O Blog:

Amigos e conterrâneos camocinenses, a gente só dar o que tem. Quando pensamos editar um blog, este foi o pensamento: doar todo nosso esforço na construção de uma ferramenta como esta para a divulgação pura e simples da nossa história. Contudo, essa é uma oportunidade de todos participarem desta empreitada, seja comentando, sugerindo, corrigindo e, efetivamente, participando dessa grande viagem que a História nos proporciona. Que nosso "POTE" nunca encha e sacie a todos!!!

terça-feira, 7 de junho de 2011

A CENSURA EM CAMOCIM

Esperando o desenrolar dos acontecimentos que envolvem o processo do Prefeito de Barroquinha contra o blogueiro Tadeu Nogueira, lembrei do que passou um professor (sem nenhuma alusão ao alcaide da antiga Paço Imperial) na década de 1930 em Camocim. Tratava-se do Professor Francisco Theodoro Rodrigues que por aqui fundou o Collegio 05 de Julho (que abordarei em postagem futura), ensinando as crianças e rapazes da cidade. Acontece que este mesmo professor fundou um jornal "O Operário", e de quebra, foi um dos fundadores do PCB em Camocim. Não tardou em ser perseguido pelos chamados "burgueses" da época. Recuperemos um pouco da pena de "Chico Teodoro" (ô terra prá dar Chico) num editorial do seu jornal:

COMO AGEM OS BURGUEZES

Os burguezes tem lançado mão de todos os meios para que eu abandone Camocim. tem feito um boycote terrivel ao humilde jornal que dirijo. Este boycote começou desde o momento que reconheceram que o mesmo jornal não elogiava Moreirinha, Mattos Peixoto, Washington Luís, Getúlio Vargas, Juarez e outros políticos. Aos poucos as pessoas que dependiam da burguezia foram deixando as assignaturas, outros deixando de publicar annuncios no “O Operario”.(...). Vendo que “O Operário” continua a circular, os burguezes se exasperam e lançam mão de outro recurso: boycotam a escola que dirijo, à qual, seguindo a praxe do logar, de cada escola ter o nome de collegio, dei o nome de COLLEGIO 05 DE JULHO. Boycotaram retirando os seus filhos, ficando eu somente leccionando os filhos de operarios e pequenos comerciantes.(...) Communismo também não ensino em minhas aulas, porque as leis burguezas me creariam uma situação de arrôcho.(...) Pelo bem, pelo conforto dos lares pobres, pela igualdade social tudo tenho feito e farei. E por assim proceder vejo-me na imminencia de perder o único meio que me mantenho com a minha família. (...) Esse crime dos burguezes de cerciarem os meios de vida dos proletarios conscientes, deixando morrer de fome seus filhinhos é tão grande que jamais poderá ser perdoado!(...) (O Operário”, Anno IV, No. 75, 18 de janeiro de 1931, p.1. Camocim-Ce. In: Processo No. 394. Apelação: 460. Vol.2. Fundo/coleção: TSN. Ano: 1938. Arquivo Nacional).

2 comentários:

  1. Particularmente não confio no discursso dos comunistas pelo simples fato de que quando alcançam o poder eles agem pior do que os chamados burguezes.

    Fco. Souza

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  2. Francisco,
    Particularmente entendo o que você diz, principalmente pelos exemplos que temos às pampas na história. Por outro lado, o que tenciono mostrar é a força das ideias que movem os humanos e, no caso em tela, de opressores e oprimidos em constante dinâmica.

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