terça-feira, 4 de outubro de 2016

VI SETEMBRO CAMOCIM - XXI. A PESCA PREDATÓRIA NO LAGO DO BOQUEIRÃO

O território do município de Camocim é banhado por vários lagos, dentre eles o Lago do Boqueirão, um dos mais extensos. A matéria abaixo destaca o potencial do lago para o lazer, como fonte de alimento para a população e a pesca predatória qe aconteceu no ano de 2001.  
by Rozangela Oliveira Ribeiro
Aluna do Curso de História PARFOR/UVA/Camocim

Moradores em lazer no Lago do Boqueirão. Camocim-CE
Foto: Acervo Família  do Sr. Antonio Francisco Ribeiro.

O Lago do Boqueirão como é conhecido deveria chamar-se de Lago dos Boqueirões já que o mesmo é a separação do Boqueirão dos Rosas e Boqueirão do Dourados, duas comunidades humildes que tem em comum o lago que as separam. 
Mas porque falamos do Lago do Boqueirão? Talvez porque, como já citei anteriormente era um ponto de lazer e também gerava renda para as comunidades situadas em suas margens em tempos de bons invernos. Nestas situações o lago proporcionava um berçário para os peixes, onde se reproduziam em grandes quantidades, pois oferecia as condições ideais para isso, proporcionava um belo banho, onde os visitantes e as pessoas da própria comunidade podiam renovar as energias em suas águas, limpas e refrescantes. Os visitantes de espírito mais aventureiro que vinham se refrescar no lago, muitas vezes arriscavam a pescar seu próprio alimento de forma artesanal utilizando, por exemplo, linhas, caçoeira e etc. Os peixes mais comuns eram o cará e a traíra, que eram encontrados em abundância e serviam de alimento para os moradores daquele lugar e regiões vizinhas. 
Por volta do ano 2001 aconteceu um fato que marcou a história desse lago, pois algumas pessoas vindas da localidade de Araras começaram a explorar de forma exagerada os peixes mais abundantes da região, com ajuda de alguns moradores das localidades que se situavam a beira do lago.
Flagrante de pesca no Lago do Boqueirão. Camocim-CE.
Foto:Acervo Família  do Sr. Antonio Francisco Ribeiro.
Eram pescados em média de 3.000 Kg de peixes, retirados do lago de forma predatória com técnicas de pescaria não convencionais. Alguns moradores daquelas comunidades perceberam que daquela forma os peixes seriam extintos e  prejudicaria não só a fauna da região como também os moradores. Deste modo, decidiram fazer uma denúncia ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA, mas não obtiveram êxito e, por si mesmos, começaram a combater a pesca pedatória. Alguns  moradores das duas comunidades se uniram e passaram a tomar atitudes como, por exemplo, cortar as redes daqueles que se atreviam a pescar de batedeira (forma de pesca ilegal onde as redes são dispostas em círculos e depois os pescadores batem com varas na água assustando os peixes, deixando-os atordoados, tornando assim, mais fácil  capturá-los)  e quebrar as canoas daqueles que eram flagrados com práticas  de batedeira .
Lago do Boqueirão atualmente. 25/09/2016. Camocim-CE.
Foto: Rozangela Oliveira Ribeiro
Foi uma luta árdua onde os moradores perderam algumas espécies de peixes que foram extintas e outras que se tornaram escassas. Atualmente o lago está seco devido aos invernos fracos tendo sua última cheia no ano de 2010. Na atual situação, o banho de lago e a abundância de peixes são apenas boas lembranças do lago dos boqueirões.
Para produzir este texto conversei com o Sr. Antonio Francisco Ribeiro  que mora há muitos anos em Boqueirão dos Rosas  e que me relatou sobre a pesca de batedeira, fato conhecido de todos daquela região.


VI SETEMBRO CAMOCIM - XXI. A PESCA PREDATÓRIA NO LAGO DO BOQUEIRÃO

O território do município de Camocim é banhado por vários lagos, dentre eles o Lago do Boqueirão, um dos mais extensos. A matéria abaixo destaca o potencial do lago para o lazer, como fonte de alimento para a população e a pesca predatória qe aconteceu no ano de 2001.  
by Rozangela Oliveira Ribeiro
Aluna do Curso de História PARFOR/UVA/Camocim

Moradores em lazer no Lago do Boqueirão. Camocim-CE
Foto: Acervo Família  do Sr. Antonio Francisco Ribeiro.

O Lago do Boqueirão como é conhecido deveria chamar-se de Lago dos Boqueirões já que o mesmo é a separação do Boqueirão dos Rosas e Boqueirão do Dourados, duas comunidades humildes que tem em comum o lago que as separam. 
Mas porque falamos do Lago do Boqueirão? Talvez porque, como já citei anteriormente era um ponto de lazer e também gerava renda para as comunidades situadas em suas margens em tempos de bons invernos. Nestas situações o lago proporcionava um berçário para os peixes, onde se reproduziam em grandes quantidades, pois oferecia as condições ideais para isso, proporcionava um belo banho, onde os visitantes e as pessoas da própria comunidade podiam renovar as energias em suas águas, limpas e refrescantes. Os visitantes de espírito mais aventureiro que vinham se refrescar no lago, muitas vezes arriscavam a pescar seu próprio alimento de forma artesanal utilizando, por exemplo, linhas, caçoeira e etc. Os peixes mais comuns eram o cará e a traíra, que eram encontrados em abundância e serviam de alimento para os moradores daquele lugar e regiões vizinhas. 
Por volta do ano 2001 aconteceu um fato que marcou a história desse lago, pois algumas pessoas vindas da localidade de Araras começaram a explorar de forma exagerada os peixes mais abundantes da região, com ajuda de alguns moradores das localidades que se situavam a beira do lago.
Flagrante de pesca no Lago do Boqueirão. Camocim-CE.
Foto:Acervo Família  do Sr. Antonio Francisco Ribeiro.
Eram pescados em média de 3.000 Kg de peixes, retirados do lago de forma predatória com técnicas de pescaria não convencionais. Alguns moradores daquelas comunidades perceberam que daquela forma os peixes seriam extintos e  prejudicaria não só a fauna da região como também os moradores. Deste modo, decidiram fazer uma denúncia ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA, mas não obtiveram êxito e, por si mesmos, começaram a combater a pesca pedatória. Alguns  moradores das duas comunidades se uniram e passaram a tomar atitudes como, por exemplo, cortar as redes daqueles que se atreviam a pescar de batedeira (forma de pesca ilegal onde as redes são dispostas em círculos e depois os pescadores batem com varas na água assustando os peixes, deixando-os atordoados, tornando assim, mais fácil  capturá-los)  e quebrar as canoas daqueles que eram flagrados com práticas  de batedeira .
Lago do Boqueirão atualmente. 25/09/2016. Camocim-CE.
Foto: Rozangela Oliveira Ribeiro
Foi uma luta árdua onde os moradores perderam algumas espécies de peixes que foram extintas e outras que se tornaram escassas. Atualmente o lago está seco devido aos invernos fracos tendo sua última cheia no ano de 2010. Na atual situação, o banho de lago e a abundância de peixes são apenas boas lembranças do lago dos boqueirões.
Para produzir este texto conversei com o Sr. Antonio Francisco Ribeiro  que mora há muitos anos em Boqueirão dos Rosas  e que me relatou sobre a pesca de batedeira, fato conhecido de todos daquela região.


VI SETEMBRO CAMOCIM - XX. A FESTA DE IEMANJÁ EM CAMOCIM

A Festa de Iemanjá acontece em todo o Brasil. principalmente entre os seguidores afro-brasileiros onde a orixá goza de grande popularidade. Em Camocim a festa é realizada a cada 15 de agosto onde os centros umbandistas se encontram à beira mar para homenagear a Rainha do Mar.

by Luzenira Pereira Lima
Aluna do Curso de História PARFOR/UVA/Camocim



No Brasil, Iemanjá é um orixá que goza de grande popularidade entre os seguidores de religiões afro-brasileiros e até por membros de religiões distintas.
Em cada cidade tem a tradição diferente de homenagear Iemanjá. Essa festa é muito importante para os umbandistas de Camocim. No dia 15 de Agosto é comemorada a Festa de Iemanjá.
As pessoas se reúnem para presentear a Iemanjá a Rainha do Mar com flores, perfumes, velas e músicas de umbanda. À noite cada chefe de terreiro faz a sua comemoração em homenagem a rainha das águas em seus terreiros com comes e bebes.
Antônia Pereira Lima, Mãe de Santo. 2016. Camocim-CE.
Foto: Heliene Teixeira.
A Dona Antônia é médium desde os 10 anos de idade, mas foi aos 12 anos que ela assumiu que tem o dom, onde ela foi formada, cruzada e coroada para desenvolver a sua corrente de umbanda. Atualmente ela está com 66 anos de idade.
Ela também conta que todos os umbandistas têm que registrar o seu terreiro de umbanda para trabalhar. O terreiro dela foi registrado como Rainha das Águas através da Associação de Umbanda e Candomblé em Camocim.

Este trabalho foi muito importante para mim, pois foi interessante falar do festejo de Iemanjá e também conhecer a realidade da vida de Dona Antônia como umbandista.



Fonte oral:
Antônia Pereira Lima, 66 anos de idade, doméstica, mora na vila São Luiz Nº 65, em Camocim, ano 16/09/2016 entrevistada por Luzenira Pereira Lima.

VI SETEMBRO CAMOCIM - XIX. AS LEMBRANÇAS DO SR. CARLOS SALU

O Sr. Carlos Salu ultrapassou a barreira dos cem anos. Traz com ele não apenas o peso da idade, mas também a lucidez de quem já viveu e viu as mudanças através dos tempos. A matéria abaixo traz um pequeno perfil deste cidadão com as suas lembranças mais pertinentes.

by Maria de Fátima das Chagas
Aluna do Curso de História PARFOR/UVA/Camocim


 O Sr. Carlos Salu de Oliveira, nasceu numa sexta-feira e o calendário marcava 17/01/1908. Hoje ainda bastante lúcido, apresenta apenas sinais de deficiência auditiva, mas com uma visão de criança. Conhecido no lugar onde mora como Carlos Salu é uma pessoa simples, amigo e um velho conhecido da família. Morador na localidade de Tapuio dos Crespos, que fica a 39 km de Camocim, o Sr. Carlos Salu vive até com seus 108 anos de idade. Suas lembranças mais recorrentes são dos  períodos de seca, onde teve que deixar sua terra natal em busca de melhoria para sua família. Ao passar por esse período o mesmo voltou para seu lugar de origem. Ele relembra do Camocim do passado, com a presença da Maria Fumaça, onde o  trem era único meio de transporte da época, quando ainda não tinha o cais como tem hoje, e as ondas da praia iam até o Mercado Público.
Hoje no Tapuio tudo mudou. Temos escolas para todos e transportes à porta. Só ficou a lembrança do passado e vamos continuar vivendo o presente que parece um sonho.

Fonte oral: Carlos Salu de Oliveira, 108 anos.Tapuio dos Crespos. Camocim-CE.



VI SETEMBRO CAMOCIM - XVIII. O SURGIMENTO DO ASSENTAMENTO JATOBÁ

A conquista da terra ainda é uma das bandeiras de lutas de agricultores sem terra no Brasil. Em Camocim também essa luta já ocorreu. A matéria abaixo discorre sobre o surgimento do Assentamento Jatobá situado na localidade de mesmo nome.


by Antonia Disney dos Santos
Aluna do Curso de História PARFOR/UVA/Camocim

Vista panorâmica do Assentamento Jatobá. 2016. Camocim-CE
Foto: Disney Santos

As terras que hoje fazem parte do Assentamento Jatobá já pertenceram a outros donos. Até ano de 1996 o local era conhecido como Jatobá dos Parentes devido seus proprietários terem este sobrenome.
A partir de ano de 1996 o Governo Federal resolveu desapropriar a terra negociando com seus proprietários no sentido de criarem assentamento para abrigar pessoas que não tinham casa própria e nem terra para plantarem, já que moravam em terrenos alheios.
Com a desapropriação da terra, pessoas de várias localidades vizinhas foram convidadas a participarem das reuniões no local com o intuito de serem cadastrados pra ganhar uma casa e passar a ser um morador assentado, de projeto do governo federal. Antes das construções das casas houve várias reuniões com o candidatos a vaga das casas.
No local morava cerca de 20 famílias, onde algumas ficaram morando no local ou seja construíram suas casas no local onde já estavam. O projeto na época era para 60 famílias e as casa tinham todos o mesmo modelo .
Antes existia no local projetos de coqueiros e cajueiros onde moradores da região trabalhavam para os antigos donos.
Em 13 de julho de 1997 foi realizada uma assembleia para que fosse escolhido o nome da associação, a eleição e posse dos membros que iriam representar a entidade perante a sociedade, conduzida pelo Sr.Marcos Antônio Freitas, técnico da EMATERCE de Camocim. Para o primeiro mandato da primeira diretoria da Associação Comunitária do Assentamento Jatobá (ACOAJ) foram escolhidos para o mandato de 02 anos: Manoel de Brito Paiva  - Presidente; Raimundo Nonato dos Santos - Vice-Presidente; Antônio Raimundo dos Santos -1º Secretário; Dalila Ângelo da Conceição - 2º Secretário; Manoel Vital dos Santos - 1º Tesoureiro; Raimundo Antonio de Carvalho - 2º Tesoureiro. O Conselho Fiscal ficou constituído por Edimilson Lino de Oliveira, Francisco Maximiano de Paiva, Marcio Rodrigues de Araújo, Francisco Vital dos Santos, Sebastião José da Costa, Manuel Martins Rodrigues. 
Para a construção das casas os moradores receberam ajuda financeira do INCRA para a compra do material e do pedreiro e eles entre si se ajudavam na mão de obra, uma espécie de mutirão, assim as casas foram construídas e seus proprietários passaram a ocupá-la.
Hoje na comunidade Assentamento Jatobá se encontra aproximadamente 80 moradores no local e todos com uma sobrevivência bem melhor que antesNo ano de 1997, com o povoamento do Assentamento Jatobá, veio à necessidade de uma escola para atender as famílias que ali habitavam. Como não havia local apropriado, instalou-se uma escola provisória num estábulo, que funcionou até o ano de 1999.
Quando foi aprovado pelo legislativo e sancionado pelo executivo a lei de criação 668-A99, precisamente no dia 08 de agosto foi inaugurado o prédio da Escola Hipólito Ricardo Pinto, localizado dentro da vila Assentamento Jatobá às margens da CE 085, distrito de Amarelas, município de Camocim, a escola recebeu este nome ‘segundo moradores’ por políticos da época, visto que outros nomes tinham sido sugeridos pela comunidade local.
Depois de sua inauguração a escola iniciou suas atividades educativas com as séries de 1ª a 4ª series e educação infantil, tendo como diretor  geral o senhor Manoel de Brito Paiva, do início das atividades até o ano de 2004, juntamente com os primeiros professores, professoras da educação infantil: Oliveira de Paiva Lopes, 1ª e 2ª  séries: Antônia Disney, 3ª série: Maria das Graças e 4ª série: Manoel Vital.
Desta época até os dias atuais, três novos diretores estiveram à frente dos trabalhos da escola, o Sr. Francisco Marciano Roques de 2005 até junho de 2006, quando então assumiu a Sra.Maria Rocilda da Rocha que permaneceu na escola até 2012. Durante este período a escola ampliou as turmas e séries, da educação infantil ao ensino médio, como também EJA- educação de jovens e adultos. Aproximadamente 30 professores deixaram serviços prestados, onde alguns dos primeiros continuam trabalhando na escola.
De 2005 para cá a escola teve muitos destaques de reconhecimento como: Selo Escola Solidária, reconhecida pelo MEC, UNESCO, CONSED e UNDIME, nos anos de 2005 e 2007. Escola nota 10 pelo SPAECE  em 2008. Outros prêmios e reconhecimentos também não menos importantes foram concedidos a esta instituição.
No ano de 2013, a escola passou a ter como diretor o Sr. Manuel Vital dos Santos Filho que continua até os dias atuais.
No âmbito social a escola sempre disponibilizou suas instalações para o atendimento na área de saúde, reuniões de associação e eventos.



sábado, 1 de outubro de 2016

VI SETEMBRO CAMOCIM - XVII. UM POEMA A CAMOCIM

As paisagens e cenários camocinenses são realmente inspiradores para artistas plásticos, escritores, poetas, dentre outros. A matéria abaixo é simplesmente um poema de louvor à Camocim.


by Francisco da Paz Pessoa (Silvio Paz)
Aluno do Curso de História PARFOR/UVA/Camocim


Rio Coreaú. Camocim-CE. 2016. www.luissucupira.com.br


MEU RIO, MEU MAR

ESTE RIO QUE PASSA EM MINHA FRENTE
DESLUMBRANTE DE CHARME E DE BELEZA
É SOMENTE O TOM DA NATUREZA,
DESPERTANDO MEU SUBCONSCIENTE
E ESTE SOL QUE ME QUEIMA DE TÃO QUENTE
E ME IRRADIA  O BRILHO NO OLHAR
E EU AQUI SENTADO A BEIRA MAR
VENDO AS VELAS SURGIREM CALMAMENTE.

SOBRE AS DUNAS ARDENTE COMO O SOL
VEJO AREIA DE RARA CLARIDADE,
COMO NUVENS  ENCOBREM A CIDADE,
PELO VENTO EM FORMA DE LENÇOL
OS COQUEIROS, OS MANGUES, O FAROL
E A MARÉ NO CAIS A BALANÇAR
COM AS CANOAS BAILANDO SOBRE O MAR
SICRONISMO QUE ENFEITA O ARREBOL.

QUEM ME DERA SE EU FOSSE UM MARINHEIRO
E EM TEU LEITO PUDESSE NAVEGAR
PRA CONTIGO NAS MATAS ME EMBRENHAR
E PELO VALE  SUBIR O DIA INTEIRO
AS NASCENTES SERIA MEU ROTEIRO
E O ATLÂNTICO MEU PONTO DE CHEGADA
NEM QUE FOSSE EM PLENA MADRUGADA
PRA QUE A LUA PUDESSE VER  PRIMEIRO.

OH SENHOR,
QUE COM SUA SÁBIA E GENEROSA MÃO
FEZ Á VIDA E TUDO FLORESCER
E ALEGRIA DE CADA AMANHECER
QUANDO HÁ VERDE E ÁGUA NO SERTÃO
EU LHE PEÇO COM TODA DEVOÇÃO
NOS PROTEJA DA SUJEIRA E DO ESTIO
E PRESERVE AS BELEZAS DO MEU RIO
SEMPRE VIVA PRA TODA GERAÇÃO.


VI SETEMBRO CAMOCIM - XVI. A LOCALIDADE DE BOQUEIRÃO DOS ROSAS

No dicionário, boqueirão pode significar uma saída larga para um campo, abertura de um rio ou canal, ou mesmo  uma quebrada entre montanhas. No entanto, nessa matéria, falaremos sobre a localidade de Boqueirão dos Rosas, no município de Camocim-CE, distante  15 Km da sede e situada entre as comunidades de Cangalhas e Boqueirão dos Adroaldos.


Centro da localidade  de Boqueirão dos Rosas. Casas da Família Rosa. 2016. Camocim-CE.
Foto: Maria Geissiane da Conceição Silva
by Maria Geissiane da Conceição Silva
Aluna do Curso de História PARFOR/UVA/Camocim

Antigamente essa localidade era conhecida por Boqueirão dos Inácios, pelo fato dos integrantes dessa família serem os primeiros habitantes do lugar, sem, no entanto ter-se nenhum registro oficial. Com o passar do tempo alguns componentes dessa família foram embora para Camocim e outros faleceram na própria localidade.                                Depois da chegada da família Inácio na localidade veio a segunda família, conhecida como “Família Rosa”, um grupo de pessoas que se estabeleceu rapidamente na localidade chegando a ser uma das maiores famílias das comunidades vizinhas. 
Visão antiga da localidade de Boqueirão dos Rosas.
 Foto: Acervo Família Rosa.

Com o tempo, o nome da localidade passou a ser Boqueirão dos Rosas pelo fato de ser uma das  maiores famílias que habitavam na localidade, passando a ser registrada oficialmente em cartório, aproximadamente nos anos 1970.Com o passar do tempo outras famílias foram chegando à localidade, entre elas estão à família Andrade, Maximiano, Lázaro e Moura, fazendo assim a localidade crescer mais rápida. No ano de 1999 foi construída na localidade uma escola que recebeu o nome de João Maximiano de Sousa. A escola recebeu esse nome por causa da doação do terreno feita pela família Maximiano. Depois da construção da escola houve um pequeno conflito entre as famílias Maximiano e Rosas, pois a família Maximiano além de ser contemplada com o nome da escola queria também a renovação do nome da localidade para Boqueirão dos Maximiano. No entanto,  como o nome da localidade já estava em registro oficial e não poderia mais modificar a família Rosa ganhou a questão sendo confirmada em cartório o nome da localidade como Boqueirão dos Rosas. Atualmente habitam no local aproximadamente 105 pessoas. A comunidade têm muitas belezas naturais e uma das principais fontes de renda é a produção de verduras e a agricultura, trazendo assim o sustento das famílias.


FONTE: Entrevista com Antónia Oliveira, em 26 de setembro de 2016, coordenadora pedagógica. Entrevista realizada na escola João Maximiano de Sousa por Geissiane Silva.



VI SETEMBRO CAMOCIM - XV. A FESTA DA LAGOSTA

A junção da atividade econômica e prática cultural pode render tradições. De alguma forma foi isso que ocorreu quando Camocim era o maior polo lagosteiro do nordeste entre os anos 1970 e 1990. A cada final da pesca da lagosta era realizado uma grande festa dançante que escolhia entre as jovens da cidade sua rainha e princesa. A Festa da Lagosta ainda sobreviveu á atividade pesqueira e teve 34 edições. É disso que estamos falando na matéria abaixo. 

Da esquerda para a direita. Sara Alice, eleita Rainha e Cynthia Monteiro, como Princesa da Lagosta. Camocim-CE. 2010. Última Festa da Lagosta em Camocim. Fonte: Camocim online.


by Irlenilson Brito
Aluno do Curso de História PARFOR/UVA/Camocim

Era por volta dos anos 1970, sempre no mês de maio que se iniciava a pesca de lagosta em Camocim. Quase sempre no Primeiro de Maio, amigos e familiares se reuniam por toda nossa linda orla marítima para verem a saída dos desbravadores do mar, mais conhecidos como lagosteiros, heróis que saíam mais uma vez em busca de seu sustento  e do sustento de suas famílias, onde muitos chegavam a passar até 90 (noventa) dias navegando em nosso maravilhoso Oceano Atlântico, pois na época era uma grande marca na economia da cidade.
O fim da pesca já era esperado mesmo quando nem se tinha dado início, pois a mesma era marcada por um grande evento, evento esse que era destaque em toda a região norte, conhecido como a FESTA DA LAGOSTA.  
O evento passou a ser o mais esperado do ano e que boa parte da população de Camocim gostaria de estar presente, pois além de ser um evento festivo também era um evento de realização de sonhos. O ponto alto da festa era a eleição da Rainha e da Princesa da Lagosta, na qual várias meninas sonhavam em ganhar as respectivas faixas. O primeiro evento aconteceu pelos anos de 1976 no famoso COMERCIAL CLUB, onde contava com grande apoio das empresas locais de pesca. Já por volta de 1991 à festa já acontecia na AABB de Camocim, clube que serviu também de palco para varias atrações que até hoje são lembradas por muitos. Com o passar dos anos a festa foi se expandindo cada vez mais chegando ao ponto de ser transferida para o LIONS CLUB que tinha como objetivo arrecadar fundos para a manutenção de uma Escola Monsenhor Inácio Nogueira Magalhães que era mantida pela instituição.

Após 33 anos consecutivos de festa, a 34ª edição foi realizada em julho de 2010 no mais famoso clube da cidade, então conhecido como SÍTIO FORRÓ LEGAL localizado na Rua João Pessoa atual saída de Camocim, ainda sob a organização total de Lions Club. Desta vez ninguém imaginava que ali estavam diante da última Festa da Lagosta de Camocim, pois muitos já criavam expectativas para o ano seguinte. Somente com a chegada do ano de 2011 passou-se a perceber nitidamente que aquela tradição cultural havia entrado no túnel do abandono e que a festa que era um diferencial em Camocim ia passar a ser esquecida. Hoje, pode-se imaginar quantas memórias temos dessa festa? Quantas historias foram perdidas? Quantos sonhos realizados seriam arquivados? Enfim... Para alguns camocinense seria normal, pois Camocim deveria se chamar de  "terra do já teve" e não seria a Festa da Lagosta que iria mudar esse cenário.