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Amigos e conterrâneos camocinenses, a gente só dar o que tem. Quando pensamos editar um blog, este foi o pensamento: doar todo nosso esforço na construção de uma ferramenta como esta para a divulgação pura e simples da nossa história. Contudo, essa é uma oportunidade de todos participarem desta empreitada, seja comentando, sugerindo, corrigindo e, efetivamente, participando dessa grande viagem que a História nos proporciona. Que nosso "POTE" nunca encha e sacie a todos!!!

sábado, 3 de junho de 2017

CAMOCIM NOS LIVROS VII - A EXPEDIÇÃO DE PERO COELHO À IBIAPABA


Capa do livro  História do Brasil (1500-1627).de Frei Vicente Salvador. Fonte: http://www.fundar.org.br
Prosseguindo na tarefa de mostrar Camocim nos livros, desta vez trazemos para o conhecimento de todos a primeira obra de história escrita por um brasileiro. Trata-se de História do Brasil. 1500-1627, de Frei Vicente Salvador, nascido na Bahia. A referida obra data do início do século XVII, mas só foi publicada em fins do século XIX. Pelo recorte temporal da obra, logicamente a mesma se refere aos "acontecimentos relativos à formação do Brasil desde a descoberta, em 1500, até o governo de Diogo Luís de Oliveira, em 1627. As figuras eminentes do tempo e os fatos ocorridos são descritos com graça, humor e simplicidade".
E Camocim não poderia estar fora destes acontecimentos, notadamente relacionados ao período do Ceará Colonial. Com riqueza de detalhes o autor narra os eventos que marcaram a retomada pelos portugueses da Serra da Ibiapaba aos franceses, no que resultou numa guerra sangrenta, no capítulo, 38º: – Da entrada que fez Pero Coelho de Sousa da Paraíba com licença do governador à Serra de Boapaba. O capítulo começa narrando os preparativos da expedição até chegar ao ponto de partida para a subida da serra, a barra do Camocim. Vejamos este trecho da obra: 


O mesmo fizeram depois os da outra aldeia à imitação destoutros, e foram todos marchando até o Ceará, onde, depois de alguns dias de descanso por causa da gente miúda, tornaram a marchar até um outeiro a que depois chamaram dos Cocos, porque uns sete ou oito que plantaram à tornada os viram nascidos com muito viço. E dali foram à enseada grande do âmbar e à mata do pau de cores, que chamam iburá-quatiara, depois ao Camoci, que é a barra da Serra da Boapaba, para a qual marcharam o seguinte dia, véspera de São Sebastião, 19 de janeiro de 1604, antemanhã. (p.292, Grifo nosso).


O mérito da obra do autor baiano só foi reconhecido tempos depois, através do  historiador cearense Capistrano de Abreu, "o principal responsável por tornar conhecida a História do Brasil, de Frei Vicente do Salvador, o primeiro livro a oferecer interpretação sistemática da “história do Brasil”. Escrito parte na metrópole, parte na colônia, o manuscrito ficou ignorado no Brasil, mas não inteiramente em Portugal, onde circularam algumas cópias.
Algumas passagens dessa obra tornaram-se antológicas e, provavelmente, foi o que mais entusiasmou Capistrano de Abreu e estudiosos como Manoel Bomfim, José Honório Rodrigues e Francisco Iglésias. Pautados pelo desejo de dar um fim às narrativas de exaltação à colonização portuguesa (e protagonizadas apenas pelas elites tradicionais), eles identificaram nessas passagens “sementes” de um pensamento nativista, ou mesmo, como chegaram a sugerir Bomfim e Iglésias, as primeiras manifestações de “nacionalismo” já no século XVII". (Biblioteca Básica do Brasil).

Fontes:
 www.estante,virtual.com.br
 http://www.fundar.org.br

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