segunda-feira, 19 de setembro de 2011

SC 15 - A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL EM CAMOCIM


Trapiche da “base” americana em Camocim – Avião sendo reabastecido. Foto: Arquivo do blog
Durante a Segunda Guerra Mundial, Camocim foi sondada para a  instalação de um posto de comando, que acabou sendo instalado em Fortaleza, que acabou dando origem ao Bairro do Pici (PC em inglẽs). No clima da guerra, jornalistas camocinenses no Jornal "O Momento" defenderam que os países aliados deveriam compor uma grande base de defesa aérea e naval no sentido de conter os possíveis ataques alemães nas Américas.No mesmo artigo, a receita de um estrategista francês para combater essa possível invasão: “construir uma imensa frota de bombardeiros; treinar um grande exército de guerrilhas, como a HOME GUARD dos ingleses e acabar, desde já, com todos os 5ª colunistas”. Tais preocupações parecem ter sido as mesmas dos redatores do jornal aludido. Infelizmente, a matéria na qual nossos antenados jornalistas antecipavam essa preocupação não sobreviveu ao tempo:
Tem sido isso, justamente o que nós do Momento de há muito vimos dizendo. Temos denunciado os quinta colunistas e os traidores por eles subornados, mostrando os propósitos de conquista do nosso país, alimentado pelos totalitários. Os fatos tem-nos dado razão.
Quando o Momento publicou um artigo com a epígrafe – Camocim base naval e aérea – muita gente riu. O que nós dizíamos não passava de tolice.
Agora, porém, todos estão vendo que o que dissemos naquele artigo era fruto de observação e estudo, e que a razão estava conosco.1
Não dá para dizer da repercussão destes acontecimentos nos ânimos dos camocinenses de então, afora os defensores na trincheira de “O Momento”, contudo, não deixa de ser um retrato do cotidiano da guerra. Para não dizer que os temores eram de todo infundados, em Camocim foi construído um trapiche, tomado como uma pequena base americana, no atual Bairro dos Coqueiros que servia de ponto de reabastecimento de aviões e, no ano de 1942 tem-se o registro de prisões de quatro pessoas tidas como suspeitas de algum crime, dentre eles, o alemão Werner Timm, acusado de exercer espionagem a favor do Eixo, já que fora preso em sua casa na cidade de Sobral, com material de rádio transmissor. 


1 RODRIGUES, Fernando. Disciplina e Liberdade. O Momento. Ano 5, nº 160. Camocim-CE, 24 de abril de 1942, p.1

sábado, 17 de setembro de 2011

SC - 14 - NOS TEMPOS DA LAGOSTA EM CAMOCIM

Barcos lagosteiros -  Fonte: radiouniaodecamocim.blogspot.com
Houve um tempo que a pesca da lagosta movimentava a economia de Camocim. Nos acostumamos com a partida dos barcos para uma jornada de 90 dias no mar, quase sempre no mês de maio, após o defeso do crustáceo, diante da balaustrada da Avenida Beira-Mar com muito foguete e lenços de despedida do povo e dos familiares dos pescadores desejando-lhes uma boa pescaria. Quando menino ainda tentei fazer umas telas de arame para manzuás no quintal de um vizinho, porém, sem sucesso. As firmas de pesca terceirizavam o serviço de fabricação de manzuás, a armadilha para se pegar a lagosta e quase todo quintal de Camocim tinha gente fabricando as estruturas de madeira (varas de marmeleiro) e arame, além dos cordões para fazer a boa da armadilha. Com o tempo, os manzuás foram ficando obsoletos e novas técnicas de captura foram sendo desenvolvidas, trazendo também com elas a destruição do habitat marinho das lagostas, diminuido as "safras" e gerando problemas de ordem ecológicas e de competição na captura do crustáceo, como assinala a reportagem do Jornal Tribuna do Ceará em 1985, mostrando o conflito entre pesca industrial e artesanal do produto. Em Camocim, era notável o enriquecimento de donos,mestres e motoristas de barco, além de emprego para centenas de pescadores. O comércio varejista também ganhava com o abastecimento dos barcos. Em meados dos anos 1990 firmas e barcos migraram, principalmente, para o Estado do Pará, região de Bragança e Maracanã. Hoje a lembrança dos "tempos da pesca da lagosta" é o que fica, posto que esta não é mais uma atividade lucrativa e significativa na cidade. Até a Festa da Lagosta, (que escolhia suas rainhas e princesas e traziam grandes bandas e nomes da música nacional, como Banda Paulo de Tarso, Trepidant´s, The Fevers, Vanusa, Karybeans Kings, dentre outros) a mais tradicional da cidade, última referência deste tempo áureo, não aconteceu este ano, de 2011 depois de 34 anos seguidos de realização sob a batuta do Lions Club de Camocim.

Fonte: Jornal  Tribuna do Ceará. Fortaleza, 17/05/1985. Biblioteca Menezes Pimentel

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

SC 13 - O CINEMA EM CAMOCIM

CINE JOÃO VERAS - Por José Maria Sousa Trévia - Série: ESCRITORES DE CAMOCIM
 O CINE JOÃO VÉRAS
Na Rua Engenheiro Privat, a cem metros da Praça da Estação Ferroviária, em Camocim, o tempo volta e nos traz silenciosos recados quando contemplamos o vetusto prédio do nosso saudoso Cine João Véras. (...) Fundado na década de 1920, o velho cine passou por diversas fases, alternando tempos de glórias e períodos de decadência, incluindo aí, fases em que cerrou, temporariamente, suas portas, sofrendo sequenciadas mudanças de administrador.
Existem conhecedores da história de nossa Camocim antiga, vezeiros em afirmar que o Cine João Véras, em seus primórdios, foi denominado de Cine Rialto, vindo a receber, posteriormente, na década de 1930 ou 1940, o nome pelo qual foi consagrado e ainda hoje é lembrado, numa homenagem a João Batista Véras, irmão da primeira esposa do senhor Alfredo Coelho, proprietário daquela casa de espetáculos. Nos primeiros anos de sua fundação, o Cine João Véras não era sonorizado, época em que tínhamos o chamado "cinema mudo". A alternativa que se dispunha para dar mais vida ao espetáculo era tornar a sala musicada ao vivo, por pianistas que se consagraram por suas oportunas apresentações, destacando-se a Sinhazinha Gouveia, Nísia Trévia e a esposa do senhor Celso Mota, de cujo nome não se tem informação assegurada. 
(...)
Era assim, o Cine João Véras de meu tempo. Havia uma divisória de madeira, com altura aproximada de 1,20 metro, que dividia a sala de projeção em duas categorias - Primeira Classe e Geral - sendo esta última ocupante da área mais próxima à tela, onde os bancos não tinham apoio para os braços e nem para as costas, e cujo ingresso tinha preço único e mais barato, comparativamente aos bilhetes da Primeira Classe. (...)
Durante o dia, em pontos estratégicos da cidade, ficavam expostas as tabuletas, amarradas aos postes de ferro da rede elétrica, as quais anuncivam o programa diário do cinema, indicando o nome do filme, os principais atores, o horário sempre às 19h30min e preços dos ingressos. (...) Geralmente, os locais preferidos eram as esquinas do Armazém José Trévia, do Armazém Eduardo Normandia e Loja do Neném Lúcio, além de outros pontos eventuais, como a Praça da Matriz e o Mercado. E a divulgação contava, ainda, com os anúncios volantes, constituído por uma tabuleta especial, já que contava com cartazes do filme, carregada por dois garotos, tendo ainda um terceiro que seguia à frente, tocando um tambor.
Em um período de cinquenta anos, inserido nas décadas de 1920 até a de 1960, surgiram algumas salas cinematográficas em Camocim, mas, nenhuma delas se manteve tantos anos em atividade quanto o Cine João Véras. Dentre aquelas que surgiram e, posteriormente, desapareceram, citamos o Cine São Pedro, no Bairro São Pedro, no limiar dos anos sessenta; o Cine Astória, pertencente ao senhor Neném Lúcio, que no final dos anos cinquenta fuincionava no antigo prédio do senhor Manoel Juarez Carneiro, na Praça do Mercado. Registramos, também, o Cine Recreio, de passagem efêmera, que funcionava em uma sala da antiga sede provisória do Comercial Club de Camocim. Em épocas mais remotas, Camocim foi premiado, ainda com o Cine Theatro Éden, também na Praça do Mercado, fundado em 1929 pelo senhor João Véras e fechado após sua morte, em 1932, vítima de paratifo. Fala-se ainda, do Cine Relâmpago, de cuja história, ironicamente, quase nada se sabe e de nenhum registro se tem notícia.

Mais uma história para se recordar e colocar na infeliz pecha do "já teve" camocinense. A crônica completa o leitor pode ler em 'OUTROS TEMPOS" , livro do escritor camocinense José Maria Sousa Trévia.

Foto: Arquivo do blog.









SC 12 -O ASSOCIATIVISMO RURAL EM CAMOCIM

Começo dos anos 1970. Minha família, récem chegada em Camocim vai morar na Rua Riachuelo. A referência maior era para se chegar à casa é que ficava defronte da "Sede". A "Sede", no entanto, era um casarão deteriorado, onde meninos durante o dia, ou quem sabe homens, durante à noite, faziam suas peripécias. Seu quintal com algumas fruteiras iniciava um caminho que encurtava a distância para quem queria sair da Riachuelo e chegar na Rua Paissandu, próximo ao Ponto Róseo. Estas são apenas lembranças para compor o cenário de que iremos falar hoje: o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Camocim, cuja origem remonta ao final dos anos 1920 com a instalação em Camocim do BOC - Bloco Operário e Camponês, origem do núcleo do PCB no município, passando pela composição de uma efetiva Liga Camponesa nos anos 1940. No período associativista das categorias de classe, (1940-60) os trabalhadores rurais camocinenses fundaram a Sociedade dos Pequenos Agricultores do Município de Camocim em 1946, com a presença de alguns comunistas e simpatizantes em sua primeira diretoria.Na postagem, transcrevemos o registro da associação em 1953, com alguns objetivos da entidade e sua primeira diretoria.

SOCIEDADE DOS PEQUENOS AGRICULTORES DO MUNICIPIO DE CAMOCIM - PROTOCOLO Nº 139, 28 DE ABRIL DE 1953.

Capítulo 1 - Dos fins da sociedade.
Art. 1º. A Sociedade dos Pequenos Agricultores do Municipio de Camocim, fundada no dia 14 de abril de 1946 e com sede nesta cidade, é uma sociedade de defesa e assistência aos pequenos agricultores, constituída por número ilimitado de sócios, tendo por programa básico os seguintes princípios:
I - Defesa e assitências aos agricultores.
II - Pecúlio à família de todoassociado falecido no gôso dos seus direiros sociais.
Art. 2º. Para execução do seu programa de ação a "Sociedade dos Pequenos Agricultores!. envidará todos os seus esforços no sentido de:
a) Agremiar todos os agricultores par unidos em um só corpo, tornarems-e dignos, fortes e respeitados na defesa de seus direitos; (...)
c) Trabalhar pela consecução do regime de 8 horas de trabalho;
d) Proppugnar pela distribuição de terras devolutas do estado aos pequenos agricultores, pela aquisição de terras par planatar, por preços acessíveis; pelo crédito barato e a longo prazo e pelo livre comércio para seus produtos;
e) Pleitear junto aos poderes públicos pela distribuição gratuita de sementes, ferramentas, inseticidas, etc;
f) Instruir os seus associados a fim de que obtenham os benefícios que lhes são assegurados pela legislação: (...)
h) Lutar contra o analfabetismo; (...)
l) Lutar para que os associados venham gozar de um sitema de Previdência Social que de fato expresse o mínimo de suas aspirações. (...)
Diretoria
Francisco das Chagas Teixeira - Presidente
Angelo Pereira de Brito - Vice - Presidente
Joaquim Rocha Veras - 1º Secretário
Severiano Sabino da Silva - 2º Secretário
Sebastião da Silva Brito - 1º Tesoureiro
José Felipe Sobrinho - 2º Tesoureiro
Izídio Ribeiro de Sousa - 3º Tesoureiro
Diretores:
Raimundo Nonato da Silva
Francisco Felipe Rodrigues
Antono Bento da Rocha
Olegário Rodrigues Aguiar
Antonio Rodrigues da Costa 

Mais de meio século depois, as aspirações e as bandeiras de luta do homem do campo, parecem ser as mesmas, em outros contextos e com outros personagens.

Fonte: Cartório André. Registro Civil de Pessoas Jurídicas. Ano: 1953. Nº de Ordem: 05. 28 de abril de 1953.
Foto: zipix.com.br

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

SC 11 - O INVERNO DE 1974 EM CAMOCIM

Dizem os profetas que ano terminado em 4 é ano chovedor. Para mim, a imagem mais marcante do alto dos meus 9 anos de idade em 1974 foi o Mercado Público sendo mostrado na televisão escorado com estacas de carnaúba no seu lado externo. Todo dia uma casa caía. Pessoas morreram. Estradas foram cortadas pelas chuvas. Foi decretada calamidade pública. Vejamos o relato do pároco da época:

Ano de 1974

O grande evento digno de menção especial no ano de 1974 foi o rigoroso inverno que abalou todo Estado do Ceará, mormente a nossa Paróquia. Grandes trechos de estradas e rodovias ficaram interrompidas pela inundação das águas vindas de pequenos rios e lagôas, situadas ha pouca distancia. Na cidade ruíram diversas casas de residencia. Uma casa que era situada na Rua 24 de Maio caiu, acarretando efeitos fatais. Morreram duas creanças esmagadas pelos escombros. Foram dias de profunda angústia e tristeza para todos, máxime para a população pobre. 

O relato sintético e compungido do Monsenhor Inácio hoje vira documento da história de Camocim.

Fonte: 3º Livro de Tombo da Paróquia de Bom Jesus dos Navegantes - Camocim. p. 33

Foto: Mercado Público. Década de 1950. Disponível em: nostalgia.blogspot.com

terça-feira, 13 de setembro de 2011

SC 10 - A CAPELLA DE SÃO PEDRO

Igreja de São Pedro. Disponivel em http://pesquisecamocim.blogspot.com
Em junho passado havia postado uma matéria sobre a Igreja de São Pedro, precisamente sobre as motivações que o Padre Manuel Henriques havia lançado em uma Carta Aberta ao povo de Camocim para adquirir ajuda financeira para erguer a então capela em "honra do Apósotolo Pedro" (Portaria de Licença para Construção da Capella de São Pedro). Hoje trazemos um pouco mais dessas motivações, agora escritas no Livro de Tombo da Paróquia de Bom Jesus dos Navegantes. Como podemos ver, as justificativas do padre não era comente com comunistas:
Capellla de São Pedro
Necessitando immensamente Camocim da construção de mais uma Igreja, num local que ficasse não só ao acesso dos moradores dos seus bairros mais populares, que são precisamente os da parte norte da cidade, entregues tradicionalmente a uma lamentavel e parece que incorrigivel decadencia de costumes, num local, onde, tambem se pudesse dar combate mais efficiente às idéas communistas e partecularmente às protestantes, actualmente aqui pregadas, de mil e novecentos e trinta e tres para cá, por ininterruptas missões protestantes norte-americanas, num local, finalmente, que tambem oferecesse facil acesso ao povo da parte central da cidade - fiz no extremo da "" Rua 24 de Maio"  em nome do Patrimonio do Senhor Bom Jesus dos Navegantes, compra ao Sr. André Pessôa e sua Senhora. d. Maria Luiza Pessôa, de um terreno appropriado para a referida construção.
Quiz collocar a nova Igreja sob a invocação de S. Pedro, Chefe da Egreja e patrono dos pescadores, afim de que tendo essa feição simpathica para elles e, ademaes, ficando próxima de suas moradias, contribuisse essa circunstancia para attrahir à Egreja os pescadores e os operarios dos bairros em torno e visinhos. (...)
Como vimos, o texto traz muitas informações interessantes do passado e questões para pensarmos o presente da nossa história. 
Fonte: 2º Livro de Tombo da Paróquia de Bom Jesus dos Navegantes. 1931 -1961. p. 82.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

SC 9 - OS FESTIVAIS DE MÚSICA EM CAMOCIM

Lembro-me como se fosse hoje. O ano era 1986. Local: Quadra do SESI. Iniciava-se ali a primeira edição do Festival de Música em Camocim, uma inicativa no campo da cultura que colocou a administração da então Prefeita de Camocim, Ana Maria Veras (foto), na mídia cearense, recebendo intensos elogios. O festival tomou outras proporções e no final dos anos 1980 já tinha uma dimensão nacional, fechando o último dia, quase sempre com uma atração da MPB a nível nacional. Quando ainda tinha tempo de compor, andei arriscando umas letras com o saudoso músico camocinense Rildo Vilela ("Camocim", segundo lugar em 1992) e com Naldinho ("Tupicália" e Camocim-CE"). O festival era um momento aguardado em Camocim por poetas, letristas e músicos. Artistas da música e da poesia como Batista Sena, Marcílio Homem, Stanley, Evanmar, Naldinho, César Augusto, R.B.Sotero, dentre outros, procuravam mostrar seus talentos e comover os espectadores. Todo mundo ficava esperando as músicas dos artistas locais e as atrações de outros estados. O tempo foi passando e como tudo que é bom para esta cidade, os próprios políticos tratam de por um fim. O Festival de Música foi um deles. Enquanto esperamos seu resgate novamente, o blog recupera a primeira notícia veiculada pelo Jornal Tribuna do Ceará sobre o evento. Confiramos:
Tribuna do Ceará, Junho de 1986. Fonte: Biblioteca Menezes Pimentel. Pesquisador: Alênio Carlos.



sábado, 10 de setembro de 2011

SC 8 - AS LEIS DE TRÃNSITO EM CAMOCIM

De tanto ver os animais transitarem em nossa bela Camocim, de ser matéria de blogs e noticiários outros, disputando o espaço com os humanos, nada como dar uma bela olhada no passado, lá para o fim do século XIX, e perceber o quanto estes nossos companheiros de cotidiano já martelavam a cabeça dos governantes. Para os elaboradores do Código de Posturas de 1883, o primeiro da Villa de Camocim, isto já era um problema flagrante, ganhando capítulo especial.  Isto ocorria em nossa urbe naquele momento, evidentemente sem os problemas de agora: mais gente nas ruas, carros, motos, bicicletas e, sem esquecer as indefect´vieis "vaquinhas", cavalos dentre outros quadrúpedes. Vejamos:

Capítulo IV
Transito de carros, carroças e animaes
Art. 53. É prohibido
§ 1º. O transito de carros e carroças pezadas ou de eixo fixo sem guia;
§ 2º. O transito de carroças ou carros juntos ou sobre as calçadas das cazas;o dano cauzado será reparado pelo infractor;
§ 3º. O transito de carros e carroças nas ruas em ocaziões de passar alguma procissão e o S. S Sacramento ou em que se fizer alguma publica religiosa;
§ 4º. Conduzir pelas ruas e estradas animaes bravios sem a devida segurança;
§ 5º. Andar a Cavallo, condusil-o ou conserval-o sobre as calçadas ou passeios das cazas;
§ 6º. Correr a Cavallo pelas ruas e praças da Villa, sem motivo urgente, ou serviço publico.
O infractor d'este art. será multado em 4000 réis e o duplo na reencidencia. 
   
Como se vê o histórico de desobediência destes itens da dita urbanidade com relação ao trânsito de pessoas e animais é secular e se caracteriza como um componente de nossa cultura. Até quando?

Fonte: Código de Posturas de Camocim. APEC. Fundo: Câmaras Municipais. Caixa 28.
Foto: Camocimonline