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Amigos e conterrâneos camocinenses, a gente só dar o que tem. Quando pensamos editar um blog, este foi o pensamento: doar todo nosso esforço na construção de uma ferramenta como esta para a divulgação pura e simples da nossa história. Contudo, essa é uma oportunidade de todos participarem desta empreitada, seja comentando, sugerindo, corrigindo e, efetivamente, participando dessa grande viagem que a História nos proporciona. Que nosso "POTE" nunca encha e sacie a todos!!!

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

VI SETEMBRO CAMOCIM - VI. AS PARTEIRAS DE CAMOCIM

by Francisca Karla Pinto Lima 
Aluna do Curso de História PARFOR/UVA/Camocim

A matéria recupera a maneira como os camocinenses vinham ao mundo com a ajuda das parteiras, num tempo em que os serviços médicos e obstetrícios eram muito precários.


Cadeira de Parto.  Fonte:  Reprodução/ScienceMuseum.org.uk



Antigamente em Camocim era muito comum as mulheres terem seus filhos em casa com ajuda de uma parteira. Minha sogra, Dona Ivonete, conta que os partos dos seus filhos foram feitos pela parteira conhecida como Dona Maria Balbina, que era uma mais requisitadas da cidade. Ao entrar em trabalho de parto imediatamente ela era chamada. Sem muitos recursos e contando muitas vezes com a sabedoria popular, salvavam vidas, onde o poder público não as alcançavam com os serviços médicos. Os materiais utilizados eram simples e arcaicos, mas, na maioria das vezes, eficientes.
De prontidão iniciava-se os trabalhos de parto apalpando a barriga da gestante para sentir o quanto as contrações estava acontecendo. Panos limpos, água quente, tesoura esterilizada e uma cadeira com um buraco no meio, para a gestante se sentar e uma dose de palavras meigas e firmes, deixavam calmas e confiantes as futuras mamães.
Os primeiros cuidados com o bebê eram prestados pela parteira, que dava o primeiro banho e orientava quanto à forma de cuidar do cordão umbilical do recém-nascido, para que caísse mais rapidamente. No pós-parto, por um determinado período de tempo, havia uma série de restrições, tanto alimentares, quanto de atividades domésticas, como por exemplo: de não poder se abaixar, manter relações sexuais ou tomar banho com água fria.
Hoje em dia, as grávidas dispõem de facilidades para ver o bebê, para saberem se estão em perfeita saúde e sem qualquer deformidade ou doença. Ultrassonografias de rotina e as ecografias 3D ou 4D são incríveis, porque nos permitem ver o bebê mesmo no útero. Nas gestações de 30 anos atrás não tinham como ver o bebê no útero. As mães só podiam imaginar a carinha do seu bebê e tinham que se contentar com o que o médico ouvia e dizia sobre os batimentos cardíacos.Hoje estamos acostumadas a irmos ao ginecologista antes, durante e após a gravidez. Este médico é especializado em controlar o desenvolvimento e crescimento do bebê no útero e normalmente, com o passar do tempo, construímos uma relação de confiança com ele. 
Mas, há mais de 30 anos, as revisões na gravidez podiam ser feitas somente por uma parteira. Existiram varias parteiras em Camocim, na qual destaco algumas delas: Maria Gaúcha, Maria do Lino, Creuza, Maria Balbina, Raquel e a Mãe Filó como era conhecida.
Atualmente, em alguns municípios, como Sobral, as parteiras são incluídas no sistema de saúde recebendo instruções e cursos de especialização numa parceria interessante entre o saber médico e a cultura popular.

Fonte oral: Dona Ivonete.

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