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Amigos e conterrâneos camocinenses, a gente só dar o que tem. Quando pensamos editar um blog, este foi o pensamento: doar todo nosso esforço na construção de uma ferramenta como esta para a divulgação pura e simples da nossa história. Contudo, essa é uma oportunidade de todos participarem desta empreitada, seja comentando, sugerindo, corrigindo e, efetivamente, participando dessa grande viagem que a História nos proporciona. Que nosso "POTE" nunca encha e sacie a todos!!!

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

VI SETEMBRO CAMOCIM - XXII. O CAFUNDÓ DE DONA BELA

Sabe aquele lugar que se confunde com um morador e vice-versa quanto à sua denominação? Este é o caso de Dona Bela, moradora da localidade de Cafundó, na zona rural de Camocim-CE. Com o tempo e as atividades exercidas por ela, como rezadeira, parteira, dona de um time de futebol e praticante do candomblé, o lugar acabou sendo chamado de Cafundó da Dona Bela por sua presença constante nestas práticas A matéria abaixo destaca esta personagem de 85 anos de idade que sente hoje o peso da idade e se tornou evangélica. 

by Darciane Costa dos Santos 
Aluna do Curso de História PARFOR/UVA/Camocim


Dona Bela, 15.09.2016. Camocim-CE
Foto: Darciane Costa dos Santos
Izabel Alexandre da Costa Rodrigues, popularmente conhecida na região onde mora como Dona Bela, tem 85 anos, mora na zona rural de Camocim, na comunidade do Mororó, há 8 Km da sede. Teve vinte e sete filhos e atualmente tem apenas nove.
Dona Bela nasceu e cresceu na Comunidade do Cafundó, localizada na zona rural de Camocim, onde desenvolveu sua trajetória de vida. Ainda muito jovem começou a ser parteira e dona de terreiro de umbanda, adquirindo fama de macumbeira, como se chama na região, fama esta que a tornou uma pessoa bastante conhecida na sua localidade e vizinhanças.
Na comunidade do Cafundó só tinha ela de parteira. Perguntamos quem a ensinou e ela afirmou que ninguém. Ela relata que resolveu ser parteira por conta da necessidade, pois, nessa época na década de 1950 o acesso aos médicos era difícil para as pessoas que moravam no interior . Ela relata que quando as mulheres estavam sentindo as dores do parto, alguém ia chamá-la, poderia ser a hora que fosse. Para se deslocar ela usava como meio de transporte um cavalo. Dona Bela conta com entusiasmo de suas aventuras e que levou várias quedas de cavalo durante as viagens e quando o parto era perto de sua casa ela ia a pé.
Ao perguntarmos se ela lembrava quantos partos fez ao longo de sua vida, a mesma sorriu... e gentilmente respondeu que não teria como saber ao certo a quantidade exata, mais relata ter sido mais de duzentos partos. Perguntamos se acontecia de alguns bebês morrerem durante o parto, ela disse que sim, pois, os partos eram demorados e às vezes as crianças passavam do tempo de nascer. Relatou também que a procura para ela realizar os partos era constante, por ser muito conhecida. Além das pessoas de sua localidade,outras pessoas de lugares vizinhos sempre iam lhe requisitar para trazer os bebês ao mundo.

Além de parteira como já dissemos acima, ela também era macumbeira o que a tornou bastante conhecida não só apenas no interior mais também em várias cidades levando ao conhecimento de muitos a localidade do Cafundó. Outro fator que contribuiu para isso, foi o fato de que próximo de sua casa ter um campo de futebol onde sempre aconteciam vários campeonatos e por ela se destacar como dona do time do Cafundó e torcedora mais atuante. Atualmente Dona Bela mora com um de seus filhos mais novos na comunidade do Mororó. Por conta da influência do mesmo, Dona Bela se tornou evangélica e afirma com convicção que ainda é parteira, uma profissão que está desaparecendo.
Ela traz consigo boas lembranças de vida e muitas histórias para contar sobre o local onde ela passou sua vida - o Cafundó... Por isso muitos falam no Cafundó da Dona Bela.

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