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Amigos e conterrâneos camocinenses, a gente só dar o que tem. Quando pensamos editar um blog, este foi o pensamento: doar todo nosso esforço na construção de uma ferramenta como esta para a divulgação pura e simples da nossa história. Contudo, essa é uma oportunidade de todos participarem desta empreitada, seja comentando, sugerindo, corrigindo e, efetivamente, participando dessa grande viagem que a História nos proporciona. Que nosso "POTE" nunca encha e sacie a todos!!!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

A BANDA DOS SAPATEIROS DE CAMOCIM


A música é um componente da celebração, da comemoração. Neste sentido, tanto os eventos políticos, como sociais quase sempre são abrilhantados com a exibição de bandinhas de música. Em Camocim, uma das mais antigas formações foi a chamada Banda dos Sapateiros. Embora não tenhamos uma comprovação da atuação dessa banda nos movimentos políticos dos trabalhadores urbanos de Camocim, sua existência é recuperada pelo cronista camocinense Inácio Santos. Acompanhemos seu texto:

Tenho cá eu na memória, saudade especial da banda que durante uma época, até por ser única, animava os festejos da terrinha, principalmente a festa do Padroeiro (...) autodenominei ‘bandinha dos sapateiros’, visto que todos, ou pelo menos 90% dos participantes, eram sapateiros de profissão ou já haviam militado nesta arte. (...) Requisitada esporadicamente sempre que havia necessidade, esses artistas reuniam-se e estavam prontos pro que desse e viesse, não havia tempo para ensaios. (...) Outro pormenor interessante é que na bandinha não existia a figura do maestro, todos eram autodidatas da música. Bastavam reunirem-se, trocarem algumas informações e pronto! Estavam afinados. [2]

A Banda dos Sapateiros de Camocim, pelo seu caráter peculiar, informal, parece estar ligada mais ao lazer operário, no caso dos sapateiros, tornando-se um importante elo na vida social do município, do que propriamente atrelada a uma entidade profissional ou, até mesmo inerente à formação da classe. Numa rápida conversa com o Sr. Raimundo Aristides, um dos remanescentes desta banda, descobrimos que os instrumentos eram de propriedade da prefeitura local, mas, os músicos não tinham vínculo com a municipalidade, recebendo apenas gorjetas dos organizadores dos eventos em que tocavam ou em troca de uma boa pinga, como no aniversário do Sindicato dos Portuários.

Contudo, não se pode descartar sua participação nas manifestações dos trabalhadores, visto que, como ressalta o cronista, ela era única na cidade, no período em que relembra. O próprio ex-trombonista, Sr. Raimundo Aristides confirma a participação da banda nos festejos do Primeiro de Maio e nas alvoradas dos aniversários das entidades sindicais, principalmente no dia seis de janeiro, dia dedicado aos portuários.

Continuando a tradição, temos na foto o maestro Miguel regendo uma das alas da Banda Municipal de Camocim, composta somente por instrumentos de sopro, principalmente flautas doces, quando do lançamento do nosso livro "Cidade Vermelha", na CREDE 04, em 2008.


[2] A composição da banda, segundo o cronista era: “No pistom, Truaca, no trombone de pista, Raimundo Aristides, no trombone de varas, Benone, na tuba ou contra-baixo, Sr. Tasso, na trompa, Zé Ribeiro, no sax, Antonio Basílio, no clarinete, João Brito, nos instrumentos de percussão: bumbo acoplado com pratos, o Cabeça, no tarol, Fransquinho Basílio”. SANTOS, Inácio. “A Banda dos Sapateiros”. O Literário, Ano III, Edição 19, setembro de 2001, p. 3, Camocim-CE.

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