo-lhes uma certa identidade. Caso típico é esta rua que vamos comentar. Antes de receber o nome do "Pai da Aviação", era batizada de Rua da Aurora, como nos lembra o saudoso memorialista Artur Queirós: “... assistimos da calçada de nosso avô Joaquim Carneiro, à rua da Aurora, hoje trecho da rua Santos Dumont, ao insolente e tétrico fogaréu”. (Fonte: SPORT CLUB, In: QUEIRÓS, Artur. Recordações camocinenses e outras memórias. 2ª edição. Fortaleza: RBS Gráfica, 2003, p.40). 
Talvez por chamar-se Aurora, o referido trecho também ficou imortalizado como "Rua do Sol", denominação que até hoje é chamada romanticamente pelos mais velhos.
Seguindo na direção sul-norte temos o Apertada-hora, no cruzamento das Ruas Boa Vista (atual D.Pedro II) com Marechal Floriano. Mais uma vez Artur Queirós nos socorre na descrição: “Local macabro e desabitado, temido por causa das assombrações comentadas. Por ali apenas se passava de dia e, mesmo assim, arredio e desconfiado, com as pernas de sobreaviso para eventual carreira. Á noite, nem pensar. Era necessário um longo contorno por outras ruas, para se evitar o ‘Apertada-hora’,rumo ao centro”. (Fonte: LOBISOMENS E VISAGENS.In: QUEIRÓS, Artur. Recordações camocinenses e outras memórias. 2ª edição. Fortaleza: RBS Gráfica, 2003, p.47-8). 
Seguindo mais à frente, tínhamos a Rua do Macêdo, trecho de casas usadas por prostitutas no trecho que fica imediatamente atrás da Igreja de São Pedro. E a sua rua, tem outros nomes e codinomes?


 

domingo, 1 de setembro de 2013

III SC 01 - A MINA DE COBRE DE VIÇOSA E O PORTO DE CAMOCIM


Mina da Pedra Verde. Viçosa do Ceará.
Porto de Camocim. Arquivo do blog.
Dentro das viabilidades econômicas para movimentar o Porto de Camocim e até mesmo a antiga Estrada de Ferro de Sobral, o potencial mineralógico da região sempre foi colocado como saída, realizando-se uma integração dessa parte do Ceará e de estados vizinhos como o Piauí e Maranhão. No entanto, salta aos olhos a ineficiência e a falta de vontade política de nossos governantes para a causa. Senão vejamos o caso da mina de cobre da Pedra Verde em Viçosa, que teve suas primeiras explorações ainda no século XIX por exploradores europeus, "vindo ao Ceará pelo litoral norte do estado", Camocim, mais especificamente. Pois bem, como assinala a Revista Veja (01 de dezembro de 1976, ed. 430, p.110-111), a mina tinha uma capacidade de 20 milhões de toneladas, que poderiam produzir cerca de 60 toneladas diárias a serem transportadas de caminhão até o "porto marítimo de Camocim, um ancoradouro natural que mesmo em decadência há quarenta anos pode ser utilizado de imediato, livre de novos investimentos, o concentrado seguirá por chatas até a Bahia para ser afinal industrialmente processado". Ora, isso nunca aconteceu, notadamente porque o porto necessitaria da eterna dragagem e outros investimentos. A reportagem é do final de 1976, a mina esteve em atividade "em meados da década de 60 aos anos 80, sendo abandonada literalmente até os anos 2000 (...) Empregava centenas de trabalhadores de várias empresas como a CPRM e a GOSOL". Como podemos perceber o que falta mesmo é um planejamento sério das ações de governo no sentido da exploração de nossos recursos, integrando as potencialidades da região com os equipamentos disponíveis. 









Fonte: Texto e foto da mina da Pedra Verde: http://www.ratificando.com/noticias/mina-pedra-verde-vicosa-do-ceara/#ixzz2de7nfYfA

III SETEMBRO CAMOCIM - 134 ANOS DE EMANCIPAÇÃO

Capa do Informativo do Centenário. 1979. Fonte: NEDHIS. Sobral-CE.
Caros camocinenses daqui, dali e mundo afora. Chegamos a mais um setembro, mês da data emancipatória há 134 anos. Mesmo sabendo que a história de Camocim não se resume apenas a esse tempo um pouco mais do que uma centúria, é sempre bom relembrarmos fatos do passado mais recente presenciado por nós, assim como de um tempo longínquo que não nos pertenceu. Essa é a função do historiador: lembrar o que os outros esqueceram. Neste sentido, mais uma vez o blog Camocim Pote de Histórias , beirando os 50.000 acessos, visitado por internautas de mais de 13 países, realizará uma força tarefa para levar ao conhecimento de todos, fatos da nossa história, opiniões, versões, como forma de contribuir para o entendimento de nosso presente. Como sempre, peço ajuda aos amigos, alunos, ex-alunos, leitores que tenham algum documento, uma foto, uma carta, uma história que meraça registro, que nos procure para juntos fazermos mais um SETEMBRO CAMOCIM através da história. Nossa proposta é todo dia publicarmos uma postagem como forma de homenagear nosso município, de incutir no sei da comunidade a importância da história para nossas vidas. As matérias virão numeradas com o código III SC. Tá lançado o desafio!

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

HISTÓRIAS DA PROSTITUIÇÃO EM CAMOCIM


Capa do livro "O Terra e Mar" de Carlos Cardeal
 

Convidado para escrever uma crônica semanal do blog Camocim Online, decidi fazer uma ponte entre passado e presente, envolvendo a polêmica sobre as declarações do advogado Marcos Coelho com relação à Câmara Municipal de Camocim: 



Entendo perfeitamente quem rebate as comparações do trepidante causídico, notadamente as vereadoras, pelas convenções sociais óbvias. Contudo, ironia da história – no extinto e mais famoso cabaré que se tem notícia na história de Camocim – O Terra e Mar, algo além do que as prostitutas em profusão chamava a atenção, como nos deixou escrito Carlos Cardeal em romance de título homônimo:(...) Acima das prateleiras, estava gravada na parede branca, com letras pretas a célebre frase shakespeariana retirada do monólogo de Hamlet: To be or not to be, that is the question”. Logo abaixo, a tradução em letras não menos legíveis, mas de menor tamanho, “ser ou não ser, eis a questão”.
Logo comecei a pensar na importância dessas mulheres para a economia local, ocupando espaços na cidade, criando uma cuja zona do baixo meretrício que ia desde a Rua do Macedo (final da atual Santos Dumont) passando pela Marechal Deodoro, subindo a General Sampaio até o encontro com a Marechal Floriano, formando uma espécie de “U” se constituindo numa geografia do prazer.
Essa ambiência da prostituição é recuperada no romance de Carlos Cardeal. As prostitutas chegavam por trem e faziam a vida na zona, “aliviando” a dureza da lida no mar dos marinheiros ocasionais e aventureiros que por aqui aportavam. Na narrativa romanesca, ponteada de ficção, mas, agregando muitos aspectos reais e históricos, os lugares e as festas são descritos com riqueza de detalhes. A protagonista do romance é a prostituta Rita.
Com a decadência do porto e o fechamento da ferrovia essa prostituição muda de feição e de lugar, mas não posso deixar de pensar no que se tornou o prédio da Estação Ferroviária até meados da década de 1980. Famosa ficou aquela senhora que recebia os clientes nos escombros das Oficinas, cujo nome era incendiário. Das minhas próprias lembranças, onde andará aquela moça que atendia no Cabaré do Kátia, importada da cidade de Parnaíba e que iniciou alguns rapazes da minha geração?
Esse tempo não está apenas na memória, mas também já virou história na monografia de conclusão do Curso de História da UVA de Petrilia Paulini Pereira Sales com o título: “O Terra de Mar: uma história do profano em Camocim-CE. 1940-1980.
Rapariga pode não ser um bom nome para se imputar (sem trocadilho) a outrem. No entanto, é preciso dizer que elas são sujeitos da sua própria história, votam e podem ser votadas.

Foto: arquivo do blog.

domingo, 25 de agosto de 2013

'SOBRE CAMOCIM - Política, trabalho e cotidiano"

Capa do livro "Sobre Camocim". Autor: Luís Carlos Lima


Escrever sobre história é difícil, mais ainda é publicar os resultados dessa aventura cheia de percalços, onde sempre o que se diz é apenas uma simples versão dos fatos. Desta forma, penso que qualquer iniciativa no sentido de recuperar a nossa história através dos documentos, dos depoimentos e das narrativas é salutar para o entendimento do nosso passado e a compreensão do nosso presente.Pensando nisso, há algum tempo venho tentando promover dentro da minha profissão de professor e historiador a revitalização desse debate em nossa cidade. O blog Camocim Pote de Histórias é fruto dessa vontade. No entanto, precisamos atacar em outras frentes e, neste sentido, a publicação de um livro ainda é uma importante ferramenta na popularização da história e para o uso pedagógico de professores e alunos.Entendendo nossa proposta os professores Carlos Manuel do Nascimento e Francisco Rocha Pereira se uniram com o objetivo de colocar mais um número em nossa ainda parca historiografia, somando os esforços e as economias para juntos lançarmos o título: "Sobre Camocim: política, trabalho e cotidiano, trazendo minhas notas de pesquisa sobre os comunistas e os trabalhos monográficos deles sobre os portuários e as amplificadoras - precursoras do rádio em Camocim, respectivamente. O lançamento da obra está previsto para quando setembro chegar, dando assim nossa contribuição para as comemorações do centésimo trigésimo quarto aniversário de nosso município. Desde já queremos agradecer ao Prof. Jonas Pessoa, camocinense que ensina os brasilienses como se deve falar e escrever no português pela revisão dos nossos textos. Esta é uma iniciativa coletiva de historiadores locais que entendem que a história do município deva ser recuperada pelos esforços de todos.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

A SOCIEDADE AMIGOS DA MARINHA DE CAMOCIM

Capitania dos Portos de Camocim. Fonte: www.mar.mil.br


A Sociedade dos Amigos da Marinha - SOAMAR foi fundada com a intenção de criar um canal entre a Marinha do Brasil e a sociedade civil, no sentido de divulgar as ações da mesma junto à mídia e alertar a população para a importância de nossa costa, dos recursos naturais marítimos e fluviais. A Soamar-CEARÁ foi criada em 1974, depois da de Santos e Salvador, que teve como primeiro presidente o ex-governador César Cals de Oliveira. Em Camocim, a fundação se deu em 1987 e teve como seu primeiro presidente o empresário José Hindenburg Sabino Aguiar (1922-2006), cujas relações com a Marinha se deu desde sua origem, já que o primeiro Agente da Capitania dos Portos de Camocim foi seu pai Pedro Aguiar.

Fonte: Hindenburg Aguiar (foto): www.camocimonline.com

domingo, 28 de julho de 2013

O PORTO DE CAMOCIM E A MIGRAÇÃO PARA A AMAZÔNIA

Já enfocamos neste espaço a busca do eldorado de camocinenses na Amazônia na esteira das levas de imigração patrocinadas pelo Governo Federal na mobilização que ficou conhecida como “Borracha para a Vitória”, dentro do chamado esforço de guerra durante a II Guerra Mundial. Nos arquivos do Fórum de Camocim uma simples ação declaratória impetrada pela irmã de Gerardo Fontenele Lima em 1986, mostra o indício das motivações que levaram o jovem camocinense a "se mandar" para a Amazônia.



Porto de Camocim. Arquivo do Blog.
O rapaz em questão é tio dos amigos Paulo do Veré, Eliana, Elenita e Salvelina. [1]. 
No entanto, esse fragmento junta-se a muitos outros que as pesquisas sobre imigração vão revelando. É o caso da Tese de Doutorado de Franciane Gomes Lacerda, intitulada: Migrantes cearenses no Pará: faces da sobrevivência.(1889-1916) defendida em 2006 na Universidade de São Paulo - USP.
Neste trabalho, podemos verificar que a migração para a Amazônia, no entanto, não se dá somente no período da Segunda Guerra Mundial. Com efeito, nos momentos de seca esse fênomeno também acontece. A autora relata as partidas de cearenses do Porto de Camocim em 1889 e 1910, assim como dos pedidos destes trabalhadores junto ao Governo de recursos para trazerem suas famílias para junto de si. Buscar quem foram estes migrantes, quem foram estas famílias, quantos voltaram, quem ficou por lá, é uma possibilidade enorme de pesquisa. Quem se habilita?

[1] Ação declaratória – Nº 2526. Autora: Angelita Ferreira Fontenele, fl. 2, Ano: 1986. Cx: 114.