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quinta-feira, 19 de março de 2026

SPORT CLUB. A DATA CORRETA DO INCÊNDIO

 



Sport Club. Camocim-CE. Fonte: Ceará em Fotos.

A escrita histórica é matéria de constante atualização. Muito do que escrevo neste blog é baseado em fontes secundárias e, vez por outra, uma fonte primária aparece tendo que realizarmos a devida atualização. é o caso do incêndio do Sport Club, cujas ruínas localizadas na Rua José de Alencar, ainda desafiam o tempo enquanto as autoridades não tomam outra decisão. Aliás, na mesma rua, um outro prédio - o da Cadeia Pública, em pleno centro da cidade, desde que foi desativada, sofre o mesmo descaso.

Na postagem de 12 de abril de 2012 (A HISTORIA DOS INCENDIOS EM CAMOCIM) socorremos nos escritos do memorialista Artur Queirós, que afirmava que o incêndio teria ocorrido em 1931, ele que fora testemunha ocular do fato: 

Foi, portanto, no dealbar da fatídica manhã do ano de 1931, que acabou-se em chamas, o suntuoso SPORT CLUB, de histórica tradição, quando o povo espantado, saiu às ruas, ante o inusitado bimbalhar do sino da Igreja Matriz, anunciando a desdita. 

    Até outro dia, essa versão era tido como segura para a data do incêndio que "engoliu" a suntuosidade do clube onde o aviador camocinense Euclydes Pinto Martins e a tripulação do Sampaio Correia II foi recepcionada em 19 de dezembro de 1922. Embora Artur Queirós tenha antecipado o sinistro em dois anos, a percepção do incêndio pela população estava correta em sua mente. Mas, contra fatos não há argumentos, visto que o caso se deu "nas primeiras horas da madrugada" do dia 27 de setembro de 1933, a tempo do "Correspondente" do jornal A Ordem, editado em Sobral, enviar telegrama e a notícia sair na edição 1114 daquele dia. Transcrevemos a notícia telegráfica na íntegra, mantendo a grafia da época:

UM VIOLENTO INCÊNDIO DEVOROU O "SPORT CLUB" DE CAMOCIM

As primeiras horas madrugada hoje população cidade foi despertada toque alarme sinos igreja pt Primeiras noticias circularam davam lamentável nova ter sido incendiado suntuoso prédio "Sport  Club" de Camocinense" um dos melhores  edifícios cidade magnifico ponto recreio onde sociedade camocinense convivia em alegres festivas reuniões dansantes pt Estivemos local onde podemos constatar proporções incendio que irrompeu violentamente tendo ação do fogo destruido completamente os diversos salões forro soalho paredes internas que ruiam fragorosamente aos olhos atonitos multidão postada frente club pt Restam do edificio apenas paredes externas que alias ameaçam ruir pois apresentam grandes rachaduras pt Sport Club pertencia a viuva João Veras falecido ha meses aqui estava segurado na Companhia Internacional de Seguros por cincoenta contos pt Ignora se causa e autor sinistro não tendo policia comparecido local hora que estivemos local (5,50) restava intacta apenas cozinha cuja porta arrombada populares encontrou se interior mesma varios objetos sem grande valor como berço dois potes uma preguiçosa uma mesa redonda jantar um romance etc etc alguns moveis se achavam predio oram destruidos pt Ha pouco tempo proprietaria engeitara 35 contos pelo referido predio para nele ser instalada sede prefeitura local pt.

(O Correspondente)

    Feito este reparo, a postagem anterior também dizia da minha pretensão de um dia escrever um livro denominado: "Cidade em Chamas - a história dos incêndios em Camocim", para quando a aposentadoria chegasse. Ela enfim chegou, mas ainda me falta a "chama" para escrevê-lo. Por outro lado, eu denunciava nesta postagem as "eternas promessas" dos governantes em dotar Camocim de um Corpo de Bombeiros. Finalmente, em 2025, treze anos depois, ele está aqui instalado para debelar os incêndios futuros.


Fontes: Jornal A Ordem. Sobral-CE. 27 de setembro de 1933. ed. 1114. Hemeroteca da Biblioteca Nacional. Envio ao blog: Eládio Pereira.


sexta-feira, 17 de outubro de 2025

A HISTÓRIA POR DETRÁS DA FOTO. RUA ENGENHEIRO PRIVAT

 

"Não Passe". Rua Engenheiro Privat. Camocim-CE. Década de 1950. Fonte: Acervo Vera Trévia.

    Em postagem anterior datada do ano de 2011, afirmamos que a primeira rua de Camocim a ser pavimentada em   pedra tosca foi a atual Rua Dr. João Thomé,  e ilustramos com a foto que mostrava  o flagrante de crianças diante do cavalete disciplinador, brincando na rua,  com a inscrição "Não Passe! (Camocim Pote de Histórias. A Chegada do Calçamento, terça-feira, 15 de março de 2011).

    Em história é assim, a cada dia aparecem novas fontes a comprovarem ou não o que se disse antes. O texto anterior tinha razão quanto a rua Dr. João Thomé, contudo, uma das crianças presente na cena da foto, Vera Trévia, corrigiu um detalhe: a foto foi tirada na Rua Engenheiro Privat, ao lado do bar do Dedim Trévia

    Portanto, há uma historia por detrás da foto. Em conversa com Vera Trévia, testemunha ocular desta história e que ainda mora na mesma rua, ela nos contou sobre a circunstância da imagem e o nome das outras crianças presentes, algumas posando deliberadamente para o fotógrafo, outras, nem tanto, mostrando filhos de duas famílias tradicionais que moravam e brincavam naquela rua: Aguiar e Trévia. Novidade na rua, as obras de pavimentação chamavam a atenção tanto de adultos, como de crianças. O próprio flagrante é prova disso. 

   Segundo Vera Trévia, da esquerda para a direita temos o Gonzaga com a mão no peito, reverente (Luis de Gonzaga Rocha Aguiar, nascido em 1944, irmão de Murilo Aguiar), Vera Trévia e sua boneca preferida; Mentinha com uma bonequinha menor; Dulce Trévia, a garotinha de cabeça baixa segurada por Mentinha, talvez esboçando alguma reação para não aparecer na foto e Fernando Trévia Filho, o conhecidíssimo Fernandinho, de cabeça pelada, de costas para o fotógrafo, como se estivesse reprovando aquilo tudo. Detalhe: as meninas estão de pés descalços e os meninos calçados. Coincidência? Isso diz alguma coisa ou é um mero detalhe?

    São muitas histórias por detrás de uma foto. Com certeza, o fotógrafo diria uma outra, esclarecendo suas intenções e objetivos. Qual é a sua história?

Fonte: Entrevista com a Sra. Vera Trévia. Camocim-CE. 16/10/2025.

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terça-feira, 23 de setembro de 2025

XIV SETEMBRO CAMOCIM. AS ESCOLAS DE ANTIGAMENTE. V

 

Relação de escolas. Camocim. 1960

    Há uma década que Camocim comemora resultados satisfatórios no sistema de qualificação e avaliação da educação no Estado do Ceará. O Brasil, por sua vez, através do Ministério da Educação, adota alguns critérios, avaliatórios e metodológicos, deste sistema, para o desenvolvimentos de programas educacionais. Apesar da melhoria dos índices há ainda um grande caminho a percorrer e existe quem questione estes programas.
    Contudo, para o início de tudo é preciso sempre dar o primeiro passo. Se hoje comemora-se a conquista das "Escolas Nota Dez", do "ensino integral", dentre outras pautas, faz-se mister lembrarmos das dificuldades de antigamente, onde, ir para a escola era um privilégio de poucos e o Estado era pouco presente nas comunidades interioranas. 
    Se hoje temos uma Escola Profissionalizante, (e uma outra prometida) duas outras escolas de Ensino Integral (CEPI e Monsenhor José Augusto), e suas extensões na zona rural, um CEJA e um Centro de Idiomas, na década de 1960, eram apenas três pequenas escolas, das quais poucos tem lembrança.
    Para conhecimento de todos, revela a fonte dos almanaques de então. Em Camocim, no ano de 1960, registrava-se três escolas dependentes da Secretaria de Educação do Estado:
1. Escola Cabral - Nível pré-primário e primário, situada a Rua Humaitá, 1651;
2. Escola Dr. Raul de GoesNível primário, situada a Rua Dr. João Thomé, s/n. (Provavelmente na Associação Comercial;
3. Escola Egito - Rua 24 de Maio, 293. Bairro Egito (Rua do Egito).
    Se você estudou numa destas escolas ou teve um parente que aprendeu as primeiras letras numa delas, se manifeste.

Fonte: Almanaque do Estado do Ceará. 1960, p.35.
    
    
    
     

quarta-feira, 10 de setembro de 2025

XIV SETEMBRO CAMOCIM. OS HOTÉIS DE 1977. II

Fachada do antigo Camocim Hotel (Hotel da Ambrozina). Fonte: CPH.

    Na alta e na baixa estação é comum se noticiar a a lotação da rede hoteleira de Camocim pelos meios de comunicação.

    No entanto, para que tudo isso acontecesse, teve um começo. Não à toa, já na década de 1970, o poder público já antevia essa possibilidade de emprego e renda em nosso município. Na gestão do então prefeito Edilson Veras Coelho foi criada uma secretaria de turismo que foi uma espécie de embrião.

    Respondendo a uma demanda do Superintendente da Polícia Federal no mês de julho de 1977, a Prefeitura Municipal de Camocim informava a quantidade de hotéis que existia na cidade (apenas três), mostrando dimensão do quanto ainda engatinhávamos no setor.

Oficio Nº 141/77. Prefeitura Municipal de Camocim. 1977. Acervo: Sr. Osmundo Campos;


    No ofício expedido temos o nome dos hotéis e as diárias praticadas, que transcrevemos abaixo:

Praia Hotel - Rua Alcindo Rocha - Cr$ 80,00

Camocim Hotel - Rua Engenheiro Privat - Cr$ 100,00.

Hotel "O Pipiu' - Rua Engenheiro Privat - Cr$ 80,00. 

Detalhe: as refeições estavam inclusas no preço.

Naquela época até o dinheiro era diferente - o Cruzeiro. Hoje, em tempos da moeda "Real", só  de hotel e pousadas, fora as casas de veraneio, estamos próximos de atingir quatro mil leitos.


Fonte: Ofício nº 141/77. Camocim 12 de julho de 1977. Acervo particular do Sr. Osmundo Campos.

Foto: Ruínas da fachada do Camocim Hotel (Hotel da Ambrozina). CPH.

quarta-feira, 2 de julho de 2025

CALENDÁRIO HISTÓRICO DE CAMOCIM. MÊS DE JULHO

Coronel Libório. Fonte: Camocim Online

Estação de Camocim. Quadro de F. Chagas Albuquerque.





Em julho, mês dedicado ao imperador romano Júlio César e o "mês das férias", chegamos à metade do ano de 2025. Feriado nacional mesmo não temos em julho, mas é um més que temos muita coisa a comemorar. Para Camocim, é só conferir as datas abaixo para ficarmos mais atentos aos fatos da nossa história.

JULHO:

22 de julho de 1923 – Nasceu, na localidade de Tremendal, Distrito de Amarelas, Camocim-CE, Libório Gomes da Silva. Foi coronel da Polícia Militar do Ceará e deputado estadual por Camocim.

23 de julho de 1932 – Fundação da Sociedade Beneficente Ferroviária. Sede própria à Rua Santos Dumont, S/N.

24 de julho de 1878 – Entrada do Vapor Guará no Porto de Camocim, trazendo engenheiros e materiais para a construção da ferrovia. (Estrada de Ferro de Sobral)

28 de julho de 1920. Data da fundação da Augusta, Respeitável, Benfeitora, Benemérita e Centenária Loja Simbólica Deus e Camocim Nº 1, tendo a rente o italiano João Baptista Gizzi  Em 28 de julho de 2020, comemorou seu primeiro centenário

31 de julho de 1889 – Trafegou pela Estrada de Ferro de Sobral o Conde D’Eu, genro do Imperador D. Pedro II. Chegou a Camocim por um navio da Companhia Maranhense de Navegação a Vapor. Foi até Sobral. Na volta visitou em Granja a Igreja Matriz, Casa da Câmara e Cadeia e a residência do Sr. Carvalho Motta. Deu esmolas para casa de caridade em Sobral e Igreja Matriz em Granja, além de alguns populares

quinta-feira, 1 de maio de 2025

CALENDÁRIO HISTÓRICO DE CAMOCIM - MAIO



    O mês de maio é muito festejado. Começando logo pelo dia primeiro, homenageando o trabalho e o trabalhador, o mês da coroação de Nossa Senhora, das mães, das noivas e das flores... 

    Na história de Camocim marca a fundação de instituições civis, religiosas, além da criação de nossa identidade simbólica. Fiquem com o mês de maio. Ao longo dele, poderemos atualizá-lo com outros fatos importantes de nossa história.

05 de maio de 1882 – Morte do Dr. José Privat, aos 47 anos de idade – Primeiro–engenheiro da Estrada de Ferro de Sobral. Seus restos mortais se encontram depositados na Igreja Matriz de Camocim, transladados do cemitério local em 11 de janeiro de 1886 por ordem do Bispo D. Joaquim. Natural do Rio de Janeiro,  em sua homenagem denominou-se Engenheiro Privat uma rua em Camocim e um lugarejo entre esta cidade e Granja.

06 de maio de 1962 – Fundação do Serviço de Promoção Humana – SPH, pelo padre Luís Gonzaga Melo.

08 de maio de 1969 - Sanção da Lei Municipal Nº 254 de 8 de maio de 1969 pelo Prefeito Municipal de Camocim Setembrino Fontenele Veras que doou um terreno para a construção da Agência da Capitania dos Portos em Camocim, na Praça Severiano Morel.

18 de maio 1955 – O Prefeito Murilo Aguiar envia carta ao Bispo D. José Tupinambá da Frota, solicitando o Pe. Ivan Pereira de Carvalho para vir dirigir o Ginásio Padre Anchieta a ser fundado.

20 de maio de 1976 - Sanção da Lei Nº 331 de 20 de maio de 1976, que dispôs sobre a Bandeira e as Armas do Município de Camocim.


31 de maio de 2001. Data da fundação da Academia Camocinense de Letras (ACAL), posteriormente rebatizada de Academia Camocinense de Ciências, Artes e Letras (ACCAL), por iniciativa do escritor Roberto Pires de Oliveira.

Fontes:

Mês de Maio: https://andreortiz.com.br/como-vender-mais-no-mes-de-maio/

Bandeira de Camocim: https://www.mbi.com.br/.../bandeira-municipio-camocim.../




quarta-feira, 2 de abril de 2025

CALENDÁRIO HISTÓRICO DE CAMOCIM. ABRIL

 



Fosse eu uma autoridade instituiria o mês de abril em Camocim como o ABRIL PINTO MARTINS, assim como Sobral fazia antigamente o "Setembro D. José". De todo modo, anualmente a rede escolar municipal dedica ao ilustre conterrâneo um sem numero de atividades pedagógicas. Afora isso, o mês está recheado de datas relacionadas a educação, política e infra estrutura da cidade. Comemoremos, pois!

ABRIL

O7 de abril de 1891. Nascimento do general camocinense Onofre Muniz Gomes de Lima. Senador da República.

10 de abril de 1964 - Sanção da Lei Municipal Nº 198 de 10 de abril de 1964 pelo Prefeito Municipal de Camocim, João Batista Rocha Aguiar, que autorizou a criação de 20 (vinte) escolas para a Educação Primária no município, assim como de 20 (vinte) cargos de Professora Municipal.

12 de abril de 1967 - Sanção da Lei Municipal Nº 230 de 12 de abril de 1967 pelo Prefeito Municipal de Camocim, Setembrino Fontenele Veras que fez doação de um terreno à Rua da Praia, nesta cidade para a CEARÁ PESCA S/A – COMPANHIA DE DESENVOLVIMENTO, para ser utilizado no prazo de doze meses, para a construção de uma Fábrica de Gelo. (CEPESCA).


12 de abril de 1924 – Morreu no Rio de Janeiro o aviador camocinense Euclydes Pinto Martins.

15 de abril de 1892. Nasceu em Camocim o aviador Euclydes Pinto Martins, idealizador do voo pioneiro entre Nova Iorque e Rio de Janeiro, realizado entre novembro de 1922 a 08 de fevereiro de 1923.

19 de abril de 2025 - Data prevista para a instalação da Loja Maçônica Euclydes Pinto Martins, em Camocim.

21 de abril de 1955 – Dia de Tiradentes, primeira aula do curso preparatório, com mais de 30 alunos, berço do futuro Ginásio Padre Anchieta. Este curso funcionou na Associação Comercial de Camocim.

Fonte: Folhinha do mês: Pinterest
Pinto Martins: Revista A Semana.RJ, 1923.

sexta-feira, 28 de março de 2025

LOJA MAÇÔNICA EUCLYDES PINTO MARTINS. CAMOCIM-CE



Logomarca da Loja Maçônica Euclides Pinto Martins. Camocim-CE.


              A maçonaria em Camocim existe há mais de um século, mais precisamente, 125 anos, desde que o italiano Jean Baptiste Gizzi, juntamente com outros cidadãos que moravam em Camocim em 1920, trouxeram para cá os princípios maçons.
    Naquela época, Camocim se inscrevia no pioneirismo cearense em fundar uma loja maçônica, a Augusta, Respeitável, Benfeitora, Benemérita e Centenária Loja Simbólica Deus e Camocim Nº 1. Ao longo do tempo, para além dos serviços prestados pelos maçons no campo da filantropia em nossa comunidade, muitos cidadãos camocinenses foram iniciados nos ritos maçônicos.
            As instituições centenárias, por sua longevidade acabam se transformando, por vezes se multiplicando ou se dividindo para atender aos interesses e objetivos que o tempo reclama, afinal de contas são feitas por homens em sociedade. Deste modo, um grupo de maçons de Camocim resolveram fundar uma nova loja, homenageando o filho mais ilustre do município, o maçom e aviador Euclydes Pinto Martins. Teremos, portanto, a partir de agora em Camocim, duas lojas maçônicas. Para efeito de comparação, Sobral tem hoje em funcionamento, cinco lojas.
             As primeiras informações dão conta de que a existência da nova loja já foi comunicada ao Eminente Ir. Leonardo de Almeida Monteiro, Gr. M. do Grande Oriente do Brasil do Estado do Ceará (GOB-CE) com o nome de Augusta e Respeitável Loja Simbólica Euclydes Pinto Martins, cujos cargos já foram preenchidos pelos irmãos eleitos interinamente e que estão se reunindo semanalmente nas sextas-feiras no horário das 19:30h, trabalhando no RITO ESCOCÊS.
            Na nova loja o mandato da diretoria será bienal e a sede provisória está situada na Rua Dr. Raimundo Veras, 2001-A, no bairro Nossa Senhora de Fátima, CEP: 62.400-000. Camocim-CE.

            Segue abaixo a lista dos irmãos fundadores da nova loja maçônica Euclydes Pinto Martins em Camocim, por ordem alfabética:
1. Antonio Cleile Martins Oliveira; 2. Antonio Vandenvelde Dalio de Oliveira; 3. Carlos Feitosa de Freitas; 4. Danilo Lopes Locateli; 5. Demétrio Leandro; 6. Eduardo Noemandia Albuquerque Neto; 7. Gilson dos Santos Pereira; 8. José Eduardo Miranda; 9. José Valdir de Lima; 10. Juvane José Correa; 11. Kennedy de Sousa Braga; 12. Libni Saulo Carneiro de Oliveira; 13.Márcio Glaidson Pereira de Sousa; 14. Magno Cronemberger de Oliveira; 15. Silvio Laeth Barros Almada; Vicente de Paula Pinto Veras.
            Desejamos vida longa a mais nova instituição camocinense.
            
   Fonte:Arquivo da Augusta e Respeitável Loja Simbólica Euclydes Pinto Martins
          

















 

sábado, 10 de agosto de 2024

PELAS RUAS DE CAMOCIM... MEMÓRIAS SENSORIAIS

Fachada do Colégio Estadual Professor Ivan Pereira de Carvalho. Camocim-CE.


    O trajeto de hoje foi pelas ruas Marechal Floriano, D. Pedro II, Riachuelo, Perimetral, Santos Dumont, Tiradentes e 24 de Maio. Se fosse trabalhar o território percorrido pela nomenclatura, a ligação é evidente com a história do panteão histórico do país. Contudo, as nossas vivências por essas ruas se misturam com as cenas que percebemos no momento em que trafegamos por elas.

    Daí, passar pela Rua Pedro II é tentar identificar a casa em que funcionou a antiga cadeia pública (próximo das seis bocas cortada pela rua Humaitá) na próxima esquina, onde pontifica a Pousada Tropical, minha memória olfativa me lembra do cheiro forte de tinta e cimento de uma fábrica de mosaicos que ali funcionou na década de 1970. Por ali eu passava para estudar no velho CEPA - Colégio Estadual Padre Anchieta. 

    Entro na Riachuelo e o hoje CEPI- Colégio Estadual Professor Ivan me remete ao CEPA de 1978 onde cursei a então 8ª série ginasial. Onde estarão os sobreviventes desta época?

    Duas quadras depois, na esquina do antigo Centro Social Urbano (CSU), Tinildo, envergando uma camisa vermelha berrante, (não deu tempo tomar a benção a ele dessa vez) se posta impassível diante do movimento das pessoas que passam para lá e pra cá em busca das delícias da Padaria do Zé Fonteles. Impossível não lembrar dele e sua carroça vendendo o pão vespertino de cada dia pelas ruas da cidade em tempos idos.

Já quase chegando às Quatro Esquinas me lembro da Senzala, uma casa noturna que funcionou por pouco tempo e hoje é um lava-jato. Na esquina seguinte, retalhos da minha infância, da segunda casa onde moramos, defronte do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e vizinho do Zé Guilherme. Quantas histórias e memórias numa rua só. Mais adiante, a casa de Pedro Rufino ainda resiste como ícone de uma lembrança militante comunista. Antes da confluência com a Perimetral, vamos encontrar o sapateiro Paulo Açúcar, absorto na costura de um "pisante" de algum freguês...

Até outro dia...

Foto: https://www.google.com/search?

sexta-feira, 26 de julho de 2024

PELAS RUAS DE CAMOCIM... NOSTALGIA E HISTÓRIA


Chácara na confluencia das ruas Dr, João Thomé com Humaitá. 2024. Foto: Arquivo do CPH.

Marechal Floriano, Humaitá, Tiradentes, 24 de Maio... Na caminhada de hoje, os nomes das placas das ruas me remetem à história do Brasil Colônia através de Tiradentes, ao Brasil Império pela Guerra do Paraguai, ao Brasil República via Floriano. Embora entre nós, essas temáticas estão um pouco distantes.

Entro pela rua Humaitá e dou de cara com a antiga sede do Sindicato dos Portuários, agora esmaecida na cor e sem o ambiente associativo de outrora, do tempo em que ainda tínhamos porto. Mais à frente, o prédio do INSS, evoca em minha lembrança as tensões das antigas contagens eleitorais que duravam dias, com o povaréu nas calçadas adjacentes esperando os resultados das urnas com radinhos de pilha colados aos ouvidos, sintonizados nas rádios União e Pinto Martins.

Dois quarteirões depois, dá gosto contemplar a quadra verde da chácara que funciona como o "pulmão" do centro da cidade, resistindo às intempéries e à especulação imobiliária.

Dobro na Tiradentes e novamente na 24 de Maio onde fica a casa da mamãe, ponto de descanso para um bom papo e assistir com ela a novela Alma Gêmea.

Neste trajeto, poderia escrever sobre a azáfama de uma oficina, o olhar perdido do Beata, a moça bonita de outrora que enverga o peso do tempo, de militares aposentados que jogam conversa fora num bar. Mas, para isso eu precisaria ser um escritor. Fiquem com a narrativa do historiador.

quarta-feira, 17 de julho de 2024

PATRIMONIOS DE CAMOCIM... MAIS DESTRUÍDOS DO QUE PERSERVADOS

Casa demolida na Rua Alcindo Rocha. Camocim. 2024. Foto: Marcelo Marques.


    Reza a lenda que nós só damos aquilo que temos. 

    Eu, por meu turno,  já perdi a esperança de querer influenciar (para usar o verbo da moda) as consciências das pessoas de que a preservação da nossa história é algo importante para a construção da nossa identidade e que pode até se lucrar com isso. Talvez, educando as crianças desde tenra idade em casa e na escola, elas possam no futuro conservar o que se está construindo no presente. Toda vez que se bota abaixo um patrimônio de pedra e cal, alguns lastimam, outros aplaudem. Isto é da compreensão de cada um.

    A instituição de uma política pública de feição preservacionista quem o pode fazer é o Estado, intervindo, inclusive nos interesses privados. 

    Em Camocim, o poder público tem até uma lei aprovada neste sentido. Mas, não adianta legislar sem ter o aparato jurídico para executar a lei, implementar as condições para definir áreas e patrimônios a serem tombados. Deste modo, os herdeiros destes patrimônios sentem-se a vontade para demolir seus velhos casarões, no sentido de varrê-los da face da terra e incorporá-los como novos espaços no mercado imobiliário. 

    Há uma outra questão a ser resolvida: o quê e quem determina algo como histórico? Será que somente as duas casas demolidas na rua Alcindo Rocha recentemente, por terem algum resquício arquitetônico eram patrimônios históricos? Ninguém chorou pelas demais, casas simples, quando o quarteirão era eminentemente residencial e se tornou comercial.

    Vivemos, portanto, a era preconizada lá atrás por Caetano Veloso da "força da grana que ergue e destrói coisas belas".

    Mas, como nem tudo está perdido, um fio de esperança permanece em ações como a do proprietário de uma casa da rua José Maria Veras (outrora Senador Jaguaribe). No trecho entre Dr. João Thomé e José de Alencar, quando 99% dos antigos prédios foram abaixo, ele reforma sua fachada nos moldes da antiga residência do deputado Murilo Aguiar.

Casa na Rua José Maria Veras. Camocim. 2024. Foto: Arquivo o blog.


    Não foi preciso nenhuma lei dizer para ele como proceder. 

    Nós só damos aquilo que temos.


quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

O REISADO DE CAMOCIM

 

Reisado em Camocim. 2023. Fonte: Arquivo do blog.

E O REISADO VOLTOU...

Hoje,  3 de janeiro de 2023 foi dia do Reisado visitar a Rua Marechal Floriano
Um grupo de católicos brincantes reviveram um pouco da tradição do reisado que em Camocim estava quase extinto. 
Abri a porta e acendi a luz para um grupo novo e rejuvenescido por jovens de várias faixas etárias. 
Isso é bom porque mantém a chama viva das nossas manifestações culturais e religiosas. 
A última vez que tinha feito este gesto de abrir a porta e acender a luz tinha sido para a Dona Maria do Campo e um pequeno grupo que lhe acompanhava para não deixar morrer a festa.
Que bom que o reisado voltou!!!

A partir desta postagem no Facebook, vários comentários oram eitos, relembrando alguns aspectos desta manifestação folclórica e religiosa da nossa tradição cultural. Reproduzimos abaixo alguns destes comentários:

Inácio Santos
Outrora o tradicional grupo de reisado, ao som do solo de trombone do saudoso Benone, assim abordavam as famílias:
" Senhor dono da casa / abra a porta por favor / que do céu está caindo / uma grinalda de flor."

Francisco Olivar 
Acordar na madrugada com os cantos '' Oi de casa, nobre gente ,acordai ,..........,não tem preço,participei talvez do último que foi do 1974. Parabéns ao grupo.

Carlos Augusto Santos
Francisco Olivar, os grupos de reisados vão se revezando ao longo do tempo. Há uns 30 anos que a tradição vem sendo mantida pela Dona Maria do Campo. Hoje, devido a problemas de saúde ela não sai mais. O reisado vem sendo assumido por grupos ligados à Igreja Católica. Neste ano, a revitalização está a cargo da Renovação, com bastante gente jovem. Na verdade, o reisado nunca morreu, estava apenas adormecido...

Paulo Chibata
"O Deus salve casa santa aonde Deus fez a morada, Aonde mora Cálice Bento e a Hóstia consagrada"...

Charles Nunes de Melo
Lembro-me desta cantada quando o morador nada ofertava: "Vou-me embora, vou-me embora, pois aqui não volto mais, esta casa é maldita, nela mora o satanás."

Vida longa ao reisado de Camocim!



sábado, 25 de março de 2023

UMA RUA, DOIS GENERAIS. O CASO DA RUA GENERAL TIBÚRCIO EM CAMOCIM

 

Antônio Tibúrcio Ferreira de Sousa.´Foto: Sébastien Auguste Sisson.


    Há muito tempo já denunciei neste espaço o erro contido nas placas da Rua General de Tibúrcio em Camocim. Explicando o caso: a referida rua, desde 1930 chamava-se Rua General Tibúrcio, uma homenagem ao general Antônio Tibúrcio Ferreira de Sousanascido em 11 de agosto de 1837 em Viçosa do Ceará, combatente na Guerra do Paraguai e falecido em Fortaleza, em 28 de março de 1885.



Manuel Tibúrcio Cavalcante. Fonte: coisadecearense.com.br

        No entanto, por volta de 2010 a administração municipal trocou as antigas placas por novas, mas trocou também o nome de algumas ruas e atualizou outras. No caso da Rua General Tibúrcio, transformou-se em Rua General Tibúrcio Cavalcante, também cearense, nascido em Morada Nova-CE, como Manuel Tibúrcio Cavalcante, em 24 de dezembro de 1882, quando a Guerra do Paraguai já havia terminado há 12 anos. Como militar participou ativamente como Engenheiro-Ajudante da construção das linhas telegráficas de Mato Grosso, sendo chefiado pelo famoso Marechal Rondon.
    Identificado o erro de nomenclatura levei o caso na Câmara Municipal de Camocim. Os vereadores votaram a retificação, contudo, o "Tibúrcio Cavalcante" continua incólume nas placas ainda hoje, repetido nas correspondências e, no caso, tomando o lugar do outro.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

A PRÁTICA DA FARMÁCIA EM CAMOCIM

 

Símbolo da Farmácia. Fonte: Internet.


Em postagens anteriores já enfocamos a relação de Camocim com a chamada “farmácia oficinal” que colocaram a município no mapa da produção de remédios como as GOTAS ARTHUR DE CARVALHO e o ESPECÍFICO PESSÔA, notadamente na década de 1940.

Neste sentido, nomes como Joaquim Arthur de Carvalho e seu filho José Arthur de Carvalho (nome de rua em Fortaleza) fazem parte de uma tradição histórica que envolvem a prática de farmácia e o estudo acadêmico da área, que, no Ceará, começa em 1919 com a instalação da Faculdade de Farmácia no estado.

Portanto, desde 1861, quando se fundou no Ceará a Inspetoria de Higiene do Estado, responsável por licenciar os “práticos de farmácia”, que vários destes profissionais assumiram a tarefa de curar e administrar medicamentos para a população em geral, às vezes passando o conhecimento para várias gerações familiares, como os Carvalhos e Torquato Pessoa. Atualmente, por exemplo, a família do farmacêutico Chico Sousa já está na quarta geração a frente deste tipo de estabelecimento em Camocim.

Para o registro histórico, fizemos um apanhado regional dos práticos “licenciados pela antiga Inspetoria de Higiene do Estado, até 1919, ano da instalação da Faculdade de Farmácia do Ceará”:

Conrado Porto, Granja, 1899

Aurélio Pessôa, Camocim 1900,

Júlio Guimarães, Camocim, 1906,

Sebastião Freitas, Camocim, 1907

Domingos Braga. Itapipoca, 1913

Filomeno Silveira, Acaraú, 1913

Hugo Mota, Granja, 1918”.

 

Se hoje se observa o aumento constante deste tipo de comércio em nossa cidade, chegando a se ter de 04 a 05 farmácias numa mesma rua, o embrião está num passado distante. Hoje uma farmácia tem de quase tudo,    “inclusive remédio”, como diz uma propaganda radiofônica de uma farmácia sobralense. Sinal dos tempos!

 

Fonte:

A Voz dos Práticos. Fortaleza-CE, 1948. Edição 02, p.06, setembro de 1948.

https://myloview.com.br/poster-simbolo-de-farmacia-copa-de-higia-no-E1BAE5. 

 

 

 

 

sábado, 3 de dezembro de 2022

ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DE CAMOCIM. NOSSO ÚNICO BEM TOMBADO PELO PATRIMÔNIO ESTADUAL

 Num momento em que a questão patrimonial começa a ser discutida em nossa cidade, seja pelo processo acelerado de destruição de prédios históricos, seja pelas poucas tentativas de se adotar uma política pública de preservação e conservação do patrimônio cultural, reproduzo aqui um "lugar de memória" dos camocinenses, erguido ainda no século XIX. O artigo foi publicado no site do Laboratório de Estudos dos Mundos do Trabalho (LEHMT/UFRJ), dia 30/11/2022.

LMT #118: Estação Ferroviária de Camocim (CE) – Carlos Augusto Pereira dos Santos


Carlos Augusto Pereira dos Santos
              Professor do Curso de História da Universidade Estadual Vale do Acaraú


Menino da Rua do Egito em Camocim, filho de maquinista,
morando à beira da linha, eu terminei ficando com o trem no
sangue, como diz Rachel de Queiroz.

(Pe. Luís Ximenes, em Paixão Ferroviária, 1984)

AEstrada de Ferro de Sobral, no Ceará, funcionou por quase um século.  Quando da seca de 1877, o Governo Imperial autorizou a análise da viabilidade da ferrovia, no sentido de socorrer os flagelados com postos de trabalho e minimizar a fome que assolava o território cearense. Além disso, a construção da ferrovia seria uma forma de ligar os sertões do norte da província ao porto de Camocim, considerado o de melhor navegabilidade no estado. Os estudos para a construção da estrada de ferro tiveram início em 1878. No ano seguinte, a 26 de março de 1879, realizou-se com solenidade de estilo, o assentamento do primeiro trilho da estrada de ferro em Camocim. Neste mesmo ano, Camocim passou à condição de município se emancipando de Granja. A inauguração do primeiro trecho da Estrada de Ferro de Sobral, entre Camocim e Granja, numa extensão de 24,5 quilômetros, ocorreu no dia 15 de janeiro de 1881, dois anos após o início dos trabalhos.

Construída para ser o ponto inicial que interligava o Porto de Camocim à Sobral, a estação ferroviária apresenta traços da influência europeia no Brasil no que diz respeito às edificações ferroviárias erguidas durante o século XIX. Como se disse anteriormente, a chegada da ferrovia provocou imediatamente a mudança de status administrativo de Camocim alavancando as transações comerciais que já se faziam pelo porto, escoando a produção agropecuária do noroeste cearense. Em pouco tempo, estas atividades demandaram a chegada na cidade da Alfândega, do Banco do Brasil, dos Correios, entre outras repartições públicas e privadas.

A ferrovia para Camocim e região promoveu não somente a economia regional, mas, um interessante espaço para se compreender o mundo do trabalho naquela época. O complexo ferroviário, no auge de suas atividades, chegou a ter em média 800 trabalhadores entre a administração e o pessoal alocado nas oficinas de manutenção de trens. Estas oficinas foram importantes para a formação de várias categorias profissionais como mecânicos, torneiros, carpinteiros, ferreiros, dentre outras. A maioria destes trabalhadores era de Camocim e da região noroeste do estado. Grande parte dos ferroviários se estabeleceram em ruas próximas da estação e os funcionários mais graduados, como os engenheiros e agentes de estação, tinham moradia dentro do pátio de manobras de trens ainda hoje preservadas e habitadas por descendentes destes.


A presença de uma massa de trabalhadores na ferrovia e no porto acabou por despertar as ideologias políticas da época.


Com efeito, a cidade de Camocim foi a primeira do interior cearense a organizar uma célula comunista em 1928 e por conta de seu histórico de lutas na própria ferrovia, acabou por obter o epíteto de “Cidade Vermelha” na imprensa comunista. Por outro lado, o integralismo, embora em menor número, esteve presente entre os trabalhadores ferroviários no contexto da polarização ideológica dos anos 1930.

Um exemplo dessa militância pode ser observado no episódio que ficou conhecido como “A Rebelião da Ferrovia”. Entre novembro de 1949 e janeiro de 1950 uma greve de ferroviários tomou conta da cidade em um protesto contra o fechamento das oficinas de manutenção e a tentativa de transferir funcionários da ferrovia para outros locais. A greve ganhou ares de revolta popular, envolvendo várias categorias e lideranças sindicais. O leito da ferrovia foi interditado pela população com paus, pedras e caldeiras velhas evitando assim a saída dos trens. A tensão durante a rebelião foi muito intensa, a ponto de ser instalada uma espécie de sirene na Estação Ferroviária que era acionada para chamar os manifestantes a qualquer hora do dia quando se percebia algum movimento da direção da ferrovia em desobstruir a via férrea. As mulheres, muitas delas organizadas pela União Feminina Camocinense ligada ao Partido Comunista, tiveram uma participação particularmente significativa na greve e na rebelião popular.

Apenas a vinda de um representante do Ministro de Obras e Viação e do próprio Governador do Estado acalmou os ânimos. Em um grande comício, essas autoridades terminaram por atender ao clamor popular e as oficinas e os funcionários foram mantidos na cidade.

No entanto, o processo de desmonte do ramal ferroviário Camocim a Sobral se acelerou a partir de 1950. Os funcionários foram sendo paulatinamente transferidos para outras estações e praticamente não houve substituição do material rodante neste período até o fechamento do ramal.

Em 24 de agosto de 1977, o último trem partiu de Camocim rumo à Sobral, pondo fim a 96 anos de serviços prestados pela ferrovia à população da então zona norte do Ceará, e de muitas histórias do mundo do trabalho e dos trabalhadores da “estrada”.  Hoje, tombada pelo patrimônio público estadual, a estação ferroviária sedia a Secretaria da Educação Municipal.

Ferroviários em greve e população obstruem a ferrovia. Camocim.  Fonte: Arquivo particular da Sra. Elda Aguiar.

Para saber mais:

  • CARVALHO, Cid Vasconcelos deO Trem em Camocim: Modernização e Memória. 2001. Dissertação (Mestrado em Programa de Pós-Graduação em Sociologia) – Universidade Federal do Ceará.
  • OLIVEIRA, André Frota de. A Estrada de Ferro de Sobral. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 1994.
  • SANTOS, Carlos Augusto Pereira dos. Entre o porto e a estação. Cotidiano e cultura dos trabalhadores urbanos de Camocim-CE. 1920-1970. Fortaleza: INESP, 2014.