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sábado, 7 de setembro de 2013
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
III SC 05 - A PESQUISA SOBRE O COMUNISMO EM CAMOCIM
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| "Historiador faz pesquisa sobre Partido Comunista em Camocim. Fonte: Tribuna do Ceará. 1998. Fortaleza. |
Parece que foi ontem, mas já faz mais de quinze anos que iniciamos a pesquisa sobre a experiência ideológica dos militantes comunistas em Camocim. Começou com uma simples informação sobre o apelido que a cidade recebeu por conta dessa militância em Camocim, a "Cidade Vermelha". Daí em diante, com a possibilidade de iniciarmos uma carreira acadêmica, começamos por uma monografia num Curso de Especialização em Teoria da História, na UVA, depois veio o Mestrado em História Social na UFRJ/UFC e, finalmente com desdobramentos no Doutorado na UFPE. Foram muitas horas, dias, meses e anos nos arquivos de Camocim, Fortaleza e Rio de Janeiro, escarafunchando documentos, lamentando a ausência de outros (principalmente dos produzidos pelo PCB), entrevistando pessoas (algumas morreram antes de conceder seu depoimento) além das orientações, da leitura de textos, livros e da solidão da escrita, afora as horas furtadas da família. Tudo isso, no entanto, foi compensado com a publicação da dissertação de mestrado e do reconhecimento dos conterrâneos e dos meus pares na academia em inúmeros eventos em que apresentamos os resultados dessas pesquisas. No final de setembro, apresentaremos parte destes textos publicados na imprensa local e alguns inéditos enfeixados em livro (Sobre Camocim. Política, trabalho e cotidiano), juntamente com outros trabalhos dos professores Carlos Manuel e Francisco Rocha. A foto acima marca o início dessa caminhada no ano de 1998, quando fomos entrevistados pelo então correspondente do jornal Tribuna do Ceará em Camocim, Denilson Siqueira.
III SC 04 - O VEREADOR SALINEIRO DE CAMOCIM
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| Câmara Municipal. Foto:camocimimparcial.blogspot.com |
Com a profissionalização da política atualmente, fica até difícil imaginar um vereador vindo do povo, trabalhador das salinas, sem receber salários para comparecer às sessões e ainda ter que justificar suas faltas às mesmas. Pois isto já aconteceu num tempo em que a Câmara Municipal de Camocim era composta por homens (e até uma mulher!) que, apesar de seus interesses próprios e convicções políticas partidárias, tinham alguma ideia do que era a noção de representar a população junto ao poder legislativo. A Sessão Ordinária de 17 de maio de 1963 nos dá bem um retrato de como era exercido os mandatos há cinquenta anos atrás. Abaixo transcrevemos um trecho da mesma em que o então vereador Luiz Damião de Oliveira (ainda vivo entre nós) demonstra a simplicidade do exercício do mandato, um simples salineiro, que posteriormente foi uma liderança dos portuários, envolvido na faina cotidiana do seu trabalho para prover a família e ainda tendo obrigações junto à Câmara. Leiamos?
14ª
Sessão Ordinária –5ª Legislatura, 1º Período Legislativo. 17
de Maio de 1963.
(...)
Em
seguida foi lido pelo Snr. Vereador Luiz Damião de Oliveira o
Projeto de Lei Nº 5/63, de 10/5/63, de sua autoria, que “Autoriza
o Chefe do Poder Executivo Municipal criar tornando feriado municipal
todos os dias santificados, reconhecidos e respeitados pela Igreja
Católica Apostólica Romana desta cidade”. Continuando justificou
as suas faltas de comparecimento às sessões, isto,verificou-se
quando o mesmo está trabalhando nas salinas em carregamento de
vapores e não haver na ocasião das sessões transportes para tal
fim.
Para termos um panorama da composição da Câmara naquela legislatura segue abaixo a relação:
1963
– Presidente –
Amanajás Passos de Araújo
1964/1965
– Presidente –
Antonio Marques de Almeida
1966
– Presidente –
Luis Lopes Viana
VEREADORES:
Carlos
Alberto Nóbrega
Gregório
Francisco Alexandrino
João
Oldernes Fiúza Lima
Luis
Damião de Oliveira
Maria
Carmelita Veras de Paula
Mauricio
Lacerda Rêgo
Otavio
de Santana
Raimundo
Ferreira de Albuquerque
(Suplente)
Joaquim Pereira de Brito
(Suplente)
Valdemar Bessa
Prefeito:
João Batista Aguiar
Vice:
Setembrino Véras.
Fonte: Livro de Atas. Arquivo da Câmara Municipal de Camocim.
terça-feira, 3 de setembro de 2013
III SC 03. RECORDAÇÕES DO FESTIVAL DE MÚSICA DE CAMOCIM
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| Letra da música "Camocim". 1991. Arquivo do blog |
Remexendo nos meus arquivos eis que me deparo com a letra da música "Camocim", concorrente do Festival que acontecia na cidade no mês de setembro. Dizem até que o evento vai voltar. Tomara que seja verdade. O referido documento data de 08 de julho de 1991 e trata-se do registro da letra no Cartório André do 2º Ofício, como atesta a assinatura da saudosa tabeliã, Sra. Iolanda Gomes. A letra da música "Camocim" é de minha autoria e ela me veio à mente numa tarde quando eu, meu amigo Adeilson de Senador Sá (in memorian) e o Hélio, também daquela cidade, dedilhava um violão no antigo Restaurante Odus enquanto eu olhava "os mastros dos bastardos sem pano. Letra feita, apresentei-a ao grande músico camocinense Rildo Vilela, que infelizmente nos deixou e foi animar os bailes celestes. No VI Festival de Música de 1991, a música foi interpretada pela cantora Aparecida Silvino e acabou se classificando em 2º lugar. Abaixo a letra na íntegra, que na versão musicada sofreu algumas alterações. Infelizmente não temos o registro sonoro:
Camocim
Letra: Carlos Augusto
Música: Rildo Vilela
I
E eu d'aqui
Olhando os mastros dos bastardos sem pano.
Mini-gigantes emergindo do mar
Como dedos do oceano.
II
Das Barreias ao Cais
São tantos ais, que eu nem conto.
Em cada abraço apertado,
Extasiados, casais se encantam.
III
Na terra do sol,
CAMOCIM, pedaço de litoral.
Queremos ser terra do sal,
Mas com os mangues
Enverdecendo o arrebol.
IV
Alvejando o luar
Tuas dunas desnudas
Pedem vegetação.
Teus mangues emboras mudos
Gritam por preservação.
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
III SC 02 - A RUA SANTOS DUMONT EM CAMOCIM E SEUS CODINOMES
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| Rua Santos Dumont. Camocim-CE. Fonte: googlemaps |
A Rua Santos Dumont em Camocim, talvez seja a que tenha tido mais codinomes em toda sua extensão e história. Isso é muito interessante pois mostra que uma rua é viva e tem íntima relação com seus moradores e com os outros habitantes da cidade, conferindo-lhes uma certa identidade. Caso típico é esta rua que vamos comentar. Antes de receber o nome do "Pai da Aviação", era batizada de Rua da Aurora, como nos lembra o saudoso memorialista Artur Queirós: “... assistimos da calçada de nosso avô Joaquim Carneiro, à rua
da Aurora, hoje trecho da rua Santos Dumont, ao insolente e tétrico
fogaréu”. (Fonte: SPORT CLUB, In: QUEIRÓS, Artur. Recordações camocinenses e outras memórias. 2ª
edição. Fortaleza: RBS Gráfica, 2003, p.40).
Talvez por chamar-se Aurora, o referido trecho também ficou imortalizado como "Rua do Sol", denominação que até hoje é chamada romanticamente pelos mais velhos.
Seguindo na direção sul-norte temos o Apertada-hora, no cruzamento
das Ruas Boa Vista (atual D.Pedro II) com Marechal Floriano. Mais uma vez Artur Queirós nos socorre na descrição: “Local
macabro e desabitado, temido por causa das assombrações comentadas.
Por ali apenas se passava de dia e, mesmo assim, arredio e
desconfiado, com as pernas de sobreaviso para eventual carreira. Á
noite, nem pensar. Era necessário um longo contorno por outras ruas,
para se evitar o ‘Apertada-hora’,rumo ao centro”. (Fonte:
LOBISOMENS E VISAGENS.In: QUEIRÓS, Artur.
Recordações camocinenses e outras memórias. 2ª
edição. Fortaleza: RBS Gráfica, 2003, p.47-8).
Seguindo mais à frente, tínhamos a Rua do Macêdo, trecho de casas usadas por prostitutas no trecho que fica imediatamente atrás da Igreja de São Pedro. E a sua rua, tem outros nomes e codinomes?
domingo, 1 de setembro de 2013
III SC 01 - A MINA DE COBRE DE VIÇOSA E O PORTO DE CAMOCIM
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| Mina da Pedra Verde. Viçosa do Ceará. |
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| Porto de Camocim. Arquivo do blog. |
Fonte: Texto e foto da mina da Pedra Verde: http://www.ratificando.com/noticias/mina-pedra-verde-vicosa-do-ceara/#ixzz2de7nfYfA
III SETEMBRO CAMOCIM - 134 ANOS DE EMANCIPAÇÃO
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| Capa do Informativo do Centenário. 1979. Fonte: NEDHIS. Sobral-CE. |
Caros camocinenses daqui, dali e mundo afora. Chegamos a mais um setembro, mês da data emancipatória há 134 anos. Mesmo sabendo que a história de Camocim não se resume apenas a esse tempo um pouco mais do que uma centúria, é sempre bom relembrarmos fatos do passado mais recente presenciado por nós, assim como de um tempo longínquo que não nos pertenceu. Essa é a função do historiador: lembrar o que os outros esqueceram. Neste sentido, mais uma vez o blog Camocim Pote de Histórias , beirando os 50.000 acessos, visitado por internautas de mais de 13 países, realizará uma força tarefa para levar ao conhecimento de todos, fatos da nossa história, opiniões, versões, como forma de contribuir para o entendimento de nosso presente. Como sempre, peço ajuda aos amigos, alunos, ex-alunos, leitores que tenham algum documento, uma foto, uma carta, uma história que meraça registro, que nos procure para juntos fazermos mais um SETEMBRO CAMOCIM através da história. Nossa proposta é todo dia publicarmos uma postagem como forma de homenagear nosso município, de incutir no sei da comunidade a importância da história para nossas vidas. As matérias virão numeradas com o código III SC. Tá lançado o desafio!
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
HISTÓRIAS DA PROSTITUIÇÃO EM CAMOCIM
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| Capa do livro "O Terra e Mar" de Carlos Cardeal. |
Convidado para escrever uma crônica semanal do blog Camocim Online, decidi fazer uma ponte entre passado e presente, envolvendo a polêmica sobre as declarações do advogado Marcos
Coelho com relação à Câmara Municipal de Camocim:
Entendo perfeitamente quem rebate as comparações do trepidante
causídico, notadamente as vereadoras, pelas convenções sociais
óbvias. Contudo, ironia da história – no extinto e mais famoso
cabaré que se tem notícia na história de Camocim – O Terra e
Mar, algo além do que as prostitutas em profusão chamava a
atenção, como nos deixou escrito Carlos Cardeal em romance de
título homônimo:(...) Acima das prateleiras, estava gravada na
parede branca, com letras pretas a célebre frase shakespeariana
retirada do monólogo de Hamlet: To be or not to be, that
is the question”. Logo abaixo, a tradução em letras
não menos legíveis, mas de menor tamanho, “ser ou não
ser, eis a questão”.
Logo comecei a pensar na importância dessas mulheres para a economia
local, ocupando espaços na cidade, criando uma cuja zona do baixo
meretrício que ia desde a Rua do Macedo (final da atual Santos
Dumont) passando pela Marechal Deodoro, subindo a General Sampaio até
o encontro com a Marechal Floriano, formando uma espécie de “U”
se constituindo numa geografia do prazer.
Essa ambiência da prostituição é recuperada no romance de Carlos
Cardeal. As prostitutas chegavam por trem e faziam a vida na zona,
“aliviando” a dureza da lida no mar dos marinheiros ocasionais e
aventureiros que por aqui aportavam. Na narrativa romanesca, ponteada
de ficção, mas, agregando muitos aspectos reais e históricos, os
lugares e as festas são descritos com riqueza de detalhes. A
protagonista do romance é a prostituta Rita.
Com a decadência do porto e o fechamento da ferrovia essa
prostituição muda de feição e de lugar, mas não posso deixar de
pensar no que se tornou o prédio da Estação Ferroviária até
meados da década de 1980. Famosa ficou aquela senhora que recebia os
clientes nos escombros das Oficinas, cujo nome era incendiário. Das
minhas próprias lembranças, onde andará aquela moça que atendia
no Cabaré do Kátia, importada da cidade de Parnaíba e que iniciou alguns
rapazes da minha geração?
Esse tempo não está apenas na memória, mas também já virou
história na monografia de conclusão do Curso de História da UVA de
Petrilia Paulini Pereira Sales com o título: “O Terra de Mar:
uma história do profano em Camocim-CE. 1940-1980.
Rapariga
pode não ser um bom nome para se imputar (sem trocadilho) a outrem.
No entanto, é preciso dizer que elas são sujeitos da sua própria
história, votam e podem ser votadas.
Foto: arquivo do blog.








