O Blog:

Amigos e conterrâneos camocinenses, a gente só dá o que tem. Quando pensamos editar um blog, este foi o pensamento: doar todo nosso esforço na construção de uma ferramenta como esta para a divulgação pura e simples da nossa história. Contudo, essa é uma oportunidade de todos participarem desta empreitada, seja comentando, sugerindo, corrigindo e, efetivamente, participando dessa grande viagem que a História nos proporciona. Que nosso "POTE" nunca encha e sacie a todos!!!

domingo, 27 de março de 2011

O COCO DE PRAIA DE CAMOCIM


O Coco de Praia de Camocim foi um folguedo cantado e dançado por trabalhadores camocinenses, principalmente pegadores de caranguejo, salineiros, portuários e estivadores. Não mais é executado e a tradição oral dessa festa parece ter se perdido. Na época em que o SESI – Serviço Social da Indústria atuava em Camocim mais fortemente, nas décadas de 1970 e 1980, o grupo folclórico do coco recebia atenção e se apresentava em suas dependências e outros locais públicos. Com o fechamento do SESI, mais um crime cometido contra a população com o a conivência das autoridades locais, boa parte do exercício das nossas potencialidades esportivas e culturasi ta,bém se foram. A Sra. Margarida Vieira, ex-agente do SESI em Camocim ainda relembra sobre o grupo:

“Foi em 1986 que o SESI com o propósito de resgatar a cultura em Camocim criar um grupo de homens (...) para formar a ‘Dança do Coco’. O grupo era composto de 16 homens, pois teríamos 2 para tocar os caixões e 2 para os ganzás e o restante na roda. Os emboladores também tocavam os ganzás. A vestimenta era de algodãozinho tingido da casca do mangue ou do cajueiro para ficar uma cor marrom. Utilizavam também chapéu de palha e dançavam descalços”. [1]

Podemos perceber na fala da depoente a relação direta da Dança do Coco em Camocim com os trabalhadores, guardiães da tradição oral dessa dança, procurando na sua execução se utilizar de elementos muito próximos a sua realidade, desde aos instrumentos à vestimenta tingida com tintas de árvores da flora local. Contudo, a grande maioria deste grupo já faleceu, não passando para as gerações atuais o folguedo, além de não existir atualmente uma política pública de incentivo de práticas culturais deste tipo.

Foto: Arquivo da Sra. Margarida Vieira


[1] Entrevista com a Sra. Margarida Vieira, professora, 06 de outubro de 2007. Camocim-CE.

2 comentários:

  1. Lendo essa matéria lembrei de um tio que gostava muito do folguedo chamado coco.

    Ele trabalhava na salina Martinelli e era assíduo frequentador do coco que se realizava lá para as bandas da praia.

    Chegado a uma pinga minha Tia falava que ele tinha uma rapariga nesse coco, porém nunca foi provado nada de adultério.

    Ele contava que certa vez vinha do coco meio triscado pela cachaça já passando da meia noite.

    Caminhava pela Rua João tomé em direção a Rodagem onde morava e chegando nas quatro esquinas dobrou à esquerda entrando na Rua Riachuelo.

    Na esquina do seu Zé Guilherme dobrou à direita e na outra esquina dobrou à esquerda.

    No meio da escuridão da noite sem lua caminhava pela rua de areia que na época era totalmente desprovida de casas e em dado momento vislumbrou um vulto parado no meio da rua.

    Estancou de repente e pensou em retornar evitando o encontro, porém já estava quase chegando no final do quarteirão e a preguiça de voltar falou mais alto.
    Bateu a mão no jucá que sempre levava consigo e resolveu encarar.

    - Quem está aí?

    O vulto nada respondeu e ele continuou se aproximando.

    - Sai do mei que eu vou passar!

    O vulto continuou impassível e ele se arrepiou, os cabelos subiram à cabeça e pensou que aquilo não era gente deste mundo.

    Olhou para trás e enchergou apenas poucos metros de areia que se destacava do mato e se perdia na escuridão da noite.
    Pensou em retornar mas estava muito perto e o vulto certamente o pegaria.
    Deu mais alguns passos e gritou.

    - Arreda daí que eu vou passar!

    Dito isso deu um salto e se aproximou do vulto.

    Levantou o jucá com as duas mãos sobre a cabeça e com toda a força que dispunha desferiu uma tremenda paulada no meio do vulto, o qual caiu inerte sem dar um gemido.

    Em seguida empreendeu grande carreira sem olhar para trás chegando em casa esbaforido, quase botando a porta abaixo.

    Passou o resto da madrugada sem dormir pensando naquele episódio.

    Quando o dia amanheceu foi ao mercado e resolveu passar no local do incidente.

    Para sua surpresa no local do embate encontrou apenas um tronco de bananeira caído com a marca do jucá na linha da cintura concluindo então que o tal vulto nada mais era do que um tronco de bananeira que a negada usara como trave para bater um racha no final da tarde.

    Moral da história, cachaça e medo faz aparecer vizagens.

    Fco. Souza

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  2. É o Camocim com suas deliciosas histórias de assombrações e visagens, dignas dos dramas de suspense e terror.

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