quarta-feira, 13 de abril de 2016

ABRIL PINTO MARTINS VII. O SAMPAIO CORREIA II


Sampaio Correia II. 1922. Haiti. Fonte:Revista da Semana, RJ. nº 9, p.23, 1923.
Como se disse na postagem anterior, o hidroavião Sampaio Correia I ficara destroçado. Passado o susto inicial, verificou-se que apenas a  terceira etapa do raid aéreo havia sido concluído. Pinto Martins, Walter Hinton e os tripulantes, no entanto, não davam sinais de desânimo. Neste sentido, continuaram com a "idéia de provar que uma rota aérea ligando as Américas (norte e sul) era viável". Deste modo, convenceram que o jornal The New York Word providenciassem um outro avião para a continuação do percurso aéreo. Retornaram para Flórida nos EUA onde o jornal adquiriu junto à Escola Naval de Pensacola um outro hidroavião, que tinha seis anos de uso. Feita a doação no dia 04 de setembro de 1922, o agora Sampaio Correia II retomava o raid e pousava em  Porto Príncipe no Haiti em 07 de setembro de 1922, dia em que se comemorava a Independência do Brasil, motivo inicial da viagem.



Base Naval de Pensacola. Flórida. EUA.

Fonte: O Literário. Camocim-CE.

terça-feira, 12 de abril de 2016

ABRIL PINTO MARTINS - VI. TEMPESTADES


Destroços do Sampaio Correia I - Baía de Guantanamo-Cuba.
Fonte: Revista da Semana, RJ, 1923, nº10, p.22.
Feito o roteiro e dada a partida em 17 de agosto de 1922, os aventureiros do Sampaio Correia I começaram a ter os primeiros problemas, notadamente pela afoiteza em não levarem em conta as previsões metereológicas que apontavam tempestades na região. Naquele tempo, a metereologia ainda era uma ciência incipiente. Transcrevemos abaixo um breve resumo destes primeiros percalços no raid aéreo New York - Rio.


Neste mesmo dia, 17 de agosto,  o avião foi obrigado a pousar em Nanten, por causa de um forte temporal. Pernoitaram ali, e decolaram de manhã com destino a Southport,  onde chegaram dia 19/08.   Prosseguiram viagem e dia 20 chegaram em Charleston,  sem dificuldades. Reiniciaram a viagem e tiveram que pousar em West  Palm Beach devido a outro temporal. Partiram dia 21 às 11:00 horas e amerissaram em Nassau, onde pernoitaram,  seguindo de manhã com destino a Porto Príncipe no  Haiti. Neste trecho foram  surpreendidos por forte borrasca, perderam altitude e caíram no mar por volta das 20:00 horas, ao leste da ilha de Cuba, além do Cabo Maisi.

As coisas nesta noite ficaram pretas! Nossos aventureiros estavam em pleno Atlântico, escuridão total, riscos de tubarões e afogamento. Felizmente, não ficaram feridos na queda. O "Sampaio Corrêa" ainda flutuava e eles localizaram as pistolas sinalizadoras, encontradas com dificuldades no escuro. Assim os fogos de artifícios  iluminaram os céus do oceano, naquela noite, num desesperado pedido de socorro! Lamentavelmente, estes  sinais não foram vistos...  A situação tendia a complicar, pois no avião entrava água por buracos feito pela colisão com o mar. Foi neste clima de preocupação, que Pinto Martins com seus bons conhecimentos de náutica, lembrou-se que tinham uma lanterna grande, a qual achou numa parte do avião, ainda seca. O jovem intrépido  subiu no nariz da nave naufragando e passou a  fazer sinais luminosos de socorro. Não demorou muito, pois perto dali, a Canhoneira da Marinha Americana "Denver", viu os sinais luminosos e apitou, seguindo em socorro dos náufragos. Foram feitas tentativas, em vão, de rebocar o "Sampaio Corrêa" que acabou indo para o fundo do mar sob os olhares tristes de nossos aventureiros...
O próprio Pinto Martins deu a seguinte declaração ao Jornal do Brasil:
  "...sendo piores possíveis as condições atmosféricas, os aparelhos de altitude perderam a precisão. Reinava  forte cerração e quando acreditávamos estar muito acima do nível das águas, nela batemos com violência. Com a força do choque o aparelho furou e foi invadido pela água..."

Avião perdido. Os náufragos foram levados para a Base Naval de Guantânamo,  em Cuba.

Na próxima postagem, o prosseguimento da viagem!

Fonte:http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Pinto+Martins&ltr=P&id_perso=470

sexta-feira, 8 de abril de 2016

ABRIL PINTO MARTINS V - O PERCURSO PREVISTO



Raid New-York - Rio. Revista da Semana, Rio de Janeiro, Ano XXIII, nº 35, 26 de agosto de 1922.

Como já anunciado aqui, o Sampaio Correia I, pilotado por Walter Hinton e Pinto Martins saiu da baía de North River, New York em 17 de agosto de 1922. As principais revistas cariocas - Revista da Semana e Fon Fon, ainda não noticiavam na semana seguinte à partida, os primeiros problemas enfrentados pelos aviadores nas etapas iniciais. Contudo, estampavam o percurso de 5.944 milhas previsto no planejamento do raid: Charleston (Carolina do Sul), Nassau, Porto Rico, Martinica, Trinidad, Georgetown, Paramaribo, Belém, São Luís, Aracaty, Natal, Recife, Salvador, e Rio de Janeiro.
Como podemos perceber, Camocim não estava inicialmente nos planos aeronáuticos dos aviadoresm tampouco, Fortaleza. Em postagens postetiores, discorreremos sobre a parada em terras camocinenses e os porquês da não aterrisagem na capital cearense.  





Raid New York-Rio de Janeiro. Revista Fon Fon, Rio de Janeiro, nº. 34931, 1922. 

quarta-feira, 6 de abril de 2016

ABRIL PINTO MARTINS IV - O VOO ANUNCIADO NO BRASIL

Manchete do Correio da Manhã, RJ de 17/07/1922, anunciando do voo New Iork-Rio de Janeiro.

A notícia de que se pretendia ligar por via aérea New York e Rio de Janeiro correu o mundo. No Brasil, as primeiras notícias, apesar de ganhar as primeiras páginas dos jornais, como a do Correio da Manhã do Rio de Janeiro, mostrada acima, focavam mais na figura do piloto americano Walter Hinton, talvez por sua experiência anterior na travessia do Atlântico. Neste jornal, como se pode ler na notícia abaixo, Euclydes Pinto Martins é dado como sendo filho do estado de Pernambuco, desconhecendo totalmente o lugar onde nascera, Camocim, no Ceará e de onde fora batizado e registrado aos três meses de idade, Macau, Rio Grande do Norte.
O restante da notícia e mais detalhes da viagem aeronáutica pode ser conferida na figura abaixo:



Noticia do raid aéreo Nova York - Rio de Janeiro. Correio da Manhã, 17/07/1992, p.1

Fonte: Jornal Correio da Manhã, RJ, segunda-feira, 17/07/1992, nº 8584, p.1.

terça-feira, 5 de abril de 2016

ABRIL PINTO MARTINS - III. O INÍCIO DA AVENTURA

Cartaz em homenagem ao raid Nova York - Rio, publicado na Revista O Malho, RJ, 1923, nº 1066, p.21.


O cartaz acima além de representar alegoricamente as duas nações unidas no feito aeronáutico comandado pelos aviadores Walter Hinton e Pinto Martins, traz em sua composição o espírito de cooperação que experimentavam Estados Unidos e Brasil, muito antes de se falar da tal política de boa vizinhança.
A legenda celebrativa da imagem nos diz: " - Salve , Walter Hinton! Salve, Pinto Martins! Vós unistes pelo ar as patrias mais representativas do continente americano - Os Estados Unidos e o Brasil. Em nome da Pátria Brasileira - Salve heróes! Salve denodados pioneiros da futura Civilisação do mundo! 
A saudação esconde os problemas enfrentados pelos aviadores em sua aventura, por um lado, mas, por outro, enaltece a coragem dos mesmos, irmanados no desejo geopolítico dos fatores positivos da jornada.
Os jornais da época acompanhavam avidamente estas aventuras aéreas. Não foi diferente com a ligação Nova York - Rio de Janeiro. Nas próximas postagens vamos trazer estes acontecimentos, inclusive os problemas enfrentados pela tripulação do Sampaio Correia I (SC I). Por enquanto fiquemos com o relato da partida:
A partida de Nova York verificou-se no dia 17 de agosto. Seriam quasi tres horas da tarde. No ceu muito azul, inteiramente livre de nuvens, o disco solar couruscava. A doca de North River, deante da rua 86, parecia um formigueiro humano. Mais de um milhão de pessôas havia se agglomerado de encontro ao caes, com os olhos fixos no grandioso passaro meccanico. O hydro-avião "Sampaio Correia", pintado de novo, ostentava nos flancos as bandeiras consstelladas das duas grandes republicas irmãs. Ás 15 horas, cantadas uma por uma nos relogios da cidade, o possante motor começou a roncar soturnamente. Com quatro ou cinco manobras habeis, o apparelho movia-se, evoluia entre as embarcações apinhadas de gente, procurava a parte mais ampla e livre do rio.
Houve, então, o prodigio. Erguendo-se daquelle milhão de almas em desatino, dez, talvez cem milhões de vivas atroaram os ares. [...] O apparelho lançou-se de manso, primeiro rente com a água, depois esboçou-se no espaço em ascensão rápida, uma curva harmoniosa e triunphante, dirigindo-se para o sudeste, para os lados do mar, onde a amplidão pare mais ampla... 

(Fonte: Revista da Semana, RJ, 1923, nº 09, p,22-3).




domingo, 3 de abril de 2016

ABRIL PINTO MARTINS II - A MONTAGEM DO AVIÃO

Montagem do avião Sampaio Correia I. 1922. Fonte: Revista da Semana/RJ. 1923, nº 09, p.21.

Sem dúvida, as primeiras décadas do século XX foi a era dos "raids" aéreos. Com a intenção de marcar o centenário de nossa independência, Euclydes Pinto Martins e Walter Hinton projetaram "singrar" o Oceano Atlântico e unir as três Américas num voo que ligaria New-York ao Rio de Janeiro. Para isso se isolaram da agitada cidade americana para traçarem os planos. Mas do que uma aventura, como era de costume nos raids daquela época, a dupla ambicionava algo maior: a possibilidade de inaugurar uma rota comercial entre as duas cidades. Neste voo trouxeram até uma documentação diplomática entre os dois países no sentido de realizarem uma primeira experiência postal. 
Antes mesmo da partida, em 17 de agosto de 1922, a curiosidade jornalística já identificara os planos de Hinton e Pinto Martins, tanto que um dos patrocinadores da viagem foi o jornal novaiorquino New York World.
Na postagem de hoje, mostramos os dois aviadores na casa de Walter Hinton e os preparativos da montagem do avião Sampaio Correia I (SC I). No detalhe, Pinto Martins é fotografado na escada. (foto acima). Na foto abaixo, verifica-se a montagem do motor do referido hidroavião (SC I) que não chegaria ao Brasil devido a avarias no percurso, que mostraremos nas próximas postagens.





Fonte: Revista da Semana. 1923, nº 9, p,21.
  





sábado, 2 de abril de 2016

ABRIL PINTO MARTINS - I - A SÉRIE

Euclydes Pinto Martins. 1924. Fonte: Revista Beira-Mar. RJ, nº 36, p.3.


Durante o mês de abril, o blog Camocim Pote de Histórias fará sua homenagem ao aviador Pinto Martins com a série "ABRIL PINTO MARTINS". Nesta série pretendemos abordar o ilustre camocinense para além do feito aeronáutico que ligou pioneiramente em 1923, Nova Iorque ao Rio de Janeiro, inédito para aquela época, mas trazer aspectos do projeto do raid aéreo, as homenagens recebidas Brasil afora, detalhes da vida privada e a morte prematura do aviador camocinense. Desta forma, espera-se colaborar para o entendimento histórico deste personagem ainda pouco estudado e às vezes pouco lembrado, notadamente nos anais da história da aviação brasileira.




sábado, 26 de março de 2016

AS CARGAS DOS VAPORES NO PORTO DE CAMOCIM

Trecho do Porto de Camocim. Foto: domínio público.




No final do século XIX era comum os vapores anunciarem suas cargas quando chegavam no porto de destino. Deste modo, para efeito de ilustração, reproduzimos o "Manifesto" do Vapor Cabral entrado no Porto de Fortaleza em 14 de junho de 1891. No caso em tela, o referido vapor trazia mercadorias, além de Camocim, dos portos do Piauí e Acaraú, que enviaram  basicamente peixe e farinha, além de peles e couros.  A carga recebida no Porto de Camocim não diferia muito dos demais, mas, era um pouco mais variada, conforme a relação abaixo. Os nomes dos comerciantes eram apenas identificados com suas iniciais. Deste modo temos:

"De Camocim
J C A - 60 couros salgados.
J F C - 111 ditos idem, 2 encapados idem, um guarda roupa, um bahú.
J M S - 2 amarrados pelles, 23 taboas de pinho, 6 portas de  dito.
J A V & C - 1 guarda roupa.
A C I - 7 fardos de pelles.
R B - 11 fardos de pelles.
J A C - 22 couros salgados
V A C - 24 ditos idem,
J A C - 1 caixa de queijos
Jonathas - 2 bahús.
G & P - 2 barrica de cebo
C M & I - 100 couros salgados
J G C - 3 amarrados de pelles
A M - 54 couros salgados
U - 58 ditos idem
R - 61 ditos idem
C - 70 saccos de milho, 14 rollos de cumarú
O - 128 couros salgados
J V - 257 ditos idem
O - 25 taboas de cedro
Letreiro - 2 caixas de queijo
A C & I - 5 fardos de pelles
R B - 8 ditos idem".

A relação acima dos produtos comercializados dá uma amostra das atividades econômicas exploradas na região, baseada na agropecuária, alguma agricultura e extrativismo vegetal.

Fonte:Jornal O Estado do Ceará. 31/03/1891, nº.187, p,03.